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Direito Processual Civil

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S

UMÁRIO

Introdução ...3

14. Tutela Provisória ...4

14.1. Tutela de urgência ...11

(3)

INTRODUÇÃO

Chegamos a mais uma aula do curso de processo civil. Esperamos que esteja gostando da forma como o conteúdo está sendo passado!

Nesta aula, vamos tratar de um tema de grande importância dentro do direito processual civil. Logo, muito cobrado em provas de concurso. Trata-se das tutelas provisórias. Esse tema sofreu alterações com o advento do Novo Código de Proces-so Civil, que o sistematizou melhor.

Além das tutelas provisórias, iremos estudar a formação, suspensão e extinção do processo, outro tema de suma importância.

Lembre sempre: a sua prova é de múltipla escolha, o examinador apresenta as-sertivas acerca da matéria. E, invariavelmente, alguma assertiva será a letra da lei. Então, sendo repetitivo, não deixe de ler a lei seca! Isso é fundamental para você conseguir consolidar a matéria na mente.

Nesta aula, portanto, estudaremos sobre:

14 Tutela provisória 14.1 Tutela de urgência 14.2 Disposições gerais

15 Formação, suspensão e extinção do processo

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14. Tutela Provisória

O tema tutela provisória está disciplinado na parte geral do Código de Processo Civil, nos arts. 294 a 311.

O termo “tutela” aqui é utilizado como sinônimo de “decisão judicial”. Assim, podemos conceituar tutela provisória como decisões judiciais provisórias (não de-finitivas), proferidas com base em cognição sumária (juízo de probabilidade de existência do direito pleiteado).

Desse conceito podemos destacar os seguintes elementos principais: a) decisão judicial de natureza provisória; b) cognição sumária.

Essas são as duas semelhanças de todas as tutelas provisórias, isto é, qualquer espécie de tutela provisória terá por base esses 02 (dois) elementos.

A ideia de decisão provisória significa que em algum momento da relação jurí-dica processual essa decisão precisará ser confirmada, a fim de se tornar definitiva e ser atingida pela coisa julgada material.

Por sua vez, a cognição sumária significa que o juízo irá decidir com base em mera probabilidade da existência do direito alegado.

Perceba que não é possível nesse momento processual fazer um exame mais aprofundado da matéria de fato e de direito. Isso ocorrerá na cognição exaurien-te, que, em regra, ocorre após a fase de instrução processual, quando as partes apresentam as provas da existência do seu direito, permitindo que o juízo julgue a causa com base em juízo de certeza.

Preste atenção! Tutela provisória é um gênero que comporta 2 (duas) espécies, que são:

a) Tutela de urgência; b) Tutela de evidência.

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Essa divisão consta expressamente do art. 294, caput do CPC/2015:

Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.

Por sua vez, as tutelas de urgência são de 02 (duas) espécies: b.1) Tutela cautelar;

b.2) Tutela antecipada.

Essa subdivisão está prevista no parágrafo único do art. 294, do CPC/2015:

Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental.

Antes de adentrarmos no estudo de cada uma dessas espécies, é preciso enten-der suas diferenças.

A semelhança é clara: ambas são decisões provisórias, proferidas com base, em regra, em cognição sumária.

Mas qual é a diferença?

A principal diferença entre as espécies de tutelas provisórias residem na causa (nos fundamentos) para sua concessão. As tutelas provisórias de urgência têm como principal fundamento proteger o direito que, em razão do fator tempo

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(moro-sidade do processo), pode sofrer algum dano ou até inexistir. Assim, há uma situ-ação de perigo imediato, que exige uma tutela do Estado naquele exato momento, não podendo aguardar o desenrolar do processo. Aqui, há periculum in mora (pe-rigo ou risco da demora do processo).

Já na tutela de evidência, não há risco de desaparecimento do direito em de-corrência do decurso do tempo, ou seja, não há periculum in mora. O juiz irá proferir uma decisão satisfativa, de maneira antecipada, pois, naquelas hipóteses previstas em lei – art. 311, do CPC/2015 – a presença do direito material é evi-dente, logo, é razoável que a parte possa gozar desse direito de imediato, sem precisar aguardar até o fim do processo. Trata-se de uma técnica de aceleração do resultado do processo.

