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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

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Academic year: 2021

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

Prof. Ronaldo Rolim

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Procedimento Comum

Petição Inicial

É o ato que dá início ao processo e define os contornos subjetivo e objetivo da lide, dos quais o juiz não poderá ultrapassar. É por meio dela que será possível apurar os elementos identificadores da ação: as partes, o pedido e a causa de pedir.

Requisitos da petição inicial

Tais requisitos vêm enumerados nos arts. 319 e 320 do CPC. O primeiro indica quais são os requisitos intrínsecos da própria petição inicial, enquanto o segundo refere-se a eventuais documentos que devam necessariamente acompanhá-la.

Emenda da petição inicial

Emenda é a possibilidade que o autor tem de corrigir eventuais equívocos apresentados na petição inicial. Está disposta no art. 321 do CPC:

Dessa forma, verifica-se que o prazo para a emenda é de 15 dias (contados em dias úteis) e que o juiz

deve indicar precisamente o que deve ser corrigido pelo autor. Caso este permaneça inerte, o juiz indeferirá

a petição inicial.

Do Pedido

Como visto, o pedido é um dos requisitos da petição inicial. Tal é sua importância que o CPC dedica uma seção especial a ele nos arts. 322 a 329.

O pedido nada mais é do que a exteriorização da pretensão do demandante. Deve ser certo e determinado, em regra, podendo, excepcionalmente, ser genérico, conforme as hipóteses do art. 324, §1º.

Certo é o pedido que permite a identificação do bem da vida pretendido. E determinado é aquele que indica a quantidade postulada (o quantum).

Cumulação de pedidos

O CPC, em seu art. 327, autoriza a cumulação de pedidos, isto é, que o autor faça mais de um pedido. Para tanto, há que se observar os requisitos para que a cumulação ocorra (§1º).

Espécies de cumulação

Como visto, o pedido pode ser único ou cumulado. Se for cumulado, pode assumir uma das seguintes configurações:

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a) cumulação simples: aqui o autor deseja o pedido A e o pedido B;

b) cumulação alternativa: aqui o autor deseja ou o pedido A ou o pedido B, e não manifesta preferência

por nenhum deles;

c) cumulação subsidiária: aqui o autor deseja ou o pedido A ou o pedido B, mas manifesta preferência

por um deles;

Alteração do pedido feito na petição inicial

Sobre o tema, atentar para o disposto no art. 329 do CPC, pois aparece de forma recorrente em concursos públicos.

Do Valor da Causa

Assim, como o pedido, o valor da causa também é um dos requisitos da petição inicial que recebe atenção especial do CPC. Tais regras encontram-se nos arts. 321 a 323.

Vale ressaltar que se deve ter uma atenção especial para o art. 292 do CPC, que traz os critérios legais para que o valor da causa seja definido, a depender da causa.

Indeferimento da petição inicial

O indeferimento da petição inicial diz respeito a um vício insanável ou, mesmo sanável, não foi corrigido pelo autor no prazo que lhe foi concedido.

O art. 330 do CPC aborda o tema, apresentando as hipóteses de indeferimento da petição inicial. Cabe

informar que todas estas hipóteses resultam na extinção do processo sem resolução de mérito.

Improcedência liminar do pedido

Diferentemente do indeferimento da petição inicial, a improcedência liminar do pedido trata-se de

julgamento de mérito, logo no início do processo e sem a citação do réu, nas hipóteses elencadas no art. 332 do CPC.

A primeira hipótese cuida da improcedência liminar da inicial quando a pretensão do autor contrariar enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça. Por exemplo, a Súmula nº 585 do STJ diz que dívidas relativas ao IPVA ocorridas após a venda do veículo não obrigam, solidariamente, o vendedor. Assim, se A vende o carro para B em 2015 e o comprador não paga o imposto referente aos anos de 2016 e 2017, A não poderá ser cobrado pelo IPVA devido após a venda. Se alguma ação for ajuizada contra A cobrando os impostos devidos de 2016 e 2017, o magistrado poderá, liminarmente, julgar improcedente a demanda sem ao menos citar o réu.

A hipótese do art. 332, II, é mais ampla, pois permite a improcedência liminar nos casos em que a pretensão autoral for contrária a acórdãos do STF e do STJ. Em tese, quaisquer decisões colegiadas desses tribunais superiores autorizam o juiz de primeiro grau a aplicar a sentença liminar.

As hipóteses do art. 332, III e IV, cuidam da improcedência liminar nos casos em que a pretensão autoral contrariar precedentes judiciais dos tribunais de justiça dos estados ou tribunais regionais federais, editados a partir do julgamento dos incidentes de resolução de demandas repetitivas, incidente de assunção de competência e nas súmulas referentes a direito local.

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O principal objetivo do legislador é garantir mais segurança jurídica através do fortalecimento do sistema de precedentes judiciais.

Julgado improcedente liminarmente o pedido, a parte autora poderá interpor recurso de apelação (art. 1.009), ocasião em que o juiz poderá se retratar de sua decisão no prazo de 5 dias (art. 332, §3º). Nesse caso, o juiz determinará o prosseguimento do processo com a regular citação do réu. Entretanto, caso o juiz não exerça o juízo de retratação, deverá citar o réu para que este possa apresentar suas contrarrazões ao recurso interposto.

Tutela Provisória

Disposições Gerais

O CPC de 2015 traz a tutela provisória no Livro V de sua Parte Geral, desdobrando-se o tratamento em 3 títulos: disposições gerais (arts. 294 a 299); tutela de urgência (arts. 300 a 310), subdividindo-se esta em capítulos sobre disposições gerais, tutela antecipada requerida em caráter antecedente e tutela cautelar requerida em caráter antecedente; e tutela da evidência (art. 311).

De acordo com o art. 294, a tutela provisória pode manifestar-se nas formas de evidência ou de

urgência, dividindo-se esta em cautelar ou antecipada, podendo ser concedida em caráter antecedente ou incidental.

Distinguem-se, assim, a modalidade deferida diante da evidência de seu cabimento daquela fundada na urgência (em face de um direito que pode perecer ou a utilidade do processo, que pode ser perdida).

Pela tutela da evidência, o novo Código intenta proteger um direito que se mostra evidente desde o início do processo, ainda que em hipóteses nas quais, por ausência de urgência, o Código de 1973 não previa a antecipação da tutela ao final pretendida.

Já pela tutela de urgência, o Código de 2015 visa sistematizar evolução que, desde 1994, já se desenrolava, no tocante à tutela provisória no direito brasileiro.

Para tanto, subdividiu-a em cautelar ou antecipatória do provimento final (natureza da tutela), e em antecedente ao pedido principal ou incidental no processo (momento de concessão).

A tutela provisória, quando requerida incidentalmente, não depende do pagamento de custas. É esse o teor do art. 295, que se justifica pelo fato de que, uma vez que a parte já arcou com as custas necessárias ao seu ingresso em juízo, não é preciso que proceda a novo recolhimento no mesmo processo.

