ISBN - 978-85-61203-12-2
QUALIDADE AMBIENTAL: PROCESSOS EROSIVOS NA ÁREA URBANA DE TRÊS LAGOAS/MS
Aline Cristina Alves da Silva
Graduado no curso de Geografia Bacharelado pela UFMS/DCH/CPTL [email protected]
Paulo Henrique Vieira
Graduado no curso de Geografia Bacharelado pela UFMS/DCH/CPTL
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo verificar os tipos de processos erosivos e a deposição de sedimentos na área urbana de Três Lagoas/MS, os fatores condicionantes para o surgimento dos processos erosivos como os aspectos climáticos com meses de fortes chuvas e estiagem, o relevo plano e a ocupação do solo e verificar quais são as formas para a contenção de sedimentos e o que pode ser feito para diminuir os processos erosivos, através de um levantamento de informações, saídas de campo para reconhecimento da área a ser estudada além dos registros fotográficos para uma maior compreensão de tema.
1 INTRODUÇÃO
A qualidade ambiental urbana em decorrência de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente natural remanescente e cultural (construído) torna-se cada vez mais presente e visível no cotidiano das cidades brasileiras, expostas a toda sorte de impactos e agressões, advindos principalmente da intensa concentração populacional nos grandes centros e do contínuo processo de urbanização e industrialização (GUERRA & CUNHA, 1996).
Devido à ocupação humana muitas vezes desordenada em áreas urbanas, contribuem para as transformações antrópicas, que à medida que se intensificam ocasionam desmatamento, ocupação irregular, a erosão e assoreamento dos canais fluviais, entre outros.
Um dos problemas ambientais que será abordado neste trabalho são os processos erosivos e a deposição de sedimentos. Os processos erosivos causam diversos impactos ambientais, tanto no local de ocorrências como no depósito de materias erodidos, e como conseqüências futuras erosões como ravinas, dando origem às voçorocas.
O acelerado processo de urbanização e o crescimento desordenado das cidades mudam severamente a paisagem, marcada por diferentes processos do meio físico, em geral associados a alguma degradação ambiental (PEDRO & LORANDI, 2004).
A erosão urbana é um dos principais problemas ambientais que afetam as cidades, destruindo ruas, guias, sarjetas, redes de água e esgoto e têm como conseqüências assoreamento nos reservatórios e leito dos rios, agravando problemas como enchentes. A ocupação intensa dos terrenos próximos à erosão aumenta os riscos de acidentes.
Segundo Magalhães (2007), o controle de erosão urbana é fundamental, tanto na manutenção da capacidade de escoamento do sistema de drenagem como na qualidade ambiental. Destacam-se indicadores que possam ser aplicados às condições de urbanização de cidades brasileiras, por meio de estimativas de produção de sedimentos para bacias urbanas. Ela afirma que as ocupações próximas às ocorrências erosivas multiplicam os riscos de acidentes, e algumas voçorocas se tornam despejo de lixo, transformando as erosões em focos de doenças.
DATRINO (1999), em estudo sobre Mirandópolis, destaca que grandes partes das áreas urbanas possuem problemas de degradação por diversas atividades, sendo a erosão um dos maiores causadores, que se iniciam a partir do escoamento superficial. Projetado um loteamento e feita à abertura das ruas, há uma concentração do fluxo das águas superficiais fazendo ocorrer erosão linear onde pode surgir aparecimento dos sulcos e evoluir para as ravinas.
A erosão urbana é um dos problemas ambientais que afetam a cidade de Três Lagoas, fundada por Antônio Trajano dos Santos no início do século XX, e o seu desenvolvimento foi graças à chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Foram desenvolvidos em Três Lagoas, alguns trabalhos sobre impactos gerados pelo uso do solo, como por exemplo, a bacia hidrográfica do Córrego da Onça, estudo que registrou, quantificou e qualificou os principais impactos no córrego gerados pelo uso e ocupação; obteve como resultado o mau uso do solo associado à configuração do escoamento pluvial urbano, descontrole da vazão máxima gerando voçorocas, assoreamento e problemas com o esgoto sanitário (CARVALHO, 2008). A qualidade da água na drenagem é modulada pelo uso e ocupação do solo.
