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EFEITOS DE PROBIÓTICOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE

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C&D-Revista Eletrônica da FAINOR, Vitória da Conquista, v.10, n.2, p.154-165, jun./ago. 2017 154

TRATAMENTO DA OBESIDADE

Joyce Maria de Sousa Oliveira *

Gleyson Moura dos Santos ***

Nathasha Maria Vieira Pessoa Saldanha ****

Paulo Víctor de Lima Sousa *****

Ágatha Crystian Silva de Carvalho ******

RESUMO

Uma relevante questão que tem sido levantada nos últimos anos é a ligação entre a obesidade e a composição e funcionalidade da microbiota intestinal. A suplementação com probióticos vem sendo amplamente investigada, uma vez que eles podem apresentar funções importantes em condições de estresse oxidativo e inflamatório. Diante disso, o presente estudo objetivou avaliar os efeitos de probióticos no tratamento da obesidade por meio de revisão de literatura. Foi realizada uma busca nas bases de dados Pubmed, Scielo e Lilacs, usando as palavras-chave: probiotcs, gut microbiota e obesiy. Obteve-se 11 estudos que investigaram os efeitos de probióticos no tratamento de obesidade, destes nove mostraram efeitos significativos e dois não apresentaram resultados significativos. Observou-se que o tratamento da obesidade por meio de probióticos proporcionou efeitos benéficos na maioria dos estudos, visto que houve redução do peso, nos níveis de glicose, triglicerídeos. No entanto, devem ser realizados mais ensaios clínicos para confirmar tais efeitos.

Palavras-chaves: Probióticos, Microbiota Intestinal, Obesidade.

Nutricionista. Pós-graduada em

Nutrição Clínica Funcional e Estética. Mestranda do Programa de Pós Graduação em Alimentos e Nutrição da Universidade Federal do Piauí.

* Nutricionista. Pós-graduando em

Fitoterapia aplicada à nutrição. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciências e Saúde da Universidade Federal do Piauí. ** Nutricionista. Pós-graduada em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ciências e Saúde da Universidade Federal do Piauí. *** Nutricionista. Pós-graduando em Fitoterapia aplicada à nutrição. Mestre em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí. ***** Nutricionista. Pós-graduanda em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestre em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí.

1. INTRODUÇÃO

A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura

corporal. Atualmente é considerada um dos principais problemas de saúde pública, devido à alta prevalência mundial e sua contribuição para altas

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taxas de mortalidade e morbidade

(DELZENNE; NEYRINCK; CANO,

2011; VRIEZE et al., 2010).

O estudo de medidas

complementares, além das

convencionalmente empregadas,

ainda é necessário para a prevenção e manejo da obesidade. Uma relevante questão que tem sido levantada nos últimos anos é a ligação entre a

obesidade e a composição e

funcionalidade da microbiota intestinal (CLARKE et al., 2012).

A primeira evidência de uma mudança na composição da flora intestinal em resposta a um fenótipo obeso foi mostrado na genética de ratos obesos. Estes exibiam uma maior proporção de membros do filo Firmicutes do que os do filo Bacterioidetes (LEY et al., 2005). Além disso, a ideia de uma população microbiana obesogênica do intestino emergiu quando os mesmos autores descobriram que o fenótipo de obesidade pode ser transmitido por transplante da microbiota intestinal em ratos (TURNBAUGH et al., 2006).

O mecanismo exato por meio do qual a microbiota intestinal contribui para a obesidade ainda é incerto. No entanto, sugere-se que a oferta de calorias adicionais, o aumento da atividade da lipoproteína lipase (LPL), a lipogênese, a maior permeabilidade intestinal, a endotoxemia e o sistema endocanabinóide (BCE) sejam as principais rotas sob influência da microbiota intestinal, que contribuem para o desenvolvimento da obesidade (BLAUT; KLAUS, 2012).

