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FORMULAÇÕES ALTERNATIVAS PARA A DINÂMICA DE

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Academic year: 2021

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Cristiano de Siqueira Esteves

Orientador: Prof.Dr. Kleber Carlos Mundim

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OES

Cristiano de Siqueira Esteves

Tese apresentada ao Instituto de Qu´ımica da Universidade de Bras´ılia como requisito par-cial para obtenc¸ ˜ao do t´ıtulo de Doutor em Qu´ımica.

ORIENTADOR: Prof.Dr. Kleber Carlos Mundim

BRAS´

ILIA

(3)
(4)

Dedico est ´a tese aos meus pais Jos ´e e Terezinha, a minha esposa

F ´abia e ao meu filho Ot ´avio.

(5)

Agradecimentos

• Esta tese ´e a conquista de um objetivo que vem sido perseguido desde o meu

vestibular a dez anos. Objetivo este que s ´o foi alcanc¸ado atrav ´es de muita luta. N ˜ao ´e f ´acil ser um estudante. O incentivo recebido dos familiares e amigos foi o combust´ıvel que me moveu nesta jornada. Agora, em sinal de meu reconheci-mento agradec¸o a todos.

• Aos meus pais, que sempre se dedicaram na minha formac¸ ˜ao, desde os meus

primeiros passos na pr ´e-escola at ´e este momento em que me encontro. Sem eles, tenho certeza que n ˜ao estaria aqui concluindo meu doutorado.

• Agradec¸o tamb ´em, a minha querida esposa F ´abia, que me acompanha desde a

´epoca do vestibular. Companheira de todos os momentos que sempre me deu forc¸a pra seguir em frente na minha formac¸ ˜ao.

• Neste momento final, onde acreditamos que todas as forc¸as se esgotaram, uma

pessoa apareceu em minha vida e me deu uma injec¸ ˜ao de forc¸a. Esta pessoa ´e meu filho Ot ´avio, que mesmo sem saber teve uma grande participac¸ ˜ao na conclus ˜ao deste trabalho.

• A todos os meus familiares, pelo apoio incondicional e pelas palavras de

in-centivo. Em especial agradec¸o meu sogro Sudr ´e e minha sogra Gildete, que acompanharam todo o meu esforc¸o e me apoiaram sempre que necessitei.

• Agradec¸o meu orientador, Professor Kleber Mundim, pela forma em que me

orientou, estando sempre presente e dispon´ıvel para discuss ˜oes em qualquer que fosse o tema. Estas discuss ˜oes foram de grande import ˆancia em minha formac¸ ˜ao.

• Ao longo desses quatro anos e meio que estive em Bras´ılia, fiz grandes amizades

que com certeza terei pro resto de minha vida. Amizades como a do Professor Ricardo Gargano n ˜ao ´e comum nos dias de hoje. Devo ao Prof. Gargano um sincero obrigado pela ajuda intelectual na elaborac¸ ˜ao deste trabalho.

• Agradec¸o aos meus amigos da kit, Heibbe, Wender, Luciano e Guilherme.

Tive-mos grandes momentos de descontrac¸ ˜ao que jamais ser ˜ao esquecidos. Eles foram minha fam´ılia em Bras´ılia.

(6)

• Aos meus amigos do LMSC, Alexandre, Ad ˜ao, Fernando Rangel, Luana, Lurdes,

Rodrigo, Jo ˜ao, Pedrinho, Alessandra, Daniel, Prof. Fernando e Prof. Marc¸al, que conviveram comigo durante este per´ıodo de doutorado.

• Aos amigos do LaQMOS (Denio, Juliana, L´ıgia, Ot´ılie, Rafael, Ricardo e Sayuri)

que fizeram parte do meu dia a dia na UnB.

• Aos amigos Lucimar e Afr ˆanio, que sempre participaram das discuss ˜oes que se

estenderam at ´e o boteco ”Por do Sol”.

• Agradec¸o a todos os colegas, funcion ´arios e professores que n ˜ao foram citados,

mas que contribu´ıram para meu bem estar e minha formac¸ ˜ao.

• Agradec¸o a Deus por este trabalho e por ter colocado todas estas pessoas em

minha vida.

(7)

Resumo

Esta tese est ´a voltada para o estudo de din ˆamica de reac¸ ˜oes de n ´ucleos uti-lizando novas formas funcionais para o ajuste de curvas de energia potencial (CEP) e superf´ıcie de energia potencial (SEP). As func¸ ˜oes mais utilizadas em ajustes de CEPs e SEPs s ˜ao expressas em termos de combinac¸ ˜oes de exponenciais. As novas formas funcionais s ˜ao obtidas substituindo a exponencial convencional das func¸ ˜oes originais pela exponencial generalizada (q-exponencial). Como conseq ¨u ˆencia desta mudanc¸a temos func¸ ˜oes altamente flex´ıveis, capazes de reduzir o erro no ajuste e diminuir o esforc¸o computacional. Estas novas func¸ ˜oes foram utilizadas no ajuste das CEPs de dois sistemas diat ˆomicos (Li2 e H+2) e no ajuste da SEP do sistema reativo Na+HF.

Para testar a qualidade destas novas func¸ ˜oes, foram calculadas para os sistemas diat ˆomicos as seguintes propriedades: espectros vibracionais e constantes espec-trosc ´opicas. J ´a para o teste da nova SEP, foi realizado um estudo topol ´ogico detalhado e em seguida foram realizados c ´alculos quasi-cl ´assicos na obtenc¸ ˜ao das propriedades din ˆamicas do sistema. Todos os testes realizados mostraram que as novas formas funcionais oferecem uma qualidade no ajuste compar ´avel com as melhores func¸ ˜oes dispon´ıveis na literatura.

(8)

Abstract

This thesis focus on the dynamics of reactions of nuclei using new functional forms to adjust potential energy curves (PEC) and potential energy surface (PES). Usu-ally, combinations of exponential functions are employed in the adjustment of PECs and PESs. Here, new functional forms were obtained substituting conventional exponential functions by generalized exponentials, known in the literature as q-exponentials. As a consequence of this change, we have a highly flexible function, allowing a reduced error in the adjustment and also much smaller computational time. These new func-tions were used to adjust the PECs of two diatomic systems (Li2 e H2+) and also to

adjust the PES of the reactive system Na+HF. In order to test the quality of these new, functions the vibrational spectra and spectroscopic constants of diatomic systems have been calculated. A detailed topological study was carried out, to test the new PES. Af-ter that, quasi-classical calculations were done in order to study dynamical properties of the system. All tests have shown that the new functional forms offer a high quality in the adjustment when compared to the best available functions in the literature.

(9)

Conte ´udo

Lista de Tabelas ix

Lista de Figuras x

1 Introduc¸ ˜ao 1

2 M ´etodos de Aproximac¸ ˜ao em Qu´ımica Qu ˆantica 7

2.1 Introduc¸ ˜ao . . . 7

2.2 Sistema Molecular . . . 8

2.2.1 Aproximac¸ ˜ao de Born-Oppenheimer . . . 9

2.3 Aproximac¸ ˜ao de Hartree-Fock . . . 10

2.3.1 Func¸ ˜ao de Onda e Determinante de Slater . . . 10

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock . . . 13

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan . . . 17

2.4 Func¸ ˜oes base . . . 21

2.5 A func¸ ˜ao q-Exponencial . . . 25

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock . . . 27

3 Din ˆamica de n ´ucleos 34 3.1 Introduc¸ ˜ao . . . 34

3.2 Superf´ıcie de Energia Potencial (SEP) . . . 35

3.2.1 Expans ˜ao de Muitos Corpos . . . 38

3.2.2 M ´etodo Quasi-Cl ´assico das Trajet ´orias (QCT) . . . 39

3.3 Curvas de Energia Potencial (CEP) . . . 47

3.3.1 Polin ˆomios em coordenadas Bond-Order. . . 48

3.3.2 Func¸ ˜ao de Rydberg Generalizada. . . 49

4 M ´etodos de otimizac¸ ˜ao. 51 4.1 O m ´etodo Simplex. . . 52

4.2 O m ´etodo Simulated Annealing. . . . 59

4.3 O m ´etodo Generalized Simulated Annealing. . . 61

(10)

4.3.1 A func¸ ˜ao de Distribuic¸ ˜ao de Visitac¸ ˜ao Generalizada . . . 61

4.3.2 A Generalizac¸ ˜ao da Temperatura . . . 63

4.3.3 Probabilidade de Aceitac¸ ˜ao Generalizada. . . 64

4.4 O m ´etodo Hibrido utilizado no ajuste da SEP Na+HF. . . . 66

5 Obtenc¸ ˜ao de curvas de energia potencial (CEPs) de sistemas diat ˆomicos usando as q-func¸ ˜oes. 68 5.1 Introduc¸ ˜ao . . . 68

5.2 As func¸ ˜oes generalizadas (q-Func¸ ˜oes) . . . 69

5.3 Ajuste de CEPs dos sistemas diat ˆomicos (H+ 2 e Li2) . . . 69

5.3.1 CEPs da mol ´ecula de H+ 2 . . . 70

5.3.2 CEPs da mol ´ecula de Li2 . . . 74

6 Superf´ıcie de Energia Potencial utilizando as q-Func¸ ˜oes. 79 6.1 Introduc¸ ˜ao . . . 79

6.2 A generalizac¸ ˜ao dos polin ˆomios em coordenadas Bond Order. . . . 80

6.3 Estudo Topol ´ogico do Sistema Reativo Na+HF . . . . 81

6.4 Propriedades Din ˆamicas da Reac¸ ˜ao Na+HF . . . 90

6.4.1 Sec¸ ˜ao de Choque . . . 90

6.4.2 Distribuic¸ ˜ao Translacional dos produtos . . . 91

6.4.3 Distribuic¸ ˜ao Vibracional dos produtos . . . 93

6.4.4 Distribuic¸ ˜ao rotacional dos produtos . . . 94

7 Conclus ˜oes e Perspectivas 95 7.1 Conclus ˜oes . . . 95

7.1.1 CEP’s dos sistemas diat ˆomicos H+ 2 e Li2. . . 95

7.1.2 SEP do sistema reativo Na + HF . . . . 96

7.2 Perspectivas . . . 98

7.2.1 Din ˆamica de Reac¸ ˜oes de N ´ucleos via m ´etodo q-Hartree-Fock. . 98

Refer ˆencias Bibliogr ´aficas 101

(11)

