PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
(PUC-SP)
João Rafael da Cruz Gaudencio
SMART CITY
: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL,
SOCIEDADE DE CONTROLE E CIDADE INTELIGENTE
MESTRADO EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
(PUC-SP)
João Rafael da Cruz Gaudencio
SMART CITY: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, SOCIEDADE DE CONTROLE E CIDADE INTELIGENTE
MESTRADO EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA
Dissertação apresentada à Banca
Examinadora da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em
Comunicação e Semiótica
(PEPGCOS/PUC-SP), na linha de
pesquisa Cultura e Ambientes Midiáticos, sob orientação do Prof.
Doutor Eugênio Rondini
Trivinho.
SÃO PAULO
BANCA EXAMINADORA
__________________________________
__________________________________
AGRADECIMENTOS
Agradeço, em primeiro lugar, a Deus, pela oportunidade de poder
transmitir minhas próprias convicções sobre uma aperfeiçoada maneira de
buscar um mundo melhor para todos.
À minha mãe, Prof. (a) Edith – a quem dedico este trabalho – por me
acompanhar nesta trajetória educacional, sempre me proporcionando a melhor
educação, sem medir esforços, com muito carinho e amor. Tenho em mente a
frase que ela salientava nos momentos difíceis: “Estudar é amargo, mas os
seus frutos são doces” (Aristóteles).
Agradeço, também, à minha família, aos amigos e à minha namorada,
que me deram profundo apoio e continuam me apoiando ao longo do caminho.
Pensando ainda na minha própria família, quero fazer memória ao meu
saudoso e querido pai, Jair.
Reconhecimento e agradecimento a todos os professores da casa. Em
especial, ao Prof. Dr. Jorge de Albuquerque Vieira que me indicou para o
projeto de aquisição de bolsa na orientação do memorial de qualificação e na
dissertação. Fica aqui registrado, o meu apreço ao grande Professor que ele foi
na PUC-SP. Cordial agradecimento ao Prof. Dr. Eugênio Trivinho por sua
dedicação e acolhida no Programa. Sendo agora, meu novo orientador, reitero
os agradecimentos pela firmeza dos primeiros passos e pela convivência
possível nestes 12 meses. Todas as suas intervenções contribuíram, de um
modo ou de outro, para o meu crescimento acadêmico e para a maturidade das
reflexões pertinentes ao trabalho.
Finalizando, agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico CNPq pela oportunidade de realização do Mestrado
em Comunicação e Semiótica por meio de Bolsa de Estudos, e ao Programa
de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia
“Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso
está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta
ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho
que a motivação da nossa vida é a felicidade”.
Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso
Atual Dalai Lama (líder religioso) – Budismo
RESUMO
A presente Pesquisa de Mestrado examina o conceito Smart City: desenvolvimento sustentável, sociedade de controle e cidade inteligente. Neste quadro temático, o objeto de estudo se recorta no cenário contemporâneo de desenvolvimento da Smart City. Embasada em elementos teóricos e empíricos, pressupostos no objeto mencionado, a pesquisa propõe uma linha de argumentação pautada em conceitos sociológicos e tecnológicos. No esboço previsto, os conceitos de sustentabilidade e tecnologia referem-se a ações e mobilizações articuladas para o engajamento social e para a pauta política, promovendo desenvolvimento igualitário. Não obstante, existem dificuldades na contextualização da Smart City, como por exemplo, a sociedade de controle e, principalmente, as políticas regulatórias. Assim, estabelece-se uma sociedade ideal com base na visibilidade midiática sobre iniciativas privadas promovidas por corporações em promoção do ser humano, de maneira igualitária. Conduzir de modo relevante a comunidade pressupõe interesses essenciais que elevam o patamar social no mundo, buscando, desse modo, uma economia ecológica. A contrapartida da sustentabilidade é proveniente da industrialização voraz, que tenta suprir os anseios sociais e, de forma midiática, interfere nos costumes e desejos na cultura populacional. Com base em tais elementos teóricos e práticos, o problema de pesquisa consiste na complexidade evolutiva humana e social crescente que aponta para um possível novo rompimento civil. Esse problema diz respeito à questão sobre como as Cidades Inteligentes são estruturadas atualmente e sua condução futura. A pesquisa prevê métodos combinados de análise qualitativa e presencial para evidenciar os caminhos que a Smart City propõe para a sociedade e para o consumo. A análise do corpus da pesquisa se aprofunda nos métodos vigentes nos costumes em matéria de interação com o ecossistema e o ser humano, de modo consciente, desempenhando desenvolvimento sustentável. Além disso, os procedimentos metodológicos envolveram a pesquisa bibliográfica. A articulação temática entre sustentabilidade, tecnologia, sociedade de controle e consumo foi feita com base no referencial epistemológico das teorias da comunicação, do conhecimento, da administração e marketing, da sustentabilidade e do consumo. Neste estudo, destacam-se Foucault, Deleuze, Parkin e Kotler. Com essas características, a relevância da pesquisa se centraliza em aprofundar o debate no campo discursivo da política, do social e do consumo sustentável.
ABSTRACT
This Master's Dissertation reflects upon the subject Smart City: sustainable development, control society and the city of the future. In this thematic framework, the object of study is the contemporary scenario of Smart City development. Founded upon theoretical and empirical elements that are assumptions about the aforementioned object, the research proposes a line of argument guided by sociological and technological concepts. In the outline, the concepts of sustainability and technology pertain to proposed actions and mobilization for social engagement and for the political agenda, promoting equitable development. However, some obstacles to contextualizing the Smart City are, for example, the control society, and particularly, regulatory policies. Thus, an ideal society is established based on media visibility about private initiatives promoted by corporations for the equitable advancement of people. Leading the community in a meaningful way presupposes essential interests that raise the social level in the world in the search for a green economy. The counterpart of sustainability is the result of rapacious industrialization, which seeks to satisfy social expectations and, through the media, interferes in the customs and desires in popular culture. Based on these theoretical and practical elements, the research problem consists in the growing human and social evolutionary complexity which points to possible new civil turmoil. This problem concerns the question of how Smart Cities are currently structured and their future development. This research involved the use of combined methods of qualitative and hands-on analysis to discover the directions the Smart City proposes for society and for consumption. The analysis of the corpus of research delves into the current methods of customs as they pertain to interaction with the ecosystem and with man engaged in conscious sustainable development. In addition, the methodological procedures involved a literature review. The thematic link between sustainability, technology, control society and consumption was based on the epistemological framework of theories of communication, knowledge, administration and marketing, sustainability and consumption. Authors that stand out in this study are Foucault, Deleuze, Parkin and Kotler. With these characteristics, the relevance of this research centers on deepening the debate in the discursive field of politics, the social, the current context and sustainable consumption.
