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PODER JUDICIÁRIO SÃO PAULO

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PODER JUDICIÁRIO

SÃO PAULO

SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL

Décima Câmara

APELAÇÃO SEM REVISÃO N0 590.716-0/1 - PINDAMONHANGABA Apelante: Siqueira & Coimbra Representações e Exportação Ltda. Apelada Edith Alves Moreira

AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O julgamento antecipado e/ou no estado da lide atendeu ao prudente arbítrio do julgador. Não houve cerceamento de defesa de qualquer ordem. Sentiu-se habilitado à entrega da prestação jurisdicional diante das provas existentes. Trata-se de ação instruida com robusta prova material que lhe ofereceu elementos de convicção e a possibilidade do julgamento no estado da lide.

DESPACHO SANEADOR. QUESTÃO DEFINIDA. PRECLUSÃO. Salta à evidência que a argüição de nulidade por cerceamento de defesa, pela não colheita dos depoimentos das testemunhas, não procede, por se tratar de questão já definida e contra a qual não houve contrariedade de qualquer ordem, sequer recurso pertinente. Quando a parte não pratica o ato ou o realiza fora do tempo, de forma irregular ou incompleta, perde a faculdade de assim agir. É o que a doutrina denomina de preclusão.

PERÍCIAS GRAFOTÉCNICA E CONTÁBIL. FRAUDE. RESPONSABILIDADE. A conclusão do laudo pericial grafotécnico é incisiva e não deixa dúvida de qualquer ordem.

LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. Caracterização. Age com desapreço à Justiça e ao seu adversário a parte que opõe resistência injustificada ao impulso do processo, com evidente propósito de protelação. A conduta revela a temeridade no procedimento negativo com que exerce sua defesa.

CRIME DE FALSIDADE. EVIDÊNCIA. INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. Corretas a condenação pela litigância de má-fé, não merecendo reparo o porcentual fixado, e a determinação de remessa de cópias à Autoridade

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Décima Câmara

Policial para instauração de inquérito policial pela prática de ato criminoso.

Voto n0 4.267

Visto.

EDITH ALVES MOREIRA ingressou com Ação de Despejo por Falta de Pagamento contra SIQUEIRA & COIMBRA REPRESENTAÇÕES, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LGDA., qualificação e caracteres das partes nos autos, objetivando o recebimento dos alugueres vencidos desde abril de 1997, com os encargos legais, referentes ao imóvel

residencial situado na Rua dos Andradas, n0 305, ap. 51,

Centro, em Pindamonhangaba/SP.

Formalizada a angularidade a Requerida apresentou defesa sustentando a inexistência do débito, em face de pagamento antecipado. Seguiu-se a impugnação com alegação de falsidade. Em saneador foram autorizadas as provas periciais grafotécnica e contábil que, realizadas, distintamente, passaram a instruir o processo, manifestando-se as partes.

Houve entrega da prestação jurisdicional que, julgando procedente a pretensão, declarou rescindido o contrato de locação, concedeu 15 dias para desocupação voluntária, e condenou a Requerida ao pagamento dos alugueres vencidos a partir de 22.4.97, com multa moratória, até a desocupação do prédio, e atualização desde o vencimento de cada parcela, acrescidos de juros de mora, multa contratual compensatória, honorários advocatícios de 20% sobre o valor do débito, custas e despesas processuais e honorários periciais.

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alugueres; reconheceu a atuação da Requerida como litigante temerária, impondo-lhe multa de 20% sobre o valor atualizado da causa, e determinou a extração de cópias das principais peças do processo, para remessa à Autoridade Policial, requisitando-se instauração de inquérito pelo crime de falso.

SIQUEIRA & COIMBRA REPRESENTAÇÕES,

IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO1 interpôs recurso. Argüiu

preliminar de nulidade da sentença por se encontrar “...

comprovado (...) que houve o CERCEAMENTO DE DEFESA, pois as testemunhas arroladas pelo ora Recorrente, é indispensável para o julgamento ...” (folha 155)

.