Lista de Tabelas

5.1 Par ˆametros obtidos para as CEPs Ryd e q-Ryd da mol ´ecula de H+2. . . 70 5.2 Espectro H2+ dado em cm−1. . . . 73

5.3 Constantes espectrosc ´opicas H2+dadas em cm−1. . . . 73

5.4 Par ˆametros obtidos para as CEPs BO e qBO da mol ´ecula de Li2. . . . 74

5.5 Espectro Li2 dado em cm−1. . . . 77

5.6 Constantes espectrosc ´opicas Li2 dadas em cm−1. . . . 78

6.1 Coeficiente obtidos para o ajuste da SEP qBO, em kcal/mol, da reac¸ ˜ao

Na+HF. . . . 82 6.2 Comparac¸ ˜ao entre as MEPs da SEP BO5, GSA, qBO da reac¸ ˜ao Na+HF

para diferentes valores de θ em graus e energias em kcal/mol. . . . 89

(12)

Lista de Figuras

2.1 Func¸ ˜ao q-exponencial esboc¸ada para diferentes valores do par ˆametro

q. No caso em que q=1 a q-exponencial ´e equivalente `a func¸ ˜ao

expo-nencial usual, que ´e representada por uma linha preta. . . . 27

2.2 Comparac¸ ˜ao do tempo de CPU para c ´alculo das integrais bi-eletr ˆonicas de um aglomerado de ´atomos de hidrog ˆenio utilizando os conjuntos de func¸ ˜oes base (a)STO-3G e (b)STO-6G, versus a func¸ ˜ao equivalente qMorse. Os c ´alculos foram realizados em um computador P4 2GHz. . . 30

2.3 Integral STO-6G e qMorse ajustada para elemento de matriz (a) I7441 ,(b) I9422, (c) I9476 e (d) I9884 da integral de dois-el ´etrons do sistemas molecular N2. . . . 32

2.4 Curvas de Energia Potencial para o sistema O2 obtida com o m ´etodo Hartree-Fock (utilizando a base de Slater) e o m ´etodo q-Hartree-Fock (com a func¸ ˜ao qMorse ajustada para a base de Slater). . . . 33

3.1 Sistema de coordenadas utilizado para o tratamento cl ´assico da colis ˜ao A + BC . . . . 42

3.2 Representac¸ ˜ao geom ´etrica da colis ˜ao de um ´atomo com uma mol ´ecula diat ˆomica . . . . 45

4.1 Representac¸ ˜ao esquem ´atica de 1 simplex e sua primeira regra de mo-vimentac¸ ˜ao. . . . 54

4.2 Evoluc¸ ˜ao do Simplex em duas dimens ˜oes. . . . 55

4.3 Regras de movimentac¸ ˜ao complementares do simplex modificado. (a) expans ˜ao do simplex ao longo de uma direc¸ ˜ao e (b) contrac¸ ˜ao macic¸a do simplex. . . . 57

4.4 Fluxograma representativo do algoritmo Simplex. . . . 58

4.5 Fluxograma representativo do algoritmo GSA. . . . 65

4.6 Fluxograma representativo do algoritmo H´ıbrido. . . . 67

5.1 Comparac¸ ˜ao entre as CEPs Ryd ( linha cont´ınua ) e ab initio ( pontos ) da mol ´ecula de H2+ . . . 71

(13)

5.2 Comparac¸ ˜ao entre as CEPs qRyd ( linha continua ) e ab initio( pontos

) da mol ´ecula de H2+ . . . 72

5.3 Comparac¸ ˜ao entre as CEPs BO ( linha continua ) e ab initio( pontos ) da

mol ´ecula de Li2 . . . 75

5.4 Comparac¸ ˜ao entre as CEPs qBO ( linha continua ) e ab initio( pontos

)da mol ´ecula de Li2 . . . 76

6.1 Superf´ıcie de Energia Potencial do Sistema Reativo Na+HF para um

ˆangulo de ligac¸ ˜ao θ=180◦. . . . 83

6.2 Contornos isoenerg ´eticos das SEPs qBO (A) e BO5 (B) para θ=30 ˚ . . 84 6.3 Contornos isoenerg ´eticos das SEPs qBO (A) e BO5 (B) para θ=180 ˚ . 85 6.4 Contornos isoenerg ´eticos das SEPs qBO (A) e BO5 (B) para θ=77,2 ˚ . 85 6.5 Obtenc¸ ˜ao dos caminhos de m´ınima energia para a reac¸ ˜ao Na+HF a

partir do gr ´afico de contorno isoenerg ´etico da SEP qBO, com um ˆangulo de separac¸ ˜ao internuclear θ=180 ˚ . . . . 86 6.6 Caminhos de M´ınima Energia para a reac¸ ˜ao Na+HF calculados para as

SEPs BO5, GSA, qBO; θ=30 ˚ (A), 180,0 ˚ (B), respectivamente . . . . . 87 6.7 Caminhos de M´ınima Energia para a reac¸ ˜ao Na+HF calculados para as

SEPs BO5, GSA, qBO; com θ=77 ˚ . . . 88 6.8 Sec¸ ˜ao de choque reativa da reac¸ ˜ao Na+HF para as SEPs BO5,GSA e

qBO calculadas para j=2 e v variando de 2 at ´e 4, em func¸ ˜ao da energia de translac¸ ˜ao. . . . 91 6.9 Distribuic¸ ˜ao translacional dos produtos das SEPs BO5, GSA, qBO,

cal-culadas para v = 4 e considerando a energia colisional do reagente igual a 10 kcal/mol. . . . 92 6.10 Distribuic¸ ˜ao vibracional dos produtos das SEPs BO5, GSA e qBO,

cal-culadas para v = 4 e considerando a energia colisional do reagente igual a 10 kcal/mol. . . . 93 6.11 Distribuic¸ ˜ao rotacional dos produtos das SEPs BO5, GSA, qBO,

calcu-ladas para v = 4 e considerando a energia colisional do reagente igual a 10 kcal/mol. . . . 94

(14)

Cap´ıtulo 1

Introduc¸ ˜ao

A caracterizac¸ ˜ao e descric¸ ˜ao completa dos caminhos de uma reac¸ ˜ao qu´ımica ´e uma importante ´area em aberto do ponto de vista te ´orico. Com o surgimento da mec ˆanica qu ˆantica desperta-se o interesse no estudo da din ˆamica de uma reac¸ ˜ao qu´ımica em n´ıvel at ˆomico e molecular. Existem hoje v ´arios modelos te ´oricos [1] - [9], baseados na teoria qu ˆantica que, quando aliados `a algoritmos computacionais, possi-bilitam estudar algumas reac¸ ˜oes qu´ımicas e fazer previs ˜oes de seus estados, durante o processo din ˆamico, sem nem mesmo entrar em um laborat ´orio. Infelizmente, todas estas t ´ecnicas enfrentam muitas dificuldades computacionais as quais t ˆem limitado o tamanho do sistema molecular em estudo. Hoje, o estudo de din ˆamica de reac¸ ˜oes est ´a limitado a sistemas de tr ˆes corpos. Sistemas que envolvem mais de tr ˆes ´atomos podem ser estudados atrav ´es de aproximac¸ ˜oes como os pseudo- ´atomos, onde estru-turas r´ıgidas s ˜ao consideradas como um ´unico ´atomo [4] - [9].

Do ponto de vista te ´orico, sabe-se que os caminhos de reac¸ ˜ao est ˜ao bem des-critos apenas com a resoluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger dependente do tempo. As formulac¸ ˜oes qu ˆanticas mais bem sucedidas nesta ´area fazem uso da construc¸ ˜ao da hiper-superf´ıcie de energia molecular, resolvendo-se, para isto, a equac¸ ˜ao de Schr

(15)

1. Introduc¸ ˜ao 2

dinger n ˜ao dependente do tempo numa malha de diferentes configurac¸ ˜oes geom ´etricas. Neste procedimento, calcula-se a energia molecular para milhares de configurac¸ ˜oes at ˆomicas e, em seguida, ajusta-se uma superf´ıcie de energia potencial (SEP) sobre estes pontos calculados. Uma maneira de se encontrar a SEP de um sistema reativo consiste em determinar uma func¸ ˜ao anal´ıtica que descreva as interac¸ ˜oes do sistema e que, conseq ¨uentemente, reproduza com maior exatid ˜ao poss´ıvel as informac¸ ˜oes abordadas teoricamente. A determinac¸ ˜ao de uma func¸ ˜ao, que cubra todo o espac¸o de configurac¸ ˜oes e que ajuste bem os dados do potencial, n ˜ao ´e tarefa muito simples. Esta dificuldade surge na escolha das formas anal´ıticas que melhor representam as energias ab initio de tais sistemas e dos m ´etodos de ajustes.

Em geral, a func¸ ˜ao potencial escolhida para ser ajustada sobre os pontos ab

initio ´e uma expans ˜ao polinomial de tr ˆes corpos com coordenadas do tipo Bond Order

(BO) de grau N, que tem a seguinte forma,

V (RAB, RBC, RAC) = N X i=0 N X j=0 N X k=0 CijkρiABρjBCρkAC , (1.1) onde

ρm = exp[−βm(Rm− Reqm)], m = AB, BC e AC (1.2)

sendo A, B e C os n ´ucleos at ˆomicos, β um par ˆametro espectrosc ´opico, Rma dist ˆancia

entre dois ´atomos, Reqm a dist ˆancia de equil´ıbrio entre dois n ´ucleos at ˆomicos e Cijk

os par ˆametros de ajuste.

