AUDITORIA EM ENFERMAGEM
HISTÓRICO
• A auditoria tem sua origem na área contábil, cujos fatos e seus registros datam do ano 2600 a. C, do LATIM “AUDIRE”- OUVIR. Porém é a partir do século XII d. C, que esta técnica passa a receber o nome de auditoria, sendo na Inglaterra o seu maior desenvolvimento. Com a revolução Industrial no século XVII, a prática da auditoria recebe, novas diretrizes, na busca de se atenderem às necessidades das grandes empresas.
• Na área de saúde, a auditoria aparece pela primeira vez no trabalho realizado pelo médico George Gray Ward, nos Estados Unidos, em 1918, onde foi feito a verificação da qualidade da assistência prestada ao paciente através dos registros em seu prontuário. Um dos primeiros trabalhos de auditoria em enfermagem data de 1955, foi desenvolvido nos Estados Unidos.
• No Brasil, a auditoria vem tomando impulso nos últimos cinquenta anos, necessitando ainda de arranjos que melhor adaptem o processo à nossa realidade. Essa necessidade tem conduzido alguns profissionais a realizarem estudos visando identificar os objetivos, a metodologia e a validade da auditoria.
• Verifica-se na área da saúde, a existência de experiências isoladas, como, por exemplo, no Hospital de Ipanema, no Rio de Janeiro.
• Uma outra experiência é a do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, que tem um processo de auditoria em enfermagem determinados na instituição, que são normas do Sistema de Assistência de Enfermagem (SAE).
• Araújo e colaboradores fizeram um levantamento em que foi observada grande motivação para a realização de auditoria em enfermagem junto aos profissionais da área, faltando às instituições, por outro lado, conhecimento teórico e condições estruturais para a implantação do processo.
DEFINIÇÕES
• Auditoria é a avaliação formal e sistemática de uma atividade, por alguém não envolvido diretamente na sua execução, para determinar se essa atividade está sendo levada a efeito de acordo com seus objetivos.
• Dunn e Morgan, de modo sucinto, definem auditoria como sendo “a comparação entre a assistência prestada e os padrões de assistência considerados como aceitáveis”.
• Auditoria em Enfermagem é a avaliação sistemática da qualidade da assistência prestada ao cliente, sendo esta realizada por meio de observações das anotações de enfermagem no prontuário ou das próprias condições deste. Compreende-se que a auditoria em enfermagem visa o controle de custos, a qualidade do atendimento ao cliente, pagamento justo da conta hospitalar, a transparência da negociação, fundamentada na conduta ética.
• De acordo com Motta auditoria de enfermagem é a avaliação sistemática da qualidade da assistência prestada ao cliente pela análise dos prontuários, acompanhamento do cliente in loco e verificação da compatibilidade entre o procedimento realizado e os itens cobrados na conta hospitalar, visando garantir justa cobrança e pagamento adequado.
• A auditoria de enfermagem pressupõe avaliação e revisão detalhada de registros clínicos selecionados por profissionais qualificados para verificação da qualidade da assistência, sendo, portanto, uma atividade dedicada à eficácia de serviços, que utiliza como instrumentos o controle e análise de registros.
FINALIDADES
• Identificar as áreas (unidades) deficiente do serviço de enfermagem, auxiliando, para que as decisões quanto ao remanejamento e aumento de pessoal sejam tomadas com base em dados concretos.
• Identificar áreas de deficiência em relação a assistência de enfermagem prestada, percebendo-se, defasagem no atendimento da área psicoespiritual.
FINALIDADES
• Fornecer dados para melhoria dos programas de enfermagem.
• Fornecer dados para melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem.
• Obter dados para programação de reciclagem e atualização do pessoal de enfermagem.
BENEFÍCIOS
• Num processo de auditoria em enfermagem instalado e bem conduzido dentro de uma instituição, podem-se obter benefícios para os clientes, para a equipe de enfermagem, para instituição e para a profissão.
• Os clientes serão beneficiados com a possibilidade de receber uma assistência de melhor qualidade, a partir de um serviço oferecido de maneira mais segura e eficaz.
