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AS CAUSAS E SEDE DO SUIC Í DIO .

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(1)

DISSERTA ÇÃ O MEDICO - HIILOSOPIflCA

souni:

AS CAUSAS E SEDE DO SUIC Í DIO .

QUEFOIAPRESENTADAAFACULDADEDEMEDICINADORIODEJANEIRO

,

ESUSTENTADA EM5DEDEZEMKRODE

1843

POB

dtJio

cfyoc

/

rújucJ

.

Jor/rú

, M

et'Tuir

NATURAL1)0 RIODE JANEIRO

,

FILHO LEGITIMO DE

M A N O E L

J O S E R O D R I G U E S T O R R E S

,

DOUTOREMMEDICINAPELA MESMA FACULDADE

.

Celui qui feint denvisager la mort sans effroi,ment,tout hommecraint demourir;cestla grande loi des êtres sensi

-

bles,sanslaquelletoute espece mortelle serait bientôt détruite

.

J.J.KoL'SSEàU.

» ï © î m î iüi ï m ©

% TVP

.

IMPARCIAL DEFRANCISCO DE

PAULA BRITO .

1843

.

(2)

FACULDADE DE MEDICINA

DO

Í

UO DE JANEIRO .

DlHECTOR

OSK

.

DR

.

JOSE MARTINSDA CRUZ JOBIM.

Lentes

Propriet

ários

.

OsSjiRs.DRS

.

l.°ANNO

.

Franciscode PaulaCândido PhysicaMedica

.

j BotanicaMedica,eprincípioselementaresde

£

Zoologia

.

ChimicaMedica, e princí pioselementaresde Mineralogia

.

Anatomia geral, e descriptiva

.

Francisco FreireAllémão

.

.

.

2

.

° ANNO

.

J

.

VicenteTorresIlomem

...

José Maurício NunesGarcia.

3

.

° ANNO

.

J08éMaurício NunesGarcia Anatomiageral,edescriptiva

.

Physiologia

.

{

L

.

deA.P

.

daCunha 4

.

° ANNO

.

Luiz FranciscoFerreira,Presidente

. ..

Pathologia externa

.

Joaquim Jos

,

édaSiloa

,

Examinador

. . .

Pathologiainterna.

-

J ,

.

í Pharmacia,Materia Medica,especialmente a JoaoJcsede Carvalho

|

Brasileira,Therapeutica,eArtedeformular

.

5.°ANNO

.

Condido licr<jesMonteiro FranciscoJu/io Xavier

. .

Operações,Anat

.

topograph, eApparelhos

.

Partos, Moléstiasdasmulherespejadasepari

-

das,edemeninosrecem

-

nascidos

.

{

6

.

° ANNO

.

TkomoxGomesdosSantos,Examinador Hygiene,eHistoria da Medicina

.

J oséMartinsdaCruz Jobim Medicina Legal.

2

^

ao4eManoelFelicianoP

.

deCarealho

.

Clinicaexterna, e Anat

.

patholog

.

respectiva

.

5*ao6oManoel deVa/ludâo Pimentel

.

.

. .

Clinicainterna, e Anat

.

patholog

.

respectiva

.

Lentes Substitutos

.

Secção das Sciencias acccssorias

.

Jose litnlo daRoza,Examinador

Antonio FelizMartins,Examinador

. .. .

(' Ç *ledua

.

Pominc/osMarinh»deAzev

.

"Americano

.

)Cw. r

.

.

Lu

,

zda CunhaFviji

}

Sicç

‘ ' °

C

,

rurS

,

c

“ -

Secretario

.

Pr

.

LuizCarlos daFonceca

.

Fm virtude deliumaresoluçãosua

,

aFaculdade nãoapprova

,

nemreprovaas opiniões emittidas nas Theses

,

asquaes devem serconsideradascomoproprias de teos autores

.

(3)

AOS

MEUS

PREZADOS PAIS

TESTEMUNHO DEGRATIDÃO E AMORFILIAL

.

Aos meus generosos Irm

ã

os e melhores Amigos

E EM PARTICULAR

AO ILL .

mo

E EX .

mü

SNR . JOAQUIM JOS É RODRIGUES TORRES .

Senhor.

Ocos , e depuis Vos .

(4)

AOMEUINTIMO EPRECIOSO AMIOO

O ILL

*0

SNR . ANTONIO JOSE LEITE FERREIRA GUIMAR

Ã

ES .

AO MEU RESPEITÁVELMESTREE JBOMAMIGO

O

ILL. “

0

SNR . DR .

JOAQUIM

VICENTE TORRES HOMEM .

(5)

DISSERTA

Ç Ã

O

32332 Q 9 22

i

939 a > 2í29 £ *

CAPITULO I.

A M O R D A V I D A

.

A cadéa(losseresorganisados

,

desdeomais intimo atéoanimal,que occupao lugar mais subido daescalazoologica

,

humapropriedadese encontra deçoinmum eintodoselles,propriedade que estendendo

-

se

a todososvi\qntcs

,

senãoprestaamodificaçãoalguma

,

c osconfun- de; pois , com quantoamethaphisicaensaieestudadasfrases por cercear

-

lheos attributqs,anatureza, indicando meios fáceisesegurosde estudal

-

a com acerto ,facilita

-

nosadilíerçnçadosanimaes

,

eseoppöeáidealidade com quea philosophia de todosos séculosostemseparado

.

ComeíVoito aforça vitalanima a vegetação

,

econstitueosentimentoe aeçaodo animal;maslienohomem , primeiro auneidacrcaçaovisivel ,quese ellaostentaeintodoovigor cperfeição, e de Iodas as créâturas nenhuma achamoscomreuniãolaocompleta dequasitodasasforças

M

vivas do Universo

.