Keywords: Society; consumption; policy; control society; sustainable
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Etapas do Evolon... 31
Figura 2: Entendimento do mapa de controle... 45
Figura 3: Pirâmide de Maslow... 47
Figura 4: Entendimento da dinâmica de Walt Disney... 48
Figura 5: Mudança climática... 57
Figura 6: Diagrama de visão de aprendizado – Sara Parkin... 60
Figura 7: Mapa geográfico turístico da cidade de Santander... 62
Figura 8: Cidade de Santander... 63
Figura 9: Igreja de Santander... 64
Figura 10: Entrada do Palácio da Magdalena... 64
Figura 11: Palácio da Magdalena... 65
Figura 12: Banco Santander... 66
Figura 13: App SmartSantander... 67
Figura 14: Função de Realidade Ampliada... 68
Figura 15: Centro da Cidade de Santander... 69
Figura 16: Centro de Pesquisas Telefônica... 70
Figura 17: Centro de Pesquisas Telefônica... 71
Figura 18: Centro de Pesquisas Telefônica... 73
Figura 19: Centro da Cidade de Santander... 74
Figura 20: Centro da Cidade de Santander... 75
Figura 21: Centro de Pesquisas Santander... 76
Figura 22: Centro de Pesquisas Santander... 77
Figura 23: Centro da Cidade Santander... 78
Figura 24: Centro da Cidade Santander... 79
Figura 25: Sistema de tecnologia da cidade de Santander... 80
Figura 26: Ciclo do Desenvolvimento Sustentável... 81
Figura 27: Base de dados - Telefônica e Prefeitura de Santander... 82
Figura 28: Plataforma aberta Fi-Ware... 83
Figura 29: Progressos da cidade... 83
Figura 30: Sistemas disponíveis no SmartSantander... 84
Figura 31: Ciclo do Desafio... 85
Figura 32: Pirâmide do Desenvolvimento... 87
Figura 33: EPICENTRO DA MUDANÇA... 95
Figura 34: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 114
Figura 35: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 115
Figura 36: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 115
Figura 37: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 116
Figura 38: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 116
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Comportamento do consumidor... 46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
APP Aplicativo Móvel
BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul
CMMA Conselho Municipal Meio Ambiente
DS Desenvolvimento Sustentável
EE Economia Ecológica
FUNAI Fundação Nacional do Índio
ONG Organização não-Governamental
ONU Organização das Nações Unidas
PIB Produto Interno Bruto
PPP Parcerias Público- Privado
SMS Short Message Service
TELECOM Telecomunicações
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO... 12
1. ANÁLISE DA ECONOMIA ECOLÓGICA... 18
1.1 Análise sustentável: Economia Ecológica no capitalismo contemporâneo... 18
1.2 Economia e Sustentabilidade, evidenciando o cotidiano... 23
1.3Desenvolvimento Sustentável: o que pode ser?... 26
2. PROCESSOS ATUAIS DE COMUNICAÇÃO E CONSUMO... 36
2.1 Sociedade disciplinar e sociedade de controle da constituição da sociedade ideal... 36
2.2 Sociedade de controle para a sociedade ideal... 42
3. 3. SMART CITY... 51
3.1 Smart City, apresentação... 51
3.2 Smart City – Tudo está conectado: Sociedade, Política, Setor Privado e Meio Ambiente... 53
3.3Administração e liderança na sustentabilidade……… 58
4. SMARTSANTANDER: PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO 61 4.1. Geografia e dados Santander... 61
4.1.1. História de Santander... 63
4.2. Smart City Santander... 66
4.2.1. Projeto SmartSantander... 82
4.3. Estado do ofício, a transformação de dados em sabedoria... 84
4.4.Desafios globais para o Smart City... 87
4.5.Resultados... 90
CONSIDERAÇÕES FINAIS... 93
REFERÊNCIAS... 99
ANEXO I... 108
INTRODUÇÃO
O trabalho espanta os três grandes males: o vício, a
pobreza e o tédio.
Voltaire, Chez A. Houssiaux, (1853, p. 442)
Entende-se por Smart City um projeto de cidade em parceria público-
privada que objetiva a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico. O
conceito de Smart City está disposto em algumas cidades do mundo. No
entanto, esta pesquisa desenvolveu-se no Brasil, com curto estágio em
Santander, na Espanha.
A presente discussão envolve temas semânticos, econômicos,
tecnológicos, sociedade de controle e o conceito de sustentabilidade. Contudo,
o seu limite de propagação e mobilização, seja ele social, político ou privado,
ainda é objeto complexo de definição.
Atrelado aos meios midiáticos se caracteriza como o ponto chave para a
propagação do tema que é legítimo, já que há um limite do ecossistema para o
seu crescimento. De qualquer maneira, o sistema demonstrou, no decorrer das
décadas, fragilidade, no que tange ao acompanhamento do capitalismo, seja
ele por terra, água e ar.
Recursos naturais, antes utilizados como ilimitados, começam, neste
milênio, a ser repensados com relação às suas maneiras de aproveitamento,
além de sua suficiência para suprir desejos e anseios das necessidades
humanas para as gerações atuais e futuras.
O Desenvolvimento Sustentável (DS) foi idealizado a partir de uma ação
capaz de atender às necessidades do presente, sem comprometer os anseios
das futuras gerações quanto ao meio ambiente. Essa nova discussão “otimista”
pertinentes ao assunto, que foram oferecidas por economistas, agentes
internacionais, acadêmicos, ambientalistas, ONGs, políticos e empresários.
A chave para o desenvolvimento sustentável deverá ser conduzida pela
política. Ela é responsável por demonstrar o conhecimento do sistema
capitalista e das economias vigentes que não se interessam em promover
outras formas de vida.
Invariavelmente, os seres humanos creem, por sua vez, na infinita
capacidade inventiva da ciência. Todavia, o que assombra é a possibilidade de
estarmos enganados e não termos como retornar à utilização dos recursos
naturais que poderão ser extintos da Terra.
O desenvolvimento econômico, social e tecnológico, muitas vezes,
caracteriza-se pela obscuridade da população a ser criada, pois não sabemos
onde e o que se pretende fazer com dados que serão gerados na cidade
inteligente. Nesse sentido, poderíamos denominá-la sociedade de controle? A
resposta para essa questão é debatida por cientistas e pesquisadores e, em
torno desse conceito, há autores como Foucault e Deleuze, como, por
exemplo, Vigiar e punir, de Foucault, que descreve a sociedade disciplinar e o
surgimento da sociedade de controle como manipuladora de desejos da vida
cotidiana, visando a geração de valor capitalista e poder. Dessa maneira, o
capitalismo somente se satisfaz e legitima a sua força com base no controle da
sociedade.
Além de livros, Teses e Dissertações, alguns filmes já citam o imaginário
da sociedade de controle, como Minority Report, (COSTA, 2006, p.46). Nesse
universo, os crimes são desvendados antes de ocorrer, modulando-se sempre
com o presente. Nessa ficção, presente e futuro coexistem e articulam
fortemente o imaginário.
