Recanto bem viver: moradia cohousing para idosos
Texto
(2) 2. Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinôco - DARQ - CT. Oliveira,. Caroline. Chaves. de.. Recanto bem viver: moradia cohousing para idosos / Caroline. Chaves. de. Oliveira.. -. Natal,. 2017.. 147f.:. il.. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio. Grande. do. Departamento. de. Orientadora:. Lar. para. arquitetônico. Centro. Arquitetura Edna. Coorientadora:. 1.. Norte.. -. Edja. idosos. Tecnologia.. e. Urbanismo.. Moura. Bezerra. -. de. Faria. Dissertação.. Dissertação.. 3.. Pinto. Trigueiro.. 2.. Projeto. Acessibilidade. -. Dissertação. 4. Idosos - Dissertação. I. Pinto, Edna Moura. II. Trigueiro, Edja Bezerra Faria. III. Título. RN/UF/BSE15 725.56. CDU.
(3) 3. CAROLINE CHAVES DE OLIVEIRA. RECANTO BEM VIVER: MORADIA COHOUSING PARA IDOSOS. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Projeto e Meio Ambiente, curso de Mestrado Profissional, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos para obtenção do título de MESTRE.. Banca Examinadora:. .................................................................................................................................. Profa. Doutora Edna Moura Pinto - PPAPMA – UFRN (Presidente - Orientadora). .................................................................................................................................. Profa. Doutora Virgínia Maria Dantas de Araújo – PPAPMA – UFRN (Examinadora interna). .................................................................................................................................. Profa. Doutora Maria Águeda P. C. Muniz – UNI7 (Examinadora externa).
(4) 4. AGRADECIMENTOS Reconheço com muito carinho e gratidão: O meu marido Tales Santos, pelo apoio incondicional que sempre me deu e, principalmente, quando do ingresso no Mestrado em Arquitetura e mudança para Natal. O meu amado filho Raul, que sempre nos faz buscar crescimento pessoal, espiritual e profissional. Os meus pais e irmãos, pelo incentivo e ajuda nesta árdua caminhada. A todos os professores do Mestrado por proporcionar novos conhecimentos e descobertas, em especial o professor Marcelo Tinoco, que em sua simplicidade e sabedoria nos passou seus eternos conhecimentos. A professora e orientadora Edna pela sábia condução e orientação na pesquisa. A professora Edja Trigueiro pela paciência e grandes ensinamentos. A todos os colegas de Mestrado pelas experiências compartilhadas, alegrias e tristezas vividas e lembranças eternas. As colegas de arquitetura Celieny Guedes, Elizangela Magno, Ulana Cabral e Wenya Dantas, companheiras de pesquisa, que dividiram seus conhecimentos e me acolheram com alegria nesta cidade. A todos aqueles que contribuíram de alguma forma, os meus sinceros agradecimentos..
(5) 5. RESUMO Esta dissertação relata o percurso teórico, metodológico e programático para a proposta arquitetônica de uma moradia assistida para idosos adotando diretrizes do cohousing, localizada no bairro Centro do município do Eusébio, região metropolitana de Fortaleza, capital do Estado do Ceará. O público-alvo do empreendimento são idosos que chegam à terceira idade com saúde, lucidez e autonomia para realizar as atividades rotineiras do dia-a-dia. A pesquisa procurou responder à seguinte questão problema: de que forma um projeto arquitetônico de moradia assistida para idosos pode atender as necessidades individuais e coletivas, adotando diretrizes do Cohousing, buscando-se uma melhoria na qualidade de vida dos moradores? Os procedimentos metodológicos foram concentrados em quatro fases: 1ª: Estudo do referencial teórico e conceitual e condicionantes de projeto, proporcionando o embasamento teórico para a pesquisa; 2ª: Reconhecimento das necessidades espaciais dos idosos. Esta etapa buscou conhecer os usuários e saber quais seus hábitos e preferências; 3ª: Estudo das referências projetuais. O estudo de precedentes arquitetônicos destacou características de projetos e edificações com potencial de contribuição para o desenvolvimento da proposta arquitetônica. desta. pesquisa;. 4ª:. Elaboração. do. anteprojeto.. Esta. etapa. caracterizou-se pela elaboração da proposta arquitetônica na qual se realizaram estudos de conforto ambiental e sintaxe espacial com o objetivo de proporcionar qualidade urbanística e arquitetônica. A proposta projetual final da moradia assistida para idosos contempla uma área privativa, relativa ao condomínio, e uma área pública, aberta à comunidade, composta de praça, equipamentos de lazer e lojas de comércio de bairro.. PALAVRAS-CHAVE: Projeto de arquitetura; Acessibilidade; sustentabilidade; idosos..
(6) 6. ABSTRACT. This dissertation reports the theoretical, methodological and programmatic route for the architectural proposal of an assisted housing for the elderly, using the guidelines of the Cohousing, located in the central district of the municipality of Eusébio, metropolitan region of Fortaleza, capital of the State of Ceará. The target audience of the venture are elderly people who reach the third age with health, lucidity and autonomy to carry out the daily activities. The research sought to answer the following question: how an architectural project of an assisted living for the elderly can meet individual and collective needs, adopting guidelines of the Cohousing, seeking an improvement in the quality of life of the residents? The methodological procedures were focused in four phases: 1st: Study of the theoretical and conceptual referential and design constraints, providing the theoretical basis for the research; 2nd: Recognition of the spatial needs of the elderly. This stage sought to get to know the users and to understand their habits and preferences; 3rd: Study of the project references. The study of architectural precedents highlighted the characteristics of projects and buildings with potential to contribute to the development of the architectural proposal of this research; 4th: Preparation of the draft. This stage was characterized by the elaboration of the architectural proposal in which studies of environmental comfort and spatial syntax were carried out with the objective of providing urban and architectural quality. The final project proposal of an assisted living for the elderly includes a private area, related to the condominium, and a public area, available to the community, composed of a square, leisure equipment and commercial stores.. KEYWORDS: Architectural Design; Accessibility; sustainability; the elderly..
(7) 7. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Número de Idosos no Brasil ........................................................... 17 Figura 2 - Condomínio de 30 casas de dois pavimentos ................................ 25 Figura 3 – Condomínio de 47 casas de dois pavimentos ............................... 25 Figura 4 – Condomínio de 34 casas de dois pavimentos ............................... 25 Figura 5 - Condomínio de 24 casas de dois pavimentos ................................ 25 Figura 6 – Percentagem da população brasileira morando sozinha por grupos etários ..................................................................................................... 34 Figura 7 – Esquema de uma isovista .............................................................. 40 Figura 8 - Grafo de visibilidade ....................................................................... 41 Figura 9 - Representação esquemática do grafo de visibilidade .................... 42 Figura 10 - Princípios do envelhecimento ativo .............................................. 44 Figura 11 - Corte esquemático de uma cohousing residencial ....................... 47 Figura 12 - Corte esquemático de uma cohousing residencial e comercial ................................................................................................................... 47 Figura 13 - Tipos de implantação em uma cohousing .................................... 48 Figura 14 – Implantação do condomínio ......................................................... 49 Figura 15 - Cohousing Senior ......................................................................... 49 Figura 16 - Quimper Village Senior ................................................................. 49 Figura 17 - Mapa de localização do Cidade Madura e Hospital de Mangabeira ............................................................................................................... 54 Figura 18 - Implantação do Cidade Madura.................................................... 55 Figura 19 - Plantas baixas das unidades ........................................................ 57 Figura 20 - Fachada exterior........................................................................... 57 Figura 21 – Implantação Vila dos Idosos ........................................................ 60 Figura 22 - Vista aérea Vila dos Idosos .......................................................... 60 Figura 23 - Plantas de layout – quitinete e apartamento................................. 61 Figura 24 - Croquis esquemáticos demonstrando a ventilação ...................... 61 Figura 25 – Implantação Vila Hogeweyk......................................................... 63 Figura 26 - Localização Vila Hogeweyk .......................................................... 63 Figura 27 - Referências do projeto ................................................................. 63 Figura 28 - Passarelas de integração entre os blocos – maquete e edificação construída................................................................................................. 64.
