EDITORIAL
A IV Conferência M undial da ONU sobre a mulher, que acontecerá em setem bro , na China, insere-se em u m processo desencadeado a partir de 1972 , quando a Assembléia Geral da ONU proclamou o ano de 1975 como Ano I nternacional da Mul her e realizou uma Conferência M undial , no México , om o objetivo de formular recomendações para alcan çar a plena igualdade e patici pação da mulher na vida social e pol ítica . Esta Conferência foi seg uida da 2ª, que aconteceu em Copenhague, en 1980, e da 3a ocorrida em Naiobi, em 1985.
Na presente década ocorreram outros importantes eventos nos quais os movimentos de mul heres tiveram paticipação expressiva : A Conferência das Nações U nidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO '92) , no Rio de Janeiro (precedida de reuniões preparatórias, entre as quais a de Miami , que resu ltou na Agenda 21 de Ação da Mul he res) , a Conferência Mundial de Direitos Humanos, real izada em Viena em 1993 e a 3ª Conferência I ntemacional sobre Popu lação e Desenvolvi mento , no Cairo, em 1994.
Em todos esses momentos obsevou-se uma acirrada batalha entre entidades e ONG 's, de um lad o , e governos do outro , em relação a q uestões fu ndamentais, como d i reitos hu manos, direitos reprodutivos, ecologia, tendo o movimento de mulheres conseguido que m u i t a s d e s u a s p r o p osta s fossem assu m i d a s p e l o s g ov e r n o s , e rea l i za d o , concomitantemente às Conferências oficiais, reu niões paralelas de grande repercussão . Com a Conferência de Pequim, não será diferente . Está havendo, potanto , dois pro cessos que resu ltarão em dois docu mentos: um governamenta l , que no Brasi l etá sendo coodenado pelo Itamaraty, e o outro , do movi mento de mulheres, coordenado pelo Com itê Nacional da Aticulação de Mulheres para Beijing 95, que vem sendo constru ído através de discussões preparatórias em diversos pontos do país.
A Conferência de Pequim reveste-se de paticular i m potância , por ser a últi ma deste século, e porque deverá fazer uma anál ise geral dos avanços das m u l heres desde 1985, além de definir propostas e estratég ias a serem implementadas no período 1996/2001.
As questões que serão tratadas em Peq u i m , como pobreza , meio am biente , saúde, educação, d ivisão do trabalho, se são u n iversais, a nós enfermeiras, dizem respeito paticu larmente , como m u l heres que somos majoritariamente e como profissionais de saúde que lidamos cotidianamente com a população feminina atendida nos serviços de saúde.
É necessário que refl itamos, em que proporção temos sido agentes de processos discriminatórios e do discu rso e práticas medical izadorassobre o corpo da m u l her; até que ponto, temos desconhecido as carateríticas emergentes do seu erfil epidemiológio, evidenciadas pelo crescimento de doenças crônico - degenerativas, como as neo plásicas
e adio-vasculares, e continuamos a vê-Ias como mães, grávidas ou potencialmente grá vidas; em que g ra u temos nos calado frente à violência doméstica e sexual, de que são vítimas, e assistido passivamente ao desmantelamento da rede pública , à não i m planta ção e consolidação do PAI S M , aos criminosos índices de esterel izações, operações ce sarianas e motalidad e matena; o q uanto temos ignorado as situações de saúde de opu lações especíicas, como mulhees idosas, em cárere, protitutas, meninas em situação de rua , tabalhadoras rurais, para citar alguns exemplos.
Acreditamos que nesta gestão , ABEN cumpri u a meta estabelecida em seu plano trienal d e trabalho, ao estabelecer uma relação mais orgânica com os movimentos de mulheres, patici pando de seus eventos, debatendo o tema em congressos e encontros, publicando matérias e a tigos nesta revista e no seu Boletim I nfomativo , e i ncl usive ele
gendo como tema da 56! Semana de Enfermagem, "Mulhe r - o Ser e o Fazer na Saúde".
É m u ito pouco ainda, considerando as questões que a condição feminina nos i m põe.
Mas, é u m passo ad iante .