Por que a Revolução Industrial foi um divisor de águas na evolução das relações entre homem e meio ambiente? Que temas ocuparam o debate ambiental da primeira metade do século XX? Por quê?
Por que a Conferência de Estocolmo revolucionou as discussões sobre o meio ambiente?
Qual foi a principal contribuição do Relatório Brundtland? 2 Prof. Ms. Carlos William de Carvalho http://cwcadm.wordpress.com
A ação predatória do homem sobre o meio ambiente não é novidade.
Há milhares de anos os sumérios pagaram caro pelo uso inadequado do solo. Trabalhos arqueológicos na Mesopotâmia mostram que seus habitantes acompanharam apreeensivos sua terra ficar cada vez mais branca. O que para eles devia ser um mistério é um velho conhecido dos cienUstas de hoje: a salinização, fruto das intensas aUvidades agrícolas na região.
Evidências históricas apontam o assoreamento dos rios e a erosão do solo como as principais responsáveis pelo declínio dos maias outra grande civilização que não ficou imune às consequências da depredação ambiental.
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O homem atual ainda não mudou sua postura em relação ao ambiente.
É comum que setores da economia como a indústria e a agricultura vejam a preservação como uma pedra no sapato, ignorando sua dependência do meio ambiente.
Por causa da diminuição na disponibilidade dos recursos e da aceleração dos problemas ambientais, o debate sobre a natureza não parou de crescer nos úlUmos tempos. A introdução da máquina e os efeitos da produção em larga escala deram uma velocidade inédita à exploração do meio ambiente.
A preocupação com as questões ambientais, começa a se intensificar, principalmente, após a revolução industrial.
Não que antes da Revolução Industrial não houvesse a degradação da natureza (florestas devastadas, rios assoreados e perda de ferUlidade de
muitas áreas).
O que mudou foi a extensão dos estragos (poluição gerada pelas aUvidades humanas ficava confinada a áreas específicas), o Upo (a poluição era basicamente e origem orgânica por isso absorvida com mais facilidade) e a velocidade de propagação.
Contudo, foi só a parUr da industrialização que os cienUstas começaram a se arUcular para discuUr os efeitos da poluição e os inúmeros problemas socioambientais causados pelo novo modelo de produção. Deve-‐se considerar que, a Revolução Industrial provocou grandes transformações socioeconômicas, e, também, intensificou problemas ambientais, acelerando a extração dos recursos naturais.
O movimento ambientalista, porém, só ganhou um novo impulso no pós-‐ guerra.
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A conquista de novos territórios, principalmente por países europeus, fez com que suas colônias fossem exploradas sem nenhuma preocupação com os danos socioambientais resultantes. O objeUvo principal era a busca do lucro fácil.
Apoiados em uma visão precária de meio ambiente, os governos buscavam conservá-‐lo apenas para garanUr a manutenção de aUvidades econômicas. Por isso, a proteção da natureza ficava limitada a determinadas espécies consideradas "úteis".
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Após uma série de catástrofes ambientais, provocadas principalmente pela ação humana, o mundo acordou para a questão do meio ambiente. Neste senUdo, vale chamar a atenção para algumas obras que contribuíram para alavancar estas discussões. Entre elas, chama a atenção o livro Primavera Silenciosa (1962) que trata da questão do uso indiscriminado de produtos químicos.
De acordo com a cienUsta social Samyra Crespo (2005), as décadas de 1960 e 1970 também marcaram o despertar brasileiro para os problemas ambientais.
Em 1968, a Unesco, braço do conhecimento da ONU, organizou em Paris uma conferência de especialistas sobre biosfera. Como resultado, a questão ambiental começou a se infiltrar em diferentes países e culturas, tornando indispensável a sua discussão no âmbito das Nações Unidas.
Posteriormente, o Clube de Roma (1968), em um tentaUva de entender os reais impactos ambientais provocados pela ação humana, encomendou à uma equipe de pesquisadores do MIT um estudo sobre a situação do meio ambiente. Este relatório, denominado Limites do Crescimento, pregava a necessidade de frear o crescimento populacional e econômico. A projeção para 100 anos (sem levar em conta o progresso tecnológico e a possibilidade de descoberta de novos materiais) que para aUngir a estabilidade econômica e a finitude dos recursos naturais é necessário congelar o crescimento da população global e do capital industrial. A tese do crescimento zero era um ataque direto às teorias de crescimento econômico conmnuo.