Em outros segmentos, como o das redes sociais, observa-se, também, a
vigilância da sociedade. A natureza expositiva das redes, caracterizada pelos
subjetividade em um espaço público denominado Internet. Nesse sentido,
nota-se um tipo de intimidade nota-sem interioridade. As atribuições do usuário são
constituídas desafiando, muitas vezes, os limites de privacidade dos
internautas.
No campo da vigilância, o perfil é menos exposto. O ambiente digital
armazena e captura todos os registros de entrada e saída, compras de seus
usuários e localização geográfica, gerando uma enorme quantidade de dados
robustos e fragmentados.
Foucault1, em diversas passagens de sua obra, descreve que toda
vigilância está ligada a controles, procedimentos e execuções. Não bastando a
vigilância, temos ainda de conhecer o vigiado, ou seja, o indivíduo que gera
informações. Todos esses dados, sobre esses indivíduos, têm a capacidade de
produzir poder para a sociedade de controle, exercendo uma ação direcionada
ao consumo. Esse processo faz com que não se conheça, de fato, o indivíduo,
e sim o seu potencial de consumo, atrelando a ele um perfil performático que o
identifica apenas por um código.
Deleuze, por sua vez, em sua obra, faz referência ao sistema global de
comportamentos, que cria um tipo determinado de evidências. Em função
delas, que tipo de ação deve-se tomar com relação à sociedade atual? Como
pensar a sociedade de controle, em tempos presentes e futuros?
Assim, tratar com radicalismo o contexto contemporâneo requer
ponderações, uma vez que as atividades sobre sustentabilidade, colocadas em
pauta na presente dissertação, são caracterizadas como passos para a
evolução humana e a chave para o desenvolvimento futuro. O aprofundamento
do conhecimento da sustentabilidade e seus negócios gerados, aqui, são
contemplados cuidadosamente.
1Baseado no livro de FOUCAULT, Michel.
O contexto atual retrata características mais aprofundadas dos seres
humanos, proporcionando-lhes “poder” relativo, dado que temos de considerar
que atrás das máquinas sempre existirá o homem. Anseios, desejos,
satisfações o acompanham na sua contemporaneidade, como a Smart City,
conceito descrito na dissertação.
Temos como um dos reflexos da sociedade de controle as novas
tendências introduzidas para tentar satisfazer o homem, que está em constante
busca de mais; fato que ocorre desde tempos passados e alcança a
atualidade.
Nesse sentido, o aprofundamento do tema em questão é de relevância
global, já que um dos alicerces fundamentais discutidos no mundo, na
atualidade, é o desenvolvimento sustentável. Para que haja um engajamento
dessa linha de pensamento, faz-se necessário quebrar paradigmas do
capitalismo de massa e repensar a nossa sociedade.
“Trazer a política ao cerne desse problema é fundamental”. De fato,
diante de qualquer “intempérie da natureza”, as necessidades humanas
básicas podem sofrer interferências e, assim, passaremos pela “síndrome do
juízo final” (MADDOX, 1974, p. 113).
Logo, o que inquieta é a falta de “conhecimento” da gestão
governamental, privada e social, porque esses segmentos não promovem, na
mesma direção, ações articuladas em benefício de uma economia verde.
O princípio fundamental para o desenvolvimento sustentável deve
passar pela educação, almejando o discernimento necessário para a busca de
soluções embrionárias que desafiem a comunidade a repensar o mundo em
que vive, além de engajar-se em uma sociedade sustentável.
Desse modo, projetos como o da Smart City são concebidos como uma
das soluções imediatas para desenvolver pontos estratégicos em metrópoles e
O projeto Smart City visa a interação com a sociedade civil, o setor
privado e os governos. Suas parcerias têm apoio dos mais diversos setores
privados, como a Telecom, o TI e o Startups. Além disso, o Terceiro setor
reforça sua parceria em comunidades com a multiplicação do conhecimento,
suprindo-se de informações e pesquisas relativas ao tema.
Um dos projetos vigentes e de maior notoriedade é o SmartSantander,
proveniente de uma parceria público-privada que tem grande sinergia com a
comunidade. Sua plataforma aberta busca propagar, com maior velocidade,
informações e conhecimentos, a fim de promover bem-estar social para a
comunidade.
Essa plataforma, hoje em dia, disponibiliza novos empregos em novas
áreas do saber. A economia verde, por exemplo, é fruto de redução do
consumo elétrico da gestão pública, que gera um superávit aos cofres públicos.
As cidades que se utilizam desse novo conceito urbano ganham em
cidadania, notoriedade, visibilidade internacional, turismo, meio ambiente e
vida inteligente. Mais moradores aderem ao sistema, uma vez que o mesmo
proporciona, em sua aplicação, soluções mais eficazes ao habitante, seja
quanto à mobilidade urbana, à reciclagem, às atrações culturais ou à realidade
aumentada.
No entanto, seu valor de investimento versus retorno ainda não é
mensurável, na medida em que esse projeto trata de satisfazer as
necessidades humanas vigentes, sem comprometer as carências futuras.
O resultado surpreende quando é visto pela ótica da economia
ecológica, já que transforma bens que não teriam mais valor agregado na
antiga economia, a um novo patamar, estimulando, assim, o desenvolvimento
igualitário.
Décadas se passaram para que a causa da sustentabilidade fosse
contribuir, de maneira eficaz, para responder algumas questões relativas ao
tema, uma vez que projetos como o Smart City podem colaborar com um modo
de vida diferente, que está relacionado diretamente com a nossa existência,
1. ANÁLISE DA ECONOMIA ECOLÓGICA
1.1 Análise sustentável: economia ecológica no capitalismo
contemporâneo
Compreender é o começo da aprovação. Baruch Spinoza (2003, p. 94).
A Economia Ecológica (EE) reconhece a existência de uma
“incomensurabilidade lógica entre aspectos econômicos e ambientais”, o que
obriga a buscar-se um “novo paradigma científico”. (MUNDA, 1997, p. 20),
estabelecendo uma relação subordinada à conexão geral do meio ambiente e
da economia.
Essa “subordinação” sobrepõe o Estado, que ocupa um papel de gestor
passivo das atividades capitalistas, e que, em suma, é onipresente, mas se
configura como mero coadjuvante dos novos caminhos e propostas que podem
apontar para novas sociedades.
As nuances governamentais, na sociedade atual, conferem significativas
expressões com o decorrer do tempo, no que tange à sustentabilidade. Assim,
somente o Estado pode flexionar ou inclinar uma comunidade, para que haja
avanços com relação ao tema.
A EE defende que o crescimento econômico de um Estado passe por
ela. Ocupa uma posição de desenvolvimento social, antes de uma possível
ruptura ambiental, que gera a escassez dos recursos naturais. O contrassenso
desta afirmação é o crescimento nulo da economia, tendo em vista que o
consumo é proveniente do usufruto da produção, através de recursos naturais,
A economia ecológica vai além das nossas concepções, em relação a
outros campos de estudos; desenvolve-se, embrionariamente, em diversos
locais, seja no setor público ou privado, na Europa ou na Ásia. Sua ciência vem
sendo desvendada como forma de quebrar paradigmas entre economia
ecológica e economia global. Ideias sobre ecologia emergiram como forma
holística de integrar sistemas vivos, como a natureza.