(8) 8. Figura 29 - Percentagem dos 60 moradores da Belterra Cohousing .............. 65 Figura 30 - Implantação Belterra Cohousing .................................................. 66 Figura 31 – Vista aérea Belterra Cohousing ................................................... 66 Figura 32 - Edifício residencial – maquete eletrônica e edificação construída.................................................................................................................. 66 Figura 33 - Clarabóias na cozinha e banheiro ................................................ 67 Figura 34 - Common house (casa comum) ..................................................... 67 Figura 35 - Croquis iniciais de implantação do condominio com aplicação dos princípios do cohousing ...................................................................... 68 Figura 36 – Programa e Projeto ...................................................................... 74 Figura 37 - “Duas mentes” .............................................................................. 74 Figura 38 - Filtragem das informações ........................................................... 75 Figura 39 - Sequência da programação arquitetônica .................................... 76 Figura 40 - Grupo de idosos da AMPA durante o grupo focal ........................ 78 Figura 41 - Grupo de idosas do Círculo Militar ............................................... 80 Figura 42 - Mapa de localização do municipio do Eusébio ............................. 82 Figura 43 - Mapa com a localização de condomínios no município do Eusébio ................................................................................................................ 84 Figura 44 – Macrolocalização do terreno ........................................................ 85 Figura 45 – Via local de acesso ...................................................................... 85 Figura 46 - Mapa com a localização de alguns equipamentos do Centro do Eusébio ..................................................................................................... 86 Figura 47 - Vista portão de acesso ................................................................. 87 Figura 48 - Vista do lote vizinho ...................................................................... 87 Figura 49 - Comércio de bairro ....................................................................... 87 Figura 50 – Traçado dos perfis no terreno ...................................................... 88 Figura 51 – Perfis de elevação do terreno ...................................................... 88 Figura 53 – Layout sugerido para recepção ................................................... 92 Figura 52 - Layout sugerido para consultório médico ..................................... 92 Figura 54 - Layout de quarto acessível ........................................................... 93 Figura 55 – Alcance de janela ........................................................................ 93 Figura 56 – Faixa elevada para travessia de pedestres ................................. 94 Figura 57 - Diagrama do edificio-pátio ............................................................ 98 Figura 58 – Imagem conceitual de aldeia ....................................................... 99.
(9) 9. Figura 59 - Imagem conceitual de vila ............................................................ 99 Figura 60 – Imagem conceitual para o projeto ................................................ 99 Figura 61 – Maquete do empreendimento .................................................... 100 Figura 62 - Implantação inicial do empreendimento ..................................... 100 Figura 63 - Maquete de implantação da segunda proposta .......................... 101 Figura 64 - Implantação da terceira proposta ............................................... 102 Figura 65 – Implantação da quarta proposta ................................................ 103 Figura 66 – Implantação – anteprojeto moradia assistida............................. 104 Figura 68 – Piso drenante............................................................................. 105 Figura 67 - Piso intertravado em concreto .................................................... 105 Figura 69 - Modulação da casa tipo B1 ........................................................ 106 Figura 70 – Vista aérea moradia assistida .................................................... 107 Figura 71 – Vista da praça a partir do bloco de 2 pavimentos ...................... 107 Figura 72 – Exemplos de regras de adição, substituição e subtração................................................................................................................. 108 Figura 73 – Modelos esquemáticos após a aplicação das regras ................ 110 Figura 74 - Croquis iniciais de estudo ........................................................... 111 Figura 75 – Vista das residências ................................................................. 111 Figura 76 – Vista área pública ...................................................................... 113 Figura 77 – Telha termoroof ......................................................................... 114 Figura 78 – Detalhe de fixação do pilar ........................................................ 114 Figura 79 – Rosa dos Ventos de Fortaleza – média dos meses ................... 115 Figura 80 - Zoneamento bioclimático brasileiro ............................................ 116 Figura 81 – Carta de sombreamento ............................................................ 117 Figura 82 – Carta psicométrica ..................................................................... 117 Figura 83 – Croqui genérico demonstrando orientação solar ....................... 118 Figura 84 - Esquema de ventilação cruzada................................................. 118 Figura 85 - Planta baixa - casa tipo B ........................................................... 119 Figura 86 - Esquadrias das residências ........................................................ 119 Figura 87 - Máscara de sombra da fachada Sul ........................................... 121 Figura 88 - Máscara de sombra das fachadas Leste, Oeste e Norte ............ 121 Figura 89 - Máscara de sombra da fachada Oeste com a marquise ............ 122 Figura 90 - Fachada Sul - residência ............................................................ 122.
(10) 10. Figura 91 - Máscara de Sombra da fachada Sul com marquise com 0,40m ...................................................................................................................... 123 Figura 92 - Máscara de sombra da fachada Sul com marquise com 0,60m ...................................................................................................................... 123 Figura 93 – Máscara de sombre da fachada Sul com brises verticais ................................................................................................................... 123 Figura 94 - Fachada Sul com os brises verticais .......................................... 123 Figura 95 - Salão de festas, deck e piscina .................................................. 124 Figura 96 - Máscara de sombra da piscina ................................................... 124 Figura 98 - Máscara de sombra 2 ................................................................. 125 Figura 97 – Máscara de sombra 1 ................................................................ 125 Figura 99 – Muro e pergolado - deck ............................................................ 125 Figura 100 - Mapa de integração visual – HH – barreiras à visão (eyesovists) ............................................................................................................. 129 Figura 101 - Mapa de integração visual – HH – barreiras à visão (eyesovists) ............................................................................................................. 130 Figura 102 - Mapa de integração visual – HH – barreiras ao deslocamento (kneesovists) .................................................................................... 132 Figura 103 - Mapa de integração visual – HH – all axial line – potencial de movimento........................................................................................... 132 Figura 104 – Isovistas a partir de dois pontos da calçada ............................ 133 Figura 105 – Campo visual a partir do ponto P1 ........................................... 133 Figura 106 – Campo visual a partir de P1..................................................... 133 Figura 107 - Isovista a partir do acesso acondomínio................................... 133 Figura 108 – Isovistas a partir dos estacionamentos dos moradores ........... 134 Figura 109 – Isovistas a partir dos portões de cada residência .................... 134 Figura 110 – Campos visuais a partir dos estacionamentos dos moradores ............................................................................................................... 134 Figura 111 – Campo visual a partir do portão de uma das residências .............................................................................................................. 134.
