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Natal, 06 de junho de 2014.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇAO

A MODALIDADE EMPRESARIAL MEI: UM ESTUDO DOS RESULTADOS PRÁTICOS APÓS 5 ANOS DE EXISTÊNCIA

ALEX MAGNO SOUTO BORGES

NATAL, RN JUNHO/2014

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ALEX MAGNO SOUTO BORGES

A MODALIDADE EMPRESARIAL MEI: UM ESTUDO DOS RESULTADOS PRÁTICOS APÓS 5 ANOS DE EXISTÊNCIA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do curso de graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração.

Orientador: Professor João Vianei Tenório

NATAL, RN JUNHO/2014

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Catalogação da Publicação na Fonte.

UFRN / Biblioteca Setorial do CCSA

Borges, Alex Magno Souto.

A modalidade empresarial MEI: um estudo dos resultados práticos após 5 anos de existência/ Alex Magno Souto Borges. – Natal, RN, 2014.

80f.

Orientador: Prof. Esp. João Vianei Tenório.

Monografia (Graduação em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de Ciências Administrativas.

1. Administração – Monografia. 2. Empreendedorismo – Monografia. 3.

Informalidade – Monografia. 4. Microempreendedor informal – Monografia.

I. Tenório, João Vianei. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

III. Título.

RN/BS/CCSA CDU 658

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ALEX MAGNO SOUTO BORGES

A MODALIDADE EMPRESARIAL MEI: UM ESTUDO DOS RESULTADOS PRÁTICOS APÓS 5 ANOS DE EXISTENCIA

Monografia apresentada e aprovada em 06/06/2014 pela Banca Examinadora composta pelos seguintes membros:

_______________________________________________

Prof°. João Vianei Tenório Orientador - UFRN

_______________________________________________

Prof°. Marcelo Rique Caricio Examinador - UFRN

______________________________________________

Profª. Adrianne Paula Vieira de Andrade Examinadora - UFRN

Natal, 06 de junho de 2014.

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Dedico este trabalho a minha família, amigos, minha namorada e aqueles que sempre acreditaram na minha capacidade e estiveram presentes no meu dia-a-dia, prestando o total apoio para que pudesse superar as dificuldades surgidas no decorrer desta linda trajetória.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus,

pela força que me deu no decorrer desse árduo caminho que trilhei para realização deste trabalho e conclusão deste curso.

A Toda a minha família, em especial aos meus tios Eraldo Eudes da Nóbrega Dantas e Maria Lauricea de Araújo Nobrega,

pelo constante apoio, compreensão e ajuda durante toda esta caminhada.

A minha namorada Luanna Alves,

Pela enorme compreensão, colaboração e contribuição.

Aos meus amigos e colegas de curso, pela amizade, ajuda e cumplicidade.

Ao professor Orientador João Vianei,

pela dedicação e paciência durante a realização deste trabalho.

Ao SEBRAE/RN, em especial Alinne Dantas,

Pelo fornecimento dos dados e total atenção e presteza.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte,

que me proporcionou momentos únicos, inesquecíveis e uma educação de qualidade, que com certeza contribuíram para meu desenvolvimento tanto profissional, quanto pessoal.

Enfim, este trabalho é apenas o resumo de toda uma jornada de dedicação, superação de limites, alegrias, tristezas, e muito esforço. Dedico este à vocês, que de uma forma ou de outra contribuíram para que fosse realizado da melhor forma possível.

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“E sem saber que era impossível, ele foi lá e fez.”

Jean Cocteau

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RESUMO

Diante de um mercado extremamente competitivo, o mercado de trabalho tradicional cada vez mais disputado, e o alto índice de informalidade, foi criado em 2008 uma nova modalidade empresarial, o Microempreendedor Individual, que por sua vez, visa o incentivo a formalização de milhões de negócios. Sendo assim, este estudo se propõe verificar os resultados práticos da modalidade empresarial MEI (Microempreendedor Individual) em âmbito nacional, no tocante a economia e sociedade. A metodologia deste estudo é caracterizada por ser um estudo exploratório descritivo. O estudo tomou como base uma pesquisa realizada pelo SEBRAE em âmbito nacional, que por sua vez avaliou os impactos e benefícios do MEI (Microempreendedor Individual), por meio de questionamentos, feitos pela pesquisa original. Através da mesma, o presente estudo concluiu que o Microempreendedor Individual em seus 5 primeiros anos de existência, se mostrou uma política pública eficiente no combate a informalidade e que apesar de não combater de forma direta o desemprego, contribui para o desenvolvimento da economia e dá contribuições indiretas ao combate do mesmo.

Palavras-chave: MEI, Empreendedorismo, Informalidade.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 – Evolução dos optantes pelo Simples Nacional ... 14

Quadro 01 – Ações e Contribuições para o Empreendedorismo ... 16

Quadro 02 – Competência de Empreendedores bem sucedidos ... 19

Quadro 03 – Tipos de Empreendedores ... 22

Quadro 04 – Semelhanças e diferenças entre Administradores e Empreendedores ... 23

Tabela 01 – Estimativa da População Empreendedora ... 30

Tabela 02 – Representatividade das Micro e Pequenas Empresas ... 32

Tabela 03 – Grau de Informalidade pelos critérios de não possuir CNPJ e não contribuir para a previdência ... 34

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SUMÁRIO

1 - PARTE INTRODUTÓRIA ... 10

1.1. Problema de Pesquisa ... 10

1.2. Objetivos de Estudo ... 11

1.2.1. Objetivo geral ... 11

1.2.2. Objetivos específicos ... 11

1.3. Justificativa do Estudo ... 11

2 – REFERENCIAL TEÓRICO ... 13

2.1. Empreendedorismo ... 13

2.1.1. Características do Empreendedor de Sucesso ... 15

2.1.2. Tipos de Empreendedores ... 17

2.1.3. Diferenças e semelhanças entre administrador e empreendedor ... 20

2.2. Empreendedorismo no Brasil ... 23

2.3. Lei Geral ... 26

2.3.1. Simples Nacional ... 28

2.4. Microempresa (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) ... 31

2.5. Ascensão da informalidade no Brasil ... 33

2.6. Microempreendedor Individual (MEI) ... 35

3 – METODOLOGIA DA PESQUISA ... 40

3.1. Caracterização da pesquisa ... 40

3.2. População e amostra ... 40

3.3. Dados e instrumento de coleta ... 40

3.4. Tratamento estatístico e forma de análise ... 40

4 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 41

4.1. Permanência da atividade como MEI ... 41

4.2. Local do negócio (MEI’S ativos) ... 43

4.2.1. Local do negócio (MEI’S que se tornaram ME) ... 44

4.3. Escolaridade (MEI’S ativos) ... 46

4.3.1. Escolaridade (MEI’S que se tornaram ME) ... 48

4.4. Principal ocupação antes de se registrar como Microempreendedor Individual (MEI’s ativos)... 50

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4.4.1. Principal ocupação antes de se registrar como Microempreendedor

