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JOÃO PAULO ALBUQUERQUE DOS SANTOS

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

MESTRADO EM CIÊNCIA ANIMAL

JOÃO PAULO ALBUQUERQUE DOS SANTOS

HIDRATAÇÃO ENTERAL ADMINISTRADA EM FLUXO CONTÍNUO EM ASININOS (Equus asinus africanus) DESIDRATADOS EXPERIMENTALMENTE.

MOSSORÓ 2020

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JOÃO PAULO ALBUQUERQUE DOS SANTOS

HIDRATAÇÃO ENTERAL ADMINISTRADA EM FLUXO CONTÍNUO EM ASININOS (Equus asinus africanus) DESIDRATADOS EXPERIMENTALMENTE.

Dissertação apresentada ao Mestrado em Ciência Animal do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade Federal Rural do Semi-Árido como requisito para obtenção do título de Mestre em Ciência Animal.

Linha de Pesquisa: Sanidade Animal

Orientador: Prof. Dr. Raimundo Alves Barrêto Júnior

MOSSORÓ 2020

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca Central Orlando Teixeira (BCOT)

Setor de Informação e Referência (SIR)

Setor de Informação e Referência

Bibliotecário-Documentalista

Nome do profissional, Bib. Me. (CRB-15/10.000) Santos, João Paulo Albuquerque

HIDRATAÇÃO ENTERAL ADMINISTRADA EM FLUXO CONTÍNUO EM ASININOS (Equus asinus africanus) DESIDRATADOS EXPERIMENTALMENTE./ João Paulo Albuquerque dos Santos – Mossoró, 2020.

38f:il.

1. Jumentos. 2. Reposição hidroeletrolítica 3. Reidratação enteral. 4 Balanço hidroeletrolítico. 5. Fluxo continuo.

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DADOS CURRICULARES DO AUTOR

JOÃO PAULO ALBUQUERQUE DOS SANTOS – Nascido em 03 de janeiro de

1994, na cidade de Paracuru – CE, filho de Ana Angélica Sousa Albuquerque, servidora pública municipal, professora e de Adalberto Pereira dos Santos, autônomo, caminhoneiro e agricultor. Iniciou sua vida escolar na Escola Moderna de Paraipaba, cursou o ensino fundamental séries finais no Centro Integrado de Ensino de Paraipaba – CIEP (Paraipaba – CE). O ensino médio oficial, se deu na Escola Estadual de Ensino Médio Engenheiro Ageu Romero (Paraipaba – CE), ocasião em que participou do programa Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará – SPAECE, recebendo, por dois anos consecutivos (2009/2010), uma das melhores notas das escolas públicas do estado do Ceará. Na mesma escola, nos anos 2008 e 2009, recebeu menção honrosa pela participação na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP. Cursou Medicina Veterinária na Universidade Federal do Piauí – UFPI, campus de Bom Jesus – PI durante o período de julho de 2012 a agosto de 2017, onde foi monitor das disciplinas de Bioestatística, Fisiologia Veterinária e Clínica Médica de Equídeos no curso de Medicina Veterinária; foi monitor nas disciplinas de Fisiologia Humana para o curso de Biologia, Anatomia e Fisiologia Animal para o curso de Agronomia. Foi discente de Iniciação Científica no período de agosto/2012 a julho/2013, desenvolvendo o trabalho - Desempenho e características da carcaça de cordeiros terminados em regime de pasto, discente de Iniciação Científica no período de agosto/2013 a julho/2014, desenvolvendo o trabalho - Influência de diferentes suplementações de ovelhas no pré-parto sobre as características de carcaça de cordeiros Dorper x Santa Inês criados em regime de pasto, discente de Iniciação Científica no período de agosto/2014 a julho/2015, desenvolvendo o trabalho - Correlação entre o teor de tanino e a degradabilidade ruminal da matéria seca e proteína bruta de plantas forrageiras nativas do alto médio Gurgueia, discente de Iniciação Científica no período de agosto/2015 até julho/2016, desenvolvendo o trabalho - Pesquisa de anticorpos anti-Brucella abortus em equídeos nos Municípios da região do alto médio Gurguéia. Em janeiro de 2018, ingressou no programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da UFERSA, tendo como linha de pesquisa a Sanidade Animal, sob orientação do Prof. Dr. Raimundo Alves Barrêto Júnior. No decorrer do curso de Pós-Graduação, teve bolsa de auxílio CAPES.

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Aos meus avós maternos Raimundo Pinto de Albuquerque e Dona Maria de Jesus Sousa Albuquerque e meus avós paternos Aldenor Pereira dos Santos e Dona Rita Pereira dos Santos quem me amavam muito e hoje estão ao lado Pai (In Memoriam).

A Deus pai todo poderoso A minha mãe, minha rainha, minha vida A minha irmã, minha princesa Ao meu pai, meu amigo (Presentes)

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus Todo Poderoso que me soprou a vida, ao meu Anjo da Guarda que me protege e ilumina e, a Nossa Senhora, que roga por mim, intercede por mim.

Agradeço a minha mãe por ser sinônimo de fé, sabedoria e persistência. Sou eternamente grato pelos insistentes direcionamentos e redirecionamentos quando, por vezes, me desviei dos meus objetivos. Obrigado pela fidelidade e, por não desistir de mim.

Agradeço ao meu pai por ter me ensinado, intuitivamente, a amar a ciência do campo e dos animais; sou grato por minhas primeiras experiências vocacionais que me influenciaram, definitivamente, na minha escolha profissional.

Sou imensamente grato a minha irmã, pela firmeza dos propósitos, incentivo, ensinamentos, pela nobreza no trato da medicina. Tenho orgulho de sua força!

Agradeço ao meu Orientador, professor Raimundo Alves Barrêto, por depositar em mim a confiança necessária para eu seguir minha pesquisa, buscando meu espaço, respondendo minhas questões... por me inserir no mundo das possibilidades, oportunidades e responsabilidades.

Agradeço ao professor Sidney Sakamoto e a professora Valéria Veras pela disponibilidade e acolhimento quando precisei de orientações nos momentos de incertezas.

Agradeço a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPCA) pelo acolhimento, pela formação sólida, e pela possibilidade de conviver com as diferenças, as diversidades e adversidades de uma universidade pública federal humanizada, tenho orgulho de tê-la em meu currículo.