Assim que

,

lie natural, pois possuo em taoeminente gráo estaqualidade

,

apresesobre tudo

, ç

queaidéa deviveropredomine maisque qualquer outra

.

Na verdade nada tem tanto império sobre ohomem, determina a tao grandessacrifícios

,

como odesejo de conservara vida , e de salval

-

a cmhum momento de perigo

.

Privado de gozos

,

victima de dôres

,

se

-

pultadoem

masmorras

, o homemainda assim ama a existência

,

c nadamenos lie precisoque a destruiçãodeseusmaisdelicados organs ,eaextineçaototalda consciência paraqueavidaselhe tornoinditTercnlcou odiosa: taosabia blime lie

nem o

csu

-

a união pela naturezaestabelecidaentreaexistênciaeo amor da vida pasmos» instincio

,

omais seguro penhordu

felicidade

dos

indiv

í

duos

,

'

stabilidade

social!

esse e da

1

(6)

|),>(jUPlovamosdito sodeduz rt impossibilidade deabst raine do homemr, amor da vida, que lho be esscncitil ; doducção

,

que pareceencontrar os

nume.

rosos factos de buma enfermidade particular do nossoséculo

a propensãoao

suieidio

objectode nossa these

.

Ecomo discordamosda opinião dosautore>, que tem tratado deste ponto ,

opinião que, a nossover

,

dealgunsfactoscap

-

ciosos tira ilaçõesmenoscxactas

,

cumpreexplicaraqui mesmoessa nossa supposta contradicção :tarefa que

,

quantoem nóscabe

,

procuraremosdesempenhar, pois delia pende a ideacapitalde nossotrabalho

.

He innegavclque nosvolumes dapathologia apparecehumanovaenfermi

-

dade

nova

,

dizemos, em razãodcseus

progressos

('

caracterisadapelodesa

-

pego da vida e tendcncia ádestruição;e sendo não menos certo ,que namor parte dos casos melhor averiguadosoinfluxo das paixõesconstitue esse terrível estadoanormal

,

he também cousasabida que na organisaçãomortaenãonaviva, estudaa seienciaomododeacçãodestascausas

,

nãodcsacoroçoadaainda com os muitosdesmentidosqueásua preteriçãooppõc aexpericncia

pretençãoque nada

menosimportaqueassentarna materia morta a sédc desta enfermidadeincontes

-

tavelmentevital

.

Nós

,

porém ,que julgamosaquestãode diverso modo ,crfimos forçosodescer ãminuciosa narração dos factos

,

decujo exame secolligequeosui

-

cida sedá ámorte pelo muitoquearnaavida;dest'artedcsappareccrá a contra

-

dicção

,

edeprehender

-

sc

-

à

,

quesóna força vital ,eporconseguintenoinstincto da vida existe asédc do suicídio , quesejulgaorganica.

Nos mesmosescriptosdealgunsdesgraçados

,

victimas de mortevoluntária,

achão

-

seexpendidoscomtodaaveracidadeos motivos desuacriminosa resolução : ajudiciosa estatísticamoral, recentemente apresentadaporMr. GuerryáAcademia Ileal dasSciencias de Paris

,

mostraa toda a luzqueomaisdepuradoegoismo , ladeadode todas as paixões

,

lieoprincipal movei do infelizcalculo, quedá lugar aoestado morbido de que tratamos

.

Semduvidaoambicioso ,quecura dehonras , que sóde gloria se alimenta, rasga com mão homicidao proprio peito,apenasvéseusidolös derrubados:fazei , porém

,

despontar risonhaafugi

-

tivaesperança,evel

-

o

-

eisrestituído ao amor da vida. A quelleque hevictimadc amor porquesuas offcrendasnãosãoaceitas dadivindadeque adora

.

ouporque máfortuna lhe põeestorsos

,

morre phantasiandomelhor sida. Oavarentoque respira a atmospheradointeresse

,

morre asphyxiadoselhe falta essemanancial

d e v i d a,mas ponde

-

oemseu elemento, evereis que nãohavidaquelhebaste

.

Procuraobravo Aristodemoudesejada mortenosperigos c combates ,

mas

sabemos que recusandobater-secmTbertnopylas , se haviacobertodeopprobrioaosolhos deseusconcidadãos

,

eavidagloriosatinha para elleexpirado

.

Regulo\aebuscar (*) NoespaçodeGO annos o suicídio produioemInglaterra tantosestragoscomoa

pneumonia

.

(7)

3

emCarthago inevitável morte

, porque

tome

a

deshonra entro os Romanos, o altivorepublicano nãosearranca as entranhas

,

senãodepois de porliada lutaentro oorgulhoeoamor da vida

.

VedeovirtuosoCodro

,

comprandoácusta do pro

-

priosanguea victoria doseuexercito

,

c reconhecereisnolle oacérrimosectário da métempsycose

.

Socrates resigna

-

sea morrer, porque entendo impossível vida honrada, onde aleise nãorespeita

.

Ajuntem

-

seu estesmuitosoutrosfactos «lo indivíduosquepormedo

,

pusillanimidadeou remorsossepriväo da existência, o aindase veráqueacausa constantequeos levaasedestru í rem lie o nimioamor da vida: ede certo nãoa desama aquellc

,

que,por fugirámorte

,

seexpòc acila;o co

-

varde, queexpiraporacabar seus infundados receios

,

nem operverso arrependido, paraquemnuncavem tardeomerecido castigodeseuscrimes

.

Indiv íduos, porém , ha quesesuicidao pornão terforçaspara manter avida, eneste caso estãoaquellesque tendo esgotado na sensualidade

,

onogozoimmoderudo dosprazerestodososgermesda vitalidade

,

sedão a morte,porque incapazesdesabo

-

rearasimpressõesagradaveis

,

que constituemaverdadeira existência, outroslaços não veementresieomundoquehahitão

.