Desse modo, a economia ecológica vem para se integrar à economia
geral, ainda que tardiamente. Nesse sentido, o Estado vislumbra nela
importante oportunidade de renovar a gestão pública, que diminui a sua
percepção social de passividade sustentável. O setor privado tem por escopo,
oportunidade de novos negócios e parcerias, que parte de uma nova
tendência: compra de títulos de crédito de carbono; novas filosofias culturais
ambientais, em relação à comunidade, governos, acionistas e consumidores.
Essa última visão é a vilã do negócio, dado que o consumo é o alicerce do
capitalismo e, nele, a empresa deve, de forma midiática, preservar sua
imagem, a fim de construir sua reputação social vigente, e agora sustentável.
Muitas empresas derrapam na tentativa de se integrar ao conceito de
responsabilidade sustentável, haja vista que é uma nova dinâmica do mercado
para garimpar novos consumidores e ter colaboradores mais engajados.
Alguns autores da economia contemporânea propõem a quebra do
“paradigma ecológico”, que é evidenciada como uma nova possibilidade de
sustentabilidade, com a finalidade de introduzir um outro tipo de economia.
Nesse sentido, é importante que ela não seja refém dos atuais grandes capitais
econômicos e da ascensão de estados, e com eles, novos blocos econômicos
como o BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O arcabouço disponível para enfrentar a adversidade econômica vem da
possibilidade de melhor condução dos problemas ambientais, ou seja, formas
de debater o atual momento e, além disso, repensar para onde queremos nos
estudos e hipóteses sejam levantados, além de ações embrionárias e, às
vezes, midiáticas, sejam implementadas.
Assim, é sintomático que academias e autores venham discutir o
assunto, que ganha notória evidência na construção do discurso ambiental em
torno de sistemas e cidades planejadas. Tentar subverter esse discurso, o
âmago central da questão, é uma forma de regressão econômica ecológica,
podendo-se dizer que o assunto é substancial para a prosperidade e o
desenvolvimento sustentável.
O princípio 80-20 da Teoria de Pareto2 está interligado a esse momento;
e mesmo que a sustentabilidade seja consistente, surgem interferências que
asseguram uma tendência mais expressiva em economias mais sólidas que
em economias mais frágeis (de países em desenvolvimento). Sendo assim,
“20% das políticas distributivas são mais eficazes que 80% das políticas
convencionais para alcançar a sustentabilidade” (SWANEY, 1992, p.77). Desse
modo, Swaney enuncia que:
Os conservadores defensores do livre mercado [...] afirmam que o governo deveria agir somente para estabelecer (e impor) as reivindicações da propriedade privada. Uma vez que a propriedade privada eficiente é estabelecida, argumentam que o livre jogo das forças de mercado irá alocar os recursos em seu uso de mais alto valor. Se o mundo nunca mudasse, esta alocação poderia ser possível, apesar daqueles sem propriedade poderem objetar. Mas o nosso conhecimento constante expande, assim como nosso impacto sobre o ecossistema, e a nossa noção de valor muda ao longo do percurso. Inevitavelmente, será necessário mudar as regras. (SWANEY, 1992, p. 96).
A questão governamental sustentável não tem fim, devido às suas
constantes modificações temporais, sejam elas tecnológicas, culturais ou
ambientais. O Estado, muitas vezes, responde às iniciativas privadas como
forma de estabelecer novos mercados de consumo. De fato, isso causa
preocupação, na medida em que ele trata de garantir os desejos dos
reivindicadores, não assegurando o direito de propriedade.
A conduta da política pública deve caminhar juntamente com a questão
ambiental, levando sustentabilidade à cidade, à economia e à sociedade
contemporânea. A finalidade é propiciar um desenvolvimento sustentável, o
que efetivará junções entre o debate acadêmico-científico e os problemas da
nova sociedade ascendente. Dessa forma, abrir-se-á uma visão tecnocrática
dos problemas ambientais. Contudo, as forças que irão regular os sistemas
não estão preparadas para esse novo cenário. Essas são questões que ainda
necessitam de um amplo debate. Nessa esteira, Beckerman assegura que:
[...] uma definição de se um caminho de desenvolvimento particular é tecnicamente sustentável é não carregar qualquer força moral especial. A definição de uma linha reta não implica que haja qualquer virtude moral particular em andar sempre em linha reta. Mas a maioria das definições de desenvolvimento sustentável no mercado tenta incorporar alguma injunção ética em qualquer aparente reconhecimento das necessidades de demonstrar por que aquela injunção ética vascular seria melhor que muitos outros que se pode imaginar. (BECKERMAN, 1994, p. 192).
Assim, pode-se afirmar que a sociedade contemporânea sustentável
não existe, já que não há nenhum movimento em sua direção que busque
realmente engajá-la em aspectos que norteiam o sistema. Logo, se o governo
não mantém programas efetivos de educação para sua sociedade, a mesma
não se compromete com o desenvolvimento sustentável3. Há, nesse sentido,
falta de interesse no que tange à educação sustentável da sociedade, por parte
do governo, incluindo, também, as empresas que almejam o lucro, antes
mesmo da vida sustentável. Observa-se que os interesses privados estão em
primeiro plano e a sustentabilidade não pode esbarrar no capital e nos grandes
negócios. A concepção de sustentabilidade, desse modo, pode ser entendida
3
Não se pretende aqui tratar a fundo aspectos educacionais das instituições privadas e públicas. Muito menos discutir ações estruturais de mobilidade e sanitária. Trata-se apenas do
como fraca perante o consumo, mas, ainda assim, ela ocupa o seu lugar,
porque é imprescindível para se ter acesso ao desempenho econômico.
O mainstream da análise sustentável passa pelo instrumento teórico,
pela pauta política, pelo investimento privado (economia) e engajamento social.
O novo paradigma coletivo é estabelecido pela coesão dos setores, na direção
do desenvolvimento sustentável. Essa prática alcança debates políticos,
sociais e econômicos, já que os interesses dessas três classes, hoje em dia,
são difusos.
A primazia do desenvolvimento sustentável coloca em questão a
economia ambiental que caminha lado a lado com a ciência e a tecnologia,
além de dar suporte ao capitalismo. A precaução se efetiva quanto ao custo de
mudança de comportamento, alteração de políticas públicas que possam
causar transtornos complexos no sistema das cidades. Todavia, a busca pelo
desenvolvimento sustentável traz benefícios, por se tratar de “ação antecipada
e custos da irreversibilidade” (O’RIORDAN, 1995, p. 234).
1.2. Economia e sustentabilidade, evidenciando o cotidiano
“A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como
sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.”
Immanuel Kant,1827, p. 90 apud Christian Hamm.