Individual (MEI’s que se tornaram ME)... 52

4.4.2. Tempo de negócio sem CNPJ (MEI’s ativos) ... 54

4.4.3. Tempo de negócio sem CNPJ (MEI’s que se tornaram ME) ... 55

4.5. Mais de uma renda (MEI’s ativos) ... 56

4.5.1. Mais de uma renda (MEI’s que se tornaram ME) ... 58

4.6. Principal motivo para registro como Microempreendedor Individual (MEI’s ativos) ... 59

4.6.1. Principal motivo para registro como Microempreendedor Individual (MEI’s que se tornaram ME) ... 61

4.7. Pretensão de se tornar ME (MEI’s ativos)... 63

4.7.1. Pretensão de se tornar ME (MEI’s que se tornaram ME)... 63

4.8. Avaliação (MEI’s ativos)... 65

4.8.1. Avaliação (MEI’s que se tornaram ME)... 66

4.9. Classe social (MEI’s ativos)... 67

4.9.1. Classe social (MEI’s que se tornaram ME)... 68

4.10. Dificuldade na contratação de empregado com carteira assinada (MEI’s ativos)... 70

4.10.1. Dificuldade na contratação de empregado com carteira assinada (MEI’s que se tornaram ME)... 70

4.11. Pretensão em iniciar as atividades (MEI’s que ainda não iniciaram suas atividades)... 72

4.11.1. Motivo de inatividade (MEI’s que ainda não iniciaram suas atividades)... 72

5 – CONCLUSÃO ... 75

REFERÊNCIAS ... 77

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1. PARTE INTRODUTÓRIA

Levando em consideração o cenário de um alto índice de desemprego e de negócios informais, há uma necessidade de se estimular a formalização dos mesmos. Para isso, foi criado uma lei complementar à Lei Geral, conhecida como MEI (Microempreendedor Individual). Desde a sua criação, no ano de 2008, o Microempreendedor Individual vem ganhando cada vez mais força e benefícios, como por exemplo, o acesso a crédito facilitado, taxas de juros reduzidas, prioridade em caso de empate em licitações e tributação através do simples nacional, que por sua vez consiste em um regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. No entanto, o valor arrecadado não varia de acordo com o faturamento, sendo assim uma taxa fixa mensal de até R$42,20 (5% do salário mínimo de INSS, R$ 1,00 de ICMS para o setor de indústrias ou comércio e/ou R$ 5,00 de ISS para o setor de serviços).

Contudo, pode-se afirmar que além de ser uma política pública notoriamente criada para o combate ao desemprego e a informalidade, também fomenta e incentiva o empreendedorismo no país, possibilitando o desenvolvimento de pequenos negócios.

1.1. Problema de Pesquisa

Até o ano de 2008, antes da criação do MEI (Microempreendedor Individual) o que se via era uma grande dificuldade, por parte do empreendedor, em iniciar seu pequeno negócio, pois não haviam ideias bem estabelecidas, conhecimentos sobre o mercado das diversas modalidades, força de trabalho, bem como o capital social.

No entanto, a criação do MEI representou uma alternativa para estes pequenos empresários que desejavam realizar seus sonhos de empreender. Diante deste fato, pode-se afirmar que a criação da Lei Complementar à Lei Geral, o MEI, vem favorecendo a diminuição da taxa de desemprego, bem como o aumento do índice de formalização de empreendimentos, trazendo de certa forma benefícios para a sociedade como um todo, tanto em termos sociais quanto econômicos, se tornando,

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cada vez mais, uma modalidade empresarial com 11 resultados evidentes e representativos para o cenário do país, mesmo que um alto índice de inadimplência também faça parte da realidade do programa. Em face do que foi exposto, o presente estudo propõe o seguinte problema: “Após 5 anos de existência do Microempreendedor Individual quais seus resultados práticos no mercado e na sociedade brasileira?

1.2. Objetivos do Estudo

1.2.1. Geral

Verificar os resultados práticos da modalidade empresarial MEI (Microempreendedor Individual) em âmbito nacional, no tocante a economia e sociedade.

1.2.2. Específicos

 Identificar dentre os dados da pesquisa realizada pelo SEBRAE, resultados pertinentes ao presente estudo.

 Analisar a pesquisa de perfil do MEI realizada pelo SEBRAE no ano de 2013 nos quesitos pertinentes ao contexto econômico e social brasileiro.

 Fazer relação entre os dados identificados na pesquisa, a fim de entender o a realidade do MEI.

1.3. Justificativa do Estudo

A escolha do tema deve-se ao fato de o pesquisador fazer parte do corpo de funcionários do SEBRAE/RN, sendo ele estagiário da (UAM) Unidade de Acesso a Mercados nos anos de 2013 e 2014, tendo assim facilidade quanto ao acesso de informações, como no caso da pesquisa utilizada sobre o perfil do Microempreendedor Individual, para o presente estudo.

Deste modo, o pesquisador identificou uma forma de colher resultados práticos sobre o MEI por perceber em seu dia-dia que a modalidade empresarial estava sendo determinante na vida de milhões de brasileiros, desenvolvendo no mesmo uma vontade crescente de contribuir para a melhoria do Microempreendedor Individual. lidade empresarial.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Empreendedorismo

A aceleração das mudanças no cenário social e econômico, mediante grandes dificuldades quanto a oferta de empregos e a inserção de novos jovens ao mercado de trabalho, vem fazendo com que a sociedade se preocupe em criar novas oportunidades de negócios, atribuindo uma dinâmica auto-geradora de trabalho. (AIUB, 2002). Deste modo, as organizações estão se interessando por estudos sobre a modificação das condições de mercado, em resposta as oportunidades e necessidades constatadas pelos empreendedores. (ARAÚJO, 2013).

Segundo Tenório (2008), a palavra empreendedor denomina-se como atividades daquele que se dedica à geração de riquezas, seja na geração ou transformação do conhecimento em produtos e serviços ou até mesmo na construção do próprio conhecimento. Dornelas (2008) afirma ainda que os empreendedores são pessoas diferenciadas, pois possuem motivação singular, onde são apaixonadas pelo que fazem e não se satisfazem em ser mais um na multidão, ou seja, querem ser reconhecidas e admiradas.

Malheiros, Ferla e Cunha (2005) enfatizam que o empreendedorismo é o principal fator que contribui para o crescimento de um país, ou seja, para eles, o cultivo da cultura do empreendedorismo aumenta as perspectivas de crescimento econômico de uma nação. Sendo assim um dos caminhos encontrados para a formação de um cenário ou ambiente, onde seja estimulado comportamentos voltados para o desenvolvimento da competência de geração do próprio trabalho.

(AIUB, 2002).

“O papel do empreendedor no mundo é tomar a iniciativa para construir um novo mercado, no qual deve oferecer mudanças para a sociedade. Seu papel é mais que uma grande produção e também o aumento do rendimento econômico de um determinado local.” (VIANA, 2010, p. 17).