(11) 11. LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Percentagem de idosos na população brasileira ........................... 21 Tabela 2 - Distâncias para distribuição entre os extintores............................. 95.
(12) 12. LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Modalidade de atendimento aos idosos no Brasil ........................ 23 Quadro 2 - Número de ILPIs identificadas na pesquisa .................................. 23 Quadro 3 - Etapas Metodológicas da pesquisa .............................................. 29 Quadro 4 - Cronograma de Pesquisa / Projeto ............................................... 30 Quadro 5 – Referencial teórico-conceitual ...................................................... 31 Quadro 6 - Formas de habitação para idosos em 11 países .......................... 33 Quadro 7 - Princípios do desenho universal ................................................... 38 Quadro 8 - Exemplos de moradias assistidas para idosos ............................. 45 Quadro 9 - Rebatimento do referencial teórico na concepção projetual..................................................................................................................... 51 Quadro 10 - Composição familiar da Vila dos Idosos ..................................... 59 Quadro 11 - Rebatimento dos estudos de referência na concepção projetual da pesquisa ................................................................................................ 68 Quadro 12 - Quadro metodológico da programação própria .............. 76 Quadro 14 - Prescrições urbanísticas ............................................................. 90 Quadro 15 – Anexo 1 do Código de Obras – Dimensionamento .................... 90 Quadro 16 – Decisões projetuais x simulações sintaxe espacial.................. 126 Quadro 17 – Gradação de cores do mapa para análise do grafo de visibilidade ............................................................................................................... 128.
(13) 13. LISTA DE SIGLAS AEC ............................................................................ Área Especial do Centro AMPA ..... Associação dos Moradores dos Parques Residenciais Ponta Negra e Alagamar ANVISA ............................................. Agência Nacional de Vigilância Sanitária CEHAP ......................................... Companhia Estadual de Habitação Popular CMF ........................................................................ Círculo Militar de Fortaleza CNPQ ......... Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico COHAB ............................................... Companhia de Habitação de São Paulo ETE ............................................................. Estação de tratamento de esgoto IBGE ........................................... Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ILPIs ....................................... Instituições de Longa Permanência para Idosos IPEA ................................................ Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPECE ........................ Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará NT .......................................................................................... Normas Técnicas OMS ................................................................ Organização Mundial de Saúde ONU .............................................................. Organização das Nações Unidas PDDI ........................ Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Eusébio PSIP ...................................... Projeto de Segurança Contra Incêndio e Pânico RDC ............................................................. Resolução da Diretoria Colegiada SOMASUS ........ Sistema de apoio à elaboração de projetos de investimentos em saúde UFC ................................................................. Universidade Federal do Ceará UFRN ....................................... Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFPB ............................................................ Universidade Federal da Paraíba UFPE ..................................................... Universidade Federal de Pernambuco UnB ............................................................................. Universidade de Brasília UNICAMP ................................................ Universidade Estadual de Campinas UFF .............................................................. Universidade Federal Fluminense UFSC ................................................. Universidade Federal de Santa Catarina UFRGS ........................................ Universidade Federal do Rio Grande do Sul USP ........................................................................ Universidade de São Paulo ZUC .................................................................... Zona de Urbanização Central.
(14) 14. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------- 16 1.1. Universo de estudo -------------------------------------------------------------- 20. 1.2. Questão problema ---------------------------------------------------------------- 20. 1.3. Objetivos---------------------------------------------------------------------------- 20. 1.3.1 Objetivo geral ----------------------------------------------------------------- 20 1.3.2 Objetivos específicos -------------------------------------------------------- 20. 2. 3. 4. 5. 1.4. Justificativa ------------------------------------------------------------------------- 21. 1.5. Metodologia ------------------------------------------------------------------------ 27. REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL -------------------------------------- 31 2.1. Idosos ------------------------------------------------------------------------------- 32. 2.2. Acessibilidade espacial --------------------------------------------------------- 35. 2.3. Moradia assistida ----------------------------------------------------------------- 42. 2.4. Cohousing -------------------------------------------------------------------------- 46. ESTUDOS DE REFERÊNCIAS PROJETUAIS --------------------------------- 52 3.1. Condomínio Cidade Madura – João Pessoa, Paraíba, Brasil ---------- 52. 3.2. Vila dos idosos – São Paulo, São Paulo, Brasil --------------------------- 58. 3.3. Vila Hogeweyk – Weesp, Amsterdã, Holanda ----------------------------- 62. 3.4. Belterra Cohousing – Ilha Bowen, Canadá --------------------------------- 65. PROGRAMAÇÃO ARQUITETÔNICA -------------------------------------------- 74 4.1. Metodologia de projeto ---------------------------------------------------------- 74. 4.2. Caracterização do usuário – Entrevista e Grupo Focal ------------------ 77. CONDICIONANTES PROJETUAIS ----------------------------------------------- 82 5.1. Condicionantes ambientais----------------------------------------------------- 82. 5.1.1 Localização -------------------------------------------------------------------- 82 5.2. Condicionantes legais ----------------------------------------------------------- 89. 5.2.1 Plano Diretor do Eusébio e Código de Obras ------------------------- 89 5.2.2 RDC 283 - Programação Arquitetônica de Unidades Funcionais de Saúde --------------------------------------------------------------------------------------91 5.2.3 NBR 9050/2015 -------------------------------------------------------------- 92 5.2.4 Código de Segurança Contra Incêndio do Estado do Ceará ------ 94 6. PROPOSTA ARQUITETÔNICA --------------------------------------------------- 97 6.1. Conceito e partido ---------------------------------------------------------------- 97.
(15) 15. 6.2. Proposta arquitetônica ---------------------------------------------------------100. 6.2.1 Evolução das propostas ---------------------------------------------------100 6.2.2 Detalhamento da proposta final do condomínio ---------------------103 6.2.3 Áreas comuns ----------------------------------------------------------------106 6.2.4 Desenvolvimento da proposta das habitações -----------------------108 6.2.5 Detalhamento da proposta final da área pública ---------------------112 6.3. Simulações------------------------------------------------------------------------115. 6.3.1 Análise bioclimática---------------------------------------------------------115 6.3.2 Análise dos campos visuais ----------------------------------------------126 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES -------------------------136. REFERÊNCIAS ----------------------------------------------------------------------------138 8. APÊNDICES ---------------------------------------------------------------------------144 8.1. APÊNDICE A – perguntas e respostas da entrevista -------------------144. 8.2. APÊNDICE B – perguntas e respostas do grupo focal -----------------145.
