O Plano de Desenvolvimento Social
Introdução
O Plano de Desenvolvimento Social (PDS) é um instrumento de definição conjunta e negociada de objectivos prioritários para a promoção do Desenvolvimento Social local. Tem em vista não só a produção de efeitos correctivos ao nível da redução da pobreza, do desemprego e da exclusão social, mas também efeitos preventivos gerados através de acções da animação das comunidades e da indução de processos de mudança, com vista à melhoria das condições de vida das populações. Pode dizer-se que o PDS traça o retrato de uma situação social desejável, mas também realista nos concelhos e freguesias onde vai ser implementado, incluindo uma programação das etapas e das estratégias a desenvolver para alcançar essa situação.
O PDS é um instrumento que orienta as respostas às necessidades individuais e colectivas para um período de 3 a 5 anos. O seu objectivo é servir de enquadramento a todas as intervenções para a promoção do desenvolvimento social, quer elas sejam elaboradas no âmbito da operacionalização do plano pelo CLAS (através do Plano de Acção), quer elas sejam propostas fora do âmbito do CLAS. Neste sentido, o PDS procura vincular as iniciativas de todos os agentes cujo âmbito de actuação tem repercussões no desenvolvimento social dos Concelhos. Em suma, podemos dizer que o PDS é um instrumento que aponta a direcção mas que não traça um itinerário detalhado.
O PDS pode constituir para o Concelho um importante instrumento de planeamento estratégico uma vez que visa:
! Planear de forma integrada tendo em conta todas as dimensões dos problemas; ! Definir as estratégias para atingir os objectivos, assegurando a participação efectiva
de todos os implicados, tendo em conta os recursos humanos, materiais e o calendário para a sua implementação;
! Planear tendo em conta a realidade presente, mas também as oportunidades e ameaças;
! Planear identificando as dimensões prioritárias e susceptíveis de produzir mudanças na realidade do concelho.
Em Setúbal, o PDS teve por base não só as questões identificadas nos vários diagnósticos sectoriais do concelho, mas principalmente o Diagnóstico Integrado (DI) em que os problemas e potencialidades para além de enunciados, foram já reflectidos e olhados numa
perspectiva integrada. Desta forma, o DI aponta linhas de intervenção essenciais à elaboração do PDS e que é em grande medida a tradução dos problemas identificados no DI em objectivos de planeamento/intervenção.
A metodologia de trabalho utilizada para o PDS foi em tudo semelhante ao DI. A equipa foi essencialmente a mesma mas agora centrou-se na definição de objectivos gerais e estratégias que descrevem a situação futura após a resolução dos problemas. Desta forma foi possível rentabilizar os saberes e o conhecimento de terreno dos técnicos e das organizações.
Eixos de Desenvolvimento são definidos com base nas problemáticas identificadas no DI, podendo a designação coincidir com estas ou serem reformuladas numa perspectiva do desenvolvimento desejado para o concelho.
Os objectivos e as estratégias pretendem identificar quais as transformações da realidade necessárias (e desejáveis) a operar face aos problemas e a forma (estratégia) como isso será atingido. Estes objectivos e estratégias estão apresentados sob um forma bastante geral essencialmente por duas razões:
1. por um lado procurou-se que o PDS não fosse demasiado condicionador em relação ao próximo passo - a elaboração do Plano de Acção - que se situa a um nível mais operacional do que o presente instrumento; em boa medida será nessa fase em que melhor se poderão definir objectivos específicos e estratégias mais concretas;
2. por outro, os problemas e potencialidades identificados no Diagnóstico Social, tem níveis de aprofundamento diferenciados, muitas vezes por força da ausência de dados, pelo que não é possível neste momento definir objectivos específicos para todos os eixos de problemas / potencialidades identificados no DS.
Os Objectivos Gerais são pois objectivos de nível superior, devidamente enquadrados num determinado eixo de desenvolvimento, para o qual a nossa intervenção contribui mas que por si só não consegue garantir. Trata-se de descrever a situação futura após a solução dos problemas. Ao atingir os objectivos dos projectos que vierem a ser implementados (futuramente inscritos no Plano de Acção) contribui-se de forma determinante para alcançar o objectivo geral.
