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Diagramas no Espaço de Parâmetros do Mapa Logístico Perturbado e sua Estabilidade

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Cap´ıtulo 4

Diagramas no Espa¸co de Parˆ

ametros

do Mapa Log´ıstico Perturbado e sua

Estabilidade

No cap´ıtulo 3, apresentamos o mapa Log´ıstico Perturbado analisando v´arios de seus fenˆomenos. Atrav´es de diagramas de retorno, estudo da evolu¸c˜ao temporal, diagramas de bifurca¸c˜ao e o c´alculo do coeficiente de Lyapunov, n´os analisamos a dinˆamica do mapa Log´ıstico Perturbado. Vimos o aparecimento de diferentes atratores (que causa a crise de transferˆencia), cruzamento de trajet´orias nos diagramas de bifurca¸c˜ao, crise de fron-teira para diferentes valores dos parˆametros e maneiras de se atingir o caos, diferentes da rota de Feigenbaum. Atrav´es de diagramas de bifurca¸c˜ao, pudemos analisar cada um dos fenˆomenos descritos anteriormente. No entanto, n˜ao foi feita uma an´alise global do compor-tamento da equa¸c˜ao (3.1), para diferentes valores tanto do parˆametro de controle b quanto do parˆametro perturbativo q. Para isso, vamos neste cap´ıtulo apresentar diagramas no espa¸co de parˆametros (b × q), descrevendo a dinˆamica da equa¸c˜ao (3.1) atrav´es da topologia destes diagramas [10]. Al´em disso, veremos determinadas estruturas presentes nestes diagramas que podem ser obtidas atrav´es da an´alise da estabilidade da equa¸c˜ao (3.1) (o que faremos para o caso particular de t=2 e p=2). A forma dessas estruturas, como veremos adiante, tamb´em est´a condicionada a existˆencia de diferentes atratores no mapa considerado.

(2)

4.1

Diagramas no Espa¸co de Parˆ

ametros

Os diagramas de espa¸co de parˆametros tˆem sido muito utilizados para descrever processos que envolvem sistemas com mais de um parˆametro, como os apresentados nos trabalhos [31], [29], [30], [39].

Inicialmente, n´os vamos estudar o mapa (3.1) verificando os valores de b e q para os quais este mapa apresenta uma atrator n˜ao finito ou finito (ver tabela da se¸c˜ao 3.4). Neste ´ultimo caso, identificaremos situa¸c˜oes para as quais o mapa ´e per´ıodico ou ca´otico.

Estes diagramas s˜ao feitos considerando-se, no nosso caso, um t fixo, e intervalos de varia¸c˜oes dos parˆametros b e q [10]. Em seguida divide-se estes intervalos por um n´umero m qualquer, no nosso caso m = 500, gerando 500 valores para cada um dos parˆametros.

Montamos ent˜ao uma figura na qual o eixo das abscissas corresponde aos 500 valores de q e o eixo das ordenadas aos 500 valores de b. Assim, cada ponto desta figura representa um par de valores (q,b) que ser´a usado para a itera¸c˜ao do mapa (3.1).

Assim, consideramos um t fixo e uma condi¸c˜ao inicial fixa X0, e iteramos o mapa (3.1) considerando o par de valores (q,b), para um n´umero de itera¸c˜oes consideradas razo´aveis que no nosso caso ´e 5000, sendo que os 3000 primeiros pontos n´os n˜ao consideramos (transiente). Para este conjunto de dois mil pontos, n´os calculamos o coeficiente de Lyapunov e, ent˜ao, marcamos no diagrama de parˆametros, um ponto com uma determinada cor, indicando se a trajet´oria ´e ca´otica ou peri´odica, para aquele par de parˆametros.

Consideramos a cor preta para indicar comportamento ca´otico, a cor branca para indicar comportamento peri´odico e a cor cinza para atratores n˜ao finitos (apˆendice B).

As figuras 4.1 e 4.2 s˜ao exemplos destes tipos de diagramas obtidas para t=5 e t=2, res-pectivamente, e X0 = 0, 20. `A primeira vista, podemos perceber que, para algumas regi˜oes, a parte ca´otica est´a separada da parte de atratores n˜ao finitos por uma linha imagin´aria, cuja equa¸c˜ao ´e dada pela condi¸c˜ao (3.7).

