• Nenhum resultado encontrado

Vamos acabar com isso!

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Vamos acabar com isso!"

Copied!
28
0
0

Texto

(1)

Vamos acabar com isso!

Cleonice Schlieck

(2)
(3)

Bullying

Cleonice Schlieck

(4)

BULLYING

CLEONICE SCHLIECK

1ª edição

Chapadão do Sul—MS Edição do Autor

2017

(5)

Nas escolas em geral É prática regular Nos colegas se por apelido E por esse nome o chamar.

É um gesto de afeto Ter um amigo por perto Com ele poder conversar.

Já dizia meu avô Em sua sabedoria popular

“Apelido só pega mesmo Se dele você não gostar;

Se te chamarem de Zé, Meu amigo, ponha fé, Assim é que vão te chamar.

Diminutivos são usados- Zezé, Lu e Aninha – Pelos amigos bem próximos

E também pela família É assim que a mãe

A tia e a avó Chamam a criancinha.

(6)

Mas às vezes acontece De o apelido não agradar

De ser dado por ofensa Pra insultar ou incomodar.

Nesse caso, uma observação Pode ser feita de coração Pra essa história começar.

Características físicas não podem Virar nome ou apelido.

São detalhes pessoais Que cada um traz consigo.

Nem servem para fazer Com que alguém possa ser

Melhor do que seu amigo.

Na escola onde eu estudo Tem gente de todo jeito Cada um com suas virtudes

Cada um com seus defeitos Porque todo mundo sabe Isso é uma grande verdade

Que ninguém é perfeito.

(7)

Tem gente de cabelo liso Ou de cabelo encaracolado Tem gente que toca o terror E outros bem comportados.

Tem quem respeita o professor Quem é aconselhador Quem sempre chega atrasado.

Tem mulato, moreno e branco Tem da cidade e do interior

Tem gente que é “santo”

Que só fala em paz e amor, E tem menino que é grande, Nesse sentido, não se espante,

Tem sujeito questionador.

Tem gente que é revoltada Pelos problemas sociais Que traz todo dia de casa Problemas que vive com os pais

Tem gente que sofre injustiça Tem quem vai sempre á missa,

E tantos tipos mais.

(8)

Tem gente que mora no centro Ou em bairros afastados Que vem pra escola de ônibus

E às vezes chega empoeirado;

Tem quem fala muito, Toda hora é um assunto

E prefere ficar calado.

Quem traz a tarefa pronta Quem sempre tem certa a resposta

Quem gosta muito da escola Quem da escola não gosta Tem quem estuda pelo lanche

Tem quem gosta de estudar Ou porque isso é regra imposta.

E na tua escola?

Como é a situação?

O professor explica Muito bem a lição?

É uma escola de excelência?

E como é a convivência Dos alunos, professores e direção?

(9)

Pergunto isso porque quero Te contar uma história De algo que aconteceu Comigo na minha escola

E por ser algo esquisito Por eu não achar bonito Guardei a lição na memória.

Na escola onde eu estudo Há um sujeito valentão

De todos é o mais alto E também o mais fortão Além de facilmente se irritar

Querer ser popular É sua intenção Por isso dentro da sala De uma coisa ele faz questão

De ter o domínio da turma De ter todos em sua mão

Essa fama ele conquista Sendo grande chantagista Falando alto e dando empurrão.

(10)

Ele também fala muito E murmura sozinho Praguejando entre os dentes Em sussurro, bem baixinho:

Calúnias e ofensas Ele diz como pensa Em seus murmurinhos.

Na frente da professora É discreto e calado

Me atrevo a dizer Que é gentil e educado E costuma ficar em seu lugar

A refletir e a pensar Às vezes triste ou desanimado.

Mas quando a professora não vê As coisas que ele faz

Só ele mesmo sabe De tudo o que é capaz

Ele ameaça nos bater Se a gente não lhe obedecer

Assim rouba a nossa paz.

(11)

Quando alguém não lhe obedece Se sente desafiado

Durante um instante fica Pensativo e irritado Depois pra cima do sujeito

Cresce e estufa o peito Num gesto acovardado E o coleguinha se acanha

Na cadeira a se afundar Como se na sua frente tivesse

Um leão a lhe acuar.

Sem saber o que fazer Resta ao pequeno dizer

Queima me desculpar.

Quando eu cheguei na escola Logo vi o que acontecia Mas como ele era mais forte Eu também não me defendia

E por medo de apanhar Não me atrevia a falar O mal que ele me fazia.

(12)

Eu sempre fui gorda Basta olhar e ver Os apelidos que ele me dava

Nem é preciso dizer De gorda, saco de areia De hipopótamo e baleia Ele vivia a me ofender.

