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(1)

TCOR/EngEl Pedro Costa [email protected] Tel. 226013

Instituto Universitário Militar

(2)

AS PRINCIPAIS TEORIAS

Realismo Liberalismo Construtivismo

Realismo

(3)

Realismo

Neorrealismo (Estrutural)

Defensivo

Ofensivo Clássico

AS PRINCIPAIS TEORIAS

Kenneth Waltz 1979

(4)

NEORREALISMO (Realismo Estrutural)

• O SI é caraterizado pela ESTRUTURA (distribuição de Poder) e pelo PROCESSO (padrões e interação entre unidades).

• Os sistemas políticos são constituídos por 3 elementos:

Um princípio ordenante (anarquia vs hierarquia);

O caráter das unidades (“princípio da autoajuda”);

Distribuição das capacidades  dita o comportamento dos Estados na busca do Equilíbrio de Poder.

Neorrealismo DEFENSIVO ou OFENSIVO

Kenneth Waltz

(5)

• A competição entre Estados deriva da necessidade de SEGURANÇA.

• Os Estados avaliam a ameaça de outros:

Equilíbrio de capacidades ofensivas/defensivas;

Poder relativo (não buscam a hegemonia);

• Os Estados limitam a obtenção de poder de forma a mitigar a possibilidade que outros se juntem em alianças contra si (equilíbrio de ameaça);

• Como incrementos de capacidades podem ser anulados, tentativa de adquirir mais segurança com mais poder é uma ação inútil.

NEORREALISMO (Realismo Estrutural)

Princípios da Soma Zero e Dilema de Segurança

Neorrealismo DEFENSIVO (cont.)

(6)

Neorrealismo OFENSIVO (mais pessimista)

• Pressupostos

SI é anárquico e Estados são os atores principais;

A sobrevivência é o principal objetivo dos Estados;

Todos os Estados possuem algum tipo de capacidade ofensiva e nunca têm certeza das intensões dos outros.

• Da combinação dos pressupostos saem 3 comportamentos:

Os Estados temem-se mutuamente (medo);

Os Estados apenas podem contar com a autoajuda;

Melhor estratégia de sobrevivência é maximização relativa do poder.

John Mearsheimer

NEORREALISMO (Realismo Estrutural)

“Os Estados tendem a aumentar o seu poder, relativamente aos demais, de forma a

(7)

Teoria Liberal geral (Andrew Moravcsik)

Pressupostos:

Primazia dos atores sociais (indivíduos e grupos privados);

Representação e preferências dos Estados (representantes oficiais definem

as preferências dos Estados e atuam conscientemente na política internacional de acordo com os interesses dessa sociedade);

Interdependência determina o comportamento no seio do SI.

LIBERALISMO

Andrew Moravcsik (1997)

“Os Estados não são caixas negras que procuram apenas sobreviver, representam a configuração dos interesses individuais e societáis (através do Governo)”

(8)

Interdependência Complexa

• Estados utilizam as Organizações Internacionais (OI) para potenciar a consecução dos seus interesses;

• Rutura com a visão “Estatocêntrica” do realismo dando lugar a uma visão “interdependente” (OI);

• “Low politics” e “high politics” com mesma pertinência;

• Quando a interdependência complexa prevalece, os governos envolvidos tendem a não empregar a força entre si.

NEOLIBERALISMO (institucionalismo)

1977

Como superar problemas coletivos?

Como negociar, obter e monitorizar acordos?

(9)

AS PRINCIPAIS TEORIAS - Comparação

Realismo Liberalismo Construtivismo

Pressuposto teórico base

Anarquia

Estados competem pelo poder e

segurança

Estados buscam o progresso e a prosperidade

Valores liberais (Paz, vetor social,…)

Normas coletivas e identidade social moldam o

comportamento Principal instrumento

da política

Poder militar e económico

Instituições,

interdependência

Ideais e identidade Tendências para o

período pós-Guerra Fria

Ressurgimento da competição entre as grandes potências

Cooperação crescente

Dependente do conteúdo das ideias

(10)

TEMA 2.1 Teorias das Relações Internacionais

OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

Após esta sessão, os discentes serão capazes de identificar as duas principais teorias das relações internacionais, nomeadamente, a Liberal e a Realista; e de explicar as caraterísticas que as diferenciam.

QUESTÃO

Na visão realista das Relações Internacionais,

quais são os principais pressupostos teóricos

base?

A. Normas coletivas e identidade social moldam o comportamento.

B. Existência de anarquia no Sistema Internacional e os Estados competem pelo poder e segurança

(11)

TCOR/EngEl Pedro Costa [email protected] Tel. 226013

Instituto Universitário Militar

(12)

Têm condições para a mobilização dos recursos que lhes permitem alcançar os seus objetivos, que têm capacidade para exercer influência sobre os outros atores internacionais e que gozam de certa autonomia.