Aos integrantes do Laboratório de Medicina Interna Veterinária (LABMIV), minha gratidão pelo apoio e companheirismo

Minha gratidão a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em nome do Professor Dantas e sua equipe que, me acolheram e me possibilitaram um aperfeiçoamento técnico com o uso de um laboratório vivo, dinâmico, foi de grande relevância para consolidação dos dados que fundamentaram este trabalho.

Agradeço a minha família e amigos em Paraipaba/CE no qual encontro refúgio, abrigo e onde reponho minhas energias.

Agradeço ao nosso Jumento Nordestino por ser símbolo da nossa cultura, sem vocês esse trabalho jamais seria possível.

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Alicate de Embau Inspetor de Quarteirão Tudo isso, minha gente É o jumento, nosso irmão Até pr'anunciar a hora Seu relincho tem valor Sertanejo fica alerta O dandão nuca falhou Levanta com hora e vamo O jumento já rinchou

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RESUMO

O presente estudo avaliou os efeitos de duas soluções eletrolíticas enterais de manutenção administradas por via nasogástrica em fluxo contínuo sobre os parâmetros fisiológicos, hematológicos, bioquímicos e urinário em asininos submetidos a desidratação. Para isso foram utilizados seis jumentos em um delineamento cross-over (6x2), mantidos em jejum hídrico e alimentar durante 36 horas, juntamente com administração de única dose de furosemida 2 mg kg-1 por via intravenosa, esperando-se desidratação discreta a moderada e posteriormente submetidos a 12 horas de hidratação enteral em fluxo contínuo. O protocolo de hidratação enteral não alterou os parâmetros fisiológicos, proporcionou aumento de aproximadamente 11% do peso corporal, trouxe um aumento superior a 7% na circunferência abdominal, não acarretou no aumento da umidade nas fezes. Os resultados obtidos no ganho de peso e circunferência abdominal mostram que as soluções utilizadas foram efetivas em promover a recuperação da massa corporal dos animais. Porém a solução SEMalt mostrou-se mais efetiva em atingir a corrente sanguínea e causar maior hemodiluição. As soluções foram capazes de promover o suprimento de glicose, potássio e cálcio para os animais deste estudo.

Palavras-chave: Jumentos, reposição hidroelétrolítica, fluxo contínuo, reidratação enteral, balanço hidroeletrolítico

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ABSTRACT

The present study evaluated the effects of two continuous flow nasogastric enteric electrolyte maintenance solutions on physiological, hematological, biochemical and urinary parameters in dehydrated donkeys. Six donkeys were used in a cross-over design (6x2), kept under water and food fasting for 36 hours, together with single dose administration of furosemide 2 mg kg-1 intravenously, with mild to moderate dehydration expected. and subsequently submitted to 12 hours of continuous flow enteral hydration. The enteral hydration protocol did not change the physiological parameters, provided an increase of approximately 11% of body weight, brought an increase of more than 7% in the abdominal circumference, did not increase the feces moisture. The results obtained in weight gain and waist circumference show that the solutions used were effective in promoting the recovery of body mass of animals. However, SEMalt solution was more effective in reaching the bloodstream and causing greater hemodilution. The solutions were able to promote the supply of glucose, potassium and calcium to the animals of this study.

Keywords: Donkeys, hydroelectrolytic replacement, continuous flow, enteral rehydration, hydroelectrolytic balance

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Média ± desvio padrão do peso corporal (PC - Kg), circunferência abdominal (CA - cm), volume globular (VG - %) e porcentagem de água perdida em fezes (%AF - %) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas. ... 23 Tabela 2. Média ± desvio padrão dos eletrólitos séricos sódio (Na+ - mMol/L), potássio (K+ - mMol/L) e cloreto

(Cl- - mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo

com duas soluções eletrolítica eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia. ... 23 Tabela 3. Média ± desvio padrão do cálcio iônico (iCa++- mMol/L), cálcio total (tCa++- mMol/L), magnésio

(Mg++-mMol/L), e fósforo sérico (P - mMol/L), de asininos submetidos a desidratação experimental frente à

hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia. ... 24 Tabela 4. Média ± desvio padrão das concentrações de ureia (URE- mMol/L), creatinina (CRE- mMol/L), glicose (GLI- mMol/L), lactato (LAC- mMol/L), proteínas plasmáticas totais (PTT- g/dL) e albumina (ALB- mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia. ... 25 Tabela 5. Média ± desvio padrão do pH sanguíneo, preção de dióxido de carbono (pCO2), bicarbonato (HCO3) e

excesso de base (cBase) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia. ... 25 Tabela 6. Média ± desvio do volume urinário (mL), densidade, pH e eletrólitos urinários (mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia ... 26

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... 13 OBJETIVOS ... 17 GERAL ... 17 ESPECÍFICOS ... 17 ARTIGO CIENTÍFICO... 18 RESUMO ... 18 ABSTRACT ... 18 INTRODUÇÃO ... 19 MATERIAL E MÉTODOS ... 20 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 21 CONCLUSÕES ... 27 REFERÊNCIAS ... 27 CONCLUSÃO ... 28 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO ... 28

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INTRODUÇÃO

Os asininos pertencem ao reino Animalia, filo Chordata, a classe Mammalia, da ordem dos Perissodáctilos, família Equidae, gênero Equus, espécie Equus asinus, possuem papel importante junto à população humana; tem natureza andarilha, historicamente foi utilizado como meio de transporte e empregado no auxílio da agricultura de subsistência (Canisso et al, 2010),

A domesticação dos jumentos (Equus asinus) ocorreu há aproximadamente seis mil anos atrás, na África e na Ásia. Os mais antigos monumentos egípcios mostravam ilustrações de jumentos a partir da viagem de Abrão ao Egito, (Almeida et al, 2009; Oliveira et al, 2004).

A Food and Agriculture Organization of the United Nations – Statistics Division (FAOSTAT, 2016) indica que, a população mundial de asininos é cerca de 45 milhões de cabeças, sendo os quatro maiores rebanhos do mundo localizados na Etiópia (7.48.037), China (6.033.500), Paquistão (4.900.000) e Egito (3.356.000). No Brasil, cuja população aproximada de asininos é de quase um milhão, desses, cerca de 90% estão concentradas na região Nordeste, entretanto, esses dados contabilizam somente animais com donos. Assim, estima-se que haja um número bem maior de animais no território brasileiro (IBGE, 2013).

