cassiamiguel
Texto
(2) 2 II. CÁSSIA MIGUEL. RELAÇÕES INTERPESSOAIS E PROFISSIONAIS NA EMPRESA: UM PONTO DE ENCONTRO. Monografia apresentada ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em cumprimento parcial às exigências do Curso de PósGraduação Lato Sensu, para obtenção do título de Especialista em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, sob orientação do Prof. Dr. Mauro Wilton de Sousa.. Orientador: Prof. Dr. Mauro Wilton de Sousa São Paulo, 2006.
(3) 3 III. Ficha catalográfica. Miguel, Cássia Relações Interpessoais e Profissionais na empresa: um ponto de encontro / Cássia Miguel – São Paulo : C. Miguel, 2006. 53 páginas + anexos : III Monografia final – Escola de Comunicação e Artes/USP, 2006. Bibliografia Relações Interpessoais Modernidade Pós-Modernidade Relações Virtuais Comunicação.
(4) 4 IV. Banca Examinadora. _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________. Data: 20/02/06.
(5) 5 V Dedicatória. Este trabalho é dedicado às pessoas que estão ao meu lado nos mais diferentes ambientes num freqüente exercício de afetividade. À minha nova família, marido e enteados, que soube entender minhas ausências nos programas que tanto gostamos de fazer juntos. Ao meu filho em gestação, que me animou tanto, me mostrando dia após dia que a vida é seguir em frente. À minha equipe de trabalho, comprometida e incentivadora. Aos meus amigos da In Press Porter Novelli, que participaram das minhas dúvidas, que responderam aos meus questionamentos e com isto tanto me motivaram. À direção da In Press Porter Novelli, que em nenhum momento impôs barreiras ao trabalho acadêmico, autorizando a pesquisa e o estudo no ambiente de trabalho.. A todos, minha gratidão..
(6) 6 VI. Agradecimentos. Agradeço ao meu orientador, Mauro Wilton de Sousa, que soube entender o momento único pelo qual passei enquanto produzia esta monografia. Pelo apoio, carinho, bom humor e objetividade com que me incentivou a desenvolver este trabalho. Um agradecimento sincero às minhas amigas – com quem estreitei ainda mais a amizade durante o curso – Mônica Anjos, Renata Almeida e Dani Motta. Estiveram comigo na empreitada e compartilharam ansiedades, dúvidas, mas principalmente a expectativa de realização de uma importante etapa..
(7) 7 VII. Resumos. O presente trabalho aborda as relações interpessoais e profissionais no ambiente de trabalho, de como emoções e necessidades afetivas se colocam em contraponto às exigências de resultado e lucro. Pretende, ainda, discutir o papel e a importância da comunicação oral, da aproximação dos indivíduos e se há o conhecimento das histórias individuais na rotina de trabalho da organização.. Analisa também algumas características da transição entre a modernidade e a pós-modernidade, pontos aparentes das duas épocas no comportamento dos profissionais nas empresas. Além disso, trata da forma como as mediações – internet, lay out, influenciam na afetividade das relações. Outro ponto considerado no trabalho é a presença maciça de profissionais femininas no mercado de Relações Públicas, o que determina sobremaneira o perfil das relações interpessoais. Para a elaboração deste trabalho, foi feita uma revisão bibliográfica, a fim de estabelecer diversas opiniões sobre relações interpessoais, tecnologia e pósmodernidade.. Foi realizada ainda uma pesquisa, com entrevistas a diversos. profissionais da empresa, foco do presente estudo. O trabalho conclui que confiança, competição, amizade e o comportamento feminino compõem as características das relações interpessoais na organização que serviu de base para a pesquisa.. Palavras-chave –relações interpessoais, relações profissionais, pós-modernidade.
(8) 8 VIII. Abstract The present article is about the interpersonal and professional relations in the work environment, how affective emotions and necessities are in counterpoint to the requirements of result and profit. It discusses the role and the importance of the oral communication, the relationship between people and if the individual histories in the company’s routine are known. It also analyzes some characteristics of the transition between modernity and post-modernity, apparent points of the two moments in the behavior of the professionals in the companies. Moreover, it deals with the way that the mediations Internet, lay out, influence in the affectivity of the relations. Another point considered in the article is the massive presence of female professionals in the market of Public Relations, what determines the profile of the interpersonal relations. For the elaboration of this article, a bibliographic revision was done, in order to establish several opinions about interpersonal relationships, technology and postmodernity. A research with interviews to several professionals of the company was also done. This article concludes that confidence, competition, friendship and the female behavior determine the features of the interpersonal relationships in the organization that guided this research..
(9) 9. IX. Key words: interpersonal relations, professional relations, post modernity.. Resumen El trabajo trata de las relaciones interpersonales y profesionales en el mundo del trabajo y cómo las emociones y las necesidades afectivas se interponen a las exigencias del gano del interés y de los resultados del trabajo. Pretende, también, discutir el papel y la importancia da la comunicación oral, da la aproximación de los individuos y se hay el conocimiento de las historias individuales en la rutina de trabajo de la organización.. Analiza, aún, algunas características de transición mientras la modernidad y la pos modernidad, puntos aparentes de dos épocas del comportamiento de los profesionales en las empresas. Además de eso, trata de la manera de como la Internet y el layout, influyen en la afectividad de las relaciones. Otro punto considerado en el trabajo es la grande presencia de mujeres en el mercado de Relaciones Públicas, lo que determina el perfil de los relacionamientos interpersonales. Para la elaboración de este trabajo, fue hecha una revisión bibliográfica, de modo que sean establecidas diversas opiniones sobre relaciones interpersonales, tecnología e pos-modernidad. Fue también realizada una pesquisa, con entrevistas a varios profesionales de la empresa, foco del presente estudio. El trabajo concluye que confianza, competición, amistad y el comportamiento femenino componen las características de las relaciones interpersonales en la organización que ha servido de base para la pesquisa..
(10) 10. Palabras. Claves:. modernidad. relaciones. interpersonales,. relaciones. profesionales,. pós.
(11) 11 X. Sumário Resumo ................................................................................................................... VII Abstract .................................................................................................................... VIII Resumen .................................................................................................................. IX Sumário .................................................................................................................... X 1. Introdução ............................................................................................................ 11 1.1 Metodologia.................................................................................................. 15 2. O homem na empresa ........................................................................................ 16 2.1. Modernidade e pós-modernidade .............................................................. 18 2.1.1. Modernidade............................................................................................. 18 2.1.2. As formas de poder na sociedade moderna ......................................... 21 2.1.3. Pós-modernidade..................................................................................... 22 2.1.4. O virtual e o real ....................................................................................... 26 2.1.5. A conversa, o bate-papo no mundo pós-moderno................................ 28 2.1.6. Nomenclaturas, novos personagens na pós-modernidade.................. 31 3. Estudo de casos .................................................................................................. 34 3.1. In Press Porter Novelli – um pouco de história ........................................ 36 3.1.2. In Press Porter Novelli – uma associação internacional....................... 37 3.2. Análise das interferências na comunicação interpessoal ....................... 39 3.2.1. Universo da In Press Porter Novelli........................................................ 41 3.2.2. Modelo de trabalho .................................................................................. 41 3.2.2.1. Lay out ................................................................................................... 42 3.2.2.2. Ferramentas de tecnologia................................................................... 43 3.2.2.3. A pesquisa ............................................................................................. 44 3.2.2.4. Resultados............................................................................................. 45 3.2.2.5. Análise ................................................................................................... 49 4. Conclusão ............................................................................................................ 57 4.1. Confiança nas relações pós-modernas..................................................... 57 4.2. Amizade – um ponto relevante na pesquisa ............................................. 60 4.3. Uma empresa feminina ............................................................................... 61 Referências Bibliográficas...................................................................................... 63 Anexos ..................................................................................................................... 66.
