RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO
Unidade Curricular: Estágio Profissionalizante
6º Ano do Mestrado Integrado
em Medicina
Ano Lectivo 2014/2015
Salvador Maria Sousa Araújo de Morais Sarmento
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Conteúdo
INTRODUÇÃO ... 3
OBJECTIVOS ... 3
ESTÁGIOS ... 4
Cirurgia Geral ... 4
Medicina Interna ... 5
Saúde Mental ... 6
Medicina Geral e Familiar ... 7
Pediatria ... 7
Ginecologia e Obstetrícia ... 8
OUTRAS ACTIVIDADES... 9
Preparação para a Prática Clínica ... 9
Estágio clínico opcional ... 9
Programa de Intercâmbio ... 9
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL ... 10
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INTRODUÇÃO
O presente relatório tem como objectivo ser uma exposição resumida da actividade por mim
realizada ao longo do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) na NOVA Medical
School, incluindo espaços individuais para o comentário de cada estágio, apreciações sobre as
metas propostas e os respectivos sucessos ou dificuldades em alcançá-las, um posicionamento
crítico final sobre todo o processo, e finalmente os anexos comprovativos das actividades
comple-mentares realizadas ao longo curso, extra-curricularmente.
O sexto ano do MIM consiste num ano profissionalizante, onde se pretende que o estudante
médico ponha em prática os conhecimentos adquiridos ao longo dos cinco anos anteriores e
assuma uma autonomia e responsabilidade progressivamente mais profissionais, servindo assim
como um ano de transição desde o estado de aluno para médico não-especialista.
Segundo o livro O Licenciado Médico em Portugal, esta experiência final no percurso lectivo do
aluno vem de uma relativamente recente alteração da ideologia pedagógica nesta modalidade. O
livro é sustentado pelo relatório Flexner, a Declaração de Edimburgo e o The Robert Wood
Johnson Foundation Commission on Medical Education: The Sciences of Medical Practices, onde
se notou a necessidade emergente de uma integração mais sentida do aluno no sistema de
saúde, contemplando um reforçado ênfase na biologia molecular que avançava rapidamente, a
importância da prevenção na saúde pública, e o crescente peso das ciências comportamentais
sociais e de comunicação e epidemiologia clínica.
Este nosso último ano de curso em Portugal é uma exemplar aplicação prática dos elementos
acima enunciados, como se reflectirá certamente no restante relatório.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico.
OBJECTIVOS
É possível estabelecer uma gama de objectivos transversais a todos os estágios realizados, com
pequenas variações específicas para cada um deles em termos de conteúdos. Assim, propus-me
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Adquirir conhecimentos médico-científicos sobre cada especialidade médica ou cirúrgica
em que me insira, complementando uma integração interdisciplinar do conjunto geral;
Promover as competências e atitudes indispensáveis ao exercício profissional autónomo e
responsável, incluindo uma participação útil e activa num serviço hospitalar e a integração
harmoniosa na respectiva equipa médica;
Desenvolver o exercício das minhas capacidades de colheita de dados clínicos, raciocínio
diagnóstico e atitudes terapêuticas e interventivas dentro de cada especialidade;
Treinar, sempre que possível, os gestos e técnicas práticos nos cuidados do doente, quer
se trate de actos na enfermaria (como sejam gasometrias, punções venosas, etc.) ou de
gestos no Bloco Operatório (BO, como sejam desinfecção, assistência básica de
manipulação, suturas, etc.);
Adquirir atitudes sociais, médicas e humanas para a construção de uma apropriada e
vantajosa relação médico-doente, com a adaptação necessária consoante a população
alvo da especialidade – nomeadamente em Pediatria, Ginecologia e Obstectrícia, Medicina
Geral e Familiar e Saúde Mental, onde se pode encontrar um espectro diferente de
doentes e os respectivos contextos.
ESTÁGIOS
Cirurgia Geral
O primeiro estágio realizado este ano foi o de Cirurgia Geral, entre 15 de Setembro e 17 de
Novembro de 2014 no Hospital CUF Descobertas, sob a regência do Professor Doutor Rui
Manuel Fraga Martins Maio e a tutelagem do Dr. José Maria Correia Neves.