´E importante ressaltar que as dificuldades computacionais limitam a utiliza-c¸ ˜ao deste m ´etodo a sistemas de, no m ´aximo, tr ˆes centros at ˆomicos. Ent ˜ao, deve-se questionar sobre a exist ˆencia de uma metodologia, vi ´avel computacionalmente, que permita descrever os caminhos de reac¸ ˜ao de sistemas moleculares poliat ˆomicos.

(16)

1. Introduc¸ ˜ao 3

A resposta da quest ˜ao pode estar na utilizac¸ ˜ao de uma nova metodologia chamada q-Hartree-Fock proposta recentemente por K.C. Mundim [10]. O m ´etodo Hartree-Fock alternativo proposto leva em conta que as integrais eletr ˆonicas s ˜ao des-critas por func¸ ˜oes anal´ıticas das dist ˆancias interat ˆomicas, o que evita o c ´alculo das integrais. Tal m ´etodo reduz o tempo de CPU no c ´alculo das integrais bi-eletr ˆonicas uti-lizadas em c ´alculos ab initio de mec ˆanica qu ˆantica molecular. Esta aproximac¸ ˜ao torna poss´ıvel escrever as integrais bi-eletr ˆonicas como func¸ ˜oes anal´ıticas das dist ˆancias in-ternucleares. Assim, a energia eletr ˆonica e molecular total ´e obtida como um funcional da dist ˆancia interat ˆomica. A reduc¸ ˜ao no tempo de CPU, proporcionada pela utilizac¸ ˜ao do m ´etodo q-Hartree-Fock, ´e ´util no estudo de din ˆamica de reac¸ ˜oes de n ´ucleos de sistemas poliat ˆomicos. No processo de din ˆamica de reac¸ ˜oes,o termo que representa a energia potencial no Hamiltoniano nuclear, passa a ser o funcional energia obtido via m ´etodo q-Hartree-Fock. Com isto, pode-se evitar uma etapa muito dif´ıcil e dispendiosa computacionalmente, que ´e o ajuste da superf´ıcie de energia potencial (SEP). Assim, esperamos que esta metodologia possa ser aplicada a sistemas poliat ˆomicos.

Embora tenha-se como perspectiva a utilizac¸ ˜ao do m ´etodo q-Hartree-Fock no estudo de din ˆamica de n ´ucleos, apresenta-se neste trabalho novas formas anal´ıticas para a obtenc¸ ˜ao de curvas de energia potencial de sistemas diat ˆomicos e para su-perf´ıcies de energia potencial de sistemas reativos. Propor novas formas funcionais para o ajuste da energia potencial de sistemas moleculares constituiu-se o passo ini-cial para o bom entendimento do problema de interesse.

O estudo te ´orico de processos colisionais reativos tem sido de grande interes-se para os qu´ımicos te ´oricos e experimentais. Tal estudo tem in´ıcio com a

(17)

determina-1. Introduc¸ ˜ao 4

c¸ ˜ao de uma superf´ıcie de energia potencial (SEP) do sistema reativo. A SEP ´e uma func¸ ˜ao que cobre todo o espac¸o de configurac¸ ˜oes dos ´atomos. Geralmente utiliza-se func¸ ˜oes que possuem um grande n ´umero de par ˆametros e que utiliza-sejam bastante flex´ıveis.

Neste trabalho, ´e proposto uma forma anal´ıtica alternativa para o ajuste de uma SEP, que baseia-se na metodologia MBE (do ingl ˆes Many-Body Expansion) e nas exponenciais generalizadas [12]. A exponencial generalizada surge naturalmente da mec ˆanica estat´ıstica n ˜ao-extensiva proposta por Tsallis [13, 14], a qual ´e uma ge-neralizac¸ ˜ao da exponencial convencional. Aplica-se estas func¸ ˜oes no ajuste da SEP do sistema reativo Na + HF . A escolha do sistema para testar a viabilidade das novas func¸ ˜oes ´e devido a ele ser bem descrito na literatura, oferecendo uma vasta bibliografia, que vai de dados experimentais recentes aos mais modernos trabalhos em qu´ımica e f´ısica. Um dos principais estudos te ´oricos feito para o sistema reativo

Na+HF foi usando a SEP constru´ıda por Lagan `a e colaboradores, a qual ´e conhecida

na literatura por BO5 [15]. Estudos te ´oricos envolvendo o sistema reativo Na + HF tamb ´em foram realizados usando a SEP GSA [16]. A forma anal´ıtica proposta, ´e obtida substituindo a exponencial convencional da func¸ ˜ao utilizada na SEP BO5 pela q-exponencial. A qualidade da nova SEP qBO, foi testada atrav ´es da comparac¸ ˜ao de um estudo topol ´ogico e de algumas propriedades din ˆamicas obtidas pelas SEPs BO e qBO.

Em geral, para testar a viabilidade de novas formas funcionais e m ´etodos de ajustes de SEP, utiliza-se como ponto de partida o ajuste de curvas de energia po-tencial (CEP) de sistemas diat ˆomicos. Sistemas como Li2 e H2+ s ˜ao mol ´eculas muito

(18)

1. Introduc¸ ˜ao 5

simples que podem ser tratadas com grande exatid ˜ao. Assim, n ˜ao ´e uma surpresa que elas sejam usadas para testar aplicac¸ ˜oes de novas metodologias.

Seguindo esta id ´eia, utiliza-se a q-exponencial para generalizar as usuais CEPs anal´ıticas Bond-Order (BO) [17] e Rydberg Generalizada (Ryd) [18], as quais s ˜ao chamadas aqui de q-Bond-Order (qBO) e q-Rydberg (qRyd), respectivamente. A qualidade das func¸ ˜oes qBO e qRyd s ˜ao testadas no ajustes das curvas de energia ab

initio das mol ´eculas diat ˆomicas H2+ e Li2.

Um outro aspecto importante no ajuste ´e o m ´etodo que se utiliza na obtenc¸ ˜ao dos coeficientes que melhor ajustam as func¸ ˜oes aos pontos experimentais. As t ´ecnicas usuais utilizadas para determinar tais coeficientes geralmente baseiam-se em m ´eto-dos gradientes. Como estas t ´ecnicas constituem m ´eto´eto-dos de busca de m´ınimos locais, elas n ˜ao permitem determinar ou distinguir os diferentes m´ınimos existentes. Neste caso, ´e necess ´ario procurar outras t ´ecnicas que possam dar uma id ´eia mais ampla da localizac¸ ˜ao dos poss´ıveis m´ınimos. Atualmente, a t ´ecnica mais sofisticada para atacar tal problema ´e a de busca aleat ´oria que baseia-se no m ´etodo Monte Carlo com temperatura dependente do tempo. Neste trabalho, utiliza-se o procedimento deno-minado, em ingl ˆes, Generalized Simulated Annealing (GSA) [19] acoplado ao m ´etodo gradiente Simplex [20].

No cap´ıtulo 2 apresenta-se alguns m ´etodos de aproximac¸ ˜ao utilizados na soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger molecular, onde destacam-se o m ´etodo Hartree-Fock e a nova metodologia q-Hartree-Hartree-Fock. O cap´ıtulo 3 refere-se ao formalismo usual utilizado no estudo de din ˆamica de reac¸ ˜oes de n ´ucleo, partindo dos m ´etodos utilizados na obtenc¸ ˜ao de CEPs e SEPs at ´e os m ´etodos utilizados no c ´alculo das propriedades

(19)

1. Introduc¸ ˜ao 6

din ˆamicas. O cap´ıtulo 4 dedica-se aos m ´etodos de otimizac¸ ˜ao utilizados nos ajustes das CEPs dos sistemas diat ˆomicos e no ajuste da SEP do sistema reativo Na + HF . Nesse cap´ıtulo tem-se uma abordagem do m ´etodo de otimizac¸ ˜ao gradiente Simplex, do m ´etodo estoc ´astico GSA e do m ´etodo h´ıbrido utilizado, originalmente, neste tra-balho. No cap´ıtulo 5 apresenta-se uma nova proposta para o ajuste de curvas de energia potencial de sistemas diat ˆomicos. Em particular, aplica-se as novas formas funcionais utilizadas no ajuste das CEPs de sistemas diat ˆomicos H2+ e Li2, onde

tamb ´em, incui os resultados para algumas propriedades moleculares. No cap´ıtulo 6 estende-se a proposta do cap´ıtulo 5 ao estudo de din ˆamica de reac¸ ˜ao de n ´ucleos de sistemas triat ˆomicos. Este cap´ıtulo evidencia a qualidade da nova SEP qBO obtida para o sistema reativo Na + HF , onde verificam-se as propriedades topol ´ogicas e din ˆamicas do sistema. Por fim, no cap´ıtulo 7, as conclus ˜oes e perspectivas, onde se destaca a viabilidade da utilizac¸ ˜ao do m ´etodo q-Hartree-Fock no estudo de din ˆamica de reac¸ ˜ao de n ´ucleos.

O anexo 1 cont ´em uma c ´opia dos trabalhos publicados durante o per´ıodo de doutorado.

(20)

Cap´ıtulo 2

M ´etodos de Aproximac¸ ˜ao em Qu´ımica

Qu ˆantica

2.1 Introduc¸ ˜ao

Este cap´ıtulo mostra as aproximac¸ ˜oes utilizadas no m ´etodo Hartree-Fock, o qual ´e utilizado na resoluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger para sistemas moleculares. Esse m ´etodo tem sido de fundamental import ˆancia no estudo de propriedades eletr ˆo-nicas de sistemas qu ˆanticos de muitos corpos que n ˜ao possuem soluc¸ ˜oes anal´ıticas. Tal m ´etodo fornece soluc¸ ˜oes aproximadas que servem como um ponto de partida para m ´etodos mais sofisticados utilizados em c ´alculos de estrutura eletr ˆonica. Apresenta-se tamb ´em, o m ´etodo alternativo q-Hartree-Fock. A ess ˆencia deste m ´etodo est ´a na reduc¸ ˜ao do n ´umero de integrais bi-eletr ˆonicas a serem calculadas, e conseq ¨uente-mente, na diminuic¸ ˜ao do tempo de CPU empregado no estudo de sistemas qu ˆanticos.

