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PREPARAÇÃO EXAME DE 11.º E 12.º ANOS Grupo I A

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Academic year: 2021

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PREPARAÇÃO EXAME DE 11.º E 12.º ANOS

Grupo I A

Lê o texto que se segue e responde às questões apresentadas.

(…) Quando Afonso da Maia, Vilaça e o abade recolheram do seu passeio pela freguesia, escurecera, havia luzes pelas salas, e tinham chegado já as Silveiras, senhoras ricas da Quinta da Lagoaça.

D. Ana Silveira, a solteira e mais velha, passava pela talentosa da família, e era em pontos de doutrina e etiqueta uma grande autoridade em Resende. A viúva, D. Eugénia, limitava-se a ser uma excelente e pachorrenta senhora, de agradável nutrição, trigueirota e pestanuda; tinha dois filhos, a Teresinha, a noiva de Carlos, uma rapariguinha magra e viva com cabelos negros como tinta, e o morgadinho, o Eusebiozinho, uma maravilha muito falada naqueles sítios.

Quase desde o berço este notável menino revelara um edificante amor por alfarrábios e por todas as coisas do saber. Ainda gatinhava e já a sua alegria era estar a um canto, sobre uma esteira, embrulhado num cobertor, folheando in-fólios com o craniozinho calvo de sábio curvado sobre as letras garrafais da boa doutrina; e depois de crescidinho tinha tal propósito que permanecia horas imóvel numa cadeira, de perninhas bambas, esfuracando o nariz: nunca apetecera um tambor ou uma arma: mas cosiam-lhe cadernos de papel, onde o precoce letrado, entre o pasmo da mamã e da titi, passava dias a traçar algarismos, com a linguazinha de fora.

(…) O administrador, sentado agora à borda de uma cadeira, esboçou uma risadinha muda; depois ficou calado, olhando Afonso, com as mãos nos joelhos, como esquecido e vago.

Ia abrir os lábios, hesitou ainda, tossiu de leve; e continuou a seguir pensativamente as faíscas que erravam sobre as achas.

Afonso da Maia, no entanto, com as pernas estiradas para o lume, recomeçara a falar do Silveirinha. Tinha três ou quatro meses mais que Carlos, mas estava enfezado, estiolado, por uma educação à portuguesa: daquela idade ainda dormia no choco com as criadas, nunca o lavavam para o não constiparem, andava couraçado de rolos de flanelas! Passava os dias nas saias da titi a decorar versos, páginas inteiras do Catecismo de Perseverança. Ele por curiosidade um dia abrira este livreco e vira lá, «que o sol é que anda em volta da terra (como antes de Galileu), e que Nosso Senhor todas as manhãs dá as ordens ao sol, para onde há de ir e onde há de parar etc., etc.» E assim lhe estavam arranjando uma almazinha de bacharel...

(2)

Vilaça teve outra risadinha silenciosa. Depois, como subitamente decidido, ergueu-se, fez estalar os dedos, disse estas palavras:

– V. Ex.ª sabe que apareceu a Monforte?

Afonso, sem mover a cabeça, reclinado para as costas da poltrona, perguntou tranquilamente, envolvido no fumo do cachimbo:

– Em Lisboa?

– Não senhor, em Paris. Viu-a lá o Alencar, esse rapaz que escreve, e que era muito de Arroios... Esteve até em casa dela.

E ficaram calados.

Os Maias, Eça de Queiroz (cap. III)

1. Situa o excerto que acabaste de ler, considerando as duas grandes linhas narrativas que estruturam o romance e a sua organização temporal.

2. Caracteriza esta educação à portuguesa aplicada a Eusebiozinho.

3. Verifica como o narrador faz uma caricatura de Eusebiozinho e refere, exemplificando, o/s processo/s de estilo a que recorre.

4. E ficaram calados. (l. 38)

4.1 Explicita este silêncio das duas personagens. Repara no comportamento do Vilaça neste excerto e lembra a ação da obra na sua globalidade.

B

Num texto expositivo de cerca de 150 palavras, refere e exemplifica algumas das características da tragédia clássica presentes na obra Frei Luís de Sousa.

C

A Minha Alma Partiu-se A minha alma partiu-se como um vaso vazio.

Caiu pela escada excessivamente abaixo.

Caiu das mãos da criada descuidada.

Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

(3)

Asneira? Impossível? Sei lá!

Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.

Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.

E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.

São tolerantes com ela.

O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,

Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.

Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?

Um caco.

E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

1. Delimita, no poema, as seguintes partes lógicas:

 a alma partiu-se em cacos;

 os deuses assistem complacentes;

 o fragmento cintilante.

2. “A minha alma partiu-se como um vaso vazio.” (v. 1).

Explica como, a partir desta inesperada comparação, se constrói o tema da fragmentação do eu.

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3. “Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu” (v. 6)

“O que era eu um vaso vazio?” (v. 13)

Interpreta estes versos, à luz daquilo que já sabes da poesia pessoana.

