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Patrimônio Histórico edificado: após o tombamento, o que fazer?

Historical Heritage buildings: after the registration, what can be done?

Margareth de Oliveira Crecencio [email protected] Orientador: Brenno Vitorino Costa

RESUMO: Esse artigo mostra um comparativo entre imóveis edificados no Centro

Velho de São Paulo e como o tombamento pode trazer melhorias no uso e preservação desses imóveis, bem como estimular a memória e identidade de um povo e o valor histórico, cultural e paisagístico do local. Para isso foram realizados levantamentos para verificar a situação dos prédios e como poderiam ser utilizados para trazer benefícios a população e aos turistas. Neste artigo são descritos exemplos bem sucedidos e aqueles que ainda necessitam da ajuda dos órgãos responsáveis para que atendam as expectativas.

Palavras-chave: turismo; patrimônio histórico; tombamento; memória; identidade.

ABSTRACT: This article shows a comparison between buildings built in the Old

Center of São Paulo and how the registration can bring improvements in the use and preservation of these buildings and enhance memory and identity of the people and the historical, cultural and landscape of the site. According to this matter visits were made to verify the situation and how the buildings could be used to benefit the population and tourists. In this article we can see examples of success and those who still need help from responsible agencies to meet expectations.

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1 Introdução

Segundo definição da Organização Mundial de Turismo (OMT) o turismo é o deslocamento de pessoas de seu domicílio habitual, por mais de vinte e quatro horas, com finalidade de retorno, e pelas mais diferentes razões. Uma dessas razões é a vontade que a pessoa tem de entrar em contato com novos povos, culturas e conhecer costumes e a história dos locais.

Segundo o Ministério do Turismo (BRASIL, 2008):

O turismo cultural é o segmento que compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura.

Assim, na prática, podem-se considerar como constitutivos do patrimônio histórico as edificações e os espaços públicos ou privados que são representativos de uma forma de viver, que são expressão de uma cultura, ou da arte de um determinado período.

São Paulo é uma grande cidade, uma metrópole. O início de seu crescimento se deu na segunda metade do século XIX, em que houve uma intensa urbanização devido às grandes negociações que eram promovidas com os produtores de café e, mais adiante, a industrialização acabou trazendo pessoas de todos os lugares do interior do País e também imigrantes europeus para serem trabalhadores nas fábricas. Assim, com toda essa concentração de pessoas e indústrias na cidade, o número de edificações também aumentou. Tudo isso faz parte da história e, para conservá-la viva na memória e marcá-la como identidade de um povo é que foram criados órgãos que definem e cuidam dos patrimônios históricos e culturais, revelando a importância e o significado de um bem material ou imaterial.

Segundo Pires (2001):

O problema da identidade cultural emaranhou-se e, como fruto, complicou a delicada questão da preservação do Patrimônio Histórico, que trata especificamente, da cultura material. […]

São Paulo acabou se transformando em uma cidade onde ninguém se sente em casa, porque não estão faltando apenas segurança, áreas verdes e outros componentes tão essenciais, falta, sobretudo, Identidade Cultural, que só se consegue com a preservação do patrimônio, entendido no sentido mais abrangente. (PIRES, 2001)

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De acordo com Rodrigues (2003) “É de todo compreensível à distância entre o patrimônio cultural e a maioria da população brasileira, uma vez que essa não reconhecia nele nada seu”.

Como medida de preservação desse patrimônio, criou-se o processo de tombamento, que se caracteriza como "um ato administrativo realizado pelo Poder Público, com o objetivo de preservar para a população, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e até afetivo. A intenção é impedir que esses bens venham a ser destruídos ou descaracterizados" (SÃO PAULO, 2010). Conforme esses órgãos os imóveis tombados podem mudar de uso, desde que esse uso não cause prejuízo ao bem. Contudo, percebe-se que muito da memória paulistana está se deteriorando, sendo que os patrimônios edificados estão sendo utilizados como estacionamentos, alojamentos, dentre outras maneiras, afastando a população desses estabelecimentos. Portanto, o presente estudo tem como objetivo levantar a situação de alguns imóveis edificados do centro velho de São Paulo, especificamente na área entre as Ruas Roberto Simonsen, o Pátio do Colégio, a Rua Boa Vista e a Rua XV de Novembro, chamado de Ruas do Triangulo, e comparar o uso deles entre si, para que se destaquem as boas soluções de uso moderno desses edifícios.