Mas, si facilnosfoiprovarque

,

quando aspaixõesimperao, quandonohomem lietudoforçaeacti\idade,oinstinctodacon

-

servaçãoportalmodoseperverte

,

queomiserose mataporamor da vida,menosdif

-

ticil liedeconceber

,

quese ellepriveda existência no momentoemque aausência das paixões lie annunciadapelaextineçãoquasicompletadasforçasvitaes

quasi

completa

poissi algumascentelhas devidalhe restão

,

convergem estasaoeoraçao para sentirsuadesgraçaechorarseus passadosprazeres;e então, comosempre,esse instincto beoultimoqueo abandona

.

Dosfactos,queacabamos de analysar

,

tambémsedeprehendeque na força vital, e portantonoinstincto, que delia resulta,sedeve reconhecer aséde do estado morbido, quedá lugar aosuicídio

.

Outros raciocínios, quecom estasde

-

duções noslevarãoatal conclusão

,

reserval

-

os

-

emos paraoutrocapitulo

.

(8)

4

CAPITULO

II

.

CAUSASÜOSUICÍDIO

.

A vida humanacorreconstantemente1resperíodosinuidistinctose diversos, e no meio das impressões

,

ohomemalternadamente goza

,

soffrc ou

descansa

; ademasiadaduraçãodoíjuak]uerdestesestados occasiona

enfermidades,

a exclusiva da morte

.

Assensações agrada vois de misturacom permanência approxima

-

se

aspenosascgradualmente sueccdidas de descançoconstituem o bem estar; a per

-

sistência desta harmonia heanecessária eondicçao de saude;a desordem nasur-

«ossaodestasalternativas tempor consequênciaoestado pathologico

.

Istoposto, antesdcespecificarascausas

,

quesãocapazesdeproduzira propensãoao suicidio, vejamoscomocmgeral todas cilas secomportao na economia

.

Todo oorgaoe systematemsua missãoespecial, masasfuneçoes,encarregadas a cada humdelles, convvoso

ém:noporem sendomesmo fim.;asporquefuneçoesha humoresultado da actividade,

nexo

geralqueosligae nao

osesystemadandoneresta

-

em hum orgao isoladofaz

-

semister huma forçageral , acuja influencia deva a suavital.aeçao cada humPor onde facildosheorgdo conceber que hum vicio orgãosem particularetodosemânico,geral

ou a lestal lie aãothrauforça

-

malica dehumorgao qualquer, alterando

-

o demodo que nao possa ser direc

-

tamente influ ído pela força vital, póde estaser ahi coartada

,

ereagir sobre as forçasgeracs demodo que desta novamaneira deser resulte apropensão aosui

-

cidio: vice

-

versa, si a força vital fòr em demasia para todooorganismo,ou qualquer orgao, póde igualmenlc modilical

-

o, econtribuir para omesmo fim

.

Assimcomprehcndc

-

sc comoa dor morale aspaixõessão as causasmaiscons

-

tantesdosuicidio ; porque emboraqualquerorgao seja primitivamente lesado lie sempre necessário que a força vital seresinta dalesão

,

paraqueda aeçaodas causasresulte oestado morbidoque nosoccupa;entretantoqueaspaixõesobrao dircctamcnte sobreella

.

Agoraque havemosindicadocomo cadahuma das

>as,e sobre tudo aspaixões affectãoa economia a ponto de levarohomem a tentar contra sua propria existência, concebe

-

sc que estas

causas

podem variar tantocomo asmesmaslesõesdoorganismo

.

Eniextremo variãoascausasquepodemlevar ohomemasuicidnr-sc ;inhé

-

rentes oualhônsdesuaconstituição,cilaspredispõem

outicularidade deindirectas: algumasinspirar

,

poroédesejom , hade

,

que cm todos ospôr termoà exist

tempos

ênciae lugarestema par

-

sua aeçao geral explicãogrande numero de suicídios aconsidoral

-

asnestaordem

.

cati

-

on occasionao; sao directas coutras

,

que por

oni certos paizes: passemos

(9)

5

Causas predisponcntcs

. —

linl.ro estas cont;io

-

sea educôçao, a influenciahere

ditaria, temperamentos

,

idades,sevos,climaseestações

.

Educação

. —

Aeducaçãodos meninos maldirigida póde prcdispol

-

os paraasmo

-

léstias monlacs:dousextremos igualmenteperigosos devem

-

seevitar,

estultacondes

-

cendência

eseveridadesemlimites

.

Avictimade nimiaseveridadecontrahe quasi

sempre

hum humorfriocconcentrado,predispoe

-

separaamelancolia

,

cainfluencia destacausahedecerto maisfunesta,si acertacomindivíduospor naturezasom

-

briosetimoratos

.

Asreprehensõcs amargas,oscastigosdeshumanos, eameaças continuas,exasperãoocaractcr, produzeminclinações perversas,e levaonãopoucas vezes ainfeliz mocidadeáalienaçãomental,caracterisada pela tendênciaaosuicídio

.

Humsyslemaoppostodeeducação póde ter os mesmosresultados

.

A experieneia quotidiana mostraquohumaeducação efleminadatornaosmeninosimpertinen

-

tes

,

irascíveis

,

e imperiosos cmseusdesejos:costumadosdesde ainfanciaa ser prevenidoscm todasassuasvontades, esatisfeitos em seus caprichos,quandoadul

-

tos, a menorcontrariedade

,

o maisinsignificante infortúnio ostorna suicidas. Mais digna de compaixão heaindaasorte das miseras mulheres,eaquinão po

-

demos deixarde lastimar nossasjovenspatrícias,cujos paisemaridos, descuidan

-

do

-

se deenriquecer

-

lhes a intelligencia, procurão

-

lhesmusicas

,

bailes, theatros, danças, como passa

-

temposos maispropriosdeexcitar

-

lhes avivacidade

,

e pro

-

digalisando nestas futilidades tempoefortuna, deixaoáseducçãoocuidadode formar-lhes o coração. Nemsediga que somosexageradoquando asseveramos que detal eduCaCãOdp.vo rusuUarnloi»do outrooincoincnintlfACa propensSO30

suicídio

.

