RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO
PROFISSIONALIZANTE
MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA
Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
Ano letivo 2019/2020
Regente| Prof. Doutor Rui Maio
Orientadora| Profª Doutora Ana Neto
ÍNDICE
1| INTRODUÇÃO………página 1
2| OBJETIVOS………..página 1
3| ESTÁGIOS PARCELARES
3.1| Pediatria………página 2
3.2| Ginecologia e Obstetrícia………..página 2
3.3| Saúde Mental……….página 3
3.4| Medicina Geral e Familiar……….…página 4
3.5| Medicina Interna……….página 4
3.6| Cirurgia Geral……….página 5
4| ELEMENTOS VALORATIVOS……….página 6
5| REFLEXÃO CRÍTICA……….página 6
1| INTRODUÇÃO
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) representa o culminar do percurso académico, constituindo a transição entre o ensino pré-graduado e a formação pós-graduada. Enquanto ano profissionalizante, fornece as ferramentas necessárias para que o aluno de Medicina ponha em prática, através do contacto com o exercício médico, os conhecimentos previamente adquiridos e o desenvolvimento de determinadas competências indispensáveis ao futuro jovem médico. Nesta vertente, surge o Estágio Profissionalizante, a unidade curricular preponderante do último ano do MIM, que se alicerça em seis áreas clínicas distintas (estágios parcelares) e complementares, imprescindíveis a esta etapa: Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Cirurgia Geral.
Torna-se importante mencionar no correr desta descrição que, no âmbito da pandemia de Covid-19, se tornou impossível o cumprimento da última semana das oito semanas estipuladas inicialmente para o estágio parcelar de Medicina Interna e o cumprimento na totalidade do estágio hospitalar de Cirurgia Geral.
Serve o presente relatório para apresentar, de forma sucinta, os objetivos gerais e pessoais do Estágio Profissionalizante, a descrição das atividades desenvolvidas durantes os vários estágios parcelares de acordo com a sua ordem cronológica de rotação, a referência a elementos valorativos, e uma reflexão crítica, onde analisarei o cumprimento dos objetivos a que me propus e o impacto do presente ano letivo no meu desenvolvimento pessoal e profissional enquanto aluna do último ano do curso de Medicina. No final, encontra-se, em anexo, uma tabela com a exposição do cronograma referente a este ano letivo, uma tabela com os trabalhos realizados no âmbito dos vários estágios parcelares e os certificados das atividades formativas que considerei relevantes incluir.
2| OBJETIVOS
Para além dos objetivos estipulados para cada estágio parcelar ao longo deste ano e tendo em conta a atribuição de responsabilidade e autonomia progressivas, estabeleci alguns objetivos transversais a todas as unidades de contacto clínico do Estágio Profissionalizante, que considero fundamentais e que assentam no desenvolvimento de competências clínicas, comunicacionais, éticas e humanas: 1) reconhecer e abordar as patologias mais comuns características de cada uma das especialidades, através de uma adequada seleção de informação e exame objetivo dirigido; 2) consolidar conhecimentos teóricos adquiridos nos anos precedentes e aplicá-los na prática clínica; 3) desenvolver e aperfeiçoar o raciocínio clínico, considerando a priorização de problemas; 4) melhorar as técnicas de entrevista clínica e a interpretação de exames complementares e de diagnóstico; 5) saber aplicar adequadamente os recursos terapêuticos disponíveis; 6) ser proativa e procurar colmatar as minhas lacunas; 7) não descurar do avanço e atualização constante da Medicina, procurando informar-me sobre o surgimento de updates relativos a determinadas temáticas; 8)
comunicar e interagir de forma empática e profissional com os doentes e suas famílias, e com os profissionais de saúde; 9) respeitar as crenças e os valores dos doentes.
Além destas linhas gerais de objetivos, estabeleci ainda, como fundamental a cada um dos pontos supracitados: 10) considerar as características e particularidades inerentes a cada especialidade, principalmente a faixa etária no caso da Pediatria, e o exame objetivo no caso da Ginecologia e Obstetrícia; e 11) aprender a gerir emoções perante situações de dificuldade acrescida, de incertezas e receios durante o exercício académico e prática médica, não esquecendo e equilibrando sempre a vida social e pessoal.