Como mencionado na se¸c˜ao 2.5 do cap´ıtulo 3, quando esta condi¸c˜ao ´e satisfeita pode ocorrer crise de fronteira que destr´oi a bacia do atrator ca´otico. Acima desta linha imagin´aria, ou seja, quando a condi¸c˜ao (3.8) ´e satisfeita, a possibilidade de ocorrˆencia de um atrator n˜ao finito j´a existe. Sempre que a condi¸c˜ao (3.8) for satisfeita, pode haver um atrator n˜ao finito desde que a trajet´oria atinja a regi˜ao dada pela equa¸c˜ao (3.9) e δn,t=0.

Outra caracter´ıstica deste mapa ´e o comportamento ligado ao fato do per´ıodo da per-turba¸c˜ao ser par ou ´ımpar. Como pode-se ver na figuras 4.1 e 4.2, os diagramas s˜ao es-truturalmente diferentes. O formato de cada um dos diagramas se conserva para diferentes

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4.1 Diagramas no Espa¸co de Parˆametros 53 0,00 0,10 0,20 3,0 3,2 3,4 3,6 3,8 q b

Figura 4.1: Diagrama no espa¸co dos parˆametros, para t=5 e X0=0,20. Pontos em preto, branco e cinza representam, respectivamente, atratores ca´oticos, peri´odicos e n˜ao finitos. valores de t, dependendo de sua paridade.

Considerando diagramas com valores crescentes de t, a mudan¸ca b´asica observada ´e que, quanto maior o valor de t, menos densa ´e a parte ca´otica da figura para valores de b menores do que b = 3, 569 . . .. Isso ´e devido ao fato de que, quanto maior t, a dinˆamica do mapa (3.1) ´e cada vez mais parecida com a dinˆamica do mapa (2.1).

O mapa Log´ıstico Perturbado, como mencionado no cap´ıtulo anterior, apresenta dife-rentes bacias de atra¸c˜ao. Isso significa que, para difedife-rentes condi¸c˜oes iniciais, a trajet´oria ir´a para diferentes atratores. Dessa maneira, devemos supor que esses diagramas devem ter sua estrutura alterada para diferentes valores da condi¸c˜ao inicial. E ´e exatamente o que se verifica, quando mudamos a condi¸c˜ao inicial.

Na figura 4.3, est˜ao dois diagramas para duas condi¸c˜oes iniciais diferentes, X0=0, 20 (figura 4.3A) e X0=0, 3 (figura 4.3B). Em (A), podemos ver uma regi˜ao, dentro da ´area onde pode haver atrator n˜ao finito, onde aparecem os comportamentos ca´otico e peri´odico. Isso acontece porque a condi¸c˜ao inicial, X0=0, 20, faz parte de uma bacia de atra¸c˜ao na qual a

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0,00 0,10 0,20 2,80 3,05 3,30 3,55 3,80 q b

Figura 4.2: Diagrama no espa¸co dos parˆametros, para t=2 e X0=0,20. Pontos em preto, branco e cinza representam, respectivamente, atratores ca´oticos, peri´odicos e n˜ao finitos. trajet´oria nunca visita o intervalo (3.9), ou, quando a visita, δn,t= 0 (ver tabela 3.1).

Em algumas regi˜oes em que a trajet´oria ´e ca´otica, aparecem lacunas brancas (casos peri´odicos), que apresentam uma forma que se repete, como ´e o caso da figura 4.2 na parte inferior esquerda.

Para estudar estas estruturas precisamos analisar com mais detalhes as regi˜oes peri´odicas. Assim, iremos trabalhar com um novo tipo de diagrama denominado de isoperi´odico [29] e [30], no qual marcaremos as regi˜oes peri´odicas, identificando os poss´ıveis per´ıodos p do mapa (3.1), o que ser´a feito na pr´oxima se¸c˜ao.