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Aiub (2002) considera o empreendedor como sendo um ser social onde ao mesmo tempo em que é resultado do desenvolvimento econômico social também contribui para o mesmo, através da criação de novos negócios, incorporando inovações, proporcionando novas oportunidades de trabalho, entre outros. Ou seja, o autor afirma que se o contexto social é importante para o desenvolvimento do empreendedorismo é imprescindível que o ambiente seja favorável e estimulador de comportamentos que conduzam esta ação. Portanto, segundo Tenório (2008) a era atual pode ser denominada de era do empreendedorismo, onde os empreendedores estão eliminando barreiras comerciais e culturais, aperfeiçoando conceitos econômicos, estabelecendo novas relações de trabalho, quebrando paradigmas e consequentemente gerando riquezas para a sociedade como um todo, o Quadro 1 retrata as ações e contribuições desses empreendedores.

Quadro 01: Ações e Contribuições para o empreendedorismo

Fonte: Adaptado de Fuzetti, 2009, p. 4.

Dornelas (2003, apud Viana 2010: 14) afirma ainda que o empreendedorismo é uma filosofia comportamental, que por sua vez contribui para o desempenho de uma empresa, focando todos em um mesmo objetivo, produzindo novas oportunidades de mercados, produtos e processos.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) indica que o empreendedorismo contribui para o sustento da economia nacional, especialmente através do desempenho das micro e pequenas empresas, aprimorando a distribuição de renda, redução da informalidade, bem como a ampliação de oportunidades e da base de arrecadação de impostos. (ARAÚJO, 2013).

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2.1.1- Características do empreendedor de sucesso

Considerando que o empreendedorismo é uma das formas com grande potencial de contribuição, de vários aspectos, para a sociedade como um todo, pesquisadores se voltaram a analisar habilidades, atitudes, personalidades e condições que possam colaborar com o aumento ao estímulo à inovação. (GREATTI E SENHORINI, 2000).

Contudo, Tenório (2008) assegura que um empreendedor não trata-se necessariamente de um inovador, mas sim de um indivíduo que percebe, acredita e compromete-se com uma oportunidade, buscando recursos para explorá-la. Ou seja, para ele empreendedores são pessoas que pensam, planejam e propõem novos negócios, resistindo a pressões do mercado, não receando as transformações.

Diante disto, Filion (2000) diz que estudiosos propõem características semelhantes entre empreendedores bem-sucedidos, são elas:

 Valores e cultura de empreendedorismo adquiridos por meio de contato com, pelo menos, um modelo empreendedor durante a sua juventude;

 Experiência em negócios;

 Diferenciação;

 Intuição;

 Envolvimento;

 Trabalhadores incansáveis;

 Sonhadores realistas (visionários);

 Líderes;

 Trabalham em rede com moderação;

 Têm o seu próprio sistema de relações com os empregados;

 Controladores do comportamento das pessoas ao seu redor;

 Aprendizagem dos seus próprios padrões.

Acredita-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, onde torna-se fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Ou seja, para o autor, a prática do empreendedorismo pode ser desenvolvida através da convivência com pessoas que possuem características empreendedoras, afirmando ainda que empresários de

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sucesso são influenciados por indivíduos do seu círculo de relações, tais como família, amigos, líderes ou figuras importantes. (CAMPOS, 2007).

Greatti e Senhorini (2000) corrobora, informando que a personalidade de um indivíduo não nasce pronta, ou seja, para ele as características empreendedoras podem ser fruto do meio em que se vive, tais como, educação advinda dos pais, experiências vividas na infância e/ou adolescência, ambiente social e cultural no qual o indivíduo está inserido.

Sendo assim, o quadro abaixo mostra as características em comum de empreendedores de sucesso.

Quadro 2: Competência de empreendedores bem sucedidos.

Fonte: Adaptado de Greatti e Senhorini (2000).

Já Tenório (2008) assegura que um empreendedor bem sucedido sabe onde quer chegar, é motivado pelo desejo de realizar, confia em si mesmo, corre riscos viáveis, é otimista ao mesmo tempo em que não perde o contato com a realidade, aprende com seus erros e confia em si mesmo.

Contudo, Jordão (2010) conclui que as características de um empreendedor circunda um conjunto de realizações, tais como, busca de oportunidade, persistência e comprometimento; e um conjunto de planejamento (busca de informações, estabelecimento de metas e monitoramento), associando visão com ação. Para ele,

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o momento é de aprendizado constante, e de busca por capacitação, facilitando a recolocação ou montagem do próprio negócio.

2.1.2 – Tipos de empreendedores

O perfil empreendedor está se expandindo cada vez mais em virtude do cenário em que o mercado de trabalho se encontra, onde pode-se destacar a escassez de emprego, que por sua vez, faz com que as pessoas optem por ter o seu próprio negócio, com o intuito de gerar renda.(VIANA, 2010, p.23).

Contudo, Tenório (2008) afirma que o grau de desenvolvimento de uma nação pode ser analisado mediante a eficiência com que os produtos e serviços são produzidos, uma vez que quando adquiridos, elevam a qualidade de vida e o grau de bem estar da sociedade. Deste modo, produz estímulos por parte dos empreendedores, na tentativa de buscar soluções para os problemas sócio- econômicos.

“As diversificações do conceito de empreendedorismo não fazem distinção de gênero, considerando que as características empreendedoras podem ser encontradas tanto em homens como em mulheres, apesar de que as primeiras definições apontavam o homem com o perfil empreendedor. Mas é inegável, nos dias atuais, o crescimento da população brasileira feminina no mercado de trabalho.“ (ARAÚJO, 2013, P. 18).

Conforme Viana (2010), os empreendedores não são essencialmente pessoas que tem novas ideias, são aqueles líderes com a habilidade de desenvolver novas ideias e introduzi-las em qualquer ambiente. No entanto é bem difícil encontrar todas as características empreendedoras em uma só pessoa. O mesmo autor sugere ainda quatro perfis de empreendedores, conforme a seguir:

Empreendedor Clássico: tem ambição, está sempre em busca de suas realizações visando sempre resultados.

O Grande Vendedor: se destaca em suas habilidades pelo fato de sua rede de relacionamento ser expansiva, tem facilidade em vendas por ser uma pessoa convincente.

O Gerente: É apto a competição e sempre busca ser o melhor em tudo que faz. É o líder da organização.

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O Criativo: Crê que novos produtos é o que mantêm a empresa no mercado.

É inteligente, e usa a inteligência como vantagem. Não se arrisca.

Conforme Pessoa (2005), todo empreendedor necessita ser um bom administrador, para que facilite o processo de tomada de decisões, no entanto nem todo administrador dispõe de habilidades empreendedoras ao realizar suas atividades. Uma vez que o empreendedor vai além das atividades, normalmente associadas aos administradores, tendo assim uma visão mais ampla, não se agradando em fazer apenas aquilo que deve ser feito. A autora define três tipos de empreendedores, os quais se destacam em qualquer ambiente de trabalho, conforme segue:

Empreendedor Corporativo: Conhecido também por intra-empreendedor ou empreendedor interno, estes são definidos como sendo uma maneira de identificação, desenvolvimento, captura e implementação de novas oportunidades de negócios, numa empresa já existente. Ou seja, este retrata um tipo de empreendedorismo em que o colaborador, ou um grupo, associados a uma empresa, são capazes de criar uma nova ou instigam a inovação e renovação dentro da organização já existente.