• Os benéficos para a equipe de enfermagem advindo da utilização da auditoria relacionam-se ao fornecimento de subsídios que, não sendo utilizados como ameaça, estimularão a reflexão profissional.
• Para a instituição, os principais benefícios encontram-se no fato de a auditoria ser um meio de verificar o alcance dos seus objetivos, constituindo base para a continuidade da programação e forma de auxilio no controle de custos.
• A profissão de enfermagem tem na auditoria a possibilidade de desenvolvimento de indicadores de assistência, estabelecimento de critérios de avaliação e consequentemente geração de novos conhecimentos.
OPERACIONALIZAÇÃO DO PROCESSO
• A análise constitui a essência da ação auditorial. • Verificar sem interpretar, criticar e orientar é
tarefa ineficaz e não interessa aos métodos científicos.
Requisitos
• Filosofia e estrutura administrativa compatíveis com a proposta da enfermagem.
• Padrão de assistência desejado, estabelecido e conhecido por todo o pessoal do serviço de enfermagem.
• Recursos humanos com adequado treinamento técnico e capacidade como auditor.
• Instrumentos contendo os itens que deverão ser observados na auditoria.
Tipos
Auditoria retrospectiva
• É feito após a alta do paciente, que se utiliza o prontuário após a avaliação. Tem a desvantagem de não permitir
saber-se o que foi feito e não foi anotado.
• Seu primeiro passo é o estabelecimento do número de prontuários que devera ser analisados em função de um padrão. Para isso pode ser seguida as regras internacional:
Até 50 altas/mês: todos prontuários.
Mais de 50 altas/mês: 10% dos prontuários.
Todo prontuário de óbito deve constar na auditoria, fora os 10%.
Ressaltasse a importância de que a comissão decida qual é a sua capacidade de trabalho. Os elementos básicos para a utilização da auditoria são:
• livros de registro de prontuários na unidade para sorteio.
O estabelecimento de padrão é uma das grandes dificuldade que se tem encontrado para a realização da auditoria. Alguns fatores específicos que podem ser verificados no prontuário:
• Condições do paciente no ato da internação • Método de admissão
• Atendimento das prescrições médicas
• Sistema de elaboração do plano de cuidados individuais
• Sistema de elaboração de plano de serviço para cada funcionário dos diversos plantões
• Relatório de enfermagem
• Chamada do medico de plantão • Sinais vitais
• Anotações quanto a pequenas alterações dos pacientes
• Descrição dos sinais e sintomas • Transferência e suas causas
• Condições de altas • Orientações
Auditoria operacional ou concorrente: É feita
enquanto o paciente está hospitalizado ou em atendimento ambulatorial.
Pode ser realizada das seguintes maneiras:
• Exame do paciente e confronto das necessidades levantadas com a prescrição de enfermagem e ou avaliados dos cuidados in
loco.
• Entrevista feita com paciente e sua família. • Pesquisa junto a equipe medica.
Relatório
• Em qualquer um dos tipos o procedimento básico da auditoria é a elaboração de um plano auditorial que propõe a forma de realização da auditoria, ou seja, coleta de dados que em seguida vão ser analisados frente aos padrões estabelecidos, e por fim, elaborado relatório.
• O relatório constitui um documento analisado que apresenta o parecer técnico sobre o que foi auditado e sugestões que visam aperfeiçoamento ou mesmo correção de problemas na assistência de enfermagem prestada.
Encaminhado normalmente:
• A chefia do departamento de enfermagem • Unidades de trabalho
• Serviço de educação continuada.
Sá, citado por Araújo, recomenda que o relatório tenha: • Período a que se refere
• Data da sua elaboração • Número de ordem
• Descrição dos casos auditados • Conclusões e assinatura.
Classificação
Apresenta uma forma de classificação de auditoria quanto:
• Forma de Intervenção • Tempo
• Natureza • Limite.
FORMA
Auditoria interna
• É realizada por elementos próprios da instituição. • Vantagem: maior profundidade no trabalho.
• A sua vinculação funcional permite sugerir soluções apropriadas.
