FICHA TÉCNICA
abr. 2010
LOCAIS DE TRABALHO
SEGUROS E SAUDÁVEIS BOM PARA VOCÊ. BOM PARA OS NEGÓCIOS www.sesi.org.br/pro-sst http://osha.europa.eu/pt
O assédio moral no trabalho
23 PT/BR
Introdução
Existe uma forte ligação entre o assédio moral e o Estresse Relacionado com o Trabalho ERT. A presente ficha técnica contém informação e suges- tões destinadas àqueles que desejam adotar medidas de caráter prático com o objetivo de resolver os problemas do assédio moral no local de tra- balho. A seção com informações adicionais no final da ficha informativa fornece pormenores relativos às fontes de apoio utilizadas pela Agência Europeia, incluindo outras fichas informativas desta série. O assédio tem implicado em custos significativos para o trabalhador e para organização.
O que é o assédio moral?
Não existe uma definição única de assédio moral (bullying) acordada em nível internacional. No Brasil utiliza-se a definição de Barreto (2005):
Por assédio moral no local de trabalho entende-se uma atitude de pes- soas, na maioria das vezes em postos hierarquicamente superiores, que direcionam, de forma frequente, humilhações, desqualificações, perseguições, dentre outras situações geradoras de constrangimentos, a um trabalhador especificamente ou a um grupo (Barreto, 2005).
Fonte: BARRETO, M.M.S. Assédio Moral a Violência Sutil no Tra- balho. 2005. 188p.Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2005.
O assédio moral pode consistir em ataques verbais e físicos, bem como em atos mais sutis como a desvalorização do trabalho de um colega ou o isolamento social. Pode abranger a violência física e psicológica. A pre- sente ficha informativa trata a intimidação nas relações entre colegas.
A violência por parte de pessoas estranhas ao ambiente de trabalho é abordada na ficha informativa 24.
Qual a dimensão do problema do assédio moral e quem é afetado?
Qualquer pessoa em qualquer organização pode ser vítima de assédio moral. Os resultados de um inquérito realizado na União Europeia (UE), no ano 2000, revelam que 9% dos trabalhadores europeus, ou seja 12 milhões de pessoas disseram ter sido vítimas, de assédio moral num perí- odo superior a 12 meses. No Brasil, estudos realizados demonstram que a prevalência de assédio moral está em torno 40% a 60% a depender da metodologia utilizada para identificação do problema. A problemática do assédio moral pode se apresentar de forma bastante variada. As diferen- ças detectadas podem não ser exclusivamente devidas às variações na ocorrência do problema, mas sim às diferenças culturais em termos da atenção prestada ao problema e notificação de casos de assédio moral.
Quais as causas do assédio moral?
Podem distinguir-se dois tipos de assédio moral:
1) o que resulta de um conflito interpessoal;
2) aquele em que a vítima não está envolvida num conflito mas se encon-
tra, acidentalmente, numa situação que a expõe à violência do agressor.
A figura do “bode expiatório” é um exemplo deste tipo de assédio moral.
Entre os fatores que aumentam a probabilidade de assédio moral desta- cam-se os seguintes:
uma cultura organizacional que não desaprova os comportamentos in- timidativos ou que não reconhece o assédio moral como um problema;
transformações súbitas ao nível da organização,
insegurança no emprego;
relações insatisfatórias entre os trabalhadores e as chefias ou de che- fias e subordinados;
relações insatisfatórias entre colegas;
exigências de trabalho excessivas;
deficiências da política de pessoal e inexistência de uma cultura or- ganizacional;
agravamento geral dos níveis de ERT;
conflitos no nível das funções desempenhadas.Além disso, o assédio moral pode agravar-se devido a fatores individuais e pontuais, tais como a discriminação, a intolerância, problemas pessoais e consumo de droga ou álcool.
Quais as consequências?
Para as vítimas, o assédio moral pode ter consequências graves. Estas consequências manifestam-se sob a forma de sintomas físicos, mentais e psicossomáticos já comprovados, tais como estresse, depressão, baixa auto-estima, culpabilização, fobias, perturbações do sono, problemas di- gestivos e músculo esqueléticos. O estresse pós-traumático que apresenta sintomas semelhantes aos que se manifestam depois de outras experiên- cias traumáticas, tais como, catástrofes e agressões é também comum entre as vítimas de assédio moral. Estes sintomas podem persistir durante vários anos após os incidentes que os causaram. Outras consequências são o isolamento social, problemas familiares e problemas financeiros de- correntes do absenteísmo ou demissão. No que se refere às organizações, os custos do assédio moral podem consistir em maior absenteísmo e maior rotação de pessoal, bem como em menor eficácia e produtividade, não só no caso das vítimas do assédio moral, mas também de outros colegas que sejam afetados pelo clima psicossocial negativo do ambiente de trabalho.
O pagamento de indenizações em virtude de processos instaurados com base no assédio moral também representa, por vezes, custos elevados.
Legislação
No Brasil, já existem leis no âmbito da administração pública que tratam de desaconselhar a prática do assédio moral no trabalho por meio de penas como a reclusão e o pagamento de multas. A Lei Nº 12.250, de 9 de fevereiro de 2006 do São Paulo veda o assédio moral no âmbito da administração pública estadual direta, indireta e funda- ções públicas. A Lei Nº 11.948, de 16 de junho de 2009 veda emprés- timos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES a empresas que tenham prática de assédio moral.