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Tutela de urgência

Disposições gerais

A tutela de urgência, como visto, pode manifestar-se nas formas antecipatória e cautelar.

A tutela antecipatória tem natureza satisfativa. Por intermédio dela, o juiz profere decisão interlocutória no curso de um processo de conhecimento, cujo teor consiste na antecipação dos efeitos que só seriam alcançados com a prolação da sentença.

Já a tutela cautelar apresenta natureza instrumental, voltando-se para um processo de conhecimento ou para um processo de execução, não tendo cunho satisfativo, uma vez que é somente ao final do processo que o reconhecimento do direito que se busca será alcançado, e não com a tutela cautelar.

É, dessa forma, uma tutela apenas mediata do direito material, assegurando uma situação jurídica tutelável sempre pelo mesmo processo, uma vez que o novo Código não mais a prevê como medida autônoma.

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O CPC também deixa de prever um procedimento comum para a tutela de urgência, não tratando especificamente de seu requerimento incidental.

O art. 300 traz a previsão de dois requisitos do cabimento da tutela de urgência: elementos que evidenciam a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Caberá ao magistrado, diante do caso concreto, ponderar valores e informações que fomentem o requerimento de tutela de urgência e, sendo provável o direito alegado, conjugá-lo ao outro requisito, para conceder ou não a medida requerida.

Como segundo requisito, além dos elementos que evidenciem a probabilidade do direito, o requerente da concessão de tutela de urgência deverá demonstrar em juízo que há o perigo de que, em não sendo esta concedida, ocorra um dano irreparável ou de difícil reparação.

O perigo de dano deve correlacionar-se também com a ideia de impossibilidade, em momento posterior, do cumprimento da obrigação, ou, ainda, com a própria inutilidade de procedência do provimento.

Pode o juiz, para concedê-la, exigir caução real ou fidejussória apta ao ressarcimento de eventuais danos que a contraparte possa sofrer com a efetivação da tutela, sendo dispensável nos casos de hipossuficiência econômica da parte, garantindo-lhe o acesso à justiça (art. 300, § 1º).

A tutela pode ser concedida sem manifestação prévia da outra parte, diferindo- se o contraditório, ou mediante justificação prévia, via audiência ou esclarecimentos da parte (§ 2º). Todavia, havendo perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão, a tutela de urgência antecipatória não será concedida (§ 3º).

Impõe o legislador, como condição ao deferimento da medida, que a antecipação dos efeitos não seja irreversível, havendo possibilidade de retorno ao status anterior. Contudo, o provimento nunca é irreversível, pois é provisório e revogável. O que é reversível são as consequências decorrentes da execução da medida. Alternativas possíveis ao requisito da reversibilidade são a indenização por perdas e danos e a caução.

Todavia, em caráter absolutamente excepcional, quando os valores em jogo forem de grande relevância, valendo-se o intérprete do princípio da proporcionalidade, admite-se a utilização da técnica destinada à obtenção de tutelas sumárias e provisórias para a solução definitiva e irreversível de situações substanciais (o que, na realidade, deixa de ser antecipação provisória, assumindo o status de tutela final, ou seja, tutela sumária definitiva).

Apesar da previsão legal de permissão de antecipação dos efeitos da tutela pretendida no “pedido inicial”, firmou-se o entendimento de que não constitui óbice a que se aceite a antecipação em favor do réu nas demandas em que se admitem pedidos contrapostos ou reconvenção, em homenagem ao princípio da isonomia.

Grande inovação no sistema, operada em 2015, consiste na extinção do processo cautelar como processo autônomo e de todos os procedimentos cautelares específicos, não obstante as modalidades de tutela cautelar continuarem a existir, quer pelo poder geral de cautela do juiz (art. 5º, XXXV, da CF), quer por menções esporádicas, como no próprio art. 301. A nova Lei, assim, vem operar maior flexibilidade nas maneiras de implementação da tutela cautelar.

O Código de 1973 trazia uma relação de diversos procedimentos cautelares específicos. A lógica se justificava, na medida em que havia a previsão de um processo cautelar autônomo. O CPC/2015 não mais traz essa dinâmica, mas reconhece as medidas cautelares que podem ser deferidas no curso do processo de conhecimento ou do processo de execução.

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A tutela antecipatória, espécie do gênero tutela de urgência, é providência que tem natureza jurídica mandamental, que se efetiva mediante execução lato sensu, com o objetivo de entregar ao autor, total ou parcialmente, a própria pretensão deduzida em juízo ou seus efeitos.

Essa tutela não se confunde com o julgamento antecipado do mérito, pois neste o juiz julga, em uma sentença, o próprio mérito da causa, enquanto naquela o juiz apenas antecipa, por meio de decisão interlocutória, os efeitos da sentença de mérito, prosseguindo, então, no processo.

Dessa forma, o julgamento antecipado do mérito destina-se a acelerar o resultado do processo e está ligado à suficiência do conjunto probatório para possibilitar o julgamento definitivo do litígio, quer pela desnecessidade de produção de novas provas, quer quando o réu for revel, ocorrer o efeito do art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349 (art. 355).

Já a hipótese da tutela antecipada é distinta, porque não acarreta a solução definitiva e irreversível da situação litigiosa e permite, preenchidos seus requisitos, a antecipação imediata dos efeitos da sentença, ainda que pendente recurso dotado de efeito suspensivo.

Seu limite de extensão é o pedido, isto é, não se pode conceder a título de tutela antecipada mais do que o autor obteria se vencedor da totalidade da expressão deduzida em juízo. Caso o autor queira coisa diversa do que consta no pedido, deverá ajuizar medida autônoma.

Requisitos

O CPC, ao tratar da tutela de urgência, esmiúça o tratamento conferido a cada uma de suas modalidades, quais sejam, tutela antecipada e tutela cautelar. Os arts. 303 e 304 do CPC abordam os casos da antecipatória requerida em caráter antecedente.

Assim, a tutela antecipada pode ser requerida previamente ao ingresso da ação principal completa, em contraposição ao sistema anterior, no qual isso somente era possível para medidas cautelares em procedimento autônomo. Isto, inclusive, não é mais possível no ordenamento brasileiro.

O processo principal seguirá, posteriormente, nos mesmos autos, com a petição inicial do requerimento antecedente eventualmente aditada.

Prevê o art. 303, caput, que, sendo a urgência contemporânea à propositura da ação, a inicial pode se limitar a requerer a tutela antecipada e a indicar o pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito visado e do perigo de dano ou do risco à utilidade do processo. Se deferida, deve ser aditada no prazo de 15 (quinze) dias (§ 1º); se indeferida, cabe sua emenda em 5 (cinco) dias, ambas as hipóteses sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito (§§ 2º e 6º).

Fica, contudo, vedado à parte alterar o pedido.

O réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação, na forma do art. 334; não havendo acordo, contar-se-á o prazo para contestação segundo a regra geral do art. 335, a correr da audiência, não da citação ou da juntada.