(12) 12. 1. Introdução O presente estudo aborda a questão das relações interpessoais no ambiente de trabalho e a influência das mediações nestes relacionamentos. É um tema bastante complexo, determinante no dia-a-dia de qualquer empresa, mas que raramente é tratado com objetividade. Afinal, são as pessoas, os talentos que fazem as empresas. Técnicas se aprendem, cursos são administrados, mas quem exerce a prática do trabalho diário são as pessoas, cada uma com suas características, histórias de vida, experiências, intenções, inseguranças e objetivos. Conhecer a história de vida do colega de trabalho é ação rara no dia-a-dia das corporações e empresas. Nota-se uma mecanização dos processos – chegar no escritório, na redação e iniciar uma jornada de oito, dez, doze horas em frente a computadores e telefones, num contato frenético com quem está geograficamente longe e mesmo com quem está na mesa ao lado. O dia a dia privilegia o trabalho e sua organização burocrática, como aponta Weber (1971), onde os fins são delimitadores do meio sempre. Nas empresas, vive-se a era da contradição. O profissional está entre o prazer de exercer a função especializada para o qual foi treinado e a necessidade do trabalho para o sustento; a necessidade do contato pessoal e a obrigatoriedade da convivência. Portanto, é premente a busca de um tempo para a conversa informal, desligada do trabalho: o intervalo para o café - geralmente precedido de um convite para alguém que está próximo -, a saída breve do escritório para fumar - mais uma vez acompanhado de um colega -, o convite para o almoço e talvez para uma conversa um pouco mais prolongada – se houver tempo para isto. Relações pessoais versus relações profissionais: estariam os contatos no ambiente de trabalho restritos à cordialidade e ações planejadas? Até onde as.
(13) 13. emoções dos indivíduos interferem no ambiente de trabalho? Quanto os “recursos humanos” humanizam o espaço profissional, rompendo o limite do técnico e passando a expor sentimentos? Até que ponto, no trabalho, os indivíduos refletem comportamentos da pós-modernidade? Estaria este novo comportamento reservado exclusivamente para a vida pessoal? Nos dias de hoje, o emocional busca um espaço na condução dos negócios. Empresas atuais começam a entender que há uma tendência à substituição da habilidade técnica pela humana. Por isso, elas devem se interessar pelas pessoas e não apenas pelo que elas são capazes de fazer, como era antes o tratamento nas empresas mecanicistas. A criatividade dos trabalhadores tem sido tratada como ferramenta competitiva pelas organizações. E se há interesse nisso (e numa empresa sempre há interesse pelo que pode gerar lucro) é necessário, então, desenvolver as habilidades dos funcionários, valorizar talentos que só aparecem se a pessoa se deixar conhecer.. Isto contribui para o prazer do desenvolvimento da. atividade e conseqüentemente para um maior comprometimento com a própria empresa. Com estes recursos, as pessoas envolvidas são elas próprias multiplicadoras da comunicação que se pretende, da imagem que a empresa quer refletir interna e externamente. Estas pessoas, receptoras de uma gestão atual, tornam os processos viáveis por meio da comunicação. Empresas. que. não. aplicarem. esta. conduta. provavelmente. serão. ultrapassadas por outros mais antenados e atualizados aos tempos que se impõem. Nota-se também, dentro deste contexto, que os assuntos pessoais são praticamente banidos das corporações, como forma de priorizar e racionalizar o trabalho e a busca incessante de resultados. Morgan (1996:236) dedica um capítulo à metáfora da empresa como prisão psíquica. Esta metáfora demonstra que o conhecimento das organizações tem sido racionalizado em excesso: “Apresentamos a tendência de temer o irracional e de usar a razão para manter as suas manifestações sob controle. Ao priorizar os aspectos racionais da organização e.
(14) 14. racionalizar o irracional poderemos sentir-nos mais seguros, mas não estaremos necessariamente compreendendo o significado oculto e a importância das ações que condicionam a organização.”. Para o autor, na sombra de uma organização, encontram-se todos os opostos reprimidos da racionalidade, que lutam para emergir e mudar a natrueza da racionalidade que está sendo praticada. Por meio de várias análises – entre elas a freudiana e a jungiana – o autor demonstra que as relações nas organizações têm sido racionalizadas em excesso. Tanto nos comportamentos dentro das empresas como nas análises das organizações, fatores tais como agressão, inveja, medo, ódio e desejo sexual não são oficialmente levados em conta. E quando vêm à tona são quase sempre eliminados por meio de desculpas, racionalizações e punições com o objetivo de restaurar a neutralidade no ambiente de trabalho. É evidente, e não se pretende absolutamente contestar, a necessidade de uso crítico de tecnologias para auxiliar no processo de comunicação organizacional. Há a incorporação dos pontos de encontro virtuais: reuniões à distância, conference calls, desenvolvimento de sites com informações. Weber apud Morgan (1996: 231) observa: “quanto mais a forma de organização burocrática progride, mais perfeitamente esta consegue suprimir todas as qualidades humanas que escapam do raciocínio técnico”.. Em contrapartida, para Jung, citado no mesmo livro, essas qualidades não poderiam ser eliminadas, mas somente afastadas, e não aceitariam ser banidas de modo tranqüilo, além de estarem sempre procurando um meio de modificar o lado racional. Tudo isso é cotidiano no mundo empresarial. Mas o que se pretende é discutir o papel e a importância da comunicação oral, da aproximação dos indivíduos e se há o conhecimento das histórias individuais na rotina de trabalho de uma corporação, em contraponto ou alinhado à tecnologia, aos contatos telefônicos e eletrônicos, à documentação e à urgência destes contatos..
(15) 15. Abordaremos o quanto é importante a fala, o contato pessoal, a troca de experiências individuais no dia-a-dia da empresa, na relação interpessoal com o colega que divide a bancada, com os clientes e com os jornalistas. Baccega (2002:15) relata: “Percebe-se hoje, no mundo, um repensar de caminhos, que se manifesta em propostas e voz. Sob a aparente fragmentação, está em construção o mundo da totalidade, entendida como o espaço onde o jogo das diferenças se coloca como manifestação de identidade a ser resgatada e respeitada.”. Abordaremos, portanto, a pós-modernidade, esta era em que estamos inseridos, com suas urgências, tecnologias, superficialidade nos contatos e que afetam de maneira profunda o modo de agir e, sobretudo, determinam a condução das relações interpessoais. O simples levantamento destas questões pode pressupor teses mais amplas e ambiciosas para a pesquisa, mas o escopo do trabalho será o de produzir um levantamento básico sobre o status quo das relações descritas. Constará ainda um breve estudo de caso do comportamento de um determinado número de profissionais numa agência de comunicação..