Barbé, 1995

ATOR DO SPI

Obje%vos Autonomia

Influência Recursos

Ator do SPI

Adaptação de: (Maltez, 2002, p.161 citando Barbé, 1995)

(13)

jus belli

jus tractuum jus legationis

Advém do RECONHECIMENTO

POPULAÇÃO PERMANENTE

TERRITÓRIO RECONHECIDO

PODER POLÍTICO SOBERANO Elementos do Estado

O ESTADO

(14)

• …caraterística que define um Estado.

• Consiste na “governação política, sem contestação, de um Estado sobre determinado território”, representando assim “o direito exclusivo deste [Estado] exercer todos os seus poderes sobre o território, como o monopólio de legislação, regulamentação e jurisdição”.

• …é a ideia de que existe uma autoridade política permanente e absoluta, acima da qual nenhuma outra existe.

Fonte: (Hinsley, 1986, p. 26) -In: “Sovereignty”

Um Estado não possui par a nível interno nem superior a nível externo (anarquia do SI).

SOBERANIA

Summa Potestas

(15)

COMPETÊNCIA PRIMÁRIA COMPETÊNCIA SECUNDÁRIA ou DERIVADA

Atores estatais

Supraestatais

(ONU, UE, FMI, etc.)

Infraestatais

(Catalunha, etc.)

Antiestatais/paraestatais

(M. Subversivos, EI, FARC, Cartéis Droga, etc.)

Atores não-estatais

As Grandes Corporações Transnacionais

(Corp. transnacionais -max. lucro: GM, Toyota, Microsft, Shell, etc.)

As redes, a esfera pública não estatal e ONGs Globais

(ONG: Amnistia Internacional, Cruz Vermelha, etc.)

Atores individuais (Ghandi, Dalai Lama, etc.)

(Thales Castro, 2012, p. 431)

ATORES

(16)

Organismos internacionais e coletividades de Estados, criados por desígnio e livre vontade destes e com personalidade jurídica no âmbito do Direito Internacional.

(Thales Castro, 2012, pp. 433-434)

ATORES ESTATAIS - Supraestatais

(17)

Unidades políticas subnacionais que podem ter capacidade político-jurídica de negociação e articulação internacional, mediante anuência plena e expressa da autoridade do governo central, de acordo com os respetivos dispositivos constitucionais daquele Estado.

(Thales Castro, 2012, p. 435)

ATORES ESTATAIS - Infraestatais

Autonomia e acessos à vida internacional limitada!

(18)

Movimentos e grupos revolucionários, guerrilheiros ou fundamentalistas que, por meio do uso da violência e intimidação visam minar e mitigar a autoridade e soberania do Estado.

(Thales Castro, 2012, pp. 435-436)

ATORES ESTATAIS - Antiestatais

(19)

Podem ter uma índole política, religiosa, económica, entre outras, operam de forma transnacional, mas os seus membros não são governos ou os seus representantes legais, possuindo assim um cariz não estatocêntrico.

(Thales Castro, 2012, pp. 438-4340)

ATORES NÃO-ESTATAIS

Corporações Transnacionais Organizações Não-Governamentais Globais

(20)

Os atores individuais exercem poder mesmo sem qualquer vínculo a Estados (e ao poder destes), ressaltando e alterando a agenda internacional em temas como a responsabilidade social, conscientização ecológica e respeito pelos direitos humanos.

(Thales Castro, 2012, pp. 440-443)

ATORES INDIVIDUAIS

(21)

Em sentido lato, um sistema político internacional pode ser definido como um conjunto de centros independentes de decisões políticas que interactuam com uma certa frequência e regularidade.

… regido pelos princípios da soberania, integridade territorial e igualdade legal dos Estados.

(Cabral Couto, 1988, pp. 19 e 39)

É constituído por um conjunto de atores, cujas relações geram uma configuração de poder [estrutura] dentro da qual se produz uma rede complexa de interações [processos] de acordo com determinadas regras.

Barbé

(22)

ESTRUTURA

Distribuição do poder variável (unipolar, bipolar, multipolar)

PROCESSO

Principio ordenante constante (anarquia) Caráter unidades constante (autoajuda) (Neorrealista)

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(Neoliberal)

Cooperação

(23)

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

Unipolar

Bipolar

Multipolar Difuso

A polaridade refere-se ao número de atores e à distribuição de capacidades (diferenciação) entre estes e, desta maneira, é um indicador da estrutura do sistema.