(16) 16. 1. INTRODUÇÃO A dissertação aqui apresentada tem como tema a moradia assistida para. idosos na forma condominial. O motivo para a escolha deste tema é de ordem pessoal, apresentando uma continuidade de estudos e projetos da graduação e pósgraduação ligados à terceira idade, à qual se incorporou a sustentabilidade vinculada à linha de pesquisa do Mestrado em Arquitetura, Projeto e Meio Ambiente da UFRN. O trabalho propõe um projeto arquitetônico de uma moradia assistida condominial para idosos, adotando o conceito de cohousing, que se baseia no compartilhamento das áreas comuns e num forte senso de comunidade. São comunidades criadas e dirigidas pelos seus moradores, no qual compartilham seus espaços e experiências entre eles. Cada família vive com privacidade em sua própria casa e convive com a comunidade em ambientes coletivos como cozinhas, lavanderias, jardins etc. (CONSUMO COLABORATIVO, 2016). A aplicação das diretrizes do cohousing na proposta arquitetônica pretendeu incentivar o uso racional dos recursos naturais, reduzir o custo de manutenção dos edifícios e as despesas mensais. de. seus. usuários,. bem. como. promover. a. conscientização. de. empreendedores e moradores sobre as vantagens da construção sustentável. Além disso pretendeu-se dar ênfase aos pedestres nos espaços do condomínio, com a criação de amplas áreas de contemplação e vivência entre os moradores, desprivilegiando as áreas de circulação de veículos. A área escolhida localiza-se no bairro Centro, no município do Eusébio, região metropolitana de Fortaleza, capital do Estado do Ceará. Conforme Brasil (2003, p. 1), no artigo 1 da Lei 10.741, “idosos são as pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos”. A idade considerada pela Organização Mundial de Saúde - OMS é estabelecida conforme o nível socioeconômico de cada nação: em países em desenvolvimento, é considerado idoso aquele que tem sessenta anos ou mais de idade; nos países desenvolvidos, a idade se estende para sessenta e cinco anos. Para Brasil (2005, p. 6), “é importante reconhecer que a idade cronológica não é um marcador preciso para as mudanças que acompanham o envelhecimento”. Carvalho (2003), em sua pesquisa, aborda bem essa questão..
(17) 17. Do ponto de vista demográfico, no plano individual, envelhecer significa aumentar o número de anos vividos. Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento. Nas sociedades ocidentais é comum associar o envelhecimento com a saída da vida produtiva pela via da aposentadoria (CARVALHO, 2003, p. 731).. Em relação ao aumento do número de idosos na população, destacam-se algumas pesquisas: “Em 2012, 810 milhões de pessoas apresentaram 60 anos ou mais, representando 11,5% da população global. Projetou-se que esse número alcançasse 1 bilhão em menos de 10 anos e mais que duplicasse em 2050, alcançando 2 bilhões de pessoas ou 22% da população global.” (BRASIL, 2010). O estudo apontou, ainda, que, em 2050, pela primeira vez, haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos. A tendência de envelhecimento da população brasileira cristalizou-se mais uma vez na última pesquisa do IBGE, em 2010, publicada em 2011. “Os idosos somam 23,5 milhões dos brasileiros, mais que o dobro do registrado em 1991, quando a faixa etária contabilizava 10,7 milhões de pessoas” (BRASIL, 2010), conforme (Figura 1). Dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, através do Censo Demográfico de 2010, apontam para o Estado do Ceará uma percentagem de 10,8% de idosos e 7,2% para o município do Eusébio (BRASIL, 2010).. Figura 1 - Número de Idosos no Brasil. 1991 2001 Fonte: IBGE (2010).. 2011. Percebe-se que, na comparação entre 2001 (penúltima pesquisa divulgada) e 2011, o grupo aumentou 8%..
(18) 18. Conforme Brasil (2003), no artigo 37 da Lei 10.741, “o idoso tem direito à moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada”. No que diz respeito à moradia digna para idosos, a questão da acessibilidade física é intrínseca à habitação, devendo ser observada no espaço interno da casa, bem como nas áreas comuns, isto é, por onde o idoso deseja e precisa exercer seu direito de ir e vir, consagrado na Constituição Federal e no Estatuto do Idoso. A acessibilidade espacial é, portanto, condição fundamental e imprescindível a todo e qualquer processo de inclusão social, conforme explicam Leitão e Viana (2014): “é uma questão de direito conquistado gradualmente ao longo da história social, e implica no respeito às diferenças e na identificação e eliminação dos diversos tipos de barreiras”. Por sua vez, a sustentabilidade visa suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer as próximas gerações. Ela está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir ao meio ambiente, pois se utiliza de recursos naturais de maneira inteligente para que eles se mantenham no futuro. A ideia central é que para continuar vivendo e se desenvolvendo de forma com que haja continuidade e equilíbrio em relação aos recursos disponíveis, tudo o que é retirado do meio ambiente, se apenas for retirado, chegará um momento que se esgotará. Sendo assim, se deve oferecer ao planeta tanto o que se retira dele. Segundo. Ferreira. (1995),. “desenvolvimento. sustentável. quer. dizer. desenvolvimento que pode continuar com sucesso no futuro”. O dicionário define sustentável como “capaz de se sustentar” e define sustentar como “segurar, suportar, apoiar (...) conservar, manter (...) alimentar física ou moralmente.” (FERREIRA, 1995). A definição mais notória de sustentabilidade é aquela sugerida em 1987 pela Comissão de Brundtland (Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento) no Relatório Nosso Futuro Comum1. “Sustentabilidade é suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas.” (ONU2, 1987). Trata-se de um conceito sistêmico, relacionado com a 1. Elaborado por especialistas de diversas áreas, o relatório foi o primeiro a trazer para o discurso público o conceito de desenvolvimento sustentável. Tinham como objetivo reexaminar as questões críticas relativas ao meio ambiente e reformular propostas (ONU, 2016). Disponível em: http://< https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/> Acesso 10 jan. 2016. 2 Organização das Nações Unidas.
(19) 19. continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Assim, para que um empreendimento seja sustentável, deve ter em vista quatro princípios básicos: ser ecologicamente correto, ser economicamente viável, ser socialmente justo e ser culturalmente aceito. A construção sustentável tem como objetivo aplicar esses mesmos princípios ao processo de planejamento e execução de obras, propondo soluções aos principais problemas ambientais de nossa época, buscando explorar menor quantidade de matéria e energia, causar menos poluição e produzir menos resíduos, respeitando e zelando pelas pessoas envolvidas. Tudo isso, agregando a moderna tecnologia e os benefícios que a evolução construtiva tem nos trazido ao longo da história. É importante ressaltar que a noção de construção sustentável deve estar presente desde o estudo de viabilidade técnica, escolha do terreno, definição do programa de necessidades e concepção arquitetônica, quando já devem ser considerados aspectos interdisciplinares do processo de projeto, de execução da obra, de utilização, manutenção e principalmente da conservação da construção durante todo o seu ciclo de vida útil, os quais garantirão a sua sustentabilidade. Pretendeu-se desenvolver uma proposta arquitetônica com características específicas, na qual seus espaços pudessem contribuir para a saúde e lazer dos usuários, bem como distinguir-se das propostas arquitetônicas ofertadas pelo atual mercado imobiliário, comentadas posteriormente no item 1.4 – Justificativa. É neste contexto que se apoia a proposição do presente trabalho. Acredita-se na viabilidade de uma moradia assistida para idosos com qualidade urbanística e arquitetônica, que apresente os conceitos de valorização do pedestre e integração entre os moradores. Considera-se que o artifício de uso misto no lote, adotando-se uma área pública anterior ao condomínio, favoreça as relações de urbanidade 3 e segurança. Os estudos da teoria da sintaxe espacial e de conforto ambiental foram bastante relevantes, contribuindo desta forma para o alcance dos objetivos da pesquisa. O trabalho apresenta-se dividido em dois volumes. O primeiro, em forma de registro textual do projeto, com a abordagem do processo de concepção, desde a definição do conceito, partido arquitetônico e sua evolução até se chegar à proposta 3. O conceito de urbanidade não é consenso entre os autores, porém, aborda algumas dimensões, tais como: muitas pessoas utilizando os espaços públicos, diversidade de perfis, alta interação entre os espaços abertos públicos e os espaços fechados, pessoas interagindo em grupos, traços da vida cotidiana etc (SABOYA, 2011)..
