Para minha nova melhor amiga:
O guia de estilo de
Ines de la Fressange
Copyright (c) Flammarion, S.A., Paris, 2010 Título original em francês: La Parisienne Tradução: Adalgisa Campos
Preparação: Clarissa Peixoto
Revisão: Fatima Amendoeira Maciel
Adaptação de projeto gráfico e capa: Regina Ferraz Impresso na China por Toppan Leefung
Todas as fotos são de Ines de la Fressange e Sophie Gachet, exceto as seguintes:
Benoît Peverelli p. 25, 27, 29, 31, 33, 35, 37, 41, 45, 49 Spa Nuxe 32 Montorgueil p. 189
Tibop. 77
Deidi von Schaewen p. 192
Fabrice Vallon for Très Confidentiel p. 190
Todos os direitos reservados p. 76, 81, 84, 89, 90, 97,
102, 103, 147 abaixo, 188, 222 no alto, 199, 201, 204, 226
Thierry Chomel p. 222 abaixo
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA -FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
L11p La Fressange, Ines de.
A parisiense: o guia de estilo de Ines de La Fressange com Sophie Gachet / Ines de La Fressange, Sophie Gachet ; tradução de Adalgisa Campos da Silva. – Rio de Janeiro : Intrínseca, 2011.
240p. : il. ; 24 cm
Tradução de: Parisian chic : a style guide by Ines de La Fressange
ISBN978-85-8057-063-2
1. La Fressange, Ines de. 2. Vestuário. 3. Moda – Estilo – Paris (França). I. Gachet, Sophie. II. Título. 11-3310 CDD: 746.920944
CDU: 746.4(44)
[2011]
Todos os direitos desta edição reservados à Editora Intrínseca Ltda.
Rua Marquês de São Vicente, 99, 3º andar 22451-041 – Gávea
Rio de Janeiro – RJ Tel./Fax: (21) 3206-7400 www.intrinseca.com.br
Desenhos - Ines de la Fressange
Fotografias de Nine d’Urso - Benoît Peverelli
O guia de estilo de
Ines de la Fressange
com Sophie Gachet
Sumário
PARTE 1
página 9
Vista-se como uma parisiense
PARTE 2
página 115
A beleza em Paris
PARTE 3
página 129
Chez moi
PARTE 4
página 161
A Paris de Ines
PARTE 1
Vista-se
como uma
1. O DNA da
VISTA-SE COMO UMA PARISIENSE
Você
não precisa nascer em Paris
para ter o estilo da parisiense. Eu sou o melhor
exemplo disso: nasci em Saint-Tropez! Ter um
estilo “made in Paris” é mais um estado de espírito.
Ser alternativa e nunca burguesa, por exemplo.
A parisiense jamais cai na armadilha das
tendências: ela respira o
l’air des temps
e as usa
com critério, eis sua receita secreta! E sempre tem
um objetivo: divertir-se com a moda. Ela segue
algumas regras, mas adora transgredi-las também,
faz parte do estilo. Os seis pontos a seguir têm
O DNA da parisiense
Fuja dos conjuntos
Esqueça o total-look: é preciso
mis-tu-rar!
Saber mesclar estilos e marcas diferentes é essencial. Rimar chique comcheap conta 100 pontos no jogo “Vestindo-se à la Parisienne”. Usar uma “it bag” já bem
antiga com um suéter de cashmere demonstra mais talento do que copiar literalmente os últimos looks dos desfiles. A parisiense tem o espírito livre: ela não
compra uma blusa e uma saia combinando, na mesma loja. “Combinações possíveis” não é uma preocupação. A regra é simples:
o chique é sobretudo não comprar conjuntos! Algo a aplicar sempre.
Vive la Rive Gauche!
A parisiense da margem esquerda
do Sena
tem um estilo “tipo exportação” e marca muito bem esse diferencial. Ela passeia em Saint-Germain-des-Prés e foge de tudo que é exagerado e chamativo. Não ter cara de perua é a ideia. Detesta brilhos e etiquetas. Uma parisiense não está à cata de um marido milionário. Ela não vai gastar muito para ter uma etiqueta à mostra.Quer ficar elegante, e exige qualidade. Seu luxo? Uma marca que garanta o bom gosto sem ostentar o preço.
VISTA-SE COMO UMA PARISIENSE
Ela brinca de procurar
A parisiense adora descobrir
novas grifes.
Principalmente se forem criativas e acessíveis. Ela fica mais orgulhosa com uma descoberta no supermercado da esquina (sério, há peças ótimas no Monoprix!) do que por ser a primeira a possuir o último modelo de “it bag”, carérrimo, sobretudo se é vendido em lista de espera (que vulgar!). Seu guarda-roupa é habilmente composto de “coisas baratinhas”, de roupas compradas em viagens e de algumas peças luxuosas. Assim, quando usa um jeans, nunca sabemos se é Gap, Notify, H&M ou Hermès! Ela não faz o gênero de torrar todo o seu salário nummust-have. Primeiro porque não tem dinheiro, e depois porque considera que tem tanto
talento quanto uma estilista: por que pagar caro por uma produção que ela mesma poderia ter imaginado? A parisiense tem essa arrogância de pensar que nunca estará fora de moda. Ela não liga para a moda. Embora sempre use um pequeno detalhe provando que domina as tendências.
