UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO
Thiago Felix de Souza Galvão
“DA SALVADOR DE AGORA”
Perfis de jovens artistas da cidade
SALVADOR
2008
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO
“DA SALVADOR DE AGORA”
Perfis de jovens artistas da cidade
Memorial do Projeto Experimental de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de graduação em Comunicação com habilitação em Jornalismo da Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social. Orientador: Prof. Maurício Tavares
SALVADOR
2008
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família principalmente por todo o apoio, carinho e compreensão; aos meus colegas que tornaram a passagem pela faculdade muito mais interessante e ao meu orientador Maurício Nogueira Tavares pela boa vontade e bom humor.
RESUMO
Este trabalho é uma reportagem formada pela reunião de perfis de jovens artistas que vivem e trabalham na cidade de Salvador. E o exercício de experimentar as diversas formas de explorar o perfil como formato, partindo das experiências do jornalismo literário.
SUMÁRIO 1. Diretrizes e Objetivos...06 2. O Personagem...12 3. Curadoria...14 4. Forma & Conteúdo...18 5. Edição...21 6. Justificativa...22 7. Conclusões...24
8. Referências Bibliográficas...26 1.Diretrizes e objetivos Entre muitas outras coisas, este trabalho tem como objetivo compor, através da reunião de alguns perfis, um retrato da cena de pessoas jovens que tentam desenvolver trabalhos artísticos e atividades culturais na cidade de Salvador. Estamos interessados na idéia de “jovens artistas”, pessoas com menos de trinta anos que começam a se familiarizar com as responsabilidades da vida adulta e a desenvolver seus próprios trabalhos, tentando inserilos no mercado e se esforçando para sobreviver às custas dele. Jovens que utilizam várias formas de expressão: fotografia, teatro, cartum, música, textos; e também
produtores culturais.
Os perfis pretendem montar um painel com nomes que, de alguma maneira, movimentam a cena cultural jovem de Salvador; pessoas cujo futuro não delineia apenas o curso de suas vidas, mas, muito possivelmente, o rumo da produção cultural no ambiente do qual fazem parte.
Para capturar a atmosfera desta cena serão elaborados perfis desses jovens, tentando mostrar um algo da personalidade de cada um, buscando entender o trabalho que desenvolvem e apresentando uma perspectiva crítica dele. Estes perfis serão elaborados dentro dos aspectos estruturais do que se convencionou chamar no Brasil de jornalismo literário.
O flerte com o jornalismo literário representa a possibilidade de incorporar ao texto recursos como diálogos e descrições, mais presentes na literatura; pouco compatíveis com o jornalismo mais convencional. Tendo como referência os padrões estéticos de um texto menos vinculado ao estilo seco e categórico da grande imprensa, haverá mais espaço para apresentar os personagens incluindo pequenas digressões, narrativas e até mesmo aspectos metalingüísticos do exercício da compreensão do universo persoal de cada um. Fazse uso de todos estes recursos na tentativa de fazer como afirma Humberto Werneck no posfácio de Fama e Anonimato, do jornalista americano Gay Talese “um relato, não um relatório”.
Parte do que se pretende neste trabalho é descrita por Cremilda Medina no livro “Entrevista o diálogo possível” como “Perfil Humanizado”. Segundo Cremilda, neste tipo de abordagem o “entrevistador” deve tentar compreender os conceitos, valores, comportamentos e o histórico de vida das pessoas. No entanto esta não é uma definição muito clara. A própria Cremilda, no mesmo livro, fala sobre a incipiente produção intelectual e a dificuldade de teorizar sobre a entrevista e o perfil no campo jornalístico. Mas este trabalho não cuidará apenas de entrevistar os perfilados. Um referencial importante para o desenvolvimento destes perfis é o trabalho realizado por nomes como Truman Capote, Keneth Tynan e Gay Talese em períodicos como a revista New Yorker, e agora publicado em livros como “Os cães ladram” “A vida como performance” e “Fama e Anonimato”. Estes autores ocuparam lugar de destaque na arte de escrever sobre pessoas e lugares, utilizando uma linguagem que flertava com a literatura, mas que estava a serviço do jornalismo (ainda que às vezes o valor como obra literária relegue ao segundo plano a intenção jornalística deles).
No entanto, o ideal do jornalismo literário não pode ser tomado aqui como meta. Em primeiro lugar por este não se estruturar como um conjunto de regras – as características que determinam o que poderia ser tido jornalismo litérario passam pela postura livre no que diz respeito às convenções do estilo jornalístico, pela influência da literatura: na procura ferramentas que pudessam dar ao seu texto maior qualidade estética (tornandoo assim mais interessante para o leitor) – e isto não alcança um grau de especifidade razoável para designar se algom merece ou não pertencer a um categoria. Em segundo lugar, o que se chamou de jornalismo literário também está muito vinculado a um contexto histórico específico, e já distante. Como, mesmo naquela época, já não havia regras para fazêlo, também não haveria agora para julgar se o trabalho estaria sendo executado de maneira satisfatória dentro dos padrões de jornalismo literário. Esta tentativa de retratar alguns personagens considera o repertório do jornalismo literário apenas como um referencial para elaborar um produto jornalístico, descritivo, mais livre dos padrões estilísticos da grande imprensa e disposto a incorporar como recurso
estético algo da escrita literária. Acima de tudo, este trabalho de apresenta como uma possibilidade de experimentar maneiras diferentes de tentar retratar um pouco do temperamento, da história pessoas e das carácterísticas do trabalho dos personagens envolvidos.