(20) 20. final. O segundo, com as pranchas contendo os desenhos técnicos em fase de anteprojeto e modelos digitais tridimensionais.. 1.1 UNIVERSO DE ESTUDO O universo de estudo desta pesquisa abrange o município do Eusébio, situado na região metropolitana de Fortaleza, capital do estado do Ceará. O recorte é dado no bairro Centro, com enfoque na moradia cohousing para idosos.. 1.2 QUESTÃO PROBLEMA De que forma um projeto arquitetônico de moradia assistida para idosos pode atender as necessidades individuais e coletivas dos usuários, adotando diretrizes do cohousing, buscando-se uma melhoria na qualidade de vida dos moradores?. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo geral Elaborar uma proposta arquitetônica, em fase de anteprojeto, de uma moradia assistida para idosos que atenda às diretrizes do cohousing. 1.3.2 Objetivos específicos . Descrever as etapas do processo de projetação, desenvolvidas ao longo do presente trabalho;. . Aplicar princípios do desenho universal no projeto arquitetônico, através de diretrizes da Norma NBR 9050/2015;. . Aplicar princípios da moradia sustentável cohousing no projeto arquitetônico, através dos estudos de referência;. . Aplicar princípios da moradia assistida para idosos no projeto arquitetônico, através dos estudos de referência;. . Aplicar diretrizes de conforto ambiental e sintaxe espacial no projeto arquitetônico por meio de de simulações em softwares e embasamento teórico;.
(21) 21. . Elaborar um anteprojeto de moradia assistida para idosos com qualidade urbanística e arquitetônica em alternativa às práticas projetuais vigentes.. 1.4 JUSTIFICATIVA Na arquitetura atual, além da preocupação com a forma, plástica, conforto ambiental, programa de necessidades e outros condicionantes, é imprescindível a inclusão dos conceitos do desenho universal e da arquitetura sustentável como pilares indissolúveis em qualquer projeto arquitetônico. Assim, a acessibilidade espacial é essencial para que haja respeito às diversas condições humanas e garanti-la às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida4, notadamente os idosos, torna-se imprescindível. O individuo é parte integrante do espaço em que vive e a peça principal de todo projeto de arquitetura. Hoje, o número de brasileiros idosos corresponde a 17% do total da população do Brasil, chegando a quase 24 milhões de pessoas. A cidade com o maior número de cidadãos com mais de sessenta anos é Coqueiro Baixo, no Rio Grande do Sul. Proporcionalmente, o Rio Grande do Sul também é o estado com o maior número de brasileiros nessa faixa etária, ficando o estado do Ceará em quinta posição (BRASIL, 2013) (Tabela 1). Tabela 1 - Percentagem de idosos na população brasileira. Estado Rio Grande do Sul Rio de Janeiro Pernambuco Santa Catarina Ceará. Porcentagem de idosos na população 11,11% 11,04% 9,44% 9,35% 9,34%. Fonte: Autora adaptado da Revista Exame (2016). Disponível em: <http://exame.abril.com.br//brasil/noticias/quem-são-e-como-vivem-os-idosos-do-brasil/lista> Acesso em: 18 jun 2016.. 4. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Pessoa com mobilidade reduzida é aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso. Disponível em: http://< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20152018/2015/Lei/L13146.htm> Acesso em 02 mar 2017..
(22) 22. O crescimento da população com mais de sessenta anos no Brasil faz surgir uma nova preocupação: a criação de espaços residenciais verdadeiramente adequados para este público, conforme mencionam Góis e Valéry (2011). Há diferenciação entre lar e residência nos estudos arquitetônicos. Enquanto residência é a estrutura física que serve de moradia, como casa, apartamento, chalé; lar é o rico cenário envolvendo significados culturais, demográficos e psicológicos que nós agregamos àquela estrutura física (GÓIS; VALÉRY, 2011, p. 2).. Pretende-se a construção de um lar, que segundo Perrot5 (1991, apud Góis e Valéry, 2011, p. 2), “lar tem uma conotação mais afetiva e pessoal”. O significativo crescimento do número de idosos vem transformando o perfil dos clientes que adquirem um imóvel. Esse público exigente possui necessidades específicas que precisam ser pensadas e solucionadas pela cadeia imobiliária, desde arquitetos, engenheiros, construtores, corretores imobiliários, gestores até os administradores de condomínios. A pessoa idosa tem maiores riscos de acidentes dentro da residência. Por isso, os princípios do desenho universal exercem um papel fundamental na etapa da concepção do projeto arquitetônico, pois com a aplicação de diretrizes de acessibilidade espacial, ampliam-se a autonomia e segurança, fatores essenciais para a qualidade de vida. Concomitantemente à preocupação com as necessidades espaciais dos idosos, deve-se pensar que a busca pelo caminho da sustentabilidade cabe a todos os envolvidos no projeto e execução do ambiente edificado. É um trabalho coletivo onde todos devem fazer sua parte, e, ao mesmo tempo, incentivar os demais a fazê-lo. As decisões devem ser resultado de uma ação orquestrada com os projetistas, gestores, consultores, fornecedores, executores e usuários, na medida em que esta escolha pode condicionar ações a serem efetivadas pelos demais. Um projeto sustentável deve ser ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável, envolvendo com isto muitas variáveis, entre as quais a acessibilidade espacial destaca-se como premissa intrínseca, devido a alguns aspectos como otimização de custos, materiais e espaços de uso universal etc.. 5. PERROT, Michele. Maneiras de Morar. In:______. (Org.). História da vida privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. v. 4.; São Paulo:Companhia das Letras,1991. p. 307 - 323. Disponível em: <http:// http://www.cchla.ufrn.br/shXIX/anais/GT03/Modos%20de%20Morar.pdf> Acesso em 5 dez 2016..