Considerando a importância dos asininos na história da humanidade, há pouca informação terapêutica ou comportamental para esta espécie disponível na literatura recente, o que contribui para que esses ainda sejam considerados por muitos profissionais como “pequenos cavalos” ou “cavalos de orelhas grandes”, desconsiderando literalmente, aspectos importantes, chegando a extrapolar doses dos fármacos para esta espécie (Matthews & Van Dijk 2004; Taylor et al, 1998). Fatos que podem ser reduzidos e ou extintos com análises, pesquisas produzidas nos diferentes ambientes e contextos onde a espécie se mantém.

Na literatura brasileira, dois jumentos são citados com maior regularidade: o jumento da raça Pêga, considerado um grande asinino (130 a 145 cm de altura de cernelha), foi melhorado geneticamente por mais de 200 anos (Nunes et al, 2007), é utilizado principalmente com finalidade reprodutiva para produção de mulas (Canisso et al, 2008; Nunes et al, 2007); e o jumento Nordestino, animal de porte médio (90 a 110 cm de altura de cernelha) é considerado uma “raça natural” voltada para o uso no trabalho a campo (Rosa et al, 2014). Estes dois asininos possuem comportamento bastante distinto um do outro (Peixoto et al, 2002).

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Ao longo da história, ao contrário dos equinos, os asininos, sofreram adaptações significativas para ambientes desérticos (Matthews et al, 2000), tornando-os uma espécie bem mais resistente. Características fisiológicas e comportamentais, como maior capacidade de manutenção do volume plasmático (até 20% de perda dos fluidos corporais) (Yousef et al, 1970; Lizarraga et al, 2004), restauração rápida do equilíbrio hídrico após ingestão de água (Lizarraga et al, 2004), maior variabilidade de termorregulação (reduz o estresse térmico), ingestão facilitada de alimentos não palatáveis (Lizarraga et al, 2004; Matthews et al, 1997; Gupta et al, 1998) e alta capacidade de biotransformação hepática de determinadas substâncias (sistema enzimático P450) são características favoráveis aos asininos quando comparadas aos equinos (Lizarraga et al, 2004; Peck et al, 1997).

Entre outros aspectos, é imprescindível para a prática clínico-cirúrgica bem-sucedida em medicina veterinária a capacidade de interpretar sinais clínicos e exames laboratoriais para realizar um diagnóstico. Todavia, é imperativo que o médico veterinário conheça e entenda o comportamento típico do animal que está sendo examinado ou tratado. Como há informações limitadas publicadas sobre o comportamento característico dos asininos, eles usualmente são tratados erroneamente como equinos (Taylor et al, 2008). Daí a necessidade de se investir em estudos específicos para elucidar ambientes, diagnósticos, alternativas de tratamento, melhoramento da qualidade de vida e utilização da espécie para o desenvolvimento da ciência animal.

A água é o maior componente químico do organismo. É em meio aquoso que ocorrem as principais reações bioquímicas que garantem a homeostase do organismo animal. Ela não somente fornece condições para que ocorram estas reações como também serve de substrato para muitas delas, além de muitas vezes ser um dos produtos finais da equação química.

A água corpora total (ACT) está distribuída pelo organismo de maneira organizada e dinâmica. Dois são os principais compartimentos deste fluido, o líquido intracelular (LIC) e o líquido extracelular (LEC), existe ainda um terceiro compartimento, bem menor quando comparado aos dois anteriores, o líquido transcelular (Guyton e Hall, 2006).

No organismo dos mamíferos, a água pode ser responsável por até 60% do peso corporal, podendo variar de acordo com a idade, índice de gordura corporal, estado nutricional, ingestão, e até mesmo com a presença de algum processo mórbido. Animais atletas como os equinos, podem apresentar até 65% do peso corporal sendo composto por água, em contrapartida, animais obesos podem atingir somente a marca de 40% de água no organismo. Animais neonatos apresentam alto percentual de ACT podendo chegar a 75% de seu peso (Carlson e Bruss, 2008).

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Em condições fisiológicas o volume de fluidos em cada compartimento é relativamente constante. Esse fato se deve à permeabilidade, ou melhor, à semipermeabilidade da membrana celular aos diversos componentes. A água, por meio do mecanismo de osmose, tem passagem livre através da membrana, entretanto, os íons como sódio, cloreto, potássio e muitos outros necessitam de canais específicos para a movimentação entre os compartimentos (Wellman et al., 2012).

Para Carlson e Bruss, muitas enfermidades cursam com os desequilíbrios ácido-base e eletrolítico e, por vezes o sucesso dos tratamentos dependem, primordialmente, da correção aertada destes desequilíbrios, sejam eles primários ou secundários aos processos mórbidos em curso (Carlson e Bruss, 2008).

Definida como a resultante da eliminação de água e sais minerais do organismo, a desidratação se caracteriza pelo balanço hídrico negativo, ou seja, quando as perdas de água não são repostas. Considera-se, que existe uma tendência natural para este fenômeno à medida em que os rins têm que, continuamente e mesmo em um paciente desidratado, excretar uma quantidade mínima de urina (idealmente cerca de 100 mL/h), de forma a haver eliminação das substâncias tóxicas do organismo. Por outro lado, há uma contínua perda de água pela pele e pela respiração (Guyton e Hall, 2006).

Dentre os sinais clínicos observados em animais com desidratação clínica, é notória a perda de peso, turgor cutâneo reduzido, fraqueza muscular, enoftalmia, mucosas ressecadas e sem brilho, diminuição da temperatura das extremidades dos membros, aumento nos valores da concentração das proteínas plasmáticas totais (PPT) e do volume globular (VG) (Dirksen et al., 1993; Smith, 2006).

Independente do distúrbio e dos meios diagnósticos utilizados, a correção da desidratação é feita por meio da hidratação, indicada para restaurar a perfusão celular e as funções celulares, corrigindo desequilíbrios eletrolíticos, ácido-base e o volume dos líquidos corporais. É necessário planejá-la racionalmente para que se possa suprir e antecipar as deficiências específicas do paciente, que podem se alterar ao longo do tratamento (Speirs et al., 1997).

É considerável as vantagens da utilização da via enteral no processo de hidratação quando comparada com via intravenosa. Destacam-se entre as vantagens, a não necessidade de soluções estéreis apirogênicas, o risco de contaminação e sepses praticamente é nulo por não haver conduta invasiva; é minimizada a imobilização ou contenção dos pacientes, uma vez sondado o animal é liberado, permanecendo livre na baia para comer, beber e deitar à vontade, diminuindo o estresse; pela mesma sonda podem ser infundidos soluções e

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medicamentos dissolvidos ou separados; os custos financeiros são significativamente menores, uma vez que poderão ser realizadas na propriedade, conforme critério médico veterinário; e a técnica de sondagem é de fácil realização (Gomes, 2010).