(16) 16. 1.1 Metodologia A metodologia utilizada comportará três técnicas de investigação. 1 - Revisão Bibliográfica: levantamento da bibliografia existente sobre o assunto proposto, para a sustentação teórica do objeto da pesquisa. A intenção é relacionar o pensamento formalizado por autores de diversas áreas do campo de comunicação e estudos sociais, tentando buscar diferentes pontos de vista sobre o tema. Pretende-se com esta revisão obter-se opiniões preponderantes sobre relações interpessoais, tecnologia e pós-modernidade, qual o papel reservado ao indivíduo e às empresas neste contexto. 2 – Levantamento de dados secundários: buscará o resultado de estudos e pesquisas já realizados, dados componentes de trabalhos publicados que possam referendar ou não as hipóteses elencadas. 3 – Pesquisa: está prevista a realização de entrevistas, por meio de questionários enviados via e-mail com profissionais da empresa de comunicação para o estudo de caso. O trabalho será estruturado em quatro capítulos. Iniciaremos por uma abordagem do que é modernidade e pós-modernidade e os efeitos nos relacionamentos. Neste capítulo ainda trataremos da influência das tecnologias – internet, computador, telefone etc – nas relações interpessoais. Em seguida, trataremos do ambiente empírico a ser investigado para constatação da proposta de estudo. Na seqüência, faremos uma análise sobre os resultados da pesquisa levantada..
(17) 17. 2. O homem na empresa - A relação interpessoal dos profissionais O clássico trecho da Bíblia descrito abaixo, referente à Torre de Babel, propõe um ambiente de trabalho onde várias pessoas se empenhavam em um objetivo comum – o de construir uma cidade e uma enorme torre, que atingisse o céu. Houve um consenso, os profissionais se organizaram em torno da tarefa. Mas, um poder – um deus – confundiu a linguagem deste povo e o impediu que se comunicasse adequadamente. Sem comunicação, falando linguagens diferentes, houve confusão, o trabalho não foi levado a termo, o povo se dispersou. Não conseguiu se entender. Livro dos Gênesis, capítulo 11: “Toda a terra tinha uma só língua, e servia-se das mesmas palavras. Alguns homens, partindo para o Oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. E disseram uns aos outros: ‘Vamos façamos tijolos e cozamo-los no fogo.” Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa. Depois disseram: Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra”. Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíam os filhos dos homens. Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua; se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos. Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro. Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade. Por isso, deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a terra.”. Esta é uma das mais antigas alegorias que se pode fazer aos variados espaços de trabalho de hoje, onde se falam muitas línguas – e isto é necessário – e onde se usam diferentes linguagens para se comunicar. Ao mesmo tempo, em qualquer ambiente contemporâneo, são usados celulares, computadores, laptops, linguagens corporais, fala, gestos, atitudes..
(18) 18. Mas, nestes espaços, apesar de tantos formatos de linguagem, as pessoas estão fisicamente próximas, mas não se conhecem bem, não se aprofundam no conhecimento umas das outras. São cenários que herdam características de dois períodos: modernidade e pós-Modernidade, um ainda interferindo no outro, provocando tensões para ocupar espaços e se posicionar. Grandes marcos da Modernidade, a burocracia, o capitalismo, o lucro, a a possibilidade econômica de produção em larga escala proporcionada pela revolução industrial inglesa, determinaram o perfil das corporações e também a distinção das classes sociais. Distinção percebida na produção, na arquitetura, no consumo e também na música, na literatura, nas artes e na cultura. Como se dão as relações pessoais num período de produção caracterizado pela revolução industrial? Neste cenário, o que se exaltava, vinda da Revolução Industrial, era a força da burguesia, a distinção clara das classes sociais. Ditas modernas, as relações interpessoais dentro das empresas ocorriam numa condição de tradição, respeito, subordinação e mando. O respeito e a obediência imperam nas relações: ninguém fala, ninguém opina sobre nada. É um ambiente de trabalho apenas, onde não há intervalos, nem possibilidades de lazer além das responsabilidades de produção.. Nas condições. modernas, as pessoas são, dentro das empresas, executores subordinados. Negase a condição humana das relações. O trabalho é reduzido a exercícios mecânicos apenas e o ambiente de trabalho caracteriza-se pela anulação das relações pessoais e humanas. Com muita limitação, criavam-se nestes ambientes relações afetivas ou ideais. O tratamento era absolutamente impessoal. É na segunda metade do século XX que a modernidade dá sinais de superação pela pós-modernidade. Ainda que seja este, até hoje, um projeto inacabado..
(19) 19. A pós-modernidade tem na sua base econômica a superação da economia capitalista industrial por uma outra sociedade pós-industrial. A nova era rompe o universo diferenciado que havia sido criado na modernidade para tornar a sociedade padronizada pelos seus hábitos, costumes, crenças, cultura e produtos que são agora consumidos por mais gente. A revolução da informática, da comunicação e a globalização dos mercados e dos fatores de produção propiciaram este novo método de relação social e econômica. A pós-modernidade vai representar, através do mecanismo de acumulação capitalista intensificado pela globalização dos mercados e.. sobretudo por uma. necessidade latente de massificação do consumo, movimentos culturais e ideológicos que norteiam o comportamento de todas as sociedades às quais estão inseridos. Trata-se de uma intensificação de valores sociais, morais, intelectuais, políticos, ideológicos e culturais. Cabe aqui fazer uma breve análise sobre os dois tempos. 2.1 - Modernidade e Pós-Modernidade 2.1.1 – Modernidade. Na modernidade, todo o objetivo do homem estava voltado para o futuro. Nenhum prazer no que se fazia para aquele determinado momento, mas sempre o vislumbre de uma recompensa futura. Assim era nos investimentos que se faziam num dia para uma boa renda amanhã; no comportar-se bem hoje para que a vigília dos deuses recompensassem com o paraíso amanhã. Nas palavras de Sousa (2003:16) “A racionalidade significa a competência das pessoas em organizar o seu passado no seu presente e tendo em vista um futuro. Ordem e Progresso se lê na bandeira.
(20) 20. brasileira. É o ideal da modernidade: só é possível o futuro, o sucesso, a felicidade, na condição do controle do presente”. Max Weber (1971), ao interpretar o capitalismo, especialmente o capitalismo ocidental, coloca em cheque a leitura marxista onde o elemento econômico é preponderante em todos os aspectos na dicotomia infra-estrutura e super-estrutura. Para Marx, a organização produtiva condiciona e, em última instância, determina as relações sociais e os elementos supra-estruturais da sociedade – cultura, justiça, educação e inclusive religião. Weber contesta este pensamento ao identificar, no capitalismo ocidental, a relevância do protestantismo como religião representativa e influenciadora do “espírito do capitalismo”. E, por isso, determinante deste último. A reforma protestante deu viabilidade ao capitalismo ao elevar o conceito de trabalho e legitimação do lucro. Na interpretação da religião protestante é o trabalho que dá sentido a vida. O desenvolvimento capitalista determinado a partir da revolução industrial inglesa exigiu forte presença do Estado. O Estado, então, cumpriu o papel de protetor dos meios de produção e da reprodução do processo de acumulação de capital. Neste cenário, Weber (1971) desenvolve uma leitura importantíssima ao interpretar o papel da burocracia de Estado. O modelo burocrático influenciou gerações no universo Estatal e muito também no mundo privado. Na obra de Habermas (2000), algumas definições pontuais sobre a modernidade devem ser aqui apresentadas, para que, ao falarmos da pósmodernidade, da superação da modernidade, possamos apontar elementos de ruptura. A modernidade se auto-afirma pelos significados de revolução, progresso, emancipação, desenvolvimento, crise. O moderno se identifica na autocompreensão da arte de vanguarda. A modernidade é o transitório, é a metade da arte, a outra metade é o eterno. O atual e o eterno, tempo e a eternidade..