4.2

Diagramas Isoperi´

odicos

Nos diagramas isoperi´odicos consideram-se apenas as regi˜oes peri´odicas dos diagramas no espa¸co de parˆametros. No entanto, algumas vezes assinalaremos nos diagramas isoperi´odicos tamb´em as regi˜oes ca´oticas.

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4.2 Diagramas Isoperi´odicos 55 0,079 0,081 0,083 0,085 3,675 3,685 3,695 3,705 q b (A) 0,0790 0,0810 0,0830 0,0850 3,675 3,685 3,695 3,705 q (B) b

Figura 4.3: Diagramas no espa¸co dos parˆametros, para t=2. Em (A) X0=0,20 e em (B) X0=0,3. Pontos em preto, branco e cinza representam, respectivamente, atratores ca´oticos, peri´odicos e n˜ao finitos.

Assim, na figura 4.4, vemos um diagrama no espa¸co de parˆametros onde est˜ao indicadas as regi˜oes ca´oticas (cor preta), atratores n˜ao finitos (cor vermelha) e peri´odicas. Al´em de termos considerado diferentes cores para cada valor do per´ıodo p, indicamos na figura o valor p do per´ıodo.

Como esta figura foi feita para t=3 (´ımpar), a estrutura dela ´e semelhante `a da figura 4.1. No entanto, como a figura 4.4 ´e feita para um t menor do que o da figura 4.1, a parte ca´otica ´e mais densa.

As regi˜oes peri´odicas desta figura se assemelham a camar˜oes, segundo terminologia in-troduzida nas referˆencias [29], [30]. Essas regi˜oes, ou ilhas, em geral aparecem entre regi˜oes ca´oticas.

Supondo uma linha imagin´aria, na figura 4.4 posicionada em b ∼= 3, 18, podemos ver uma poss´ıvel rota para o caos, considerando-se um aumento do parˆametro q, cuja sequˆencia de bifurca¸c˜oes ´e p=6,12,24,...,caos,...24,12,3. Neste caso, podemos ver bifurca¸c˜oes de per´ıodo e tamb´em cascatas inversas. Outras rotas podem ser identificadas considerando-se n˜ao apenas varia¸c˜oes em um s´o parˆametro, mas tanto em b quanto em q.

Podemos indagar sobre uma poss´ıvel regra no posicionamento das ilhas de per´ıodo p. Para esclarecer isso, faremos duas amplia¸c˜oes de ´areas desta figura, indicadas pelos retˆangulos. Com isso, obtemos as figuras 4.5 e 4.6.

(6)

0,00 0,10 0,20 2,8 4,0 3,2 3,4 3,6 3,8 q b 3 3 6 6 9 9 9 9 3 6 12 12 12 3 6 3 6 24 18 18 3,0

Figura 4.4: Diagrama no espa¸co de parˆametros para t=3 e X0=0,20. Pontos pretos e verme-lhos representam, respectivamente, atratores ca´oticos e n˜ao finitos. Outras cores representam os atratores peri´odicos de per´ıodo indicado na figura.

Na figura 4.5 notamos que as ilhas, de mesmo per´ıodo p, aparecem sempre alinhadas a uma reta b = F q + G, onde F ´e a inclina¸c˜ao da reta, G uma constante e b e q s˜ao os parˆametros da equa¸c˜ao (3.1).

H´a regi˜oes neste diagrama em que podemos aplicar as constantes de Feigenbaum no estudo das duplica¸c˜oes de per´ıodo. No entanto isso n˜ao ´e verdade para todas as regi˜oes.

Uma outra caracter´ıstica importante da estrutura topol´ogica deste diagrama ´e que ele n˜ao ´e fractal. Na figura 4.6 podemos ver que n˜ao aparecem novas ilhas peri´odicas de per´ıodo k, dentro de ilhas peri´odicas de per´ıodo k’, caracter´ıstica de uma geometria fractal [5]. Ao contr´ario, as ilhas de per´ıodo k e k’ aparecem paralelamente (figura 4.5).

(7)

4.3 Diagrama no Espa¸co de Parˆametros para t Grande 57 0,00 0,02 0,04 3,50 3,65 3,60 3,55 q b 3 6 12 6 12 6 12 12 24 6 12 9 18 18 18 18 15 15 12 12 24

Figura 4.5: Diagrama isoperi´odico para t=3 e X0=0,20. Os n´umeros indicam o per´ıodo da ´orbita peri´odica.