Empreendedor start-up (negócios): é um pouco parecido com o empreendedor corporativo, no entanto não se baseiam em empresas já existentes. Deste modo, lidam com os aspectos exógenos às empresas, tais como concorrentes, lucratividade, conquista e fidelização de clientes, produtividade, bem como a manutenção do empreendimento.

Empreendedor Social: Este, por sua vez, é diferenciado do empreendedorismo propriamente dito, pois não produz para vender e sim para criar soluções de caráter social, assim como não é conduzido para o mercado, ou seja, são direcionados para solução de problemáticas sociais (pobreza, risco de vida, exclusão social, entre outros.

Mediante várias pesquisas realizadas sobre o tema, com o intuito de se definir um perfil universal dos empreendedores, é possível concluir que não existe um único tipo, ou seja, não existe um modelo-padrão de empreendedor. Isso mostra ainda que tornar-se empreendedor é algo que pode acontecer a qualquer um. (DORNELAS, 2008, P. 11). No quadro 3 são definidos vários tipos de empreendedores.

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Quadro 3: Tipos de Empreendedores

1- Empreendedor Nato (Mitológico)

São os mais reconhecidos e aclamados, pois começaram jovens, do nada, porém construíram grandes impérios. são visionários, otimistas, estão à frente do seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos

2- Empreendedor que aprende (Inesperado)

Trata-se de uma pessoa que nunca pensou em se tornar empreendedor, no entanto a oportunidade bateu à porta. Este tipo de empreendedor tem sido muito comum e muitas vezes se encaixa em aposentados.

3- Empreendedor Serial (Cria novos negócios)

Entusiasmado não apenas pelas empresas que cria, como também pelo fato de empreender. Trata-se de uma pessoa dinâmica, a qual prefere os desafios envolvidos na criação de algo novo. Geralmente tem uma habilidade incrível de montar equipes, motivar e captar recursos para o início do negócio colocando a empresa em funcionamento.

4- Empreendedor Corporativo

Este tem aparecido mais nos últimos anos, devido a necessidade de inovação das empresas. São geralmente executivos muito competentes, com capacidade gerencial e conhecimento de ferramentas administrativas.

Trabalham de olho nos resultados para crescer no mundo corporativo.

5- Empreendedor Social

São imprescindíveis em países em desenvolvimento, uma vez que tem como missão de vida construir um mundo melhor para as pessoas. Envolve-se em causas humanitárias com comprometimento singular.

6- Empreendedor por Necessidade

Referem-se aqueles que não têm outra alternativa, não tiveram acesso ao mercado, ou foram demitidos, ou seja, não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria.

7- Empreendedor Herdeiro (Sucessão Familiar)

Este, por sua vez, aprende a arte de empreender com exemplos da família, e geralmente segue seus passos. O desafio é multiplicar o patrimônio recebido.

8- Empreendedor Normal (Planejado)

É aquele que “faz a lição de casa”, que busca minimizar riscos, que se preocupa com os próximos passos do negócio, que tem uma visão de futuro clara e que trabalha em função de metas.

Fonte: Elaborado pelo autor

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Tendo em vista que o Empreendedor por Oportunidade é aquele que mais avança no Brasil, Bedê (2013) afirma que existem três fatores os quais contribuem para o desenvolvimento do mesmo, são eles: expansão do mercado interno, aumento do grau de escolaridade dos brasileiros e a melhoria do ambiente legal, caracterizado por sua vez pela implantação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, MEI (Microempreendedor Individual) e Simples Nacional.

No entanto, para que este tipo de empreendedor, por oportunidade, continue em expansão no Brasil, além da manutenção das conquistas já obtidas, é preciso dar continuidade ao desenvolvimento da cultura empreendedora no país, assim como das condições para empreender.

2.1.3 – Diferenças e semelhanças entre administrador e empreendedor

Diante de um mundo globalizado, como o que se vive hoje, há uma necessidade crescente de adaptação, pois as mudanças ocorrem com cada vez mais frequência, exigindo rapidez nas respostas em meio grandes transformações.

Deste modo, o ser humano pode ser um dos fatores responsáveis por manter a competitividade de uma organização. No entanto não basta apenas conhecimento, isso dar-se muitas vezes do espírito empreendedor. (BUENO, LEITE E PILATTI, 2004).

Malheiros, Ferla e Cunha (2005) afirmam ainda que nesse contexto, as organizações que sobreviverão são aquelas capazes de se adaptarem rapidamente a estas transformações. É necessário ser rápido no processo de tomada de decisões.

Para isso, não basta você ter uma boa formação acadêmica. O momento é de aprendizado permanente, de busca contínua de nível de capacitação profissional que facilite a realocação ou recolocação e/ou a montagem do próprio negócio, num mundo em que o universo do emprego tradicional está diminuindo.

(MALHEIROS, FERLA E PILATTI, 2004, P. 38).

Segundo Souza et al. (2010), a profissão de Administrador e a função que o mesmo exerce são objetos de estudo há muito tempo, no entanto, a pouco mais de

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uma década, surgiu o termo Empreendedor e com ele o questionamento sobre quais são suas semelhanças, diferenças e contribuições para a sociedade como um todo.

A arte de Administrar consiste nas ações de planejar, organizar, dirigir e controlar, sendo assim, possui características semelhantes aos empreendedores, uma vez que compartilham de três características principais, são elas: Demandas (o que tem que ser feito), Restrições (fatores internos e externos da organização que limitam as atividades do funcionário) e Alternativas (identificam as opções que o responsável tem na determinação do que e de como fazer). (DORNELAS, 2008, P.

15).

Já Nonato (2013) defende que os administradores possuem como características o foco nas organizações e atividades conjuntas, bom relacionamento interpessoal e utilização da estrutura, ao mesmo tempo em que os empreendedores são visionários, sabem explorar o máximo das oportunidades, são independentes, proativos, assumem risco calculado, além de saberem tomar decisões.

Hampton (1991, apud Rodrigues et al 2011 : 13) completa ainda que os administradores e empreendedores se diferenciam em dois aspectos, são eles: o nível que eles ocupam na hierarquia ( define como os processos são alcançados) e o conhecimento que detém (são funcionais ou gerais).

Um administrador possui uma visão mais abrangente da empresa, ou seja, ele é mais focado no planejamento e controle, analisando e solucionando situações diárias e problemáticas diversas. Já o empreendedor está direcionado nas oportunidades do mercado, inovações, criatividade, identificando algo prático, transformando em oportunidade, ou seja, ele vive o presente pensando no futuro.

(SOUZA ET AL, 2010).

É fato que uma coisa não exclui a outra, ou seja, para ser um empreendedor não necessariamente precisa ser alguém formado em administração, no entanto seus conhecimentos seriam fundamentais para o sucesso de um novo empreendimento, de qualquer espécie. (NONATO, 2013).

No quadro abaixo, Raza (2008) aponta algumas semelhanças, bem como diferenças entre administradores e empreendedores.

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Quadro 4: Semelhanças e diferenças entre administradores e empreendedores

EMPREEDEDOR ADMINISTRADOR

1- Quanto à orientação estratégica Tem a percepção de oportunidade.

Guia-se pelos critérios de desempenho.