Mr

.

Roubaut

,

cmsuasdissertações sobrea melancolia,afiança ter co

-

nhecidohuma mulher,que sentira

,

em trèsépocasdideren tes, violentascommoções dosystcmanervoso

,

seguidas de lendencia ao suicídio, occasionadas porduasou trèsarias da OperaNina

.

Influenciahereditaria

. —

Em poucasmoléstiasainfluencia hereditariasefazsen

-

tircom tantaevidencia, como no suicídio:os numerososfactoscitadospelosautores

,

que temescripto sobre esta matéria,nãodeixãoduvidaaesterespeito

.

Mr

.

Falrctdizhaver tratadonohospitaldaSalpitriôrcdehuma mulher que repetidasvezestentara afo

-

gar

-

se

,

cujairmã havia morrido deste modo: omesmoautorasseverater sido tes- temunhade muitos outros factos

,

edelletambémcolhemos que hum indivíduo, ávistadocadaverdoseu irmão suicidado,exclamara « cruelfatalidade!meu pae etiose matarão

,

esteinfelizacabade imitai

-

os, eeutambém quantas vezes tenho resistidoàvontadedeafogar

-

me noSena! » Mr.Esquirolcitamuitos casosdesta natureza;e MM

.

GalleSpurzcin apoiãocom grande numerodeoutros amesma proposição. Rusch

,

emseu tratadoof Insanity

,

refere que douscapitãesgômeosse matarão em diversoslugares

quasi

ao mesmo tempo:

sua

mãeera alienada,cduas

2

(10)

fi

irmãas tiuhäopor vezos tentadosuicidar

-

so

.

Voltaire falia do hum pac edou

*

filhos,quosederão a morto namesmaidade

.

Que deconjecturas naosuggcrcm estes factos ? como os engenhosabalisados

,

que tanto tem aperfeiçoado a sciencia dc Hippocrates,naolhes tem dado amerecidaimportância ?comodéliessenaotem aproveitado paraesclarecerodiagnosticodasmoléstias'?

Temperamentos

.

Osfactos,eaopiniãogeralconvômemdesignarostempera

-

mentossanguíneo ebilio

-

nervoso

,

como os mais favoraveisaoapparecimentoda melan

-

coliasuicida: eaccrcscendoquesaoestesosquemaisse preslãoaodesenvolvimentodas grandes paixões, observa

-

se tambem queosindivíduos

,

queospossuem

,

muifacilmente seirrilão

,

ea menor contrariedadeosabate;dmdcprocede que muitas vezes nestes movimentosdeimpaciência

,

se dãoa morte; c isto, quanto a nós

,

sobra para explicara terr ível influencia destacausa

.

Idadee sexos

. —

Atendência aosuicidio varia consideravelmente

,

segundoas ida

-

des,oque facilmentesepresente

,

attendendoásmudançasporquepassaoorganismo; assím que

,

hemui rara na infancia,ondequasinuncaha excessodeforças

,

easpaixões selimilao a satisfazerasnecessidades reaes: nota

-

se naopoucasvezes naadolescên

-

cia,eentão ovago daspaixõesnol-aexplica:liemui frequentenaidadeviril , e que outraquadradavida offereceria condições mais proprias para occasional

-

a'!

nestaópocanascemoscuidados, abre

-

seocampo atodasas paixões,as necessi

-

dadesfactícias succedemásreaes,e ohomem precisa para bem existir de tantos elementosde felieidado,t j u a u l a aoSoa soliilticrao

.

<luo

-

»vivacidadedesuaima

-

ginoção faz consistir o bemestar!! osobstáculos, queconstantcmenteseoppoeinà satisfaçãodeseusdesejos, occasionãoadòr moral,a qualdá razão dogrande

de suicidios nesta idade

.

Na velhice poucas vezesaspaixões estãoem des

-

liarmoniacom as forças,eosvelhos, naoobstante algunssuicidarem

-

se, são no occaso da vidatãoavarosdeexistênciacomo de dinheiro

.

o m

n u

-

mero

Os sexostambemcon

-

sidcrao

-

sccomocausas predisponenlcs

,

eas mulheres, ainda que mais sujeitasá melancolia

,

comtudo menosvezesrecorremao suicídio : a proporçãoentreellas eos homens he de 1 para3, segundo os melhoresobservadores

.

Clitmsc estações

.

Sobre

-

maneiraseexaggera

,

anosso ver, a

infiuencia

doscli

nos casosdcmortevoluntária;essa opiniãoparece apoiar

-

senos cscriptosdealguns autores respeitáveis

,

queasustentão

,

reputando osclimas

causa

daproporção dos suicidioscmcertospaizes: he seinduvida paraadmirar

,

que nasmudanças

,

que diversascausasaccidcntacstemoperadonesses paizes

,

nao tenhaoellesfirmado as bases de seus raciocínios:cmverdade sisempre quesesuppóccausas permanen

-

tes,sedevemdarcffeitosconstantes

,

em nósnaocabe

,

a nao

acreditarmos

quo tenhaomudado osclimasdaItalia, daInglaterra

,

daFrança

,

imas

e outros paizes

,

ex

-

(11)

7

plioar porque,sendohojefrequentoosuicidionaInglaterra,elleeradesconhecido neste mesmo paiz naépoca daconquistade Julio Osar

porqueosItalianos do século actualnão se vãosuicidando,como o lizerãogrande;numerode seus maiores, depois da batalha de Pharsalia

porqueo suicidio,lia poucos annos,setem tor

-

nado tão commum na França

.