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Para isso há uma necessidade de identificar os patrimônios históricos edificados no centro velho de São Paulo, e quais deles são tombados. Juntamente com os órgãos designados para a preservação destas edificações, fazer uma análise quanto a possíveis diretrizes de restauração e das utilizações destes edifícios.

Considerando-se o caráter exploratório deste trabalho, utilizou-se uma pesquisa bibliográfica, necessária para elaborar a base conceitual do artigo, e uma pesquisa documental, com o objetivo de identificar os prédios tombados na região central de São Paulo. De forma complementar, também foram realizadas pesquisas de campo, visitando-se os patrimônios edificados selecionados pela pesquisa documental, utilizando-se de uma observação assistemática, registrando-se por fotos a situação e uso desses locais.

2 Patrimônio Histórico

De acordo com a Constituição Federal, em seu artigo 216, "constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira".

Esse mesmo artigo da Constituição define o conceito de patrimônio cultural a partir de suas formas de expressão; de seus modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Em todo o mundo há uma grande preocupação quanto à preservação do Patrimônio Histórico da Humanidade, e o órgão designado para este fim é a Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco). A Unesco é responsável pela definição de regras e proteção do patrimônio histórico, e foi fundada em 16 de novembro de 1945. Ela “funciona como um laboratório de idéias e como uma agência de padronização para formar acordos universais nos assuntos éticos emergentes”. (UNESCO, 2010)

As prioridades e desafios da Unesco (2010) em matéria de cultura são: “preservar e respeitar aquilo que é especifico de cada cultura, levando-as ao mesmo tempo a

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preservar e respeitar o que é especifico ao outro, a uma atitude que as una e as leve a um mundo mais interativo e interdependente”.

No Brasil, o órgão que atua na gestão, proteção e preservação do patrimônio histórico do país é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura. Foi criado em 13 de janeiro de 1937, no governo de Getúlio Vargas que, com um projeto de Mario de Andrade, e preocupados com a preservação do patrimônio cultural brasileiro, trataram de elaborar e criar leis para estes fins (IPHAN, 2010).

2.1 A importância da preservação do patrimônio histórico

O patrimônio histórico não é importante somente pelo que pode trazer de benefícios ao povo quando de seu uso pelo turismo ou outras em que haja impacto econômico; ele é importante para a conservação da memória e manutenção da identidade da população, pela melhoria da qualidade de vida da comunidade, e isso se consegue através da proteção e preservação. Foi com essa preocupação que se criaram os órgãos para preservação histórica e cultural no mundo.

No Brasil, como já citado, o IPHAN é um órgão que atua a nível nacional, mas em cada estado existem órgãos que são responsáveis pela preservação do Patrimônio Histórico.

Em São Paulo, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) foi criado em 22 de outubro de 1968. É o órgão responsável pela identificação, classificação, restauração e preservação dos bens móveis e imóveis existentes no território do Estado, e que integram o patrimônio histórico, arqueológico, artístico e turístico, e tem como objetivo proteger, valorizar e divulgar o patrimônio do estado (SÃO PAULO, 2010).

O Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) que teve sua origem no Departamento de Cultura e reformulado quando da criação da Secretaria Municipal da Cultura, é o órgão responsável pela identificação, cadastramento, controle e preservação dos bens culturais do município de São Paulo. O DPH é o órgão de apoio ao CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) criado em 27 de dezembro de 1985,

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como um órgão colegiado de assessoramento cultural, cujas atribuições determinam sua responsabilidade pela formulação de diretrizes a serem obedecidas na política de preservação e valorização dos bens culturais no Município de São Paulo procedendo ao tombamento total ou parcial de propriedade pública ou particular, pelo valor cultural, histórico, artístico, arquitetônico, documental, bibliográfico, paleográfico, urbanístico, museográfico, toponímico, ecológico e hídrico, definindo a área envoltória destes bens, comunicando o tombamento aos órgãos assemelhados e cartórios, fiscalizando o uso apropriado destes bens (CONPRESP, 2010).