(Dougherty, 2003, 156)

DISTRIBUIÇÃO DE PODER (Polaridade)

(24)

SISTEMAS UNIPOLARES

Estrutura em que as capacidades do estado unipolar são tão vastas que nenhuma combinação de estados é capaz de as contrabalançar.

William Wohlforth

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(25)

• Sistemas unipolares são instáveis e, consequentemente perigosos;

• Menores potências tendem a criar alianças de forma a contrabalançar potência hegemónica mundial;

• Sistema unipolar é, assim, transitório.

SISTEMAS UNIPOLARES SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

China e Rússia ultrapassam divergências e unem-se para contrabalançar EUA (ex. Organização para a Cooperação de Xangai);

França e Alemanha tentam fortalecer capacidades militares europeias, de forma a que a EU possa atuar independentemente.

(Dougherty, 2003, 170-172)

(26)

Fundam-se na existência de duas potências (superpotências) cada uma com um grau de poder superior ao de quaisquer outras potências ou possível combinação de outras potências.

Num sistema bipolar a rivalidade entre superpotências é devida à estrutura, isto é, à configuração de poder, sendo independente de ideologias, que a podem exacerbar mas que não a determinam.

O alinhamento das potências menores é determinado por razões estruturais e por circunstâncias específicas de natureza geográfica, histórica ou ideológica/cultural. → Geram-se alianças e blocos.

SISTEMAS BIPOLARES SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(Couto, 1988, pp. 52-55)

(27)

• Mais de dois centros de poder (embora poucos);

• Também designado por “balança de poder”;

• As alianças tendem a ser específicas e de curta duração, segundo uma lógica de equilíbrio.

Cada ator principal deve atuar de modo a opor-se a qualquer coligação ou outro ator principal que tenda a assumir uma posição de predominância em relação ao resto do sistema.

SISTEMAS MULTIPOLARES SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(Aron citado por Couto, 1988, p.55).

(28)

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(29)

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

Qual a distribuição de poder que melhor contribui para a Paz ?

Constante Pressão Fértil em tensões e crises;

Baixa probabilidade de conflito entre as potências;

Confronto indireto entre as potências; conflito direto a ocorrer teria consequências incalculáveis.

Potencialmente menos tenso e com menos crises graves;

Crises graves podem degenerar em conflitos violentos de difícil controlo.

Instabilidade presente graças a alianças de potências menores que pretendem pôr em causa a hegemonia da super potência;

Conflitos maioritariamente intraestatais.

(30)

Análise Processual - Determinada por três elementos:

Estrutura (bipolaridade < flexibilidade);

Contexto (cultural e institucional que leva Estados a cooperarem);

Fins e instrumentos do Estado: revolucionários vs. Moderados

SISTEMA POLÍTICO INTERNACIONAL

(31)

“A capacidade de um ator da cena internacional para utilizar recursos, tangíveis e intangíveis, bem como outros ativos de tal forma que influenciem os resultados dos acontecimentos internacionais a seu favor.”

Rosen & Jones

“Habilidade ou capacidade de levarmos outros a fazer o que de outra forma não fariam.”

Robert Dahl

O PODER… O CONCEITO

A capacidade de um ator político impor a sua vontade a outro ator político, mediante a suposição de sanções eficazes nos casos de uma não aceitação dessa vontade.

Raymond Aron

O PODER IMPLICA SEMPRE A CAPACIDADE DE OBRIGAR/INFLUENCIAR

(32)

“…recursos, tangíveis e intangíveis, bem como outros ativos de tal forma que influenciem os resultados dos acontecimentos internacionais a seu favor.

Rosen & Jones

+ + + + + +

“…inclui os aspetos quantitativos e qualitativos do território, da população, dos recursos naturais, do poder económico, da educação, da produção científica e tecnológica, da influência diplomática, da capacidade militar, da estabilidade governativa, da coesão nacional e da influência cultural” “em relação a outros países.”

O PODER… O CONCEITO (Poder Nacional)

(33)

“Capacidade de fazer coisas e, em situações sociais, de afetar os outros de forma a obter os resultados que pretendemos.

Joseph S. Nye, Jr., 2011

PODER

Exercício

Resultados desejados

A atual interdependência complexa entre Estados, coloca em igualdade de importância o estabelecimento da agenda política internacional, com a alteração de comportamentos através da ameaça ou uso efetivo da força.

SOFT POWER

Consiste na capacidade de provocar comportamentos cooptativos, isto é, levar outros a desejarem o que nós próprios desejamos, empregando recursos intangíveis como a cultura, a ideologia e as instituições.

Joseph Nye

PODER… OS TIPOS

(34)

HARD POWER

Na perspetiva Realista, a alteração comportamental dos atores somente é passível de ser obtida através do emprego de recursos de poder militar e económico, ou seja, exercendo poder de comando com recurso a estímulos ou ameaças.