O desenvolvimento da hidratação enteral em fluxo contínuo iniciou-se com o objetivo do tratamento da diarreia, em seres humanos na década de 60 (Michell, 1998). Atualmente, ela é utilizada na medicina esportiva, nos casos de hipovolemia aguda por causas não entéricas (p. ex. queimaduras) e como auxiliar na redução da quantidade de fluido a ser administrado por via parenteral (Miller, 1990). Em equinos a principal indicação é nos casos de compactação de cólon, e tem demonstrado resultados consistentes na maioria dos casos (Morris, 1987).

Para Avanza, a via enteral é fisiologicamente segura para administração de fluidos, pois a mucosa do trato gastrointestinal atua como uma barreira seletiva natural para a absorção, não exigindo, portanto, soluções estéreis ou composições finamente balanceadas (Avanza, et al., 2009).

A hidratação enteral em fluxo contínuo (HEFC) é uma alternativa de reposição hidroeletrolítica eficiente e econômica (Avanza, et al., 2009), tendo um custo menor quando comparada à hidratação intravenosa (Lopes et al., 1998). Alia-se a isso, os efeitos sistêmicos da HEFC que são limitados e os desequilíbrios eletrolíticos são menos prováveis com administração de fluidos por via enteral quando comparada à intravenosa (Lopes et al., 2002). Como podemos constatar ainda existem muitos questionamentos a serem eluciados acerca da hidratação enteral em azinininos. Cabe ressaltar que os dados provenientes de estudos controlados, utilizando soluções eletrolíticas administradas em fluxo contínuo são muito escassos, tornando imperiosa novas pesquisas sobre o tema.

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OBJETIVOS GERAL

Investigar os efeitos de três soluções eletrolíticas de manutenção, com diferentes fontes de energia, administradas por via nasogástrica em fluxo contínuo em asininos submetidos a desidratação experimental.

ESPECÍFICOS

Descrever o comportamento dos animais frente a utilização da sonda nasogástrica de pequeno calibre;

Determinar os efeitos das soluções eletrolíticas administradas na dose de 15 mL/kg/h; Avaliar a concentração dos eletrólitos sob influência da hidratação enteral em fluxo contínuo;

Avaliar o comportamento do equilíbrio ácido base frente a hidratação enteral em fluxo contínuo;

Avaliar qual das fontes de energia propostas será mais eficaz em manter o balanço energéticos dos animais

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ARTIGO CIENTÍFICO

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec.

HIDRATAÇÃO ENTERAL ADMINISTRADA EM FLUXO CONTÍNUO EM ASININOS (Equus asinus africanus) DESIDRATADOS EXPERIMENTALMENTE. [ENTERAL HYDRATION ADMINISTERED IN CONTINUOUS FLOW IN DONKEYS (Equus asinus africanus)

EXPERIMENTALLY DEHYDRATED]

J. P. A. Santos 1, L. A. Rodrigues1, F. J. A. Sousa1, V. J. Pedrosa1, T. R. Amaral1, A. H. H. Minervino2, J. D.

Ribeiro Filho3, R. A. Barrêto Júnior1

1Universidade Federal Rural do Semiárido – Mossoró, RN 2Universidade Federal do Oeste do Pará – Santarém, PA

3Universsidade Federal de Viçosa – Viçosa, MG

RESUMO

O presente estudo avaliou os efeitos de duas soluções eletrolíticas enterais de manutenção administradas por via nasogástrica em fluxo contínuo sobre os parâmetros fisiológicos, hematológicos, bioquímicos e urinário em asininos submetidos a desidratação. Para isso foram utilizados seis jumentos em um delineamento cross-over (6x2), mantidos em jejum hídrico e alimentar durante 36 horas, juntamente com administração de única dose de furosemida 2 mg kg-1 por via intravenosa, esperando-se desidratação discreta a moderada e posteriormente submetidos a 12 horas de hidratação enteral em fluxo contínuo.O protocolo de hidratação enteral não alterou os parâmetros fisiológicos, proporcionou aumento de aproximadamente 11% do peso corporal, trouxe um aumento superior a 7% na circunferência abdominal, não acarretou no aumento da umidade nas fezes. Os resultados obtidos no ganho de peso e circunferência abdominal mostram que as soluções utilizadas foram efetivas em promover a recuperação da massa corporal dos animais. Porém a solução SEMalt mostrou-se mais efetiva em atingir a corrente sanguínea e causar maior hemodiluição. As soluções foram capazes de promover o suprimento de glicose, potássio e cálcio para os animais deste estudo. Palavras-chave: Jumentos, reposição hidroelétrolítica, fluxo contínuo, reidratação enteral, balanço hidroeletrolítico

ABSTRACT

The present study evaluated the effects of two continuous flow nasogastric enteric electrolyte maintenance solutions on physiological, hematological, biochemical and urinary parameters in dehydrated donkeys. Six donkeys were used in a cross-over design (6x2), kept under water and food fasting for 36 hours, together with single dose administration of furosemide 2 mg kg-1 intravenously, with mild to moderate dehydration expected. and subsequently submitted to 12 hours of continuous flow enteral hydration. The enteral hydration protocol did not change the physiological parameters, provided an increase of approximately 11% of body weight, brought an increase of more than 7% in the abdominal circumference, did not increase the feces moisture. The results obtained in weight gain and waist circumference show that the solutions used were effective in promoting the recovery of body mass of animals. However, SEMalt solution was more effective in reaching the bloodstream and causing greater hemodilution. The solutions were able to promote the supply of glucose, potassium and calcium to the animals of this study.

Keywords: Donkeys, hydroelectrolytic replacement, continuous flow, enteral rehydration, hydroelectrolytic balance

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INTRODUÇÃO

Embora a industrialização quase tenha levado à extinção de muitas raças de asininos europeias, programas de conservação recentemente desenvolvidos por países como Espanha, Itália e Portugal estão resgatando algumas das raças ameaçadas de asininos. A redescoberta do leite de jumenta para consumo, queijo e cosméticos também ajudou a notar a importância da espécie. Em contraste, a superpopulação de pequenos asininos é uma grande preocupação em áreas desérticas dos Estados Unidos e nordeste do Brasil. Lá, burros selvagens não têm valor comercial, e dependem de agências governamentais e não-governamentais para desenvolver programas de controle populacional Canisso e cols. (2019).