“Desenvolver-se sustentavelmente (DS) é o que os governos vêm
buscando, porém, do ponto de vista econômico, necessita-se,
fundamentalmente, de uma atitude ética, o que implica em gerir recursos
ambientais, promovendo o seu melhor uso” (CAVALCANTI, 1999). Tal prática,
efetivada de maneira ética, está diretamente ligada à humanidade e à
perpetuação de sua vida na Terra, seja ela animal, vegetal ou mineral.
O uso sustentável tem como princípio a preservação da economia
neoclássica. Contudo, o problema do desenvolvimento sustentável deve
apresentar o real significado de uso renovável e de suas condições
necessárias de existência. Em resumo, define-se esse campo, através da
racionalidade de maximização das utilidades individuais, que resulta no uso
eficiente dos recursos e, por fim, em estabilização sustentável.
A apresentação ambiental é desenvolvida por meio de duas chaves: a
economia de poluição, impulsionada pelo capitalismo; e a economia dos
recursos naturais; nas quais se almejam gerar novos negócios, com o respaldo
ambiental. Assim, essa discussão abre o debate para os valores ambientais
praticados e para a reflexão dos mesmos.
Partindo do princípio de que a problemática ambiental deve-se à
economia da poluição e à economia dos recursos naturais, o processo
produtivo de transformação se desdobra em: 1. Outputs e 2. Inputs.
2. Inputs: para a economia dos recursos naturais adentrarem no processo de transformação, uma matéria-prima ou um outro produto deverá ser terminado, e agora, será transformado novamente. Nesse sentido: “O sistema recebe entradas (inputs) ou insumos para poder operar. A entrada de um
sistema é tudo que o sistema importa ou recebe de seu mundo exterior”.
(CHIAVENATO,2011, p. 418).
Concorda-se com o autor citado, uma vez que a economia de poluição
é aquela que nos proporciona bem-estar, posto que gera benefícios privados e
sociais. Benefícios sobre os quais os indivíduos podem gerar custos e
resultados proveitosos a terceiros, especificamente, ao setor empresarial.
Essa economia da poluição é definida como ambiente público, que viola
as condições marginais, não monetárias, da utilidade ou produção de um
indivíduo para satisfazer seu bem-estar.
O agente privado poluidor, devido às funções de produção, que se
materializa no consumo, se utiliza do caráter de bem público dos recursos
naturais. Em outras palavras, o consumo dita as regras, a indústria produz, o
meio ambiente dispõe dos recursos para a produção. Os custos privados e os
custos sociais ocupam um lugar superior na escala do uso sustentável,
tornando-se ineficientes, caso sejam mal executados.
A problemática ambiental parte da questão da sustentabilidade, dos
problemas com a poluição e dos agentes públicos. Dizem-se públicos, visto
que não existe um órgão específico para reclamações e que seja
regulamentador, o que acarreta um dano com custos sociais, por exemplo.
Desse modo, não importa se identificamos o poluidor, uma vez que não há
como autuá-lo. Sendo assim, o que se observa é que devemos ter práticas
sustentáveis como hábito de nossas vidas, uma vez que, pelo menos um
segmento será beneficiado. No Brasil, é muito comum que leis sejam criadas,
cotidiano, elas tendem a não ser cumpridas porque são leis sem planejamento
e sem conhecimento do cenário atual.
Nesse sentido, indaga-se: será que a questão fundamental, quanto a
esse debate, pode ser caracterizada pelos custos de valoração e benefícios
ambientais que a sustentabilidade pode trazer? “Na economia neoclássica, os
atributos ambientais são tipificados pelos indivíduos, já que eles representam a
geração atual e não possuem conhecimento suficiente para planejar o futuro”
(CAVALCANTI, 1999).
Recentemente, vimos, no Brasil, plataformas sustentáveis sendo
implantadas na mobilidade urbana, nas construções, no saneamento, na
reciclagem e no setor privado. Contudo, tais medidas não bastam, o
fundamental é educar e planejar o futuro. “O papel do Estado, enfim, deveria
ser mais amplo, envolvendo toda a cadeia reguladora para o entendimento de
que, uma vez educada sobre a causa ambiental, a questão da utilização dos
recursos naturais passa a ser um clamor geral e cotidiano” (CAVALCANTI,
1999).
As interligações entre governo, sociedade, tecnologia e política geram
uma sinergia entre as responsabilidades de cada setor quanto às suas
gerações, uma vez que: a biodiversidade está cada vez mais reduzida; o
crescimento populacional afeta os novos hábitos de consumo; o homem
contribui, cada vez mais, com a degradação do meio ambiente; a alimentação,
em longo prazo, se torna precária, já que o ecossistema é degradado pelos
novos meios de produção e traz impactos irreversíveis.
Há a busca pelo consumo de energia limpa de fontes renováveis que se
apoia nas novas tecnologias; aumento da produção industrial em países
subdesenvolvidos, gerando, assim, transações unilaterais de divisas
financeiras, crescimento de conhecimento e especialização.
A disseminação dos grandes centros e o controle da urbanização, a
cultivo da fauna e da flora, são fatores que estão intrinsicamente ligados à
urbanização e ao capitalismo. Assim, os países desenvolvidos devem
sancionar leis e deveres para a sustentabilidade do mundo.
Para a economia, os recursos naturais não geram dividendos enquanto
estão no solo. Com o aumento progressivo da escassez de um recurso, ocorre
o aumento do preço, o que influência na regulação da oferta e da demanda de
produtos.
A economia por recursos naturais deve ser destacada pela discussão de
sua utilização social que afeta a sustentabilidade e as gerações futuras.
Decisões míopes, que podem afetar um mercado futuro, promovem uma
insuficiência/inexistência de conhecimento e informação do presente e do
futuro.
Muitas questões pairam sobre a “economia e a sustentabilidade,
chamando a atenção para os recursos naturais que se converteram em fontes
de negócios” (CAVALCANTI, 1999). Contudo, a discussão mais emblemática
da sociedade atual se direciona para uma fusão entre a economia da poluição
e a economia dos recursos naturais no cotidiano.
1.3. Desenvolvimento Sustentável: o que pode ser?
Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um
passatempo. Mas uma visão com ação pode mudar o mundo.
Joel Barker (1993, p. 44)
Para explicar o desenvolvimento sustentável, necessita-se de uma
ampla investigação. O seu sentido categórico é deveras obscuro. Há algumas
definições sobre esse conceito do ponto de vista de alguns segmentos da
sociedade, tais como: Terceiro Setor; Governo; Sistema capitalista e
Terceiro Setor:
A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental4.
O Terceiro Setor afirma como definição assertiva, sobre o tema, a
harmonização do desenvolvimento econômico e a conservação ambiental, mas
ambos os meios não são sinérgicos, dado que possuem interesses
demasiadamente convergentes.