PODER… OS TIPOS

(35)

Justificativo

Instrumento da narrativa política para justificar opções políticas.

Prescritivo

Instrumento identificativo de objetivos e metas a atingir pela política externa do Estado.

Instrumento identificativo de objetivos e metas a atingir pela política externa do Estado.

INTERESSE NACIONAL

… e política interna?

(36)

Para Morgenthau a política externa resultante do INTERESSE NACIONAL é moralmente superior à inspirada por princípios morais universais (1950, p. 854).

INTERESSE NACIONAL - DEFINIÇÃO

(GEN Loureiro dos Santos, 1983, p. 45)

(37)

Importância

Vital

Secundário

Duração

Temporário Permanente

Especificidade

Específico Geral

Compatibilidade

Complementar Conflitual

Interesses/objetivos VITAIS

Diretamente relacionados com a segurança da Nação e proteção das suas instituições, população e valores fundamentais;

O Estado deverá estar pronto a combater por eles;

São, de forma geral, mais simples de elencar.

Interesses/objetivos SECUNDÁRIOS

Complexos de definir;

Aqueles em que o Estado deverá encontrar consensos e compromissos;

Objeto da diplomacia.

INTERESSE NACIONAL - CATEGORIZAÇÃO

Categorização

(38)

A segurança refere-se a determinado grau de proteção a valores previamente adquiridos.

Arnold Wolfers

A Segurança Nacional corresponde à condição da Nação que se traduz na permanente garantia da sua sobrevivência em Paz e Liberdade. A Segurança Nacional deve, assim, assegurar a soberania, a independência, a unidade, a integridade do território, a salvaguarda coletiva de pessoas, bens e valores, o desenvolvimento normal das tarefas do Estado, a liberdade de ação política dos órgãos de soberania e o pleno funcionamento das instituições democráticas.

Grandes Opções do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, 2013

SEGURANÇA NACIONAL

(39)

Cariz objetivo

Cariz subjetivo

(Wolfers, 1952)

SEGURANÇA NACIONAL

Grau de inexistência de ameaças aos valores adquiridos

(Segurança)

Ausência de medo relativamente a ataques a esses mesmos valores (Sentimento de Segurança)

(40)

AMEAÇA

• Qualquer acontecimento ou ação (em curso ou previsível) que contraria a consecução de um objetivo e que, normalmente, é causador de danos, materiais ou morais;

• …as ameaças podem ser de variada natureza (militar, económica, subversiva, ecológica, etc.).

• …em estratégia apenas se consideram as ameaças provenientes de uma vontade consciente.

• …é o produto de uma possibilidade por uma intenção.

Cabral Couto (1988, p. 329)

SEGURANÇA NACIONAL

(41)

TEMA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

QUESTÃO

Como carateriza o conceito de ator do

Sistema Político internacional (SPI)?

A. É uma unidade política, independente e soberana.

B. Pode ser subestatal, supraestatal e antiestatal.

Todos os agentes ou protagonistas com capacidade para decidir das relações de força no sistema internacional, isto é, agentes com poder para intervir e decidir das relações internacionais aos seus mais variados níveis, de forma a poderem atingir os seus objetivos. (Sousa, 2005)

Obje%vos Autonomia

Influência Recursos

O SPI Contemporâneo

(42)

TEMA O SPI Contemporâneo

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

QUESTÃO

Como carateriza um sistema unipolar?

O sistema unipolar poderá ser definido como uma estrutura em que as capacidades do estado unipolar são tão vastas, que nenhuma combinação de estados é capaz de as contrabalançar (Dougherty, 2003, 171).

(43)

TEMA A segurança e a política externa dos Estado

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

QUESTÃO

Defina “Poder”!

(44)

TCOR/EngEl Pedro Costa [email protected] Tel. 226013

Instituto Universitário Militar

(45)

Conceito Clássico

A guerra é uma interação hostil entre dois ou mais Estados, seja do ponto de vista técnico ou material. No sentido técnico, é um estatuto formal produzido por uma declaração de guerra.

No sentido material, é gerada pelo uso real da força armada, pelo menos por parte de uma das partes beligerantes.

Yoram Dinsteinin: War, Aggression and Self-Defence (2011, p. 15)

A NATUREZA DA GUERRA – CONCEITO E CARATERÍSTICAS

(46)

Conceito

Violência organizada entre grupos políticos, em que o recurso à luta armada constitui, pelo menos, uma possibilidade potencial, visando um determinado fim político, dirigida contra as fontes de poder do adversário e desenrolando-se segundo um jogo contínuo de probabilidades e azares.