O aditamento a que faz alusão o § 1º, I, não sofrerá incidência de novas custas processuais, salvo se, dentre as provas requeridas na complementação, incluírem-se atos do juízo que importem em custas e que não tenham sido originalmente previstos.

A petição inicial deve indicar o valor da causa, bem como o pedido final (§ 4º).

O art. 304, por sua vez, constitui grande inovação, ao trazer a estabilização da decisão que concede a tutela antecipada nos termos do artigo antecedente, uma vez que não tenha sido interposto recurso.

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Trata-se de uma nova forma de manifestação de preclusão lógica, baseada na tácita aceitação da decisão. É exigido mais empenho do réu, para quem não basta simples pedido de reconsideração; é necessário recorrer, pagando custas, no que se presume um efetivo interesse e uma viável tese defensiva.

Ademais, tal previsão torna mais rápida a discussão em 2ª instância, permitindo ao processo atender aos ditames dos princípios da celeridade e da economia processual.

Se não interposto o recurso (agravo de instrumento, na forma do art. 1.015, I), extingue-se o processo (art. 304, § 1º), embora não se produza coisa julgada, de modo a não constituir óbice a eventual impugnação em ação subsequente, consoante o disposto no § 2º.

A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada por decisão de mérito em nova ação (§ 3º), fixando o § 5º prazo de 2 (dois) anos para sua propositura.

Tem-se claro, por fim, pela leitura do § 6º, que a decisão antecedente apenas transita em julgado se não impugnada em nova ação, e dentro do prazo bienal, contado da ciência da decisão.

Decorrido esse prazo, ela se torna imutável, desde que a tutela antecedente tenha sido antecipada com a ciência do réu, a quem tenha sido aberto o contraditório.

Tutela cautelar requerida em caráter antecedente

A tutela cautelar se refere à proteção de um provimento jurisdicional futuro incerto, de um direito que não foi reconhecido de forma definitiva pelo Estado-juiz, e a legitimidade para requerê-lo é a hipotética constatação de que aqueles que comparecem em juízo na qualidade de autor e réu são os integrantes da situação conflituosa ameaçada no plano material.

A principal característica das medidas cautelares é a preventividade, relacionada com o art. 5º, XXXV, da CF, pretendendo evitar o dano, que a ameaça seja convertida em lesão, seguida pela provisoriedade, uma vez que a proteção obtida cautelarmente se esgota com a efetivação da tutela jurisdicional que se pretende proteger.

Na tutela cautelar, a cognição judicial não será exauriente, mas sumária, já que a decisão será proferida de forma mais expedita por basear se em elementos que, embora insuficientes para fundar convicção plena, permitam ao órgão judicial um juízo de probabilidade favorável ao autor.

Distingue-se da tutela antecipada, que objetiva adiantar os efeitos da tutela de mérito, propiciando sua execução provisória, concedendo, de forma antecipada, os próprios efeitos do provimento jurisdicional pleiteado. A cautelar, por sua vez, objetiva garantir a realização do resultado prático do processo ou a viabilidade da realização do direito assegurado pelo autor.

Com base no art. 300, pode o juiz conceder liminarmente ou após justificação prévia a tutela cautelar sem ouvir o réu.

Nesse caso, poderá o juiz condicionar a efetivação da medida cautelar liminarmente concedida à prévia prestação de contracautela pelo requerente, isto é, de caução real ou fidejussória, a fim de assegurar a reparação dos danos que o requerido, eventualmente, venha a sofrer (§ 1º).

A concessão liminar se legitima sempre que, nas circunstâncias, se mostre necessária para preservar o suposto direito ameaçado, quer a ameaça parta ou não do réu, sendo ela configurável até em fato de natureza.

Para que a liminar seja concedida, é preciso que o juiz verifique a presença cumulativa do fumus boni iuris e do periculum in mora a serem demonstrados pelo requerente. Também é necessário que o juiz leve em conta a natureza dos interesses em jogo, a possível extensão do dano e a reversibilidade do provimento.

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Requisitos

Pelo art. 305, a petição inicial que visa à sua prestação indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito objetivado e o perigo da demora da prestação da tutela jurisdicional. E, entendendo o juiz

que o pedido, em verdade, tem natureza antecipada, observará o disposto para a tutela antecipada requerida em caráter antecedente (art. 303), em nítida fungibilidade.

Em seguida, o réu é citado para, em 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar as provas que pretende produzir (art. 306).

Não sendo contestado o pedido, presumem-se aceitos os fatos alegados pelo autor, cabendo, então, ao juiz proferir decisão também em 5 (cinco) dias (art. 307).

Se, porém, tiver havido a contestação no prazo legal, há de se observar o procedimento comum, anotando-se que, concedida a tutela, o pedido principal deve ser apresentado em 30 (trinta) dias nos mesmos autos (art. 308), se não tiver sido apresentado em conjunto com o pedido de tutela cautelar (art. 308, § 1º), sob pena de perda de eficácia do mesmo (art. 309, I). Só a partir de então é que se segue o procedimento comum.

O § 2º do art. 308 estabelece, ainda, a possibilidade de aditamento da causa de pedir no momento de formulação do pedido principal. Apresentado este, as partes serão intimadas para audiência de conciliação ou de mediação, na forma do art. 334 (§ 3º); não havendo acordo, o prazo para contestação será contado pela regra geral do art. 335 (§ 4º).

A eficácia da tutela cautelar cessa nas hipóteses do art. 309, dentre as quais se encontram tanto o julgamento de improcedência do pedido principal quanto a extinção do processo sem resolução do mérito.

Finalmente, uma vez indeferida a tutela cautelar, não há óbice para que o autor formule, desde logo, o pedido principal, assim como não influi no julgamento deste, salvo se reconhecida a prescrição ou a decadência (art. 310). Fica a seu critério aguardar o julgamento do processo cautelar ou apresentá-lo no curso do procedimento.

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Tutela da evidência

Com o fito de dar à prestação da tutela jurisdicional maior celeridade, o CPC traz a tutela de evidência como inovação técnica apta a proteger um direito evidente desde o início do processo, ainda que o Código anterior não abarcasse tal hipótese para permitir a antecipação da tutela final, por inexistência de urgência.

A tutela da evidência é sempre incidente, podendo ser requerida tanto na petição inicial quanto em

petição avulsa.

O CPC, em seu art. 311 traz as hipóteses de concessão da tutela de evidência.

A tutela de evidência é cabível também na fase recursal, a exemplo do que ocorre com a tutela de urgência.

O inciso I estabelece os critérios do abuso de direito de defesa ou do manifesto propósito protelatório do réu como uma das hipóteses autorizadas para concessão da tutela antecipada, e, com isso, a medida antecipada justifica se não em razão do perigo de dano, mas em função do exercício de mecanismos nocivos ao regular seguimento processual.

Somado à forte probabilidade de existência do direito afirmado, entendeu o legislador agilizar o resultado do processo, a fim de evitar dano maior para o autor, com o retardamento indevido do provimento jurisdicional.