(23) 23. Para Lima (2011, p. 76) embora seja comum pensar em apenas dois tipos de alternativas de moradia para os idosos, familiar ou institucional, existe um leque mais amplo. Alguns países desenvolvidos oferecem aos seus idosos modalidades de atendimento ofertadas tanto pelo Estado, quanto pela iniciativa privada como forma de complementar ou apoiar o cuidado familiar. O Quadro 1 mostra essas opções no Brasil, segundo Lima (2011). Quadro 1 - Modalidade de atendimento aos idosos no Brasil. Fonte: Lima (2011, p. 76).. Conforme Lima (2011, p. 76), em pesquisas realizadas pelo IPEA 6 e CNPq7, entre 2006 e 2009, mapeou-se 3.548 instituições de longa permanência (ILPIs 8) distribuídas nas cinco regiões brasileiras. No Quadro 2 nota-se a carência deste tipo de moradia nas Regiões Norte e Nordeste, justificando-se, desta forma, propostas arquitetônicas que busquem acolher o idoso de forma satisfatória, tanto na esfera pública, quanto na privada. Quadro 2 - Número de ILPIs identificadas na pesquisa Número de ILPIs identificadas na pesquisa Região. Quantidade. Norte. 49. Nordeste. 302. Sudeste. 2.255. Sul. 693. Centro-Oeste. 249. Fonte: Autora adaptado de Lima (2011). 6. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 8 Não há consenso, no Brasil, sobre o que seja uma Instituição de Longa Permanência para Idosos. Sua origem está ligada aos asilos, que constituem a modalidade mais antiga de atendimento ao idoso fora do convívio familiar. Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as ILPIs são instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicilio coletivo de pessoas idosas, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania (CAMARANO, 2011, p. 03). 7.
(24) 24. Segundo Brasil (2004) dos 184 municípios cearenses, apenas 7,6% possuem ILPIs, das quais a maioria encontra-se em Fortaleza (10) e em Juazeiro do Norte (7). Percebe-se, portanto, a necessidade de criação de instituições deste tipo ou similares que proporcionem um acolhimento adequado aos idosos no município do Eusébio. A proposta da pesquisa baseia-se nos dados de Camarano (2008), no tocante ao déficit de instituições privadas. Em termos de natureza jurídica, no Ceará predominam as instituições privadas filantrópicas, das quais apenas 53,8% possuem registro de filantropia. Instituições públicas constituem apenas 10% do total. Não há no estado instituições mistas ou privadas (CAMARANO, 2008, p. 70).. Nesse contexto, como então seria o projeto arquitetônico de uma moradia assistida para idosos, na forma condominial, com diretrizes do cohousing? A proposta arquitetônica do trabalho apresenta os conceitos de moradia assistida, na qual as instalações físicas aliam a estrutura de um condomínio residencial a serviços de saúde e entretenimento, adotando a configuração espacial do modelo de moradia sustentável denominado cohousing. Com isso, propõe-se evitar dois dos maiores problemas ligados à terceira idade: a solidão e o desejo de permanecer vivendo em seus lares. Corriqueiramente, os projetos de moradia residencial para as classes de renda mais elevada se compõe de unidades assobradadas e com afastamento das demais, sendo construídas nas proximidades de vias de rápido acesso às áreas mais dinâmicas da cidade. Nestes projetos o espaço destinado ao lazer é mais amplo e variado, tornando-se necessária a aquisição de lotes com grandes dimensões. Atualmente, no Ceará, a concentração desses empreendimentos ocorre na região metropolitana de Fortaleza, nos municípios do Eusébio e Aquiraz, tendo em vista a exígua oferta de terra na capital, justificando a escolha da área do projeto da pesquisa. Com relação à localização do empreendimento, vale destacar a vocação residencial para o bairro Centro, onde já existem condomínios de casas, tanto térreas como de dois pavimentos, em sua grande maioria. A seguir uma breve amostra dos condomínios existentes no bairro conforme ilustrado nas Figuras 2 a 5..
(25) 25. Figura 2 - Condomínio de 30 casas de dois pavimentos. Fonte: Autora adaptado de Google Earth (2017).. Figura 3 – Condomínio de 47 casas de dois pavimentos. Fonte: Autora adaptado de Google Earth (2017).. Figura 4 – Condomínio de 34 casas de dois pavimentos. Fonte: Autora adaptado de Google Earth (2017). Figura 5 - Condomínio de 24 casas de dois pavimentos. Fonte: Autora adaptado de Google Earth (2017).. Sendo assim, o presente trabalho defende a possibilidade de uma moradia assistida alternativa como chave para a sustentabilidade, muito além das propostas de habitação sugeridas pelo mercado imobiliário da região. Percebem-se algumas.
(26) 26. características no retrato da produção arquitetônica do mercado imobiliário atual: exaustiva repetição tipológica, soluções de implantação inadequadas à topografia dos terrenos, culto ao automóvel, áreas de estacionamento definindo a disposição das edificações nos lotes, condomínios onde o paisagismo não é objeto de preocupação, generalização do padrão de “condomínios clubes”, reduzido dimensionamento das unidades habitacionais, falta de preocupação na inserção do desenho universal nos projetos e padronização tecnológica incompatível com as especificidades regionais, levando a empreendimentos sem o conforto ambiental mínimo. Ferreira (2012) explicita bem essa questão. Pode ser compreensível que o mercado da construção, como um agente privado da economia, busque sempre a maximização de seus ganhos, o que fatalmente o levará a reduzir o tamanho das unidades e situá-las onde a terra for mais barata. Compreensível, mas não aceitável, se o objetivo for a construção de cidades com qualidade de vida para todos. Menos aceitável ainda é que se produzam empreendimentos com arquitetura e implantações urbanísticas pouco diferentes dos sofríveis conjuntos habitacionais públicos construídos há três décadas, mas agora vendidos a preços de mercado. Daí a necessidade premente de uma maior regulação da atividade, sempre no sentido de garantir a viabilidade econômica dos empreendimentos, porém com maior qualidade e respeito ambiental (FERREIRA, 2012, p. 188).. Diante de tais observações, propõe-se uma moradia com uma arquitetura diversificada e fora dos padrões convencionais ditados pelo mercado, propondo-se: a adoção do uso misto no lote, com o objetivo de criar espaços que propiciem qualidade de vida e segurança para os moradores, além da inserção do empreendimento em um bairro de uso misto, facilitando a acessibilidade dos usuários; a valorização do pedestre, com grandes áreas de circulação e contemplação; valorização do paisagismo no projeto arquitetônico com jardins em abundância e uso de cerva viva entre os lotes privados; oferta de variação tipológica nas unidades habitacionais no mesmo empreendimento, visando atender a diferentes perfis familiares e grupos sociais; proposta de áreas de lazer compartilhadas objetivando a integração e o convívio entre os idosos e, por fim, a implantação de um setor de saúde ao residencial, contribuindo assim, para uma melhoria na qualidade de vida dos moradores. Nesse contexto, torna-se relevante ressaltar que, sendo a moradia um direito constitucional garantido e, reconhecendo-se a importância da moradia assistida adequada para os idosos, cabe aos arquitetos e urbanistas proporem soluções.