A NATUREZA DA GUERRA – CONCEITO E CARATERÍSTICAS

(47)

Conceito

A violência armada e sangrenta, entre grupos organizados, que cria e se desenvolve num ambiente hostil, inerentemente incerto, evolutivo, tendo como finalidade mais evidente o acesso ao, ou a manutenção do, poder.

Proença Garcia

A NATUREZA DA GUERRA – CONCEITO E CARATERÍSTICAS

(48)

Essência da guerra

Luta violenta entre duas vontades hostis, independentes e irreconciliáveis. Processo social interativo de adaptação mútua contínua (parada e resposta).

Objeto (fim) da guerra

A imposição da nossa vontade ao inimigo.

Meios da guerra

Aplicação organizada (ou ameaça) de violência por força militar.

A NATUREZA DA GUERRA – CONCEITO E CARATERÍSTICAS

(49)

A NATUREZA DA GUERRA – ATRIBUTOS

MCDP 1, pp.3-4

FRICÇÃO

INCERTEZA

FLUIDEZ DESORDEM

PERIGO

FORÇAS FÍSICA, MORAL E

MENTAL

(50)

Como ciência aplicação da leis empíricas da natureza (balística, mecânica, teorias organizacionais).

Como arte emprego da intuição e habilidades criativas (capacidade de, perante uma situação militar única, elaborar de forma criativa uma solução prática adequada).

MAS, as duas dimensões não descrevem o fenómeno na totalidade, sobretudo se considerarmos a componente moral (ousadia, coragem, resiliência não são englobáveis na arte e ciência).

A conduta da guerra é fundamentalmente um processo dinâmico de competição humana, a qual requer o conhecimento da ciência e a criatividade da arte, mas que é conduzido em última instância pelo poder da vontade humana.

(MCDP 1, pp.18-19)

GUERRA – CIÊNCIA OU ARTE

(51)

“Princípios da Guerra são normas de ação fundamentais que devem ser respeitadas na conduta da guerra para permitir e facilitar o êxito na prossecução da mesma.

A aplicação dos princípios da guerra traduz-se em repartir, dispor e empregar o potencial de combate e que a repartição dos meios e o dispositivo a adotar estão intimamente relacionados com os princípios da massa e da economia de forças; a forma como os restantes princípios são aplicados qualifica o emprego, inteligente ou não, do potencial de combate.”

(PDE 3-00, 2012, Anexo A)

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(52)

PRINCÍPIO DO OBJETIVO

Os objetivos atribuídos às forças militares devem ser definidos de forma clara e inequívoca, alcançáveis com os meios colocados à disposição do comandante e contribuir para a consecução do objetivo do escalão superior.

O comandante deverá orientar toda a ação para atingir o objetivo, nunca se afastando da sua consecução e imutabilidade.

PRINCÍPIO DA OFENSIVA

A ação ofensiva é necessária para a obtenção de resultados decisivos e para conservar ou reconquistar a liberdade de ação. Permite ao comandante tomar a iniciativa, impor a sua vontade ao adversário, marcar o ritmo das operações, influenciar o curso do combate e explorar os pontos fracos do adversário.

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(53)

PRINCÍPIO DA MASSA

A fim de alcançar o sucesso, deve empregar-se um potencial de combate superior ao do adversário no local e no momento em que se pretende obter a decisão.

A aplicação correta do princípio da Massa, em conjugação com outros princípios, pode permitir que forças numericamente inferiores obtenham uma superioridade decisiva, local e momentânea, para o desenrolar das operações.

PRINCÍPIO DA ECONOMIA DE FORÇAS

É um corolário do princípio da massa. Para se concentrar num local um elevado potencial de combate, deverá conseguir-se a economia de forças noutros locais. Isto requer do comandante um emprego judicioso dos meios à sua disposição e a aceitação prudente de riscos numa determinada área para se obter um efeito esmagador na operação decisiva.

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(54)

PRINCÍPIO DA MANOBRA

A manobra consiste em dispor uma força de forma a colocar o adversário numa situação desvantajosa. A manobra permite a correta aplicação dos princípios da massa e da economia de forças e pela concentração e dispersão do potencial de combate nos locais e momentos decisivos, otimiza os pontos fortes e reduz as vulnerabilidades contribuindo para preservar a liberdade de ação, para manter a iniciativa e para explorar os resultados do combate.

PRINCÍPIO DA UNIDADE DE COMANDO

A aplicação decisiva do potencial de combate disponível exige uma ação coordenada de todas as forças de forma a fazerem convergir os seus esforços tendo em vista alcançar um objetivo comum. Para atingir tal desiderato deve ser assegurada a unidade de esforços entre todas as forças investindo num único comandante a autoridade necessária.