2.2 Tombamento

De acordo com a Prefeitura Municipal de São Paulo, o tombamento significa um conjunto de ações realizadas pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados, ou seja, é uma forma de intervenção do Estado na propriedade privada, que tem por objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. O tombamento pode ser aplicado a bens móveis e imóveis de interesse cultural ou ambiental, quais sejam: fotografias, livros, mobiliários, utensílios, obras de arte, edifícios, ruas, praças, cidades, regiões, florestas, cascatas, etc. Somente é aplicado a bens materiais de interesse para a preservação da memória coletiva. (KAMIDE; PEREIRA, 1998)

As questões relacionadas ao tombamento geram muitas dúvidas entre as pessoas envolvidas com este processo. Deve-se dizer que o tombamento não é uma desapropriação; apenas proíbe que venha a ser destruído ou descaracterizado. Logo, um bem tombado não necessita ser desapropriado. O tombamento é a primeira ação para a preservação dos bens culturais, que se torna visível a partir do momento em que o bem se encontra em bom estado de conservação, propiciando sua utilização. A definição de critérios para intervenções em bens culturais tombados tem como objetivo assegurar sua integridade, considerando-se o interesse da coletividade. Não é um ato autoritário porque sua aplicação é avaliada e deliberada por um Conselho formado por representantes da sociedade civil e de órgãos públicos, com poderes estabelecidos pela legislação. (DEPARTAMENTO…, 2010)

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2.3 O outro lado do tombamento

Existem muitas dificuldades quanto à compreensão e a aceitação sobre a necessidade da preservação através do tombamento de bens privados. A falta de conhecimento da política de proteção patrimonial de bens tombados gera muitas dúvidas, de acordo com Jose Lefévre, que diz que “muitas pessoas acham que o tombamento é uma condenação ao bem”. Segundo Jorge Eduardo Rubies, presidente da associação Preserva São Paulo, “tem quem se orgulhe por ter um imóvel tombado, mas são poucos”.

Segundo o Decreto-lei 25/37, o tombamento pode ser voluntário sempre que o proprietário o pedir e o bem se revestir dos requisitos necessários para fazer parte integrante do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição do bem, que será notificado, e terá um prazo de quinze dias para impugnação oferecendo razões para isto. Caso isto ocorra o órgão terá um prazo para ver se procede ou não a impugnação e tomar a decisão. O tombamento dos bens será considerado provisório ou definitivo, conforme o respectivo processo iniciado pela notificação dos referidos bens no competente Livro do Tombo.

O tombamento definitivo dos bens de propriedade particular será, por iniciativa do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, transcrito para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis.

3 Tombamento no centro velho

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o centro velho (ou a própria Vila de São Paulo há um século e meio atrás) foi dividido em duas ocupações distintas: a vila de taipa, da qual resistem ainda algumas poucas e frágeis construções do fim do século XIX passado ou inicio do XX, onde predomina o ecletismo; e as estruturas de concreto que dão lugar a prédios mais robustos e contemporâneos (dos neoclássicos ao moderno; do florentino ao déco) que ocupam a área mais nobre do centro velho. Com tanta mistura de épocas, estilos e usos, a diversidade enriquece a paisagem.

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Segundo a Secretaria Municipal da Cultura, o IGEPAC (Divisão de Preservação do Departamento de Patrimônio Artístico, Histórico e Cultural da Cidade de São Paulo) mapeia, faz inventários e analisa os bens imóveis da cidade para encaminhar ao Conpresp a solicitação de abertura de processo de tombamento. Finalmente convém lembrar que, apesar deste estudo ser um pedido de abertura de processo de tombamento para imóveis isolados – e não um perímetro, como aconteceu com o centro novo – todos eles fazem parte do grande conjunto que identifica a cidade de São Paulo partir do seu ponto de origem, e sob o ponto de vista histórico, arquitetônico ou ambiental. E atenderia a inúmeras solicitações de proprietários de imóveis situados na região, que podem se beneficiar da operação e valer dos incentivos proporcionados para recuperação, manutenção ou restauração de seus bens, e que por tabela, traria benefícios também a empreendedores, à administração, a população e a cidade.

De acordo com o processo de tombamento assinado pelo presidente do Conpresp e, conforme decisão dos conselheiros, em reunião realizada em 17 de julho de 2007, o órgão resolveu tombar o perímetro do centro velho, na região central da cidade de São Paulo, levando em consideração valores históricos e paisagísticos, arquitetônicos e ambientais, simbólicos e afetivos dessa área urbana, que reúne relevantes exemplares de edificações, muitos já reconhecidos como patrimônio através de tombamentos anteriores. (RESOLUÇÃO 17, 2007)

Nesse perímetro tombado estão alguns dos bens que serão apresentados no presente trabalho.