3| ESTÁGIOS PARCELARES 3.1| PEDIATRIA
O estágio parcelar de Pediatria inaugurou o meu ano letivo. Decorreu no Hospital Dona Estefânia, sob a orientação do Dr. Anaxore Casimiro. Ao longo das 4 semanas, a minha atividade clínica decorreu na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIP), no serviço de urgência e na consulta externa. Pela particularidade e complexidade inerentes à área de atuação da UCIP, contactei maioritariamente com patologias mais raras e com pós-operatórios, num total de 23 doentes que, pela sua situação, requeriam cuidados e monitorização contínuos e constantes. Apesar da dificuldade em realizar anamnese e exame objetivo neste contexto, bem como comunicar com os respetivos cuidadores, pude compreender o funcionamento de uma unidade especializada como a UCIP e contactar com a abordagem ao doente crítico agudo pediátrico.
No serviço de urgência, por outro lado, apliquei e desenvolvi competências práticas, nomeadamente consolidar os conhecimentos básicos da prescrição farmacológica em Pediatria. Destaco, dos 27 doentes que observei, a elevada prevalência de quadros agudos virais, com predominância de infeções respiratórias e gastroenterites.
Assisti, no âmbito da consulta externa, a consultas de Reumatologia (total de 5), Endocrinologia (total de 3), Imunoalergologia (total de 5) e Medicina do Viajante (total de 7), o que complementou a minha formação base na área pediátrica.
Adicionalmente, assisti a diversas sessões clínicas, participei num workshop de urgências pediátricas, apresentei uma história clínica e, juntamente com 3 colegas do 6º ano do MIM, apresentei um trabalho intitulado de “Abordagem à intoxicação por paracetamol”.
3.2| GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
A minha segunda área de contacto do Estágio Profissionalizante foi o estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia que decorreu no Hospital Lusíadas, sob a orientação do Dr. Luís Vicente. Apesar de ter contactado com várias valências da especialidade durante as 4 semanas de estágio, a minha experiência clínica decorreu, maioritariamente, na área da infertilidade. Assisti a 49 consultas neste contexto, observei algumas das
técnicas como a inseminação intrauterina e a transferência de embriões e acompanhei a atividade desenvolvida no laboratório da unidade de Procriação Medicamente Assistida.
Para além disso, no âmbito da Ginecologia observei 20 consultas, onde pude participar ativamente pela realização de anamnese e, em alguns casos, de exame objetivo; assisti à realização de técnicas como a histeroscopia, a colposcopia e a conização laser, integradas nas consultas de patologia do colo do útero (onde presenciei um total de 9 consultas), e, ainda, a histerossalpingografias. No bloco operatório, assisti a 10
intervenções cirúrgicas, tendo participado como ajudante em 4 dessas cirurgias (1 laqueação de trompas, 2
miomectomias e 1 remoção de endometrioma do ovário).
No âmbito da Obstetrícia, assisti e participei em 13 consultas de vigilância da gravidez com grávidas predominantemente no 1º e 3º trimestres, assisti à realização de ecografias obstétricas, observei 2 partos eutócicos e 3 cesarianas e acompanhei o meu tutor nas idas à enfermaria para o acompanhamento ao puerpério.
Como complemento, participei num workshop na Maternidade Dr. Alfredo da Costa integrado no estágio parcelar, referente à revisão e integração de conceitos gerais práticos da área da Ginecologia e Obstetrícia e apresentei, ainda, em contexto de sessão clínica, um trabalho sobre “Salpingo-ooforectomia bilateral – prevenção de cancro do ovário em portadoras de mutação BRCA1 e BRCA2”.
3.3| SAÚDE MENTAL
Este estágio parcelar iniciou-se no edifício sede da Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM) com a exposição de dois seminários, o primeiro relativo à discussão de casos clínicos em contexto de urgência e o segundo relacionado com o tema do estigma em Saúde Mental. Durante o restante período de contacto, acompanhei o Dr. João Oliveira no exercício da sua atividade assistencial na Clínica 6 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, que se destina ao internamento misto de doentes adultos da área geográfica de Sintra. Observei 6 doentes, com prevalência de idades entre os 38 e os 42 anos, sendo a perturbação bipolar a patologia mais frequente, seguida da esquizofrenia e da perturbação de personalidade. Neste contexto, assisti à avaliação do estado mental dos doentes e à realização de entrevistas familiares, e discuti diariamente a evolução clínica e o plano de tratamento mais adequado a cada doente. Paralelamente, assisti às reuniões de serviço semanais e realizei a colheita e escrita de uma história clínica de um doente com perturbação bipolar.