Dessa forma, o trabalho tem como objetivo verificar os tipos de processos erosivos e a deposição de sedimentos em Três Lagoas e verificar quais são as formas adotadas para a contenção dos sedimentos.
2 ÁREA DE ESTUDO E PONTOS DE OBSERVAÇÃO
O município de Três Lagoas está localizado na região Centro-Oeste do Brasil, na porção leste do estado de Mato Grosso do Sul entre as coordenadas geográficas 19º52’ a 21º11’ S e 51º37’ a 52º32’ W. Na Figura 1 está representado também a localização da cidade de Três Lagoas entre as coordenadas geográficas 20º 44’ a 20º 45’ e 51º 39’ a 51º 44’.
A Figura 2 mostra a planta da cidade de Três Lagoas e os pontos de observação na cidade onde foram realizadas as saídas de campo, tendo sido encontrados alguns processos erosivos.
No presente trabalho, foram discutidos os pontos de coletas dos referidos locais: Portal das Águas, Santa Luzia, Santa Terezinha, Vila Nova, Jardim Alvorada e Córrego da Onça.
Figura 2: Localização dos processos erosivos na área urbana de Três Lagoas – MS
3 METODOLOGIA
A temática que este trabalho se propôs desenvolver terá como base a escolha de uma abordagem qualitativa.
Foi escolhida a pesquisa qualitativa para abordar o tema proposto que se baseia na observação e levantamento de aspectos do problema, diferente da pesquisa quantitativa que contabilizada, por exemplo, o excesso de sedimentos e o número de
erosões. “Enquanto a metodologia quantitativa supõe uma observação de objetos comparados entre si, os métodos qualitativos enfatizam as especifidades de um fenômeno em termos de suas origens e de sua razão de ser (Magalhães, 2007)”.
O desenvolvimento do trabalho deu-se inicialmente através de levantamento bibliográfico a partir de materiais já publicados, como livros e artigos sobre o tema erosão urbana; levantamento de informações através de mapas e dados climatológicos da cidade, informações retiradas do Instituto Nacional de Metereologia - INMET.
Foram usadas cartas topográficas, imagens de satélite, para reconhecimento da área de estudo como o relevo, hidrografia e observação do uso e ocupação do solo, entretanto não foram elaborados mapas sobre esses temas.
Foram feitas saídas de campo para observação e registro de problemas ambientais na cidade de Três Lagoas e levantamento de processos erosivos na área urbana. Os pontos de observação foram selecionados através de saídas de campo e baseou-se na observação visual das ruas com processos erosivos
A primeira saída de campo realizou-se no dia 21/09/2010 no condomínio Portal das Águas. A segunda saída de campo realizou-se no dia 14/12/2010 na Rua David de Alexandria com a esquina da Avenida Jarí Mercante; no Córrego da Onça no bairro Vila Zuque; na Avenida Raphael Haro; no bairro Jardim Eldourado; perto da estrada boiadeiro no bairro Jardim Carandá; Lagoa Maior e Córrego da Onça na BR – 262.
A última saída de campo realizou-se no dia 07/04/2011 para estabelecer uma comparação das mesmas localidades. Primeiramente o condomínio Portal das Águas; Rua David de Alexandria; Córrego da Onça no bairro Vila Zuque; Avenida Raphael Haro; bairro Jardim Eldourado; estrada boiadeiro no bairro Jardim Carandá e Lagoa Maior.
Realizou-se uma única saída de campo no dia 07/04/2011 nas ruas: Visconde de Tamandaré no bairro Vila Nova; esquina da Rua Capitão B. Antônio Leite com a Avenida Baldomero Leituga; Córrego canalizado; Rua Manoel Faria Duque; Distrito Industrial; Vila Piloto e Cinturão Verde.