Este produto é baseado no material original produzido pela EU-OSHA e adaptado pelo SESI. EU-OSHA é a Agência de Informação da União Européia para Segurança e Saúde no Trabalho.
Disponível em: <http://osha.europa.eu/en>.O SESI é responsável pela tradução para o português e pela adaptação do texto para o contexto legal do Brasil.
SESI/DN – Unidade de Saúde e Segurança do Trabalho (UniSaúde)
Normalização: SSC/ACIND Projeto Gráfi co e Editoração: CT Comunicação Adaptação do texto: Eliane Cardoso Sales
Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho
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Tel.: (+ 34) 94 479 43 60, Fax: (+ 34) 94 479 43 83 E-mail: [email protected] http: //osha.europa.eu
© Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho.
Reprodução autorizada mediante indicação da fonte.
Serviço Social da Indústria
www.sesi.org.br/pro-sst De acordo com a abordagem adotada pela comunidade europeia para
eliminar ou reduzir o assédio moral, os empresários deverão ao consultar os trabalhadores e os seus representantes:
concentrar esforços para prevenir situações de assédio moral;
avaliar os riscos do assédio moral;
empreender as ações necessárias para prevenir os danos.Em vários países, já está sendo estudada ou preparada legislação, tendo alguns países adotado medidas regulamentares através de cartas de di- reitos, linhas de orientação e resoluções.
Como prevenir o assédio moral no local de trabalho?
A prevenção do assédio moral é fundamental para melhorar a vida pro- fissional dos trabalhadores e evitar a exclusão social e o desemprego. É importante que sejam adotadas medidas adequadas para evitar que o am- biente de trabalho se torne destrutivo. As entidades patronais não devem esperar que as vítimas se queixem. No entanto, por vezes, é difícil distin- guir entre assédio moral e conflitos interpessoais. A solução mais eficaz será, talvez, adotar uma dupla estratégia, que abranja os esforços no sen- tido de combater o assédio moral e, simultaneamente, promova melhorias no nível do ambiente psicossocial do trabalho. O envolvimento dos traba- lhadores e seus representantes na estratégia é essencial para o bom êxito.
Medidas gerais tendem a melhorar o ambiente psicossocial do trabalho (veja-se, também, a ficha técnica 22 sobre a prevenção do estresse re- lacionado com o trabalho, e a ficha técnica 13 sobre gestão eficaz tendo em vista a prevenção de acidentes):
permitir a cada trabalhador sempre que possível, a possibilidade de escolher a forma de realizar o seu trabalho;
reduzir a quantidade de trabalho monótono e repetitivo;
aumentar a informação sobre os objetivos organizacionais;
desenvolver o estilo de liderança empresarial;
evitar a falta de clareza na especificação de funções e tarefas.
Desenvolvimento de uma cultura organizacional em que o combate ao assédio moral seja norteado por normas e valores:
sensibilização de todas as pessoas para o problema do assédio moral;
investigação da dimensão e natureza do problema;
formulação de uma política [ver caixa de texto];
difusão eficaz das normas e valores organizacionais a todos os níveis da organização, por exemplo, através de manuais do tra- balhador, reuniões de informação, boletins informativos;
assegurar que todos os trabalhadores conheçam e observem as normas e valores organizacionais;
desenvolver a responsabilidade e a competência das chefias nas áreas de resolução de conflitos e de comunicação;
criar um contato independente para os trabalhadores;
promover a participação dos trabalhadores na avaliação de riscos e na prevenção do assédio moral.Formulação de uma política contendo orientações claras em prol de interações sociais positivas, incluindo os seguintes elementos:
comprometimento ético por parte dos empregadores e dos trabalha- dores na promoção de um ambiente em que não haja assédio moral;
descrição do tipo de atos que são aceitáveis e dos que não são aceitáveis;
indicação clara das consequências da violação das normas e dos valores organizacionais e das sanções aplicáveis;
informação sobre o tipo de ajuda que as vítimas podem obter e onde poderão obter;
garantia de que as queixas não envolverão represálias;
explicação do procedimento para apresentar uma queixa;
esclarecimento do papel de cada um na empresa;
informação sobre serviços de aconselhamento e apoio a que a víti- ma e o agressor podem recorrer;
garantia de confidencialidade.Outra informação
Para mais informação sobre questões psicossociais relacionadas com o trabalho, incluindo o estresse e o assédio moral, consultar o website
<http://osha.eu.int/ew2002/>. Esta fonte de informação é constantemen- te atualizada e desenvolvida, permitindo, também, acesso a outras fichas informativas desta série.
O website da Agência é <http://agency.osha.eu.int>
1 COMISSÃO EUROPEIA. Comunicação da comissão: adaptação às transformações do trabalho e da sociedade: uma nova estratégia comunitária de saúde e segurança 2002-2006. 2002. Disponível em:
<http://europe.osha. eu.int/systems/strategies/future/#270>.
2 FUNDAÇÃO EUROPEIA PARA A MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO. Terceiro inquérito europeu sobre as condições de trabalho. Luxemburgo, 2001. Disponível em: < http://www.eurofound.
ie/ publications/ EF0121.htm>.
3 COMISSÃO EUROPEIA. Orientações sobre o estresse relacionado com o trabalho: Spice of Life – or Kiss of Death? = sal da vida ou morte anunciada?. 1999. Disponível em: <http://europa.eu.int/comm/
employment_social/h&s/ publicat/pubintro_en.htm>.