Olhe bem! O CPC/2015 sistematizou as tutelas provisórias da seguinte forma: primeiro, disciplina as disposições gerais do gênero tutelas provisórias, para so-mente em seguida tratar de cada espécie de maneira mais específica.

Isso significa que essas disposições, a princípio, aplicam-se tanto as tutelas de urgência, quanto as tutelas de evidência.

Tutela de urgência tem periculum in mora Tutela de evidência não tem periculum in mora

Agora, vamos analisar as disposições gerais inerentes as duas espécies de tu-telas provisórias.

A primeira questão que se apresenta é saber quanto tempo a tutela provisória uma vez concedida preserva sua eficácia?

Essa questão é respondida no art. 296, do CPC/2015. De acordo com o dispositi-vo, a tutela provisória conserva sua eficácia enquanto o processo estiver pendente.

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Como visto, trata-se de uma decisão de natureza provisória, que foi proferida com base em um juízo de probabilidade da presença do direito alegado. Por isso, se no curso do processo, com o aprofundamento da cognição, o juiz verificar que novos elementos estão presentes aptos a afastar as premissas formadas na cognição sumá-ria, essa decisão provisória pode ser revogada ou modificada a qualquer momento. Por isso, que se diz que a tutela provisória possui natureza precária, já que pode ser revogada ou modificada a qualquer momento, não fazendo coisa julgada material.

Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas

pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.

Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia durante o período de suspensão do processo.

Já o art. 298 do CPC/2015 prevê a obrigatoriedade da decisão que resolver acerca do pleito de tutela provisória ser fundamentada.

Art. 298. Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o

juiz motivará seu convencimento de modo claro e preciso.

Qual o procedimento a ser adotado para a efetivação da tutela provisória, quan-do deferida?

O parágrafo único do art. 297, do CPC/2015 prevê que a tutela provisória será efetivada mediante a adoção das normas regentes do cumprimento provisório de sentença.

Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória observará as normas referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber.

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Outro ponto importante é a permissão para que o juízo adote as medidas exe-cutivas que entenda mais adequadas ao caso concreto, a fim de dar efetividade a tutela provisória concedida (art. 297, caput, do CPC). Trata-se do que a doutrina denomina de poder-dever geral de cautela do Juiz, pois a lei confere ampla liber-dade ao magistrado de adotar medidas executivas típicas e atípicas, a fim de dar efetividade ao seu comendo.

Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para

efetiva-ção da tutela provisória.

Quanto ao momento em que são requeridas, o parágrafo único do art. 294, do CPC/2015 prevê que as tutelas de urgência podem ser pleiteadas em caráter

an-tecedente ou incidental. No entanto, a tutela de evidência só pode ser

requeri-da incidentalmente (no curso do processo).

Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser con-cedida em caráter antecedente ou incidental.

Portanto, a tutela provisória de urgência pode ser pleiteada na própria petição inicial. Neste caso, a parte pode escolher, dependendo do nível de urgência, em apresentá-la das seguintes formas:

a) Apresenta uma petição inicial completa, com todos os fatos e fundamentos e com pedido principal. Nesta peça, faz, também, um pleito antecipatório. b) Apresenta uma petição inicial mais simplificada, requerendo, em especial, a

antecipação dos efeitos do provimento final. O autor indica o pedido principal de forma sucinta. É essa hipótese, que a doutrina denomina de “tutela ante-cipada em caráter antecedente”.

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Note que a tutela de urgência em caráter preparatório ou antecedente, ocorre em casos em que a urgência é tão elevada, que para garantir uma célere e efetiva proteção do direito, basta que o autor apresente, em juízo, uma petição inicial mais simples e objetiva.

No caso de tutela de urgência antecedente, da decisão que apreciou o pedido antecipatório, o autor será intimado e terá um prazo para emendar a petição inicial. Essa emenda tem por finalidade permitir que o autor inclua os fatos e fundamentos que dão ensejam ao pedido principal, de maneira mais detalhada.

Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a

petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pe-dido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo.

§ 1o Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo:

I – o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumenta-ção, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar;

II – o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma do art. 334;

III – não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 335.

§ 2o Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo, o proces-so será extinto sem reproces-solução do mérito.

§ 3o O aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais.