A Estratégia é apresentação descritiva do caminho a seguir para alcançar o objectivo geral, tendo em consideração os recursos possíveis para o conseguir. Deve resultar de uma opção
devem ser alcançados com a intervenção e que contribuem para atingir um objectivo geral, ainda que possam não ser suficientes para tal. Não deve ser definido um conjunto demasiado vasto de objectivos específicos, de forma a que sejam realistas e exequíveis, sem deixarem de constituir um desafio.
A diferença entre objectivos gerais e objectivos específicos prende-se com a dimensão dos mesmos. Um objectivo específico contribui para a concretização de um geral, mas este tem sempre uma abrangência mais lata que o anterior, sendo que a intervenção garante o cumprimento do primeiro e contribui para alcançar o segundo.
Como é natural, alguns dos problemas identificados no DI, tem um âmbito supra-concelhio e supra-nacional pelo que intervir a este nível está fora do alcance deste PDS. Nestas situações procurou-se definir objectivos e estratégias de minimização do impacte destes problemas sobretudo nas populações mais fragilizadas e excluídas.
Ao longo da elaboração deste PDS, esteve sempre presente a preocupação de enquadrar planos e medidas definidas a nível local (por exemplo PDM e Carta Educativa), a nível regional (por exemplo, PEDEPES) e nacional (por exemplo, o PNAI), favorecendo a sua adequação ao contexto local e potenciando os recursos que poderão vir a ser canalizados para o concelho. Por outro lado, foram igualmente consideradas as intervenções que já estão a ser implementadas no concelho e que se enquadram nos objectivos e estratégias definidos neste PDS.
Outro aspecto a ter em consideração é o estarmos perante PDS’s de primeira geração, isto é, sendo o primeiro não se recomendaria que fosse demasiado ambicioso e extenso (por exemplo, com objectivos em número superior a 30). A definição dos objectivos e estratégias teve em linha de conta aquilo que está ao alcance da RS de Setúbal e que se enquadra no âmbito dos recursos e capacidades que dispõe neste momento (mesmo que se espere que no futuro sejam acrescidos). Desta forma torna-se mais acessível o acompanhamento da sua execução, inclusivamente ao cidadão comum. O futuro e o sucesso da Rede Social passa por uma boa adesão ao PDS e uma boa taxa de execução do Plano de Acção (documento que operacionaliza os objectivos definidos no PDS).
Os objectivos gerais do PDS foram priorizados na reunião de CLAS de 14 de Março de 2007, com o recurso ao método de grupo nominal.
Eixo 1 Mobilidade e Acessibilidade
Eixo 1 Mobilidade e Acessibilidade
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Diminuir as barreiras arquitectónicas dos edifícios públicos e bairros de habitação social (até 2009)
" Estabelecimento de parcerias específicas entre Autarquias, Organismos e Serviços Públicos, Associações de Deficientes, entre outros.
2º
Aumentar a participação da população na intervenção e transformação do território (até 2009)
" Promoção de acções de sensibilização, informação e iniciativa da população, relativamente à sua
participação na intervenção e transformação do território (instrumentos de gestão territorial).
3º
Aumentar a qualidade, eficiência e cobertura dos transportes públicos (até 2009)
" Promoção de uma estreita articulação entre a Autarquia e a concessionária dos transportes rodoviários em matéria de definição de estratégias a adoptar, na requalificação dos transportes colectivos de passageiros.
4º
Aumentar a mobilidade da população no espaço público (até 2009)
" Promoção de condições adequadas aos cidadãos de mobilidade condicionada.
" Mobilização das juntas de freguesia para a proposta/criação de redes pedonais acessíveis.
4º
Integrar nos diversos
instrumentos de planeamento do território articulação e
complementaridade entre si (até 2009)
" Desenvolvimento da comunicação entre os diversos agentes envolvidos na disciplina de planeamento. " Promoção da utilização dos sistemas de informação
geográfica como instrumento de trabalho na intervenção planeada e integrada do território (vertente urbana e social).
Eixo 2 Organizações e Trabalho em Rede
Eixo 2 Organizações e Trabalho em Rede
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Elevar os níveis de eficácia e eficiência das organizações locais de forma a melhorar a sua resposta à comunidade (até 2009)
" Implementação de avaliação e acompanhamento regular das organizações e das suas intervenções. " Promoção da participação activa dos beneficiários na
vida das organizações.
" Qualificação dos recursos humanos das organizações.
2º
Elaborar e implementar em parceria (as entidades do CLAS) pelo menos um projecto para cada eixo deste PDS (até 2009)
" Facilitação da comunicação e da complementaridade.