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(55)

PRINCÍPIO DA SEGURANÇA

Não se deve permitir ao adversário adquirir uma vantagem inesperada. A segurança é essencial à preservação do potencial de combate porque garante a conservação da liberdade de ação, nega ao adversário a possibilidade de obter informações sobre as forças amigas e os seus planos e evitar ser surpreendido.

Todavia, a aplicação do princípio da segurança não exclui a necessidade de se correrem riscos calculados, característicos da guerra, nem é incompatível com a adoção do princípio da ofensiva.

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(56)

PRINCÍPIO DA SURPRESA

A surpresa consiste em criar uma situação inesperada, para a qual o adversário não esteja em condições de reagir eficazmente em tempo oportuno. A surpresa é recíproca da segurança e é um poderoso multiplicador de potencial, sendo contudo temporária. Os fatores que contribuem para a surpresa são a velocidade, a deceção, a superioridade de informação e assimetria.

PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE

Os planos e ordens devem ser claros e simples para serem cabalmente compreendidos. (…) um plano simples executado a tempo é mais bem sucedido que um plano detalhado executado mais tarde. Mesmo simples, um plano de operações é normalmente de execução complexa.

OS PRINCÍPIOS DA GUERRA

Anexo A

(57)

TEMA Leis e princípios da conflitualidade violenta

OBJETIVO DE APRENDIZAGEM

Após esta sessão, os discentes serão capazes de explicar o conceito da Guerra, classificar as guerras, bem como descrever a sua evolução e leis. Deverão ser capazes de identificar as teorias micro e macro comportamentais do conflito violento.

QUESTÃO

Quais os Princípios da Guerra, de acordo com PDE 3-00,2012, Anexo A?

A. Objetivo B. Ofensiva C. Massa

D. Economia de Forças E. Manobra

F. Unidade de Comando G. Segurança

H. Surpresa I. Simplicidade

(58)

TCOR/EngEl Pedro Costa [email protected] Tel. 226013

Instituto Universitário Militar

(59)

AMEAÇA

Qualquer acontecimento ou ação (em curso ou previsível) que contraria a consecução de um objetivo e que, normalmente, é causador de danos, materiais ou morais.

…as ameaças podem ser de natureza variada (militar, económica, subversiva, ecológica, etc.). Em estratégia apenas se consideram as ameaças provenientes de uma vontade consciente.

…é o produto de uma possibilidade por uma intenção.

Cabral Couto (1988, p. 329)

Intenção Capacidade

Ameaça

(60)

…uma ação ou sequência de eventos que:

• Drasticamente, ou por um período de tempo, degrada ou atenta contra a qualidade de vida das pessoas ou do Estado;

• Condiciona as escolhas ao dispor de uma entidade governamental ou não- governamental (pessoas, grupos ou organizações) no seio de um Estado.

Ulman cit. por Brauch (2011, p. 63)

AMEAÇA À SEGURANÇA NACIONAL

(61)

Qualquer acontecimento ou processo que cause mortes em grande escala ou uma redução massiva das expectativas de vida e que enfraqueça o papel do Estado como unidade básica do Sistema Internacional, (…).

A more secure world: Our shared responsibility Report of the High-level Panel on Threats, Challenges and Change

(2004, p.12)

AMEAÇA À SEGURANÇA INTERNACIONAL

Ameaças:

Económicas, sociais e ambientais;

Conflitos inter-estatais;

Conflitos internos;

Proliferação de ADM;

Terrorismo;

Crime organizado transnacional.

(62)

Afrontamento intencional entre dois seres ou grupos da mesma espécie que manifestam, um em relação ao outro, uma intenção hostil (HOSTILIDADE), em geral a propósito de um direito, e que para manterem, afirmarem ou restabelecerem esse direito procuram quebrar a resistência do outro (OBJETIVOS), eventualmente pelo recurso à violência física (VIOLÊNCIA COAÇÃO), a qual pode tender, se necessário, ao aniquilamento físico. Julien Freund, cit. por Couto (1988, p.100)

“Lato sensu”, designa uma oposição de interesses que não leva necessariamente ao confronto armado.

CONFLITO

NÃO-ESTATAL

Uso da força armada entre dois grupos armados organizados, não sendo nenhum deles o governo de um Estado, e o qual provoca, pelo menos, 25 mortes diretas num ano.

(63)

Incompatibilidade relativamente a disputas de poder ou territoriais, na qual são empregues as forças armadas dos atores, dos quais um é o governo de um Estado; e que provoca, pelo menos, 25 mortes diretas num ano.