É importante observar que a concessão somente pode ocorrer após a resposta do demandado, pois pressupõe abuso de defesa ou propósito protelatório do réu. Assim, o texto legal traz consigo uma ideia de má-fé, o que obriga a investigação sobre a intenção da parte naquele ato.

Não basta, ainda, que o ato abusivo transmita a intenção de atrasar a tramitação do processo. É preciso que efetivamente o ato consista em empecilho à lisura e à celeridade processual.

Para o inciso II, a Lei disciplina a comprovação documental das alegações e a existência de tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante.

Por sua redação, o artigo não a restringe ao Supremo Tribunal Federal, com isso abrindo-se à possibilidade eventual de previsão constitucional de edição de enunciados vinculantes também pelos Tribunais de Justiça e pelos Tribunais Regionais Federais, como pode ser visto nos arts. 332, IV, e 927, V.

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Em contrapartida, a expressão “tese firmada em julgamento de casos repetitivos” comporta contornos mais amplos. Vê-se que ele inclui os julgados do STF e do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (arts. 1036 a 1041) e os dos TJs e dos TRFs no âmbito de suas respectivas competências, em incidente de resolução de demandas repetitivas (arts. 976 a 987).

Embora não haja referência expressa, devem ser também compreendidas nesses dispositivos as hipóteses que levam a efeito vinculante por força de norma constitucional.

De se observar que, numa interpretação literal, não se exige que o precedente tenha alcançado o status de trânsito em julgado, embora reconheçamos que isso possa trazer alguma insegurança jurídica, sobretudo se pensarmos que aquela tese jurídica será utilizada em todos os casos idênticos espalhados por todos os órgãos do Poder Judiciário.

Pelo inciso III, a não entrega do objeto custodiado implica cominação de multa. Fica estabelecida, dessa forma, uma sanção para o pedido de depósito, aplicável aos casos de alienação fiduciária, quando, até então, o descumprimento da ordem de entrega quedava sem correspondente medida coercitiva, dada a inconstitucionalidade da prisão civil por dívidas.

O inciso IV amplia o cabimento da tutela da evidência para todos os casos em que o autor juntar prova documental suficiente dos fatos constitutivos de seu direito, sem que o réu oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.

Enfim, pelo parágrafo único, depreende-se que apenas nas hipóteses dos incisos II e III pode o juiz conceder a tutela de modo antecipado ao contraditório. Nos demais casos, é imprescindível a prévia intimação da parte adversa para que possa manifestar-se.

Respostas do Réu

Conceito

Como já se sabe, o processo se inicia com a distribuição da petição inicial. Embora o réu ainda não figure na relação processual, não há dúvidas acerca da existência do processo. Entretanto, a citação (art. 238) convocará o réu ou o interessado para integrar a relação processual. Após o ato citatório, o réu terá ciência da existência de um processo contra si e poderá, se assim quiser, apresentar sua resposta ao pedido formulado pelo autor. O termo resposta do réu, na verdade, é um gênero que contempla algumas espécies de possíveis manifestações do réu em sua defesa.

O réu, após o esgotamento das possibilidades de conciliação/mediação, pode apresentar contestação, reconvenção ou até mesmo arguir a parcialidade do juiz através de exceção de impedimento ou suspeição. A apresentação poderá ser em conjunto ou individualmente, de acordo com o tipo de defesa que o réu

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tenha em mente. Poderá, também, o réu reconhecer o pedido formulado pelo autor, permitindo o julgamento imediato da lide. A resposta do réu tem grande importância no procedimento comum, pois

assegura o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa.

Contestação

De acordo com o art. 335 do CPC, o réu terá 15 dias para oferecer contestação escrita. Por se tratar da

principal defesa do réu, essa modalidade de resposta requer estudo mais detalhado. O Código de Processo Civil, ao privilegiar a conciliação ou mediação como a primeira etapa do processo, determina que a contestação somente poderá ser oferecida após a realização frustrada da audiência de conciliação/mediação ou nos casos em que seja cancelada por desinteresse das partes. Tal dispositivo se justifica na medida em que é mais provável que se consiga obter o acordo antes da defesa do réu do que em momento posterior, onde os ânimos estarão mais acirrados.

Na contestação, o réu deverá apresentar todas as possíveis matérias de defesa. É o princípio da eventualidade ou da concentração da defesa.

Importante ressaltar que, quando o réu apresenta um fato novo em sua defesa, o juiz distribui o ônus da prova acerca da existência ou não do fato. Se o réu alegar que a dívida foi paga parcialmente, deverá fazer prova do alegado sob pena de a respectiva defesa ser rejeitada pelo juiz.

A réplica aqui se constitui providência preliminar essencial para que se alcance a solução adequada da lide.

Por seu turno, o código permite ao réu deduzir novas alegações após o oferecimento da contestação nas hipóteses do art. 342. Assim, poderá o réu, em fase posterior à oferta da contestação, alegar direito ou fato superveniente; matérias de ordem pública que devem ser reconhecidas de ofício pelo juiz ou quando a lei autorizar sua alegação em qualquer tempo e grau de jurisdição, como ocorre com a incompetência absoluta (art. 64, §1º).

Além do princípio da eventualidade, o réu deverá observar também o princípio da impugnação

específica (art. 341), que estabelece que o réu deve se manifestar precisamente sobre todas as alegações do autor, sob pena de ser presumidas como verdadeiras as alegações não impugnadas.

Vamos entender esse princípio a partir de um caso concreto. Em determinada ação judicial, o autor alega que sofreu dano material e estético. O réu apresenta contestação e impugna, especificadamente, somente o dano material. Assim, as alegações referentes ao dano estético se tornaram incontroversas, por ausência de impugnação do réu, e serão presumidas como verdadeiras, nos termos do art. 341 do CPC.

As consequências decorrentes da inobservância do princípio da impugnação específica comportam exceções. São as exceções elencadas nos incisos do art. 341 do CPC. Também não se aplica a confissão ficta ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial.

Preliminares

O Código de Processo Civil de 2015 teve como premissa maior tornar mais célere a prestação da tutela jurisdicional, eliminando os diversos incidentes processuais característicos do Código de 1973. Algumas defesas processuais, como a impugnação ao valor da causa, a impugnação à gratuidade de Justiça ou à incompetência relativa, que anteriormente eram veiculadas através de incidentes processuais, passaram a ser arguidas na própria contestação, eliminando formalidades desnecessárias. Assim, algumas defesas

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processuais necessitam de uma abordagem mais detalhada, em razão mesmo das peculiaridades de sua arguição em sede de contestação.

a) Incompetência absoluta e relativa

A incompetência é uma das principais defesas processuais a ser arguidas pelo réu. A incompetência absoluta, que se caracteriza pelo descumprimento dos critérios de sua fixação (em razão da pessoa, matéria e função), viola o interesse público, sendo, portanto, insanável. Por se tratar de interesse público, pode ser arguida em qualquer tempo e grau de jurisdição (art. 64, §1º). A incompetência relativa, por sua vez, é caracterizada pelo descumprimento de critérios que atendem aos interesses das partes (em razão do território e do valor da causa), e pode ser sanada devido ao silêncio da parte ré.