(21) 21. Vivemos do começo do século XX até o momento presente um modelo de Estado altamente burocrático. Apenas agora, no final do século XX é que este modelo começa ser superado e substituído por outra forma de atuação de Estado orientada pela eficiência econômica. O modelo burocrático weberiano justifica-se quando os detentores do poder econômico subiam ao poder de Estado e então criava-se uma “confusão” entre o que era público e o que era privado. Como se a coisa pública fizesse parte do que é privado. A concessão de poder, a distribuição e ocupação de cargos públicos, o uso da máquina pública, os interesses pessoais. Tudo isso à disposição de um grupo privilegiado das sociedades capitalistas. Diante disto, a burocracia, a organização documental e legalizada de todos os procedimentos. seria. o. elemento. capaz. de. fechar. as. portas. dessa. ”confusão”. Os cargos públicos deveriam ser ocupados sempre por pessoas concursadas que demonstrassem maior capacidade técnica para ocupá-los. O Estado seria então um ambiente técnico. Weber (1971 : 282) aponta o caráter racional da burocracia: “A estrutura burocrática é, em toda parte, produto de um desenvolvimento tardio. Quanto mais recuamos sobre nossos próprios passos, tanto mais típica se torna a ausência de burocracia e funcionalismo na estrutura de domínio A burocracia tem um caráter “racional” : regras, meios, fins e objetivos dominam sua posição. Em toda parte a sua origem e sua divisão tiveram, até agora, resultados “revolucionários”, num sentido especial, que ainda não foi discutido. É a mesma influência que o avanço do racionalismo teve em geral. A marcha da burocracia destruiu as estruturas de domínio que não tinham caráter racional, no sentido especial da palavra. “. Mas o Estado é também um espaço de hegemonia, de comunhão de interesses. E nesse aspecto Max Weber (1971) trata da relação em que o chefe de Estado deve estabelecer com o conjunto da sociedade. A liderança e a autoridade..
(22) 22. 2.1.2 As formas de Poder na Sociedade Moderna. Para Weber (1971) tanto no Estado quanto nas empresas deveria existir um grupo de pessoas que obedeceria a uma autoridade detentora do poder. Exercer a autoridade então poderá se dar de forma racional ou tradicional ou carismática. •. A forma racional e impessoal legitima e exerce o poder pela funcionalidade dos instrumentos de Estado, pela burocracia, pela organização, pela competência;. •. A segunda forma, a forma tradicional, exerce o poder pelo status, pela força da tradição, por aquilo que sempre existiu. Este modelo é mais forte do que o primeiro;. •. A terceira forma de poder é a carismática. A dominação se dá por um líder carismático, capaz de promover uma revolução pelo poder e pela ação. Ele tem que ser revolucionário e ser reconhecido por esta característica pelo grupo social que domina.. Talvez este seja o. modelo de dominação mais eficiente de uma organização social. Na Modernidade, esta realidade descrita por Weber (1971) estava instalada nas empresas, onde se criavam normas, leis e regras. E o clima organizacional refletia exatamente isto. Como em todo processo evolutivo da história, as eras se consolidam em lentas transições. A modernidade gerou a pós-modernidade, foi o desenvolvimento de um estágio. Para ocorrer, necessitou de um processo lento de transformação e ruptura de valores e costumes. É a continuação de um processo transformador. Nas palavras de Anderson (1999:45): “uma era a diferenciação pela primeira vez entre ciência, moralidade e arte, não mais fundidas numa religião revelada mas como esferas de valor autônomos, cada uma governada por suas próprias normas: verdade, justiça, beleza. A outra era a soltura desses domínios recém-liberados no fluxo subjetivo da vida cotidiana, interagindo para enriquecê-la. Foi este programa que perdeu o rumo. Porque, em vez de penetrar os recursos comuns da comunicação diária, cada esfera tendeu a desenvolver-se em uma especialidade, fechada ao mundo dos significados ordinários”..
(23) 23. 2.1.3 – Pós-Modernidade. Por pós-modernidade se entende o conjunto de fatores que compõem um novo comportamento do homem na história do mundo; o fim da modernidade e uma nova colocação do homem no mundo; do homem em relação ao meio ambiente, ao outro, às crenças e valores. De um período para o outro, a tecnologia transformou o mundo. Em alguns anos, passamos do telégrafo para o celular com voz; do trem a vapor para os viagens extraterrestres, do amplo saber para a extrema especialização. Mudaram-se os valores. Conceituada e localizada neste mundo de alta tecnologia, a pós-modernidade se instalou e trouxe com ela uma série de dúvidas. É um tempo em que se discutem as utopias não realizadas da modernidade. Um tempo de questionamentos e em questionamento, onde ainda se discute que nome é o mais apropriado, pois ainda não se definiu como chamá-lo:pós-modernidade, modernidade tardia, período pós-industrial. O mal-estar pós-moderno é gritante e está nas falas do indivíduo quando reclama do cotidiano do trabalho compulsivo, conectado a celulares em qualquer horário, rondado pelas doenças modernas, o stress, a depressão, o tédio e o distanciamento do que, para este indivíduo, é realmente importante. Podemos listar aí família, amor, vínculo, hobby, lazer. O virtual tem espaço amplo e se impõe quase como a realidade. Como valores, uma destituição dos valores pré-estabelecidos, com a idéia de que tudo é falso, que não existe bem ou mal e que, portanto, quase tudo não tem razão de ser. O ser humano contemporâneo não sabe bem onde está. A geração pósmoderna prega que algumas “verdades” instituídas – e tidas como norma na modernidade - limitam as atitudes do homem e o impede de realizar desejos e vontades, já que deve obedecer a regras morais, valores sociais, éticos e religiosos..
(24) 24. O fato do homem pós-moderno buscar aproveitar a vida - sobretudo o "momento" - ao máximo, tem alguma explicação em Freud, que identifica com profundidade as causas da insatisfação humana, colocando exigências da atual “cultura civilizatória” como o principal entrave às satisfações dos instintos naturais. O pai da psicanálise argumentava que não existe um fim objetivo para a vida, como pretende a religião. Existe apenas um propósito subjetivo: acima de tudo experimentar fortes sentimentos de prazer, e secundariamente evitar o desprazer. Diz ele no clássico O Mal Estar da Civilização: “Nascemos com um programa inviável que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não o permite”. Enquanto a modernidade se baseia no ideal de trabalho - principalmente após a "Revolução Industrial", que garantiria o futuro com carreiras e “pé de meia” - e na racionalidade científica, a pós-modernidade nega o interesse pelo futuro e procura a emoção imediata ao invés da razão. A perspectiva de uma guerra atômica, de doenças incuráveis, da revanche da natureza tudo isso somado traz uma inevitável sensação de que o fim está próximo e pode acontecer a qualquer momento. Esta sensação faz que cada um busque viver ao máximo o presente, como se não houvesse amanhã. Sousa, (2003:20) destaca: “Ontem, vivíamos em uma sociedade para acumular, uma sociedade de poupança. Continuamos a fazer poupança, mas a questão hoje começa a ser modificada: as tecnologias são utilizadas como instrumentos do viver. Ontem, na modernidade, era o ser; na pósmodernidade, é o viver. Na modernidade, a grande questão era adiar para amanhã; na pós-modernidade, é o aqui, o agora.”. É característica da pós-modernidade, uma sociedade marcada pelo capitalismo pós-industrial, o consumo exacerbado, o movimento constante, a efemeridade e a fragilidade dos laços afetivos entre as pessoas. O impacto desses fenômenos nos relacionamentos afetivos interfere nas relações transformando-as.