Ao longo da minha permanência neste estágio foi-me dada a oportunidade de assistir à seguinte
lista de actividades: exames gastrenterológicos, atendimento médico permanente, pequena
cirurgia, BO, consulta de cirurgia geral, reuniões multidisciplinares com os serviços de oncologia e
anatomia patológica e ainda consultas fora da especialidade, nomeadamente cirurgia plástica e
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Desta maneira pude contactar em profundidade com as patologias mais observadas neste
serviço, e seguir o seu processo de abordagem desde as fases mais precoces de diagnóstico até
à sua resolução e seguimento no pós-operatório. O facto de ser um estágio tão extenso e de ter
assistido a um tão grande número de cirurgias, nas quais a minha intervenção variou de
assistente a primeiro ajudante (e por uma ocasião cirurgião principal, na remoção de um quisto
pilonidal) permitiu-me uma perspectiva totalmente nova da actividade em cirurgia geral. Sinto que
só assim é possível absorver e compreender todos os pequenos pormenores que não são
possíveis de reparar em estágios mais curtos, assim como todos os gestos cirúrgicos usados e
variações do plano que podem ocorrer.
O estágio terminou com o Mini Congresso de Cirurgia Geral no Hospital Beatriz Ângelo onde o
meu grupo apresentou o trabalho Diabetes: a esperança no bisturi. Aqui falámos dos
impressionantes resultados da cirurgia bariátrica na total resolução de um crescente grupo de
doentes com diabetes melitus tipo 2, e assistimos aos restantes dezoito trabalhos apresentados
pelos nossos colegas, num momento único e interessante de aprendizagem.
Medicina Interna
O segundo estágio realizado este ano foi o de Medicina Interna, entre 10 de Novembro de 2014 e
17 de Janeiro de 2015 no Hospital S. Francisco Xavier, sob a regência do Professor Doutor
Fernando Nolasco e a tutelagem das doutoras Fátima Grenho e Ana Cristina Lourenço.
Ao longo deste período de tempo tive a oportunidade de contribuir para as actividades na
enfermaria, consulta externa (de insuficiência cardíaca, diabetes melitus e medicina interna),
serviço de urgência, reuniões de serviço, sessões clínicas/journal club e seminários/aulas
teórico--práticas.
Este terá sido sem dúvida, a par do estágio anterior, um enriquecedor período de aprendizagem
ajudado pela longa extensão de tempo aqui passada. O serviço de urgência do hospital recebe
uma completa gama de doentes em termos de patologia aguda, um momento raro de marcha
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estágio, pude desenvolver aptidões de colheita de história clínica, realização de exame objectivo
e ferramentas de raciocínio clínico, incluindo o contexto das decisões terapêuticas.
A autonomia e responsabilidade que nos foram atribuídas foram sem dúvida uma preparação
para a prática independente no futuro, e a integração nas actividades do serviço contribuiu para
uma experiência realista do ambiente num serviço de medicina hospitalar. Destaco neste estágio
o facto de ter iniciado exactamente na altura que surgiu na área um dos maiores surtos de
Legionella na Europa até hoje, com múltiplos casos referenciados ao nosso serviço, o que me
possibilitou o acompanhamento pessoal de um destes até à data da alta, constituindo um
momento privilegiado de aprendizagem.
Saúde Mental
O terceiro estágio realizado este ano foi o de Saúde Mental, entre 26 de Janeiro e 20 de
Fevereiro de 2015 na Consulta de Cascais - Departamento de Saúde Mental e Serviço de
Urgência do Hospital S. Francisco Xavier, sob a regência do Professor Doutor Miguel Xavier e a
tutelagem das doutoras Dóris Reis e Graciete Carvalho.
