Vamos acabar com isso!
Cleonice Schlieck
Bullying
Cleonice Schlieck
BULLYING
CLEONICE SCHLIECK
1ª edição
Chapadão do Sul—MS Edição do Autor
2017
Nas escolas em geral É prática regular Nos colegas se por apelido E por esse nome o chamar.
É um gesto de afeto Ter um amigo por perto Com ele poder conversar.
Já dizia meu avô Em sua sabedoria popular
“Apelido só pega mesmo Se dele você não gostar;
Se te chamarem de Zé, Meu amigo, ponha fé, Assim é que vão te chamar.
Diminutivos são usados- Zezé, Lu e Aninha – Pelos amigos bem próximos
E também pela família É assim que a mãe
A tia e a avó Chamam a criancinha.
Mas às vezes acontece De o apelido não agradar
De ser dado por ofensa Pra insultar ou incomodar.
Nesse caso, uma observação Pode ser feita de coração Pra essa história começar.
Características físicas não podem Virar nome ou apelido.
São detalhes pessoais Que cada um traz consigo.
Nem servem para fazer Com que alguém possa ser
Melhor do que seu amigo.
Na escola onde eu estudo Tem gente de todo jeito Cada um com suas virtudes
Cada um com seus defeitos Porque todo mundo sabe Isso é uma grande verdade
Que ninguém é perfeito.
Tem gente de cabelo liso Ou de cabelo encaracolado Tem gente que toca o terror E outros bem comportados.
Tem quem respeita o professor Quem é aconselhador Quem sempre chega atrasado.
Tem mulato, moreno e branco Tem da cidade e do interior
Tem gente que é “santo”
Que só fala em paz e amor, E tem menino que é grande, Nesse sentido, não se espante,
Tem sujeito questionador.
Tem gente que é revoltada Pelos problemas sociais Que traz todo dia de casa Problemas que vive com os pais
Tem gente que sofre injustiça Tem quem vai sempre á missa,
E tantos tipos mais.
Tem gente que mora no centro Ou em bairros afastados Que vem pra escola de ônibus
E às vezes chega empoeirado;
Tem quem fala muito, Toda hora é um assunto
E prefere ficar calado.
Quem traz a tarefa pronta Quem sempre tem certa a resposta
Quem gosta muito da escola Quem da escola não gosta Tem quem estuda pelo lanche
Tem quem gosta de estudar Ou porque isso é regra imposta.
E na tua escola?
Como é a situação?
O professor explica Muito bem a lição?
É uma escola de excelência?
E como é a convivência Dos alunos, professores e direção?
Pergunto isso porque quero Te contar uma história De algo que aconteceu Comigo na minha escola
E por ser algo esquisito Por eu não achar bonito Guardei a lição na memória.
Na escola onde eu estudo Há um sujeito valentão
De todos é o mais alto E também o mais fortão Além de facilmente se irritar
Querer ser popular É sua intenção Por isso dentro da sala De uma coisa ele faz questão
De ter o domínio da turma De ter todos em sua mão
Essa fama ele conquista Sendo grande chantagista Falando alto e dando empurrão.
Ele também fala muito E murmura sozinho Praguejando entre os dentes Em sussurro, bem baixinho:
Calúnias e ofensas Ele diz como pensa Em seus murmurinhos.
Na frente da professora É discreto e calado
Me atrevo a dizer Que é gentil e educado E costuma ficar em seu lugar
A refletir e a pensar Às vezes triste ou desanimado.
Mas quando a professora não vê As coisas que ele faz
Só ele mesmo sabe De tudo o que é capaz
Ele ameaça nos bater Se a gente não lhe obedecer
Assim rouba a nossa paz.
Quando alguém não lhe obedece Se sente desafiado
Durante um instante fica Pensativo e irritado Depois pra cima do sujeito
Cresce e estufa o peito Num gesto acovardado E o coleguinha se acanha
Na cadeira a se afundar Como se na sua frente tivesse
Um leão a lhe acuar.