Os registros fotográficos serviram para descrever o problema em questão.
O levantamento de informações sobre a cidade como informações do histórico e localização da cidade se deu através de artigos e trabalhos de graduação referente ao assunto.
Os documentos utilizados foram: carta topográfica SF 22-V-B-B – Três Lagoas; mapas; câmera digital; Corel Draw X4; Word 2003; Excel 2003; Spring 5.1 e imagem
de satélite Landsat 5 TM – 20 Junho/2010 – Órbita /ponto – 222/74, 223/74 e 223/75 – Bandas 3b, 4G e 5R.
4 RESULTADOS
O tipo de clima da região de Três Lagoas é quente o ano todo e é caracterizado por duas estações inverno seco e verão chuvoso.
A Figura 3 mostra a quantidade de precipitação em milímetros nos meses de janeiro, fevereiro e março 2011.
Figura 3: Precipitação diária na cidade de Três Lagoas/MS – 01/01 a 31/01 de 2011 Fonte: INMET-Instituto Nacional de Metereologia.
Os meses mais chuvosos foram janeiro e março de 2011, sendo março o mês mais chuvoso e fevereiro o mês menos chuvoso. Os dias de maior precipitação no mês de janeiro foram dias 2 e 11, sendo que no dia 11 choveu mais de 80 mm e no dia 2 mais de 50 mm. Do dia 17 ao dia 24 do mês de janeiro, as chuvas foram sequencias. No mês de março as chuvas sequencias ocorreram no início do mês, exatamente entre os dias 1 a 10 de março, e entre os dias 17 a 24. Dentre esses dias o dia 8 de março foi o que mais precipitou chegando a mais de 100 mm. Fevereiro foi o mês de menor precipitação, não passou dos 25 mm em todo o mês, sendo os dias 9 e 11 os de maior precipitação.
Precipitação diária da cidade de Três Lagoas/MS - 01/01 a 31/03 de 2011
0 20 40 60 80 100 120 1 5 9 13 17 21 25 29 2 6 10 14 18 22 26 2 6 10 14 18 22 26 30 (dias) (m m ) CHUVA
4.1 Conseqüências das Chuvas
As notícias de jornais pesquisadas mostraram as consequências do excesso de chuvas nos meses mencionados.
A reportagem do dia 03/01/201 apresentou que a chuva do dia anterior trouxe enxurradas e lama nas ruas e casas do bairro São Carlos (MORADORES... Rádio Caçula..., 2011).
Na tarde do dia 11/01/2011 uma forte chuva caiu sobre Três Lagoas inudou ruas e fez transbordar a Lagoa Maior (CHUVA... Perfil News..., 2011). A chuva forte do dia anterior ao dia 12/01/2011 provocou alagamento no bairro Santa Luzia na Rua Zulmira Porto (CHUVA... Mídia Max..., 2011).
Na Rua Eurides Chagas Cruz, no bairro Alto da Boa Vista, a força das águas vindas da parte mais alta abriu um enorme buraco no local. A chuva também danificou parte da obra da drenagem do Córrego da Onça próximo ao bairro Vila Zuque, a densidade água subiu que levou parte da areia próximo às residências (MORADORES... Hojems..., 2011 pg. 05).
No dia 18/01/2011 moradores do bairro Juscelino Kubitschek na Rua David de Alexandria e do bairro Vila Nova na Rua Otávio Sigefredo Roris enfrentaram buracos abertos pelas fortes chuvas dos dias anteriores, durante as chuvas fica impossível transitar pelas ruas (BAIRROS... Portal MS..., 2011).
A Rua Baldomero Leituga no bairro Santo André sofreu com alagamentos, e as ruas que não possuem pavimentação asfáltica, as conseqüências foram lamaçal nas ruas (RUAS... Jornal do Povo..., 2011).