No primeiro dia de estágio recebemos os seminários teórico-práticos leccionados pelo Professor
Miguel Xavier, que incluíram a discussão de casos práticos de psiquiatria e um filme pedagógico
sobre o exame neurológico. Durante o resto do estágio assistimos às consultas de
pedopsiquiatria (primeiras duas semanas, com a Dra. Graciete) e de psiquiatria (com a Dra.
Dóris). Pudemos também passar duas manhãs no serviço de urgências no Hospital S. Francisco
Xavier, e ainda assistir às reuniões de serviço de pedopsiquiatria no mesmo local; as reuniões de
psiquiatria decorriam no Hospital Egas Moniz.
O estágio feito em Cascais permite a divisão entre a pedopsiquiatria e a psiquiatria de adultos, o
que alarga o espectro de patologia observada a todas as faixas etárias. A riqueza deste facto
permitiu ainda uma extrapolação cronológica do percurso de algumas doenças que se iniciam na
infância e transbordam para a idade adulta, o que inclusivamente inspirou o tema do trabalho
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visível as diferenças da relação médico-doente construídas em cada uma, desde o peso da
patologia em discussão até á forma como esta é encarada por ambas as partes, passando pelo
importante papel do sistema de apoio do doente em cada uma – este último de especial
importância na Pedopsiquiatria.
Medicina Geral e Familiar (MGF)
O quarto estágio realizado este ano foi o de Medicina Geral e Familiar, entre 23 de Fevereiro e 20
de Março de 2015 na USF Cidadela em Cascais, sob a regência da Professora Doutora Isabel
Santos e a tutelagem da Dra. Maria da Luz Veloso.
Ao longo destas quatro semanas acompanhei a referida tutora nas consultas de saúde de
adultos, de saúde materna, planeamento familiar e de saúde infantil. Tive ainda a oportunidade de
participar nas visitas domiciliárias.
Durante este estágio foi particularmente útil a perspectiva única que a especialidade fornece na
relação médico-doente, adquirindo-se rotinas para uma abordagem holística ao doente, pondo em
prática um modelo terapêutico centrado no mesmo. A aplicação fundamentada e útil das normas
da DGS em relação às técnicas de rastreio e seguimento de patologia crónica atinge aqui a sua
máxima utilidade.
Pediatria
O quinto estágio realizado este ano foi o de Pediatria, entre 23 de Março e 4 de Abril de 2015 no
Hospital de S. Francsco Xavier, sob a regência do Professor Doutor Luís Varandas e a tutelagem
do Dr. Edmundo Santos.
As actividades realizadas durante este estágio consistiram em: enfermaria da pediatria geral,
berçário, consultas externas, serviço de urgência, unidade de neonatologia, unidade de cuidados
especiais pediátricos (UCEP) e actividades formativas, como sejam as sessões clínicas
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Sendo uma especialidade não só com patologia específica mas também com um grupo etário de
doentes particular, este estágio foi uma excelente oportunidade para contactar e ganhar
experiência na relação médico-doente diferente que aqui se contempla, assim como na
abordagem clínica e diagnóstica mais típica deste subgrupo de doentes.
Sinto que aproveitei ao máximo a multitude de serviços que podíamos acompanhar a cada dia, as
várias consultas diferentes ao nosso dispor, a semi-autonomia que nos foi dada no berçário na
triagem do recém-nascido, e destaco o interessante caso de uma doença de Kawasaki que
acompanhei e aproveitei para a minha apresentação de caso clínico – raro, mas muito típico
desta especialidade.
Ginecologia e Obstetrícia
O sexto estágio realizado este ano foi o de Ginecologia e Obstetrícia, entre 27 de Abril e 22 de
Maio de 2015 no Hospital CUF Descobertas, sob a regência da Professora Doutora Teresa
Ventura e a tutelagem da Dra. Eugénia Chaveiro.
Durante a minha permanência neste estágio pude participar nas seguintes actividades: serviço de
urgência, bloco de partos, BO, unidade de cirurgia de ambulatório, consulta externa, ecografias,
meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDTs) e reuniões de
serviço/apresen-tações dos alunos.