2- Quanto à análise de oportunidades Toma decisões rápidas. Vê mais a redução do risco.

3- Quanto à alocação dos recursos

financeiros e de mão de obra Prioriza a eficiência. Vai pelo planejamento formal.

4- Quanto ao controle dos recursos É flexível. Valoriza o poder, o “status” e a recompensa.

5- Quanto à estrutura gerencial Informal

Formal, seguindo a cultura organizacional.

Fonte: Elaborado pelo autor

De um modo geral, Souza et al (2010) afirma que um administrador possui o foco no planejamento e controla, sendo assim centrado em como melhorar os processos, informações qualidades e análises. Já o empreendedor mantém o foco nas oportunidades disponíveis no mercado, na criatividade, inovação, estando assim agregado nos negócios do presente e do futuro.

2.2 – Empreendedorismo no Brasil

Levando-se em consideração as análises feitas por Araújo (2013), no Brasil, o conceito de empreendedorismo vem se expandindo cada dia mais, no entanto, a difusão do mesmo se deu essencialmente a partir da década de 90, em que houve um maior interesse, principalmente na área acadêmica, sob a responsabilidade de incentivar novas pesquisas.

Segundo Viana (2010), existem alguns fatores, os quais fizeram com que o tema fosse cada vez mais difundido no Brasil, são eles:

 Grande queda nos números de empregos para a sociedade, que de certa forma, é economicamente ativa;

 Dinamismo econômico no mundo;

 Transformação no modo de administrar empresas.

Compartilhando da mesma ideia, Sales (2004, apud Araújo 2013, p. 17) afirma que, no contexto brasileiro, o empreendedorismo se deu devido a

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necessidade, em função da grande dificuldade de se obter emprego regular no mercado onde, para ele, consequentemente ocasiona um despreparo por parte desses empreendedores e um alto desperdício de capital inicial.

No entanto, pesquisas sobre a formação e expansão de empreendedores no Brasil mostram que os incentivos a criação de novos negócios são escassos. Sendo assim notório que, na última década do século passado, vários programas de formação de empreendedores foram concebidos como alternativa vital para o desenvolvimento econômico-social. (TENÓRIO, 2008).

De acordo com a pesquisa realizada pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em 2008, o Brasil continua com uma Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) superior à média, de 12,72%, enquanto que a maioria é de 7,25%.

Contudo, esta pesquisa mostra o grande potencial e reforça que o Brasil é um país que possui uma elevada capacidade empreendedora, pois na média entre 2001 e 2008 o brasileiro é 75,58% mais empreendedor que os outros. (GRECO, 2009) (Tabela 1).

Tabela 1: Estimativa da População Empreendedora

Fonte: Adaptado de Greco (2009, p. 25).

Em outras palavras, Viana (2010) afirma ainda que, de acordo com esta pesquisa, em 2001, houve uma inversão de proporção, onde o Brasil detinha 65%

dos empreendedores nascentes para 35% de empreendedores novos, já em 2008,

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esta realidade muda, uma vez que 24% eram de empreendedores nascentes e 76%

eram os empreendedores novos.

Greco et al (2009, apud Viana 2010, p. 19) “Na investigação realizada, notaram também que a capacidade de empreender do povo brasileiro é determinante nos processos de desenvolvimento socioeconômico. Constatando-se que em 2008, o Brasil, ocupou o 3º lugar em relação a 42 países pesquisados, na participação de jovens em atividades empreendedoras, e 30º posição em relação ao público idoso, demonstrando, portanto, uma nova dinâmica de empreendorismo.

Contudo, os autores Greco et al (2009, apud Viana 2010, p. 19) esclarecem ainda que o Brasil apresenta um grande potencial para o desenvolvimento de novos empreendedores, no entanto o grande desafio do país é multiplicar, em números, a quantidade destes, que por sua vez contribuem para a geração de emprego e consequentemente de renda. Para tanto, é imprescindível o investimento contínuo em políticas e programas de apoio ao empreendedorismo.

Tenório (2008) esclarece que o movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma a partir da criação de entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a SOFTEX (Sociedade Brasileira para Exportação de Software).

O SEBRAE é um dos órgãos mais renomados e conhecidos, pelo pequeno empresário brasileiro, uma vez que busca o suporte para iniciar a empresa, bem como consultorias, entre outras atividades de apoio. A exemplo disso há o programa Brasil Empreendedor, originado do Governo Federal, onde proporciona atividades de apoio à entidade, comandando a capacitação de mais de um milhão de empreendedores em todo o país, destinando recursos financeiros a esses empreendedores.

Segundo Dornelas (2008), houve ainda outros fatores que contribuíram para a movimentação empreendedora no Brasil, que foram a explosão de criação de empresas pontocom entre os anos de 1999 e 2000 acarretando o aparecimento de empresas start-up de Internet, criadas por jovens empreendedores, bem como o desenvolvimento do movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da Anprotec (Associação de Entidades Promotoras de Empreendimentos de

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Tecnologias Avançadas) de 2008, informam que mais de 400 incubadoras de empresas encontravam-se em atividade no país.

O mesmo autor afirma ainda que há outras formas de incentivo quanto ao desenvolvimento da atividade empreendedora no Brasil, tais como:

 Criação de programas de novos negócios focados em empreendedorismo social e empreendedorismo corporativo;

 Programas de formação de empreendedores, incluindo MBA (Master of Business Administration), cursos de curta e média duração, bem como EAD (Ensino a Distância);

 Crescente movimento de franquias no Brasil.

Tenório (2008) esclarece que este movimento, em favor do incentivo ao empreendedorismo, deve promover o espírito empreendedor no sentido de criar uma cultura, para que assim seja possível agir na formulação de políticas abrangentes e específicas, criando condições para a criação de soluções quanto ao desemprego estrutural, que por sua vez diminui a capacidade de competitividade da economia brasileira frente à globalização dos mercados.

2.3 – Lei Geral

Para real compreensão da origem e significado do Micro Empreendedor Individual para a economia brasileira, devemos recorrer a uma vasta literatura que nos remete a sua origem no ano de 1988 com a elaboração do Artigo 170 da constituição federal. Todo o artigo demonstra fundamental importância para a realidade empresarial que vivemos hoje, porém destaca-se 2 incisos que são extremamente pertinentes ao presente estudo, os incisos VIII e IX.

VIII - busca do pleno emprego;

IX - tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte.

Tendo ainda como base a constituição de 1988, há outro artigo que faz relação as MPE’s, o Artigo 179, conforme segue:

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Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal, e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.

O artigo acima é inteiramente direcionado ás MPEs, pois condicionou o cenário atual e benefícios que as mesmas detêm, pois inspirados neste artigo que muitos projetos fomentadores das MPEs saíram do papel e viraram realidade.

Em se tratando de uma política pública, a consistência do projeto pressupunha a construção de um conjunto lógico e complementar de ações que pudesse de transformar o ambiente empresarial. (QUICK, 2006)

Em 1996 como tentativa de facilitar a operação das MPEs brasileiras o Governo Federal criou o Simples Federal que tratava-se de um sistema simplificado de recolhimento de tributos e contribuições federais que, mediante convênio, poderia abranger os tributos devidos aos Estados e aos Municípios. Mas os Estados preferiram não aderir ao Simples e instituíram regimes próprios de tributação, o que acabou resultando em 27 tratamentos tributários diferentes em todo o Brasil. Da mesma forma, poucos Municípios aderiram ao Simples, e a maioria não adotou qualquer benefício para as microempresas e empresas de pequeno porte instaladas em seus territórios.