Os asininos são animais susceptíveis a distúrbios hidroeletrolíticos, seja por falta de manejo, maus tratos e ou abandono. A desidratação é definida como a resultante da eliminação de água e sais minerais do organismo, caracterizando-se pelo balanço hídrico negativo, ou seja, quando as perdas de água não são repostas. Pode-se dizer que existe uma tendência natural para desidratação à medida em que os rins têm que, continuamente e mesmo em um paciente desidratado, excretar uma quantidade mínima de urina (idealmente cerca de 100 mL/h), de modo a haver eliminação das substâncias tóxicas do organismo. Por outro lado, há uma contínua perda de água pela pele e pela respiração (Guyton e Hall, 2006).

As vantagens da utilização da via enteral são muitas quando comparada com via intravenosa. Destacam-se entre as vantagens, a não necessidade de soluções estéreis, o risco de contaminação e sepses praticamente é nulo por não haver conduta invasiva, os pacientes não necessitam de imobilização ou contenção, uma vez sondado o animal é liberado, permanecendo livre na baia para comer, beber e deitar à vontade, diminuindo o estresse, pela mesma sonda podem ser infundidos soluções e medicamentos dissolvidos ou separados, os custos financeiros são consideravelmente menores, já que as soluções poderão ser feitas na propriedade, conforme critério médico veterinário e a técnica de sondagem é fácil de ser realizada (Gomes, 2010).

O uso desta técnica, empregada com sucesso em equinos, permite que os animais sejam mantidos em baias sem contenção, enquanto a hidratação é administrada continuamente, sendo seguro permitir o acesso a alimentos, enquanto outras sondas de calibre maior iriam interferir com a deglutição (Avanza et al., 2009). Além disso, não há necessidade de reintroduções frequentes da sonda, o que reduz o risco de lesões no esôfago e na faringe

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diminuindo o número de vezes em que o animal precisa ser contido, minimizando o estresse decorrente do manejo.

A significância de estudos com soluções eletrolíticas via enteral tem sido descrita em diversas espécies, contudo os estudos em asininos não foram descritos em trabalhos científicos para que protocolos sejam implementados nessa espécie, dessa forma o objetivo desse estudo é avaliar a influência da administração de duas soluções contendo duas fontes diferentes de energia (maltodextrina e dextrose) sobre os parâmetros fisiológicos, hematológicos e urinário.

MATERIAL E MÉTODOS

Este experimento seguiu normas de Conduta para uso de animas em experimentação animal da Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal Rural Semi-Árido (UFERSA), de acordo com o parecer 19/2019.

Foram selecionados seis asininos, hígidos, machos, com idade entre seis e dez anos, que pesavam em média 130 Kg. Os animais foram incluídos aleatoriamente no experimento em um cruzamento (6x2). Cada animal foi submetido aos dois tratamentos com intervalo de sete dias entre eles. Trinta e seis horas antecedentes ao protocolo de reidratação, os animais foram submetidos a jejum sólido e hídrico juntamente com administração de única dose de furosemida 2 mg kg-1 por via intravenosa, esperando-se desidratação discreta a moderada.

Imediatamente antes do protocolo de hidratação enteral os animais foram sondados por via nasogástrica com sonda uretral para equinos de PVC atóxico siliconada, com 5x7 mm de espessura e 1,50 m de comprimento. A sonda foi fixada ao cabresto e conectada ao sistema de hidratação enteral em fluxo contínuo.

As duas soluções tinham a seguintes composições: Solução de Hidratação Enteral 1 (SEDex): 5 g de Cloreto de Sódio, 0,5 g de Cloreto de Potássio, 0,3g de Cloreto de Magnésio, 2g de Acetato de Cálcio e 10 g de Dextrose (osmolaridade calculada 254,9 mOsm L-1). Solução de Hidratação Enteral 2 (SEMalt): 5 g de Cloreto de Sódio, 0,5 g de Cloreto de Potássio, 0,3g de Cloreto de Magnésio, 2g de Acetato de Cálcio e 10 g de Maltodextrina (osmolaridade calculada 226,9 mOsm L-1), diluídas em 1.000 mL de água. Ambos os tratamentos foram administrados por via nasogástrica, em fluxo contínuo em taxa de 15 mL/Kg-1/h-1 durante 12 horas consecutivas.

As avaliações clínicas e laboratoriais foram realizadas imediatamente antes do protocolo de desidratação (T-36hs), imediatamente antes do tratamento de hidratação (T0), quatro horas após o início do tratamento (T4), oito horas após o início do tratamento (T8), no

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final do tratamento (T12) e doze horas após a conclusão do tratamento (T24). Durante a hidratação enteral (T0 a T12) os animais permaneceram em jejum e soltos na baia.

Os parâmetros fisiológicos foram aferidos segundo Feitosa (2004). O peso corporal foi medido usando balança Loberamos® BL300, a circunferência abdominal foi mensurada com fita métrica ajustada em pontos identificados nas fossas paralombares utilizando o 17º espaço intercostal como referência anatômica. As amostras de fezes foram avaliadas por defecação espontânea, onde após cada colheita as fezes foram pesadas em sua totalidade e uma amostra foi retirada, pesada (F1) e mantida em estufa a 80 °C até estabilização do peso (F2) para determinação da porcentagem de umidade. O cálculo da porcentagem de água em cada tempo foi realizado pela diferença entre o peso inicial e o peso após desidratação em estufa de acordo com a fórmula: % Teor Umidade das Fezes = ( [(F1 - F2)/F1] x 100 )

As amostras de sangue foram colhidas em frascos com anticoagulante para realização do hemograma e mensuração do volume globular. A determinação do mesmo foi obtida em centrífuga para microhematócrito, sendo utilizados tubos capilares de 75 mm, onde as amostras foram centrifugadas a 10.000 rpm por 10 minutos e, posteriormente, lidas em tabela de microhematócrito.

Para avaliação hemogasométrica foi colhido um mililitro de sangue em seringas heparinizadas. O processamento da amostra obtida foi realizado em hemogasômetro portátil i-STAT®1 Analyzer no qual foram utilizados os cartuchos i-STAT CG8+. Foram determinados os valores do pH sanguíneo, concentração de bicarbonato sanguíneo (HCO3), sódio (Na),

potássio (K) e cálcio iônico (iCa).