Governo Federal brasileiro:
Os ministros Miriam Belchior (Planejamento, Orçamento e Gestão) e Edison Lobão (Minas e Energia) anunciam nesta quarta-feira (1/6), às 11 horas, no Salão Oeste do Palácio do Planalto, três ações simultâneas de cidadania na região do Xingu, no Pará. São elas: lançamento da Operação Cidadania Xingu; abertura de uma Casa de Governo e implantação do Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu. (DECRETO DE LEI, em 13 de julho de 2006).
“O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da região com a
participação da população na gestão das atividades” (MINISTÉRIO DO
PLANEJAMENTO5, 2011). Segundo fontes do Palácio do Planalto: “As ações
buscam potencializar os benefícios gerados pela construção da Usina
4
WWF. Disponível em:
<http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/
>. Acesso em: 10 abr. 2015. 5
Ministério do Planejamento. Disponível em:
Hidrelétrica de Belo Monte e reduzir os impactos de natureza social e
ambiental na região do Xingu”6.
O que chama atenção, para os ministros, é o envolvimento de diversos
ministérios, menos o criado para esse assunto, o Ministério do Meio Ambiente
(MMA). Raro também é caso de Belo Monte, não pelo embate que envolve o
tema, mas pela forma com que o governo promove a sustentabilidade,
transpondo sua responsabilidade apenas para a sociedade. Nesse sentido,
quais são os interesses governamentais para o desenvolvimento sustentável?
Onde está a responsabilidade ambiental das empresas envolvidas? Por que
essas empresas nunca se engajam na promoção da educação para esse
povoado?
No site do MMA, também não se encontram informações para um
planejamento efetivo do desenvolvimento sustentável. O que se observa é um
extenso Decreto, de 27 de dezembro de 2004, assinado pelo então presidente
em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, para reger a Comissão Nacional de
Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais (Veja-se o Anexo
I).
Sistema capitalista:
O dogma da teoria econômica atual exige o crescimento econômico a
qualquer custo. Assim, tomando a China como base, que cresceu próximo a
8% ao ano e é geradora da segunda maior riqueza do mundo, com atividades
que exploram seu povo com salários baixos, com a falta de preservação do
meio ambiente local, além de ser o maior emitente de gás carbônico na
atmosfera.
6 Palácio do Planalto – Presidência da República. Disponível em:
< http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-o-planalto/releases/governo-federal-lanca-plano-para-o-desenvolvimento-sustentavel-do-xingu. Acesso em: 10 abr. 2015.
Desse modo, o nosso setor privado é caracterizado nestes termos:
crescimento contínuo num planeta finito; extração de minérios, petróleo, gás,
ultrapassando os limites biofísicos; modificações dos ciclos naturais da terra,
estações; destruição do ecossistema e modificação genética de plantas e seres
animais, para minimizar o impacto causado pelo crescimento.
Sociedade:
Para ela, destina-se o papel fundamental de conscientizar e trabalhar
em prol do meio ambiente. Por sua vez, as pátrias educadoras não
desenvolvem medidas educacionais para a população e ainda cobram seu
engajamento.
A sociedade é oprimida pelas más condutas políticas direcionadas a ela,
isto é, não são dirigidas a ela, as realizações de anseios sociais sustentáveis7.
Em contrapartida, o setor privado carece de gestão pública atuante, que
também discipline, fiscalize e cobre sua atuação.
Claramente, os principais fatores apontam que a civilização atual é
insustentável a médio e longo prazo. Cientistas, que estudam o meio ambiente,
descrevem um possível colapso futuro, ainda maior do que o existente.
No conceito de Evolon, apresentado por Mende (1981, p. 199), já se
descrevia a crise evolutiva em uma estrutura que poderia se dissipar, pois sua
organização seria rompida e o sistema começaria a se auto-organizar em outro
estágio. Crises desse tipo são encontradas na química, física, biologia (meio
ambiente), e no ser humano.
As etapas de Evolon ficam evidentes para o nosso cotidiano, pois no
passado, o planeta mostrou que era finito (rompimento); ficou doente,
descongelou e aqueceu, além disso, sua biodiversidade mudou (fase latente);
houve hipóteses para alcançar soluções. Assim, se elaborou a RIO-92 (RUMO
7Sistema de reciclagem, economia sustentável, política que participam além de ações
SUSTENTÁVEL), foram feitos títulos de crédito de carbono (fase do
crescimento); foram movimentados recursos, políticas, sistemas tecnológicos,
um gargalo para a solução (fase de transição).
No contexto atual, acredita-se que estamos na fase de transição de
Evolon, abdução do conhecimento, que é novo, pouco familiar e extremamente
complexo, já que a educação ofertada, quanto a esse tema, concebia que os
recursos eram infinitos, voltados para produções em séries, economias de
massas e políticas populistas.
Caminhamos para a maturação sem um planejamento, sem que haja
uma forma. Em biologia, denomina-se “estratégia K” (intensiva), trabalha com
qualidade, fase de acabamento (refinação, sofisticação), por exemplo, o
homem cria a sustentabilidade, vendo-a ascender no mundo.
A sexta etapa é o clímax. É a “fase que emerge para o topo, em outras
palavras, há uma crise de superação, fornece sinergia aos meios”
(PRIGOGINE, 1976, p. 93). Tratando disso, o mundo está distante, uma vez
que, observando a natureza, vemos buracos negros – “caos”, pois a
descontinuidade e súbitas mudanças qualitativas no ecossistema se
caracterizam como irreversíveis. Desse modo, Arnold enuncia que:
“Catástrofes são mudanças súbitas e violentas, representando respostas
descontínuas de sistemas com variações suaves nas condições externas”.
(ARNOLD, 1989, p. 19).
A sétima etapa será a do novo rompimento. “Nascemos, crescemos,
conhecemos, destruímos, tentamos nos recuperar e morremos”(PRIGOGINE,
1976, p. 93). A melhor forma de compreensão é que se começa tudo
novamente, porém, se isso não ocorrer, não existiremos mais. Neste momento,
as crises humanas são muito mais complexas.
A proposta do “Evolon traz o passo unitário da evolução, isso significa
que todo o sistema passa por essa evolução e sua complexidade evolutiva
Figura 1: Etapas do Evolon
Fonte: Diagrama do autor, com utilização de imagem do Google.
Deve-se levar em conta a quebra de paradigmas referentes à
sustentabilidade, os quais emergem de princípios que possibilitam a
construção de uma nova sociedade que vislumbrará um desenvolvimento
social harmônico.
A utopia do desenvolvimento sustentável é relacionada com o modo de
se evitar uma catástrofe, inventando meios tecnológicos que propiciem
esquivar-se de um descarrilamento sintomático. Esse conceito é evidenciado
no texto da CMMA: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende, às
vezes, às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as
gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (CMMA, 1988, p.
46).
O aspecto conceitual, quanto à natureza, subverte a ordem natural,
extrapolando limites e ações para atender ao mercado. O entendimento das
palavras “subverter” e “extrapolar” converge com a cultura de valor que o
desenvolvimento somente será sustentável na medida em que se sustentar por
A nova cultura é contraditória, uma vez que se caracteriza como algo
inibitório ao crescimento econômico, que renuncia ao processo de progresso e
prosperidade social entre os seres.