• Desvantagem: a dependência administrativa limitando a amplitude das conclusões e das recomendações finais do trabalho.
• Pode ter envolvimento afetivo do auditor com os elementos realizadores do trabalho, invalidando-o.
FORMA
Auditoria Externa
• Realizada por elementos que não pertencem a
instituição, contratado pra realização da
auditoria.
• Vantagem: gozar da independência administrativa e afetiva.
• Desvantagem: o auditor não vivenciam a realidade da instituição.
TEMPO
Pode ser classificada em contínua e periódica. • Auditoria continua: avalia em períodos
determinados, sendo que a revisão seguinte inicia-se depois da última.
• Auditoria Periódica: examina também o tempo estabelecido, porém não se prende à continuidade.
NATUREZA
Pode ser normal e especifica.
• Auditoria normal: realizada em período determinados com objetivos regulares de comprovação.
• Auditoria específica: atende a necessidade do momento.
LIMITE
Pode ser total e parcial.
• Auditoria total: abrange todos os setores da instituição.
RECURSOS
Há dois tipos de recursos: • Humanos
RECURSOS HUMANOS
• A comissão de auditoria deve estar ligada ao departamento de enfermagem. O número de membros depende do tamanho e tipo do hospital. • Foi verificado o tempo de vinte a trinta minutos
para a realização de auditoria de um paciente, lembrando que este tempo também irá variar com o tipo de instrumento utilizado para a realização da auditoria e o tamanho do prontuário.
Segundo o estudioso Ribeiro é apresentado para a composição da comissão de auditoria, um modelo americano:
• O diretor-assistente do serviço de enfermagem • O diretor da divisão de escriturários
• O diretor-assistente da divisão de educação em serviço
• Um auxiliar de enfermagem
• Três líderes da equipe de enfermagem • Duas enfermeiras-chefes
E Feldmam propõe que seja composta pelas: • Enfermeiras-chefes de unidades
• Quatro a doze enfermeiras de serviço (dependendo do tamanho e do tipo de hospital).
Kurcgant acredita que a comissão não deva ter menos de cinco enfermeiros.
A experiência tem mostrado que a comissão de auditoria deve ser constituída considerando-se a realidade da instituição e suas possibilidades de ter enfermeiras disponíveis para a realização dessas atividades, e assegurando-se sempre que possível a representatividade das unidades envolvidas no processo, o que poderá levar a um maior envolvimento com o processo. É importante ressaltar que é a partir do número de elementos e da dinâmica das ações da comissão que será determinada sua capacidade de trabalho.
Esses autores ainda indicam que entre os membros da comissão deve haver um coordenador e um secretário.
Características dos membros: • Ter noção básica de auditoria; • Conhecer a instituição;
• Interesse e compromisso pelo assunto e pelo desenvolvimento do trabalho;
• Envolvimento com o cuidado do paciente; • Capacidade de trabalhar em grupo.
Funções da comissão
• Elaboração de normas e objetivos;
• Elaboração e revisão do instrumento de auditoria; • Aplicação do instrumento;
• Tabulação e análise dos dados; • Elaboração do relatório.
RECURSOS MATERIAIS
Para a realização da auditoria a comissão deve possuir:
• Um local no hospital especialmente destinado a ela ou em setor comum a outras atividades que se coadunem.
• Faz-se necessário que o grupo possua independência e privacidade para a realização do seu trabalho, tendo em vista suas características sigilosas.
• O local ainda deve possuir arquivos, escrivaninha e outros materiais indispensáveis.
• Um outro recurso material imprescindível são os formulários nos vários modelos que serão utilizados.
• A existência de microcomputadores com programas específicos facilita o trabalho estatístico e de elaboração de relatórios
LIMITAÇÕES
A auditoria em enfermagem não avalia a assistência total ao paciente, pois o cuidado total ao paciente inclui a atuação de outros profissionais que participam desse cuidado. Para a avaliação da assistência total, seria necessária uma auditoria integrada. A auditoria de enfermagem limita-se portanto, à avaliação do cuidado de enfermagem prestado ao paciente.
• A auditoria não tem finalidade punitiva.