4. Interpreta a última estrofe.

5. Mostra a dimensão modernista da linguagem do poema, patente nas ruturas ao nível da coesão e da coerência textual.

Grupo II

É na memória coletiva que se alicerça a identidade de um povo. E a memória coletiva é constituída por muitas memórias individuais. Deixar fugir essa(s) memória(s) é roubar história ao futuro, é impossibilitaras gerações que nos sucedem de entenderem a matéria de que são feitas. A Revolução de Abril é um desses momentos da História de Portugal que construíram uma memória coletiva a partir de muitas memórias, de muitas histórias, de muitas emoções.

Trinta e seis anos depois da madrugada que permitiu acabar com um regime que durante 48 anos oprimiu os portugueses, são muitos os que recordam o construir da esperança e a derrocada das ilusões. Trinta e seis anos é pouco tempo para fazer a História. Mas é demasiado tempo para a deixar esquecer. A geração que hoje está a chegar ao poder já nasceu depois da revolução que se iniciou com uma canção e que escolheu os cravos em vez das balas - para as novas gerações é difícil entender o entusiasmo e a ingenuidade com que o movimento dos militares de Abril foi acolhido. Do "antes" sabem vagamente que só havia dois canais de televisão (a preto e branco), que não havia Coca-Cola nem McDonald's nem Erasmus nem Bolonha. Não sabem o que era viver isolado do mundo, sem acesso a livros, filmes ou jornais.

Não sabem o que era haver portugueses a morrer de fome e a emigrar" a salto" sem que disso houvesse notícias. Não sabem o que era ver a família ir parar à prisão suspeita do "crime" de ter opinião. E não sabem a angústia em que se vivia de ver pais, maridos, filhos, irmãos, amigos, embarcar para morrerem de corpo e alma numa África que tínhamos de defender como nossa.

BARROCAS, Sofia, "Nota de abertura" in Notícias Magazine, n." 935, 25 de abril de 2010

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Para responderes a cada um dos itens 1.1. a 1.7., seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta.

1.1. A expressão sublinhada na frase “E a memória coletiva é constituída por muitas memórias individuais.” desempenha a função sintática de:

(A) complemento do adjetivo.

(B) complemento do agente da passiva.

(C) modificador frásico.

(D) predicativo do complemento direto.

1.2. A forma verbal “entenderem” encontra -se conjugada no:

(A) presente do conjuntivo.

(B) infinitivo pessoal.

(C) futuro do conjuntivo.

(D) condicional.

1.3. A repetição da expressão “Trinta e seis anos” é um mecanismo que contribui para a coesão…

(A) lexical.

(B) referencial.

(C) frásica.

(D) interfrásica.

1.4. Em “são muitos os que recordam o construir da esperança e a derrocada das ilusões”, o constituinte sublinhado pertence à classe dos:

(A) verbos (B) nomes (C) advérbios.

(D) pronomes.

1.5. Em “não havia Coca-Cola nem McDonald's nem Erasmus nem Bolonha” o conetor “nem” estabelece uma ligação de:

(A) adição (B) oposição (C) comparação (D) conclusão

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1.6. O recurso às aspas em “crime”:

(A) destaca a origem estrangeira do nome.

(B) acentua o significado literal do nome.

(C) indica o carácter polissémico do nome.

(D) assinala o uso irónico da palavra.

1.7. Relativamente ao seu processo morfológico de formação, a palavra “embarcar” é:

(A) derivada por prefixação.

(B) derivada por parassíntese.

(C) derivada por prefixação e sufixação.

(D) um composto morfológico.

2. Responde corretamente às questões apresentadas:

2.1. Classifica o pronome sublinhado na frase “Mas é demasiado tempo para a deixar esquecer” e identifica o seu antecedente.

2.2. “Trinta e seis anos depois da madrugada que permitiu acabar com um regime que durante 48 anos oprimiu os portugueses”. Indica a função sintática do segmento sublinhado.

Grupo III

“A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar”

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresenta uma reflexão sobre a perspetiva veiculada pela afirmação acima transcrita.

Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo no mínimo a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos um, exemplo significativo.

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Correção Grupo I

A

1. Pertence à linha narrativa que se relaciona com o título “Os Maias” que narra a história da família e encontra-se dentro da analepse em que se dá conta da infância de Carlos…

2. Verificar neste excerto, em relação a Eusebiozinho, as características da educação portuguesa (ver caderno diário/ blog) que privilegia o saber doutrinal, sem o contacto com o ar livre e a natureza e etc, etc…

3.1 É mesmo uma caricatura a ridicularizar a personagem. A adjetivação, o uso do diminutivo com valor depreciativo e sobretudo a ironia estão presentes no… Dar exemplos.