" Dinamização das parcerias existentes e sua efectiva operacionalização
Eixo 3 Famílias e Redes de Apoio Social
Eixo 3 Famílias e Redes de Apoio Social
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Aumentar a cobertura e qualificar os equipamentos e respostas sociais ao nível da deficiência, pessoas sem abrigo, doentes mentais, alcoólicos, portadores de HIV/SIDA (até 2009)
" Facilitação da aplicação das medidas do PNAI e outros planos nacionais definidos para este efeito.
2º
Aumentar o número de equipamentos e respostas sociais sediadas nas freguesias periféricas (até 2009)
" Apoio e dinamização das associações locais para o desenvolvimento de respostas sociais adequadas à população.
3º
Aumentar os níveis de
protecção de crianças e jovens (até 2009)
" Reforço do acompanhamento familiar e escolar " Apoio aos jovens para a definição dos projectos de
vida a longo prazo.
" Prevenção de comportamentos de risco
" Aumento da cobertura e qualificação das respostas sociais para a primeira infância (creches e pré-escolar).
4º
Aumentar o n.º de famílias com idosos e pessoas dependentes que acedem aos serviços e respostas existentes (até 2009)
" Qualificação da informação (por ex. através da actualização ou de mais edições do Guia para a Deficiência - CMS) ex.: Transporte para deficientes. " Dinamização de uma rede que identifique e
acompanhe as famílias com idosos e pessoas dependentes.
" Facilitação da aplicação das medidas do PNAI definidas para este efeito.
5º
Diminuir a dependência dos indivíduos e famílias dos apoios de acção social e RSI (até 2009)
" Reorganização e simplificação dos processos e facilitação do acesso às respostas.
" Promoção do envolvimento e responsabilização dos indivíduos e famílias nos processos de inserção. " Sensibilização da comunidade para disponibilizar
resposta ao nível dos processos de inclusão. " Sensibilização das empresas e as instituições para a
inclusão social.
Eixo 4 Envelhecimento da População
Eixo 4 Envelhecimento da População
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Diminuir o número de idosos em situação de precaridade económica e habitacional (até 2009)
" Criação de uma rede de apoio e monitorização para detecção de idosos em situação económica precária e/ou isolados.
" Utilização dos recursos existentes ao nível das prestações sociais (CSI).
" Divulgação de programas e medidas de apoio à requalificação habitacional.
" Facilitação da elaboração dos dossiers de candidatura a esses programas e medidas.
1º
Aumentar a capacidade de resposta de prestação de cuidados de saúde continuados e do acompanhamento médico de proximidade (até 2009)
" Facilitação da aplicação das medidas do PNAI definidas para este efeito.
2º
Aumentar a cobertura e qualificar os equipamentos e respostas sociais para a população idosa: por exemplo lares, apoio domiciliário e Centros de Dia (até 2009)
" Apoio a candidaturas de programas de alargamento das valências para idosos.
3º
Aumentar o número de beneficiários abrangidos por apoios sociais destinados a idosos em situação de isolamento social e reduzida autonomia e mobilidade (até 2009)
" Promoção do voluntariado de apoio a idosos. " Dinamização actividades com os idosos que
promovam a sua integração e participação e que previnam o isolamento.
4º
Diminuir o isolamento da população idosa associado às barreiras arquitectónicas e problemas de acessibilidade (até 2009)
" Sensibilização dos profissionais e entidades ligadas ao urbanismo e construção.
5º
Aumentar o número de
profissionais com competências na área de apoio a idosos (até 2009)
" Levantamento de necessidades de perfis profissionais, de competências para trabalho com idosos (em conjunto com IEFP e IPSS do sector).
Eixo 5 Impactos da Terciarização da Economia
Eixo 5 Impactos da Terciarização da Economia
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Aumentar a taxa de reconversão profissional de desempregados do sector secundário (até 2009)
" Promoção do empreendedorismo (reconversão para o sector terciário).
" Promoção da articulação entre empresas e instituições de formação.
2º
Requalificar e valorizar o centro histórico e o seu património arquitectónico (até 2009)
" Articulação com POLIS - requalificação da frente ribeirinha.
" Articulação com o Gab. Centro Histórico (CMS). " Elaboração do planos de intervenção (por ex.: de
salvaguarda).