O CPC/2015 simplificou a forma de arguição dessa modalidade de defesa processual, determinando que o réu alegue em sua contestação tanto a incompetência absoluta como também a relativa, conforme redação do art. 337, II.

O réu terá o prazo de 15 dias para arguir a incompetência (absoluta e relativa). As consequências do silêncio do réu, no entanto, serão diferentes para uma e para outra. Se o réu não arguir a incompetência absoluta no referido prazo, poderá arguir em outro momento, arcando, no entanto, com as custas processuais em razão da demora.

O mesmo não ocorre na incompetência relativa. Segundo o art. 65 do CPC, a incompetência relativa será prorrogada se o réu não alegar o vício em preliminar de contestação. Significa dizer que o foro, que até então era incompetente, passa a ser competente em razão do silêncio do réu.

Por se tratar de interesse das partes, somente o réu pode alegar a incompetência relativa, sendo vedado ao juiz reconhecer de ofício, conforme verbete da Súmula nº 33 do Superior Tribunal de Justiça, mantida mesmo na vigência do CPC/2015.

Oferecida contestação com preliminar de incompetência formulada, o juiz, após o devido contraditório, apreciará a questão, e, se for acolhida, declinará de sua competência para o órgão jurisdicional competente. Trata-se de defesa processual dilatória que retardará o processamento da causa, mas não acarretará a extinção do processo.

O réu poderá oferecer contestação com preliminar de incompetência no foro de seu domicílio. Cuida-se de hipótese que tem como escopo facilitar a defesa processual do réu nos casos em que a dificuldade de deslocamento do mesmo possa impedir-lhe de exercer o contraditório e a ampla defesa (art. 340). Para compreender melhor a hipótese em estudo, pense no caso de o autor ajuizar, erroneamente, a demanda em Manaus, mas o réu residir no Espírito Santo. Nesse caso, o réu poderá apresentar sua contestação no foro de seu domicílio (Espírito Santo), não mais necessitando se deslocar para Manaus.

A contestação será distribuída para um dos juízos no foro do domicílio do réu, e este ficará incumbido de informar o juízo onde a causa tramita (art. 340, §1º). Caso a incompetência seja reconhecida, o juízo onde a contestação foi distribuída ficará prevento para julgamento da causa.

b) Incorreção do valor da causa

c) Indevida concessão da gratuidade de Justiça d) Ilegitimidade e mudança no polo passivo

O réu poderá, ainda, alegar sua ilegitimidade passiva para a causa. Para tanto, deverá alegar, em preliminar de contestação, que não é parte legítima para a causa ou que não foi o causador do prejuízo alegado pelo autor. Nesse caso, o juiz ouvirá o autor sobre a possibilidade de substituição do polo passivo (art. 338). Essa regra permite ao autor corrigir o polo passivo e prosseguir regularmente com a demanda em face do verdadeiro réu.

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

Há casos em que o autor, ao elaborar sua petição inicial, não conta com informações suficientes quanto ao causador do dano e o réu apontado equivocadamente poderá contribuir, ao alegar essa defesa, para que o autor corrija o defeito.

Imagine a seguinte hipótese: o proprietário de um imóvel pretende ingressar com uma ação para obter reparações dos danos ocasionados pelo vazamento de água do imóvel vizinho. Sem saber ao certo quem é o verdadeiro proprietário, ajuíza ação em face do caseiro ou de qualquer outro prestador de serviços domésticos. Nesse caso, o meio adequado para que o caseiro alegue sua ilegitimidade é oferecer contestação arguindo em preliminar sua ilegitimidade.

Do ponto de vista procedimental, a arguição de ilegitimidade passiva poderá ter dois encaminhamentos possíveis. O primeiro diz respeito à alegação de ilegitimidade pelo réu, que indica o verdadeiro sujeito passivo (art. 339). Nessa hipótese, o autor poderá aceitar a indicação, no prazo de 15 dias, e requisitar a substituição no polo passivo. Poderá também o autor, em vez de requerer a substituição, optar pela inclusão do indicado como litisconsorte passivo do réu originário. Se assim fizer o autor, mesmo nos casos em que o réu alegue em preliminar de contestação que é parte ilegítima para a causa, o processo prosseguirá com a parte ré originária acrescida do litisconsorte indicado na defesa.

O código impõe ao réu que alegar a ilegitimidade o dever de indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida em juízo, sob pena de arcar com as custas do processo e ainda indenizar o autor pelos danos decorrentes da falta de indicação. Contudo, há situações em que o réu não sabe, de fato, quem é o verdadeiro réu. Para não sofrer as consequências processuais aqui mencionadas, deverá o réu afirmar expressamente seu desconhecimento, ocasião em que o juiz facultará ao autor substituir o polo passivo, no prazo de 15 dias. Caso seja realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas pagas pelo réu excluído e os honorários de seu advogado.

Reconvenção

O réu pode, além de se defender, demandar em face do autor utilizando a mesma relação processual. Trata-se de um verdadeiro contra-ataque do réu contra o autor no mesmo processo. No regime anterior (CPC/1973), a reconvenção era apresentada em uma petição autônoma. O réu que pretendesse reconvir deveria oferecer contestação juntamente com a reconvenção.

O Código de Processo Civil de 2015 simplificou o procedimento da reconvenção, permitindo que o réu ofereça, na mesma petição, contestação e reconvenção conforme dispõe o art. 343. Todavia, a inclusão da

reconvenção como um capítulo da contestação não lhe retira a autonomia, que permanece mesmo no código vigente. Assim, o réu poderá contestar e reconvir, ou somente reconvir (343, §6). Essa autonomia é reforçada no art. 343, §2º, ao dispor que a desistência ou a extinção da ação principal não impede o prosseguimento da reconvenção. São duas demandas que tramitam no mesmo processo.

A reconvenção tem como fundamento primeiro a economia processual. Assim, nos casos em que a pretensão do réu tiver conexão com a ação principal ou com os fundamentos da defesa, este poderá veicular sua demanda no bojo da contestação, ou em peça autônoma, em face do autor. Para entender melhor, pensemos numa situação em que o autor ajuíza uma ação de cobrança, no valor de R$100.000,00, em face do réu, e este se defende (contestação), dizendo que a dívida já foi paga, e aduz ainda que o autor é o devedor da quantia de R$20.000,00. O réu, portanto, aproveita a própria demanda ajuizada pelo autor e formula sua pretensão (cobrança dos R$20.000,00).

Além desses requisitos, para que a reconvenção seja admitida, faz-se necessário que o juiz seja competente tanto para a ação principal como para a reconvenção. Será necessário, ainda, que haja a compatibilidade de procedimentos. Não se admite, por exemplo, que a demanda principal tramite pelo procedimento comum e a reconvenção tenha uma pretensão que tenha procedimento especial definido em lei.