4.3

Diagrama no Espa¸co de Parˆ

ametros para t Grande

Mostramos na figura 4.7 as regi˜oes ca´oticas para quatro valores de t: t=7 em (A); t=8 em (B); t=9 em (C) e t=10 em (D). Nessas figuras, vemos a semelhan¸ca da forma das regi˜oes ca´oticas, para valores de t par ou ´ımpar, o que pode ser identificado comparando a semelhan¸ca das figuras (A) e (B) (com t ´ımpar e par respectivamente) com as figuras (C) e (D). Outra caracter´ıstica ´e que quanto maior t menos densa ´e a regi˜ao ca´otica.

Analisando os diagramas isoperi´odicos, mostrados na figura 4.8, referentes aos mesmos parˆametros usados na figura 4.8, vemos que ao passo que as regi˜oes ca´oticas se tornam menos densas para um aumento em t, as regi˜oes peri´odicas se tornam mais densas, em especial as regi˜oes correspondentes a valores do per´ıodo p pr´oximo do valor de t. Assim, vemos que as regi˜oes para p=t e p=2t passam a representar uma ´area maior no diagrama ao passo que t aumenta. Nota-se nesses diagramas isoperi´odicos que a forma das regi˜oes peri´odicas, de per´ıodo p, s˜ao semelhantes para diagramas com t ´ımpar, ou par.

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q b 3 6 12 12 12 24 24 9 9 18 18 9 15 15 15 9 12 36 3 3 6 18 3,50 3,40 3,30 3,20 0,084 0,094 0,104 0,114 0,122

Figura 4.6: Diagrama isoperi´odico para t=3 e X0=0,20. Os n´umeros indicam o per´ıodo da ´orbita peri´odica.

4.4

Estrutura dos Diagramas no Espa¸co de Parˆ

ametros

para Amplitudes Negativas (q < 0)

Quando consideramos uma perturba¸c˜ao q negativa, uma mudan¸ca dr´astrica acontece na forma dos diagramas isoperi´odicos. Na figura 4.9 temos um diagrama para t=3 onde podemos ver que a regi˜ao ca´otica, que para uma perturba¸c˜ao positiva (figura 4.4) preenchia grande parte do diagrama, para uma perturba¸c˜ao negativa preenche uma parte menor do diagrama. Al´em disso a regi˜ao ca´otica, para q < 0, parece ter se deslocado para a parte superior do diagrama.

Esse deslocamento pode ser facilmente entendido atrav´es da an´alise da condi¸c˜ao para a ocorrˆencia da crise de fronteira. A condi¸c˜ao (3.7), para q < 0, fica

b

4 − q = 1, 0. (4.1)

(9)

4.5 Bacias de Atra¸c˜ao 59 0,0 1,0 2,0 3,0 2,8 3,3 3,8 q b b q (A) (B) (C) (D)

Figura 4.7: Diagrama no espa¸co de parˆametros, mostrando as regi˜oes ca´oticas. A condi¸c˜ao inicial nos quatro diagramas ´e X0=0,20 e t=7 (A), t=8 (B), t=9 (C) e t=10 (D).

de acontecer, j´a que a perturba¸c˜ao, caso o ponto tenha sa´ıdo do intervalo (3.2), tende sempre a fazer com que o ponto retorne a esse intervalo.

Todos os outros fenˆomenos observados nos diagramas isoperi´odicos para q positivo est˜ao presentes para diagramas obtidos para q negativo. No entanto a estrutura dos dois tipos de diagramas n˜ao ´e sim´etrica atrav´es da mudan¸ca de sinal da perturba¸c˜ao.

4.5

Bacias de Atra¸c˜

ao

Iremos agora analisar as consequˆencias da existˆencia de diferentes bacias de atra¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.1). Para isso, montamos dois diagramas isoperi´odicos para t=2, usando difentes condi¸c˜oes iniciais.