A microbiota intestinal é um potencial alvo terapêutico para

doenças metabólicas. Embora

intervenções dietéticas possam normalizar a composição da microbiota intestinal em indivíduos com excesso de peso e obesidade, são necessárias

abordagens mais direcionadas

(COTTILARD et al., 2013). A manipulação da composição da microbiota através da administração de prebióticos e probióticos estimula seletivamente o crescimento e a atividade de certas espécies benéficas

ao organismo (DELZENNE;

NEYRINCK; CANO, 2013; HERNELL; WEST, 2013).

(3)

Os probióticos são definidos como micro-organismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, exercem efeitos benéficos

ao organismo. Os gêneros

Lactobacillus e Bifidobacterium são os mais utilizados na elaboração de probióticos. Eles são indicados para o tratamento de diversas doenças, como inflamações, desordens alérgicas e diarreia (QUIGLEY, 2010).

A suplementação com

probióticos vêm sendo amplamente investigada, uma vez que eles podem apresentar funções importantes em condições de estresse oxidativo e inflamatório, a partir da redução da produção de mediadores inflamatórios por atuarem em vias de sinalização celular e serem capazes de alterar o padrão de expressão de determinados genes (LATVALA et al., 2011).

Em virtude da epidemia

mundial de obesidade e suas

consequências à saúde, como também às evidências de que a composição da microbiota intestinal possa diferir entre os indivíduos obesos e eutróficos, são necessárias medidas de controle e prevenção que possam auxiliar as estratégias vigentes no combate a essa patologia. Diante disso, o presente

estudo objetivou avaliar os efeitos de probióticos no tratamento da obesidade por meio de revisão de literatura.

2. METODOLOGIA

O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados US

National Library of Medicine

(PUBMED), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), incluindo artigos publicados no período de 2006 a 2016 no idioma inglês, considerando-se originalidade, relevância e adequação do desenho experimental. Foram utilizadas na busca as seguintes palavras-chave: probiotcs, gut microbiota e obesity e o operador boleano and entre as palavras.

A busca na base PUBMED totalizou 257 artigos, dos quais após a análise dos critérios de inclusão (ensaios clínicos randomizados controlados, ensaios biológicos e estudo de caso-controle, artigos com texto completo, estudo com humanos e animais) foram incluídos 11 estudos. As

(4)

bases LILACS e SCIELO não apresentaram nenhum artigo referente aos termos utilizados. Conforme, apresenta-se na Figura 1.

Figura 1- Fluxograma para a seleção

de artigos nas bases de dados: Pubmed, Scielo e Lilacs.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o levantamento foram

encontrados 11 estudos que

investigaram os efeitos de probióticos no tratamento de obesidade. Sendo,

nove estudos referentes a

intervenções em animais e dois em humanos.

No Quadro 1 são

apresentados os nove estudos

referentes a intervenções em ratos, dos

quais oito revelaram efeitos

significativos, enquanto um não apresentou resultados significativos.

Quadro 1: Estudos sobre os efeitos da

suplementação com probióticos na obesidade em ratos.

Legenda: UFC: unidade formadora de colônia;

HFD- high fat diet; TG: triglicerídeos; IL-6: interleucina-6;MCP-1: proteína quimiotaxia de monócitos-1., ALT: Alanina Aminotransferase; AST: Aspartato Aminotransferase; TNF-α: fator de necrose tumoral alfa; LDL-c: Lipoproteína de baixa densidade; GLP-2:Peptídeo semelhante ao glucagon-2, LPS: Lipopolissacarídeos; IL-10: interleucina 10.

Nesse contexto, Arora et al. (2012) não observaram alterações no

(5)

peso corporal, no ganho de peso cumulativo, na composição de gordura corporal e na adiposidade muscular em ratos obesos e suplementados com Lactobacillus acidophilus NCDC 13 quando comparado com o grupo controle. Os resultados desse estudo foram semelhantes ao obtido por Esposito et al. (2009) que não observaram alteração no peso corporal de ratos alimentados com uma dieta rica em gordura e suplementados com o probiótico VSL#3 (uma mistura de

cepas de Lactobacillus,

Bifidobacterium e Streptococcus

thermophilus), durante 4 semanas. Já no estudo de Yadav et al. (2013) a suplementação do probiótico VSL#3 em ratos com obesidade induzida por dieta hiperlipídica, resultou em efeitos metabólicos benéficos, como a redução do peso corporal, dos níveis de insulina, glicose, triglicerídeos (TG), e resistina, juntamente com o aumento dos níveis de adiponectina e uma resposta inflamatória melhorada. Esses efeitos foram atribuídos ao fato dos probióticos (como VSL#3) modularem a composição da flora intestinal e

levarem a uma melhor eficácia metabólica.