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

O último requisito diz respeito ao prazo. O réu deverá reconvir, necessariamente, no prazo de 15 dias. Ultrapassado esse prazo, deverá o réu ajuizar ação própria, com livre distribuição, em face do autor.

Reconvir é ato processual exclusivo do réu em face do autor. No período anterior ao CPC/2015, havia forte divergência doutrinária e jurisprudencial acerca da possibilidade de se reconvir em face de terceiros

que não integrem a relação processual. O código superou a divergência, admitindo expressamente a

reconvenção em face de terceiros (art. 343, §3º). Assim, o réu poderá reconvir em face do autor e de terceiro. Para melhor entendimento dessa hipótese, pense numa situação em que um dos locadores propõe ação de cobrança de aluguel em face do locatário, e este contesta e oferece reconvenção, pleiteando a rescisão do contrato de locação em face do autor e de outro locador que, por algum motivo, não integrou a lide.

A reconvenção, portanto, permite a ampliação subjetiva da demanda para incluir terceiro, no polo passivo da demanda reconvencional, que até então não havia sido incluído na relação processual. Trata-se de importante inovação do CPC/2015, que contribuirá para a adequada solução de diversas situações jurídicas, sobretudo as que versem sobre direito imobiliário.

O código também cuida de uma hipótese sem antecedentes em nosso ordenamento processual. O art. 343, §5º, regula a reconvenção em face do substituto processual. Essa hipótese legal diz respeito aos casos em que o réu pretende reconvir em face do substituído, mas o código admite que a reconvenção seja redirecionada para o substituto processual. Imagine que alguém tenha autorização legal para estar em juízo defendendo direito alheio. Ainda que o réu queira reconvir em face do autor, poderá fazê-lo mesmo em face do substituto, se demonstrar que existe direito que o ampare.

A reconvenção é cabível não só no procedimento comum, mas também em alguns procedimentos especiais. Admite-se, por exemplo, reconvenção no procedimento monitório (art. 702, §6º, do CPC). No entanto, não se admite reconvenção nas denominadas ações dúplices. As ações dúplices são aquelas em que o réu pode formular pedido na própria contestação, independentemente de reconvenção. Nas ações dúplices, o juiz tutelará não o autor, mas a parte que necessitar da respectiva tutela jurisdicional, dispensando-se a reconvenção. São exemplos de ações dúplices: as ações possessórias (art. 556) e a ação de consignação em pagamento (art. 545, §2º). Em ambos os casos, o autor poderá ser condenado em razão da contestação oferecida pelo réu.

Por fim, cabe discorrer sobre o procedimento da reconvenção. Uma vez proposta a reconvenção, o autor-reconvindo será intimado, na pessoa de seu advogado (art. 343, § 1º), para apresentar resposta no prazo de 15 dias. A intimação será feita em nome do advogado, para dinamizar o processamento da demanda. Por essa razão, o código determina que o advogado inclua na procuração o endereço eletrônico e não eletrônico. O autor-reconvindo poderá utilizar todas as modalidades de respostas admitidas no Código de Processo Civil. Poderá, inclusive, apresentar reconvenção da reconvenção.

Caso a reconvenção seja rejeitada liminarmente, o réu-reconvinte poderá interpor recurso de agravo de instrumento nos termos do art. 1.015, II, do CPC. Se, porventura, a ação principal for extinta, por algum fato extintivo, ou o autor desista, a reconvenção prosseguirá, independentemente da extinção da ação principal. Tramitando as duas ações em conjunto (principal e reconvencional), o juiz deverá julgar as duas conjuntamente.

Revelia

Frustrada a audiência de conciliação/mediação, o réu deverá se manifestar sobre a pretensão autoral através de uma das modalidades de resposta estudadas em aula própria. O réu poderá: a) ficar inerte; b) reconhecer o pedido; c) contestar; e d) excepcionar (suspeição e impedimento). O réu poderá, também, em atenção ao princípio da eventualidade, apresentar contestação, reconvenção e exceção de impedimento e suspeição. Contudo, se não oferecer contestação, será declarado revel.

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

Importante esclarecer que o réu tem ônus de contestar e não dever, ou seja, o réu não é obrigado a apresentar contestação. No entanto, assumirá as consequências processuais de sua inércia caracterizada

pela revelia, que, no procedimento comum, é a ausência de contestação do réu. O simples fato de o réu não

apresentar contestação incide a revelia e seus efeitos. Ainda que o réu apresente reconvenção, a revelia

será decretada pelo juiz. Nos juizados especiais cíveis estaduais, diferentemente do que ocorre no

procedimento comum, a revelia ocorrerá quando o réu não comparecer à quaisquer das audiências designadas, ainda que a contestação tenha sido juntada aos autos.

Decretada a revelia pelo juiz, seus efeitos materiais e processuais irradiarão pelo processo. O efeito

material da revelia corresponde à presunção de veracidade dos fatos articulados pelo autor na petição inicial (art. 344). Significa dizer que se o autor alegar que o réu lhe causou danos materiais e não houver

contestação, o decreto da revelia tornará tal alegação presumida verdadeira, convertendo-a em confissão ficta. Essa presunção não é absoluta, podendo ser produzida prova em contrário. Por exemplo: se em determinada demanda o autor pretende obter reparação por danos materiais em face do réu, caso a revelia seja decretada e o autor não produza provas suficientes do alegado, o juiz julgará improcedente o pedido do autor, a despeito da revelia decretada.

Os efeitos processuais da revelia são: a) os prazos do revel que não tenha patrono nos autos fluirão a partir da data da publicação do ato no Diário Oficial (art. 346) e b) julgamento antecipado do mérito, nos termos do art. 355, II, do CPC. O primeiro efeito processual da revelia ocorrerá somente nos casos excepcionais, pois o réu será intimado, primeiramente, a comparecer à audiência de conciliação/ mediação, na qual a presença dos advogados das partes é obrigatória (art. 344, §9º, do CPC).

Os efeitos da revelia não incidirão nas hipóteses elencadas no art. 345 do CPC.

O art. 345, I, trata da hipótese em que há pluralidade de réus e um deles contesta a ação. O principal objetivo é impedir que o réu diligente não seja prejudicado pela desídia dos demais réus. A exceção aqui referida é dirigida ao litisconsórcio unitário, pois o juiz deverá tratar de forma equânime os réus.

A segunda exceção trata dos direitos indisponíveis (art. 345, II). Os efeitos da revelia não incidirão nas demandas que tratam de direitos indisponíveis, ainda que o juiz a decrete. Podemos citar como exemplo as ações de estado (divórcio, alimentos, guarda etc.). Por se tratar do estado de pessoas, o legislador achou, por bem, excluir os efeitos da revelia nesses casos. Por exemplo: em uma ação de divórcio proposta pela esposa, ainda que o marido seja revel, não haverá o efeito material da presunção de veracidade acerca do alegado na inicial.