Assisti, ainda, a um total de 10 consultas que se realizaram no CINTRA (Centro Integrado de Tratamento e Reabilitação), uma unidade integrada na comunidade que se destina, essencialmente, ao acompanhamento de doentes em ambulatório em fase estável da sua doença, sendo a síndrome depressiva o distúrbio que maioritariamente observei. Este contacto permitiu-me consciencializar sobre o impacto da
doença mental na vida familiar, laboral e social dos doentes, bem como a importância do acompanhamento do doente com patologia psiquiátrica.
Frequentei, também, o serviço de urgência do Hospital de São José, onde observei diversas situações clínicas agudas, como a perturbação psicótica associada a consumos e a ideação suicida.
Adicionalmente, do ponto de vista formativo, assisti a sessões dirigidas ao internato de Psiquiatria e a sessões teórico práticas destinadas ao 6º ano do MIM, lecionadas pelo Dr. Pedro Rodrigues, onde foi feita a revisão de conceitos teóricos e a discussão das histórias clínicas realizadas pelos alunos.
3.4| MEDICINA GERAL E FAMILIAR
O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar (MGF) decorreu na USF São Julião, sob a orientação da Dra. Áurea Farinha. Ao longo das 30 horas de contacto semanais, acompanhei e participei ativamente a um total de 210 consultas de diversas tipologias: consulta de adultos, de saúde infantil e juvenil, de saúde
materna, de planeamento familiar e consulta de agudos. Tive, também, a oportunidade de orientar
autónoma e independentemente cerca de 30 consultas, principalmente de adultos, sendo que, antes da conclusão das mesmas, era feita a revisão do registo por mim efetuado e discutida a abordagem diagnóstica e terapêutica com a minha tutora. Além disso, sistematizei, pelas consultas de saúde infantil e juvenil os passos adequados para o acompanhamento da criança e adolescente, e pratiquei, em contexto de consulta de planeamento familiar, exame ginecológico.
Em termos casuísticos, destaco a elevada prevalência de problemas como a hipertensão arterial, dislipidémia e diabetes mellitus com que me deparei ao longo das várias consultas, numa faixa etária prevalente entre os 55 e os 80 anos de idade; além disso, tendo em conta a altura do ano, verifiquei uma elevada prevalência da gripe sazonal nos utentes que recorriam à consulta de agudos.
Adicionalmente, apresentei um trabalho na USF sobre “Erradicação da Helicobacter pylori” com o objetivo de fazer uma revisão dos esquemas terapêuticos atualmente disponíveis, tendo em conta a relevância clínica associada a esta infeção e o surgimento de padrões de resistência aos antibióticos.
3.5| MEDICINA INTERNA
O estágio parcelar de Medicina Interna decorreu no serviço de Medicina IA do Hospital Egas Moniz, sob a tutoria da Profª Doutora Judite Henriques. A minha atividade clínica principal centrou-se na enfermaria, onde, desde o início, fui integrada na equipa médica e me foi dada a responsabilidade de acompanhar um doente diariamente. Pude, assim, participar ativamente através da realização de anamnese e exame objetivo, da redação de diários clínicos e notas de alta, e da interpretação e prescrição de exames complementares e de diagnóstico. Posteriormente, sob a supervisão da minha tutora, eram discutidas as hipóteses de diagnóstico e a abordagem terapêutica de cada doente. Foi igualmente importante a comunicação que fui
desenvolvendo com os vários profissionais de saúde do serviço, nomeadamente com a restante equipa médica, com a equipa de enfermagem e com a equipa de fisioterapia. Ainda em contexto de internamento, tive a oportunidade de realizar várias gasometrias, ajudar na realização de uma toracocentese e assistir à inserção de um cateter venoso central em veia femoral. Observei um total de 10 doentes com uma média de idades de 79,9 anos, sendo prevalentes as infeções respiratórias inferiores.
Acompanhei, também, a minha tutora em contexto de consulta externa. Assisti a 9 consultas dedicadas ao acompanhamento e gestão de doença crónicas, de onde destaco a prevalência de diabetes mellitus e hipertensão arterial.