A notícia do dia 09/03/2011 mostrou que fortes chuvas atigiram Três Lagoas no dia 08/03/2011, alagando ruas e casas na Rua Bom Jesus no bairro Interlagos.
No bairro Vila Nova na Rua Wilson de Carvalho Viana, um veículo caiu em um grande buraco na via aberto pelas chuvas (CARRO... Agora Rede..., 2011).
As chuvas do dia 10/03/2011 trouxeram consequências aos moradores das ruas e conjuntos habitacionais Jardim das Violetas que é uma região periférica da cidade de Três Lagoas. Moradores reclamam de problemas como alagamentos e crateras nas ruas abertas pelas chuvas, ficando assim intransitáveis (CHUVAS... Jornal do Povo..., 2011). Na madrugada do dia 19/03/2011os moradores de Três Lagoas foram surpreendidos por uma forte chuva que ocasionou vários alagamentos pela cidade,
principalmente no bairro Santa Luzia na Avenida Angelina Tebet e nos bairros próximos à Lagoa Maior (LAMA... Perfil News..., 2011).
Uma das reportagens consultadas no dia 10/09/2010, aborda a recuperação ambiental do Córrego da Onça localizado próximo ao bairro Vila Zuque, com a intenção de serviços como nivelamento do canal, urbanização e paisagismo das margens. Para proteger as encostas do córrego do assoreamento degradável, colocaram-se sacos de pedras e areia que são drenantes e permeáveis armados nas margens. Devido às chuvas do início do ano de 2011 romperam-se os sacos de areia colocados como contenção. O secretário de obras responsável pela recuperação do Córrego da Onça afirma que, para a melhoria dos moradores do bairro Vila Zuque, devido a enchentes estragos provocados pelo canal, deve ser feito à construção de bueiros na área a ser pavimentada do bairro (CÓRREGO... Jornal do Povo..., 2010 pg. 03).
4.2 Erosão em sulcos e ravinas
Portal das Águas é um lugar onde a ocupação urbana é recente e com algumas ruas ainda sem pavimentação, porém, o condomínio Portal das Águas foi criado para pessoas de classe média em um bairro novo da cidade. O condomínio Portal das Águas localiza-se em uma vertente suave, com ruas que mostram a passagem da água da chuva. Em frente ao condomínio onde termina o asfalto, a rua apresenta com processos erosivos em forma de sulcos e ravinas, foram construídos conjuntos de barreiras que formaram buracos para tentar conter os sedimentos, cada conjunto deles está fazendo sua própria erosão. Estes buracos também se tornaram lugares onde a população joga o lixo e que muitas vezes pode se tornar lugares propícios a doenças. É notável em toda parte processo erosivo em forma de ravinas.
Na parte posterior ao condomínio Portal das Águas há um novo loteamento, com ruas também sem asfalto. Em alguns lugares há uma concentração de água de chuva formando uma espécie de “lago”. As ruas asfaltadas também recebem os sedimentos da parte mais alta da rua para a parte mais baixa. A Figura 4 mostra a primeira saída de campo no local condomínio Portal das Águas, realizada no mês de outubro de 2010, antes do período chuvoso.
Após a primeira saída de campo o condomínio já se mostrou diferente principalmente pela erosão estar estável. As barreiras de contenção estão todas cobertas por vegetação que antes não havia, mas alguns lugares continuam como despejo de lixo e com grandes poças d’água devido às chuvas. A Figura 5 mostra o condomínio Portal
das Águas na segunda saída de campo, realizado no mês de abril, no período chuvoso do ano de 2011, com deposição de sedimentos, mas com vegetação que antes não havia.
Figura 4: Condomínio Portal das Águas – processos erosivos (21/09/2010).
Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Figura 5: Condomínio Portal das Águas - vegetação (07/04/2011).
Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Próximo à estrada boiadeiro (MS 408) no bairro Jardim Carandá, a ocupação urbana é intensa principalmente pelo conjunto habitacional lá existente. Todas as estradas são de terra, então se percebe alguns processos erosivos nas ruas.
Na última saída de campo o lugar estudado está com a aparência totalmente transformada. Além de não possuir pavimentação, as ruas que antes não mostravam processos erosivos já estão tomadas por eles com algumas feições de ravinamento em
toda parte. A Figura 6 mostra uma parte do bairro, que recebem sedimentos da parte mais alta para a parte mais baixa. As marcas nas ruas são visíveis. Na Figura 7 as ruas estão totalmente tomadas por processos erosivos em forma de ravinas.
Figura 6: Perto da estrada boiadeiro - Jardim Carandá (14/12/2010).
Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Figura 7: Estrada boiadeiro - Jardim Carandá (07/04/2011).
Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
4.3 Erosão laminar e deposição no asfalto
A Avenida Raphael Haro é de grande ocupação urbana. Algumas ruas são pavimentadas, mas algumas ainda estão sem pavimentação, e são ruas onde apresentam deposição de sedimentos geralmente em todas as esquinas.
Atualmente a deposição de sedimentos na rua está cada vez maior transformando a paisagem da mesma. A rua apresenta apenas alguma vegetação nas calçadas. A Figura 8 mostra a Avenida Rafael Haro sendo um depósito de sedimentos nas esquinas da rua, fazendo com que o asfalto fique encoberto.
Na Figura 9 a Avenida Raphael Haro está totalmente coberta por sedimentos tomando completamente o asfalto.
Figura 8: Avenida Raphael Haro (14/12/2010) Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Figura 9: Avenida Raphael Haro (07/04/2011) Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
A Rua Visconde de Tamandaré está totalmente sem pavimentação asfáltica, e conseqüentemente deixa a rua vulnerável a processos erosivos, principalmente de erosão linear com deposição de sedimentos devido ao excesso de chuva que retira a areia do lugar e deposita em outro. Na esquina da Rua Capitão B. Antônio Leite com a
Avenida Baldomero Leituga, as ruas também não são asfaltadas resultando em deposição de areia.
A Figura 10 mostra a Rua Visconde de Tamandaré, lugar tomado por deposição de areia. A Figura 11 apresenta a esquina da Rua Capitão B. Antônio Leite com a Avenida Baldomero Leituga totalmente sem asfalto sendo vulnerável a processos erosivos.
Figura 10: Rua Visconde de Tamandaré (07/04/2011). Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Figura 11: Esquina da Rua Capitão B. Antônio Leite com a Avenida Baldomero Leituga (07/04/2011).
4.4 Erosão hídrica
A Rua David de Alexandria próximo ao cruzamento com a Avenida Jari Mercante apresenta ocupação residencial e algumas ruas asfaltadas e outras sem pavimentação, onde é notável o começo de alguns processos erosivos com sulcos e assoreamentos.
Nota-se uma vertente suave onde às marcas da passagem da água e deposição de sedimentos ficam visíveis, a água então vai em direção à canalização, que se estende por um segmento do córrego até as proximidades da linha ferroviária, próximo da Avenida Rosário Congro e com grande quantidade de sedimentos, além de um depósito de lixo nas esquinas das ruas.
Na saída de campo posterior do ano de 2011, essas ruas já se mostraram modificadas, com um grande acúmulo de areia nas ruas, ocasionando assoreamentos. A parte canalizada da Rua David de Alexandria já está totalmente tomada por excesso de sedimentos. Na Figura 12 mostra a canalização da Rua David Alexandria com lixo, coberta por vegetação e com alguns sedimentos carreados pela água. A Figura 13 mostra a parta canalizada do córrego totalmente tomada por sedimentos. Foto tirada no período de chuva em Três Lagoas.
Figura 12: Rua David de Alexandria (14/12/2010). Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
Figura 13: Rua David de Alexandria (07/04/2011). Foto: Aline Cristina Alves da Silva.