Massi nesteponto divergimos dosautores, não deixamos«leconvir queoclima, tendo muita influencia sobreostemperamentos

,

econstituições,deve influirde algummodo na producção dosuicidio

.

Peloque

respeita asestações,concordãotodos queoestioe ooutonosao asque mais o favorecem,e lirmaoestaopiniãocm muitosfactos

.

Causasoccasionacsdircclas

.

Havendo deixado antever emalgumas de nossas considerações,quemui raroascausasphysicas sao«Id persisõscapazesdealterara economiademodo, que o homem tente contraosseuspropriosdias,cumpremostrar quaes são asque podem daresseresultado,ecomocilas o produzem

.

(Juantoápri

-

meira parte donossoempenho

,

fácilnosliesatisfazcl-a;os factos vememnossoabono, eosmelhores observadoresdeunanime accordo a pontãoaspaixões

,

comoascausasoc

-

casianaesde quasi todasas moléstias mcntacs;osegundo pon'in,nãopertenceaos fac

-

tos, nemestánaalçada daanatomia pathologica;entretantotodo aqucllequetratade causas dircctas de huma enfermidade poe

-

sena rcslrictaobrigação demarcaro lugar da economia,emquesefazem sentiros«'lícitosmorbidos

.

Mas

,

hemque aindao nãotenhamos feito

,

supponhamos por emquanto provado que na entidadematerial queseharmonisa comoorganismo para daremresultado a vida

,

r«si«!eesteestado morhido cnnveiihamootomboiii,v|ucijuornlwnu» uigaosMjbllicttldos<1aUlOpsiã s»;não achãolesões, que expliquema causa da morte, mais arbitráriohedizer

-

se queciladeve residir natextura «letalorgao,que por delicada se tornainacccssivel

Anossos sentidos

,

do que fazel

-

aassentarem algum«loselementos davida, que pelosseus efieitosnaodeixam duvidarde sua existência

.

Istoposto

,

estudemoso mododeacção «laspaixões ever

-

sc

-

ha, quea nossatheoria lie a unica

,

quese ajustacom osfactos, eque todoaqucllequeas considera como causasdirectas de humamoléstia qualquer

,

tacitamente reconhece na degeneraçãodo principio vital a origem da mesmamoléstia.

O calorico

,

a eletricidade

,

e omagnetismo saoelementosindispensáveis davida : estesagentes,espalhados proporcionalmentepelosorgãosesystemas,nol-aexplicão

.

Oscorposexternossão osestímulos«laacção vital

,

e asimpressões déliessobreos nossossentidos aentretem:todasasvezes quehumcorpoqualquerexerceimpressão sobrehumapartedonosso,esta noshe transmittida

,

eelleestimula commaior ou menorforçaosagentesda acçaovital, existente neste ponto; «lest«*estimuloresulta maiorou menor actividade nas funeçoes

actividadc

,

se manifesta na economia

,

edest artesepoeem jogo todasas forçasvila«s. impressãohe proporcionalàsforçascáconstituiçãoorganica

,

resulta ohem«'star

.

que na mesma proporção Si a

(12)

8

esentimento de satisfaçãoparatodaaeconomia:nestas condiçõessihumobstáculo qualquervem oppôr

-

seá continuaçãodeste jogo, desorte queas novasimpressões naoeste;aocmrelação com as forças,resulta o malestar ehum accrcsciino deacçao local,que

,

estreitamente subordinadaás arçõesgeraes

,

concorre paraomesmofim, eesseaccresciinode forças

,

c esseexcessodeacçao, lie,emnossosentir

,

mais que sufficient para

,

emcertascircunstancias

,

eem determinadoscasos, occasionar a tendência ádestruição pessoal

.

Nãoespecificaremoscada huma daspaixõesque deste modo pódc obrar: todo omundo tem mais ou menos experimentadoseus effeitos;e além dissoaspoucas paginas consagradasa huma Theseea

escassez

dotempo naopermittemlongosdesenvolvimentos

.

Oamor infeliz, o ciume

,

a ambiçãoilludida

,

coorgulhohumilhado

,

vememprimeiracscalla; a vergonha, omedo

,

eosremorsos nãosãotãofunestoscmsuasconsequências

.

Oamor

,

o ciume

,

&c

.

,exprimemdiversas condições daeconomia

,

e o malestar

,

consequência delias

,

pódealgumas vezes darlugar aosuicídio,quando obstáculosinvencíveis vedao quecilassecolloquem emmelhores circumstancias

.

Nao deixaremos porßm de tocar em certo estado da economia, cm que ha tendênciaaosuicídio

,

sem que asimpressõesexternasvenbuochocar nossocorpo; heesteestado

,

queosautoresdenominao

ovagodas paixões :

ocurloespaço,

cmque lie força limitaronossotrabalho

,

nao nosconsentereferir porextensoo episodiodeRenato, cxtraliido dos antigos Natchezpeloautor doGenio doChris

-

tianisme;nuisdiremosquantohaste paraprovarque esteseoutros factos idên

-

ticos apoiao a nossa These.

Itcnalu havia

,

ainda uicniiiu

,

|iiididua mSc

,

ouló1GnnnusfoiCTCado por pessoas mercenárias ;tinhaohumor impetuoso

,

ocaracterdesigual,timido trangido diante de seupac

,

nãoachavaprazersenão junto de Amelia

,

suairmãa maisvelha humanno,fóra destecaso

,

julgava

-

se infeliz, semsaber dondelhevinha ainfelicidade

.

Foi

-

lhe necessário deixar a casapaterna

,

e não se achando bem nadehum parente para onde fora, procurou viajarpara distrahirosimpulsosao suicídio, que lhe liaviãoapparccido com huma tristeza habitual; nadalhe valeo este meio

,

c voltou a tercom a irmãa

,

em

ccons

-

cuja companhia só achava a vida agradavcl

.