(25) 25. “em amores líquidos”1. Nesta sociedade, se impõe o “bloqueio” de um exercício cotidiano que envolve questões éticas como, tolerância, respeito, solidariedade, diálogo. Está aí mais um sintoma do distanciamento do homem pós-moderno um do outro. O conhecer o próximo pode implicar envolvimento, amizade, obrigatoriamente desencadeará acionar uma confiança que a maioria não está disposta a entregar – ou receber. O valor individualista é um dos grandes motes desta era. Lipovetsky (1989:284) trata da urgência das relações sociais e da mudança de comportamento para as decisões individualistas e egoístas. Diz o autor que alguns sinais de individualismo exacerbado são um fantástico reforço da aspiração à autonomia privada. “O relacional não faz senão se reconstituir sobre novas bases conformes às aspirações individualistas. (...) O que seduz é entrar em relação permanecendo livre e anônimo, fazer troca rapidamente e sem cerimonial com desconhecidos, multiplicar e renovar freqüentemente os contatos, comunicar por intermédio de tecnologia.”. Percebe-se que o homem pós-moderno vive em procura das sensações, da emoção sem limites. Sendo tudo relativo e ilusório, sem apego, ideologia e ideais verdadeiros, a pós-modernidade forma uma mentalidade imediatista no homem. Aproveita-se ao máximo o presente e não se preocupa com o que vem depois ou com as conseqüências dos atos.. 1. -Termo utilizado em analogia ao livro de título Amor Líquido (BAUMAN, Zigmunt. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004), utilizado como fonte de pesquisa neste trabalho..
(26) 26. O estresse e o imediatismo são sintomas que formam a identidade2 do homem pós-moderno, persistem e se justificam, muitas vezes por esta falta de perspectiva de futuro, falta de objetivos e ideais. Até que ponto esta nova ambiência influencia a empresa e, conseqüentemente, as relações pessoais e profissionais? Neste contexto, serão tratados alguns aspectos das características relacionais do homem na pós-modernidade.. 2 Vide a respeito: HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade.
(27) 27. 2.1.4 - O virtual e o real Em um mundo onde as instituições e os valores são questionados, os poderes do Estado e da sociedade estão falidos, resta o poder da imagem, do virtual, do intangível. Zizek 3 aborda o tema num ensaio: “Tudo se tornou demasiadamente próximo, promíscuo, sem limites, deixando-se penetrar por todos os poros e orifícios”.. A sociedade pós-moderna é regida pela ânsia de “espetáculo” – já que tudo pode ser visualizado a um toque no teclado do computador - e pela ânsia de prazer. Sousa ( 2003 :21) faz referência ao espetáculo e às ideologias: “A espetacularização da vida cotidiana acaba sendo uma das características da pós-modernidade. Não importa o racional, importa a performance. Importa o prazer. Não interessa mais aquilo que foi tão importante na modernidade: as grandes utopias, a justiça, a paz, a lihberdade, ou, como na Revolução Francesa, os ideais da igualdade, da liberdade e da fraternidade.”. Mais uma vez o imediatismo, sem passar pela profundidade de encontro e relações. Todos se sentem na obrigação de ir adiante, não importando os limites de si próprio e dos outros. Giordano (1998 : 76), compara a maneira como o homem tratava, por exemplo, frustrações amorosas em outros tempos, comparando ao comportamento atual:. 3. ZIZEK, S. O superego pós-moderno. In: Folha S.Paulo – cad. Mais!, 23/05/2003.
(28) 28. “ Se no passado, as tentativas de superar a situação de fracasso na vida afetiva foram para o alto, tentando espiritualizar divinizar, estetizar, mistificar a sexualidade, ou para baixo, na utilização das energias mais imediatamente instintivas, animalescas ou vitais, hoje vai se afirmando uma nova possibilidade aberta pelo desenvolvimento científico tecnológico, em particular no campo das comunicações e da informática: a artificial. “. A pós-modernidade trouxe um sentido de fragmentação do todo. Assume-se, enfim, a fase de questionamentos iniciada na modernidade. O indivíduo desempenha funções, papéis, é um personagem a cada situação em que se coloca..
(29) 29. 2.1.5 - A conversa, o bate-papo no mundo pós-moderno Uma das mais antigas obras da civilização, e talvez a mais civilizadora, consiste na arte de conversar. A palavra, para Sousa (2003 : 11): ‘ “ foi talvez , a primeira expressão que tivemos de como manifestar o nosso estar-junto”.. A troca de impressões, o convívio agradável, a visita cordial de um amigo distante. Isto era um programa social, um evento. Eram tardes de chás e muita conversa. Licores e muita conversa. Trabalhos manuais e muita conversa. Hábitos distantes como o já passado século XX . Hábitos substituídos pela velocidade da comunicação virtual, do encontro furtivo, do teclado, da notícia instantânea. A realidade virtual, dentro da qual podemos colocar a televisão e os computadores, cria um isolamento social, não só porque todos assistiram aos mesmos assuntos na televisão, mas também porque cada um prefere – e pode - se divertir sozinho num mundo particular cheio de emoções possíveis ao toque do controle-remoto. Além disso, no computador, na contato virtual, cada um é o que quer ser. Giddens (1989 : 159) trata da individualização: “O tema do narcisismo em relação ao eu moderno foi minuciosamente explorado por Christopher Lasch. Lashc relaciona o fenômeno especificamente à natureza apocalíptica da vida social moderna Os riscos globais tornaram-se um aspecto tão conhecido das instituições modernas que, no nível do comportamento diária, ninguém dedica muita atenção ao problema de como evitar desastres globais. A maioria das pessoas os afasta de suas vidas de concentra suas atividades em “estratégias de sobrevivência” privatizadas, apagando os riscos maiores dos cenários. Desistindo da esperança de que o ambiente social mais amplo possa ser controlado, as pessoas se retiram para preocupações puramente pessoais: para o autoaperfeiçoamento psíquico e corporal. Lasch relaciona essa situação a uma evaporação da história, uma perda da.
(30) 30. continuidade histórica no sentido de um sentimento de fazer parte de uma sucessão de gerações que se perde no passado e e projeta no futuro. Contra esse pano de fundo, as pessoas anseia por segurança psíquica e por uma sensação – sempre fugidia – de bem-estar.”. Isto vai criando, além de um isolamento, uma crescente indiferença e distanciamento com tudo e todos à volta. Se tudo na casa funcionar, pouco importa o problema na casa do vizinho ou a catástrofe da meteorologia anunciada na televisão – que, aliás, deve estar funcionando bem também. Importa mais que o mundo particular. Lipovetsky (1989 : 285) afirma que a solidão nos dias atuais é um fenômeno de massa e confirma com resultados de pesquisa em vários países: entre 1962 e 1982, o número de pessoas que vivem sozinhas aumentou em 69 por cento na França: em Paris, a metade dos lares são solitários. As pessoas idosas vivem em estado de isolamento. O número de suicídios e de tentativas de suicídio na França superou os causados por acidentes de trânsito. Cita o autor que em todo o mundo mais e mais pessoas se queixam de não serem ouvidas, de não poder compartilhar e exprimir os sentimentos. “ A liquefacão das identidades sociais, a diversificação dos gostos, a exigência soberana de ser si próprio desencadeiam um impasse relacional, uma crise comunicacional sem precedente.”. O isolamento produzido pela pós-modernidade vai encontrando espaço na tecnologia, que facilita mais ainda a "auto-suficiência" de cada um. O conflito entre o mundo e o "eu", entre a realidade e a fantasia, entre a transcendência e a realidade, tudo se radicaliza na técnica pós-moderna. Diz Giddens (2002:176) que a tecnologia aproxima tremendamente o mundo lá fora do indivíduo. Para o autor: “... seria um equívoco ver o mundo lá fora como intrinsecamente alienante e opressivo só porque os sistemas sociais são de larga escala ou espacialmente distantes do indivíduo. Tais fenômenos podem ser mencionados em seu impacto sobre o eu. Eventos distantes podem tornarse tão familiares ou até mais familiares que influências próximas, e podem ser integrados nos quadros de referências da experiência pessoal. Situações próximas podem na verdade ser mais opacas que acontecimentos de larga.