E eu corria para o banheiro E ali me punha a chorar E sentia vergonha de mim De mim não conseguia gostar.

Porque eu era diferente?

Era uma pergunta na minha mente Que eu não conseguia evitar.

E passei a ficar em casa Sem vontade de sair

Não queria brincar com ninguém Não saía pra me divertir

Me sentia gorda e feia Como se fosse mesmo baleia

E vivia a me reprimir.

(13)

A minha mãe percebeu Que mudou meu comportamento

Pois ela sempre teve Em mim um olhar atento

E ela percebeu

Que no fundo dos olhos meus Vivia um triste pensamento.

Como quem ama e cuida Ela procurou a direção Contou o que estava acontecendo

E pediu uma explicação Como uma criança risonha

Fica quieta e tristonha?

Pra isso tem explicação?

A profª. não sabia A nada disso explicar Mas prometeu à minha mãe

Ficar atenta e observar.

E pediu aos seus amigos, Os que mais conviviam comigo,

Para também me cuidar.

(14)

Aos poucos a professora Toda a trama foi descobrindo E chamou os pais do valentão

Para falar sobre o menino E para falar do assunto Pai e filho, os dois juntos, Na direção foram se reunindo.

O relato de minha mãe Foi o primeiro relato

E logo se esclareceu Que o caso era de fato Um caso a ser estudado Pois o bullying era praticado

E precisava ser solucionado.

Quando o pai soube Do filho o comportamento

Com ele foi severo Não esperou um só momento

E uma surra bem dada Com castigo de enxada Ao garoto foi prometendo.

(15)

O pai falava alto Era ríspido e autoritário

E bastante dominador Em seu vocabulário E prometeu, sem doçura, Que o filho iria mudar a postura

Ter comportamento contrário.

“Se eu tiver que voltar aqui Para tratar desse assunto

Te faço uma promessa, Te juro de pé junto, Que te dou uma surra bem dada,

E te cubro de pancada Na frente de todo mundo.

Assim encerrou a conversa Sem outra explicação, Esperando que o filho Compreendesse a lição.

Sem, porém, compreender O que o menino poderia fazer

Na alma e no coração.

(16)

Pra encurtar a conversa Vou resumir esta narração E dizer que por uma semana

O caso teve solução.

Ninguém teve apelido Ninguém foi ofendido Pelo menino valentão.

Mas só por uma semana Depois tudo piorou O falso respeito adquirido

De repente evaporou.

Sem temer o retorno dos pais Ele nos ofendeu até mais

E também nos ameaçou.

E uma outra menina Bem mais sofreu na sua mão

Por causa do cabelo, Veja só esta questão, Num momento de atropelo

Bem curto cortou o cabelo Façamos uma anotação.

(17)

E por faltar à garota O traquejo feminino Por não ser muito vaidosa

Em seu figurino Assim pensou o Valentão

E a chamou de João Dizendo que parecia menino.

Foi brincadeira sem graça Mas a turma toda riu E constrangida da classe

A menina Maria saiu.

E quando ela voltou pra sala De novo, na mesma fala,

O nome se repetiu.

Não era só o menino Que a chamava desse jeito

Até eu, por diversão, Me dava esse direito Achando que era divertido

A chamar por esse apelido Sem notar o meu malfeito.

(18)

Em poucos dias, Maria Entrou em profundo desgosto

Não queria mais estudar Às vezes escondia o rosto,

E se ainda estudava Era porque a mãe lhe obrigava

E ela ia a contragosto.

Para mostrar que não gostava do ape- lido em questão

A todos ela ofendeu Com um feio palavrão

E se alguém insistia Ela gritava e partia Também para a agressão.

A mãe dela foi chamada Para a sala da direção Uma, duas, três vezes, Para advertência e suspensão.

E só para ver ela brava Muito mais a gente a chamava

De menina Maria João.

(19)

A gente assim o fazia Em parte porque gostava Em parte porque notamos

Que o valentão da sala Enquanto irritava Maria

De nós ele se esquecia E não nos incomodava.

Porém, chegou o dia Em que Maria não veio.

De sofrer humilhação Ela estava com receio.

Disse que não queria estudar Pra escola não ia voltar

O caso estava feio.

A mãe dela ainda insistiu Mas de nada adiantou.

Maria estava ferida Pra escola não voltou.

E a brincadeira da aparência Teve triste consequência Os estudos ela abandonou.

(20)

Todos os pais foram chamados Para uma reunião

E o bullying foi o assunto E a pauta da discussão.

Pois a boa convivência Exige respeito e paciência E não tolera a discriminação.