Não incidirão os efeitos da revelia se o autor não instruir a petição inicial com documento que a lei considere indispensável à prova do ato jurídico discutido em juízo. Essa hipótese pode ser mais bem compreendida a partir do seguinte exemplo: em um determinado processo, o autor formula uma pretensão reivindicatória de um imóvel em face do réu, mas não junta nenhuma prova da compra do mencionado imóvel. Nesse caso, mesmo o réu sendo revel, o juiz deixará de aplicar os efeitos em razão do que dispõe o art. 345, III, do CPC.

O juiz não aplicará os efeitos da revelia nos casos em que as alegações do autor não forem verossímeis ou estiverem em contradição com a prova dos autos. Cuida-se de hipótese que reforça os princípios da boa-fé processual (art. 5º do CPC) e da cooperação (art. 6º do CPC).

Por fim, se faz necessário abordar acerca da possibilidade de se aplicar a revelia e seus efeitos em face da Fazenda Pública. O art. 345, II, do CPC dispõe que não se aplicam os efeitos da revelia quando a demanda tratar de direitos indisponíveis. Considerando que a Fazenda Pública cuida do interesse público, o juiz, mesmo nos casos em que esta não apresente a contestação, decretará a revelia, mas não lhe aplicará seus efeitos.

Assim, não se admite a presunção de veracidade das alegações do autor (confissão ficta) em face da

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

demonstrar e comprovar as alegações formuladas na inicial, de modo a elidir a presunção de legitimidade dos atos administrativos realizados pela Fazenda Pública.

Também não se admite o julgamento antecipado do mérito nos termos do art. 355, II, do CPC. Exatamente por não existir presunção de veracidade em face da Fazenda Pública, o juiz deve permitir às partes uma ampla produção de provas. Entretanto, é possível que os fatos apontados na inicial estejam fartamente provados documentalmente nos autos de modo a autorizar a redução da atividade judicial, não em razão da revelia, mas por não haver mais necessidade de produção de novas provas.

Da não incidência dos efeitos da revelia

Como visto, nas hipóteses do art. 345 do CPC, a revelia será irrelevante, pois não produzirá nenhum de seus efeitos materiais (confissão ficta) ou processuais (dispensa de intimação do réu que não tiver patrono nos autos e julgamento antecipado do mérito). Nesses casos, o juiz decretará a revelia, mas ele não terá nenhum efeito para o réu revel.

Ocorrendo a revelia irrelevante, o juiz determinará que o autor especifique eventuais provas que pretenda produzir, além das que já houver produzido. Essa providência se faz necessária, pois não são raros os casos em que mesmo ocorrendo a revelia a pretensão do autor é julgada improcedente em razão de não restar demonstrada a existência do fato constitutivo do direito do autor.

Para melhor compreensão do tema, pense em determinado caso no qual o autor pretende obter indenização por danos materiais e estéticos em razão de ferimentos ocasionados por projétil disparado, acidentalmente, de arma de um policial militar. O Estado não apresentou contestação. Nessa hipótese, embora o juiz tenha de decretar a revelia, esta não incidirá seus efeitos, devendo prosseguir na instrução da causa, e julgar improcedente o pedido caso o autor não prove o fato constitutivo de seu direito.

Por esse motivo, o art. 348 determina que o juiz deverá ordenar à parte autora que especifique as provas que pretenda produzir nos casos em que a revelia decretada não irradie seus efeitos no processo. Cuida-se, nesse particular, de medida que tenciona garantir o pleno exercício da ampla defesa e do devido processo legal ao autor e ao réu nos casos de revelia irrelevante.

O art. 349 do CPC permite, ainda, ao réu revel, nos casos em que a revelia não incida seus efeitos, produzir provas com o intuito de as contrapor às alegações e provas produzidas pelo autor. Não há dúvidas, no entanto, de que a referida regra tem como escopo garantir o devido processo legal e a ampla defesa, que não podem ser desconsiderados mesmo nos casos de revelia. Ainda que o réu seja desidioso em realizar a sua defesa, o sistema processual lhe garante o pleno exercício da ampla defesa.

Assim, poderá o autor requerer prova documental superveniente, provas periciais, provas orais (depoimento pessoal e inquirição de testemunhas), enfim, todo e qualquer meio de prova admitida em direito, mesmo após a decretação da revelia do réu, com o objetivo de permitir a plena comprovação da existência dos fatos articulados pelo autor em sua petição inicial.

A revelia enseja, ainda, uma providência preliminar específica quando o revel estiver preso ou foi citado por edital. Nesse caso, conforme disposição do art. 72, II, do CPC, o juiz deverá determinar a nomeação de um curador especial para defender, ainda que por negativa geral, os interesses do demandado. Tal providência será cabível mesmo nos casos em que a revelia enseja seus regulares efeitos.

Audiência de conciliação e mediação

Buscando superar uma cultura litigante, o Código de Processo Civil de 2015 estabeleceu, como etapa anterior ao contraditório, a audiência de conciliação ou mediação. A proposta do legislador é permitir que as

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

partes compareçam a uma audiência de conciliação ou sessão de mediação antes mesmo de o réu apresentar sua defesa.

O art. 334 do CPC diz que o réu será citado e intimado a comparecer à audiência de conciliação ou mediação. Conforme o art. 334, §4º, a audiência de conciliação ou mediação somente não ocorrerá se tanto

o autor como o réu manifestarem expressamente o desinteresse em sua realização. Se apenas uma das

partes se manifestar em sentido contrário à realização, ainda assim o procedimento ocorrerá.

Caso o autor não tenha interesse na realização da audiência, deverá se manifestar expressamente na petição inicial. Se o autor elaborar sua petição inicial e não se manifestar expressamente acerca de seu interesse na realização do ato, o juiz concluirá em sentido positivo. O réu tem o prazo de até 10 dias, antes da audiência designada, para se manifestar. O silêncio de ambas as partes acarretará manutenção da audiência designada e a ausência ensejará a aplicação de multa de 2% do valor da causa em favor do Estado (§8º).

Nos casos em que houver litisconsortes, somente será dispensada a audiência de mediação se todos

manifestarem expressamente seu desinteresse. Se um autor ajuizou uma ação contra quatro réus, todos,

além do próprio autor, devem se manifestar em sentido contrário à realização da audiência, pois, se assim não for, o juiz designará a audiência e as partes que faltarem sem a devida justificativa serão penalizadas com multa já referida.

O art. 334, §4º, II, dispõe que a audiência de conciliação/mediação também não será realizada se o direito controvertido não admitir autocomposição. São raras as hipóteses em que não se admite autocomposição. Um exemplo dessas hipóteses diz respeito às ações contra a Fazenda Pública. Em tese, o interesse público discutido em juízo impede que a advocacia pública transija sobre os interesses públicos. No entanto, a Lei nº 13.140/2015 dispõe sobre autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública, ampliando as possibilidades de solução consensual em relação à Fazenda Pública. Assim, a impossibilidade de realização da audiência de conciliação/mediação tem seu alcance reduzido na prática forense.