O Simples Federal foi criado para favorecimento das MPEs através de um pagamento unificado de tributos Federais, Estaduais e Municipais, mas por falta de apoio dos estados e municípios o programa não teve êxito e em sua grande maioria os impostos unificados no programa foram apenas os Federais, resultando assim em diversos tratamentos tributários no Brasil. (PORTAL, 2014)--- No dia 14 de dezembro de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Lei Complementar 123/2006. No dia 15, a Lei Geral foi publicada no Diário Oficial da União, entrando imediatamente em vigor. Apenas o capítulo tributário da lei (Simples Nacional) passaria a vigorar a partir de julho de 2007. “... uma lei que gera emprego, que gera riqueza, é lei de inclusão social e trabalhista.”. Hauly (2007)

Pode-se afirmar que 14 de dezembro de 2006 é um marco histórico para toda a sociedade brasileira, pois a Lei Geral representou além de um sinal de bons

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tempos para as MPE’s no Brasil, também favoreceu a igualdade social e a geração de novos empregos, proporcionando aos pequenos empresários um ambiente propicio ao desenvolvimento.

A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas deve ser apontada como um desenvolvimento importante no tratamento diferenciado as Micro e pequenas empresas, até mesmo por beneficiar aquelas atividades de caráter individual ou familiar exercidas, atualmente, em grande parte na informalidade. (Domingos, 2007).

O então presidente das Associações comerciais do estado de São Paulo Guilherme Afif Domingos é hoje Ministro da Micro e Pequena Empresa e mesmo em 2007 quando não existia o Microempreendedor Individual ele já destacava a importância do negócio individual para o país.

Segundo a lei geral em caso de empate nos processos de licitação determina a preferência á contratação da MPE, e entende-se por empate, o caso em que propostas apresentadas pelas MPEs sejam iguais ou até 10% superiores em relação á proposta melhor classificada, já em caso de “pregão”, o intervalo percentual é de 5% superior à melhor proposta.

Procedimento de desempate:

a. A ME ou EPP mais bem classificada poderá apresentar proposta de preço inferior áquela considerada vencedora, caso em que lhe será adjudicado o objeto licitado;

b. Caso a ME ou a EPP não possa ser contratada, serão convocadas as demais para o exercício do mesmo direito, na ordem classificatória, desde que se encontrem no critério de desempate;

c. Em caso de equivalência dos valores apresentados por MPEs, será realizado sorteio entre elas para que se identifique aquela que primeiro apresentará melhor oferta;

d. No caso de pregão, a MPE melhor classificada será convocada para apresentar nova proposta no prazo máximo de 5 minutos após o encerramento dos lances.

O superintendente do SEBRAE/RN José Ferreira de Melo afirma que hoje as MPEs são responsáveis por vinte por cento do PIB brasileiro e quarenta por cento dos assalariados, no entanto, a participação poderia ser maior caso a Lei Complementar 123/2006 fosse implementada em todos os municípios brasileiros, enfatizou a inviabilidade de desenvolvimento econômico sem estímulo as MPEs.

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2.3.1 - Simples nacional

Segundo consta no Art. 13 da Lei 123, de 2006 o Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições. (SEBRAE, 2007)

I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;

II – Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo;

III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;

IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo;

V – Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo;

VI – Contribuição para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº

8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso das pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de

prestação de serviços previstas nos incisos XIII a XXVIII do §1 º e no § 2º do art. 17 desta Lei Complementar;

VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços

de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS;

VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS.

Essa Lei do Simples representa, pela primeira vez, dentro de uma perspectiva prática mais concreta, a integração de algumas atividades dos físicos, a possibilidade de atuação conjunta, ao mesmo tempo em que se prepara o terreno e se preserva a autonomia relativa dos antes subnacionais. Aqui transparece a negociação entre autonomia e coordenação. (Abreu, 2008 p.124).

Levando em consideração o Simples nacional, os dois pontos mais positivos às empresas, segundo Leite (2008), são a simplificação no pagamento de tributos e a redução da burocracia na abertura das empresas. O autor está correto quanto ao legado inicial do simples nacional, porém os dois pontos citados anteriormente,

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ainda precisam ser ajustados, principalmente no tocante a redução da burocracia que é objeto de desânimo para os empreendedores.

Como todos sabemos, crescimento não é algo que se produz por ato de vontade ou que acontece em decorrência de circunstâncias conjugadas momentaneamente. O desenvolvimento é fruto de uma agenda densa, complexa, que tem que ser perseguida com firmeza. (MONTEIRO NETO, 2007, P.45).

A citação acima sobre o simples retrata bem a história do desenvolvimento das MPEs no Brasil, e não seria diferente com o Simples nacional, que apesar de 7 anos de existência e de total aprovação da modalidade tributária, melhorias ainda estão sendo identificadas e planejadas.

De acordo com o Ministro-Chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, o princípio do governo é que para entrar no Simples, não importa a categoria, mas sim o tamanho da empresa, ou seja, empresas que tenham seu faturamento anual até 3,6 Milhões de reais devem ser enquadradas no simples, o que não é realidade hoje já que o setor de serviços salvo exceções se encontra fora do Simples nacional. (BONFATI, 2013).---

Além de ter como foco a desburocratização dos diversos processos relacionados com o setor empresarial, a “Caravana da Simplificação”, evento no qual o Ministro-Chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, traz como excelente novidade o enquadramento de todo o setor de serviços no “Simples Nacional” deixando de privilegiar apenas alguns poucos negócio s desse setor.

Mesmo com pouco tempo de existência, o Simples Nacional está sempre melhorando e se adequando a realidade dos negócios, assim como, anualmente, vem crescendo o número de empresas adeptas à modalidade tributária, a Figura 1 retrata a evolução dos optantes pelo simples nacional

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Figura 1: Evolução dos optantes pelo Simples Nacional

Fonte: SEBRAE (2014)

Conforme visto no gráfico anteriormente, o número de empresas optantes pelo Simples vem crescendo frequentemente. Em quatro anos a quantidade de empresas que utilizam o Simples para arrecadação de seus impostos cresceu aproximadamente 250%, o que nos leva a um crescimento médio mensal de aproximadamente 5,2% ao mês.

O segmento das micro e pequenas empresas responde por cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por mais de 40% da massa salarial gerada no País. Contudo, essa participação poderia ser maior se a Lei Complementar 123/2006 fosse implementada em todos os municípios brasileiros.

(SEBRAE/RN, 2013).

2.4 – Microempresa (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP).

Até o ano de 2011, uma Microempresa possuía um faturamento bruto anual até o valor de R$ 240.000,00. Já uma Pequena empresa possuía um faturamento anual bruto de até R$ 2.400.000,00 segundo o que constava na Lei 123/2006 (SEBRAE,2007).