4 Patrimônio histórico edificado – situação e uso

Escolheram-se para este estudo, de forma livre, alguns edifícios tombados do centro velho para o presente estudo. A intenção é foi de comparar o uso desses prédios e verificar a situação de cada um deles.

Mais do que patrimônio tombado, esses edifícios são importantes para a manutenção paisagística do local, bem como reforça a identidade da São Paulo de outras épocas com a atual e podem, eventualmente, ser utilizados para fins de projetos culturais e, assim, estimular a visitação dos moradores de São Paulo e mesmo de turistas.

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Na listagem que segue é provável que se encontrem construções que, à primeira vista, não denotem qualidades suficientes que justifiquem sua proteção. Mas essas construções compõem conjuntos indivisíveis que em hipótese alguma podem prescindir de um de seus elementos sob o risco de se perderem como exemplos de ocupações de épocas distintas.

Solar da Marquesa

Em meio aos palacetes do Pátio do Colégio e a Catedral da Sé, há um solar típico da primitiva Vila de São Paulo, talvez a mais antiga das construções, que resiste em uma quadra quase que totalmente destruída e ocupada por estacionamentos.

Não há dados precisos sobre a data de construção desse imóvel. Em 1802, foi dado como pagamento de dívidas ao Brigadeiro José Joaquim Pinto de Morais Leme, primeiro proprietário documentalmente comprovado. Contudo, documentos do século XVIII indicam a existência de quatro casas na Rua do Carmo entre 1739 e 1754. A junção de duas dessas casas de taipa de pilão teria originado o Solar, conforme registros fotográficos do século XIX, além de prospecções arqueológicas e análises arquitetônicas realizadas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Reforma essa hipótese a aquarela intitulada “Panorama da Cidade de São Paulo visto da Várzea do Carmo”, realizada por Arnaldo Juliana Pallière entre 1827/28, na qual o artista registrou dois sobrados, no local onde hoje se encontra o imóvel em questão. (MUSEU..., 2010)

Antiga residência da Marquesa de Santos, adquirida em 1834 dos herdeiros do Brigadeiro Joaquim José Pinto de Moraes Leme, foi transformada em uma das residências mais aristocráticas de São Paulo e conhecida como Palacete do Carmo. Em 1867, com o falecimento da marquesa, a casa foi herdada pelo seu filho, Comendador Felício Pinto de Mendonça Castro. Em 28 de maio de 1880, foi posta em hasta pública e arrematada pela Mitra Diocesana, que efetuou algumas modificações para a instalação do Palácio Episcopal, ocupando o edifício durante todo o tempo em que pertenceu à Igreja. Em 17 de novembro de 1909, o imóvel foi adquirido pela “The São Paulo Gaz Company”, para instalação de seus escritórios. Mais tarde, em 1967, com a desapropriação da antiga Companhia Paulista de Gás da Prefeitura, a Casa da Marquesa tornou-se propriedade municipal. Até 1972 foi

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sede da Companhia Municipal de Gás. Depois disso, virou sede da Secretaria Municipal de Cultura e do DPH. (KAMIDE; PEREIRA, 1998)

O imóvel está localizado à Rua Roberto Simonsen, 136, e foi tombado em 1971, tendo como órgão mantenedor a Prefeitura do Município de São Paulo. Foi interditado em 1984 e submetido a um processo de restauro em 1991. Foi submetido a diversas mudanças e reformas, passando inclusive por uma reconstituição falseada de seu antigo aspecto na década de 1960. Segundo o autor do projeto de restauro, arquiteto Alexandre L. Rocha, além das obras de estabilização estrutural, houve um criterioso trabalho de restauração que compatibilizou as diversas soluções construtivas adotadas nas intervenções passadas pelo imóvel. Passou a abrigar o Museu da Cidade de São Paulo, com exposições permanentes e temporárias, serviços e atividades voltado a preservação do patrimônio histórico cultural paulistano. (MUSEU…, 2010)

Figura 2 – Solar da Marquesa de Santos, no lado esquerdo.