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1. Se as atuais tendências de crescimento da população mundial,
industrialização, poluição, produção de alimentos e diminuição de recursos naturais forem manUdas, os limites de crescimento neste planeta serão alcançados dentro dos próximos 100 anos. O resultado será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população, quanto da capacidade de produção industrial. 2. É possível modificar estas tendências de crescimento e formar
uma condição de estabilidade ecológica e econômica que se possa manter até um futuro remoto. O estado de equilíbrio global poderá ser planejado de tal modo que as necessidades materiais básica de cada pessoa na Terra sejam saUsfeitas, e que cada pessoa tenha igual oportunidade de realizar seu potencial humano individual.
3. Se a população do mundo decidir empenhar-‐se em obter esse
segundo resultado, em vez de lutar pelo primeiro, quanto mais cedo ela começar a trabalhar para alcançá-‐lo, maiores serão suas
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A capital sueca produziu, em 1972, as primeiras reflexões sobre os reveses da industrialização.
Graças à sua veia políUca, a conferência conseguiu aprovar a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano, documento que incluía 110 recomendações e 26 princípios. Como o contexto internacional não favorecia a imposição de regras, as recomendações elaboradas na Suécia não Unham força de lei.
Chama a atenção alguns pontos levantados nesta conferência:
↠ De um lado, os países desenvolvidos defendiam a intocabilidade do meio ambiente.
↠ Do outro, Estados subdesenvolvidos rejeitavam qualquer tentaUva de privá-‐los dos benepcios da era tecnológica.
↠ Assolado por problemas como a fome, a miséria e a falta de saneamento, o Terceiro Mundo via na industrialização sua única saída.
Enquanto o grupo desenvolvido defendia a postura
preservacionista, as nações periféricas sugeriam o
conservacionismo
.
Adotar medidas preservacionistas pressupõe proteger a intocabilidade da natureza, proibindo a ação do homem sobre o meio ambiente.
Para os neomalthusianos, a defesa da exploração dos recursos naturais não era coerente com as necessidades de preservação do meio ambiente, colocando em risco a sobrevivência das próximas gerações.
Como alternaUva à preservação, o sul defendia o ideal de conservação. Ao mesmo tempo, os países pobres promeUam que sua ação sobre o meio ambiente se daria em bases responsáveis.
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Um dos legados da Conferência de Estocolmo foi a construção de um organismo internacional para debate da gestão ambiental — o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Em 1972, a Holanda lançou o primeiro selo ecológico.
Os acidentes ambientais conUnuaram acontecendo, o ano de 1976 foi marcado pelo acidente em Seveso na Itália, quando houve o vazamento de TCDD (Tetracloro dibenzeno dioxina). A Explosão na ICMESA – do grupo Givaudan-‐La Roche, liberou triclorofenol que contaminou 1800 hectares de terra, matando, inclusive, milhares de animais.
Em 1978, a Alemanha criou o selo ecológico Anjo Azul. O povo alemão aderiu a esse selo e passou a dar preferência para mercadorias que não agredissem o meio ambiente.
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Em 1983, foi criada a Comissão Mundial para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (CMDMA), com um desafio quase intransponível pela frente: conciliar interesses econômicos e ambientais. Sob a liderança da primeira ministra da Noruega Gro Brundtland, produziu-‐se o relatório conhecido como Nosso futuro comum ou simplesmente Relatório Brundtland, no qual foi cunhada a expressão desenvolvimento sustentável, que pode ser traduzido em:
extrairmos do meio ambiente os recursos que necessitamos para nossa sobrevivência pensando nas gerações futuras.
Dotado de uma visão abrangente, o Relatório Brundtland defendia a conservação ambiental aliada à melhoria dos índices socioeconômicos.
De acordo com o CMDMA, o desenvolvimento sustentável apóia no seguinte tripé: equilíbrio ambiental, equidade social e crescimento econômico.
Na década de 1990, John Elkington cunhou a expressão triple bo@om line (profit, people and planet).
14 Prof. Ms. Carlos William de Carvalho http://cwcadm.wordpress.com Desenvolvimento Sustentável Social Econômico Ambiental
Na visão das relações homem-‐meio ambiente, não existe apenas um limite mínimo para o bem-‐estar da sociedade; há, também, um limite máximo para a uUlização dos recursos naturais, de modo que sejam preservados. Segundo o Relatório de Brundtland, uma série de medidas devem ser tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável:
ü limitação do crescimento populacional;
ü garanUa de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;
ü preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
ü diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéUcas renováveis;
ü aumento da produção industrial nos países não-‐industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
ü controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores;
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