§ 4o Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final.

§ 5o O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício pre-visto no caput deste artigo.

§ 6o Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito.

Por sua vez, o art. 299, do CPC/2015 dispõe acerca da competência do juízo para apreciar o pedido de tutela provisória. Desse modo, será competente:

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Pedido incidental -> Será competente para apreciá-lo o juízo no qual tramita o processo;

Pedido antecedente -> Será competente o juízo que tem competência para apreciar o pedido principal.

Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente,

ao juízo competente para conhecer do pedido principal.

Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na ação de competência originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão jurisdicional compe-tente para apreciar o mérito.

Recapitulando: a tutela provisória será antecedente quando é pleiteada

ante-riormente, ou, no mesmo momento que é realizado o pedido principal (satisfativo). E, deve ser endereçada, em suma, ao juízo competente para apreciar o pedido principal.

Se a tutela provisória for requerida em caráter incidental, a parte deve fazê-lo por meio de simples petição. Nesses casos, o art. 295, do CPC/2015 determina que não há necessidade de recolhimento de custas processuais.

Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter incidental independe do pagamento

de custas.

(FMP CONCURSOS/PGE-AC/PROCURADOR DO ESTADO)

Considere as seguintes afirmativas sobre o tema da tutela provisória no âmbito do Código de Processo Civil. Assinale a alternativa CORRETA.

a) A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida ex-clusivamente em caráter antecedente.

b) Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória perderá a eficácia duran-te o período de suspensão do processo.

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c) A tutela provisória requerida em caráter incidental depende do pagamento de custas.

d) Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o juiz está desobrigado de motivar seu convencimento, diante da urgência da situação.

e) A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente, ao juízo competente para conhecer do pedido principal. Parte inferior do formulário.

Letra e.

14.1. Tutela de urgência

Já fizemos uma visão panorâmica das tutelas provisórias. Agora, vamos estu-dar, de forma mais detalhada, as tutelas provisórias de urgência.

As tutelas de urgência, como vimos, estão intimamente ligadas ao fator tempo, pois são decisões que exigem uma apreciação imediata de um pedido da parte, sob pena de ocorrer um dano irreparável ou o perecimento do seu direito.

As tutelas de urgência podem ser de 02 (duas) espécies: a) Cautelares;

b) Satisfativas ou antecipadas. Qual a semelhança entre elas?

A semelhança entre elas está na exigência de um requisito comum para sua con-cessão: periculum in mora. No entanto, se diferenciam no tocante ao seu conteúdo.

Agora, é preciso diferenciá-las. Qual a diferença entre elas?

A tutela cautelar tem como finalidade garantir que o processo produza um resul-tado útil, pois sua concessão está relacionada com a presença de alguma situação que ponha em perigo a efetividade do processo.

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Já a tutela antecipada tem natureza satisfativa! O que significa isso? A sua concessão visa a satisfação, total ou parcialmente, de plano, da pretensão deduzida em juízo, o que se dá por meio da antecipação da eficácia da decisão de mérito, que somente será proferida no final do processo.

A tutela de urgência cautelar, então, não está relacionada com a satisfação do direito material de imediato (antecipação dos efeitos do provimento final), mas sim objetiva proteger o processo, para que, posteriormente (ao final), ele tenha uma utilidade (efetividade), fazendo com que a decisão de mérito ainda seja apta a tu-telar o direito material (assegurar a futura satisfação).

Perceba: o fator diferenciador dessas espécies de tutela de urgência é o

conte-údo do perigo. Se o perigo recair sobre o direito material, em razão do fator tempo (morosidade), a medida a ser adotada é uma tutela antecipada. Contudo, se o pe-rigo incidir sobre a possibilidade de não efetividade dos efeitos do processo (risco de infrutuosidade), o mecanismo de proteção é a tutela cautelar.

Tutela de urgência cautelar = não satisfativa. Tutela de urgência antecipada = satisfativa.

Requisitos para a concessão das tutelas de urgência:

Para a concessão da tutela provisória de urgência é preciso que estejam presen-tes 02 (dois) requisitos:

a probabilidade do direito; e,

o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Esses requisitos cumulativos estão previstos no art. 300, do CPC/2015:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evi-denciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

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Assim, notem bem, para a concessão da tutela de urgência é necessária a presença de elementos que evidenciem: probabilidade da existência do direito (fumus boni iuris) + perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (periculum in mora).