Fomos orientados a parar Com as brincadeiras ofensivas E em conjunto com a professora

Criamos regras de disciplinas.

Pois o respeito e a autoconfiança Devem ser da criança Direito, dever e rotina.

A professora também sugeriu Exemplos de liderança

Para assim reforçar A nossa segurança E dar o pontapé inicial No nosso reforço pessoal

Para a nossa mudança.

(21)

Os pais foram orientados A ficar sempre atentos E a colaborarem com a escola

Nesse fortalecimento Das habilidades morais

E dos valores sociais Em todo e qualquer momento.

Quanto ao aluno valentão Vai aqui uma observação.

Para conhecer o bullying é preciso Conhecer sua motivação.

Mais popular querer ser E uma boa imagem de si obter

Estão na causa da questão.

Um ponto mais importante É preciso observar Quem pratica o bullying Pode ter histórico familiar.

Em sua casa a violência Pode ter fixa residência Num histórico peculiar.

(22)

Para toda essa família Que da violência sofre vendaval

A orientação deve contar Com ajuda especial.

Sem qualquer hipocrisia De um profissional de psicologia

Para não parar no tribunal.

Tem gente que faz guerra E reage a uma agressão

Mas esse problema É mais simples a solução

Relatar o ocorrido Aos pais, professor ou amigo Vale mais que outro empurrão.

Agora, na minha escola, A paz reina absoluta Pois o diálogo e o respeito Fazem parte de nossa conduta

Pois a boa convivência E o exercício da paciência

São bens que se desfruta.

(23)

Agora me diga você Que também é estudante:

Você também acha

Que evitar o bullying é importante?

Você já sofreu agressão?

Ou algum tipo de intimidação?

Ou apelido humilhante?

E na tua escola?

Como é a situação?

O professor explica Muito bem a lição?

É uma escola de excelência?

E como é a convivência Dos alunos, professores e direção?

Características físicas não podem Virar nome ou apelido.

São detalhes pessoais Que cada um traz consigo.

Nem servem para fazer Com que alguém possa ser

Melhor do que seu amigo.

(24)

QUESTIONÁRIO

1) O que é bullying?

2) Porque se pode afirmar que a escola é um espaço de diversidade?

3) Porque o “valentão” humilhava os co- legas? O “valentão” era mesmo valente?

4) Como a narradora se sentiu prejudica- da pelo bullying?

5) Porque Maria abandonou a escola?

6) Como a professora agiu para resolver o problema?

7) Como os pais podem colaborar para resolver o problema do bullying?

8) Porque o histórico familiar incentiva o

“valentão” a praticar o bullying?

(25)
(26)
(27)
(28)

Cleonice Schlieck tem gradua- ção em Letras, é professora de es- cola pública, romancista e corde- lista.

É autora dos livros

* Anjo de uma asa só;

* A busca pela verdade;

* A força do amor;

* Intenso como as águas

E dos cordéis

* Quanto custa um pedaço do céu;

* Quem precisa de Jesus;

* A gorda que queria ser magra

* Cordel da dengue

* As aventuras do menino José

* As aventuras do menino José II

* Retrato da corrupção;

* O amor de uma mulher;

* Uma história de amor

Referências

Documentos relacionados

Constatou-se que não são poucos os estudos sobre o tema, mas os que foram encontrados afirmam que sobre o AME correspondente ao alimento ideal e completo com todos os nutrientes

Através do livro meditação, e nos apontamentos do curso, vai ouvir falar do coração espiritual ou simplesmente “o coração”. Tal como pode ter adivinhado, o coração

Sabendo que houve acréscimo no número de submissões e de aprovações entre 2011 e 2012, com o oposto para 2013, cabe salientar que três áreas (i) Gestão Econômica; (ii)

Tardif (2000, 2005) corrobora a ideia de que tanto as bases teóricas como as práticas são conhecimentos construídos em um processo evolutivo e contínuo; Schon (1992) aponta para

rígido, um material de espuma, um acolchoamento interior ou forro, um sistema de ventilação e um sistema de retenção, como se pode constatar na figura 5.1. Figura 5.1: Estrutura

O destaque fica para o ano de 2010, para os homens na região sul, com maior número de homens e consumo regular para apenas 6 meses, enquanto os anos de 2011 e 2102 as mulheres

• Durante a autorotação o ângulo da velocidade • Durante a autorotação o ângulo da velocidade induzida deve ser de maneira a não existir uma contribuição para o binário

Como é que a gente consegue mesmo entrar dentro do governo senão forçando estar dentro da estrutura? E se tu não tá dentro da estrutura como que vai garantir.. Então eu acho que