O DNA da parisiense
Use o que
lhe cai bem
Você nunca vai ouvir uma parisiense
se queixar
de que a saia está muito curta, o vestido muito apertado e os sapatos muito altos. Todas as garotas que entendemde estilo chegam à mesma conclusão:
“O segredo de um bom estilo é sentir-se bem dentro da roupa.” Elas conhecem o próprio corpo, sabem o que lhes fica bem e o que combina com o seu modo de vida. Se você não se sente à vontade com um suéter muito decotado, saltos vertiginosos ou calças justas demais, vá mudar de roupa!
Ela não tem ídolos
A parisiense não tem ídolos.
Ela já é um ícone da moda. Mas, no íntimo, admira Jane Birkin e Charlotte Gainsbourg, que conseguem tersempre um ar descolado e cobiçado (suéter de cashmere cinza + jeans + tênis All Star ou botas vintage). E acha o máximo o visual de uma amiga que tem um estilo todo pessoal e consegue
conservá-lo estando sempre moderna e chegando a uma certain âge com sabedoria. Seu ídolo na
moda pode não ser uma figura conhecida do público. Quanto mais desconhecida, maior a chance de lhe agradar. Como os estilistas, ela se inspira na moda da rua.
Ela desconfia
do bom gosto
Quem ousaria pensar que o
azul-marinho e o preto fosse uma
combinação perfeita?
Antes de Yves Saint Laurent, ninguém. Hoje, esta dupla destoante faz bonito em noites elegantes. É preciso saber tomar liberdades com as afirmações categóricas da moda. Algumas regras foram feitas paraser quebradas. Inclusive as deste guia, claro! Você gosta de vestidos laranja com sapatos
amarelos? Vá em frente, vai chegar um dia em que vão querer copiá-la! A moda evolui sempre e por isso ela é interessante. Chegará o dia em que a parisiense irá decretar que
minishorts com casaco de leopardo e sapatilhas tacheadas são o que há de melhor. Prepare-se!
O DNA da parisiense
Personal
stylist
Quem nunca se sentiu tentada por um vestido todo de paetês ou uma anágua com mil babados?
Não é fácil resistir
ao canto da sereia da moda.
No entanto, toda parisiense
aprende uma lição: se não se
deixar inebriar pela abundância
de opções, irá manter seu armário
livre das peças que jamais irá usar.
Antes, refletir
Sempre se pergunte:
“Se eu comprar essa roupa, será que vou ter vontade de vesti-la hoje à noite?” Se a resposta for “não”, “vou vestir em casa”, ou ainda
“nunca se sabe, pode ser que numa festa”, é melhor se mandar
rapidinho da loja.
A
Como não se tornar
vítima da moda?
Escutar
as vendedoras
Tudo bem, algumas delas estão apenas de olho na comissão, mas
supostamente conhecem toda a coleção e saberão encontrar a peça que vai ficar bem em você... Em compensação, fuja daquela que lhe disser: “É a grande tendência da estação!” A parisiense detesta comprar o que todo mundo está usando. Ela é mais atenta ao que lhe fica bem do que à moda — que, aliás, finge ignorar (ver ponto seguinte).
VISTA-SE COMO UMA PARISIENSE
Assimilar
as tendências
Seguir as tendências é tudo o que a parisiense detesta, mas ela deve saber o que é in. O negócio
é não entrar nas ondas de cabeça. Por exemplo, se estampa de pantera é o que mais vende, ela não vai se vestir no estilo “fugi do zoológico”. Uma carteira de estampa animal basta para mostrar que ela é uma mulher de estilo, não uma maria vai com as outras.
Não comprar
“obras de arte ”
Às vezes a gente compra uma roupa pensando: “É uma graça, é uma peça linda!” Adoramos aquilo, as cores vivas, os detalhes divertidos. Gostamos da peça em si, sem relacioná-la ao nosso estilo, à nossa silhueta. Ora, é preciso sempre imaginar como aquilo se integraria ao nosso guarda--roupa. E não pensar que uma peça bem-apresentada na loja, com a luz perfeita, será sempre uma boa compra. Assim você evitará o mantô alaranjado vivo quando seus cabelos forem ruivos e a minissaia prateada com babados quando as suas coxas não se prestam exatamente a isso. Conhecer os limites da moda é uma arte!
Dividir seu
orc
,amento em dois
De um lado, os básicos de qualidade, de outro, as paixões que tornam o guarda-roupa alegre (um cinto, uma bolsa, bijuterias). Mesmo com um orçamento médio, há mil maneiras de compor um visual simpático. Afinal, não precisamos de muita coisa. É melhor ter poucos suéteres, paletós, mantôs, mas de boa qualidade. Não se deve visar à quantidade. É preciso saber eliminar. A mentalidade “isso eu guardo para
quando for pintar a casa” também não funciona! É preciso se desfazer
do que não é essencial. Há várias
instituições para isso, e muitas pessoas desfavorecidas. Uma coisa é certa: a melhor forma de começar bem o dia é abrir um armário com poucas peças, mas bem-organizado.