TUTELA DE URGÊNCIA = FUMUS BONI IURIS + PERICULUM IN MORA

Quando se tratar de tutela de urgência satisfativa mais um requisito se faz ne-cessário. Trata-se de requisito negativo, que está previsto no § 3º do art. 300, do CPC/2015:

§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

O pressuposto negativo significa a proibição de concessão de tutelas de urgência de natureza satisfativa quando seus efeitos forem irreversíveis. A ideia por trás desse requisito é impedir que uma decisão que possui natureza meramente pro-visória acabe produzindo efeitos definitivos (possibilidade de reversibilidade dos efeitos da decisão).

Obs..:

 A presença desse pressuposto negativo quando se tratar de tutela de urgên-cia antecipatória é a regra geral. Mas há exceções em que, em razão da irreversibilidade recíproca, é possível, ante uma ponderação de interesses, o juiz entender pela concessão da tutela de urgência, ainda que saiba da pos-sibilidade da sua irreverpos-sibilidade. (Não vamos nos aprofundar no assunto, a fim de não fugir do propósito desse curso).

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Fiquem atentos, pois, em regra, o juízo irá condicionar a concessão da tutela de urgência, em qualquer espécie a prestação pela parte beneficiada pela decisão de uma caução. É isso que prevê o § 1º, do art. 300, do CPC/2015:

§ 1º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la.

O próprio dispositivo deixa claro que se a parte não tiver condições econômicas de prestar a caução, ante sua hipossuficiência financeira, o juízo pode dispensar sua prestação.

Essa caução tem por finalidade proteger a parte contrária do risco de sofrer da-nos, após a concessão da tutela de urgência, em decorrência da demora excessiva do processo, ou seja, é a medida processual que visa a proteção do que a doutrina denomina de periculum in mora inverso.

Outro ponto importante é a possibilidade de concessão de tutelas de urgên-cia: com prévia audiência de justificação ou sem a prévia oitiva da parte contrária (inaudita altera parte).

Art. 300, § 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após

justifica-ção prévia.

Esse segundo caso caracteriza-se como exceção à regra geral prevista no art. 9º do CPC/2015 (princípio do contraditório), mas que está expressamente prevista naquele dispositivo. Essa medida excepcional deve ocorrer nas hipóteses em a ur-gência não permite o prévio contraditório, que passa a ser diferido!

Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente

ouvida.

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15. Formação, Suspensão e Extinção do Processo

Quanto à sua formação, devemos partir de uma premissa, que é: diante da re-gra da inércia da jurisdição, o processo irá se iniciar, em princípio, pela iniciativa da parte (art. 2º, do CPC/2015).

Assim, de acordo com o art. 312, do CPC/2015 o processo se instaura com o protocolo da petição inicial pelo autor, ou seja, com o exercício do direito de ação pelo autor.

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada,

toda-via, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

Preste atenção, já existe processo mesmo antes da citação do réu!

Por isso, muitos dizem que a formação do processo é gradual, pois para o autor os efeitos da propositura da ação iniciam-se quando da sua propositura, mas para o réu o processo somente produzirá efeitos a partir da sua citação. A partir desse momento que a relação processual se completa. É exatamente isso que dispõe o art. 312, do CPC/2015.

Quais são os efeitos da propositura da demanda, que atingiriam o autor desde a propositura desta e o réu a partir da sua citação válida?

Esses efeitos estão elencados no art. 240, do CPC:

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litis-pendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o

disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).

Com a citação do réu ocorre o fenômeno da estabilização do processo!

A consequência desse fenômeno é que, após a citação do réu, fica vedado ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o consentimento do réu, o que só pode ser feito até o saneamento do processo.

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Note que antes da citação do réu é possível que o autor altere o pedido e a cau-sa de pedir livremente!

Art. 329. O autor poderá:

I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu;

II – até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifes-tação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.

Perceba, que após o saneamento do processo não será permitida a alteração do pedido ou da causa de pedir.

Suspensão do processo.:

O processo é uma marcha para frente até a efetiva prestação jurisdicional. Logo, em regra, essa marcha processual não deve ser objeto de paralisações tem-porárias (suspensões).