A ideia de desenvolvimento sustentável é a concepção de que a
civilização não seja extinta. “A discussão trava-se, no ímpeto civilizatório, do
homem desenvolvido” (CAVALCANTI, 2001), que busca ser maior do que a
natureza. É natural que o homem empreenda, descubra, conquiste e invente,
contudo, devastar a natureza, para o seu consumo, pode ter um efeito
contrário.
Todavia, vimos como a economia apresenta marcas estruturais,
limitando-se a uma discussão do desenvolvimento sustentável. A problemática
ambiental para este século torna-se importante para a construção de novas
teorias econômicas que, ultimamente, são voltadas para o individualismo e
utilitarismo. Assim, há de surgir “o advento de um mundo em que os homens,
gozem [...] da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade”
(TRINIDADE 1991, p. 74).
Os valores econômicos, de preferências individuais, revelam a relação
de escassez dos respectivos bens agregados ao valor de produção, alterando
o seu valor e, desse modo, provocando uma crise.
Como a problemática ambiental é muito comum neste século, é de bom
alvitre observar que os equívocos e as preferências são formados em
decorrência da sociocultura, política, economia e da tecnologia que nos
rodeiam. Daí, surgindo novos hábitos de consumo. Assim como no
pensamento de Goethe:
Podemos criar uma concepção mental de que o desenvolvimento
sustentável é composto por aspectos e componentes que não correspondem à
realidade presente. O movimento social, criado em torno da sustentabilidade, é
algo histórico, mapeado por ONGs, pela ONU, governos e empresas, mas
tampouco ganha a devida eficácia.
O desenvolvimento sustentável desafia uma nova geração, quanto aos
aspectos normativos e de seu funcionamento na sociedade, problemas que
conduzem a um movimento de proteção ambiental.
O desenvolvimento sustentável sempre envolve uma retórica e afirmação. Nós podemos ter tudo isso: crescimento econômico, conversação ambiental, justiça social; e não apenas neste momento, mas perpetuamente. Nenhuma mudança dolorosa é necessária. Essa retórica afirmativa está longe das imagens de catástrofe, redenção encontrada no sobreviventismo, ou nas histórias de terror adoradas pelos racionalistas econômicos. Os defensores do desenvolvimento sustentável preferem enfatizar as histórias locais de sucesso da sustentabilidade do quer ficar reprisando buscar casos de insustentabilidade. (DRYZEK, 2005, p. 157).
Desse modo, Dryzek caracteriza o desenvolvimento sustentável como
utopia.
O modelo de desenvolvimento é questionável e, por muitos, é tratado
como insustentável a médio e longo prazo. Nesse sentido, indaga-se: é
possível que as transformações tragam mudanças? É possível que haja um
novo direcionamento multissetorial e global competente para mudar os
principais eixos civilizatórios da sociedade atual?
A crise do ecossistema evidencia a vida de uma civilização artificial, que
é bipolar. O humano é pertencente ao planeta terra. Já o mundo, apresenta
ecossistemas integrados, ao contrário da realidade que é composta de
sistemas culturais, políticos, sociais e naturais, gerando alto grau de
desintegração. O mundo acaba não sendo capaz de interferir no principio ativo
da civilização e, portanto, é inevitável que haja, nestes tempos, uma dualidade
O planeta age sobre nós e nós agimos sobre ele, por meio dessa
abertura cerebral. A natureza lida com aberturas e fechamentos, de acordo
com as circunstâncias, relacionadas a uma adaptação evolutiva8.
Assim: “O sistema aberto troca energia e matéria, biologicamente,
permutando informação entre os meios. Nessa questão, a natureza é livre para
fazer entropia em um corpo vivo” (VIEIRA, 2008, p. 35), visto que este está
aberto para relacionar-se com o ambiente.
No século XX, o físico russo Lev Landau afirmou que:
Admita o universo isolado, mas em observações atuais dizem que ele está expandindo. A teoria não é capaz de dizer, se ele expande, aonde? E para ele poder expandir, ele gasta energia interna dele. A expansão é um trabalho e o trabalho demanda energia, e, para essa expansão ocorrer essa energia deve ser sugada de dentro para fora. (LANDAU, 1922).
Na teoria geral dos sistemas, a ontologia pode vir a esclarecer os
“conceitos de auto-organização e de complexidade” (VIEIRA, 2008, p. 31). Nas
últimas décadas, observa-se o desenvolvimento de ideias para construir
processos de práticas sustentáveis para o nosso atual estágio humano, mas
sem entender “a capacidade de o homem realizar entropia com seu meio social
– por trás de cada objetoexiste uma complexidade e é nela que devemos nos
focar” (Ibid, p. 35), para uma formação de cultura e desenvolvimento.
O ecossistema exprime, então, uma tendência vital e orgânica de caráter
defensivo, consequência de sua alta entropia com a civilização, que consiste
em desenvolver a humanidade e integrá-la.
A sustentabilidade pressupõe9 um quadro temporal contemporâneo, no
qual estamos inseridos, ou seja, que tudo, fatalmente, sucumbirá à sua
8 Neste caso, parece que o isolamento não existe. E sob este conceito surge um raciocínio
interessante: O universo é tudo que existe, se o universo é tudo que existe, não pode haver nada fora do tudo. Se não há nada fora do tudo, não há ambiente para tudo. Então o universo
deve ser um sistema isolado (VIEIRA, 2000).
9
degradação, sendo assim, não renovável. Do mesmo modo que vemos
conceitos de Cidades Sustentáveis nascendo, do ponto de vista administrativo,
(os quais são altamente eficazes e necessários para o desenvolvimento
sustentável), será que, sociologicamente, está se traçando um paralelo
evidenciando que tipo de sociedade haverá no futuro?
[...] o fator básico para determinar se um recurso é renovável ou não, a partir de uma dada perspectiva temporal, é justamente a diferença entre a velocidade do seu consumo e a velocidade da sua formação, ou seja: horizontes temporais. (STAHEL, 2001, p. 115).