O sangue foi colhido em frascos sem anticoagulante (10 mL) com ativador de coágulo para obtenção do soro e em tubos fluoretados para obtenção do plasma. As concentrações de proteínas totais do soro foram obtidas pelo método do Biureto, com auxílio de um conjunto de reagentes para diagnósticos (proteínas totais®, Labtest) e leituras espectrofotométricas (E-225-D, Labquest – CELM®), e a determinação das concentrações plasmáticas de glicose (Enzimático Colorimétrico – GOD).

As análises bioquímicas séricas e urinárias realizadas foram sódio e potássio, por fotometria de chama (Fotometro B462 Micronal, Brasil), as análises de cloreto, cálcio total, magnésio, fósforo, glicose, lactato, proteínas séricas totais, ureia e creatinina foram realizadas em aparelho automático HumaStar 300 (InVitro Diagnóstica, Brasil), por meio de kits comercias (BioClin Quibasa, Brasil), conforme as recomendações do fabricante. A osmolaridade sérica foi determinada pela técnica de depressão do ponto de congelamento em

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osmômetro modelo 3320 (Advanced Instruments, USA). Nas amostras de urina ainda foram determinados densidade e volume urinário.

Os dados foram submetidos a análises descritivas e são apresentados em tabelas por meio das médias e desvios-padrões. A normalidade da distribuição dos dados e a esfericidade das variâncias foram testadas pelos testes de Shapiro-Wilk e Mauchly, respectivamente. Para avaliação dos efeitos principais do tempo, dos tratamentos e da interação Tempo*Tratamento, empregou-se a ANOVA com base em um planejamento fatorial de medidas repetidas. As múltiplas comparações foram realizadas pelo teste post hoc de Sidak. Quando não foi possível o uso da ANOVA, adotou-se o teste não-paramétrico de Friedman com post hoc de Dunn. Todas as análises foram realizadas no pacote estatístico SPSS 25 (IBM, SPSS, Chicago, EUA) e a significância considerada quando p<0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi observado aumento do peso corporal a partir do T4 em relação em ao T0 (Tab. 1), sendo ainda constatado maiores pesos nos demais tempos em relação a estes (T0 e T4), em ambos os grupos (p<0,05). As soluções utilizadas promoveram aumento de aproximadamente 11% do peso corporal, em ambos os grupos, ao final da administração (T12), mostrando serem as soluções ser eficaz na reposição líquida destes animais. Resultados semelhantes foram encontrados por Khan et al. (2019) que avaliou o peso corporal de equinos submetidos a diferentes modalidades de hidratação, onde a hidratação enteral e a infusão retal obtiveram aumento no peso corporal com maior relevância comparados a hidratação parenteral.

Maiores diâmetros de circunferência abdominal foram constatados a partir do T8 em relação ao T0 em ambos os grupos (p<0,05) (Tab. 1). Este aumento foi superior 7% em ambos os grupos no T24 em relação ao T0, mostrando a ação das soluções em relação à recuperação da massa corporal. Este achado também foi mostrado por Ribeiro Filho et al. (2015) em trabalhos com equinos tratados com hidratação enteral.

Não foi observado diferença entre tempos e entre grupos para o teor de umidade das fezes (P>0,05) (Tab. 1). Dois animais do grupo SEMalt apresentaram diarreia nos tempos T4 e T8, fato que será estudado nos próximos trabalhos. Apesar dos animais do grupo SEDex apresentarem teores médios de umidade das fezes 22% superiores ao no T24 em relação ao T0, não foi estatisticamente significante (P>0,05) provavelmente devido à ausência de fezes neste último tempo em dois animais, diminuído o número de amostras. Em estudo de Ribeiro

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Filho et al. (2017) com as mesmas fontes de energia (maltodextrina e dextrose), em éguas, também não foi observado diferença no teor de umidade nas fezes entre os tempos e grupos.

Tabela 1. Média ± desvio padrão do peso corporal (PC - Kg), circunferência abdominal (CA -

cm), volume globular (VG - %) e porcentagem de água perdida em fezes (%AF - %) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas.

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T4h T8h T12h T24h PC SEDex 125,9±10,1a 112,3±10,0a 117,5±9,7c 122,1±9,7d 125,5±10,1ad 122,0±11,6acd SEMalt 126,9±11,0a 111,1±11,1b 116,8±11,3c 121,5±10,5d 124,5±11,8ad 121,8±11,7acd CA SEDex 118,6±7,3ac 106,6±6,4b 111,8±4,4bd 114,6±3,4ab 116,6±3,7cd 114,8±6,5abc SEMalt 116,6± 5,3a 107,0± 6,6b 111,8±7,4ab 113,6±4,4ab 114,8± 5,2a 115,6± 3,6a VG SEDex 31,8±2,5 34,1±2,7 30,8±1,6 32,1±3,2 32,6±1,5 32,8±4,6 SEMalt 31,8±3,7 32,6±2,6 31,2±2,8 30,6±2,0 30,3±2,5 29,6±1,6 %AF SEDex 64,9±11,3A 62,7±6,1A 61,1±4,6B 71,3±8,8A 63,4±3,6A 77,5±4,9A SEMalt 64,7±5,5A 68,7±15,7A 69,2±5,5A 67,5±7,2A 74,5±9,6A 73,2±9,4A

Médias seguidas por letras minúsculas diferentes na mesma linha e maiúsculas diferentes na mesma coluna diferem entre si a α=5%.

Em relação ao sódio (Tab. 2), não foi observada diferença nos valores médios entre os tratamentos (p>0,05). O mesmo ocorreu nos tratamentos ao longo da hidratação. Em um trabalho avaliando equinos machos com três protocolos de hidratação, sendo um deles enteral, Khan et al. (2019) também não observaram alterações nas concentrações séricas deste íon em todos os tratamentos. As concentrações de potássio sérico (Tab. 4) não apresentaram diferença entre tratamentos e entre tempos no grupo SEMalt (p>0,05).

Porém, menores valores do potássio foram observados no T4 e T8 do SEDex em relação ao T24. Ribeiro Filho et al. (2014) observou este comportamento semelhante deste íon em estudo com equinos sadios submetidos a hidratação enteral. Este autor acredita que provavelmente ocorreu devido pela composição da solução eletrolítica associada à expansão do volume plasmático decorrente da hidratação.

Tabela 2 – Média ± desvio padrão dos eletrólitos séricos sódio (Na+ - mMol/L), potássio (K+ - mMol/L) e cloreto (Cl- - mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolítica eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia.