(21)

2.2 Sistema Molecular 8

2.2 Sistema Molecular

Toda descric¸ ˜ao qu ˆantica de sistemas at ˆomicos e moleculares tem como ponto de partida a utilizac¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger. Na forma independente do tempo, esta equac¸ ˜ao ´e escrita como

ˆ

HΦ = EΦ, (2.1)

em que ˆH ´e o operador Hamiltoniano, E ´e a energia total e Φ a func¸ ˜ao de onda que

descreve o sistema molecular. O Hamiltoniano ´e um operador diferencial que permite obter informac¸ ˜oes sobre a energia do sistema. Em unidades at ˆomicas, desprezan-do efeitos relativ´ısticos e interac¸ ˜oes eletromagn ´eticas, como por exemplo a interac¸ ˜ao spin- ´orbita, o Hamiltoniano que descreve um sistema molecular de N el ´etrons e M n ´ucleos ´e dado por

ˆ H = − N X i=1 1 2 2 i M X A=1 1 2MA 2 A+ N X i=1 N X j>i 1 rij + M X A=1 M X B>A ZAZB RAB N X i=1 M X A=1 ZA riA , (2.2)

em que ZA ´e o n ´umero at ˆomico do n ´ucleo A, rij ´e a dist ˆancia entre os el ´etrons i

e j, riA ´e a dist ˆancia entre o el ´etron i e o n ´ucleo A e RAB ´e a dist ˆancia entre os

n ´ucleos A e B. O primeiro termo da Eq.(2.2) pode ser interpretado como sendo a energia cin ´etica dos el ´etrons e o segundo como a energia cin ´etica dos n ´ucleos. Os tr ˆes ´ultimos termos correspondem, respectivamente, `as energias potenciais eletrost ´aticas de interac¸ ˜ao el ´etron-el ´etron, n ´ucleo-n ´ucleo e el ´etron-n ´ucleo.

Para sistemas moleculares, termos como o acoplamento dos movimentos ele-tr ˆonico e nuclear ( ´ultimo termo da Eq.(2.2)) e a interac¸ ˜ao el ´eele-tron-el ´eele-tron (terceiro termo de (2.2)), tornam a soluc¸ ˜ao exata da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger invi ´avel. Soluc¸ ˜oes exa-tas da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger podem ser obtidas para o ´atomo de hidrog ˆenio ou

(22)

sis-2.2.1 Aproximac¸ ˜ao de Born-Oppenheimer 9

temas hidrogen ´oides ( que t ˆem somente um el ´etron e um n ´ucleo ). Como a maioria dos sistemas de interesse t ˆem muitas part´ıculas, a soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger ser ´a obtida atrav ´es de aproximac¸ ˜oes. Dentre as aproximac¸ ˜oes a serem considera-das, a primeira ´e a separac¸ ˜ao do movimento nuclear do movimento eletr ˆonico. Essa separac¸ ˜ao ´e conhecida como Aproximac¸ ˜ao de Born-Oppenheimer [21].

2.2.1 Aproximac¸ ˜ao de Born-Oppenheimer

Os movimentos nucleares e eletr ˆonicos de um sistema molecular podem ser separados se for levado em considerac¸ ˜ao que a massa do n ´ucleo ´e bem maior do que a massa do el ´etron. Assim, numa vis ˜ao cl ´assica, os n ´ucleos se movimentam muito mais lentamente do que os el ´etrons. Desta forma, pode-se resolver o problema formulado na Eq. (2.1) considerando que el ´etrons em uma mol ´ecula movemse sujeito a influ ˆencia do campo produzido por n ´ucleos fixos.

Com esta aproximac¸ ˜ao, o segundo termo da Eq. (2.2), a energia cin ´etica dos n ´ucleos, pode-se desprezar. E o quarto termo, a repuls ˜ao entre os n ´ucleos, ´e tratado como uma constante para cada configurac¸ ˜ao nuclear. Pode-se ent ˜ao escre-ver o Hamiltoniano em termos das coordenadas dos el ´etrons. Tal Hamiltoniano ´e conhecido como Hamiltoniano Eletr ˆonico, e tem a seguinte forma

ˆ Helet = − N X i=1 1 2 2 i + N X i=1 N X j>i 1 rij N X i=1 M X A=1 ZA riA . (2.3)

A equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger correspondente ´e ˆ

HeletΦelet = EeletΦelet, (2.4)

em que a func¸ ˜ao de onda eletr ˆonica, Φelet, e a energia eletr ˆonica, Eelet, dependem

(23)

2.3 Aproximac¸ ˜ao de Hartree-Fock 10

nuclear tem-se diferentes func¸ ˜oes de onda eletr ˆonicas e, portanto, diferentes valores de energia eletr ˆonica Eelet. Dentro dessa aproximac¸ ˜ao, a energia total ET do sistema

ser ´a a soma da energia eletr ˆonica e da energia potencial eletrost ´atica de repuls ˜ao nuclear, isto ´e

ET = Eelet + M X A=1 M X B>A ZAZB rAB . (2.5)

Mesmo considerando esta simplificac¸ ˜ao, a equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger s ´o pode ser resolvida exatamente para sistemas extremamente simples. Para os demais sis-temas, torna-se necess ´aria a utilizac¸ ˜ao de outros m ´etodos de aproximac¸ ˜ao.

2.3 Aproximac¸ ˜ao de Hartree-Fock

O m ´etodo de Hartree-Fock, proposto por D. Hartree e V. Fock [22, 23], ´e um dos mais valiosos modelos matem ´aticos utilizados para calcular a estrutura eletr ˆonica de sistemas at ˆomicos e moleculares. Nesse m ´etodo, o termo de repuls ˜ao el ´etron-el ´etron ´e representado por um potencial m ´edio e a func¸ ˜ao de onda do sistema de el ´etrons ´e aproximado por um ´unico determinante de Slater. Dessa forma, a equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger pode ser separada em um conjunto de N equac¸ ˜oes que devem ser resolvidas auto-consistentemente. Em 1951, J.J. Roothaan [24] prop ˆos a expans ˜ao dos orbitais moleculares em termos de um conjunto de func¸ ˜oes base conhecidas o que possibilitou a formulac¸ ˜ao matricial das equac¸ ˜oes de Hartree-Fock.

2.3.1 Func¸ ˜ao de Onda e Determinante de Slater

Para a descric¸ ˜ao completa de um el ´etron em um ´atomo ou em uma mol ´ecula, ´e necess ´ario especificar suas coordenadas espaciais (r) e de spin (ω). Denota-se

(24)

2.3.1 Func¸ ˜ao de Onda e Determinante de Slater 11

estas quatro coordenadas por x = [r, ω]. A parte espacial, ψi(r), conhecida como or-bital espacial, ´e uma func¸ ˜ao do vetor posic¸ ˜ao r que descreve a distribuic¸ ˜ao espacial de

um el ´etron. J ´a a parte de spin ´e descrita por duas func¸ ˜oes ortonormalizadas, α(ω) e

β(ω), que correspondem ao estado de spin up(↑) ou down(↓), respectivamente. Desta

forma, pode-se escrever a func¸ ˜ao de onda para um el ´etron como

χi(x) =    ψi(r)α(ω) ou ψi(r)β(ω) , (2.6)

em que χi(x), chamado de spin orbital, ´e a func¸ ˜ao de onda que descreve o el ´etron i. Para um sistema molecular com um n ´umero par de el ´etrons, formando camadas

fechadas, teremos sempre dois spin-orbitais espaciais associados `a mesma parte es-pacial.

No formalismo da mec ˆanica qu ˆantica, um estado qu ˆantico de um sistema de muitos el ´etrons ´e descrito por uma func¸ ˜ao de onda que deve obedecer o princ´ıpio da exclus ˜ao de Pauli [25] em sua forma forte, ou seja, a func¸ ˜ao de onda deve ser anti-sim ´etrica com relac¸ ˜ao `a troca das coordenadas de dois el ´etrons. No modelo proposto por D. Hartree, a func¸ ˜ao de onda eletr ˆonica que descreve um sistema de N el ´etrons ´e dada pelo seguinte produto de spin-orbitais espaciais

ΨHP(x

1, x2, ..., xN) = χi(x1)χj(x2)...χk(xN). (2.7)

Este produto ´e conhecido como Produto de Hartree [26, 27], onde a condic¸ ˜ao fraca do princ´ıpio da exclus ˜ao de Pauli ´e satisfeita exigindo que somente um el ´etron ocupe cada estado qu ˆantico. Neste tipo de func¸ ˜ao n ˜ao ocorre a indistinguibilidade entre os el ´etrons, isto ´e, o el ´etron-1 ocupa o spin orbital χi, o el ´etron-2 ocupa o χj, etc.