Tendoporvezesosinteressesdefamiliaseparado humdooutro

,

coincidia esta sopa raçãocomnovos impulsosaosuicídio

.

Amelia, que por distrahir seu irmão dehum dos accessos

,

tinha tornadoasuacompanhia

,

deixa

-

orcpcntinamcntc pura entrarem humconvento

.

Kstc inesperadosuccessoresolvoRenatoa pôr termo

vezdespedir

-

se da irmãa:entaoconhece

áexistência,e vae pela ultima queo

motivo

,

queadecidiraaretirar

-

sc tãoprecipitadainente, eraumapaixãocriminosapor

ellemesmo

,

acompanha

-

aem seussentimentos de amor; masconhece osobstáculos

,

que se lheoppoem:entretantoatendência aosuicídiodesapparece

,

apenassevô realmente infelizcoliasuicida

. —

Neste

,

emcaso aquantoenergia

nao houve

vital

,

carecendo dehummalmuiimpressreal

,

em que seõesfortes

,

ciladeu lugar

empregasse

á melan

. -

(13)

9

Causasoccasionalindirectas

. —

Pcrsuadimo

-

nosqueáfrequênciaeenergiad**

-

i;u

causassetomdado demasiado valor

,

oainda assim liequasi nenhumaasuapropmç

.

i»

comparada comascausas occasionacsdireitas

.

Bebidasalcoólicas

.

Grande influencia altribuio

-

scaoalmso das bebidasalcoó

-

licas,efactosmalobservadossustentarãoalgum tempo esta opinião ;masconhcn

-

u

-

sc aodepois quenestescasospodia

-

seconstantementeremontarahuma allecçaomoral, verdadeira causa do suicídio

.

Syphilisemercúrio

.

Cremosigualmenteexagerada ainfluenciadasyphilisedo mercúrio

,

poisaindaquemuito influaosobreosystcma nervoso, julgamos com tudo que oapparecimentofrequente dosuicidioem mulheres mundanas não he força bastante paradal

-

oscomocausapoderosa ;porqueoutras maisplausíveis nosdepara o\iver destasdesgraçadas

.

A mór parteo se entrega alibertinagem, senão depois dehaversoíTridodesgostoseprivaçõesnoseio de suasfamí lias, e liequasi sempre a miséria eanecessidadeabsolutaquemas lan çaemvidatãovil:huma vezentradas nestacarreira percorrem todosos grãosdo vicio,eestragaoophysicoeomoral comtoda a sorte deexcessos :velhiceprematuraasacommette ;a vaidade, já não lisongeada porhomenagens,lhes nãoprestamotivosde consolação;copprimidas finalmente pelos remorsos e arrependimentotornão

-

sesuicidas

.

Taopoderosasjul

-

gamos estas causas

,

que noshe grande admiração que vida tão desregrada não tenhaconstantementeomesmofim

.

Opio

. —

Oexcessivousodo opio

,

dizThunberg, tornaalgumasvezesosÍndios tão furiosos que se batemeprocurãomatar

-

se rcciprocamcnte;Mr

.

Olivier observou que estenarcoticoembrutece,produznosindividuos

,

que abusão delle,um cmma

-

grecimentoextremo

,

eexhaure porfim todasas fontesda vida

.

Nãodcsconvimos queo abuso doopio

,

excitandofortementeosystcma nervoso

,

pódeatacaro prin

-

cipio da vida,edarlugar aosuicidio;mascremosquealgumasoutras causasmoraes

.

aque nãoderão attençãoos viajantes

,

melhor nosdevem explicar esse funesto resultado

.

Ih)r phijsica

. —

Soffrcmosdeordinário mais facilmente a dòrphysica queadòrmo

-

ral,cscuseffeitossaomenos promptos

,

porqueobra indirectamenle sobreoprincipio da vida

.

Nao obstante, casos hade individuos

,

quesemataonoexcesso delia

.

Servio,

ogrammatico

, envenenou -

sepornaopodersupportai

-

asdòrcs da gotta

.

Rufiodeixou

-

se morrer de fornopelo mesmomotivo naidadedo 67

annos .

Itálico suieidou

-

sc do mesmo modo,em Zenon tentousuicidar

-

sena

Cornellio Silvio consequência dehum abcesso incurável, força dadôr

,

quelhofaziasentir humdedoesmagado;

0Sonecadizquo hum catarrhochronico

,

que padecia desde ainlancia, o teria 3

(14)

10

decididoamatar

-

se

,

sio

amor

lilialonaoprendesse á vidapara amparar'«MIJ»ac,

O pliilosoplio Speusippussoliria dehuma cujavelhice carecia dosenssoccorros

.

hydropesia antiga,osahindoliiiina vez apassear

,

acertou de encontraraDiogenes, aquem saudou

.

.1 linão saudo eu

,

respondeuocynico

,

ali

,

jucainda te deixas viver emIãomiserável estado

.

Kalgunsdiasdepoistinha

-

seo philosoplio!

-

ui<i

-

dado! Masexplicar- nos

-

áa dòrphvsicaesta morte? Helambemde observação queos leprosos, oos allectados de escorbuto sãosujeitosá melancoliasuicida;e citão

-

scalém destesmuitos casos de indivíduosque noexcesso dedòresaguda*«,

comoasdocancro

,

cephalgia

,

&c

. ,

conspiráocontra a propria existência

.

CAI SAS GKKAES

.

Os governos, fanatismoeseitassãoascausasgeraes, que mais influem para produzirosuicídio

.

Osgovernos

. —

Naopodemosalcançar atéque ponto podemterinfluenciaossyste

-

mas governativos;masahistorianosnão permitte concordarcom osautores

,

cjuejul

-

gão osgovernosnãorepresentativosmenosfavoráveisaoapparecimcnto desta mo

-

léstia

.