Talvez a sociedade que se almeja seja generalista, entendendo-se que
a mesma visa buscar a satisfação das presentes necessidades humanas,
procurando atendê-las, sem comprometer e reduzir a capacidade de gerações
futuras e suas necessidades, mantendo o meio ambiente preservado para
novas gerações.
capitalista, gerando um esgotamento de recursos. Existe a busca de uma transição do biológico, para uma semiosfera nãolinear em sistemas vivos afastados do equilíbrio. Há também uma termodinâmica, um estudo e transformação da energia, existe uma termodinâmica nos sistemas abertos e abastados do equilíbrio, é a sutileza de estrutura e simpatia. Não basta que o sistema seja termodinamicamente aberto, ou seja, tem de estar abastado do equilíbrio. Normalmente, quando o sistema é afastado do equilíbrio, ele tende a romper, tende a ser extinto, mas a vida é uma estratégia sistêmica tal, que este afastamento do equilíbrio induz à auto-organização, ou seja, todo o sistema deve ter um conteúdo de desorganização, conteúdo de entropia, para quando ele for atirado numa crise, se afastar do equilíbrio, para que possa recuperar o equilíbrio, se equilibrando de novo pela construção de um novo nível de organização, usando as regras de entropia que tinha para gerar ou ver a organização e a auto-organização. A ideia é que a organização não entre em choque com a entropia, (MENDE,1981). Em outras palavras, no nosso caso, o sistema da terra é um sistema bastante organizado, com um processo de auto-organização em forma de vida e se alimentado deste sistema, ele tem uma queda de entropia local, devido à grande relação de entropia do sol. Quem está pagando a conta da entropia para nós é o sol (MENDE, 1981).
2. PROCESSOS ATUAIS DE COMUNICAÇÃO E CONSUMO
2.1 Sociedade disciplinar e sociedade de controle: a constituição da
sociedade ideal
Não me pergunte quem sou e não
me diga para permanecer o mesmo.
Michel Foucault (1995, p. 20)
O presente capítulo não abre margens para as discussões sobre a
concordância dos conceitos da sociedade disciplinar e da sociedade de
controle para o atual sistema da Smart City10. O que importa aqui é o contexto
das novas gerações da sociedade de controle, das décadas de 80 e 90, para o
presente momento (2015), que foi defendido com criticismo por Foucault e
Deleuze.
Nesse sentido, Foucault citou as sociedades disciplinares, dos séculos
XVIII e XIX, que eram grandes meios de confinamento, regulados para educar
a sociedade, como forma de coibir roubos, crimes e assassinatos. Tinham
como meta o cumprimento de sentenças com suplícios, em que era gerado um
espetáculo se elimina o homem, mas é também o domínio sobre o corpo que
se extingue.
Só posso esperar que não esteja longe o tempo em que as forças, o pelourinho, o patíbulo, o chicote, a rota, serão considerados, na história dos suplícios, com as marcas da barbárie dos séculos e dos países e com as provas dar fraca influência da razão e da religião sobre o espírito humano. (RUSH, 1787 apud FOUCAULT, 2014, p. 15).
10
Há diversas traduções para o conceito de Smart City, mas considera-se a ideia de que a
cidade inteligente é composta de negociações, que tem o caráter de estabelecer parcerias público-privadas, como forma de contribuição para a erradicação das distorções ambientais, constituídas durante esses anos, nos quais houve a falta do Estado e do setor privado,
Atos punitivos eram deferidos para os crimes, como forma de obter-se
uma sociedade disciplinar. Essa ferrenha “justiça do crime” (FOUCAULT, 2014,
p. 15) buscava legitimar seu poder através de penas mortais. Atualmente,
ainda evocamos tais penais letais, quando a punição se julga com a
descontinuidade da vida, uma cena que, com inteira justiça, é preciso proibir.
Com o decorrer dos séculos, houve um afrouxamento da severidade
penal, vista com menos sofrimento e mais respeito à humanidade. De acordo
com Mably (1789 apud FOUCAULT 2014, p. 21): “Que o castigo, se assim
posso exprimir fira mais a alma do que o corpo”. Assim: “Com o tempo, a pena
foi se tornando um setor autônomo, em que um mecanismo administrativo
desonera a justiça, que se livra desse secreto mal-estar por um enterramento
burocrático da pena” (FOUCAULT, 2014, p.15). A justiça, agora, começa a se
ater à nova realidade, realidade incorpórea.
Em 1990, o filósofo Gilles Deleuze, seguindo as análises de Foucault,
percebe um enclausuramento da sociedade disciplinar que vai além dos meios
fechados, a saber: prisão, hospital, fábrica, escola, família, uma crise
generalizada de todos os meios de confinamento.
Deleuze, no seu contexto intelectual, nos auxilia na transição da
sociedade disciplinar para a sociedade de controle, e Foucault previu esse
processo como um futuro próximo, corroborado no “governo de si e dos
outros”. O governo precisa disseminar formas e coisas para introduzir uma
prática ou conduta, no entanto, como afirma Costa (2013): “Não se pode falar
qualquer coisa em qualquer época”, já que a afirmação de Foucault descrita,
em 1984, abarcava o contexto da época.
O autor traz a individualização como o caminho de exercício do poder
individual. De acordo com ele, os conceitos que organizam as formas
convencionais de pensar o poder não podem contê-lo na sociedade civil. O
termo prisão é igual à tecnologia de poder social, porém, mais generalizada. O
poder não impõe restrições ao cidadão, mas determina o quanto o indivíduo é
por ele mesmo, gerando um súbito poder, sobre operações e informações
incontroláveis. A chave da mudança está na troca do “por que” para o “como”,
diminuindo, dessa maneira, a causalidade, e dando-nos condições de nos
abstermos dos problemas indigestos como os causados pelo Estado.
Por sua vez, Foucault propõe que os indivíduos julguem e avaliem a si
mesmos e suas vidas, buscando dominar, guiar, controlar, salvar ou aprimorar
a si mesmos. Dessa tentativa de aprimorar a si mesmos, renasce a ideia que
tende a aprimorar o conceito de sociedade de controle.
Deleuze (1992), por exemplo, observou e situou uma “crise dos
dispositivos do poder disciplinar, algo facultativo, com aprimoramento
tecnológico, ocorrido no final do século 20 e começo do século 21”. Surgiram
aparelhos e mecanismos de poder que não necessitavam mais do corpo em
instituições fechadas. Houve um avanço tecnológico que tende a manipular,
controlar espaços abertos, de forma ilimitada 24x7 (24 horas). Deleuze
ressaltou ainda que o surgimento das novas tecnologias fez sucumbir os
dispositivos disciplinares, provocando o seu declínio completo e absoluto,
extinguindo, assim, o poder adquirido pelas formas disciplinares.
De uma maneira ou de outra, o dispositivo de poder disciplinar e de
controle se conectam, estabelecendo, assim, uma nova forma de poder, que
extrai práticas disciplinares para instalar o controle absoluto. Em outras
palavras, segundo Deleuze (1992, p. 216): “[...] estamos entrando nas
sociedades de controle que funcionam não mais por confinamentos, mas por
controle contínuo e comunicação instantânea”. Logo, observa-se uma nova
sequência do tempo passado, quanto aos aspectos disciplinares, em direção à
atual sociedade de controle. Deleuze assegura que através do controle
contínuo e da comunicação instantânea, pode-se compreender que esse
desenvolvimento passa a competir com o poder que se possui, de maneira
mais contundente, de modo a suplantá-lo, gradativamente. Na análise do
pensamento de Michael Foucault, em Vigiar e Punir, a concepção de poder
reorientou a maneira como a história foi constituída, abarcando o poder