Esses dois diagramas podem ser vistos nas figuras 4.10A (obtida usando-se X0=0, 20) e a figura 4.10B (obtida usando-se X0=0, 45). Nestas figuras somente os per´ıodos cujas regi˜oes s˜ao densas est˜ao indicados (p=2, 4, 8, 9, 18). No entanto nos interessam somente as regi˜oes

(10)

0,0 1,0 2,0 3,0 7 14 7 q b b q 8 8 16 9 9 18 10 10 20 2,8 3,3 3,8 (A) (B) (C) (D)

Figura 4.8: Diagrama isoperi´odico para t=7 (A), t=8 (B), t=9 (C) e t=10 (D). A condi¸c˜ao inicial usada nos quatro diagramas ´e X0=0,20.

com p=2, 4, 8.

Como vemos em (A), a regi˜ao de per´ıodo p=2 (a “ilha” de per´ıodo p=2) aparece princi-palmente em duas regi˜oes do diagrama, separadas por um “mar” ca´otico que tamb´em isola as ilhas de per´ıodo p=4 e p=8. A ilha de per´ıodo p=2, localizada na parte superior direita do diagrama, atinge a regi˜ao onde ´e poss´ıvel a ocorrˆencia de crise de fronteira (condi¸c˜ao 3.8) e consequentemente a regi˜ao onde podem existir atratores n˜ao finitos. No entanto, essa ilha de per´ıodo p=2 sobrevive `a existˆencia do atrator n˜ao finito at´e atingir as proximidades do ponto d, indicado na figura 4.10A. A partir da´ı, surge o atrator n˜ao finito, que pode ser identificado no diagrama isoperi´odico por causa das lacunas neste.

Analisando o diagrama 4.10B, vemos que o mar ca´otico, que antes dividia a regi˜ao peri´odica de p=2 em duas ilhas, n˜ao est´a presente (isso n˜ao quer dizer que ele n˜ao exista). Al´em disso, a ilha resiste por mais tempo `a existˆencia do atrator n˜ao finito, persistindo at´e depois da regi˜ao marcada pelo ponto d em (A).

(11)

4.6 An´alise da Estabilidade para t=2 e p=2 61 0,00 -0,05 -0.10 -0.15 -0.20 3,20 3,40 3,60 3,80 4,00 q b 4 4 8 8 12 12 12 12 12 8 8 8 8 8 8 8 1632 3216 32 4 8

Figura 4.9: Diagrama no espa¸co de parˆametros, para q ≤ 0, para t=3 e X0=0,20. Pontos pretos e vermelhos representam, respectivamente, atratores ca´oticos e n˜ao finitos. Outras cores representam os atratores peri´odicos de per´ıodo indicado na figura.

a ilha de per´ıodo p=2 da figura 4.10B tem sua bacia de atra¸c˜ao transferida para a bacia do mar ca´otico da figura 4.10A.

Faremos na pr´oxima se¸c˜ao uma an´alise detalhada de como as ilhas de per´ıodo p=2 perdem ou ganham estabilidade a fim de podermos estudar a geometria por tr´as desses diagramas.

4.6

An´

alise da Estabilidade para t=2 e p=2

Para estudar a estabilidade das ilhas de mesmo per´ıodo (ilhas isoperi´odicas), devemos resolver a equa¸c˜ao (3.5). Para valores grandes de p e t, temos uma equa¸c˜ao com um polinˆomio de grau grande o que dificulta a nossa an´alise. Assim, por simplicidade, estudaremos o caso no qual t=2 e p=2.

Para tanto, devemos analisar a estabilidade das trajet´orias peri´odicas (com p=2) da equa¸c˜ao (3.1). Usando a equa¸c˜ao (3.5), a equa¸c˜ao que nos d´a os pontos peri´odicos de p=2 ´e

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0,10 0,20 2,80 3,20 3,60 4,0 q b 2 2 2 2 4 4 4 4 8 8 6 16 8 (A) 8 12 a b c d 0,10 0,20 2,80 3,20 4,00 3,60 q b 2 2 2 2 2 4 4 44 4 4 8 8 6 12 8 8 8 (B)

Figura 4.10: Diagrama isoperi´odico para t=2. Em (A) X0=0,20 e em (B) X0=0,45. Os n´umeros indicam o per´ıodo da ´orbita peri´odica.