Uppsala

CONFLITO ARMADO

Fonte: http://www.pcr.uu.se/research/UCDP/

(64)

INTERESTATAL

Uso da força armada entre dois ou mais Estados do Sistema Internacional.

COW - (Sarkees et al, 2003, p. 58)

GUERRA

“Correlates of War Project” - 1000 mortes - classificada como guerra

(65)

EXTRAESTATAL

Uso da força armada entre um Estado membro do Sistema Internacional e uma entidade política não reconhecida pela Comunidade Internacional. Este conflito pode ter lugar fora das fronteiras da entidade estatal reconhecida.

COW - (Sarkees et al, 2003, p. 58)

GUERRA

INTRAESTATAL

Uso da força armada entre grupos armados que representam o Estado e um ou mais grupos não-estatais. Pode também considerar-se como intraestatal a violência armada entre comunidades não estatais dentro de um espaço estatal.

A violência deste tipo normalmente está confinada dentro das fronteiras de um único Estado, mas pode ter uma dimensão internacional com o risco de alastramento a Estados vizinhos.

COW - (Sarkees et al, 2003, p. 58)

(66)

FIM GUERRA FRIA

NOVOS ACTORES FIM ORDEM

BIPOLAR

“NOVAS”

AMEAÇAS

NOVO CONCEITO DE

SEGURANÇA

“NOVOS”

CONFLITOS

Segurança Ambiental Segurança Humana Segurança Societal

Intra-estatais Recursos Étnicos Assimétricos

Fim papel disciplinador

das superpotências 1989/91

Segurança Nacional (político-militar)

GLOBALIZAÇÃO MUNDIALIZAÇÃO

ERA DA INFORMAÇÃO SOCIEDADE EM

REDE

FATORES DE MUDANÇA

(67)

 Difusas e polimorfas:

 Não-estatais (individuais ou coletivas);

 Natureza desterritorializada, disseminada, transnacional;

 Funcionam em REDE (hierarquia limitada ou inexistente);

 Têm impacto global.

AMEAÇAS ATUAIS

(68)

 Difusas e polimorfas (cont.):

 Com um modo de atuação e doutrina assimétrica e imprevisível;

 Podem possuir, simultaneamente, naturezas criminal e militar;

 Génese diversa:

Militares

Não-Militares (Políticas, Ideológicas, Económicas, Étnicas, Ambientais…)

AMEAÇAS ATUAIS

(69)

 Ameaças especialmente preocupantes:

ADM nas mãos de organizações terroristas e os refúgios destas, recorrendo a países e/ou partes de países onde contam com apoios governamentais.

“AMEAÇAS HÍBRIDAS”, em que uma “organização terrorista” é apoiada por um ou mais Estados soberanos.

AMEAÇAS ATUAIS

The Global Risks Report 2017 e 2018

(70)

Armas de destruição maciça

Proliferação não regulada; desenvolvimento não regulado;

nuclear; radiológica; biológica e/ou química; meios de lançamento; meios convencionais, especialmente destrutivos, de médio e longo raio de acção

Conflitos interestatais e/ou regionais

Agressão armada ao território, população, forças armadas e património; Caxemira; Grandes Lagos; península da Coreia; conflitos violentos ou latentes na Europa

Atentados ao ecossistema

Poluição marítima; utilização abusiva dos recursos marinhos; destruição florestal; instalações nucleares;

veículos a propulsão ou transportando armas nucleares;

resíduos nucleares; instalações químicas

Crime organizado transnacional

Tráfico de droga; redes de promoção e exploração da imigração ilegal e do tráfico de pessoas; tráfico de armas

Falhanço dos Estados

Má governação; Tirania; separatismo; guerra civil;

genocídio; discriminação ou intolerância; agravamento das disparidades económicas e sociais; inexistência de um Estado de direito; má gestão do sector público e sector empresarial privado; corrupção; pobreza generalizada;

elevadas taxas de desemprego; branqueamento de capitais;

fracasso na integração social e migratória

Utilização errada de tecnologias emergentes

Ameaças cibernéticas e espaciais emergentes; ataques cibernéticos

Desastres catastróficos naturais

Perigos meteorológicos e geológicos; doenças infecciosas;

pandemias.

Interrupção/competição por recursos

Limitação do exercício da soberania

Movimentos migratórios extraordinários e não controlados

Refugiados e deslocados

Armamento convencional

Acumulação desestabilizadora; crescente disponibilidade

Outras situações geradoras de insegurança

Situações pós conflitos instáveis; minas e outros engenhos

Perspetivas nacional, regional e global semelhantes;

Terrorismo, crime organizado transnacional e desenvolvimento e proliferação ADM, ameaças globais;

Crescentes preocupações globais com o “ecossistema”.