Todavia, uma resolução do Conselho de Gestão do Simples Nacional (CGSN) 94/2011 modificou essa realidade, e desde então o faturamento bruto anual passou

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a ser até o valor de R$ 360.000,00 para Microempresa e de R$ 3.600.000,00 para as Pequenas empresas.

O artigo 3° da lei complementar n° 123, de 14 de Dezembro de 2006 define as microempresas e empresas de pequeno porte:

Art. 3 º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) (Produção de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 )

I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) (Produção de efeitos – vide art.

7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 )

II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) (Produção de efeitos – vide art.

7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 ).

“Fomentar e fortalecer os pequenos negócios significa apostar no crescimento do país, pois são responsáveis por impulsionar a economia e promover o desenvolvimento de um território, por meio da geração de emprego, distribuição de renda e melhor qualidade de vida para a população”

(SEBRAE, 2013).

As MPEs (Micro e Pequenas Empresas) estão se desenvolvendo de forma continua se mostrando cada vez mais importantes em vários contextos, sociais, econômicos e tributários como é notório na tabela 2:

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Tabela 2: Representatividade das Micro e Pequenas Empresas.

Fonte: Adaptado do SEBRAE/SP, 2012.

2.5 - Ascensão da informalidade no Brasil.

Para a abordagem do tópico, faz-se necessária a compreensão do conceito

“informalidade”, que segundo PINTO (2012) a economia informal é o conjunto de unidades econômicas em desacordo com obrigações imposta pelo Estado, quanto aos tributos e suas regulações. O mesmo autor afirma ainda que informalidade é a produção de bens e serviços baseados no mercado, independente da legalidade ou não, que escapa da detecção dos dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB).

Paiva et al. (2013) expõe que é válido lembrar que o emprego informal sempre esteve presente na economia brasileira, e um ótimo exemplo disso é o maior centro de comércio a céu aberto da América Latina, localizado no centro da cidade de São Paulo, na rua 25 de março, inúmeros trabalhadores informais disputam espaço com outros informais e também junto ás lojas comerciais com a venda de produtos nacionais e importados. Considerando que cenários como esse já estavam afixados na cultura brasileira, essencialmente paulistana nesse caso, antes mesmo do ápice do crescimento brasileiro, são apresentados outros referenciais para

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exemplificar a expressividade do problema que a informalidade traz para economia brasileira atualmente.

A realidade exposta pelos autores acima não é uma particularidade do estado de São Paulo. No Rio Grande do Norte, esse desenvolvimento da informalidade também foi notório, podem ser citados milhares de negócios informais localizados no bairro do Alecrim que fica no centro da cidade de Natal, capital do estado do Rio Grande do norte. O bairro do Alecrim é de fundamental importância para o combate a informalidade no estado, que inclusive anualmente tem concentrado o foco do SEBRAE/RN durante a semana do MEI para o incentivo à formalização dos negócios naquele local.

No mercado, são evidenciadas repetidamente falhas graves como patamares elevados de desemprego, alta taxa de informalidade, a constância de litígio nos tribunais trabalhistas, a desigualdade de renda em níveis elevados, o acesso restrito as leis trabalhistas e dos auxílios aos trabalhadores.(PINTO, 2012)

O MEI proporciona a saída da informalidade há milhares de empresários autônomos, desempregados e empreendedores natos, que sempre desejaram abrir seu próprio negócio, mas não tinham os meios necessários para tal, dando a oportunidade destes gerirem seu próprio negócio e, consequentemente torna efetiva a inserção desses novos empresários no cenário socioeconômico brasileiro.

Segundo Nascimento et. al (2012, p. 34) “a informalidade é o principal estigma de uma sociedade desigual e como tal, deve ser minimizada por meio de políticas governamentais.” Com o intuito de reverter essa situação o governo brasileiro adotou medidas para amenizar a situação da informalidade e tentar diminuir o índice da economia subterrânea, através da criação da figura do Microempreendedor Individual que foi instituída pela Lei Complementar nº 128/2008.

A referida lei ofereceu para os trabalhadores informais a oportunidade de regularização de seu empreendimento de um jeito bem simplificado de forma que estes profissionais deixem de atuar na informalidade e possam assim usufruir dos benefícios que a citada lei lhes oferece.

Pinto (2012) Afirma que no Brasil a informalidade é considerada uma opção para pessoas que não obtém êxito em entrar no mercado formal. Por parte do Governo Federal tem sido adotadas medidas que enfraquecem a informalidade e incentivem a classe empreendedora, sendo as mesmas, medidas fomentadoras do

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fortalecimento do mercado formal brasileiro, a exemplo das linhas de créditos, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), dentre outros.

Conforme o Índice de Economia Subterrânea (IES), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), entre 2006 e 2011, o IES representava o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) 20,2% e 17% respectivamente. Em queda nestes anos a economia informal se estabilizou em 2012 representando

16,9% do PIB.

Este índice ainda continua alto, tornando-se necessário por parte do governo mais medidas para reverter esta situação, porém percebe-se que a figura do Microempreendedor Individual vem ajudando a diminuir este número e consequentemente a enfraquecer a economia subterrânea.

A tabela 3 mostra que, para todas as categorias apresentadas, o percentual dos empreendedores que não possuíam CNPJ e não contribuíam para a previdência, caiu entre 2009 e 2011.

Tabela 3: Grau de Informalidade pelos critérios de não possuir CNPJ e não contribuir para a previdência.

Fonte: Adaptado de Corseuil, Neri e Ulyssea, 2013.

Vale salientar ainda que esses trabalhadores, adeptos ao MEI, terão dentre vários benefícios, acesso ao crédito e ao mercado, bem como a preferência quanto as obtenções de produtos e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, ao associativismo e as regras de inclusão previstas. (PESSOA, 2013).

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A informalidade causa prejuízo para todos os envolvidos, sendo que o maior lesado é o próprio estado, uma vez que sofre com uma alta evasão contributiva e esse prejuízo é refletido diretamente em toda a sociedade, coibindo, inclusive, investimentos que podem reduzir a diferença social, como exemplo. (PINTO, 2012).

2.6 – Microempreendedor Individual (MEI).

Diante de um cenário de altos índices de informalidade e desemprego surge o Microempreendedor Individual (MEI) que de acordo com o SEBRAE (2013) surgiu como um avanço da Lei Geral através da Lei complementar 128/2008.

A Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011, determinou que o microempreendedor individual (MEI) corresponde ao empresário individual que aufere receita bruta, cumprindo os requisitos que menciona, de até sessenta mil reais (a LCP nº 139, de 2011, aumentou esse valor, antes correspondente a R$

36.000,00). Esse valor corresponde ao rendimento de em média cinco mil reais por mês, caracterizando a pequena dimensão do negócio praticado pelo microempreendedor. (BIJOS E BARBOSA, 2013).

Este mesmo autor diz que a figura do microempreendedor individual é uma iniciativa governamental visando a formalização das pessoas que exercem algum tipo de atividade microempresarial. Entre as atividades permitidas para ingresso na figura jurídica, constam as atividades de artesão, barbeiro, comerciante, editor, fabricante, guia de turismo, instrutor, jornaleiro, locador, montador, ourives, padeiro, proprietário, reparador, sapateiro, transportador e vendedor ambulante.