No mérito persegue a reforma da sentença com análise dos pontos que entendeu adversos ao seu propósito.

EDITH ALVES MOREIRA refutou a preliminar e contrariou a matéria de mérito, defendendo o acerto da decisão.

É o relatório, adotado no mais o da r. sentença.

O despacho saneador proferido em audiência deferiu a produção das provas periciais grafotécnica e contábil, a documental e a oral. As provas técnicas foram realizadas e a documental restou satisfeita; a oral recebeu caráter subsidiário para sustentação da documental. Por isso o MM. Juiz entendeu prejudicada a audiência onde seria colhida a prova oral, e concedeu às partes oportunidade para manifestação em cinco dias. O Cartório, vencidas as diligências, certificou:

“... Certifico e dou fé que decorreu o prazo legal para as partes ...” (folha 143v.).

Salta à evidência que a argüição de nulidade por cerceamento de defesa, pela não colheita dos depoimentos das testemunhas, não procede, por se tratar de questão já definida e contra a qual não houve contrariedade de qualquer ordem, sequer recurso

1 - No processo consta: Siqueira & Coimbra Representação e Exportação Ltda. – folha 151.

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pertinente.

Quando a parte não pratica o ato ou o realiza fora do tempo, de forma irregular ou incompleta, perde a

faculdade de assim agir2. É o que a doutrina denomina de

preclusão.

“Dada por encerrada a instrução, e não interpondo o interessado recurso contra essa declaração, a questão cai em preclusão 3“.

A verificação da necessidade ou não da produção de qualquer prova está a cargo do Magistrado. Somente ele (Juiz), pelo livre convencimento diante dos elementos existentes nos autos, pode estabelecer se é o caso de instrução ou de julgamento antecipado.

O julgamento antecipado e/ou no estado da lide atendeu ao prudente arbítrio do julgador. Não houve cerceamento de defesa de qualquer ordem. Sentiu-se habilitado à entrega da prestação jurisdicional diante das provas existentes. Cumpriu a norma do artigo 330, do Código de Processo Civil4.

Trata-se de ação instruída com robusta prova material que lhe ofereceu elementos de convicção e a possibilidade do julgamento no estado da lide. O Juiz, perto dos fatos e ciente das provas até então produzidas, tinha elementos suficientes para fazer a entrega da prestação jurisidicional.

“Julgamento antecipado da lide. Presentes os requisitos legais (artigo 330 do Código de Processo Civil) e as condições que ensejam o julgamento antecipado da causa, é dever do juiz, e não mera faculdade de assim proceder. Procedente Jurisprudencial. Presença de elementos hábeis a possibilitar o julgamento da matéria no estado em que se encontrava. Inexistência de Cerceamento

de Defesa. Recurso desprovido 5”.

2 - Código de Processo Civil, artigo 473.

3 - 2º TACivSP - Ap. s/ Rev. 493.174 - 3ª Câm. - Rel. Juiz JOÃO SALETTI - J. 24.7.97.

4 - Art. 330. O juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença: I - quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência.

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No mérito, como ponderou a Apelada, são

infundados os motivos do recurso (folha 163). Isto porque a

sentença enfrentou com propriedade os pontos controvertidos e analisou com serenidade as provas técnicas e documentais dos autos.

O ponto controvertido principal da questão ficou definido na validade ou não do documento de folha 25, intitulado “Recibo de Aluguel nº 2391”, onde se encontram identificados os valores que teriam sido destinados aos impostos dos exercícios de 1996/1998 e às despesas de condomínio de abril de 1997 a julho de 1998.

Por ele a Apelante teria honrado seus compromissos e, por isso, a Apelada seria litigante de

má-fé, “... tendo em vista, que vem socorrer a esta casa de Justiça, para

receber alugueres que já foram pagos ...” (folhas 21/22; destaques do

original).