3º
Aumentar o número de agentes económicos e população em geral que conhece as linhas estratégicas de
desenvolvimento para o concelho (até 2009)
" Divulgação do PEDEPES e Plano Estratégico. " Divulgação (workshop anual) sobre sistema de
incentivos.
4º
Manter ou aumentar o número de residentes do centro histórico (até 2009)
" Incentivo e divulgação do PROHABITA, junto dos residentes e outros agentes locais.
Eixo 6 Sustentabilidade e Qualidade de Vida
Eixo 6 Sustentabilidade e Qualidade de Vida
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
1º
Diminuir o número de idosos em situação de precaridade económica e habitacional (até 2009)
" Criação de uma rede de apoio e monitorização para detecção de idosos em situação económica precária e/ou isolados
" Utilização os recursos existentes ao nível das prestações sociais (CSI).
" Divulgação de programas e medidas de apoio à requalificação habitacional.
" Facilitação da elaboração dos dossiers de candidatura a esses programas e medidas.
2º
Aumentar a cobertura e qualificar os equipamentos e respostas sociais, por exemplo ao nível da deficiência, pessoas sem abrigo, doentes mentais, alcoólicos, portadores de HIV/SIDA (até 2009)
" Facilitação da aplicação das medidas do PNAI e outros planos nacionais definidos para este efeito.
3º
Atingir os 100% da área urbana da freguesia da GPA cobertos pelo abastecimento de água da rede pública (até 2009)
" Conclusão da obra "Projecto de Execução do Abastecimento de Água, Drenagem e Tratamento de Águas Residuais ao Lugar da Gâmbia".
4º
Reduzir a ocorrência das infracções ambientais no concelho (até 2009)
" Reforço da aplicação da legislação e respectiva fiscalização.
" Licenciamento criterioso de actividades económicas e eventos.
5º
Aumentar o número de espaçosde lazer qualificados (até 2009)
" Estabelecimento de parcerias específicas entre Autarquias, Organismos e Serviços Públicos, Associações de Deficientes, entre outros.
6º
Aumentar o número de crianças em programas de educação ambiental (até 2009)
" Criação de / apoio a programas de apoio a projectos escolares.
" Articulação com programas nacionais que partilham objectivos de educação ambiental.
7º
Aumentar a qualidade, eficiência e cobertura dos transportes públicos (até 2009)
" Promoção de uma estreita articulação entre a Autarquia e a concessionária dos transportes rodoviários em matéria de definição de estratégias a adoptar, na requalificação dos transportes colectivos de passageiros.
Eixo 6 Sustentabilidade e Qualidade de Vida (cont.)
Prioridade Objectivo Geral Estratégias
8º
Requalificar e valorizar o centro histórico e o seu património arquitectónico (até 2009)
" Articulação com POLIS - requalificação da frente ribeirinha.
" Articulação com o Gab. Centro Histórico (CMS). " Elaboração do planos de intervenção (por ex.: de
salvaguarda).
9º
Aumentar o conhecimento dos automobilistas sobre a poluição do ar e do ruído (decorrente do tráfego rodoviário) e sobre alternativas de transporte (até 2009)
" Divulgação dos dados de monitorização da qualidade ambiental em conjunto com os do tráfego rodoviário " Promoção de meios de transporte alternativos (por
Avaliação
A Avaliação é uma das questões centrais quando falamos actualmente em intervenções sociais. É sem dúvida importante que a implementação do Plano de Desenvolvimento Social e os respectivos Planos de Acção sejam monitorizados e objecto de uma avaliação intermédia e final que possibilite verificar a eficiência e eficácia dos mesmos, possibilitando, caso tal se justifique, a introdução de medidas correctivas ou mesmo alterações mais profundas no sentido de garantir que este é um instrumento efectivo para o desenvolvimento do concelho de Setúbal
Neste PDS são enunciados um conjunto de objectivos gerais e estratégias priorizados pelo CLAS na medida em que os recursos são escassos e a sua dispersão não será a forma mais eficaz de os rentabilizar.
Índice
O Plano de Desenvolvimento Social...1
Introdução...1
Eixo 1 Mobilidade e Acessibilidade ...4
Eixo 2 Organizações e Trabalho em Rede ...5
Eixo 3 Famílias e Redes de Apoio Social ...6
Eixo 4 Envelhecimento da População...7
Eixo 5 Impactos da Terciarização da Economia...8
Eixo 6 Sustentabilidade e Qualidade de Vida...9