(31) 31. escala que afetam muitos milhões de pessoas. Consideremos alguns exemplos. Uma pessoa pode estar ao telefone com alguém a 20 km de distância e durante o tempo que a conversa dura estar ligada mais de perto às respostas do indivíduo distante do que às dos outros sentados na mesma sala. Um indivíduo pode conhecer a aparência, personalidade e as políticas de um líder mundial que as de seu próprio vizinho. Uma pessoa pode estar mais familiarizada com o debate sobre o aquecimento global do que com o porquê do vazamento da torneira da cozinha. “.
(32) 32. 2.1.6 - Nomenclaturas e novos personagens na pós-modernidade Em reportagem publicada na revista da Folha4, a capa – não – surpreende com o título “Nascidos para teclar” . O reportagem traz histórias reais dos www.babies, gente que nasceu e cresceu na era da informática. É mais um dos muitos universos do mundo onde as gerações são divididas entre: 1- os “nativos digitais” – aqueles que nasceram na era da internet e tratam esta ferramenta como absolutamente natural e acessível. São jovens que usam uma linguagem única, exclusiva. Para eles, segundo a revista, tecnologia é uma extensão do cérebro. 2- Os imigrantes digitais – são a geração anterior à dos www.babies que se aculturou, adotou as técnicas, aprendeu a usar teclados, falar a linguagem digital, mas é constantemente desmascarada pelo sotaque carregado da outra era. O texto traz uma entrevista com o educador americano Marc Prensky, responsável pelo conceito “nativos digitais” e “imigrantes digitais”. Segundo ele, a geração “nativos” tem plena confiança nas ferramentas digitais, enquanto os “imigrantes” ainda estão filiados à confirmação via voz, ou seja, sempre ligam depois para confirmar se a pessoa do outro lado recebeu a mensagem. Há, na matéria, casos em que mães que perceberam o total isolamento dos filhos, cada dia mais plugados em computadores e laptops, decidiram aderir. E passam a se conectar de um quarto da casa ao outro, teclando mensagens açucaradas ou dando conselhos e ordens via computador. Tempos pós-modernos.. 4. -. Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 5 de fevereiro de 2006.
(33) 33.
(34) 34. São estes fenômenos, estas mudanças que determinam a rapidez da formação de comunidades movidas a facilidades e velocidades da era digital. Ao mesmo tempo, o uso do frio computador e a busca de uma calorosa aproximação. Mas, quanto calorosa, se os pais também se rendem ao próprio computador para tentar o diálogo com o filho no quarto ao lado? Na mesma casa? Quando, nesta relação, se encontra o toque, o abraço, o afago, a afetividade? Estariam estes hábitos essencialmente humanos enterrados pelo excesso de tecnologia, pelo encantamento com a pouca profundidade autorizada nas relações?.
(35) 35. 3 - Estudo de caso Este capítulo trata do estudo de caso5 que explanará a situação corrente na agência de comunicação In Press Porter Novelli. Esta pesquisa não se direciona apenas a empresas de comunicação, podendo interessar também a empresas de atuações diversas, nas quais os profissionais utilizam largamente os computadores pessoais e outras tecnologias como meios de comunicação. Assim, fica claro que os problemas a serem estudados na In Press Porter Novelli abrangem, possivelmente, um maior número de corporações. A relevância de um estudo sobre a comunicação oral no ambiente de trabalho se mostra evidente nos dias atuais. Como conclui Mitroff (apud Morgan,1996 :234): “(...) Parece que, embora utilizemos as últimas tecnologias eletrônicas e administrativas para planejar ou executar negócios, o fazemos de forma bastante antiga. Somos todos primitivos de coração, reproduzindo relações arquetípicas para dar sentido aos dilemas fundamentais da vida.”. Essa posição do autor demonstra que, por mais que as tecnologias estejam presentes no dia-a-dia e o uso delas ocupe a maior parte do tempo dedicado aos contatos, sejam eles pessoais ou profissionais, o relacionamento entre os colegas de trabalho raramente se limita a estes recursos. Uma conversa, por exemplo, pode ser iniciada pelo correio eletrônico, mas freqüentemente se estende no contato pessoal. No entanto, as diversas tarefas diárias exigem a eficácia da comunicação via internet. A importância da documentação através de e-mails – ou outros meios usados por demais empresas – é mais um interessante ponto de partida para se 5 O presente trabalho não se serve de amostra probabilística sobre universo, mas se define como. estudo de caso, com preocupações de ordem qualitativa, buscando entender nexos relacionais do objeto de estudo. Vide a respeito: LINS DA SILVA, Carlos Eduardo. Muito Além do Jardim Botânico. 1985. Summus Editorial.
(36) 36. questionar a relevância da comunicação oral e se ela vem, de fato, perdendo espaço ou não no ambiente organizacional. O hábito do registro eletrônico dos contatos pode ser entendido ainda como um sinal de ‘desconfiança’ nas relações interpessoais. Isto porque, nas relações de trabalho, os profissionais desempenham papéis que os obrigam a perceber o outro como concorrente na disputa pela vaga ou na manutenção do emprego. Esse comportamento permeia a questão da confiança e da amizade no ambiente profissional. Outra. característica. inerente. ao. mundo. organizacional. é. o. “boato. organizacional”, ou a famosa rádio-peão, que utilizando-se de todos esses meios – oral ou virtual - sobrevive e ocupa seu lugar nos meios empresariais, com força oficial. Em tempos de alta tecnologia e globalização, a solução pode estar no óbvio: comunicação intrapessoal, por meio de gerências competentes para lidar com pessoas, possibilitando maior aproximação entre elas. Diante dessa proposta, o caso analisado será o da agência de comunicação brasileira In Press Porter Novelli, cuja história é descrita a seguir..
(37) 37. 3.1.. In Press Porter Novelli – um pouco de história. A In Press foi fundada em 1988 pelos jornalistas Cristina Moretti e Ivandel Godinho. Uma das maiores agências brasileiras, tem atualmente cerca de 80 clientes e 180 funcionários, alocados em três escritórios próprios nas cidades do São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Todos os atendimentos da In Press Porter Novelli têm formação jornalística - vários são oriundos dos principais órgãos de Imprensa do país - e muitos também possuem especialização nas áreas de Marketing e Comunicação Integrada. Desde a sua criação, a In Press construiu a imagem de uma empresa criativa e com foco em resultados. Sua vantagem competitiva, reconhecida pelo mercado, está no planejamento estratégico das ações de seus clientes. Como assessoria de comunicação, a In Press está estruturada para oferecer todos os serviços e soluções para a área de comunicação das empresas. Entre os clientes da agência estão empresas como a AmBev, Pepsi do Brasil, Bosch, Senac São Paulo, Unilever, Kibon, IBM, Qualcomm, Organon, SAB Trading, Bovespa, Roche, TIM Brasil, Telecom Itália, Petrobrás, Companhia Vale do Rio Doce e Banco Schahin. Em 2000, associou-se à Porter Novelli, por meio do acordo firmado com o Grupo Omnicom e passou a contar com uma rede de relacionamento global, ampliando sua expertise em segmentos como Saúde, Tecnologia, Consumo, Alimentos, entre outros. Outra grande conquista foi a inauguração, em 2002, do primeiro escritório especializado em public affairs do país voltado para o desenvolvimento de serviços de relacionamento governamental, diagnóstico político, assessoria de comunicação e relações públicas para os órgãos do setor público e marketing político e eleitoral..