Complementarmente, frequentei o serviço de urgência do Hospital São Francisco Xavier, que se revelou particularmente útil na aquisição de autonomia na abordagem primária do doente agudo.
Ao longo do estágio redigi uma história clínica e, juntamente com 3 colegas do 6º ano do MIM, fizemos um trabalho intitulado de “Lesão Renal Aguda – Abordagem em internamento”, não tendo sido apresentado devido à suspensão letiva que ocorreu na última semana de estágio. Adicionalmente, assisti a diversas sessões formativas sobre os mais diversos temas que decorriam semanalmente no hospital e a dois workshops referentes a “Alterações do equilíbrio ácido base” e “Decisões de fim de vida” que se realizaram no edifício sede da NMS|FCM.
3.6| CIRUGIA GERAL
Por motivos decorrentes da pandemia de Covid-19, o estágio parcelar de Cirurgia Geral não decorreu nos moldes estipulados inicialmente, que implicavam o contacto hospitalar durante um período de 8 semanas a decorrer no Hospital Beatriz Ângelo. Nesse sentido, durante um período de 2 semanas e juntamente com mais 3 colegas do 6º ano do MIM, assisti e participei em várias sessões clínicas via zoom, sendo as sessões da primeira semana orientadas pela Dra. Marisa Peralta Ferreira e as da segunda semana orientadas pelo Dr. Pedro Miranda. Foi feita a discussão de várias temáticas, nomeadamente abdómen agudo, polipose intestinal, cancro colorretal, colecistite aguda e alguns casos de urgência hipotéticos, que se iniciavam com uma exposição teórica, seguidos de uma exposição prática através da discussão de casos clínicos e, sempre que possível, pela visualização de procedimentos cirúrgicos apresentados em formato de vídeo.
Complementarmente, foi organizado um minicongresso online via zoom, onde eu e os meus colegas apresentámos um trabalho referente à “Abordagem ao nódulo da tiroide” e onde me foi possível assistir a todas as outras apresentações realizadas pelos alunos.
De referir, ainda, que foi disponibilizada a componente teórica em formato vídeo do curso TEAM (Trauma
Evaluation And Management) que, em circunstâncias normais, seria complementada com a componente
prática, o que me permitiria a integração completa da abordagem ao doente politraumatizado.
4| ELEMENTOS VALORATIVOS
Ao longo do meu percurso académico, participei em algumas atividades que penso terem contribuído para o meu crescimento pessoal e para o desenvolvimento de competências que se revelarão benéficas a nível profissional.
No presente ano letivo, participei em congressos e workshops que completaram a minha formação clínica (anexos III a V) e que incrementaram as minhas capacidades de decisão, atuação e comunicação (anexos VI a VIII).
Além disso, considero importante referir algumas atividades prévias: a integração de um programa de voluntariado no Brasil em 2018 (anexo IX a) e b)); e, no âmbito do associativismo, a integração de uma associação de jovens (AJUM – Associação de Jovens Universitários de Torre de Moncorvo) sediada na minha terra natal entre 2017 e 2018 (anexo X).
Pela riqueza cultural e pela perceção de novos métodos de trabalho e sistemas de saúde, a minha participação no programa Erasmus+ na cidade de Génova, em Itália, é igualmente importante de ser destacada (anexo XI).
5| REFLEXÃO CRÍTICA
Findo agora a última etapa destes 6 longos anos. Resta-me refletir sobre o impacto que este ano profissionalizante teve em mim, os obstáculos e os desafios com que me deparei e a importância dos diversos estágios parcelares neste ponto de transição entre aluna e futura médica. Concluo este percurso com um balanço globalmente positivo e retiro das adversidades que me foram surgindo uma forma de aprendizagem, algo que solidifica e reforçará a minha atitude e postura no caminho que estarei prestes a percorrer.
A autonomia e a responsabilidade que me foram gradualmente concedidas, aliadas aos estímulos educacionais e de constante desafio permitem-me afirmar que, de uma forma geral, cumpri os objetivos a que me propus. Alguns com necessidade de aperfeiçoamento, mas isso é o que define a área nunca estanque da Medicina, a inevitabilidade de um reforço necessário e contínuo dos diversos pilares que a constituem.