(25)

or-2.3.1 Func¸ ˜ao de Onda e Determinante de Slater 12

bitais χi e χj, os produtos de Hartree correspondentes podem ser escritos de duas

formas

ΨHP1 2 (x1, x2) = χi(x1)χj(x2) (2.8)

ou

ΨHP

2 1 (x1, x2) = χi(x2)χj(x1), (2.9)

onde a quantidade de produtos de Hartree ´e igual ao n ´umero de permutac¸ ˜oes eletr ˆo-nicas poss´ıveis. A func¸ ˜ao de onda anti-sim ´etrica para este sistema pode ser obtida fazendo uma combinac¸ ˜ao linear das Eqs. (2.8) e (2.9)

Ψ(x1, x2) =

1

2[χi(x1)χj(x2) − χi(x2)χj(x1)], (2.10) onde o termo 1

2 ´e o fator de normalizac¸ ˜ao. Note que trocando-se as coordenadas

dos el ´etrons a func¸ ˜ao muda o sinal e se tiver dois el ´etrons ocupando o mesmo spin orbital a func¸ ˜ao se anula. Pode-se reescrever a func¸ ˜ao de onda anti-sim ´etrica como um determinante, j ´a que os determinantes possuem propriedades de anti-simetria, ent ˜ao Ψ(x1, x2) = 1 2 ¯ ¯ ¯ ¯ χχii(x(x21) χ) χjj(x(x21)) ¯ ¯ ¯ ¯ . (2.11)

A func¸ ˜ao de onda escrita desta forma ´e conhecida como Determinante de Slater. Para um sistema de N el ´etrons a generalizac¸ ˜ao da Eq. (2.11) ´e

Ψ = 1 N! ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ χ1(x1) χ2(x1) · · · χN(x1) χ1(x2) χ2(x2) · · · χN(x2) ... ... ... χ1(xN) χ2(xN) · · · χN(xN) ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ , (2.12) onde o termo 1

N ! ´e o fator de normalizac¸ ˜ao. Uma outra notac¸ ˜ao conveniente para o

determinante de Slater ´e escrev ˆe-lo em termos dos elementos da diagonal principal

(26)

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock 13

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock

Nesta sec¸ ˜ao obtem-se as equac¸ ˜oes de Hartree-Fock para um sistema ele-tr ˆonico constitu´ıdo por um n ´umero par de el ´eele-trons, onde cada spin orbital espacial ´e ocupado por dois el ´etrons de spins diferentes e a func¸ ˜ao de onda do estado funda-mental ´e aproximada por um ´unico determinante de Slater. O Hamiltoniano eletr ˆonico pode ser escrito como a soma de operadores que dependem apenas das coordenadas de um el ´etron e de operadores que dependem das coordenadas de dois el ´etrons, isto

´e, ˆ Helet = N X i=1 ˆhi+ N X i=1 N X j>i ˆg(i, j), (2.14) onde ˆhi = − 1 2 2 i M X A=1 ZA riA (2.15) e ˆg(i, j) = 1 rij. (2.16)

De acordo com o princ´ıpio variacional, o valor esperado da energia ´e um limite superior para a energia exata do estado fundamental, ou seja,

D Ψ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ Ψ E ≥ Eexata. (2.17)

Em termos de uma func¸ ˜ao arbitr ´aria ˜Φ, o valor esperado E[ ˜Φ] do operador Hamiltoniano ˆHelet ´e escrito como

E[ ˜Φ] = D ˜ Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ ˜Φ E , (2.18)

(27)

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock 14

quantidade arbitrariamente pequena ˜

Φ → ˜Φ + δ ˜Φ, (2.19)

a energia torna-se ent ˜ao

E[ ˜Φ + δ ˜Φ] = D ˜ Φ + δ ˜Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ ˜Φ + δ ˜Φ E = D ˜ Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ ˜Φ E + D δ ˜Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ ˜Φ E + D ˜ Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ δ ˜Φ E + ... = E[ ˜Φ] + δE + ... , (2.20) onde δE = D δ ˜Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ ˜Φ E + D ˜ Φ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ δ ˜Φ E (2.21) ´e a variac¸ ˜ao em primeira ordem da energia.

O m ´etodo variacional busca uma func¸ ˜ao cujo o funcional E[ ˜Φ] seja um m´ınimo. Em outras palavras, desejamos encontrar uma func¸ ˜ao ˜Φ de tal forma que a variac¸ ˜ao em primeira ordem da energia seja zero. Assim,

δE = 0. (2.22)

Considerando um determinante de Slater |Ψ0i = |χ1χ2...χaχb...χNi, pode-se

mostrar que o valor esperado da energia ´e um funcional do conjunto de spin-orbitais

{χa} dado por E0[{χa}] = N X a=1 D χa ¯ ¯ ¯ˆh ¯ ¯ ¯ χa E + 1 2 N X a=1 N X b=1 (hχaχb | χaχbi − hχaχb | χbχai) . (2.23)

Deve-se encontrar um m´ınimo para E0[{χa}], sujeito ao v´ınculo que os

spin-orbitais permanec¸am ortogonais e normalizados

(28)

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock 15

Este problema ´e elegantemente resolvido usando o m ´etodo dos multiplicadores inde-terminados de Lagrange [28]. Os multiplicadores de Lagrange s ˜ao introduzidos para minimizar o seguinte funcional

L [{χa}] = E0[{χa}] − N X a=1 N X b=1 εba(hχa| χbi − δab) , (2.25)

em que os Eba constituem um conjunto de multiplicadores de Lagrange. Como L ´e

real e ha | bi = hb | ai∗, os multiplicadores de Lagrange formam os elementos de uma matriz hermitiana, isto ´e,

εba = ε∗ab. (2.26)

Como visto, introduzindo-se uma pequena variac¸ ˜ao em cada spin-orbital, pode-mos obter uma variac¸ ˜ao de primeira ordem no funcional L [{χa}] cuja express ˜ao ´e

δL = N X a=1 D δχa ¯ ¯ ¯ˆh ¯ ¯ ¯ χa E + N X a=1 N X b=1 (hδχaχa| χbχbi − hδχaχb | χbχai) − (2.27) N X a=1 N X b=1

εbahδχa| χbi + complexo conjugado.

Definindo o operador de Coulomb, ˆJb, e o operador de troca, ˆKb, como

ˆ Jb(1)χa(1) = ·Z dx2χ∗b(2) 1 r12 χb(2) ¸ χa(1) (2.28) e ˆ Kb(1)χa(1) = ·Z dx2χ∗b(2) 1 r12 χa(2) ¸ χb(1), (2.29)

pode-se reescrever a Eq.(2.27) em func¸ ˜ao de ˆJb e ˆKb

δL = N X a=1 Z dx1δχ∗a(1) ( ˆh(1)χa(1) + N X b=1 h ˆ Jb(1) − ˆKb(1) i χa(1) − N X b=1 εbaχb(1) ) + + complexo conjugado. (2.30)

(29)

2.3.2 A equac¸ ˜ao de Hartree-Fock 16

Tais operadores est ˜ao relacionados, respectivamente, com as interac¸ ˜oes coulombianas m ´edias entre os el ´etrons e com a natureza anti-sim ´etrica da func¸ ˜ao de onda.

Para minimizar o funcional L [{χa}], deve-se ter δL [{χa}] = 0. Como δχ∗ a ´e

arbitr ´ario, o termo entre chaves da Eq. (2.30) deve ser igual a zero. Logo, " ˆh(1) +XN b=1 ˆ Jb(1) − ˆKb(1) # χa(1) = N X b=1 εbaχb(1) a = 1, 2, ..., N . (2.31)

Definindo o operador de Fock como

ˆ f (1) = ˆh(1) + N X b=1 ˆ Jb(1) − ˆKb(1), (2.32)

teremos assim uma equac¸ ˜ao para os spin-orbitais dada por

ˆ f |χai = N X b=1 εba|χbi , (2.33)

que ´e conhecida como equac¸ ˜ao de Hartree-Fock. A equac¸ ˜ao acima n ˜ao constitui uma equac¸ ˜ao can ˆonica de auto-valores. Uma forma de obter a equac¸ ˜ao can ˆonica ´e atrav ´es de uma transformac¸ ˜ao unit ´aria dos spins orbitais. Pode-se mostrar que o operador de Fock ´e invariante sob uma transformac¸ ˜ao unit ´aria. Tamb ´em, uma transformac¸ ˜ao unit ´aria nos multiplicadores de Lagrange resultar ´a em uma matriz diagonal. Ent ˜ao, pode-se escrever a equac¸ ˜ao Hartree-Fock em sua forma can ˆonica

ˆ

f |χai = εa|χai , (2.34)

onde os εa representam as energias orbitais e os spins-orbitais s ˜ao chamados de

spin-orbitais can ˆonicos.

Como ˆf depende dos χ0s, a Eq. (2.34) deve ser resolvida

(30)

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan 17

desses orbitais determina-se ˆf ; conhecendo-se ˆf pode-se ent ˜ao resolver a equac¸ ˜ao

de Hartree-Fock e obter os novos spin orbitais moleculares; esse procedimento ´e repetido at ´e que os orbitais moleculares n ˜ao se modifiquem (dentro de um determi-nado crit ´erio).

A express ˜ao do valor esperado da energia Hartree-Fock para o estado funda-mental de um sistema de N el ´etrons ´e

E0 = D Ψ ¯ ¯ ¯ ˆHelet ¯ ¯ ¯ Ψ E =X a D χa ¯ ¯ ¯ˆh ¯ ¯ ¯ χa E +1 2 N X a,b hχaχb k χaχbi (2.35) = X a εa− 1 2 N X a,b hχaχb k χaχbi .

Note que a soma das energias orbitais sobre os spin-orbitais ocupados n ˜ao correspon-dem `a energia Hartree-Fock.

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan

Pode-se resolver a equac¸ ˜ao de Hartree-Fock numericamente para sistemas at ˆomicos ou moleculares com poucos el ´etrons. Contudo, para sistemas maiores uma soluc¸ ˜ao num ´erica torna-se muito dispendiosa do ponto de vista computacional. Uma alternativa vi ´avel, proposta por Roothaan [24], ´e escrever os orbitais moleculares em termos de um conjunto de func¸ ˜oes base conhecidas. Assim, as equac¸ ˜oes de Hartree-Fock podem ser escritas como um conjunto de equac¸ ˜oes alg ´ebricas, denominadas equac¸ ˜oes de Hartree-Fock-Roothaan (HFR). Em termos de um conjunto de func¸ ˜oes de base φs(r1) conhecidas, os orbitais moleculares podem ser expandidos como

ψi(r1) =

X

s

(31)

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan 18

onde Cis s ˜ao os coeficientes da expans ˜ao a serem determinados. Por simplicidade,

utiliza-se func¸ ˜oes base φs normalizadas. Para a representac¸ ˜ao exata dos orbitais

moleculares ψi, as func¸ ˜oes base φs devem formar um conjunto completo, isto ´e, um

n ´umero infinito de func¸ ˜oes base. Na pr ´atica, utiliza-se um n ´umero finito “k” de func¸ ˜oes base. Se os orbitais at ˆomicos dos ´atomos constituintes forem usados como func¸ ˜oes base, tem-se uma combinac¸ ˜ao linear de orbitais at ˆomicos, o chamado m ´etodo LCAO (do ingl ˆes: Linear Combination of Atomic Orbitals).