(38) 38. Nos últimos anos, a agência tem colecionado importantes prêmios do mercado de comunicação como o Prêmio Aberje e Prêmio USP, com cases de clientes como AmBev, Federação do Comércio de São Paulo e Roche. 3.1.2. In Press Porter Novelli – uma associação internacional Fundada em 1972, a Porter Novelli International é uma das maiores agências de relações públicas do mundo, com sede em Nova Iorque e 110 escritórios distribuídos em 60 países. A Porter Novelli faz parte do grupo Omnicom, gigante de comunicação que controla empresas como a BBDO, DMBB e a Rapp Collins. Na América Latina, a rede Porter Novelli conta com cerca de 400 funcionários em 11 escritórios, e se destaca pela coordenação de programas regionais, adequados à realidade cultural de cada país. Em 2001, a empresa teve um faturamento de US$ 179 milhões. Entre os clientes da Porter Novelli estão empresas como Gillette, Hewlett-Packard, Glaxo SmithKline, Pfizer, Procter & Gamble, Price Waterhouse Coopers e American Cancer Society. Atualmente, a empresa contabiliza cerca de 180 clientes em todo mundo, sempre buscando diferenciar-se através de um posicionamento estratégico apurado, criatividade e preocupação com resultados. A Porter Novelli é uma agência de Relações Públicas global, que trabalha com visão de negócios 360º para construir programas de comunicação diferenciados e eficientes junto aos diversos públicos-alvo de seus clientes. Suas diretrizes de desempenho são construídas na visão completa da comunicação de seus clientes – desde as oportunidades e opções até seus riscos e prioridades. Os profissionais são orientados para o trabalho criativo, inovador e com foco na troca constante de experiência com outros escritórios, e trabalham como parte de uma rede global para trazer uma visão ampla para cada desafio do negócio..
(39) 39. A agência trabalha também com planejamento estratégico para seus clientes, levando em consideração suas metas e objetivos. Todo o trabalho é pautado na busca de resultados que agreguem valor ao negócio do cliente e a sua imagem institucional..
(40) 40. 3.2. Análise das interferências na comunicação interpessoal Para analisar as relações interpessoais e as interferências que elas sofrem, serão levados em consideração alguns fatores já citados por autores como Morgan (1996), Giddens (2002). e Bauman (2004). As relações no trabalho, a velha e boa. conversa, muitas vezes é neutralizada por mediações como: 1- excesso de contato virtual 2- imposição da rotina de trabalho excessivo 3- planejamento do lay out da empresa – que delimita espaços, fisicamente aproximando alguns e distanciando outros Estes fatores serão recursos negativos dentro de uma empresa, quando se trata de valorizar as relações e o conhecimento entre as pessoas? Morgan (1996:219) trata dos papéis desempenhados pelos colaboradores desde que inseridos num contexto, numa organização: “Conforme investimos as nossas forças no trabalho, fazemos dos nossos papéis a nossa realidade. E, à medida que nos objetivamos em termos dos produtos que fabricamos ou do dinheiro que ganhamos, fazemo-nos visíveis e reais para nós mesmos. Não é de admirar que as questões de sobrevivência sejam uma prioridade tão grande nas organizações, uma vez que existe em jogo muito maior do que a simples sobrevivência da organização.”. Partindo deste ponto, no ambiente profissional, conhecemos personagens que atuam para desempenhar determinado papel. O ritmo impõe a ininterrupta missão de obter resultados, exercer funções, atender ao celular, responder a e-mails e não permite ao indivíduo exercer a essência do que realmente é. Em suma, profissionais passam oito, até doze horas ao lado de uma outra pessoa sem ter a oportunidade de conhecê-la além do papel profissional..
(41) 41. A empresa analisada situa-se nesse contexto, uma vez que atua no mercado de comunicação, uma realidade dinâmica, que exige intensa troca de informações e urgência de resultados. A rotina de trabalho é orientada de acordo com os públicos-alvo da empresa: jornalistas e clientes. Por isso, procura-se seguir o horário de trabalho das redações dos veículos de comunicação, das 10h00 às 19h00, já que o contato com os jornalistas é uma função primordial para o resultado do trabalho na agência. Dependendo da necessidade do cliente, que é a outra ponta do trabalho, acontecem reuniões e eventos rotineiramente fora deste horário, antecipando a manhã ou se estendendo pela noite..
(42) 42. 3.2.1 Universo In Press Porter Novelli A grande maioria dos profissionais na agência é jornalista e já passou por experiência em redações de jornais impressos ou eletrônicos. Parte dos profissionais tem formação de Relações Públicas. Hoje, a agência tem 180 profissionais e 95% são mulheres. Isto se explica, primeiro, pela disponibilidade de profissionais femininas no mercado de trabalho. O que, segundo Grunig (2003), acompanha a tendência do setor de Relações Públicas, profissão que é exercida quase que exclusivamente por mulheres. A escolha da In Press Porter Novelli como universo da pesquisa é justificada também por esta característica de concentrar grande número de. mulheres no. espaço profissional, o que determina um ambiente peculiar de relacionamentos interpessoais. 3.2.2 Modelo de trabalho O atendimento ao cliente na In Press Porter Novelli é feito por equipes. Cada time de atendimento da agência é agrupado nos chamados “núcleos de atendimento”. Este modelo adotado contempla, normalmente, um atendimento – ou mais, dependendo da demanda da conta e das atividades contratadas -, assistentes e/ou estagiários para suporte operacional e diretor de atendimento para coordenação estratégica. Este coordenador/diretor orienta as ações, chefia o grupo, comanda o núcleo. Além de cuidar da orientação estratégica para comunicação, o gestor também administra o orçamento. Tem metas financeiras a cumprir, prospecta novos clientes, contrata e demite. Este profissional tem a missão de, praticamente, administrar uma “microempresa” dentro da agência..
(43) 43. Esta filosofia de autonomia de núcleos interfere diretamente na comunicação entre os profissionais. As pessoas se relacionam quase que especificamente com integrantes do próprio núcleo e seus supervisores. Esta atuação, baseada em núcleos, tem um efeito inverso ao pretendido pela distribuição do lay out da empresa (descrito a seguir), que tem a intenção de não impor barreiras físicas para a comunicação. 3.2.2.1 Lay-out Cada núcleo de atendimento é alocado em bancadas abertas, sendo que um profissional fica bem próximo ao outro. Não há divisórias ou baias, nada que delimite o espaço entre eles. Este modelo de lay out foi previsto para promover a integração das equipes, fazê-las trocar, dividir informações e ações. É adotada, na agência, quase a mesma estrutura de uma redação de jornal. Sendo um escritório grande, ocupa dois andares de um prédio localizado na zona sul de São Paulo. Um corredor divide um dos andares em duas grandes áreas, onde estão distribuídos os núcleos e departamentos que prestam serviços à redação: criação, eventos, expedição e copa. As outras delimitações de espaço estão nas salas das diretoras - fechadas com vidro, o que permite transparência e fluxo de comunicação - e nas salas de reuniões, estas, sim, mais reservadas. Para convivência entre os funcionários, foi instalada uma pequena copa, onde está uma mesa com quatro banquetas, uma máquina de café e uma cozinha com geladeira e forno. Na copa, alguns profissionais fazem refeições e tomam café durante o expediente. No outro andar, os escritórios das outras empresas integrantes do grupo Porter Novelli (Brodeur e Porter Novelli Technologies) são realmente separados, por determinação política da Porter Novelli International, para que não haja conflito de interesses de clientes e troca de informações entre os atendimentos de contas..