Considero que adotei uma postura proativa ao longo deste ano, procurando colmatar as minhas lacunas, consolidar os conhecimentos que adquiri em anos prévios e adquirir novos nos diferentes estágios parcelares. Penso, também, ter otimizado as minhas competências comunicacionais e ter aprendido a gerir algumas situações que se revelaram clínica e pessoalmente mais difíceis, contribuindo, sem dúvida, para a minha aprendizagem, uma vez que o dia-a-dia do médico implica lidar com alguns fatores de dúvida e de complexidade e as relações interpessoais estabelecidas são cruciais para a prática desta atividade.
Cada estágio parcelar contribuiu para o meu desenvolvimento através de determinadas particularidades que importa ressalvar. O estágio de Pediatria, apesar de maioritariamente observacional, revelou-se um verdadeiro desafio, principalmente devido à elevada carga emocional com que me deparei na UCIP. O
confronto, em alguns momentos, com situações de fim de vida em contexto pediátrico, por mais difíceis que sejam, requerem um esforço adicional no que toca ao profissionalismo, mas também sensibilidade e atenção que devem ser prestados ao doente e à família, pelo que este estágio contribuiu para o desenvolvimento das minhas competências humanas. No entanto, pela especificidade desta área, atento como ponto negativo não ter contactado com as patologias pediátricas mais frequentes, o que seria colmatado pela criação de um sistema de rotatividade. No que toca ao componente prático, o serviço de urgência foi o local ideal para o treino de exame objetivo e desenvolvimento de raciocínio clínico perante os problemas agudos mais comuns em idade pediátrica, o que considero de extrema importância para a formação geral de qualquer aluno nesta fase de transição.
Do estágio de Ginecologia e Obstetrícia, destaco a boa integração na equipa médica e a possibilidade de contactar com várias valências da especialidade, de onde saliento a área da infertilidade pela importância da escuta ativa e empática no sucesso do plano de tratamentos em casais emocionalmente fragilizados. Permitiu-me, ainda, além de consolidar conhecimentos teóricos básicos na abordagem da saúde reprodutiva e da mulher, integrar-me da componente cirúrgica da especialidade, o que foi, sem dúvida, uma mais valia. Contudo, considero que o treino de exame ginecológico foi limitado para um estágio profissionalizante, embora me tenha sido possível colmatar esta falha, em parte, a nível dos Cuidados de Saúde Primários.
O estágio de Saúde Mental foi bastante completo, uma vez que me permitiu o contacto com a patologia psiquiátrica quer em fase aguda, quer em fases mais estáveis, contribuindo para consolidar conhecimentos relativos aos principais distúrbios psiquiátricos, principalmente no que concerne à sua abordagem diagnóstica e terapêutica. Destaco da minha experiência, as consultas comunitárias que, através da criação de uma boa relação médico doente, desempenham uma função crucial para o sucesso da adesão à terapêutica. Não posso, ainda, deixar de referir a importância da formação nesta área no combate ao estigma da doença mental, que se revelou para mim como sendo um alicerce fundamental para a prática da Medicina. O estágio que mais superou as minhas expectativas e que, de uma forma geral, mais contribuiu para o desenvolvimento das minhas competências clínicas, comunicacionais e humanas foi o estágio de MGF. Pela autonomia e responsabilidade que me foram atribuídas ultrapassei um dos grandes desafios que considero como mais importantes nesta fase de transição: orientar uma consulta de forma autónoma. O contacto com uma faixa etária tão vasta e com inúmeras patologias revelou-se muito enriquecedor. Percebi a importância da criação de uma boa relação médico-doente e o papel da prevenção na promoção de saúde na comunidade. O apoio da minha tutora foi igualmente importante, uma vez que me era dado tempo e espaço para refletir sobre as dificuldades com que sucessivamente me deparava e, assim, ter a oportunidade de colmatar as minhas lacunas.
O estágio de Medicina Interna permitiu-me aplicar todos os conhecimentos que foram sedimentados ao longo dos estágios parcelares precedentes e adquirir as bases necessárias para a avaliação e gestão do doente
em contexto de internamento, tão importantes neste ano profissionalizante. Pela avaliação diária de um doente à minha responsabilidade com a discussão das várias hipóteses diagnósticas, exames complementares, gestão terapêutica e, ainda, pela necessidade de comunicar com a restante equipa da enfermaria, desenvolvi competências clínicas e comunicacionais, onde assentam os objetivos que estipulei para este ano. Contudo, a minha experiência foi limitada pelo número de doentes com que contactei, uma vez que a minha tutora apresentava um horário reduzido e os restantes assistentes do serviço tinham outros alunos ao seu cargo.