Para um sistema molecular de camadas fechadas, pode-se efetuar a integrac¸ ˜ao sobre as coordenadas de spin, ω, dos spin orbitais moleculares, e encontrar uma equac¸ ˜ao similar `a Eq.(2.34), que dependa somente das coordenadas espaciais, ou seja,

ˆ

f (r1)ψi(r1) = εiψi(r1). (2.37)

Substituindo a expans ˜ao dos orbitais moleculares (2.36) na equac¸ ˜ao acima, obtem-se X s Csif (rˆ 1)φs(r1) = εi X s Csiφs(r1). (2.38)

Multiplicando os dois lados por φ∗

r e integrando, tem-se X s Csi Z φ∗r(r1) ˆf (r1)φs(r1)dr1 = εi X s Csi Z φ∗r(r1)φs(r1)dr1, (2.39)

de onde define-se, respectivamente, os elementos da matriz de Fock e da matriz superposic¸ ˜ao por

Frs = Z φ∗ r(r1) ˆf (r1)φs(r1)dr1 (2.40) e Srs = Z φ∗ r(r1)φs(r1)dr1, (2.41)

(32)

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan 19

e assim, pode-se escrever as equac¸ ˜oes HFR como X s CsiFrs = εi X s CsiSrs. (2.42)

As equac¸ ˜oes acima tamb ´em podem ser reescritas de forma compacta como uma equac¸ ˜ao matricial

FC = SCε, (2.43)

onde ε ´e uma matriz diagonal das energias orbitais. Dessa forma, o problema se reduz a obter uma soluc¸ ˜ao de uma equac¸ ˜ao matricial. Uma soluc¸ ˜ao n ˜ao trivial ´e obtida atrav ´es da seguinte imposic¸ ˜ao

det(Frs− εiSrs) = 0. (2.44)

Esta ´e uma equac¸ ˜ao secular cujas ra´ızes fornecem as energias orbitais εi.

Para resolver a Eq. (2.42), primeiramente deve-se escrever os elementos da matriz de Fock em termos das func¸ ˜oes base. ´E f ´acil mostrar [26] que o operador de Fock para um sistema de camadas fechadas ´e dado por

ˆ f (r1) = ˆh(r1) + N 2 X a=1 2 h ˆ Ja(r1) − ˆKa(r1) i (2.45) e que Frs = D φr(r1) ¯ ¯ ¯ˆh(r1) ¯ ¯ ¯ φs(r1) E + N 2 X a h 2 D φr(r1) ¯ ¯ ¯ ˆJa(r1) ¯ ¯ ¯ φs(r1) E D φr(r1) ¯ ¯ ¯ ˆKa(r1) ¯ ¯ ¯ φs(r1) Ei . (2.46) Em func¸ ˜ao da expans ˜ao dos orbitais moleculares, a express ˜ao do operador de Coulomb

´e dada por

ˆ Ja(1)φs(1) = φs(1) Z dr2ψa∗(2) 1 r12 ψa(2) = φs(1) X t X u c∗ tacua Z dr2φ∗t(2) 1 r12 φu(2), (2.47)

(33)

2.3.3 Equac¸ ˜ao de Hartree-Fock-Roothaan 20

na qual a express ˜ao dos elementos de matriz ´e

hφr(1)| ˆJa(1) |φs(1)i = X t X u c∗tacua Z Z φ∗r(1)φs(1) 1 r12 φ∗t(2)φu(2)dr1dr2. (2.48)

Definindo as integrais de dois el ´etrons

(rs| tu) = Z Z φ∗ r(1)φs(1) 1 r12 φ∗ t(2)φu(2)dr1dr2, (2.49)

a Eq. (2.48) pode ser reescrita como

hφr(1)| ˆJa(1) |φs(1)i = X t X u c∗tacua(rs| tu). (2.50)

De modo similar, a express ˜ao do operador de troca ´e

hφr(1)| ˆKa(1) |φs(1)i = X t X u c∗ tacua(ru| ts). (2.51)

Pode-se ent ˜ao, reescrever os elementos da matriz de Fock em termos das integrais de dois el ´etrons

Frs = hφr(1)| ˆh(1) |φs(1)i + k X t k X u N 2 X a c∗ tacua[2 (rs| tu) − (ru| ts)] (2.52) ou Frs = Hrs+ k X t k X u Ptu[2 (rs| tu) − (ru| ts)] , (2.53) onde Ptu= N 2 X a c∗ tacua, t = 1, 2, ..., k, u = 1, 2, ..., k (2.54) e Hrs = hφr(1)| ˆh(1) |φs(1)i (2.55)

s ˜ao os elementos da matriz densidade e da matriz de operadores de um el ´etron, res-pectivamente.

(34)

2.4 Func¸ ˜oes base 21

Finalmente, a express ˜ao da energia eletr ˆonica em termos dos orbitais mole-culares ´e dada por

Eelet = 1 2 k X r k X s Prs(Frs+ Hrs), (2.56) ou ainda Eelet = 1 2tr [P(F + H)] . (2.57)

2.4 Func¸ ˜oes base

As func¸ ˜oes base, usadas na expans ˜ao dos orbitais moleculares, podem ser representadas por diferentes tipos de func¸ ˜oes, mas dois tipos de func¸ ˜oes base t ˆem sido comumente utilizados, ou seja, as func¸ ˜oes tipo Slater (STOs) e as func¸ ˜oes tipo Gaussianas (GTFs). Uma func¸ ˜ao tipo Slater 1s e uma func¸ ˜ao tipo Gaussiana 1s, normalizadas e centradas em RA, t ˆem respectivamente, as formas

φST O1s (ζ, r − RA) = µ ζ3 π ¶1 2 e−ζ|r−RA| (2.58) e φGT F1s (α, r − RA) = µ π ¶3 4 e−α|r−RA|2, (2.59)

em que ζ e α s ˜ao expoentes associados ao orbital. Deve-se ressaltar que a principal diferenc¸a entre os dois tipos de func¸ ˜oes ocorre para r → 0 e para r → ∞. Para r = 0 a func¸ ˜ao tipo Slater tem inclinac¸ ˜ao finita, e a func¸ ˜ao tipo Gaussiana tem inclinac¸ ˜ao igual a zero. Para grandes valores de r, as func¸ ˜oes Gaussianas decaem muito mais rapida-mente que as func¸ ˜oes tipo Slater. C ´alculos HF para a estrutura eletr ˆonica de sistemas at ˆomicos demonstraram que as func¸ ˜oes tipo Slater fornecem uma boa representac¸ ˜ao

(35)

2.4 Func¸ ˜oes base 22

para os orbitais at ˆomicos [29]. Entretanto, uma representac¸ ˜ao mais precisa dos or-bitais at ˆomicos requer uma combinac¸ ˜ao linear de func¸ ˜oes tipo Slater.

Em um ciclo auto-consistente, temos da ordem k4 integrais de dois el ´etrons

do tipo (rs| tu) = Z Z φA∗r (1)φBs(1) 1 r12 φC∗t (2)φDu(2)dx1dx2, (2.60)

sendo k, o n ´umero de func¸ ˜oes base utilizadas na expanc¸ ˜ao do orbital molecular e os ´ındices A, B, C, D indicam em quais ´atomos os orbitais est ˜ao centrados. Quando os orbitais at ˆomicos s ˜ao representados por func¸ ˜oes tipo Slater, os c ´alculos das in-tegrais (2.60) para mol ´eculas poliat ˆomicas tornam-se numericamente impratic ´aveis. Para simplificar o c ´alculo das integrais de dois el ´etrons foi proposto por Boys [30], o uso de func¸ ˜oes base tipo gaussianas. Note que se fizer um produto de duas GTFs com centros diferentes, obte-se uma gaussiana com um terceiro centro. Para func¸ ˜oes tipo s φGF1s (α, r − RA)φGF1s (β, r − RB) = KABφGF1s (ρ, r − RP), (2.61) onde KAB = ½ 2αβ ρπ ¾ exp ½ −αβ ρ |RA− RB| 2 ¾ (2.62) e ρ = α + β RP = αRA+ βRB ρ . (2.63)

Assim, como resultado do produto, as integrais de tr ˆes e quatro centros se reduzem a integrais de dois centros, que s ˜ao mais f ´aceis de serem calculadas analiticamente. Ao contr ´ario das func¸ ˜oes STOs, as func¸ ˜oes gaussianas n ˜ao fornecem uma boa re-presentac¸ ˜ao dos orbitais at ˆomicos. Para uma rere-presentac¸ ˜ao mais precisa desses or-bitais utiliza-se func¸ ˜oes gaussianas contra´ıdas (φGC) , isto ´e, uma combinac¸ ˜ao linear

(36)

2.4 Func¸ ˜oes base 23

de gaussianas primitivas φGT F centradas sobre o mesmo ´atomo com diferentes

ex-poentes.

Um procedimento usado na obtenc¸ ˜ao dos coeficientes e dos expoentes de contrac¸ ˜ao que melhor aproxima φGC do orbital tipo Slater ´e conhecido como STO-nG,

em que n ´e o n ´umero de Gaussianas primitivas utilizadas na contrac¸ ˜ao. Esse ajuste entre as func¸ ˜oes pode ser obtido de forma que a integral de sobreposic¸ ˜ao entre as func¸ ˜oes φST Oe a φGCseja m ´axima, isto ´e, os coeficientes e os expoentes de contrac¸ ˜ao

s ˜ao variados de forma a maximizar a integral de sobreposic¸ ˜ao

S =

Z

drφST O1s (r)φGC1s (r). (2.64) Desta forma quanto maior for o n ´umero de func¸ ˜oes Gaussianas primitivas usadas na contrac¸ ˜ao, maior ser ´a o n ´umero de expoentes e coeficientes a serem variados e, con-seq ¨uentemente, melhor ser ´a o ajuste entre as func¸ ˜oes. Embora uma representac¸ ˜ao dos orbitais at ˆomicos por um conjunto de gaussianas contra´ıdas leva a um aumento do n ´umero de integrais a serem calculadas, as integrais tipo gaussianas podem ser calculadas analiticamente e, conseq ¨uentemente, o tempo necess ´ario para o c ´alculo dessas integrais ´e bem menor do que o necess ´ario para o c ´alculo de integrais tipo Slater.