(27) 27. adequadas à nova realidade do público-alvo em questão, adotando soluções personalizadas que garantam autonomia e segurança.. 1.5 METODOLOGIA Quanto à sua natureza a pesquisa classificou-se como aplicada, que tem por fim gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos, como é o caso da moradia assistida para idosos. Quanto à forma de abordagem do problema a pesquisa caracterizou-se como qualitativa e quantitativa. Além de trabalhar com a interpretação de situações contemporâneas e lidar preferencialmente com situações ou contextos socioculturais complexos, houve a realização de simulações em softwares específicos com o objetivo da interpretação de fenômenos e a consequente atribuição de significados aos mesmos. Citam-se como exemplos as simulações de conforto ambiental e sintaxe espacial 9, objetivando-se a melhoria na qualidade do projeto arquitetônico. Quanto aos seus objetivos a pesquisa configurou-se como exploratória, pois envolveu levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema investigado (idosos) e análise de exemplos que estimularam a compreensão, tais como os estudos de referência. Os procedimentos foram contemplados em quatros fases, a seguir: 1. A primeira etapa caracterizou-se pela pesquisa bibliográfica em normas técnicas, artigos, dissertações, teses e legislação pertinente ao assunto, na busca de diretivas para o embasamento teórico, levandose em conta as diretrizes projetuais de moradias para idosos. Ao trabalhar com moradia assistida para idosos e sustentabilidade, dois temas principais se destacaram para reflexão teórica: acessibilidade. 9. Sintaxe do espaço é uma teoria de análise do espaço desenvolvida nos anos 1970 pelo professor Hillier, professora Julienne Hanson e seus colegas da Barlett School of Graduate Studies – University College London, e posteriormente utilizada e desenvolvida em centenas de universidades e instituições de ensino, bem como em práticas profissionais em todo o mundo. A sintaxe do espaço busca analisar a relação entre organização espacial e uma gama de fenômenos sociais, econômicos e ambientais. Estes aspectos incluem padrões de movimento, consciência e interação; densidade, uso do solo e o valor da terra; crescimento urbano e diferenciação social e segurança. A sintaxe do espaço fornece um conjunto de teorias e métodos de análise de configurações espaciais de todos os tipos e em todas as escalas através da análise quantitativa, utilizando a informática geoespacial (SPACE SYNTAX NETWORK, 2013). O livro The Social Logic of Space (HILLIER; HANSON, 1984) traz os conceitos e procedimentos analíticos da sintaxe do espaço..
(28) 28. espacial e cohousing. Foram usados a NBR 9050/2015, os princípios do desenho universal, os conceitos de sintaxe espacial e os princípios do modelo de moradia cohousing como referenciais teóricos. Esta etapa também contemplou o estudo dos condicionantes de projeto legais e ambientais. 2. A segunda etapa referiu-se ao reconhecimento das necessidades espaciais dos idosos, isto é, o estudo de quais espaços são necessários. e. empreendimento.. de. maior. Para. esta. relevância. para. etapa. usou-se. os a. usuários. do. programação. arquitetônica como ferramenta para destrinchar o projeto arquitetônico (elaboração dos setores e espaços do condomínio). Houve também a realização de entrevista e aplicação de grupo focal com idosos de grupos sociais semelhantes ao da pesquisa. O grupo focal, como ferramenta de pesquisa qualitativa, ajuda a identificar tendências, desvendar problemas e revelar os hábitos dos usuários em questão. 3. A terceira etapa configurou-se pelos estudos de referências projetuais, com o objetivo de analisar os precedentes arquitetônicos, isto é, aqueles que se refletem no objeto projetado e foram realizados de modo sistemático e intencional. Utilizaram-se os seguintes estudos de referência: Vila Hogeweyk em Amsterdã, Holanda; Belterra Cohousing, situada na Ilha Bowen, Canadá; Condomínio Cidade Madura em João Pessoa, Paraíba e Vila dos Idosos em São Paulo – SP. Estes estudos revelaram importantes características com potencial de contribuição para o desenvolvimento da proposta arquitetônica desse trabalho. 4. A etapa seguinte, e última, foi a aplicação da abordagem teórica no produto final, isto é, na proposta arquitetônica de moradia assistida para idosos. Na versão final do anteprojeto realizaram-se estudos de conforto ambiental e sintaxe espacial, através de simulações em softwares, com o objetivo da melhoria contínua das soluções projetuais. Os softwares Climate Consultant, Solar Tool e Ecotect Analisys foram usados nas simulações e consultas de conforto ambiental e o software Depthmap foi utilizado nas simulações de sintaxe espacial. Buscou-se uma prática projetual na moradia para.
(29) 29. idosos onde seja pensado o desenho universal intrinsecamente articulado com a sustentabilidade desde a concepção do projeto. A seguir uma compilação das etapas metodológicas da pesquisa de forma esquematizada (Quadro 3). Elaborou-se também um cronograma da pesquisa detalhado com as etapas desenvolvidas (Quadro 4). A metodologia de projeto utilizada será abordada no item 4 – Programação Arquitetônica. Quadro 3 - Etapas Metodológicas da pesquisa. Etapas. 1ª. Descrição das etapas Estudo do referencial teórico-conceitual (Idosos, desenho universal, moradia assistida, cohousing) Estudo dos condicionantes de projeto. 2ª. Reconhecimento das necessidades espaciais dos idosos. 3ª. Estudo das referências projetuais. 4ª. Elaboração do projeto arquitetônico Fonte: Autora (2017).. Procedimentos técnicos Leitura em normas, livros, artigos científicos, dissertações, teses, revistas, sites, legislação etc. Elaboração da programação arquitetônica. Realização de entrevistas e aplicação do grupo focal. Elaboração de quadro síntese de aplicação de soluções projetuais no produto final. Elaboração do anteprojeto Simulações de conforto ambiental e sintaxe espacial.
(30) 30. Quadro 4 - Cronograma de Pesquisa / Projeto MESES. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS. SET / OUT NOV / DEZ 2015. JAN / FEV / MAR ABR / MAI / JUN 2016. Disciplinas cursadas – 1º semestre Disciplinas cursadas – 2º semestre Disciplinas cursadas – 3º semestre. Pesquisa bibliográfica em normas técnicas e legislação pertinente ao assunto (Referencial Teórico). Estudos de Referências Projetuais Realização de entrevista, elaboração da programação arquitetônica e realização de simulações de conforto ambiental Concepção e desenvolvimento do Estudo Preliminar. Revisão da dissertação e da proposta arquitetônica pela Banca. Qualificação Adequações e correções do trabalho Desenvolvimento da pesquisa / projeto Estudos de sintaxe espacial (simulações) e elaboração e detalhamento do anteprojeto Entrega e defesa da dissertação. Fonte: Autora (2017).. JUL / AGO 2016. SET / OUT NOV / DEZ 2016. JAN / FEV / MAR ABR / MAI 2017. JUN / JUL / AGO 2017.