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T4h T8h T12h T24h Na+ SEDex 124,3±17,4ab 127,8±18,9ab 109,9±15,8ab 120,9±42,3ab 119,2±18,3b 135,5±17,8a SEMalt 136,8±23,4a 128,5±20,9a 131,1±12,7a 120,7±18,4a 121,5±14,4a 129,3±10,3a K+ SEDex 4,0±0,6ab 4,1±0,5ab 3,3±0,1ab 3,5±0,8ab 3,8±0,6b 4,7±0,5a SEMalt 4,6±0,7a 3,9±0,8a 3,9±0,3a 3,6±0,4a 3,9±0,4a 4,3±0,4a Cl- SEDex 98,11±11,9 99,6±13,5 87,9±8,7 106,2±25,5 103,5±6,8 108,8±12,1 SEMalt 103,2±12,0 102,9±15,0 105,9±7,9 97,5±1,2 104,8±8,4 106,7±8,6

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No presente estudo, as concentrações de cálcio iônico, cálcio total e mágnésio não apresentaram diferença entre os tratamentos e em relação aos tempos (p>0,05) (Tab. 4). Numericamente, os valores médios de cálcio mostraram elevação percentual importante no T8 (SEDex 18% e SEMalt 29%) e no T24 (SEDex 30% e SEMalt 47%).

Tabela 3. Média ± desvio padrão do cálcio iônico (iCa++- mMol/L), cálcio total (tCa++- mMol/L), magnésio (Mg++-mMol/L), e fósforo sérico (P - mMol/L), de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia.

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T4h T8h T12h T24h iCa++ SEDex 1,4±0,1 1,1±0,0 1,2±0,1 1,2±0,2 1,2±0,2 1,5±0,1 SEMalt 1,4±0,3 1,1±0,3 1,2±0,2 1,2±0,2 1,3±0,2 1,6±0,2 tCa++ SEDex 2,8±0,2 2,2±0,1 2,4±0,1 2,4±0,4 2,3±0,4 2,9±0,1 SEMalt 2,8±0,6 2,2±0,6 2,3±0,4 2,3±0,4 2,5±0,4 3,1±0,4 Mg++ SEDex 2,06±0,13 1,60±0,10 1,57±0,18 1,52±0,18 1,45±0,12 1,86±0,22 SEMalt 2,16±0,10 1,63±0,13 1,65±0,20 1,60±0,15 1,58±0,14 1,88±0,42

P SEDex 2,52±0,58abc 3,92±0,14a 3,17±0,26ab 2,87±0,20bc 2,65±0,33c 2,18±0,31abc

SEMalt 2,46±0,45a 3,65±0,75a 3,18±0,68a 3,22±0,22a 2,83±0,47a 2,18±0,57a

Médias seguidas por letras minúsculas diferentes na mesma linha e maiúsculas diferentes na mesma coluna diferem entre si a α=5%.

Estes aumentos mostram que a fonte de cálcio das soluções (acetato de cálcio) apresentou boa disponibilidade. Outros autores (Avanza, et al. 2009; Lopes et al. 2002) trabalhando com soluções enterais de equinos, que não continham cálcio, observaram diminuição dos valores deste íon ao longo dos tempos. As concentrações de fósforo foram diminuindo conforme o protocolo de hidratação era instituído.

As proteínas plasmáticas totais não demonstraram diferenças entre grupos e tempos (p>0,05) (Tab. 4). Estudos realizados por Ribeiro Filho et al. (2014) com soluções enterais semelhantes não obtiveram alterações nas concentrações desta variável.

As concentrações plasmáticas de glicose (Tab. 4) não diferiram quanto ao tratamento, porém o grupo SEDex mostrou aumento no T8 e no T12 em relação ao T0. Já no SEMalt o grupo mostrou apenas em relação ao T12(p<0,05). Estes resultados demonstram que tanto a dextrose como a maltodextrina são fontes de energia para uso enteral em asininos, porém a dextrose mostrou maior rapidez na absorção. Estes resultados também foram observados por Ribeiro Filho et al. (2014).

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Tabela 4 Média ± desvio padrão das concentrações de ureia (URE- mMol/L), creatinina

(CRE- mMol/L), glicose (GLI- mMol/L), lactato (LAC- mMol/L), proteínas plasmáticas totais (PTT- g/dL) e albumina (ALB- mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia.

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T4h T8h T12h T24h URE SEDex 18,0±0,0 36,8±4,5 33,7±6,6 30,0±6,3 24,7±2,7 22,1±5,4 SEMalt 20,6±4,1 39,3±8,5 36,4±7,7 31,8±5,8 27,6±4,2 20,3±4,0 CRE SEDex 1,0±0,1 1,2±0,1 1,0±0,1 1,0±0,1 0,9±0,1 1,0±0,8 SEMalt 1,0±0,1 1,1±0,1 1,1±0,1 1,0±0,1 1,0±0,1 0,9±0,1 GLI SEDex 75,7±13,0 51,3±11,2 82,0±36,6 116,6±27,3 130,6±31,8 57,4±10,1 SEMalt 67,6±25,4 49,5±9,1 80,6±19,4 87,6±21,0 114,1±34,0 54,3±11,5 LAC SEDex 17,0±4,8 14,6±3,6 11,5±4,1 12,8±5,9 9,2±3,6 17,2±4,7 SEMalt 18,6±5,3 14,5±4,9 9,0±2,8 11,1±4,2 8,8±3,6 15,8±7,0 PTT SEDex 5,8±0,2 6,1±0,2 5,5±0,3 5,5±0,5 5,3±0,6 5,8±0,4 SEMalt 5,9±0,3 6,1±0,2 5,8±0,5 5,5±0,3 5,6±0,2 5,8±0,2 ALB SEDex 2,5±0,1 2,6±0,1 2,5±0,2 2,5±0,2 2,3±0,2 2,6±0,1 SEMalt 2,6±0,2 2,7±0,1 2,4±0,1 2,4±0,1 2,5±0,1 2,6±0,2

Médias seguidas por letras minúsculas diferentes na mesma linha e maiúsculas diferentes na mesma coluna diferem entre si a α=5%.

As concentrações de bicarbonato não diferiram com relação ao tratamento (Tab. 3), mas diminuíram no T8 e T12 em relação ao T0 em ambos os grupos, permanecendo essa diferença em relação ao T24 no grupo SEmalt (p<0,05) (Tab. 3). Valores decrescentes nas concentrações de bicarbonato foram encontrados por Ribeiro Filho, et al. (2007) que avaliou esse fenômeno em equinos com compactação experimental e justamente nos que foram tratados com hidratação enteral.