F2(Xn) + q = Xn. (4.2)

Portanto, com esta equa¸c˜ao, ´e poss´ıvel obter quatro pontos reais ou complexos que d˜ao a posi¸c˜ao dos pontos fixos da trajet´oria de per´ıodo p=2. De (4.2) obtemos

−b3 Xj∗4 + 2b3 Xj∗3 − (b3 + b2 )Xj∗2 + (b2 − 1)Xj∗+ q = 0, (4.3) cuja solu¸c˜ao s˜ao os pontos desejados.

Entretanto, somente as solu¸c˜oes reais e est´aveis da equa¸c˜ao (4.3) s˜ao relevantes para a obten¸c˜ao dos diagramas isoperi´odicos. Assim, para um ponto fixo Xj∗ ser est´avel, a seguinte condi¸c˜ao deve ser satisfeita

∂F2 (X) ∂X |x→xJ ∗ <1, 0. (4.4)

No caso aqui considerado, para t=2 e p=2, haver´a nenhum, um ou dois pontos fixos est´aveis (X2∗e X4∗), dependendo dos parˆametros b e q. Com respeito `as outras duas solu¸c˜oes, uma (X1∗) n˜ao satisfaz a condi¸c˜ao (4.4) e n˜ao faz parte do atrator finito. O outro ponto

(13)

4.6 An´alise da Estabilidade para t=2 e p=2 63 (X3∗) nunca satisfaz a condi¸c˜ao (4.4) e, portanto, ´e sempre inst´avel, como pode ser visto nas figuras 4.12 - 4.15.

A existˆencia de mais de um ponto fixo est´avel de per´ıodo p=2 explica a existˆencia de mais de uma bacia de atra¸c˜ao para atratores de per´ıodo p=2.

Tomamos agora 150 valores de b e 150 valores de q, para o mesmo intervalo dos parˆametros da figura 4.10. Para cada um desses valores, determinamos a estabilidade dos pontos fixos X2∗ e X4∗, usando a condi¸c˜ao (4.4).

Sabemos que, se h´a um ponto fixo est´avel de per´ıodo p=2 para determinado par de parˆametros (q,b), ent˜ao h´a a possibilidade da equa¸c˜ao (3.1) apresentar uma ´orbita com esse per´ıodo. Dependendo somente, para isso, da condi¸c˜ao inicial.

Marcamos (figura 4.11), num diagrama de parˆametros (q,b), todos os pontos para os quais a equa¸c˜ao (4.3) apresenta pelo menos um ponto fixo est´avel de per´ıodo p=2.

Assim, nesta figura as regi˜oes em branco s˜ao aquelas em que a equa¸c˜ao (3.1) n˜ao apresenta nenhum ponto fixo de per´ıodo p=2 est´avel. As regi˜ao onde h´a pontos representam valores de q e b , para os quais a equa¸c˜ao (3.1) pode apresentar um atrator peri´odico de per´ıodo p=2. Indicamos na figura trˆes regi˜oes nas quais podem haver, um ou dois pontos fixos peri´odicos. Embora a figura 4.11 tenha menos precis˜ao (150x150) do que a da figura 4.10 (500x500), podemos dizer que as ilhas peri´odicas de p=2, da figura 4.10, s´o podem existir nas regi˜oes da figura 4.11 para as quais existe pelo menos um ponto fixo de per´ıodo p=2 est´avel.

Devemos salientar que esta figura foi obtida graficando-se pontos de coordenada (q,b) para os quais a equa¸c˜ao (4.4) apresentava pontos fixos de per´ıodo p=2 est´aveis, enquanto que a figura 4.10 foi obtida iterando-se a equa¸c˜ao (3.1).

Vimos que a an´alise da estabilidade de pontos fixos pode descrever a geometria das ilhas isoperi´odicas no diagrama no espa¸co de parˆametros. No entanto, um diagrama como o da figura 4.11 descreve as poss´ıveis regi˜oes em que a equa¸c˜ao (3.1) pode apresentar ilhas de per´ıodo p=2. Para saber quais foram as causas do diagrama isoperi´odico assumir a forma que podemos ver na figura 4.10A, vamos analisar quatro pontos, indicados na figura pelas letras a,b,c,d.