No entanto, a lei prevê certas situações excepcionais, nas quais a paralisação temporária do processo apresenta-se necessária. Cuidam-se das hipóteses previs-tas no art. 313, do CPC/2015. Aqui é importantíssima a leitura da lei!!!

Art. 313. Suspende-se o processo:

I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador;

II - pela convenção das partes;

III - pela arguição de impedimento ou de suspeição;

IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; V - quando a sentença de mérito:

a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexis-tência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo;

VI - por motivo de força maior;

VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo;

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IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo pro-cesso constituir a única patrona da causa;

X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar-se pai.

A suspensão, portanto, seria a paralisação total e temporária do processo. A primeira hipótese de suspensão prevista no art. 313, do CPC/2015, cuida da morte ou da perda de capacidade processual das partes ou de seus procuradores. Nesses casos, deve ocorrer a sucessão processual, o que se dá mediante a habilita-ção dos sucessores. Deve se observar o disposto no § 2 do art. 313, do CPC/2015:

§ 1º Na hipótese do inciso I, o juiz suspenderá o processo, nos termos do art. 689. § 2º Não ajuizada ação de habilitação, ao tomar conhecimento da morte, o juiz deter-minará a suspensão do processo e observará o seguinte:

I - falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que promova a citação do res-pectivo espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses;

II - falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio, determinará a intimação de seu espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de extin-ção do processo sem resoluextin-ção de mérito.

Quando a morte for do procurador de uma das partes, deve se observar o pro-cedimento previsto no § 3º, do art. 313, do CPC/2015:

§ 3º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a audi-ência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo manda-tário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.

Durante essa suspensão, nos termos do art. 314, do CPC/2015, em princípio, nenhum ato processual deve ser praticado. No entanto, a exceção é quando se tratar de atos considerados urgentes, com a finalidade de evitar danos irreparáveis às partes.

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Art. 314. Durante a suspensão é vedado praticar qualquer ato processual, podendo o

juiz, todavia, determinar a realização de atos urgentes a fim de evitar dano irreparável, salvo no caso de arguição de impedimento e de suspeição.

Quando o motivo da suspensão do processo for a arguição de impedimento ou suspeição do juiz, este não poderá decidir acerca da necessidade de práticas de atos envolvendo tutelas de urgência. Nesse caso, as tutelas de urgência devem ser requeridas pelo substituto legal do juiz considerado parcial.

De acordo com o art. 313, II do CPC/2015, a suspensão do processo pode de-correr de requerimento conjunto das partes. Isso ocorre, muitas vezes, quando as partes estão na iminência de obter uma transação.

Nestes casos, quanto tempo o processo pode ficar suspenso o processo?

O art. 313, § 4º, do CPC/2015 prevê o prazo máximo de suspensão de 06 (seis) meses. E, uma vez esgotado esse prazo, o juiz determinará o prosseguimento do feito, na forma do § 5 do art. 314, do CPC/2015.

§ 4º O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder 1 (um) ano nas hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II.

§ 5º O juiz determinará o prosseguimento do processo assim que esgotados os prazos previstos no § 4o.

O inciso V, do art. 313, do CPC apresenta 02 (duas) hipóteses de questão pre-judicial externa.

A questão prejudicial é espécie de “questão prévia”, que precisa ser apreciada antes de se adentrar no mérito, pois a sua solução influenciará no seu resulta-do. E, a questão prejudicial é chamada externa, quando a resolução da questão prejudicial ocorre fora da relação processual na qual foi levantada, mas sim em processo distinto.

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Exemplo de questão prejudicial é o debate acerca da constitucionalidade de um dispositivo, que serve como fundamento jurídico para decidir a pretensão deduzida em juízo.

Nesses casos, do art. 313, “V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) ti-ver de ser proferida somente após a ti-verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo;”, o processo ficará suspenso pelo prazo máximo de 01 (um) ano.

Fique atento ao art. 315, do CPC/2015! Trata da hipótese em que o julgamento do processo cível depende da verificação de fato delituoso, o que deve ocorrer no juízo criminal.

