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TÍTULO: GUIA FOTOGRÁFICO DAS ESPÉCIES DE RESTINGA DO MUNICÍPIO DE CARAGUATATUBA TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO MÓDULO INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): LUCAS DE SOUZA AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): KAROLINA M. A. B. VAN SEBROECK DÓRIA. ORIENTADOR(ES):
1. RESUMO
As restingas são áreas costeira mais alteradas e exploradas do país, e essas faixas de vegetação de grande extensão, estão sujeitas a intenso impacto humano, o que resultou na elevada degradação de planícies costeiras, de praias e dunas de restinga ao longo de toda costa brasileira. Dos ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, a restinga é um dos menos conhecidos e, apesar de estar protegida pelo Decreto Federal 750/93, como as florestas ombrófilas e os campos de altitude, entre outros, sua melhor proteção ainda depende de leis específicas e mais restritivas (COUTO, 2005).
O objetivo deste trabalho foi desenvolver um catálogo fotográfico com as espécies herbácea/subarbustiva, arbustiva e arbórea presentes na restinga no município de Caraguatatuba. Foram realizados levantamentos na praia da Tabatinga, Praia da Mococa, Praia da Cocanha, Praia do Massaguaçu, Praia do Capricórnio, Praia Brava, Martim de Sá, Prainha, Camaroeiro, Praia do Centro, Praia do Indaiá, Praia do Aruã, Praia das Palmeiras, Praia do Romance, Praia do Porto Novo, Praia das Flexeiras. O método utilizado foi de varredura total. Foram catalogadas 71 espécies distribuídas em 22 famílias.
Palavras-chave: Diversidade botânica; Paisagem; Identificação visual; Classificação
botânica.
2. INTRODUÇÃO
O Bioma Mata Atlântica se estende desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul e conforme o Decreto Federal 750/93 (BRASIL, 1993) engloba áreas ocupadas pelas mais diversas formações vegetais que cobrem as regiões sul, sudeste e parcialmente nordeste e centro-oeste do país, como: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Manguezais, Campos de altitude, brejos interioranos, encraves florestais do Nordeste, além das Restingas.
As restingas brasileiras caracterizam-se como um conjunto de ecossistemas variados fitofisionomicamente, com vegetações em diferentes estádios sucessionais, sendo constituídas por um conjunto de formas vegetacionais distintas, em toda sua área de ocorrência ao longo da costa brasileira (MMA/SBF, 2002).
Dos ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, a restinga é um dos menos conhecidos e, apesar de estar protegida pelo Decreto Federal 750/93, como as florestas ombrófilas e os campos de altitude, entre outros, sua melhor proteção ainda depende de leis específicas e mais restritivas (COUTO, 2005).
Restinga e mangue são grandes formações que acompanham o Oceano Atlântico, instaladas sobre os sedimentos próximos a ele (FALKENBERG, 1999).
A comunidade vegetal, desse ecossistema, sofre influência direta do Oceano Atlântico e das condições edáficas, apresentando predomínio de vegetação herbáceo-arbustiva (WAECHTER, 1985; TEIXEIRA et al., 1986).
Santos e Medeiros (2003) alertam que as formações de restinga, mesmo sendo protegidas legalmente, perdem as suas características em decorrência do aumento da atividade humana ao longo da Zona Costeira, acarretando contínua degradação e destruição dos seus componentes biológicos e paisagísticos.
A região costeira é uma das áreas mais alteradas e exploradas do país resultado de aproximadamente 500 anos de ocupação após descobrimento do Brasil. O litoral brasileiro foi povoado na época da colonização num padrão descontínuo, partindo de centros de difusão localizados na costa. As atividades pós-guerra e a metropolização contribuíram para a migração em massa e para a intensificação dos impactos ambientais da zona costeira, degradando os ecossistemas litorâneos (SOUZA, 2004; SANTOS e MEDEIROS, 2003).
As faixas vegetadas da costa, em grande extensão, estão sujeitas a intenso impacto humano, o que resultou na elevada degradação de planícies costeiras, de praias e dunas de restinga ao longo de toda costa brasileira (ROCHA et al., 2004).