Cano et al. (2013) também observaram efeitos benéficos com a

administração de

Bifidobacterium CECT 7765, em ratos obesos. Eles constataram que houve redução no ganho de peso corporal, no tamanho dos adipócitos, nos níveis de colesterol total (CT), TG e de glicose plasmática, além de uma diminuição dos marcadores inflamatórios e dos níveis séricos de leptina. A suplementação resultou ainda no aumento de interleucina-4 (IL-4). Essas mudanças na composição da microbiota contribuíram para a redução dos sinais inflamatórios provenientes do intestino.

O estudo de Park et al. (2013) mostrou que ratos obesos submetidos à suplementação de Lactobacillus curvatus HY7601 e Lactobacillus plantarum KY1032 tiveram o peso e o

acúmulo de gordura corporal

reduzidos, bem como diminuição dos biomarcadores de toxicidade hepática, do CT, dos níveis de leptina e

(6)

microbiota intestinal e à sua

composição, estas foram

significativamente alteradas, após o tratamento com probióticos.

Stenman et al. (2014) analisaram os

efeitos do tratamento com

Bifidobacterium

animalis ssp . lactis 420, em ratos

obesos, durante 12 semanas e

verificaram que os animais

apresentaram redução no peso

corporal, na massa gorda e melhora na tolerância à glicose. Esses efeitos em conjunto, estão associados com um mecanismo relacionado à diminuição da translocação bacteriana pelo tratamento com B420.

Em seu estudo, Everard et al. (2014) também observaram efeitos benéficos no tratamento da obesidade, através da administração de 120 mg por sonda oral de levedura probiótica, a Saccharomyces boulardii em ratos obesos. A suplementação resultou em redução do peso corporal, da massa gorda, da esteatose hepática e da inflamação sistêmica e hepática. Observou-se ainda, que o tratamento

com S. boulardii afetou

profundamente a abundância de diferentes filos. Estes efeitos sobre o metabolismo do hospedeiro são

atribuídos a ações locais no intestino, visto que o tratamento com a levedura induziu alterações na composição da flora intestinal nos níveis de filo, família e gênero.

Nuñez et al. (2014) avaliaram o efeito da administração da bactéria probiótica Lactobacillus casei CRL 431 e do leite fermentado por L. casei em diferentes parâmetros de ratos obesos, por 60 dias. E perceberam que o leite fermentado reduziu o peso corporal de ratos e os níveis de glicose; e tanto o leite fermentado quanto o L.casei diluído em água diminuíram as frações de CT, de lipoproteína de baixa densidade colesterol (LDL-c) e TG. Estes efeitos sobre o metabolismo lipídico foram semelhantes ao obtido por HU et al. (2013) que verificaram redução do CT e do LDL em ratos alimentados com dieta rica em colesterol e suplementados com Lactobacillus plantarum NS5.

Já no estudo de Bomhof et al. (2014) que avaliaram os efeitos individuais e combinados do prebiótico frutooligossacarídeo (FOS) e do probiótico Bifidobacterium animalis subsp.Lactis BB-12 (BB-12) em ratos

(7)

Sprague Dawley com obesidade induzida por dieta, durante 8 semanas, os autores perceberam que a

suplementação apenas com o

probiótico não afetou o peso corporal dos ratos, entretanto, provocou uma diminuição na proporção de Firmicutes para Bacteroidetes. Além disso, a glicemia dos animais melhorou, a insulina de jejum reduziu e os níveis de peptídeo semelhante ao glucagon-2 (GLP-2) aumentaram.