Firmão ellessuaopiniãoemque

,

sendoaspaixõesas causasmaisfrequentes do suic ídioeachandonesteregimeobstáculos ao seudesenvolvimento, dao menos vezes occasiáoa queelleappareça

.

Mas,por ventura nãofoi, quando este sys

-

temacomeçou cm Itoma, que

,

melancolia suicidase desenvolveu de hum modo espantoso ? OsJaponezes

,

governadospelo mais forreodespotismo, não sao o povo

,

quemenospresa a vida? Os Africanos entrenós

,

sujeitosao mais duro captivciro,naomalao-se muito mais queoshomens livres

,

cujo numeronaoigua

-

lao? Que numerodesuicídios nos OfierccemosCantões daSuissa

,

cujogoverno he republicano ? E si na Russia he osuicidio quasi desconhecido

,

de\el

-

o

-

ãá formade seu governo? Crémos pois mui pequenaainfluencia dos systèmesgo

-

vernativos; mas nãoassimadasua estabilidade: porqueaspassagens de hum para outro rogime causãograndes mudançasnohomem, abalaoedestroem suas fortunas e oppOcm

-

sca seus interesses

,

c convicções, lieesta nossa opiniãoconfirmada pela historia gregae romana;csi naRussia nunca houve tantos suicídios

,

recessemchamar

-

seepidemicos

,

lieporqueoseu governo tem sido estável

.

que me

-

Fanatismo cseitas.

liesemduvida doloroso queohomem abusandodaphiloso

-

pha, eda Religião,tornoosuicidiohum dogma

,

e sematepor princípios:ecomtudo he istooque fazemosSloicos

,

cujonomedespertarecordaçõestuohonrosaspara ahu

-

manidade;he istooque fazemosBrachmanes

,

oosgymnosophistas! Sao maximasdos primeiros quefelicidadenãoconsiste emo sábiovivaviverquanto deve

, masem viver

e naobemquanto

quedovemosconstantementepossaviver

que averdadeirame

-

(15)

t l

ditarna mortepara nuncatemel

-

a

.

lioigualmcnte a insensibilidadeea indilhr«m

.

.

.

humadas suasiuaximas; eMarcoAuréliochegaadizer que naodeu

-

moschorarcom

osquo se adligem, porquenão nosaconteça ficarmostambémalllictos! Os fira

-

douanes, quea outros respeitos muitoseafaslãodos Stoicos

,

fazem da meditação continuadamorteo ponto principalde suadoutrina

.

Ellesconsideruoa dôr como humopprobrio

,

quesóacombustão podoexpiar,e amortenaturallie paraelles a maior infamia

.

Assim

,

quando velhosoudoentes, precipitao

-

sc em fogueiraspara

evitara ignominia

,

eobterpormeiode morte tãosantaa felicidadeeterna. Os Indiosmodernos julgão queemcertascidadessanctas podemtentarcontra apropria existência

.

Emíim

,

os Sianczes cuidãoque beosuicídio sacrifícioutil á alma, e levadosdesteparecer, cnforcao

-

se em huma arvore,quechamãotou

-

po

.

Que

funestosresultados nãodevemter princípiosdestanatureza! Ficarohomemarbitro de lixarotermoásuaexistência,edesligar

-

sedasociedade,quando lheapprouver!

Ofanatismohehumadascausasmaispoderosasdosuicídio,cosseus efieitos nao se limitãoavictimasisoladas,fazem

-

sesentirempovosinteiros

.

QuandoIMataoensinou odogma daimmortalidade daalma,muitosGregos

,

descontentes dafortuna, derão

-

se amorte,esemduvidanós os Christãosos imitaríamoshoje,si a essedogmanossa Religião não juntasseopreceitodecoragem eresignação para sermos dignos da

summa

felicidade

.

Estedogmadaimmortalidadedaalmatambéminspirouodesprezo da morte entre os Traças

,

Getas

,

Gaullezes,Arabes

,

emuitosoutrospóvos

,

doutrinados

pelosDruidascMafoina

.

Omesmo Christianismo, queaconselha constantemente paciência e submissãoásvontades deDeos

,

nemsemprepodesuspendera mãosuicida dofanalico

,

que dellc abusa

,

dando

-

lhe falsas interpretações

.

Assimhumvelho,nao tendo filhos

,

suicidou

-

se;porqueaEscriptura dizque

todaaarvore,que nao

fructos

,

devesercortadaepostaao fogo: MalleusLovât, dominadoporidéasmysticas, cortouaspartesgcnitaes,calgumtempodepois,persuadido que Deoslhe déra ordem demorrer em huma cruz

,

crucificou

-

se

.

Mas naolieaoChristianismo quedevemos imputarestes eoutrosfactos desuicídio ;ellestempor causa a mais furiosadas paixões

,

o fanatismo

.

(16)

12 CAPITULO HI

.

SÉ DF

.

DO SUICÍDIO

.

Entreosautores

,

que procurão estabelecer asede dosuicídio

,

algunsseliraifão a indical

-

a noencephaloou baixoventresem produzir argumentos

que

o provem: outrosa désignât)de maneira especialcmcertosorgãos ou no systema nervoso

.

Awenbrugger

,

professor de Vienna

,

a fixa nos hypocondrios

,

e propõe hum tratamentoparticular

.

Nocst d'Amsterdam

,

eI

.

e

-

Roy dAnversparlilbaoamesma

opinião :diz estequenotaraofigadoeobaçodosindiv íduosatlacadosde melancolia suicidaconstantementemaisgrossos, duros

,

ecom calor maispronunciado

,

queno estadonormal; e dissoconclueasédc do suicídionestes orgãos

.