Historicamente, a ocupação da planície litorânea em Caraguatatuba, afora os núcleos residenciais mais densos, foi basicamente feita para a bananicultura, com o aproveitamento das bacias de solo orgânico e os terraços fluviais ou várzeas, através do abaixamento do lençol freático, pela abertura de canais de drenagem. Houve também a implantação de projetos de cacauicultura, principalmente, na porção da baixada próxima da Serra do Juqueriquerê (MANTOVANI, 1992).
Segundo Gallo Júnior et al. (2011) diversos empreendimentos de grande porte estão previstos para a região, alguns já em fase de implantação, o que causa preocupação em virtude da previsão de aumento significativo da população nos próximos anos e consequente pressão sobre os ecossistemas existentes.
A população residente tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas, com crescimento superior aos índices estaduais, ampliando a ocupação em diversos setores da faixa litorânea, com a devastação de áreas recobertas por restinga e manguezais, e avançando no sentido das áreas protegidas (GALLO JÚNIOR et al., 2011).
3. OBJETIVOS 3.1. Geral
O objetivo deste trabalho é desenvolver um catálogo fotográfico com as espécies herbácea/subarbustiva, arbustiva e arbórea presentes na restinga no município de Caraguatatuba.
3.2. Específicos
Catalogar as espécies existentes na restinga praial. Realizar um levantamento da diversidade de espécies existentes neste ecossistema. Contribuir para a atualização e divulgação das espécies botânicas presentes na restinga do município de Caraguatatuba.
4. METODOLOGIA
As áreas escolhidas para a catalogação fotográfica das espécies botânicas são as praias do município de Caraguatatuba, ou seja, da praia das flecheiras (limite sul) à praia da tabatinga (limite norte).
Foram realizadas excursões às regiões para coleta, observação e a documentação fotográfica utilizando câmera Canon T5. Cada espécie botânica encontrada foi documentada com duas fotografias padrões: uma destacando o aspecto geral da folhagem e o hábito do vegetal e a outra detalhando sempre que possível as flores.
A identificação taxonômica seguiu os sistemas de Cronquist (1981) para Magnoliophyta e Tryon; Tryon (1982) para Pteridophyta.
As famílias botânicas seguiram o Sistema de Classificação proposto por Angiosperm Phylogeny Group (com base em JUDD et al., 2009, STEVENS, 2008 e SOUZA e LORENZI, 2008).
O nome científico juntamente com o nome do autor da espécie, somados ao nome popular e a família botânica à qual pertence foram apresentados logo abaixo da imagem geral.
5. DESENVOLVIMENTO
A pesquisa ocorreu de agosto de 2015 a julho de 2016. Efetuou-se um inventário in loco, onde foram observadas as características vegetativas, fotografando as espécies em seu local de ocorrência (Figura 1a) e com o auxílio de uma escala (Figura 1b). Como as praias encontram-se em grande maioria antropizada, adotou-se a verificação das espécies fazendo uma varredura.
Figura 1 – Tibouchina grandiflora (Orelha de onça). A) No local de ocorrência; B) Com escala de tamanho.
O registro dos dados foi realizado em planilhas, para posterior análise dos resultados.
6. RESULTADOS
Foram realizados levantamentos na praia da Tabatinga, Praia da Mococa, Praia da Cocanha, Praia do Massaguaçu, Praia do Capricórnio, Praia Brava, Martim de Sá, Prainha, Camaroeiro, Praia do Centro, Praia do Indaiá, Praia do Aruã, Praia das Palmeiras, Praia do Romance, Praia do Porto Novo, Praia das Flexeiras, totalizando 16 praias.
A praia com a maior diversidade de espécies foi a Tabatinga, com 36 registros, seguida pela Massaguaçu (27), Camaroeiro (26) e Cocanha com 25 registros, conforme podemos observar na Figura 2. A praia com a menor diversidade foi a Prainha, com apenas sete espécies distribuídas em cinco famílias botânicas.
Figura 2 - Diversidade de espécies catalogadas nas praias de Caraguatatuba - SP
Foram cadastradas 71 espécies distribuídas em 22 famílias botânicas. Para cada espécie cadastrada, foi gerado uma prancha com suas características, conforme a Figura 3.