O Solar da Marquesa de Santos, sede do Museu da Cidade de São Paulo, está com a visitação suspensa temporariamente para obras de restauro. A reabertura está prevista para o final de 2010.

Centro Cultural da Caixa Econômica Federal (CEF)

Em 1934, quando Samuel Ribeiro ocupava a presidência da CEF, foi construído o grande edifício da Praça da Sé, 111. Planejado e executado pelos engenheiros Albuquerque e Longo, levou cinco anos para ser construído, tendo sido inaugurado a

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29 de agosto de 1939 pelo então Presidente da República Getúlio Vargas. (SÃO PAULO..., 2010)

Localizado no 3º e 4º andares da Caixa Econômica Federal, o Centro Cultural abriga galeria com fotografias e um museu que mostra o desenvolvimento da instituição em seus mais de 100 anos em São Paulo, réplica de salas e agências bancárias do passado, com exposições de maquinários, impressos, cofres, bilhetes e peças de sorteio de loteria, onde se percebe a evolução retratada nesses pertences.

Figura 3 – Centro Cultural da Caixa

Centro Cultural Banco do Brasil

O Centro Cultural Banco do Brasil iniciou suas atividades em 2001 e, desde então, recebe diariamente visitantes para participar de projetos ligados a arte. Com cinco andares e mais de quatro mil metros quadrados de área, o imóvel abriga diversas atividades culturais.

Entre as atrações pelo local estão as exposições de artes plásticas e fotografia, apresentações de teatro, mostras e debates sobre questões contemporâneas no universo da música, cinema, literatura, dança, além de palestras. Dois projetos são destaques do centro: o Programa Educativo e o Conhecendo o CCBB. O primeiro promove visitas monitoradas, seguidas por oficinas sobre as obras que estão em exposição e o segundo realiza uma visita guiada ao prédio, que discute e apresenta detalhes sobre a arquitetura do local.

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Projetado por Hippolyto Gustavo Pujol e construído em 1901, antes de se tornar um centro cultural, no edifício encontrava-se uma agência do banco, que foi adquirida em 1923. Em 1999, o imóvel foi restaurado e manteve as linhas originais do início do século, quando foi construído. Hoje, o prédio possui espaços diversificados como teatro, sala de cinema e sala do Programa Educativo, livraria, café e bomboniere. (SAMPA CENTRO..., 2010)

Localiza-se à Rua Álvares Penteado, 112, e funciona das 10 às 20h. A entrada no espaço é gratuita, sendo pagas algumas das atividades, dependendo da programação da época.

Figura 4 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)

Hotel Santa Tereza (Casario da Praça da Sé)

O trecho mantém ainda as características de ocupação do começo do século. Chama-se “casario da Praça da Sé”, mas, na verdade, está localizado na esquina da praça Clóvis Bevilacqua, 75 a 93, com a rua Roberto Simonsen. Faz conjunto com edificações da rua Roberto Simonsen. O traçado da rua conserva o formato original da quadra, de lados não ortogonais.

De acordo com dados da prefeitura o "casario" é seguramente um dos conjuntos de moradias mais antigos desta área da cidade, datada das décadas de 1920 e 1930. Acabou situado na borda da Praça da Sé, quando da reforma desta, nos anos 1970, para obras do metrô.

Segundo o Processo 2000-0.218.872-0 do Conpresp, a arquitetura não tem grande definição; é composta de corpos em destaque na fachada, inclusive na esquina. O

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valor principal é de ordem ambiental, por sua participação no conjunto da rua Roberto Simonsen, e por remeter à interessante visual da Catedral da Sé.

Seu estado de conservação é precário. Encontra-se lacrado, coberto com uma rede de proteção, há mais de dez anos.

Figura 5 - Casario da Praça da Sé

Rua Roberto Simonsen 112/114

Também faz parte dos conjuntos de moradias mais antigos da área da Rua Roberto Simonsen, da década de 1920/1930. Era uma residência de luxo e sua arquitetura ainda mostra detalhes interessantes, ainda ostentando interiores bem conservados e típicos da época. No local funcionou a redação do Jornal Folha de São Paulo quando o nome da rua ainda era Rua do Carmo. Lá funcionaram as oficinas, a revisão, a redação e os escritórios da administração. Estes permaneceram ali até o ano de 1950, quando se mudaram para um local maior. Há alguns anos foi transformado em um estacionamento popular (Edu Stick Park Estacionamento Ltda), com capacidade para trinta carros. (DEPARTAMENTO..., 2010)

Segundo dados da prefeitura trata-se de um edifício em razoável estado de conservação, mantendo o aspecto original da fachada, apenas com modificação nas portas do térreo. A cobertura apresenta-se em precário estado de conservação, assim como a caixilharia, que é original. Apesar de seu estado frágil, necessita de restauro, pois há sinais de deterioração em seu interior.