Por último e dadas as limitações, o estágio parcelar de Cirurgia Geral, ao ser readaptado para um ensino à distância, não me permitiu, naturalmente, cumprir os objetivos que requeriam contacto hospitalar. Não obstante, foi possível, sob um ponto de vista mais teórico, integrar os conhecimentos base necessários para a abordagem a algumas das síndromes cirúrgicas mais frequentes. A experiência do bloco operatório, já vivida em algumas unidades curriculares ao longo do MIM, foi contornada pela visualização de vídeos e a explicação simultânea dos procedimentos observados revelou-se bastante vantajosa.
Certamente não imaginava finalizar esta etapa longe do contacto hospitalar, dos doentes que fomentam a minha busca pelo conhecimento, longe dos meus amigos e colegas de curso, dos professores, da casa que é a faculdade. A pandemia trouxe tempos difíceis, as decisões baseadas no risco e na incerteza tornaram-se mais atuais do que nunca e o caminho que agora em diante integrarei ficará marcado e sujeito a readaptações constantes. O impacto na sociedade é visível e, enquanto futura jovem médica, estou sensibilizada para as consequências, não só psicológicas, mas também económicas e sociais dos doentes com que me cruzarei e tenho a noção que, tal como Hipócrates proferiu, “A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias”.
Em conclusão, foi um ano letivo enriquecedor, repleto de conhecimentos e desafios. A par do percurso talhado ao longo dos últimos 6 anos e com o contributo das várias atividades formativas extracurriculares, estou convicta de que possuo as bases necessárias para o exercício da profissão, consciente dos espaços por preencher e da necessidade de aprendizagem contínua.
Termino com um profundo agradecimento a todos os meus professores e tutores, sem eles não teria descoberto a beleza da arte que é a Medicina; a todos os doentes com que me cruzei, pela prontidão com que partilharam as suas fragilidades; a todos os meus amigos, que me lembraram que há espaço e tempo para tudo; e à minha família, o meu grande suporte, pelo apoio incondicional.
ANEXO I -
Cronograma do Estágio Profissionalizante: ano letivo 2019/2020ESTÁGIO PARCELAR COORDENADOR LOCAL PERÍODO TUTOR
Pediatria Prof. Doutor Luís Varandas Hospital Dona Estefânia, CHLC 09/09/2019 a 04/10/2019 Dr. Anaxore Casimiro Ginecologia e Obstetrícia Profª Doutora Teresinha Simões Hospital Lusíadas Lisboa 07/10/2019 a 31/10/2019 Dr. Luís Vicente
Saúde Mental Prof. Doutor Miguel Talina Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa 04/11/2019 a 29/11/2019 Dr. João Oliveira Medicina Geral e Familiar Profª Doutora Isabel Santos
USF São Julião 02/12/2019 a 10/01/2020
Dra. Áurea Farinha
Medicina Interna Prof. Doutor Fernando Nolasco Hospital Egas Moniz, CHLO 19/01/2020 a 13/03/2020 Profª Doutora Judite Henriques
Cirurgia Geral Prof. Doutor Rui Maio
Ensino remoto online, via zoom
05/06/2020 a 19/06/2020
Dra. Marisa Peralta Ferreira Dr. Pedro Miranda
ANEXO II -
Trabalhos realizados nos estágios parcelaresESTÁGIO PARCELAR TÍTULO DO TRABALHO
Pediatria “Abordagem à intoxicação por paracetamol”
Restantes autores: Ana Sarmento, Filipa Verdasca e Gonçalo Cavaco
Ginecologia e Obstetrícia “Salpingo-ooforectomia bilateral – prevenção de cancro do ovário em portadoras de mutação BRCA1 e BRCA2”
Medicina Geral e Familiar “Erradicação da Helicobacter pylori”
Medicina Interna “Lesão Renal Aguda – Abordagem em internamento”
Restantes autores: Alina Fernandes, Ana Margarida Mascarenhas e Maria Santos
Cirurgia Geral “Abordagem ao nódulo da tiroide”
ANEXO VIII -
Certificado de participação: Palestra online ‘Comunicação não verbal em saúde’ [22/05/2020]ANEXO IX - Certificados de voluntariado no Brasil (2018)