Art. 315. Se o conhecimento do mérito depender de verificação da existência de fato

delituoso, o juiz pode determinar a suspensão do processo até que se pronuncie a jus-tiça criminal.

§ 1º Se a ação penal não for proposta no prazo de 3 (três) meses, contado da intimação do ato de suspensão, cessará o efeito desse, incumbindo ao juiz cível examinar inciden-temente a questão prévia.

§ 2º Proposta a ação penal, o processo ficará suspenso pelo prazo máximo de 1 (um) ano, ao final do qual aplicar-se-á o disposto na parte final do § 1o.

Extinção do processo

Como o processo se extingue?

Nos termos do art. 316, do CPC/2015, o processo só se extingue através de uma sentença.

Art. 316. A extinção do processo dar-se-á por sentença.

Qual o conceito de sentença?

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Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões

interlocutó-rias e despachos.

§ 1o Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.

Em suma, a sentença deve ser entendida como o ato do juiz que põe termo à fase cognitiva de um processo sincrético ou à execução (autônoma ou fase de cumprimento de sentença), tendo como conteúdo uma das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, do CPC.

Obs..:

 O processo sincrético é aquele que se desenvolve em 02 (duas) fases dis-tintas: fase cognitiva (de conhecimento) e executiva (cumprimento de sen-tença). São 02 (duas) fases dentro de um mesmo processo. Nesse caso, repare, que haverá 02 (duas) sentenças, uma primeira para pôr termo a fase cognitiva e outra, extinguindo a fase executiva.

Ponto importante! Quanto ao seu conteúdo, a sentença pode ser de 02 (duas) espécies:

a) Terminativas b) Definitivas

As sentenças terminativas são aquelas em que não há resolução do mérito, o que ocorre quando se está perante de uma das hipóteses do art. 485, do CPC/2015:

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:

I - indeferir a petição inicial;

II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;

IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;

V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;

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VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;

VIII - homologar a desistência da ação;

IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e

X - nos demais casos prescritos neste Código.

A extinção do processo sem resolução do mérito é algo excepcional! Isso porque, temos que ter em mente que o processo nada mais é do que um instrumento para que o Estado possa solucionar conflitos, o que se dá mediante a apreciação da pretensão apresentada pela parte autora. Essa é a ideia de instrumentalidade do processo. O processo não deve ser visto como um fim em si mesmo.

Assim, o desfecho normal e esperado de um processo é que a lide seja julgada, ou seja, que o juízo aprecie o mérito. Trata-se do princípio da primazia da

reso-lução do mérito.

Partindo dessa premissa é que o art. 317, do CPC/2015 prevê que antes de ser declarada a extinção do processo sem resolução do mérito, deve ser oportunizado a parte corrigir o vício, a fim de que o processo possa prosseguir até o desfecho natural, que é a solução do mérito.

Somente após a intimação da parte para solucionar o vício, sem que isso ocorra é que o juiz está autorizado a extinguir o processo com base no art. 485, do CPC/2015.

Art. 317. Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à

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A prolação de uma sentença terminativa, em regra, não veda a propositura da ação novamente. Isso decorre de o fato da sentença terminativa não ser atingida pela coisa julgada material1. Assim, havendo a extinção do processo sem

aprecia-ção do mérito, a parte pode ajuizar a aaprecia-ção de novo.

Cuidado, pois nos casos de litispendência, bem como aqueles previstos nos in-cisos I, IV, VI e VIII, do art. 485, a propositura da nova demanda somente poderá ocorrer caso o vício que deu causa à extinção sem resolução do mérito seja corrigido.

Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a parte

proponha de novo a ação.

§ 1° No caso de extinção em razão de litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485, a propositura da nova ação depende da correção do vício que levou à sentença sem resolução do mérito.

§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado.

As sentenças definitivas são aquelas em que há a resolução do mérito, conside-rando-se como tal quando o juiz proferir essa espécie de pronunciamento judicial com base em uma das hipóteses do art. 487, do CPC/2015:

Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:

I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;

II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III - homologar:

a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação;

c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.

A decisão que resolve o mérito é atingida pela coisa julgada material. Logo, uma vez transitada em julgada a sentença (quando não couber mais recursos), esta torna-se imutável e indiscutível, ou seja, não pode ser objeto de nova ação com o mesmo objeto.

Referências

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