Lim et al. (2016) também demonstraram em seu estudo que ratos C57BL / 6J com obesidade induzida por dieta hiperlipídica e suplementados com Lactobacillus sakei OK67 , durante 4,5 semanas, apresentaram supressão da produção de lipopolissacarídeos (LPS) pela microbiota, redução de hiperglicemia provocada pela dieta, menor ganho de peso e inibição da adipogênese. Além disso, foi verificado que os níveis de citocinas pró-inflamatórias diminuíram, bem como a

expressão dos marcadores

inflamatórios, enquanto os níveis de interleucina-10 (IL- 10) aumentaram.

No que se refere a intervenções em humanos, no Quadro 2 são

apresentados os aspectos relacionados aos estudos encontrados.

Quadro 2- Efeitos de probióticos no

tratamento da obesidade em seres humanos. Autor/An o Caracterização do Estudo Efeitos Lee et al., (2014) Mulheres obesas Suplementação: fitoterápico com a formulação probiótica DUOLAC 7 Dose: 7 espécies de bactérias do ácido láctico e bifidobactérias Duração: 8 semanas Peso, IMC, circunferênci a abdominal, % de gordura corporal e massa gorda. HDL-c Brahe et al.,(2015) Mulheres obesas Suplementação: L.paracasei F19 Dose: 9·4×10 10 unidades/do se de formação de colônias Duração: 6 semanas Sem resultados significativos

Legenda: IMC: Índice de massa corporal.

HDL-c: lipoproteína de alta densidade colesterol.

Conforme, observa-se no Quadro 2, Lee et al. (2014) ao suplementarem um fitoterápico

combinado com a formulação

probiótica DUOLAC 7, em mulheres obesas, perceberam que as mesmas

(8)

apresentavam uma redução no peso, no índice de massa corporal (IMC), na

circunferência abdominal, no

percentual de gordura corporal e massa gorda, após a co-adminstração de probióticos. Além disso, verificou-se que houve aumento significativo nos níveis de lipoproteína de alta densidade colesterol (HDL-c) em comparação com o placebo.

Por outro lado, a intervenção de Brahe et al. (2015) em mulheres pós-menopausadas com obesidade,

não demonstrou resultados

significativos referentes à sensibilidade à insulina, ao metabolismo de lipídeos, aos marcadores inflamatórios ou medidas antropométricas, quando essas foram submetidas à

suplementação com L.paracasei F19 misturado com maltodextrina, durante 6 semanas.

4. CONCLUSÃO

Com base no levantamento de dados, observou-se que o tratamento da obesidade por meio de probióticos apresentou efeitos benéficos na maioria dos estudos, uma vez que houve redução do peso, melhora nos níveis de glicose, triglicerídeos, insulina, além de aumento nos níveis citocinas anti-inflamatórias. No entanto, devem ser realizados mais ensaios clínicos para confirmar tais efeitos.

EFFECTS OF PROBIOTICS IN THE TREATMENT OF OBESITY PROBIOTICS EFFECTS IN THE TREATMENT OF OBESITY ABSTRACT

A relevant issue that has been pointed in the recent years is the link between obesity and the composition and functionality of the intestinal microbiota. The supplementation of probiotics has been widely studied, as they can present important functions in oxidative and inflammatory conditions. In light of this, the present study aimed to evaluate the effects of probiotics in the treatment of obesity by means of literature review. Databases such as Pubmed, Scielo, and Lilacs, were searched for pertinent abstracts using as keywords: probiotics, gut microbiota, and obesity, obtaining 11 studies that investigated the effects of probiotics in the treatment of obesity. Among these, nine showed significant effects, and two didn’t present significant results. It has been observed that the treatment

(9)

of obesity using probiotics provided positive effects in the majority of the studies, as there was weight loss, decrease in the levels of glucose and triglyceride. Nonetheless, further clinical tests must be performed in order to confirm such effects.

Keywords: Probiotics, Intestinal Microbiota, Obesity.

(10)

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