Uma func¸ ˜ao base tipo gaussiana centrada em r, em coordenadas cartesianas, tem a seguinte forma

gijk = Nxiayjazake−αr

2

a (2.65)

em que N ´e uma constante de normalizac¸ ˜ao e i, j, k s ˜ao n ´umeros inteiros, enquanto que α ´e um expoente positivo associado ao orbital. Essas func¸ ˜oes s ˜ao classificadas

(37)

2.4 Func¸ ˜oes base 24

quanto `a soma dos ´ındices i, j, k. Por exemplo, quando `a soma i + j + k = 0, 1, 2 teremos func¸ ˜oes gaussianas tipo s, p, d, respectivamente.

Para sistemas at ˆomicos, leva-se em considerac¸ ˜ao func¸ ˜oes base com a mesma simetria dos orbitais at ˆomicos ocupados. Por exemplo, se um ´atomo em seu estado fundamental possuir a configurac¸ ˜ao eletr ˆonica 1s2 2s2 2p2, ent ˜ao, as func¸ ˜oes base

a serem utilizadas devem apresentar simetrias dos tipos s e p. Nos c ´alculos para mol ´eculas, s ˜ao utilizadas func¸ ˜oes base dos ´atomos que a constituem. No entanto, a distribuic¸ ˜ao eletr ˆonica de sistemas moleculares ´e bem mais complexa do que a de sistemas at ˆomicos. Como os conjuntos de func¸ ˜oes base desenvolvidos para sistemas at ˆomicos n ˜ao levam em considerac¸ ˜ao as distorc¸ ˜oes na nuvem eletr ˆonica, caracter´ısti-cas de sistemas moleculares, a descric¸ ˜ao mais adequada das propriedades molecu-lares deve ser obtida acrescentando-se func¸ ˜oes adicionais a conjuntos base desen-volvidos para sistemas at ˆomicos.

Um tipo de func¸ ˜oes adicionais que tem sido utilizado para descrever distorc¸ ˜oes da nuvem eletr ˆonica s ˜ao as func¸ ˜oes de polarizac¸ ˜ao. Tais func¸ ˜oes s ˜ao de grande im-port ˆancia na descric¸ ˜ao das ligac¸ ˜oes qu´ımicas, e correspondem a func¸ ˜oes adicionais com momento angular diferente daqueles apresentado pelas func¸ ˜oes base originais. Por exemplo, em um ´atomo com func¸ ˜oes base convencionais do tipo s e p, func¸ ˜oes de polarizac¸ ˜ao corresponderiam `a inclus ˜ao de func¸ ˜oes tipo d, f , g, etc. Um outro tipo de func¸ ˜oes que tamb ´em s ˜ao inclu´ıdas em c ´alculos de propriedades moleculares s ˜ao as func¸ ˜oes difusas. Em geral, s ˜ao func¸ ˜oes do mesmo tipo das func¸ ˜oes j ´a existentes, mas com expoentes que descrevam melhor a regi ˜ao de val ˆencia. Tais func¸ ˜oes s ˜ao necess ´arias para descrever distorc¸ ˜oes das nuvens eletr ˆonicas de sistemas ani ˆonicos.

(38)

2.5 A func¸ ˜ao q-Exponencial 25

Como exemplo de um conjunto de func¸ ˜oes base formado por uma combinac¸ ˜ao linear de gaussianas contra´ıdas, consideraremos o conjunto base contra´ıdo 3-21G. Nesse conjunto, o n ´umero que fica `a esquerda do h´ıfen significa o n ´umero de primitivas usado na descric¸ ˜ao dos orbitais mais internos, enquanto que os n ´umeros `a direita do h´ıfen indicam os n ´umeros de primitivas que descrevem os orbitais de val ˆencia. Nesta representac¸ ˜ao, a adic¸ ˜ao de func¸ ˜oes de polarizac¸ ˜ao ´e representada por (* ou **) e a adic¸ ˜ao de func¸ ˜oes difusas por (+ ou ++). Assim, os conjuntos contra´ıdos 21G*, 3-21G** e 3-21+G, 3-21++G s ˜ao, respectivamente, representac¸ ˜oes com a inclus ˜ao de func¸ ˜oes de polarizac¸ ˜ao e difusas ao conjunto original 3-21G. Neste trabalho, utiliza-se o conjunto bautiliza-se de val ˆencia dividida 6-31G e algumas extens ˜oes desutiliza-se conjunto, como 6-31+G, 6-31G* e 6-31+G*.

2.5 A func¸ ˜ao q-Exponencial

Recentemente, Borges [12] prop ˆos uma forma generalizada para a func¸ ˜ao exponencial baseando-se na formulac¸ ˜ao estat´ıstica n ˜ao extensiva de Tsallis [14], onde esta definic¸ ˜ao, em termos de uma s ´erie de Taylor, ´e dada por

expq(r) ≡ 1 + N X n=1 1 n!Qn−1r n, (2.66) com Qn(q) ≡ q(2q − 1)(3q − 2) . . . [nq − (n − 1)]. (2.67)

Pode-se mostrar [12] que a equac¸ ˜ao (2.66) ´e equivalente a

(39)

2.5 A func¸ ˜ao q-Exponencial 26

O par ˆametro q prov ´em da entropia de Tsallis [14] para o ensemble microcan ˆonico como segue

Sq = k

1 −PWi=1pqi

q − 1 , (2.69)

em que k ´e a constante de Boltzmann, W o n ´umero de micro estados acess´ıveis do sistema considerado, com as probabilidades associadas a pi, e q ´e um n ´umero real

positivo denominado de ´ındice entr ´opico que relaciona o grau de n ˜ao-extensividade do sistema. Se q tender `a unidade, a usual express ˜ao de Boltzmann ´e recuperada

S = −k W

X

i=1

pilnpi (2.70)

A estat´ıstica de Tsallis tem sido aplicada com sucesso na descric¸ ˜ao de uma variedade de problemas, em particular em processos de otimizac¸ ˜ao global [19,31,32]. A func¸ ˜ao exponencial generalizada utilizada neste trabalho, chamada de q-exponecial (expq) (2.68), ´e equivalente `a func¸ ˜ao exponencial usual no limite q → 1. ´E

impor-tante ressaltar que a func¸ ˜ao q-exponencial ´e significativamente mais flex´ıvel do que a exponencial convencional, como mostrado na figura 2.1.

Nesse trabalho, utiliza-se a func¸ ˜ao q-exponencial na obtenc¸ ˜ao de novas for-mas funcionais para o ajuste de curvas e superf´ıcies de energia potencial. A q-exponencial ´e empregada tamb ´em no m ´etodo q-Hartree-Fock, onde ´e utilizada para generalizar a func¸ ˜ao Morse que ajusta as integrais eletr ˆonicas.

(40)

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 27

Figura 2.1: Func¸ ˜ao q-exponencial esboc¸ada para diferentes valores do par ˆametro q.

No caso em que q=1 a q-exponencial ´e equivalente `a func¸ ˜ao exponencial usual, que ´e representada por uma linha preta.

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock

Atualmente o m ´etodo de Hartree-Fock ´e um dos modelos matem ´aticos mais bem sucedidos no c ´alculo de estrutura eletr ˆonica. Esta aproximac¸ ˜ao ´e de import ˆancia fundamental em qu´ımica qu ˆantica porque est ´a intimamente relacionada com a id ´eia comum `a maioria dos modelos qu´ımicos baseados em el ´etrons ocupando orbitais, per-mitindo assim, uma interligac¸ ˜ao entre modelos moleculares f´ısicos e qu´ımicos. Al ´em disso, esta aproximac¸ ˜ao ´e um ponto de partida para uma s ´erie de aproximac¸ ˜oes mais sofisticadas muito utilizadas em c ´alculo de estrutura eletr ˆonica molecular.

(41)

li-2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 28

mitac¸ ˜oes. Algumas aproximac¸ ˜oes existentes neste m ´etodo limitam a sua utilizac¸ ˜ao em sistemas macromoleculares. Aproximac¸ ˜oes como a combinac¸ ˜ao linear de orbitais at ˆomicos e a expans ˜ao dos orbitais at ˆomicos em termos de func¸ ˜oes base torna o c ´alculo muito dispendioso do ponto de vista computacional. As dificuldades surgem com o aumento do n ´umero de integrais a serem calculadas que s ˜ao da ordem de k4×

n4, onde k ´e o n ´umero de orbitais utilizados no LCAO e n ´e o n ´umero de gaussianas

utilizadas na expans ˜ao dos orbitais at ˆomicos.

O m ´etodo q-Hartree-Fock ´e uma proposta alternativa para o c ´alculo das inte-grais eletr ˆonicas, no qual a principal contribuic¸ ˜ao est ´a em reduzir o n ´umero de inteinte-grais contra´ıdas de n4 para 1. Isto se d ´a porque dentro desta aproximac¸ ˜ao as somas de

in-tegrais passam a ser escritas como uma ´unica func¸ ˜ao das dist ˆancias interat ˆomicas, isto ´e, uma integral bi-eletr ˆonica que ´e representada pela soma

Iµνλσ(r) = (µν |λσ) = Z Z φ∗µ(1)φν(1) 1 r12 φ∗λ(2)φσ(2)dτ12 (2.71) = n X i=1 n X j=1 n X k=1 n X l=1 ijkl Z Z χi(1)χj(1) 1 r12 χk(2)χl(2)dτ12

pode ser escrita como uma ´unica func¸ ˜ao do tipo

Iµνλσ(r) = (µν |λσ) = y0µνλσ + βµνλσe −αµνλσ(r−Rµνλσ)γµνλσ qµνλσ µ e−αµνλσ(r−Rµνλσ)γµνλσ qµνλσ − Cµν ¶ , (2.72) em que αµνλσ, βµνλσ , qµνλσ, Rµνλσ e γµνλσ s ˜ao par ˆametros de ajuste. A equac¸ ˜ao (2.72),

definida como q-Morse, ´e uma generalizac¸ ˜ao da func¸ ˜ao Morse obtida pela substitu-ic¸ ˜ao da exponencial usual pela q-exponencial. A func¸ ˜ao q-Morse carrega todas as propriedades das func¸ ˜oes q-exponencial e Morse convencional, o que facilita o ajuste das integrais bi-eletr ˆonicas.