Sem saber o que fazer Resta ao pequeno dizer
Queima me desculpar.
Quando eu cheguei na escola Logo vi o que acontecia Mas como ele era mais forte Eu também não me defendia
E por medo de apanhar Não me atrevia a falar O mal que ele me fazia.
Eu sempre fui gorda Basta olhar e ver Os apelidos que ele me dava
Nem é preciso dizer De gorda, saco de areia De hipopótamo e baleia Ele vivia a me ofender.
E eu corria para o banheiro E ali me punha a chorar E sentia vergonha de mim De mim não conseguia gostar.
Porque eu era diferente?
Era uma pergunta na minha mente Que eu não conseguia evitar.
E passei a ficar em casa Sem vontade de sair
Não queria brincar com ninguém Não saía pra me divertir
Me sentia gorda e feia Como se fosse mesmo baleia
E vivia a me reprimir.
A minha mãe percebeu Que mudou meu comportamento
Pois ela sempre teve Em mim um olhar atento
E ela percebeu
Que no fundo dos olhos meus Vivia um triste pensamento.
Como quem ama e cuida Ela procurou a direção Contou o que estava acontecendo
E pediu uma explicação Como uma criança risonha
Fica quieta e tristonha?
Pra isso tem explicação?
A profª. não sabia A nada disso explicar Mas prometeu à minha mãe
Ficar atenta e observar.
E pediu aos seus amigos, Os que mais conviviam comigo,
Para também me cuidar.
Aos poucos a professora Toda a trama foi descobrindo E chamou os pais do valentão
Para falar sobre o menino E para falar do assunto Pai e filho, os dois juntos, Na direção foram se reunindo.
O relato de minha mãe Foi o primeiro relato
E logo se esclareceu Que o caso era de fato Um caso a ser estudado Pois o bullying era praticado
E precisava ser solucionado.
Quando o pai soube Do filho o comportamento
Com ele foi severo Não esperou um só momento
E uma surra bem dada Com castigo de enxada Ao garoto foi prometendo.
O pai falava alto Era ríspido e autoritário
E bastante dominador Em seu vocabulário E prometeu, sem doçura, Que o filho iria mudar a postura
Ter comportamento contrário.
“Se eu tiver que voltar aqui Para tratar desse assunto
Te faço uma promessa, Te juro de pé junto, Que te dou uma surra bem dada,
E te cubro de pancada Na frente de todo mundo.
Assim encerrou a conversa Sem outra explicação, Esperando que o filho Compreendesse a lição.
Sem, porém, compreender O que o menino poderia fazer
Na alma e no coração.
Pra encurtar a conversa Vou resumir esta narração E dizer que por uma semana
O caso teve solução.
Ninguém teve apelido Ninguém foi ofendido Pelo menino valentão.
Mas só por uma semana Depois tudo piorou O falso respeito adquirido
De repente evaporou.
Sem temer o retorno dos pais Ele nos ofendeu até mais
E também nos ameaçou.
E uma outra menina Bem mais sofreu na sua mão
Por causa do cabelo, Veja só esta questão, Num momento de atropelo
Bem curto cortou o cabelo Façamos uma anotação.
E por faltar à garota O traquejo feminino Por não ser muito vaidosa
Em seu figurino Assim pensou o Valentão
E a chamou de João Dizendo que parecia menino.
Foi brincadeira sem graça Mas a turma toda riu E constrangida da classe
A menina Maria saiu.
E quando ela voltou pra sala De novo, na mesma fala,
O nome se repetiu.
Não era só o menino Que a chamava desse jeito
Até eu, por diversão, Me dava esse direito Achando que era divertido
A chamar por esse apelido Sem notar o meu malfeito.
Em poucos dias, Maria Entrou em profundo desgosto
Não queria mais estudar Às vezes escondia o rosto,
E se ainda estudava Era porque a mãe lhe obrigava
E ela ia a contragosto.
Para mostrar que não gostava do ape- lido em questão
A todos ela ofendeu Com um feio palavrão
E se alguém insistia Ela gritava e partia Também para a agressão.