4.1 O Vilaça está nervoso e hesita em iniciar a conversa com Afonso (ver os 4ºe6º). Ao referirem o nome de Maria Monforte, o silêncio abate-se sobre as personagens devido ao facto de esta ter sido, no fundo, a responsável moral pela morte de Pedro e ter levado a filha, que Afonso vai tentar recuperar e acabar por acreditar que morreu…

B

A obra Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett é caracterizada como um drama romântico, apesar do autor ter recorrido a vários elementos da tragédia clássica.

Os elementos caracterizadores da obra são: a presença constante de componentes da tragédia clássica e o fatalismo, onde o destino acompanha todos os momentos das vidas das personagens; pela tentativa de racionalmente negar a crença no destino, mas psicologicamente deixar-se afetar por pressentimentos e acreditar no Sebastianismo; pelo uso de prosa em vez do verso e pela utilização de uma linguagem mais próxima da realidade vivida pelas personagens; não ter preocupações excessivas com algumas regras, como a presença de coro ou a obediência perfeita à lei das três unidades (ação, espaço, tempo).

Os acontecimentos na obra que espelham cada um dos elementos da tragédia clássica são:

- Desafio: D. Madalena apaixona-se por D. Manuel ainda em vida do marido (segundo casamento desta);

- Conflito: Dilema de Telmo que se sente dividido entre o amor de Maria e a fidelidade a D.

João de Portugal;

- Destino: A ausência, durante 21 anos, de D. João e o seu regresso;

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- Sofrimento: Os sentimentos de culpa e incerteza da Madalena;

- Reconhecimento: Identificação do Romeiro;

- Peripécia: Regresso inesperado de D. João de Portugal, que provoca uma súbita mudança no seio familiar. Anulação do 2º casamento de D. Madalena e consequente ilegitimidade da filha;

- Catástrofe: Morte de D. Maria de Noronha.

C 1. Partes do poema:

Estrofes 1 e 2 Estrofes 3 a 6 Estrofes 7 e 8

2. “A minha alma partiu-se como um vaso vazio” é a imagem que serve de ponto de partida para a temática que Álvaro de Campos partilha com Pessoa- a fragmentação do eu. A comparação com o vaso sugere a múltipla fragmentação, porque um vaso que cai, ainda mais por uma escada, parte-se em inúmeros cacos. O poeta é então um vaso que uma criada descuidada, a mando dos deuses (O destino? O poeta?) deixa cair pelas escadas. Os deuses assistem complacentes, sem nada fazer.

3. O poeta não passava de “um vaso vazio”, porque ainda não se tinha confrontado com a busca de si mesmo, não se conhecia. Para se conhecer, ou pelo menos para se procurar, foi preciso fragmentar-se, partir-se em muitos pedaços, tantos quantos os seus eus. Agora, fragmentado, pode sentir mais, porque é mais completo, ainda que tenha perdido a unidade, ainda que a fragmentação tenha sido uma guerra interior (“Fiz barulho na queda como um vaso que se partiu”). É interessante atentar na dimensão simbólica de escada, metáfora muitas vezes utilizada para sugerir a caminhada da vida que é, naturalmente, progressiva, ascendente. Mas em Campos, como em Pessoa, essa caminhada, que se quer também ascendente, pois corresponde à procura de si mesmo e ao desejo do impossível, acaba, no entanto, por ser descendente pelo custo de perda de unidade que comporta – uma perda desejada, mas ainda assim perda. No entanto, paradoxalmente, conduz ao infinito sugerido pelas estrelas que a atapetam e pelos astros entre os quais o fragmento brilha.

4. O poeta sugere, interrogando-se, que o seu mais brilhante fragmento é a sua obra, equivalente ao seu eu mais profundo, à sua vida verdadeira.

5. O poema, como a maioria dos poemas de Campos, apresenta uma utilização modernista da linguagem patente sobretudo nas ruturas ao nível da coesão e da coerência, com efeitos estilísticos muito expressivos.

Coesão:

No interior das estrofes, é nítida a intencional falta de coesão no discurso, pela não utilização de conectores interfrásicos. A mesma falta de coesão verifica-se entre as estrofes. Além disso, é transgredida a coesão temporal, na medida em que são usados tempos diferentes para narrar o mesmo acontecimento: o pretérito perfeito (“Caiu”) e o presente do indicativo (“Não se zangam”; “olham e sorriem”). É claro que esta rutura da coesão tem uma finalidade semântica, pois há um tempo passado em que o sujeito se partiu em pedaços e há o presente em que o sujeito permanece fragmentado, dando-se em espetáculo aos deuses.

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Coerência:

A falta de coerência verifica-se a nível semântico, em versos como, por exemplo, “Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir” e em muitas outras metáforas, mas também ao nível sintático, pois as regras de sintaxe são quebradas em versos como “fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso” “O que eu era um vaso vazio?”.

Grupo II 1.1 B

1.2 B 1.3 D 1.4 B 1.5 A 1.6 D 1.7 B

2.1 pronome pessoal. Antecedente: História 2.2 C. Direto

Referências

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