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Aula 05. ATOS CAMBIÁRIOS (cont.)

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Academic year: 2021

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Resumo elaborado pela equipe de monitores. Todos os direitos reservados ao Master Juris. São proibidas a reprodução e quaisquer outras formas de compartilhamento.

Turma e Ano: Empresarial B (2015)

Matéria/Data: Atos Cambiários em espécie: endosso, aval, protesto (01/09/15) Professora: Carolina Lima

Monitora: Márcia Beatriz

Aula 05

ATOS CAMBIÁRIOS (cont.) Atos em espécie

Endosso: (cont.)

A cláusula não a ordem é uma cláusula lançada pelo sacador que proíbe o endosso. O endossante também poderá proibir novos endossos e para tanto lançará uma cláusula proibitiva de endosso. No fim das contas, as duas cláusulas possuem o mesmo efeito, sendo apenas denominadas de forma diferente pela legislação cambiária (arts. 11 e 15, Decreto n. 57.663/66)1. A falta de respeito

da referida cláusula, faz com que a transferência se opere por cessão civil de crédito.

Apesar de não existir limite quantitativo, há uma baliza temporal para a realização do endosso, qual seja, a data de efetivação do protesto da cártula (ou o fim do prazo para sua realização). Após este momento, eventual transferência do título de crédito também será tratada como cessão de crédito civil, e não mais estará abrangida pelo Direito Cambiário. A essa operação dá-se o nome de

endosso-póstumo ou endosso-tardio2.

ENDOSSO CESSÃO CIVIL

Transferência de título de crédito Transferência de documento

que apresenta um crédito

Regido pela legislação cambiária Regido pela legislação civil

Título executivo extrajudicial Mero documento de confissão de dívida

Enseja propositura de ação de execução Enseja a propositura de ação monitória

Demanda contra coobrigados, avalistas além

do devedor principal Demanda apenas contra o devedor principal

Inoponíveis as exceções pessoais Possível a apresentação de exceções pessoais

1 Foi o posicionamento adotado em provas pelas bancas ESAF e FGV em 2013/2014, mas no cotidiano

cambiário bem como para a banca CESPE, o termo “não a ordem” é aceito para qualquer um dos dois casos.

2 Não obstante sua denominação, o endosso-póstumo, em verdade, não é endosso, mas mera cessão de

crédito civil. Devido ao desrespeito às normas cambiárias, a cártula deixa de ser um título de crédito, tornando-se mero documento de confissão de dívida. Ademais, como a operação passa a ser regida pelo Direito Civil, cessa a responsabilidade de coobrigados e avalistas (a cobrança se restringe ao devedor principal) e o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais não mais pode ser aplicado.

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 Aval:

É a garantia fornecida por um terceiro assegurando o adimplemento da obrigação constante do título. O avalista, ao garantir o cumprimento da obrigação do avalizado, responde de forma equiparada a este – ele se sub-roga nos direitos e nas obrigações do seu avalizado.

O aval se materializa com a simples assinatura no anverso da cártula, mas caso seja feito no verso

dela, além da assinatura, deverá conter a expressa menção de que se trata de aval. Para avalistas casados é necessária a outorga conjugal para a realização do aval, salvo se o regime de bens for o de separação absoluta (art. 1.647, III, CC).

A ausência de assinatura do cônjuge do avalista não acarreta a nulidade do aval – não pode este beneficiar-se de sua própria torpeza, qual seja, a inobservância da formalidade exigida por lei. Segundo o STJ a inexistência de outorga conjugal não invalida o aval, logo o avalista pode ser executado, ainda que o bem seja de propriedade do seu cônjuge – a execução recai sobre a meação. Desta feita, preserva-se apenas aquilo que cabe ao cônjuge do avalista quando da meação dos bens adquiridos na constância do casamento.

Pode ser lançado na cártula um aval em preto (quando o avalista identifica o avalizado) ou o aval também poderá ser em branco (quando o avalista não identifica expressamente o avalizado no título). Neste último caso, o aval será direcionado ao 3:

a) Sacador: se se tratar de letra de câmbio ou cheque; b) Sacado: se se tratar de duplicata ou nota promissória.

O aval se assemelha à fiança visto que ambos os institutos traduzem em a uma garantia ofertada a terceiro. Nada obstante, eles não se confundem, pois a fiança é um contrato acessório que segue o principal, ou seja, havendo mácula no contrato principal, a fiança cai por terra.

Por outro lado, o aval é detentor de autonomia, pois ele se desprende da relação que lhe deu origem. Assim, ainda que a relação antecedente reste maculada, o aval não se contamina – a mácula na relação que deu origem ao aval jamais o alcança. Nestes casos, o avalizado sai da relação cambiária, mas o avalista permanece, cabendo-lhe apenas ação de regresso.

3 Somente no caso de letra de câmbio é que o aval em branco é direcionado ao emitente da cártula.

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A justificativa para manter o avalista na relação cambial mesmo após a saída do avalizado é que ao avalizar a cártula, ele tem pleno conhecimento de que se tornará garantidor da relação, sub-rogando-se nos direitos e obrigações de seu avalizado.

A única maneira do avalista se ver livre de responsabilidade é se ele conseguir provar um erro de formalidade na formação do título (por exemplo, ausência de requisitos necessários, falsificação de sua assinatura etc.). O avalista não poderá se aproveitar de um vício do avalizado para sair da relação junto com ele. É por isso que se recomenda maior diligência para aceitar ser um avalista.