O bairro Vila Zuque possui ruas que estão sem pavimentação asfáltica onde apresenta a passagem da água da chuva e também ruas pavimentas com deposição de areia. O córrego estava em obras como as de contenção de sedimentos, a canalização do córrego, bueiros e uma futura construção de um jardim.
Na saída de campo realizada no mês de abril de 2011, apresentou uma situação inversa. As obras no Córrego da Onça estavam paralisadas, a vegetação ao redor está maior fazendo desaparecer as barreiras de contenção. As ruas do bairro continuam recebendo sedimentos da parte mais alta para a parte mais baixa.
Na Figura 14 o Córrego da Onça sendo canalizado e as barreiras de contenção. Na Figura 15 o Córrego da Onça está com a canalização paralisada e tomada por vegetação, fazendo desaparecer as barreiras de contenção.
Figura 14: Córrego da Onça – Bairro Vila Zuque (14/12/2010).
Figura 15: Córrego da Onça – Bairro Vila Zuque (07/04/2011). Fonte: Aline Cristina Alves da Silva.
4.5 Discussão dos resultados
Com as intensas e concentradas chuvas em 2011, houve modificações na cidade de Três Lagoas devido aos processos erosivos. Quando se relacionam as chuvas registradas com as saídas de campo nota-se que em alguns bairros e ruas estudados em Três Lagoas houve modificações, aumentando ou diminuindo os processos erosivos.
A área externa ao Condomínio Portal das Águas antes do período chuvoso se mostrou totalmente tomada por erosões em ravinas, mas após as chuvas alguns locais apresentavam-se coberto por vegetação e com a erosão contida.
Perto da estrada boiadeiro (MS 408), anteriormente não foram registrados algum tipo de problemas com processos erosivos, por isso foi estudada apenas a localidade ao redor e encontrou deposição de areia nas ruas que vinham da parte mais alta para a mais baixa da rua. Devido ao excesso de chuva a estrada boiadeiro estava tomada por erosões ravinas.
Erosão laminar e deposição de sedimentos foram os mais encontrados na cidade. Em alguns lugares não houve uma grande modificação devido às chuvas, apenas um aumento de sedimentos depositados nas esquinas e cruzamento das ruas. Já na Rua Visconde de Tamandaré após o período chuvoso, a mesma ficou tomada por excesso de areia.
Após o período chuvoso o Córrego da Onça na Vila Zuque, mesmo com as obras de canalização paralisadas, estava com as barreiras de contenção vegetadas.
Na Rua David de Alexandria anteriormente notou-se que os sedimentos se acumulavam na parte baixa da rua fazendo com que o córrego canalizado existente ficasse assoreado. Após o período chuvoso a Rua da David de Alexandria estava apresentava muitos buracos e pedregulhos, e a canalização do córrego já estava tomada por sedimentos permanecendo assoreado.
Segundo Modaelli et al. (2009) o aparecimento de erosões está associado à falta de planejamento adequado, tais como Planos Diretores Municipais que considerem planejamento da drenagem urbana e com isto as particularidades do meio físico e as tendências de desenvolvimento da área urbana. A correção das erosões, segundo IPT/DAEE (1997) consiste na execução de um conjunto de obras que evitem ou diminuam a energia do escoamento das águas pluviais sobre terrenos expostos.
As escalas de obras de drenagem são várias, iniciam-se por obras de micro-drenagem como pavimentação das ruas, guias, sarjetas e bocas de lobo. Na escala de macro-drenagem são galerias de águas pluviais e canalizações e instalações obras de extremidades. Para minimizar os impactos que a erosão vem causando nos núcleos urbanos são necessários mais investimentos para o seu controle (MODAELLI et al; 2009).
Um dos objetivos de desenvolvimento do município de Três Lagoas de acordo com o Plano Diretor (2011) é conservar e preservar o ambiente natural construído, recuperar as áreas ambientalmente degradadas e orientar as atividades, de modo a reduzir as pressões antrópicas sobre os ecossistemas urbanos e rurais.