Fonte: TCOR/ENGAER

(71)

O MODELO TRADICIONAL DO CONFLITO

Estado vs Estado Alianças

Hostilidade entre forças militares

Ações militares e policiais independentes (separação SegInt e SegExt) Vitória = Fim da campanha decisiva

Vitória = Derrota da força militar adversária

(72)

DESAFIOS DO ESTADO – Segurança Nacional

Fenómeno da Globalização (construção do mercado global);

Fenómeno da Mundialização (construção de uma rede mundial de políticas, de culturas, de religiões e de sociedades).

Enfraqueceu os vínculos patrióticos

Lealdade / Fidelidade a CAUSAS ou MOTIVAÇÕES

Menor lealdade às Nações (Estados Nação – Nacionalismos)

MODELO ATUAL DE CONFLITO - DESAFIOS

(73)

4 Vetores de ação

Político

Os objetivos últimos do terrorismo são políticos. A ação política desenvolve-se tipicamente em relação a perceções de injustiça de caráter económico ou social.

Psicológico

O ato terrorista pretende criar um efeito psicológico negativo na audiência alvo, podendo esta ser diferente do alvo do ataque.

US Army Training and Doctrine Command

TERRORISMO

MODELO ATUAL DE CONFLITO - DESAFIOS

(74)

Vetores de ação

Violência

A criação de efeitos psicológicos de ansiedade e medo, na audiência alvo, carece do uso efetivo da violência.

Intencionalidade

O terrorismo é propositado. Os alvos poderão parecer aleatórios, mas uma análise cuidada revela tipicamente uma premeditação na escolha dos alvos, tendo em consideração os objetivos.

TERRORISMO

MODELO ATUAL DE CONFLITO - DESAFIOS

(75)

Estado-Nação vs Entidade Não-Estatal (individual ou coletiva) Alianças / Organizações Internacionais

Hostilidades entre Militares/Companhias Militares Privadasvs Irregular/Terrorista/Criminoso

Polícia vs Terrorista/Criminoso Transnacional

Ação interdependente de todos os recursos de uma Nação/Organização Vitória = Derrota política do adversário

Vitória = Fim das opções/vontade

MODELO ATUAL DE CONFLITO

DESAFIOS DO MODELO ATUAL

(76)

Aonde atuam?

Serra Leoa;

Balcãs;

Libéria;

Timor;

África do Sul;

Afeganistão;

Iraque.

Companhias Militares Privadas

Quem são os utilizadores dos serviços?

Estados;

Grupos de oposição;

Organizações Internacionais

Organizações Não Governamentais;

Empresas dos mais variados sectores;

Grupos criminosos;

Grupos terroristas.

(77)

DESAFIOS DO MODELO ATUAL

Companhias Militares Privadas

Razões para o aumento do recurso a estas empresas:

Estados

Com o final da guerra Fria, assistiu-se à redução dos orçamentos de defesa e do número de efetivos nas Forças Armadas;

Alteração da natureza dos conflitos e das necessidades de segurança.

Nações Unidas

Contrata serviços de proteção de edifícios, avaliação de risco, treino, suporte logístico, informações e desminagem.

Estados/Nações Unidas

Nas missões de paz subcontratam. (Fonte: Mª Francisca Saraiva, IUM, 2016)

(78)

Contexto da Nova Conflitualidade

 Conflitos de baixa intensidade, mais assimétricos e não-lineares;

 Maior compressão dos níveis da guerra;

 Maior intervenção por parte do crime organizado;

 Fratura de índole ideológica ou religiosa entre unidades políticas;

 Competição pelos recursos escassos, como a água, coltan e petróleo;

 Aparecimento de Estados falhados (fragilizados);

 Proliferação de ADM;

 Caráter transnacional e global das ameaças à paz e à segurança.

(79)

A S S I

Caraterísticas da Nova Conflitualidade

 Baixa probabilidade de grandes conflitos entre grandes potências;

 Aumento conflitos intra-estatais (fim papel disciplinador superpotências, raízes étnicas, religiosas e ideológicas, recursos);

 Crescimento das ameaças, traduzidas em ações violentas não- convencionais;

 Terrorismo e Pirataria.

M E T R I A

CONFLITUALIDADE ATUAL - TENDÊNCIAS

(80)

Caraterísticas da Nova Conflitualidade (cont.)

 As áreas urbanas e terrenos difíceis, LOC (terrestres e marítimas), áreas de retaguarda e também espaço aéreo, ciberespaço e o espaço exterior, são campo de batalha preferencial.

Fator psicológico: ALVO → a mente humana e a perturbação dos normais comportamentos e liberdades nas sociedades democráticas.

CONFLITUALIDADE ATUAL - TENDÊNCIAS

Referências

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