Foderémencionaa opiniãode Awenbrugger, edizquetiveraoccasião do observar cálculosbiliaresnu visicula do fel; igualobservaçãofora

,

annos antes feita porFourcroy. Mr

.

Esquirol faza seguinte reflexão« Apassagem do estiosecco paraooutonohúmidofavorece o desenvolvimentodasaffecçõesabdominaes

,

deque nãopoucasvezes dependeo suieidio

.

» Outrosmedicos descemáautopsia

,

e, segundoaslesóes maisfrequentes

,

collocäo

-

na ja noencephalo,janosorgãos dacaixa thoracica ou baixo ventre

.

Não obstante, a origem da melancolia suicida ainda naolie reconhecida pelasciencia

,

o estudo,que deliaseha feitoounãotem escapado ao espirito desystema

,

oupáraem seusprogressos, aguardandoluzesda anatomia pathologica

.

Alem destespracticos

,

cujas opiniõesmencionamos,osoutrosapenasa toeäodeleve

,

e nãoencontrando sempre

,

nos eadaveres, lesõesquelh aindiquem

,

julgão fóra desua alçada; nós po- rem, que tomamos a

-

édedo suieidio parafazer parte de nossa dissertação

,

não nos dispensaremosdeapresentaralgumas considerações sobreella

.

Nopredom í nio dasensibilidade, na qualidade das sensações

,

naacção cios princí

-

piosvitnes

,

e nãonosinstrumentosdas funeções nutritivasreconhecemosaorigem dosuieidio

.

Para demonstraresta proposiçãonãohiremosaocadaver; a abertura doscorpos

,

emmuitas eircumstanciasindispensávelpara conhecermos anaturezadas moléstias,he quasi inútilnestecaso; basta

-

nos para este fim a apreciaçãodossym

-

ptomas

,

porquetodoosymptomaexprimedesarranjonas funcçòes

,

esópôde ser produzidopeloagente delias

.

Doussão os quesemanifestãoem todoosuieidio; a tristeza

,

oabatimento,oterror,eainclinaçãodiccdidapelasolidão lie humd'elles; a excitação energica do physico emoralooutro

.

Oprimeirosópódeserproduzido pelaoppressão ou diminuiçãodasforçasvilães;osegundo tempor causa indubi

-

táveloaugmento ou perversãod elias; dapersistência das forçasnesteestado mal resulta necessariamentecondiçocs

diflerentes

paraoorganismo;por isso nao

anor

-

(17)

13

admira que quandoestenãoseja immcdiatanicnte seguido do suicídio,alteraçõesM

notem emmuitosorgãos;c istomesmo hecm favorde

nossa

opinião

,

pois osin

-

divíduos

,

quesedaoa mortenaforçade paixões vehementes

,

nãodeixão traçosde lesão,ondevão assentaraséde do suicídio aquellesqueaindigitãonosorgaosou systema nervoso; entãodizemque na textura

,

na porção maisdelicadad’elles,o porissoinaccessivcl aossentidosdeveella residir:reside por certoemcousamui delicada

,

quenão liedircctamentesentida

,

edecujaexistência a razão nãopode duvidar noselementosda vida

.

Tendo apreciado ossymptomas dosuicídio

,

nósjulgamos provadaasuaorigem nos elementos vitacs; muitos outros

argumentos

com que chegaríamosaessefim suggercm

-

nosassuas causas, mas sendoociosoenumeral

-

as

,

poremosfim a nossa these com mais huma reflexãosobre ainfluenciahereditaria do suicídio

.

« A maneira mais facil deabreviara vida

,

dizHufeland

,

consiste em esgotara força vital ; nada hetaoproprioparadiminuirasommadesta como adissipaçãodo fluidoquea contem debaixoda forma mais concentrada

,

que encerraaprimeiracentelha devidapara huma novacreaturalevaemsi a origemde bense malesimmensos

.

» Enaverdade, si aforça vital transuiitte aos filhosasaflecçõesde seos paes, csi os filhos, quo herdarao a tendência ao suicídio, nãopadecemaslesões, que seus paes soflrerao,eui

quo outrapartesenão nessaforçapoderemos entreveraorigemdo suicídio ? Terminandoaquionosso trabalho,exigeodeverque nos confessemos reco

-

nhecidos a todos osnossosmestrespelas luzes

,

que d'ellesrecebemos ; emuitoes

-

pecialinenle aomeritissimo presidente da nossa these, pela muita afleiçao eami

-

zade,quesemprenosmostrou.

(18)

IIIPPOCIWTIS APIIOIUSMI

i.

Quo in morbosomnuslaboremfacit, lelhalc : si vcròsomnusjuvet

,

non est lé

-

thale

.

(Sect

.

2

.

*

,

aph

.

l.°)

I I.

Ubi somnus delirium sedat

,

bonum

.

(Sect

.

2.*aph

.

2

.

°

^

III.

Mutationes annitemporum maximè pariant morbos:et inipsistemporibusmutn

-

tionesmagn æ turn frigoris turn caloris .etcælera pro rationc eodem modo

.

Sect

.

3

.

*aph. l

.

°)

IV.

Insanicntibus si varices

,

authamiorrhoides supervenerint, insaniæ solutiofit. (Sect. 6.*aph.21 )

V.

Si metus

,

eltristitiamultotemporepersévérant

,

melancholicumhocipsum

.

(Sect

.

6

.

*aph

.

23)

VI

.

Ab insaniadysenteriaaut

.

hydropsaut mentisemotio bonum

.

(Sect. 7

.

aph

.

5.°)

IMPRENSA1MPAKC1ALDE ItltllO

.

(19)

Esta Theseestáconforme

aos

estatutos

.

RiodeJaneiro 14de Outubro de1843

.

ODr

.

LuizFranciscoFerrara

.

Referências

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