• A auditoria não tem como objetivo primordial a melhoria dos registros de enfermagem.
• A auditoria não tem por finalidade avaliar o desempenho de um indivíduo ou de um grupo.
A QUESTÃO DA QUALIDADE NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
• Processo de auditoria – importante: crença do grupo na necessidade desse processo.
• Grupo – deve estar esclarecido de que a auditoria não avalia uma pessoa, mas sim o conjunto de atividades desenvolvidas pela equipe de trabalho.
• A percepção da auditoria com restrições prejudicará o resultado final.
• Necessidade do envolvimento de todo pessoal de enfermagem na criação e desenvolvimento do processo de auditoria (determinação dos critérios).
• Futuro – “... a avaliação qualitativa dos cuidados de saúde simultaneamente como uma obrigação pessoal em face de um benefício e como meio de descobrir e dar a conhecer o seu próprio papel na equipe de saúde e na sociedade” – compromisso profissional dos enfermeiros com a sociedade; luta pela garantia da qualidade da assistência à saúde.
PERFIL DO ENFERMEIRO AUDITOR
• Com o aumento das exigências dos clientes com a melhoria dos cuidados a eles oferecidos, houve a necessidade de um controle de qualidade nas organizações hospitalares.
•Auditoria em enfermagem – avaliação da qualidade da assistência ofertada aos clientes – possibilidade de obtenção de melhores resultados relacionados à qualidade da assistência.
• AUDITORIA – atividade diversificada, estando sob constante modificação, requerendo dos órgãos responsáveis por essa área, a padronização e estabelecimento de procedimentos, a fim de estabelecer o sistema de auditoria e mercado de capitais e melhorar a segurança dos investidores.
A intervenção deve ser realizada com ênfase na? • Eficiência
• Eficácia
• Efetividade
Direcionada para o controle, possibilitando uma visão geral e objetiva, diagnosticando pontos importantes que envolvem falhas e irregularidades, nos resultados, nos impactos das políticas públicas e o curso do processo.
AUDITORIA EM ENFERMAGEM – reconhecida pela Resolução COFEN n0 266/2001.
O enfermeiro auditor tem uma participação importante na administração de um hospital:
• Dá mais ênfase ao paciente
• Verifica a qualidade dos serviços prestados e satisfação dos mesmos
Segundo Motta (2003) a enfermeira auditora inserida dentro de uma instituição hospitalar deve:
[...] desenvolver seu trabalho com senso crítico, explorando o que há de mais digno em auditoria, não se passando por instrumento de correção manual de problemas burocráticos e si atuando como orientadora da equipe interdisciplinar dentro do processo que envolve a intervenção e cobrança hospitalar.
Assim, faz-se necessário que este profissional: • Atue de maneira ética;
• Tenha conhecimento técnico-científico; • Acompanhe a saúde em âmbito geral;
• Saiba os deveres e direitos de todos os envolvidos no processo de auditagem, reconhecendo seus erros e tendo humildade de aprender com os outros;
• Mantenha uma postura educadora caso necessário, sendo tolerante a todo momento.
Junqueira (2001) define alguns princípios básicos do auditor em relação a execução de seus trabalho. São eles:
• Independência • Soberania
• Imparcialidade • objetividade
• Atualização e conhecimento técnico • Cautela e zelo profissional
• Comportamento ético • Sigilo e discrição
Motta (2003) descreve o perfil da enfermeira auditora com as seguintes características:
• Trabalhar tendo sempre a ética como referência. Os princípios éticos devem predominar.
• Ter conhecimento técnico-cientifico, acompanhando todo o desenvolvimento tecnológico na saúde em geral e principalmente nas especialidades de enfermagem que audita
• Conhecer os estudos atuais práticos baseados em evidencias.
• Desenvolver a capacidade de persuasão pela experiência anterior, conhecimento e expressão. • Ter disciplina, não violando os direitos dos outros.
• Ter humildade para reconhecer erros e aprender.
• Agir como educadora • Ser tolerante.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KURCGANT, Paulina. et al. Administração em Enfermagem. São Paulo: EPU, 1991.