Figura 3 – Página do catálogo
0 5 10 15 20 25 30 35 40 16 11 11 13 7 8 9 5 11 5 5 9 7 8 4 7 36 15 25 27 9 9 19 7 26 13 12 21 15 17 13 20 Família Espécie
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foram catalogadas 71 espécies botânicas distribuídas em 22 famílias botânicas. As praias Martin de Sá, Camaroeiro, Centro, Indaiá, Fleixeiras encontram-se bastante antropizadas tendo como reflexo um alto índice de espécies pertencentes a família Poaceae.
A praia com a maior diversidade de espécies foi a Tabatinga, com 36 registros, seguida pela Massaguaçu (27), Camaroeiro (26) e Cocanha com 25 registros. A praia com a menor diversidade foi a Prainha com apenas sete espécies distribuídas em cinco famílias botânicas.
Há necessidade de políticas públicas para a preservação da vegetação de praia e divulgação da importância de manter essas áreas preservadas para que elas possam continuar como um agente regulador e conservador das praias.
8. REFERENCIAS CONSULTADAS
BRASIL. Presidente da República. Dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração de Mata Atlântida. Decreto Nº 750, de 10 de fevereiro de 1993. Disponível em: <http://www2.ibama.gov.br/~misis/cnia/lema_texto/Decreto/DC00750-100293.htm>. Acesso em: 17 de Nov 2013.
COUTO, O. S. Manual de espécies vegetais do estado de São Paulo. Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN, São Paulo, SMA, 440 p. 2005.
CRONQUIST, A. An integrated system of classification of flowering plants. New York, Columbia University Press, 1981.
FALKENBERG, D. B. Aspecto da flora e da vegetação secundária da Restinga de Santa Catarina, sul do Brasil. Insula, n.28, p.1-30, 1999.
GALLO JUNIOR, H.; et al.. Políticas ambientais e ordenamento do território na região do litoral norte de São Paulo, BRASIL. Revista Geográfica de América
Central, Costa Rica, II Semestre, p.1-15, 2011.
JUDD, W.S., CAMPBELL, C.S., KELLOGG, E.A., STEVENS, P.F. e DONOGHUE,M.J. Sistemática Vegetal: Um Enfoque Filogenético. 3rd ed. Artmed, Porto Alegre. 2009 MANTOVANI, W. A vegetação sobre a restinga em Caraguatatuba, SP. Anais – 2° Congresso Nacional sobre Essências Nativas . 29/3/1992.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – Secretária de Biodiversidade e Florestas (MMA/SBF). Avaliação e identificação de áreas prioritárias para conservação,
utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade nos biomas brasileiros. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2002.
ROCHA, C. F. D.; ESTEVES, F. A.; SCARANO, F. R. Pesquisa de longa duração
na restinga de Jurubatiba: ecologia, história natural e conservação. Rio de
Janeiro: Rima, 2004.
SANTOS, C. R.; MEDEIROS, J. D. A ocupação humana das áreas de preservação permanente (Vegetação fixadora de dunas) das localidades das Areias do Campeche e Morro das Pedras, Ilha de Santa Catarina, SC. Revista de Estudos Ambientais, v.5, n.1. p.22-41, 2003
SOUZA, M. T. R. O Litoral Brasileiro. Cultura R. IMAE, São Paulo, v.5, n.11, p.63 -67, jan. /jun..2004.
SOUZA, V.C. e LORENZI, H. Botânica sistemática: guia ilustrado para a identificação das famílias de Fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II. 2. ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa. 2008.
TEIXEIRA, M. B.; COURA NETO, A. B.; PASTORE, U.; RANGEL FILHO, A. L. R. As regiões fitoecológias, sua natureza e seus recursos econômicos – Estudo fitogeográfico. In: Levantamento de recursos naturais. v.33. Porto Alegre: IBGE, 1986.
TRYON, R. M.; TRYON, A. F. Ferns and allied plants: with special reference to
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WAECHTER, J.L. Comunidades vegetais das restingas do Rio Grande do Sul. 11 Simpósio de ecossistemas da costa sul e sudeste brasileira: estrutura, função e manejo. ACIESP. v.3, p.223-48, 1990. (Publicação ACIESP, 71-3).