A mãe dela foi chamada Para a sala da direção Uma, duas, três vezes, Para advertência e suspensão.
E só para ver ela brava Muito mais a gente a chamava
De menina Maria João.
A gente assim o fazia Em parte porque gostava Em parte porque notamos
Que o valentão da sala Enquanto irritava Maria
De nós ele se esquecia E não nos incomodava.
Porém, chegou o dia Em que Maria não veio.
De sofrer humilhação Ela estava com receio.
Disse que não queria estudar Pra escola não ia voltar
O caso estava feio.
A mãe dela ainda insistiu Mas de nada adiantou.
Maria estava ferida Pra escola não voltou.
E a brincadeira da aparência Teve triste consequência Os estudos ela abandonou.
Todos os pais foram chamados Para uma reunião
E o bullying foi o assunto E a pauta da discussão.
Pois a boa convivência Exige respeito e paciência E não tolera a discriminação.
Fomos orientados a parar Com as brincadeiras ofensivas E em conjunto com a professora
Criamos regras de disciplinas.
Pois o respeito e a autoconfiança Devem ser da criança Direito, dever e rotina.
A professora também sugeriu Exemplos de liderança
Para assim reforçar A nossa segurança E dar o pontapé inicial No nosso reforço pessoal
Para a nossa mudança.
Os pais foram orientados A ficar sempre atentos E a colaborarem com a escola
Nesse fortalecimento Das habilidades morais
E dos valores sociais Em todo e qualquer momento.
Quanto ao aluno valentão Vai aqui uma observação.
Para conhecer o bullying é preciso Conhecer sua motivação.
Mais popular querer ser E uma boa imagem de si obter
Estão na causa da questão.
Um ponto mais importante É preciso observar Quem pratica o bullying Pode ter histórico familiar.
Em sua casa a violência Pode ter fixa residência Num histórico peculiar.
Para toda essa família Que da violência sofre vendaval
A orientação deve contar Com ajuda especial.
Sem qualquer hipocrisia De um profissional de psicologia
Para não parar no tribunal.
Tem gente que faz guerra E reage a uma agressão
Mas esse problema É mais simples a solução
Relatar o ocorrido Aos pais, professor ou amigo Vale mais que outro empurrão.
Agora, na minha escola, A paz reina absoluta Pois o diálogo e o respeito Fazem parte de nossa conduta
Pois a boa convivência E o exercício da paciência
São bens que se desfruta.
Agora me diga você Que também é estudante:
Você também acha
Que evitar o bullying é importante?
Você já sofreu agressão?
Ou algum tipo de intimidação?
Ou apelido humilhante?
E na tua escola?
Como é a situação?
O professor explica Muito bem a lição?
É uma escola de excelência?
E como é a convivência Dos alunos, professores e direção?
Características físicas não podem Virar nome ou apelido.
São detalhes pessoais Que cada um traz consigo.
Nem servem para fazer Com que alguém possa ser
Melhor do que seu amigo.
QUESTIONÁRIO
1) O que é bullying?
2) Porque se pode afirmar que a escola é um espaço de diversidade?
3) Porque o “valentão” humilhava os co- legas? O “valentão” era mesmo valente?
4) Como a narradora se sentiu prejudica- da pelo bullying?
5) Porque Maria abandonou a escola?
6) Como a professora agiu para resolver o problema?
7) Como os pais podem colaborar para resolver o problema do bullying?
8) Porque o histórico familiar incentiva o
“valentão” a praticar o bullying?
Cleonice Schlieck tem gradua- ção em Letras, é professora de es- cola pública, romancista e corde- lista.
É autora dos livros
* Anjo de uma asa só;
* A busca pela verdade;
* A força do amor;
* Intenso como as águas
E dos cordéis
* Quanto custa um pedaço do céu;
* Quem precisa de Jesus;
* A gorda que queria ser magra
* Cordel da dengue
* As aventuras do menino José
* As aventuras do menino José II
* Retrato da corrupção;
* O amor de uma mulher;
* Uma história de amor