O pH sanguíneo não diferiu com relação ao tratamento nem ao tempo (Tab. 3) (p>0,05), porém os valores médios ficaram abaixo do limite de normalidade em todos os animais em ambos os grupos no T8 e T12, conforme os valores obtidos por Barros et al. (2011).

Tabela 5 – Média ± desvio padrão do pH sanguíneo, preção de dióxido de carbono (pCO2), bicarbonato (HCO3) e excesso de base (cBase) de asininos submetidos a desidratação

experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia.

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T4hs T8hs T12hs T24hs pH SEDex 7,399±0,1a 7,402±0,1a 7,359±0,1a 7,325±0,1a 7,286±0,1a 7,367±0,1a SEMalt 7,379±0,1a 7,429±0,2a 7,344±0,1bc 7,312±0,2bc 7,297±0,4c 7,374±0,2ab pCO2 SEDex 42,8±2,1ab 43,1±4,4ab 43,5±1,6a 41,6±1,4ab 38,6±0,9b 39,6±1,6ab SEMalt 42,4±0,2a 42,1±2,3a 43,3±2,1a 40,8±2,6a 38,3±4,4a 40,0±1,1a HCO3 SEDex 26,3±2,0a 27,1±3,9ab 24,7±1,7ab 21,7±0,9ab 18,6±1,7b 22,8±1,1ab SEMalt 26,1±4,0ab 28,3±0,6a 23,5±1,0b 20,6±1,8b 19,2±3,0b 23,5±1,8ab cBase SEDex 1,66±2,3b 2,16±4,3ab -0,80±2,4ab -4,20±0,8ab -8,00±2,5a -2,20±1,3ab SEMalt -0,50±1,8ab 3,83±0,7b -2,20±1,3a -5,60±2,0a -7,33±3,4a -2,00±2,4ab

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No que se refere a avaliação urinária (Tab. 6) nota-se que o protocolo de desidratação foi efetivo, mostrando entre outras observações, o fato da diminuição no número de micções, onde nenhum dos animais urinou no T0, passando a urinar somente 4 horas após o início da fase experimental no SEDex (T4). No SEMalt os animais só urinaram 8 horas após o início do tratamento (T8). Não houve diferença nos valores médios da densidade urinaria entre tratamentos e o tempo (P> 0,05), porém observa-se discreta diminuição da densidade urinária conforme o protocolo de hidratação era instituído. Ribeiro Filho et al, (2017) trabalhando com cavalos hígidos submetidos a hidratação com soluções enterais semelhantes, também observou diminuição da densidade urinária. Um dos sinais de expansão do volume plasmático é o aumento da perfusão renal, refletido no aumento da produção de urina e diminuição da densidade.

Tabela 6. Média ± desvio do volume urinário (mL), densidade, pH e eletrólitos urinários

(mMol/L) de asininos submetidos a desidratação experimental frente à hidratação enteral em fluxo contínuo com duas soluções eletrolíticas contendo diferentes fontes de energia

Período de Hidratação Trat. T-36hs T0h T1hs T2hs Volume mL SEDex 888,3±425,6a 538,3±549,6a 1356,6±1185,8a 460,0±341,4a SEMalt 910,0±336,0ab 368,3±514,7b 1225,0±374,9a 461,6±381,3b Densidade SEDex 1023,6±8,9 1021,2±3,8 1010,5±4,2 1013,6±4,8 SEMalt 1020,6±11,4 1022,0±9,8 1012,0±6,9 1018,0±3,5 pH SEDex 8,00±0,3 8,32±0,3 7,57±0,5 7,35±0,2 SEMalt 7,82±0,4 7,67±0,3 7,73±0,4 7,14±0,2 Ureia SEDex 541,5±424,1 728,3±755,3 438,1±274,7 253,0±145,9 SEMalt 501,6±448,4 778,1±750,3 494,5±338,1 317,4±131,5 Cloreto SEDex 180,0±160,9 155,9±134,3 87,8±79,4 277,2±154,0 SEMalt 216,4±147,4 308,7±148,5 144,2±54,6 389,1±149,1 Creatinina SEDex 40,2±34,7 64,3±32,7 20,0±12,9 19,7±11,2 SEMalt 34,3±33,9 46,8±8,7 27,9±19,5 13,3±10,5 Sódio SEDex 81,0±37,0a 111,7±38,7ab 39,5±23,5b 105,0±63,3ab SEMalt 77,0±49,1 58,0±40,6 71,8±39,9b 133,0±62,6a Potássio SEDex 123,5±87,5 111,5±23,8 12,5±9,19 39,6±23,9 SEMalt 98,0±87,6 137,6±82,0 73,5±50,2 103,4±77,7 Magnésio SEDex 3,71±1,0a 1,77±0,9ab 1,04±0,8b 2,12±1,3ab SEMalt 3,27±1,4ab 2,03±1,6ab 1,25±0,1b 3,60±0,8a

Médias seguidas por letras minúsculas diferentes na mesma linha e maiúsculas diferentes na mesma coluna diferem entre si a α=5%.

Os valores do pH urinário não diferiram entre tratamentos e o tempo (P> 0,05). Contudo observa-se diminuição nas médias do pH urinário conforme a hidratação era efetivada em ambos os tratamentos. Ribeiro Filho et al. (2015) observaram diminuição do pH urinário em equinos hígidos submetidos a hidratação enteral com estas mesmas fontes de energia. A excreção urinária de ureia e creatinina (Tab. 5) não foi influenciada pelo tratamento nem pelos tempos (P> 0,05). O fato de os animais serem hidratados resultou na

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expansão do volume sanguíneo, que por sua vez, aumentou a produção de urina, causando diluição e, portanto, uma diminuição na excreção urinária da creatina.

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos no ganho de peso e circunferência abdominal mostram que as soluções utilizadas foram efetivas em promover a recuperação da massa corporal dos animais. Porém a solução SEMalt mostrou-se mais efetiva em atingir a corrente sanguínea e causar maior hemodiluição.

As soluções foram capazes de promover o suprimento de glicose, potássio e cálcio para os animais deste estudo.

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CONCLUSÃO

As duas soluções eletrolíticas administradas por via nasogástrica em fluxo continuo não causaram variações importantes nos biomarcadores fisiológicos e foram capazes de expandir a volemia, com mínimos efeitos estressantes aos animais, sendo indicadas como uma opção à hidratação parenteral na terapia de manutenção de fluidos.

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