Faz-se necessário, ainda, diferenciar as hipóteses em que haverá audiência de conciliação das que terão sessões de mediação. O Código de Processo Civil não é claro nesse aspecto. No entanto, sua interpretação sistemática sugere um entendimento razoável sobre o tema. Segundo o art. 165, §2º, a conciliação será

indicada para os casos em que não existir vínculo anterior entre as partes. Já a mediação será indicada nos casos em que houver um vínculo anterior entre as partes.

As partes devem comparecer acompanhadas de advogado ou defensor público (art. 334, §9º do CPC). Essa regra tem como escopo garantir que nenhuma parte fique vulnerável na provável elaboração do acordo. Nesse sentido, a parte poderá constituir representante com poderes específicos para negociar e transigir (art. 334, §10 do CPC). Essa regra é importante, considerando que há profissionais da advocacia com experiência em solução consensual de conflitos cuja atuação pode ser fundamental na solução da lide por essa via. Nada impede, portanto, que, após a frustração da audiência de conciliação/mediação as partes possam outorgar poderes para advogados com mais preparo para o contencioso cível.

O código valoriza a conciliação e mediação como formas consensuais de solução de conflito (art. 3º, §§2º e 3º do CPC). Por esse motivo, o código estabeleceu como etapa preliminar do procedimento comum com claro objetivo de aprimorar a prestação da tutela jurisdicional pela autocomposição. Além da audiência de conciliação e mediação, prevista no art. 334 do CPC, o ordenamento processual estabelece que a mediação é obrigatória nas ações de família (arts. 694 a 697 do CPC), somente tramitando pelo procedimento comum nos casos em que, após diversas tentativas, não for possível obter o acordo. Tais dispositivos legais evidenciam a importância que esses meios de solução de conflito ganharam no CPC/2015.

Por fim, a audiência de conciliação e mediação poderá ser realizada por meio eletrônico. Embora essa técnica ainda não tenha plena aplicabilidade em todo o país, dúvida não há quanto a seu potencial para dinamizar a solução consensual de conflitos no Brasil.

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

Audiência de instrução e julgamento

Após a realização da fase instrutória, o processo avançará para a fase decisória. É neste contexto que a audiência de instrução e julgamento se constitui como ato processual relevante. Trata-se de ato processual

complexo onde o juiz, fazendo uso do poder de polícia que lhe é inerente (art. 360), conduzirá os trabalhos de colheita de prova oral e debates finais da causa.

Instalada a audiência, o juiz tentará, mais uma vez, conciliar as partes (art. 359). A regra evidencia a aposta do Código nos meios de autocomposição de conflito. É o momento derradeiro para que as partes, diante do julgador da causa e após extensa atividade probatória, possam optar por uma forma de autocomposição que atenda melhor os interesses de ambas.

Antes de avançar no estudo desse importante ato processual, se faz necessário registrar que a principal finalidade da audiência de instrução e julgamento é a colheita de prova oral (depoimento pessoal e inquirição de testemunhas). Se não houver necessidade de produção de prova oral, a audiência será

dispensada (art. 361).

A audiência poderá ser adiada nas hipóteses elencadas no art. 362 do CPC. O adiamento poderá ser convencionado pelas próprias partes (art. 361, I). O Código privilegiou possibilitar às partes mais protagonismo na condução do processo, e tal regra evidencia essa postura. Nesse caso, as partes devem formular requerimento em conjunto explicitando os motivos que justificam o adiamento.

A segunda hipótese de adiamento ocorrerá quando a pessoa que deva, necessariamente, participar não puder comparecer (art. 362, II). Essa causa de adiamento pode ocorrer quando, por exemplo, a parte intimada a realizar depoimento pessoal, ou mesmo uma testemunha, devidamente intimada (art. 455, §§1º e 4º), estiver impossibilitada de comparecer. Nesse caso específico, a parte deverá comprovar o impedimento até a abertura da audiência (art. 362, §1º). Se a parte não informar o impedimento tempestivamente o juiz procederá a instrução sem a pessoa impedida.

No caso de impedimento do advogado, o juiz dispensará a produção da prova requerida pela parte. Por exemplo, se a parte autora arrolou seis testemunhas para ser inquiridas e na semana anterior à data designada para audiência o advogado é internado e não informa o impedimento até a abertura da audiência, o juiz realizará a instrução da causa e dispensarão as seis testemunhas presentes (art. 362, §2º). Não obstante a regra, o juiz poderá reconsiderar a decisão se o advogado demonstrar que ficou impossibilitado de fazê-lo.

A audiência será adiada, também, se houver atraso injustificado de seu início por mais de 30 minutos do horário marcado. Para que seja admitido o adiamento da audiência por tal motivo, se faz necessária a

expedição da certidão cartorária acerca do atraso. Contudo, se o atraso decorrer do número excessivo de depoimentos e testemunhas da audiência anterior, a regra não incidirá.

Independentemente do motivo, a parte que deu causa ao adiamento arcará com as despesas acrescidas.

Dinâmica da audiência de instrução e julgamento

Aberta a audiência e não havendo a hipótese de autocomposição, o juiz determinará a produção de prova oral, ouvindo as partes e testemunhas, observando a seguinte ordem preferencial: a) esclarecimentos do perito e dos assistentes técnicos (art. 361, I); b) depoimento pessoal do autor e do réu; c) testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu. Nessa etapa da instrução, os advogados poderão indagar, após suas manifestações, os peritos, as partes e as testemunhas sobre fatos da causa.

A audiência é una e indivisível (art. 365). Significa dizer que não poderá ser cindida ou fracionada, de

modo que haja inquirição das testemunhas do autor num dia e a do réu em outro. Por ser um ato processual complexo, a audiência deve ser realizada em um só dia, com a instrução e as alegações finais colhidas no

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XXXII EXAME / 1ª FASE OAB

mesmo dia. Há, todavia, hipóteses em que a audiência poderá ser cindida, excepcionalmente, nos casos de ausência de perito ou testemunha, desde que haja justificativa plausível e as partes estejam de acordo.

Finda a colheita da prova oral, o juiz dará a palavra aos advogados do autor e do réu para se manifestarem em alegações finais, sucessivamente, pelo prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10 minutos. Encerrados os debates, o juiz, se tiver condições de fazê-lo, proferirá sentença em audiência ou no prazo de 30 dias, conforme dispõe o art. 366 do CPC.

Se a causa apresentar complexidade de fato e de direito, as alegações finais orais poderão ser substituídas por memoriais (alegações finais por escrito) em prazos sucessivos de 15 dias (art. 364, §2º). Apresentados os memoriais, o juiz proferirá sentença.

O CPC/2015 trouxe uma importante inovação no que tange ao registro da audiência. Conforme dispõe o art. 367 do CPC, a audiência poderá ser gravada, em imagem e áudio, pelo próprio órgão judicial (art. 367, §5º) ou até mesmo diretamente pelas próprias partes, independentemente de autorização judicial. A regra é importante pois assegura às partes a gravação desse ato processual, impedindo a prática de arbitrariedades levadas a efeito pelo julgador.

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