Para cada um destes pontos (com coordenadas (q,b)) n´os estudamos suas bacias de atra¸c˜ao e a estabilidade das solu¸c˜oes (os pontos fixos) obtidas atrav´es da equa¸c˜ao (4.3). Para isso, n´os fizemos dois tipos de figuras (figuras 4.12 - 4.13).

Cada parte (A) das figuras 4.12 at´e 4.15 mostra a dependˆencia de trˆes diferente fun¸c˜oes em rela¸c˜ao `a posi¸c˜ao X. Assim, a linha preta representa o valor da fun¸c˜ao no lado esquerdo da equa¸c˜ao (4.2), para cada um dos quatro pontos escolhidos na figura 4.10. A linha cinza

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X X ,X X 0,00 0,05 0,10 0,15 3,00 3,20 3,40 3,60 q b 2* 2* 4* 4*

Figura 4.11: Regi˜oes est´aveis dos pontos fixos de per´ıodo p=2, X2∗ e X4∗, no diagrama do espa¸co de parˆametros para t=2.

representa a fun¸c˜ao identidade e a linha pontilhada representa o valor da fun¸c˜ao no lado esquerdo da condi¸c˜ao (4.4), que ´e a derivada da fun¸c˜ao representada pela linha preta em rela¸c˜ao `a X. Portanto, na parte (A) destas figuras, os pontos fixos, Xj∗, podem ser localizados pelo cruzamento da linha preta com a linha cinza (fun¸c˜ao identidade). Para verificar se este ponto fixo Xj∗ ´e est´avel ou inst´avel, n´os s´o necessitamos olhar para a linha pontilhada e verificar seu valor indicado no eixo vertical. Caso o ponto seja est´avel, ent˜ao a fun¸c˜ao representada pela linha pontilhada deve ter valor menor que 1,0 e maior que -1,0 e portanto pode ser vista na figura. Caso o ponto seja inst´avel, ent˜ao a fun¸c˜ao tem valor maior que 1,0 ou menor que -1,0 e portanto n˜ao pode ser vista na figura, j´a que o eixo das ordenadas do gr´afico est´a compreendido no intervalo [-1,0, 1,0].

A outra parte destas figuras (B) representa o atrator de (3.1), para os mesmos parˆametros q e b considerados na parte (A), isto ´e, os valores Xn da orbita (depois do transiente) para cada condi¸c˜ao inicial X0 indicada no eixo das abscissas. Ent˜ao, nestas figuras, ´e poss´ıvel identificar as bacias de atra¸c˜ao dos atratores da equa¸c˜ao (3.1).

(15)

4.6 An´alise da Estabilidade para t=2 e p=2 65 x * x * x * x * X2*=0,4965 X4*=0,8369 E E 2 4 (A) (B) 1 2 3 4 X X0 X 0,00 0,20 0,50 0,75 1,00 0,00 F (x)+q F (x)’ 2 2 0,20 0,50 0,75 1,00 0,0 0,5 1,0 0,0 -1,0 1,0

Figura 4.12: (A) Solu¸c˜ao gr´afica da equa¸c˜ao 4.2, para b=3,3 e q=0,02 (ponto a da figura 4.10A), mostrando dois pontos fixos est´aveis, X2∗e X4∗. A fun¸c˜ao graficada com linha ponti-lhada representa a derivada da equa¸c˜ao 4.10A. (B) Atratores do mapa Log´ıstico Perturbado para os mesmos parˆametros de (A) e diferentes condi¸c˜oes iniciais, mostrando as bacias de atra¸c˜ao dos dois pontos fixos. Nestas figuras t=2.

O mapa Log´ıstico Perturbado, iterado para os parˆametros correspondentes indicados pela letra a na figura 4.10, tem dois pontos fixos peri´odicos e est´aveis (X2∗ e X4∗) indicados na figura 4.12A. Nesta figura, as bacias de atra¸c˜ao desses dois pontos fixos est´aveis podem ser identificadas pela linha grossa preta e pela linha normal preta, respectivamente. Essas linhas mostram o conjunto de condi¸c˜oes iniciais para os quais a equa¸c˜ao (3.1) atinge um atrator ou outro. Os dois poss´ıveis atratores podem ser vistos na figura 4.12B.