(31) 31. 2 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL Neste referencial teórico-conceitual foram abordados os quatro aspectos que deram suporte ao processo de projeto apresentado nesta dissertação. Procurou-se dividi-los em grupos (Quadro 5), relacionados ao público-alvo do projeto, acessibilidade, habitação e diretrizes de sustentabilidade, para uma melhor compreensão do leitor. Buscou-se, neste capítulo, estabelecer um diálogo contínuo entre as referências e as tomadas de decisão projetual. Quadro 5 – Referencial teórico-conceitual Referencial teórico-conceitual Público-Alvo. Idosos. Acessibilidade Acessibilidade espacial – desenho universal e sintaxe espacial. Habitação. Sustentabilidade. Moradia Assistida. Cohousing. Fonte: Autora.. O primeiro deles refere-se ao público-alvo do empreendimento, que são os idosos. Procurou-se apresentar algumas definições e traçar um breve panorama das necessidades atuais dos idosos, referentes à moradia, demonstradas em pesquisas, como manuais, cadernos, resoluções, portarias e leis do Governo, dissertações, teses e pesquisas de mercado. O segundo aspecto faz referência à acessibilidade espacial, item primordial a qualquer projeto arquitetônico e, de grande importância para o público-alvo em questão. O terceiro é a moradia assistida, que delineou o programa de necessidades do condomínio residencial, abrangendo características relativas à habitação e assistência em saúde. O outro aspecto estudado foi o cohousing, relacionado com questões de sustentabilidade na habitação: refere-se à metodologia de adoção de ações sustentáveis que visam uma melhoria na qualidade da habitação, embasando o estudo e definição da implantação do empreendimento..
(32) 32. 2.1. IDOSOS O trabalho lida com idosos e famílias da classe social B10, com grau de. autonomia e grau de dependência 1. Segundo Brasil (2005, p. 2) “indivíduo autônomo é aquele que detém poder decisório e controle sobre sua vida. Idosos com grau de dependência 1 são idosos independentes, mesmo que requeiram uso de equipamentos de autoajuda”. O público-alvo do empreendimento são idosos que chegam à terceira idade com saúde, lucidez e autonomia para realizar as atividades rotineiras do dia-a-dia. Para o projeto arquitetônico propôs-se um empreendimento privado com sistema de gestão de aluguel das unidades habitacionais por tempo determinado (5 anos), podendo ser renovado periodicamente. O porquê desta escolha surgiu de um questionamento durante o desenvolvimento da pesquisa: sendo o público-alvo do condomínio pessoas idosas e suas famílias e, o processo de envelhecimento um fato, chegará um ponto em que os moradores irão falecer. O que acontecerá então com as casas destes moradores? Caso os familiares permanecessem convivendo no residencial, o público-alvo do empreendimento iria ser descaracterizado, tornando-se um condomínio de pessoas jovens, desvirtuando-se da proposta da pesquisa. Desta forma, caso o morador idoso venha a falecer, o direito a moradia será perdido e a residência será transferida para outro inquilino. Ainda que o público-alvo do projeto seja aquele que apresenta uma situação de independência no tocante à mobilidade pessoal e capacidade de estabelecer relacionamentos pessoais e sociais, optou-se pelo não impedimento do acolhimento de outros tipos de idosos no condomínio. São permitidos idosos que necessitem de maiores cuidados, por não conseguirem cuidar de si próprios (grau de dependência II11) (BRASIL, 2003), bem como idosos que possam vir a ter algum tipo de deficiência, como Mal de Alzheimer ou Mal de Parkinson, durante sua morada no residencial, visto que poderão estar acompanhados de seus familiares. Quanto aos. 10. Classe Social A = (Renda mensal=+ 15 salários mínimos); Classe Social B = (Renda mensal=de 05 a 15 salários mínimos); Classe Social C = (Renda mensal=de 02 a 05 salários mínimos); Classe Social D = (Renda mensal=até 01 salário mínimo). Fonte: IBGE (2010). 11 idosos com dependência em até três atividades de autocuidado para a vida diária, tais como: alimentação, mobilidade, higiene; sem comprometimento cognitivo ou com comprometimento cognitivo leve..
(33) 33. idosos no grau de dependência III12, há uma maior cautela para admissão deste público. Com relação à moradia, em pesquisas realizadas recentemente, observouse que existe uma parcela significativa de idosos morando sozinhos. Góis (2012, p. 109), analisando 11 países (Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Reino Unido e Suécia), constatou que “juntos detêm 19% dos 578 milhões de idosos do mundo”. O autor constatou a presença de quatro formas de habitação, conforme o Quadro 6, sendo 83% de residências próprias, dados que reforçaram o formato da proposta arquitetônica da pesquisa. Quadro 6 - Formas de habitação para idosos em 11 países. Fonte: Organização das Nações Unidas (2008) apud Góis (2012).. De acordo com Brasil (2012) “a parcela de pessoas com mais de sessenta anos que moram sozinhas aumentou de 1,17 milhões em 1992 para 3,7 milhões em 2012”. Percebe-se que o percentual de homens e mulheres morando sozinhos (Figura 6) cresceu em todos os grupos etários entre 2001 e 2009. Nos grupos 15-29, 30-44 e 45-59 anos predominam os homens morando sozinhos, porém entre os idosos, as mulheres morando sozinhas suplantam os homens em grande proporção. Estas estatísticas podem ser percebidas nos estudos de referências projetuais Vila dos Idosos e Belterra Cohousing, respectivamente nos itens 3.2 e 3.4 da brochura que deram suporte para a elaboração dos tipos habitacionais da proposta.. 12. Idosos que requeiram assistência em todas as atividades de auto-cuidado para a vida diária e/ou comprometimento cognitivo..
(34) 34. Figura 6 – Percentagem da população brasileira morando sozinha por grupos etários. Fonte: PNAD – IBGE (2016).. Em uma pesquisa sobre os dados do envelhecimento, “novas necessidades foram explicitadas pela pessoa idosa, como de autonomia, mobilidade, acesso a informações, serviços, segurança e saúde preventiva.” (BRASIL, 2010, p. 2). Outra pesquisa direcionada ao público idoso também revelou interessantes descobertas. Segundo a Serasa Experian (2014) “quanto mais idade o indivíduo tem, menor é seu interesse em comprar imóvel. Os idosos preferem alugar um espaço, com períodos contratuais de tempo menores que 30 meses, como é o padrão brasileiro, que podem ser renovados”. Idosos com escolaridade mais alta, com nível superior, preferem alugar os imóveis e idosos com escolaridade baixa preferem comprar o imóvel. Os idosos de hoje buscam praticidade e segurança, como a moradia em apartamentos menores ou em condomínios que tenham áreas de lazer conjuntas, conforme pesquisa da Serasa Experian (2014). É muito comum idosos reunirem-se em áreas de lazer e gastronomia desenhados para grupos que ficam ali horas conversando. É uma forma de se entreter usando a praticidade dos fast-foods ou cafés das proximidades. Eles não querem receber em casa e ter que arcar com a despesa e limpeza posteriores. Daí que uma moradia próxima aos serviços de bancos, shoppings, cafés e restaurantes torna-se uma opção mais agradável do que uma casa ou apartamento em zona estritamente residencial que implica em usar o carro e demandar mais trabalho (SERASA EXPERIAN, 2014)..
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