A conclusão do laudo pericial grafotécnico é incisiva e não deixa dúvida de qualquer ordem:

“... Após todos estudos técnicos realizados, podemos concluir com isenção, imparcialidade e com absoluta segurança:

“A grafia lançada no recibo de R$9.500,00 – de fls. 25, não é originária do punho do sr. João Eduardo Tamborindeguy Fernandes ...” (folha 102; destaques do original).

Antes, entre outros relevantes pontos, havia estabelecido o Perito Judicial sobre a análise das grafias padrão e questionada:

“... Reiteramos que qualquer das assinaturas selecionadas serviria perfeitamente como base para as comparações técnicas, pois o padrão permaneceu inalterado por muitos anos. Iniciamos, confrontando o autógrafo questionado, com uma das assinaturas lançadas na ´Folha de Coleta de Padrões´, anexada no final deste laudo:

(Seguem fotos)

“Observa-se, já à primeira vista, a divergência na gênese dos traços e nos valores angulares e curvelíneos.

v.u.

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Enquanto que na grafia questionada as linhas são aglutinadas (muito perto umas das outras), na autêntica guardam um espaçamento visível. As curvas superiores são

arredondadas no padrão e agudas na questionada ...” (folha

95; destaque do original).

A prova técnica contábil também é conclusiva:

“... A cópia da página 1 apresentada no Processo não corresponde com a entregue na Secretaria da Receita

Federal em 29/04/1998, recebida pelo Banespa ...” (folha

130).

“... Ao solicitar o livro contábil real, fui informado que este não condiz com a realidade da empresa. Portanto este relatório não pode ser considerado como um documento contábil ...” (folha 130).

Esses valores técnicos tornam desnecessária a apreciação substancial da matéria sobre a disponibilidade financeira, de maneira especial porque, facultada a comprovação, inclusive dos recursos evidentes que poderiam dar maior credibilidade, a parte quedou-se inerte. Daí a afirmação da sentença:

“... Silenciando sobre esse último (como se vê, nos dias atuais, alguma pessoa jurídica desenvolvesse seus negócios sem isso), trouxe aos autos aquilo que seria o resumo de sua declaração de ajuste anual do imposto de renda no ano-base de 1977 (fls. 81), com esse querendo

demonstrar a capacidade econômica ...” (folha 147).

Correta a condenação pela litigância de má-fé, não merecendo reparo o porcentual fixado, nem a determinação de remessa de cópias à Autoridade Policial para instauração de inquérito policial pela prática de ato criminoso.

A Apelante valeu-se da própria inadimplência para tumultuar a ordem do procedimento e evitar honrar a obrigação, usando do processo para conseguir objetivo ilegal e opondo resistência injustificada ao seu andamento, procedendo de modo temerário. Renitente, adotou conduta negativa que caracteriza a litigância de má-fé.

Sem justa causa tentou obstar o livre desenvolvimento da atividade jurisdicional para prejudicar

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seu adversário. O modus agendi evidencia a intenção de

procrastinar ou, quem sabe, utilizar-se da Justiça para alcançar propósitos não aclarados.

"Caracteriza litigância de má-fé o intuito meramente procrastinatório do impetrante que opõe injustificável resistência ao andamento da ação de despejo, sujeitando-se à indenização prevista no artigo 18 do Código de Processo Civil 6".

"Afronta a literalidade do artigo 17, V, do Código de Processo Civil, a conduta dolosa da parte que se utiliza de expediente protelatório, com a intenção de retardar o andamento do processo, causando dano à parte contrária 7".

Em face ao exposto, rejeita-se a matéria preliminar e nega-se provimento ao recurso.

IRINEU PEDROTTI Relator

6 - 2º TACivSP - MS 447.569 - 6ª Câm. - Rel. Juiz PAULO HUNGRIA - J. 13.2.96. 7 - 2º TACivSP - AI 522.452 - 6ª Câm. - Rel. Juiz CARLOS STROPPA - J. 27.5.98.

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Ana Sani é Professora Associada da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (UFP); Doutorada em Psicologia da Justiça pela Universidade do