A política municipal de estrutura tem como objetivo implantar infra-estrutura planejada e articulada em todo o município para permitir o desenvolvimento e o bem estar da população. A ordenação e controle de uso e ocupação do solo é combater e evitar a poluição e a degradação ambiental (Plano Diretor, 2011).
As diretrizes prioritárias da ação do município são realizar obras para a preservação e condução das águas do Córrego da Onça; implantar o parque linear do Córrego da Onça; elaborar o Plano Municipal de Drenagem urbana e implantar as obras segundo as prioridades ali apontadas; pavimentação das vias urbanas segundo a hierarquização do sistema viário (Plano Diretor, 2011).
Apesar da existência do Plano Diretor (2011), com objetivos de preservar e conservar o ambiente natural e recuperar áreas degradadas, Três Lagoas ainda enfrenta processos erosivos. Algumas ruas continuam sem obras de pavimentação fazendo com que muitas tenham excesso de areia ficando vulneráveis ao aparecimento de processos
erosivos devido às chuvas, além da ausência de guias e bocas de lobo. Um dos córregos, o Córrego da Onça, foi canalizado no trecho na Vila Zuque com objetivo de preservação e contenção, diferentemente de outros córregos e de outros trechos do Córrego da Onça que estão assoreados.
5 CONCLUSÃO
Em Três Lagoas, por apresentar baixa declividade, a erosão urbana não é drástica, mas trás prejuízos pela dificuldade de escoamento da água das chuvas.
Durante o estudo foram visualizados alguns tipos de erosão como erosão em sulcos e ravinas encontradas no condomínio Portal das Águas e na estrada boiadeiro no bairro Jardim Carandá; erosão laminar e deposição de sedimentos encontradas nas ruas e bairros da cidade, geralmente aqueles que não possuem pavimentação asfáltica e que se situam em uma vertente suave, podendo visualizar a deposição de sedimentos que vem da parte mais alta para a parte mais baixa do relevo; a erosão hídrica que foi encontrada nos córregos estudados como o Córrego da Onça do bairro Vila Zuque e na BR 262, e o Córrego canalizado que aparece com uma canalização aberta recebendo sedimento das encostas fazendo com que fique assoreado se tornado também um lugar de despejo de lixo pela população. A Rua David de Alexandria além de deposição de sedimentos foi encontrada a erosão hídrica por ter a canalização de um córrego mais que está assoreado.
As chuvas foram uma das causas dos processos erosivos. As chuvas do ano de 2011 foram sequenciais, as chuvas acima de 50 mm já foram significativas, podendo fazer uma relação com o ano anterior e o ano atual nos pontos de observação que apresentou diferenças principalmente pela deposição de sedimentos e as marcas de enxurradas nas ruas, principalmente pelo relevo de Três Lagoas ser plano, o que dificulta o escoamento da águas das chuvas.
É de grande importância uma infra-estrutura planejada com obras de micro-drenagem como a pavimentação das vias urbanas, guias, sarjetas e bocas de lobo. Para que os córregos não fiquem assoreados é necessário a canalização do córrego e a preservação e condução das águas dos córregos como foi possível visualizar no Córrego da Onça no bairro Vila Zuque e também a conscientização da população em não tornar as erosões em lugares de despejo de lixo.
Este trabalho possibilitou o conhecimento da área urbana da cidade, estudar e analisar os processos erosivos e identificar as formas de erosão freqüentes na área urbana da cidade de Três Lagoas; a influência das chuvas que acontece no verão, exatamente no período chuvoso, a influência da forma do relevo e a influência da ocupação do solo em relação aos processos erosivos e as conseqüências que podem trazer. Futuramente as perspectivas são de mais estudos na área urbana de Três Lagoas para quantificar os processos erosivos e estudar formas de planejamento urbano.
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