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Ainda possui um processo na prefeitura para autorização de licença de funcionamento para o estacionamento que está em análise.

Figura 6 – Casa da Rua Roberto Simonsen, 112/114

5 Considerações finais

A existência de órgãos que têm como objetivo preservar, fiscalizar, conservar, valorizar e manter o patrimônio histórico da cidade através de intervenção pelo tombamento acaba não agradando àqueles que são proprietários de imóveis cuja preservação seja de interesse público ou que, de alguma forma, façam parte da história. O que se pode ver hoje são imóveis tombados, em muitos casos abandonados, pois os proprietários não têm como conservá-los e não recebem auxílio suficiente do governo para fazê-lo; as exigências são muitas e a fiscalização precária.

Neste trabalho mostrou-se alguns imóveis que são utilizados com o intuito de levar cultura à população, como por exemplo o Centro Cultural da Caixa e do Banco do Brasil, que inclusive já foram premiados por suas ações. Mesmo o Solar da Marquesa tem se mantido como sede de órgãos de proteção ao patrimônio e, por isso, tem promovido o uso de seus espaços.

É sabida a falta que as pessoas têm de locais que remetam à memória, ao passado, que acabam compondo a identidade de uma comunidade. Nos outros casos apresentados neste artigo, o estacionamento da rua Roberto Simonsen, 112/114, até poderia prevalecer como tal, já que devido ao grande número de carros que

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estão em circulação, há uma necessidade muito grande de locais para estacionar, principalmente no centro da cidade, mas poderia haver um estreitamento nas relações entre a prefeitura e esses proprietários, para que haja uma constante manutenção e restauração dos locais, com incentivos não só de IPTU, como é oferecido hoje para quem manter em bom estado as fachadas de seus imóveis, mas sim outros tipos de mecanismos para evitar a degradação dos prédios também internamente, onde todos seriam beneficiados com a medida.

Já no caso do “casario” da Praça da Sé, por mais que existam impedimentos legais para que se faça algo por aquele imóvel, algo deveria ser feito, pois com a necessidade que há de imóveis para moradia, ali mesmo no centro, na Praça da Sé, com tantas pessoas dormindo nas ruas, praças, debaixo de viadutos, uma edificação sendo deteriorada pela chuva e pelo tempo, demonstra o descaso dos órgãos competentes até mesmo com a segurança pública.

Uma ação conjunta de conscientização entre população, órgãos governamentais e empresariado poderia trazer um maior interesse na restauração dos bens históricos do Centro de São Paulo. Da mesma forma, poderia existir um projeto de auxilio aos proprietários para que, ao locar seus imóveis, cumpram com o dever da preservação e conservação desses locais.

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Referências

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Ministério do Turismo, 2008. Disponível em:

<http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/dow nloads_publicacoes/Livro__Cultural.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2010.

BRASIL. Decreto-lei 25, de 30 de novembro de 1937. JusBrasil. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109250/decreto-lei-25-37>. Acesso em 14 abr. 2010.

CONPRESP. Disponível em:

<http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/conpresp/>. Acesso em: 22 já. 2010.

DEPARTAMENTO do Patrimônio Histórico. Disponível em:

<http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/patrimonio_historico/pres ervacao/index.php?p=430>. Acesso em: 18 mar. 2010.

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KAMIDE, Edna Hiroe Miguita; PEREIRA, Tereza Cristina Rodrigues Epitácio.

Patrimônio cultural paulista: Condephaat bens tombados 1968-1998. São Paulo:

Imprensa Oficial, 1998.

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SÃO PAULO minha cidade. Disponível em:

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PIRES, Mario Jorge. Lazer e turismo cultural. São Paulo: Aleph, 2001.

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RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro P.; PINSKY, Jaime. Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, 2003.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Cultura. Perguntas freqüentes.

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