Similarmente, para o ponto b, na figura 4.10, n´os obtemos a figura 4.13 com somente um ponto fixo (X2∗) de per´ıodo p=2 est´avel. Entretanto, neste caso, h´a tamb´em um atrator ca´otico. As bacias de atra¸c˜ao desses dois atratores s˜ao mostradas nesta figura e os corres-pondentes valores Xn obtidos atrav´es da itera¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.1) s˜ao mostrados em (B).

(16)

(A) (B) x * x * F (x)+q F (x)’2 2 E x * 0,00 X2*=0,4529 0,50 0,75 0,25 1,00 X0 x * 2 1 3 4 0,0 0,5 1,0 2-1,0 0,0 1,0 0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 X X

Figura 4.13: (A) Solu¸c˜ao gr´afica da equa¸c˜ao 4.2, para b=3,5 e q=0,05 (ponto b da figura 4.10A), mostrando o ponto fixo est´avel X2∗. A fun¸c˜ao graficada com linha pontilhada re-presenta a derivada da equa¸c˜ao 4.10A. (B) Atratores do mapa Log´ıstico Perturbado para os mesmos parˆametros de (A) e diferentes condi¸c˜oes iniciais, mostrando as bacias de atra¸c˜ao do ponto fixo e do atrator ca´otico. Nestas figuras t=2.

fazer parte da bacia de atra¸c˜ao do ponto fixo X2∗, ou seja uma bacia foi transferida para a outra devido a uma crise de transferˆencia. Embora estejamos comentando a crise, ela n˜ao aconteceu exatamente neste valor dos parˆametros, representado na figura 4.10 pela letra c. No entanto, mostramos esse caso como um exemplo do que acontece com as bacias de atra¸c˜ao quando acontece a crise de fronteira.

Finalmente, para o ponto d da figura 4.10, a equa¸c˜ao (3.1) apresenta somente um ponto fixo, X2∗. Entretanto, neste caso, em que os valores de b e q satisfazem a rela¸c˜ao (3.8), h´a tamb´em um atrator n˜ao finito. Assim, s˜ao mostrados na figura 4.15 o atrator X2∗e sua bacia de atra¸c˜ao. Al´em disso, s˜ao mostrados os valores de X0 para os quais o atrator ´e n˜ao finito. Esses valores iniciais s˜ao tais que dirigem a trajet´oria para o intervalo (3.9) representado na figura por uma linha preta e grossa. Outras regi˜oes que v˜ao dirigir a trajet´oria para este

(17)

4.6 An´alise da Estabilidade para t=2 e p=2 67 x * x * x * x * F (x)’ F (x)+q2 2 (A) E (B) 1 2 X2*=0,4849 3 4 X0 0,00 2 0,25 0,50 0,75 1,00 0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 0,0 0,5 1,0 -1,0 0,5 1,0 X

Figura 4.14: (A) Solu¸c˜ao gr´afica da equa¸c˜ao 4.2, para b=3,5 e q=0,1 (ponto c da figura 4.10A), mostrando o ponto fixo est´avel, X2∗ e sua bacia de atra¸c˜ao que compreende todo o intervalo de condi¸c˜oes iniciais (B). Nestas figuras t=2.

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x * x * x * x * F (x)’ F (x)+q2 2 E X0 X2* (A) 0,00 0,25 0,50 0,75 (B) 1 2 3 4 2 0,0 0,5 1,0 0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 1,00 X X

Figura 4.15: (A) Solu¸c˜ao gr´afica da equa¸c˜ao 4.2, para b=3,55 e q=0,125 (ponto d da figura 4.10A), mostrando as regi˜oes onde o mapa Log´ıstico perturbado tem um atrator est´avel X2∗ e n˜ao limitado. Em (B), lacunas vazias correspondem `a condi¸c˜oes iniciais para as quais o atrator n˜ao ´e limitado. Nestas figuras t=2.

Referências

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