Foi-me aqui possível consolidar os meus conhecimentos relativos à vigilância da gravidez normal,
reconhecimento da gravidez de risco e das principais patologias que podem complicar a gravidez,
respectiva avaliação clínica e elaboração de um plano terapêutico e reconhecimento de situações
em que se imponha a realização de cesariana electiva ou urgente, às quais pude assistir.
O seguimento da mulher pré e pós-menopáusica, os métodos de rastreio ginecológico e a
detecção e correcção de todas estas patologias foram assistidos durante a consulta, BO, MCDT’s
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OUTRAS ACTIVIDADES
Preparação para a Prática Clínica
Ao longo do primeiro semestre, sob a regência do Professor Doutor Roberto Palma dos Reis,
assistimos quinzenalmente à apresentação de seminários teórico-práticos, cujos temas eram
sinais ou sintomas abordados por diferentes especialidades, com o intuito de orientar os alunos
para o raciocínio clínico e para as diferentes perspectivas possíveis em cada contexto clínico,
havendo no final espaço para discussão dos temas.
Estágio clínico opcional – Cirurgia Maxilo-Facial
Durante a última quinzena do ano curricular, com o principal objectivo de obter mais dados para a
decisão da minha vocação futura, assisti à actividade do serviço de cirurgia Maxilo-Facial do
Hospital de São José sob a tutelagem do Professor Doutor Paulo Coelho. Desde a actividade de
enfermaria até ao BO, passando pelas consultas e pelo serviço de urgência, pude assistir à
patologia mais frequente recebida por este serviço, incluindo traumatologia e oncologia.
Programa de Intercâmbio
Durante o mês de Agosto precedente ao início do estágio profissionalizante ingressei no
programa Exchange, através do qual tive a oportunidade de participar num estágio de quatro
semanas em Praga no serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Bulovka University
Hospital, sob a tutelagem do Dr. Ondrej Mestak. Também com o objectivo de recolher o máximo
de informação sobre ainda outra possibilidade vocacional, foi para além disso um estágio
enriquecedor na medida em que assisti à prática clínica num país com uma cultura e língua muito
distintos do nosso, com o privilégio da tutelagem de um grande nome da Cirurgia Plástica da
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REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Onde a arte da Medicina for amada, haverá também um amor pela humanidade. Hipócrates
Tendo em consideração os objectivos do ano profissionalizante enunciados no início deste
relatório, faço um balanço global bastante positivo no final deste percurso. Em todos os estágios e
nos diferentes serviços tive oportunidades para aperfeiçoar as minhas capacidades de colheita de
dados clínicos, raciocínio clínico, diagnóstico diferencial e tomada de decisões terapêuticas.
Esta experiência que nos é dada no sexto ano torna-se essencial na formação prática do médico
prestes a exercer maiores responsabilidades no mundo hospitalar real, não só em termos de
ambientação com o funcionamento dos diferentes serviços hospitalares, como em termos
relacionais, desde as equipas médicas/enfermeiras/auxiliares até aos doentes que tratamos. Não
podendo deixar passar o importante papel do “erro” mencionado na obra O Licenciado Médico em
Portugal, relembro aqui duas ocasiões passadas durante este ano onde houve de facto um erro
da minha parte como aluno, e tenho-as como lições para o futuro.
Posso ainda mencionar que o único factor que impede um aluno de sexto ano, neste momento,
de alcançar um mais profundo empenho nos vários estágios oferecidos é o seu estudo aplicado
para a Prova Nacional de Seriação; tendo isto em conta, é notável o apoio e atitude da regência
do estágio profissionalizante em nos dar o maior tempo possível de investimento nesse aspecto,
algo que considero honesto e que tenho a agradecer, sem dúvida a par de vários colegas.
Termino este relatório com um profundo e nostálgico agradecimento a todos os tutores e
docentes que me acompanharam ao longo deste último ano da Faculdade, esperando ter
aproveitado ao máximo as escolhas que me foram facultadas, os momentos de aprendizagem
fornecidos, a experiência a ganhar de uma actividade médica profissionalizante tutelada, e todos
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