(42)

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 29

Este mesmo procedimento pode ser aplicado para as integrais Sµν e Hµν:

Sµν(r) ≡ y0µν + βµνe −αµν(r−Rµν)γµν qµν ³ e−αµν(r−Rµν)γµν qµν − Cµν ´ (2.73) e Hµν(r) ≡ y00µν + β 0 µνe −α0 µν(r−R0µν)γ0µν q0 µν Ã e−α0µν(r−R0µν)γ0µν q0 µν − C 0 µν ! . (2.74)

Desta forma a energia total pode ser escrita como um funcional das dist ˆancias interat ˆomicas (r), isto ´e

[E] = E[cµνλσ, Iµνλσ(rij)] (2.75)

ou [E] = X µ X ν Cµνβ 0 µνe −α0 µν(r−R0µν)γ0µν q0 µν Ã e−α0µν(r−R0µν)γ0µν q0 µν − C 0 µν ! + +X µ X ν Cµν X λ X σ Cλσx ½ βµνλσe−αqµνλσµνλσ(r−Rµνλσ)γµνλσ µ e−αqµνλσµνλσ(r−Rµνλσ)γµνλσ − Cµνλσ ¶ + 1 2βµλνσe −αµλνσ(r−Rµλνσ)γµλνσ qµλνσ µ e−αµλνσ(r−Rµλνσ)γµλνσ qµλνσ − Cµλνσ ¶¾ (2.76)

A reduc¸ ˜ao do n ´umero de integrais a serem calculadas leva a uma diminuic¸ ˜ao no tempo de CPU necess ´ario para se calcular as integrais eletr ˆonicas. Esta diminuic¸ ˜ao pode ser observada nas figuras 2.2-a e 2.2-b [11], nas quais s ˜ao apresentados os gr ´aficos do tempo de CPU usado no c ´alculo das integrais de dois el ´etrons para um aglomerado de ´atomos de H.

Na Figura 2.2-a, ´e apresentado um gr ´afico do tempo de CPU versus n ´umero de ´atomos, usando a metodologia usual e o m ´etodo das q-integrais. Neste caso, foram utilizados um conjunto de func¸ ˜oes base STO-3G para o c ´alculo das integrais e

(43)

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 30

Figura 2.2: Comparac¸ ˜ao do tempo de CPU para c ´alculo das integrais bi-eletr ˆonicas

de um aglomerado de ´atomos de hidrog ˆenio utilizando os conjuntos de func¸ ˜oes base (a)STO-3G e (b)STO-6G, versus a func¸ ˜ao equivalente qMorse. Os c ´alculos foram realizados em um computador P4 2GHz.

(44)

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 31

as equivalentes q-integrais. Nota-se que o m ´etodo das q-integrais, para 50 ´atomos, ´e cerca de 130 vezes mais r ´apido [11] do que a metodologia usual. Na Figura 2.2-b, uma mesma an ´alise ´e feita utilizando-se o conjunto de func¸ ˜ao base STO-6G, e neste caso, percebe-se que o c ´alculo das integrais bi-eletr ˆonicas utilizando as func¸ ˜oes generalizadas tornam o c ´alculo aproximadamente 2000 vezes mais r ´apido [11] quando comparado com o m ´etodo convencional.

Vale a pena destacar que, `a medida em que se aumenta o conjunto de func¸ ˜oes base, para melhor representar o orbital at ˆomico, o tempo de CPU cresce drastica-mente. Para um sistema com 50 ´atomos de hidrog ˆenio, o tempo gasto no c ´alculo das integrais utilizando o conjunto de func¸ ˜ao base STO-3G (STO-6G) ´e, aproximadamente, 1872 (29822) segundos [11]. No entanto, utilizando-se a q-Integral,seja a equivalente `a func¸ ˜ao STO-3G ou a equivalente `a func¸ ˜ao STO-6G, o tempo de c ´alculo foi de aproxi-madamente 14 segundos.

A qualidade do m ´etodo q-Hartree-Fock est ´a diretamente ligada `a qualidade do ajuste das integrais eletr ˆonicas. Na figura (2.3) temos apresentados os valores de algumas integrais bi-eletr ˆonicas obtidas com o conjunto de func¸ ˜oes base STO-6G para a mol ´ecula de N2 em func¸ ˜ao da dist ˆancia interat ˆomica. Note que, embora cada

uma dos elementos de matriz tenha um comportamento gr ´afico diferente, os erros chi-quadrado (χ2) nos ajustes s ˜ao bastante pequenos, ´e de 8, 52×10−8, 1, 23×10−8, 6, 73×

10−11 e 4, 32 × 10−12 para as integrais (2

sN 22pyN 1|2pyN 11sN 1), (2pyN 22pyN 1|2sN 12sN 1),

(2pyN 22pyN 1|2sN 21sN 2) e (2pyN 22pxN 2|2pxN 22pyN 1) que equivalem a I7441, I9422, I9476 e

I9884, respectivamente.

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2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 32

Figura 2.3: Integral STO-6G e qMorse ajustada para elemento de matriz (a) I7441 ,(b)

I9422, (c) I9476 e (d) I9884 da integral de dois-el ´etrons do sistemas molecular N2.

da base de Slater, ent ˜ao, ao inv ´es de ajustar `as q-Integrais `as integrais obtidas com as bases STO-3G, STO-6G, etc, ajusta-se `as pr ´oprias integrais de Slater. Como re-sultado, ´e apresentado na figura (2.4) as curvas de energia potencial para a mol ´ecula de O2 obtidas utilizando os m ´etodos Hartree-Fock com a base Slater e

q-Hartree-Fock com as q-integrais ajustadas sobre as integrais de Slater. Uma an ´alise desse resultado mostra uma boa concord ˆancia entre os dois resultados, sendo que os erros m ´aximo e m´ınimo ponto a ponto foram de 3, 9 × 10−3 hartree e 1, 4 × 10−6 hartree,

(46)

2.6 O M ´etodo q-Hartree-Fock 33

Figura 2.4: Curvas de Energia Potencial para o sistema O2 obtida com o m ´etodo

Hartree-Fock (utilizando a base de Slater) e o m ´etodo q-Hartree-Fock (com a func¸ ˜ao qMorse ajustada para a base de Slater).

respectivamente. Estes resultados mostram que o m ´etodo q-Hartree-Fock ´e capaz de diminuir o esforc¸o computacional reduzindo drasticamente o tempo de CPU, e de fornecer resultados coerentes e satisfat ´orios.

(47)

Cap´ıtulo 3

Din ˆamica de n ´ucleos

3.1 Introduc¸ ˜ao

Neste cap´ıtulo ser ˜ao apresentadas as metodologias utilizadas no estudo de din ˆamica de reac¸ ˜ao de n ´ucleos. O cap´ıtulo ser ´a iniciado com uma abordagem a res-peito das caracter´ısticas fundamentais que devem apresentar uma boa superf´ıcie de energia potencial. Em seguita, tem-se uma descric¸ ˜ao dos m ´etodos empregados na construc¸ ˜ao das SEPs e as func¸ ˜oes mais utilizadas no ajuste das energias experi-mentais. Este cap´ıtulo, ser ´a finalizado com uma descric¸ ˜ao dos m ´etodos utilizados na obtenc¸ ˜ao das propriedades din ˆamicas dos sistemas.

(48)

3.2 Superf´ıcie de Energia Potencial (SEP) 35

3.2 Superf´ıcie de Energia Potencial (SEP)

Atualmente o estudo de din ˆamica de reac¸ ˜oes de n ´ucleos tem in´ıcio com a determinac¸ ˜ao da superf´ıcie de energia potencial (SEP) do sistema molecular. A SEP ´e obtida resolvendo a equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger eletr ˆonica para uma malha de configurac¸ ˜oes geom ´etricas dos n ´ucleos. De posse destas energias pode-se ajustar, por interpolac¸ ˜ao e extrapolac¸ ˜ao, uma func¸ ˜ao anal´ıtica que cubra todo este espac¸o de configurac¸ ˜oes. Com esta estrat ´egia, obt ´em-se uma func¸ ˜ao anal´ıtica capaz de descre-ver todas as interac¸ ˜oes do sistema molecular.

Partindo da aproximac¸ ˜ao de Born-Oppenheimer (Cap´ıtulo 2, sec¸ ˜ao 2.2.1) que permite fazer a separac¸ ˜ao dos movimentos eletr ˆonico e nuclear, pode-se escrever uma equac¸ ˜ao an ´aloga `a equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger eletr ˆonica (2.4) para a parte nuclear como

ˆ HN ucΦN uc = ET otΦN uc, (3.1) em que ˆ HN uc = − M X i=1 1 2mi 2i + V (R). (3.2)

Na equac¸ ˜ao (3.2) o termo que representa a energia potencial V (R), ´e obtido a partir da soluc¸ ˜ao da equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger eletr ˆonica. Para se descrever corretamente a maioria dos fen ˆomenos de interesse, ´e preciso obter as energias eletr ˆonicas para todas as configurac¸ ˜oes nucleares poss´ıveis, estas energias s ˜ao conhecidas como su-perf´ıcie de energia potencial (SEP). Como resolver a equac¸ ˜ao de Schr ¨odinger eletr ˆoni-ca para todos os arranjos geom ´etricos entre os n ´ucleos ´e uma tarefa imposs´ıvel dentro das metodologias existentes, o que se faz ´e encontrar as energias eletr ˆonicas para um

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