O portal do empreendedor sintetiza que o Microempreendedor Individual é a pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário.

Entre as vantagens oferecidas por essa Lei está o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

A Lei Complementar nº 128 de 19 de dezembro de 2008, nos trouxe pela primeira vez em seu artigo 18-A o conceito de Microempreendedor Individual que foi inserido pela Lei Complementar nº 126/2006. Através da Lei Complementar nº 128/2008, o governo criou a figura do Microempreendedor Individual, que dispõe de condições especiais, além de inúmeras vantagens para que os profissionais que atuam na informalidade possam se tornar empreendedores individuais legalizados.

Considera-se MEI o empresário individual que se refere o artigo nº 966 da

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Lei nº 10.406/2002 – Código Civil, ou seja, o empresário que exerce 26 atividades econômicas profissionalmente organizada para a produção ou a circularização de bens ou serviços.

Abaixo relaciona-se o artigo 18-A da Lei Complementar nº 128/2008 que determina o conceito de Microempreendedor Individual.

Artigo 18-A: O Microempreendedor Individual - MEI poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais, independentemente da receita bruta por ele auferida no mês, na forma prevista neste artigo.

§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se MEI o empresário individual [...]

que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais), optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo.

§ 2º No caso de início de atividades, o limite de que trata o § 1º deste artigo será de R$ 3.000,00 (três mil reais) multiplicados pelo número de meses compreendido entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro. Além das exigências citadas acima, para o trabalhador informal tornar-se um Microempreendedor Individual deverá ainda cumprir com os requisitos impostos pelo § 4º do artigo 18-A desta mesma lei.

§ 4º Não poderá optar pela sistemática de recolhimento prevista no caput deste artigo o MEI:

I. cuja atividade seja tributada pelos Anexos IV e V da Lei Complementar nº 126/2006, salvo autorizado pelo Comitê Gestor;

II. que possua mais de um estabelecimento;

III. que participe de outra empresa como titular, sócio ou administrador;

IV. que contrate mais de um empregado.

Estes são os requisitos impostos na Lei Complementar nº 128/2008 para que os profissionais que estão na informalidade possam se tornar empreendedores individuais, não havendo outro fator que impeça à adesão deste regime.

Considera-se Microempreendedor Individual (MEI) o empresário a que se refere o art. 966 da Lei 10.406/2002 (código Civil), o empresário tenha auferido receita bruta acumulada nos anos-calendários anterior e em curso até R$ 60.000,00,

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ou seu limite proporcional se estiver em seu primeiro ano de atividade. Também devem atender os seguintes requisitos:

- Exercer tão-somente as atividades constantes do anexo XIII da resolução CGSN 94/2011;

- Possuir um único estabelecimento;

- Não participar de outra empresa como titular, sócio ou administrador;

- Não contratar mais de um empregado, observado o disposto no art. 96 da resolução CGSN 94/2011.

Mediante Julião (2011) ao definir em ser um MEI o empresário individual recolherá um valor mensal de 5% (cinco por cento) sobre o salário-mínimo equivalente a contribuição previdenciária, mas R$ 1,00 (um real), a título de imposto sobre operações relativas á circulação de mercadorias e sobre prestações de Serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS e/ou R$ 5,00 (cinco reais), consoante Imposto Sobre serviços de qualquer Natureza – ISS, Conforme a sua atividade, de forma unificada e simples, de forma que não fica sujeito aos seguintes tributos e contribuições:

– Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;

– Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI;

– Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;

– Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS;;

– Contribuição para o PIS/Pasep;

– Demais contribuições instituídas pela união; e

– Contribuições para as entidades privadas de serviço social e de apoio profissional vinculados ao sistema sindical e demais entidades de serviço social autônomo.

Paiva et al. (2013) afirma que o MEI tem como foco a redução da informalidade e o combate ao desemprego no mercado brasileiro, possibilitando ao Governo Federal elevar sua arrecadação com os trabalhadores que possuem um negócio informal, oferecendo aos mesmos, acesso a benefícios que apenas os trabalhadores formalizados já detêm.

A formalização dos Microempreendedores Individuais teve inicio em julho de 2009 e desde então um grande número de empreendedores que anteriormente estavam na informalidade se registraram como MEI’s e tornaram seus negócios formais.(LOURENÇO, 2013).

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Paiva et al. (2013) firma que a elevada carga de tributos e a burocracia sempre exerceram o papel de empecilho para que o cidadão comum que visasse iniciar uma nova atividade ou regularizar o seu negócio pudesse se formalizar.

“O EI é um grande avanço na legislação brasileira que, pela primeira vez considera de forma diferenciada não somente as micro e pequenas empresas...”

(SEBRAE/PB, 2009).

Segundo Carvalho (2009) o MEI soluciona 4 grandes problemas para alguns empreendedores, são eles: A comprovação de renda, que dificultava o acesso ao crédito; a falta da comprovação da aquisição de suas mercadorias, que por sua vez implicava em apreensão das mesmas; as reclamações trabalhistas devido à falta de registro de funcionários pelo alto custo e a falta de benefícios previdenciários para o próprio empreendedor.

Agora, no Brasil, tais cidadãos, denominados microempreendedores, recebem as garantias sociais advindas do cadastro no Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS que representam uma segurança em diversas situações como nas de: maternidade, acidente, doença, incapacidade, invalidez, prisão, idade avançada, tempo de contribuição, morte, além de reabilitação profissional.

Está cada vez mais evidente que o excesso de burocracia é um dos maiores obstáculos para a formalização e desenvolvimento das empresas, comprometendo diretamente o avanço econômico e social do país.

“Pelo trâmite atual, para registrar sua empresa, muitas vezes o empreendedor, após diversos comparecimentos à junta comercial ou ao cartório, a órgãos tributários e de emissão de alvarás, necessita, dentre outras providências, aguardar a vistoria do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária, dos órgãos ambientais, antes de iniciar suas atividades.”.

(SCHWINGEL E RIZZA, 2013).

Corseuil, Neri e Ulyssea (2013) corroboram que desde a tentativa de implantação do Simples Nacional, em 1996, o governo brasileiro tem desenvolvido políticas com o intuito de reduzir os encargos tributários e burocráticos, incidentes sobre as MPEs (Micro e Pequenas Empresas). Contudo, estes programas políticos

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tem o objetivo de incentivar a criação de novas empresas, bem como a formalização daquelas já existentes.

Os mesmos autores afirmam ainda que a Lei Complementar n° 128/2008, conhecida como Lei do Empreendedor Individual, constitui um marco para os empreendedores, diferenciando-o dos demais, pois cria-se condições para a formalização de seus negócios, bem como para a contribuição previdenciária.

Deste modo, com a Lei n° 128, os Microempreendedores Individuais passam a ter acesso ao CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), estando assim automaticamente enquadrados no Simples Nacional, reduzindo significativamente os custos de tornar o negócio formal. Ou seja, com o MEI as duas margens de formalização (Obtenção de CNPJ e Contribuição Previdenciária) passam estar associadas, que antes não acontecia.

Referências

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