Não obstante a vedação do art. 897, parágrafo único do CC, é possível que se dê aval parcial quando a legislação cambiária, expressamente, assim dispuser4. O montante inferior que se deseja

garantir deve vir expresso na cártula, sob pena de responsabilidade pelo valor total.

OBS.: Em provas anteriores foi dada como correta alternativa que dizia ser impossível a realização de aval parcial em duplicatas. Nestes casos, as bancas se socorreram da omissão legal fazendo o uso do Código Civil de forma supletiva. Contudo, o art. 25 da Lei das Duplicatas5 dispõe que no

caso de omissão, devem ser usadas, de forma subsidiária, as normas da letra de câmbio. Logo, é admissível aval parcial em duplicatas.

Ressalte-se que o comportamento das bancas em duplicatas é no sentido da impossibilidade de aval parcial, pois elas se socorrem do Código Civil. Assim, deve-se prestar bastante atenção ao modo como o enunciado for elaborado:

- Segundo o Código Civil o aval parcial é permitido. (FALSO)

- Com base na legislação cambiária é permitido o aval parcial. (VERDADEIRO)

- Quanto às duplicatas, o aval parcial não é permitido. (Para saber o que marcar nesta afirmação, deve-se primeiro eliminar todas as demais opções, pois este item pode ser tanto verdadeiro como falso!)

4 Por serem mais especiais que as normas do Código Civil, em um caso concreto prevalecem as

disposições das normas cambiárias. E como estas, expressamente, admitem aval parcial na letra de câmbio, nota promissória e cheque, não há qualquer obstáculo a sua realização nestes títulos. Entretanto, como a Lei das Duplicatas foi omissa neste ponto, somente a elas se aplica a vedação do Código.

5 Lei n. 5.474/68, Art. 25. “Aplicam-se à duplicata e à triplicata, no que couber, os dispositivos da

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 Protesto:

É o ato formal que torna pública a dívida e se atesta um fato relevante para a relação cambial. Esta ocorrência importante poderá ser: falta de aceite ou devolução do título e não pagamento. Assim, o protesto nada mais é que uma declaração solene de que se reputa ilegal alguma coisa.

MOTIVO DO PROTESTO CONTRA QUEM

Falta de aceite6 Letra de câmbio: Sacador

Duplicata: Sacado

Falta de devolução do título7 Sacado

Falta de pagamento Devedor principal, avalistas e coobrigados

Na relação cambial, o protesto é de extrema importância, visto ser ato indispensável para

cobrança dos coobrigados e seus avalistas, salvo se presente no título a cláusula sem despesas8.

Outro efeito importante é o fato de interromper o curso da prescrição quando o protesto for realizado tempestivamente na duplicata e também na letra de câmbio e na nota promissória.

Desta forma, por exemplo, numa duplicata cujo vencimento seria em 10/10/10, o portador do título teria até 10/10/13 para propor execução contra o devedor principal (03 anos após vencimento). Contudo, caso ele deixe para protestar a cártula no último dia (08/11/10), além de poder propor a execução também contra os codevedores9 (e cuja prescrição se consolida em

08/11/11), o novo prazo prescricional contra o devedor principal da duplicata findará em 08/11/13. Assim, ele acaba ganhando um mês a mais de prescrição, pois com o protesto houve a interrupção do prazo iniciado na data de vencimento do título (art. 202, III, CC).

6 É a negativa de aceite pelo sacado que acarreta o vencimento antecipado da cártula e permite a

cobrança do crédito diretamente do sacador. Como o título venceu antecipadamente, ao invés de protestar pela falta de aceite (válido somente contra o devedor principal e seu avalista), é mais interessante protestar logo pelo motivo de falta de pagamento, pois aqui poderão ser incluídos os demais coobrigados. Cuidado! Na nota promissória não há aceite, pois o próprio sacador é o sacado da cártula.

7 É a retenção do título entregue para lançamento do aceite.

8 Se o título contiver cláusula sem despesas, seu portador estará dispensado do protesto para executar

os coobrigados que esta cláusula abranger. Portanto, aquele que assim endossou (e seu avalista) fica responsável pelo adimplemento da cártula mesmo que o título não seja protestado. Ademais, a exceção à necessidade de protesto contra codevedores se aplica quando é o próprio sacador quem lança no título a cláusula sem despesas, pois neste caso ela terá validade contra todos.

9 Por outro lado, o protesto intempestivo contra coobrigados e seus avalistas acarreta a impossibilidade de demanda contra eles – neste caso o credor só poderá executar o devedor principal. Como se sabe, qualquer inobservância à legislação cambiária enseja a descaracterização do título de crédito. Assim, quando não for observado o prazo para o protesto, o portador perde os privilégios que seu título possuía.

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OBS.: O protesto tempestivo do cheque não gera interrupção na prescrição da execução, visto que não é possível reiniciar a contagem de um prazo que sequer começou – os seis meses para propositura da ação executiva no cheque somente se inicia após o fim do prazo de apresentação do título para pagamento no banco, prazo este coincidente com o prazo de protesto da cártula. Logo, por não se ter iniciado o prazo, não há falar em sua interrupção!

Referências

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