O DNA da parisiense
Descombine!
“Nada de usar tudo combinadinho!”
é o grito de
guerra da parisiense. Descombinar
e não ser elementar é seu esporte
preferido. Acrescentar dois ou três
detalhes um pouquinho absurdos
pode transformar uma produção,
dando-lhe um ar ligeiramente
maluco. É claro que misturar às
vezes é arriscado. Um
erro fashionpode acontecer, mas a parisiense
sempre dá um jeito de transformar
sua gafe em estilo. Ela também
sabe que seguir regras de elegância
com rigor não é uma boa ideia.
Resista sempre ao estilo “moça
arrumadinha”. Veja minhas
dez melhores ideias — da menos
arriscada à mais ousada —
para descombinar o seu visual
J e a
n
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(e não com tênis)
Sa i a -l á
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(e não escarpins)
Su é
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(e não com saia)
C o l a
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(e não so bre um vestido preto à noite)
M o c a
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(e não com ca lças sem meias)
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(e não sandá lias com pedrarias)
C o l a
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p é
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s c o m u m a c a m i
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r
n a
(e não com um vestido sem mangas)
V e
s
t i d o d e m u
s
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c o m b o
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(e não com sapati l has no vin has)
Sm o k i
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(e não escarpins de mu l her f ata l)
V e
s
t i d o d e
n o i
t e c o m b o l
s a d e
p a l h a
(e não com uma carteira dourada)
O DNA da parisiense
Estilo
sem esforço
Às vezes é preciso pouco para
se conseguir um verdadeiro estilo. Em
inglês, chama-se isso de “effortless style”.
Pré-requisito? Ter autoconfiança... e sorrir
(tudo sempre fica melhor quando sorrimos)!
Evidentemente, algumas dicas ajudam a ter
estilo sem esforço... ou quase.
Eis aqui 16 das minhas:
Usar
parka
sobre um vestidinho de musselina.Superpor
duas
echarpes
. Funciona também com duas camisetas e mesmo dois cintos. Peças mais básicas usadas assim ganham importância.Um
maxiacessório
sobre uma silhueta simplíssima. A parisiense sempre admirou Jackie
Kennedy em seu período Onassis: calça branca, camiseta preta,
sandálias... e enormes óculos escuros. É chique, é eficaz... dá para copiar imediatamente!
Jogar
um sueterzinho de lã sobre o vestido de baile. Não há nada mais kitsch que estolas —please, sobretudo nada de estolas,
nem as estrelas de Hollywood as usam mais nos tapetes vermelhos. Ou mesmo que os bolerinhos. Um vestido de paetê e um suéter de cashmere, isso é Paris!
Ir à H&M, mas comprar na seção
masculina
.Misturar
alta-costura e street culture: calça preta dealfaiataria impecável com camiseta de algodão fino (as mais jovens podem tentar o estampado). Para um visual chique e descontraído, é aposta certa!
VISTA-SE COMO UMA PARISIENSE
A REGRA DE OURO UNIVERSAL
DO BOM ESTILO
Se a parte de baixo (calça, saia) é ampla, a de cima deve ser justa.
E se a de baixo é justa, a de cima deve ser larga.
Garimpar foulards masculinos
vintage
e usá-los com tudo.Tudo que vem de uma
loja
de roupa militar usado com joiasantigas funciona.
Não hesitar em usar a
camisa
de seu filho de 12 anos com um sutiã push-up e aparente.Cintar tudo com um
cinturão
masculino grande usado muito longo e com o excesso preso em um nó.Usar
meias
(três quartos) de cashmere de todas as cores (cáqui, framboesa, turquesa).Arregac
,ar
negligentemente as mangas da camisa de algodão sobre o suéter: é chique, fácil e informal.
Casar
seu jeans surrado com blusa de seda. Como calça de alfaiataria e camiseta, a mistura dá imediatamente consistência ao visual. Todo o restante deve permanecer ultrassóbrio. É preciso passar a ideia de que o elemento de luxo — a blusa de seda — foi incluído por acaso. Ter feito esforço visivelmente não é nada legal: todo mundo sabe que a parisiense compra um caminhão de revistas para ficar na moda, mas não quer que isso esteja na cara! (Ela até seria capaz de ir comprar este guia dizendo que é para dar de presente.)Se estiver cansada das suas roupas, tingi-las de
azul--marinho
lhes dará vida nova (salvo se já forem azul-marinho, óbvio!).Mandar trazer da
Índia
kurtas de todas as cores. Vista-as por
baixo de um cardigã com um colar de pérolas, num verdadeiro “étnico--chique”.
Usar paletós de montaria de
veludo preto