(44) 44. Neste andar, estão instalados também os departamentos administrativo, financeiro e a área de suporte de informática. 3.2.2.2. Ferramentas de tecnologia A agência de comunicação usa ininterruptamente o computador, com acesso à Internet – e telefones fixo e celular. Cada bancada tem um telefone celular disponível para contato com jornalistas e clientes, além de um ramal de telefone para cada atendimento. Numa empresa de profissionais jovens, é bastante comum encontrar usuários do Orkut e MSN, mas estas ferramentas tiveram seu uso limitado pela direção, por, em muitos momentos, atrapalhar a eficiência do trabalho orientado para os clientes e agência. Estes e outros itens foram investigados por meio de três questionários. O primeiro deles sobre a identificação do entrevistado; o segundo aborda aspectos da vida social; o terceiro e último com perguntas que abordam realidades de convívio diário no ambiente de trabalho, conforme as variáveis possíveis: convívio familiar, meios utilizados para relacionamento com o colega (e-mail, conversa, telefone), tempo dedicado à conversa com o colega de trabalho..
(45) 45. 3.2.2.4. A pesquisa. A população da pesquisa está na redação da In Press Porter Novelli. A equipe da empresa é constituída por 180 profissionais, sendo apenas 18 homens. Assim, a amostra consistirá de mais mulheres e menos homens, profissionais de comunicação com formação superior e estudantes universitários. Os questionários foram enviados por e-mail para 24 profissionais, para atingir uma amostragem de pouco mais de 10% dos colaboradores, mais precisamente 13% da população da In Press Porter Novelli. Apesar de a iniciativa da pesquisa ter partido de uma profissional com cargo de comando e com conhecimento da maioria dos profissionais, o critério para a seleção das pessoas que receberiam o questionário não se baseou no aspecto de amizade ou relacionamento próximo. A proposta foi atingir profissionais alocados nos mais diferentes departamentos, de diferentes idades e que ocupam variados cargos: diretores, atendimentos, estagiários, administrativos. Dos questionários enviados, 21 foram respondidos, o que corresponde a 87,5% de participação..
(46) 46. 3.2.2.5. Resultados 1 - A idade dos profissionais varia de 20 a 53 anos, com a seguinte composição: •. 43% de 20 a 30 anos. •. 38% de 30 a 40 anos. •. 19% de 41 a 53 anos. 2- O estado civil dos profissionais está assim dividido: •. 57% solteiros. •. 33% casados. •. 10% outros. 3- A formação profissional dos entrevistados: •. 81% jornalistas. •. 9,5 % relações públicas. •. 9,5% estudantes universitários. 4 - A respeito do tempo de trabalho na empresa: •. 10% menos de 1 ano. •. 52% de 1 a 3 anos. •. 24% de 3 a 5 anos. •. 14% de 5 a 8 anos. 5 - Com relação à crença religiosa, os entrevistados se declararam: •. 55% católicos. •. 18% espíritas. •. 18% não têm religião. •. 9% evangélicos.
(47) 47. 6 - Pela análise da pesquisa, o uso dos diversos canais de comunicação foram apontados como rotineiro pela unanimidade dos entrevistados, com exceção de Rádio, não assinalado por dois dos entrevistados. São eles: TV, Cinema, Celular, Telefone, Internet 7 - Interrogados sobre com quem moram, os entrevistados afirmaram: •. 29% moram com os pais. •. 24% com cônjuge e filhos. •. 24% sozinhos. •. 14% com cônjuge. •. 5 % com filhos. •. 5% em repúblicas. 8 - Quanto ao nível de relacionamento com colegas na empresa: • 73% consideraram bom • 27% responderam que está limitado ao nível profissional 9 - Interrogados sobre se têm amigos na empresa: •. 90% afirmam ter amigos. •. 10% disseram não ter amigos. 10 - Questionados sobre confiança e competição no ambiente de trabalho, a relação se mostrou: • 48% de confiança • 33% de competição • 19% não responderam.
(48) 48. 11 - Com relação à rotina de trabalho: •. 33% disseram que aproxima. •. 33% afirmaram que atrapalha. •. 33% percebem que aproxima e atrapalha. 12 - Sobre o lay-out: • 50% dizem influenciar negativamente • 36% positivamente • 5% afirmam não ter influência nos relacionamentos 13- As conversas com os colegas acontecem: •. 69% cara a cara. •. 31 % por e-mail. 14 - Os entrevistados responderam sobre a oportunidade de conversar com o colega durante o expediente: •. 90% conversam com freqüência. •. 10% conversam raramente. 15 - Sobre onde estas conversas ocorrem: •. 41% no horário de almoço. •. 31% na bancada de trabalho. •. 27% na copa da empresa.
(49) 49. 16 - Os assuntos abordados nestas conversas tratam de: •. 33% - profissão. •. 25% - vida íntima. •. 21% interesses. •. 21% sentimentos. 17 - Quanto a se relacionar com os colegas de trabalho fora da empresa, a pesquisa apontou que: •. 67% se relacionam. •. 24% dizem relacionar raramente. •. 10% dizem não ter relacionamento fora do trabalho. 18 - Questionados sobre freqüentar a casa de colegas fora da empresa: •. 45% dizem que é raro. •. 38% afirmam freqüentar. •. 19% não freqüentam. 19 - Os assuntos abordados nestes encontros são: •. 28% sentimentos. •. 26% vida íntima. •. 25% profissão. •. 21% interesses. 20 - Sobre compartilhar histórias de vida: •. 86% gostariam de compartilhar. •. 10% falariam com algumas pessoas. •. 5% não gostariam de compartilhar.
Documentos relacionados
De seguida, vamos adaptar a nossa demonstrac¸ ˜ao da f ´ormula de M ¨untz, partindo de outras transformadas aritm ´eticas diferentes da transformada de M ¨obius, para dedu-
Como já destacado anteriormente, o campus Viamão (campus da última fase de expansão da instituição), possui o mesmo número de grupos de pesquisa que alguns dos campi
(grifos nossos). b) Em observância ao princípio da impessoalidade, a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, vez que é
Este trabalho buscou, através de pesquisa de campo, estudar o efeito de diferentes alternativas de adubações de cobertura, quanto ao tipo de adubo e época de
No entanto, maiores lucros com publicidade e um crescimento no uso da plataforma em smartphones e tablets não serão suficientes para o mercado se a maior rede social do mundo
devidamente assinadas, não sendo aceito, em hipótese alguma, inscrições após o Congresso Técnico; b) os atestados médicos dos alunos participantes; c) uma lista geral
O valor da reputação dos pseudônimos é igual a 0,8 devido aos fal- sos positivos do mecanismo auxiliar, que acabam por fazer com que a reputação mesmo dos usuários que enviam
A prova do ENADE/2011, aplicada aos estudantes da Área de Tecnologia em Redes de Computadores, com duração total de 4 horas, apresentou questões discursivas e de múltipla