Uma vez que estes perfis literários estejam escritos e o universo pessoal de cada um dos personagens esteja apresentado, a compilação de todos eles numa “reportagem” pretende reunir dados suficientes traçar este pequeno panorama. Esta é uma tentativa de reunir um conjunto representativo de pessoas que se enquadrem em um certo tipo: jovens que, enquanto começam suas carreiras e se deparam com os conflitos da vida adulta, conseguem, através de sua produção, enriquecer e movimentar a cena cultural na cidade de Salvador. Um bom exemplo do tipo de investida que se faz aqui é a reportagem “O Piauí existe”, publicada na revista Realidade (e apresentada por Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari em seu “Técnicas de Reportagem – notas sobre a narrativa jornalística”) na qual a população do estado do Piauí é retratada através de perfis de tipos comuns encontrados no estado.
Em resumo, como esclarece Alceu Amoroso Lima em seu “O jornalismo como gênero literário”, a atividade jornalística que pretende ter algum valor literário não deve considerar a escrita apenas como um meio para levar informação.
Este trabalho tem como objetivo traçar os perfil de sete jovens que desenvolvem trabalhos relevantes na cultura da cidade Salvador, e para isto ele pretende se apropriar de técnicas jornalísticas como a entrevista, se apoiar no exemplo de escritores do jornalismo literário e considerar a atividade da escrita não só como um meio para levar informação, mas como um fim em si mesmo, dotado de algum valor estético, sem ao mesmo tempo deixar de lado seu objetivo informativo.
É bastante conveniente chamar cada uma das pessoas qualificar como personagens cada uma das pessoas que aparece neste trabalho. Pois seria deveras leviano e presunçoso tratar o que está escrito aqui sobre eles como algo que dê conta de explicar e reproduzir o que cada um é em toda a sua complexidade. Além trazer o compromisso de refletir alguma coisa vida e da personalidade de cada um, o que se apresenta apenas uma observação através de sua persona artística. Por trás de tudo isso ainda há a intenção de contextualização, da representação do modo como se integram à cena cultural soteropolitana e de como ajudam a desenhála. Abordase o que cada um representa destro desta perspectiva, o que de interessante cada um pode oferecer para compor um painel da cena de jovens que trabalham produzindo bens culturais. Os personagens, como se apresentam neste trabalho, são resultado de uma bordagem específica, cujas intenções nem sempre privilegiam o que cada um é em toda a sua complexidade, pois encontra limitações impostas pela sua própria proposta e por aspectos implícitos no seu processo de produção.
O que se apresenta aqui como parte da história, da aparência, da personalidade e da mentalidade de cada perfilado tem o único propósito de ajudar a compor uma interpretação das pessoas que assinam os trabalhos oferecidos ao público. Por questões formais, éticas, estéticas e até mesmo prática muito do que cada um é teve que ser deixado de lado, sendo privilegiado aqui o que ajuda a explicar a obra e o papel que cada um desempenha no meio a que pertence. Por isso é importante ressaltar que cada um dos perfilados apacerece aqui como um personagem que serve a um propósito que vai além do seu retrato pessaol, ainda que este retrato seja parte fundamental do trabalho.
3.Curadoria Acompanhando a intenção de apresentar um pequeno panorama de jovens artistas que começam agora a percorrer suas tragetórias profissionais e a fazer parte da cena cultural da cidade de Salvador vem a responsabilidade de escolher entre inúmeras pessoas que realizam os mais diversos trabalhos. E ainda as restrições que se enfrenta no que diz respeito a sua disponibilidade e comprometimento com o trabalho.
Primeiro havia a necessidade óbvia de se apresentar personagens que trabalhassem com diferentes linguagens e suportes. Procuramos então represetantes para a produção musical, teatral, das artes visuais e pessoas que promovessem atividades culturais e também alguma coisa de produção literária.
Em cada uma das categorias havia grande número de opções. A qualidade da produção foi um fator determinante para eliminação de possíveis candidatos. Deixando de lado gostos pessoais ainda havia a necessidade de contemplar a diversidade de estilos e de formas de pensamento. Por outro lado ainda tinham que ser levados em consideração aspectos práticos da pesquisa e
apuração em cada um dos casos.
Há um sem número de fatores envolvendo questões sociais, polítcas, identitárias, estéticas e econômicas influenciando a escolha de personagens. Por isso o que se apresenta aqui não tenho nenhuma pretensão de esgotar o tema ou representar objetivamente as características da cena cultural baiana.
Os relatos apresentados aqui pretendem que o espírito da época e do lugar se revele através da experiência subjetiva de cada perfilados. Em nenhum momento o leitor deve supor que qualquer um dos sete seja um representante modelo, uma amostra especialmente reveladora do todo. A idéia é justamente que o todo e a voz da coletividade se revele através de suas idiossincrasias de cada um dos perfilados. Por isso é mais fácil salientar os motivos da escolha de cada um deles. Na produção de artes visuais o GIA era a opção óbvia pela relevância do seu trabalho e pela precoce legitimação através do reconhecimento do trabalho por instituições como o Museu de Arte Moderna da Bahia. Dentre os cinco membros, Pedro Marighela foi escolhido pela diversidade dos trabalhos e pelo
caráter pitoresco de suas histórias.
Como o trabalho muitas vezes privilegiava opções alternativas, na música tentamos prestigiar a predominância do Axé Music e escolhemos através de Amanda Santiago mostrar os desafios propostos pela indústria do carnaval de Salvador. O advento das câmeras digitais e a possibilidade de publicar material em perfis da internet fizeram crescer em muito o número de fotógrafos. A nova cara da fotografia baiana já estava definida e João Meirelles, além de estar ligado à entidades que ajudam a criar uma imagem da Bahia para o resto do país e até para si mesma, ainda se mostrava polivalente em sua produção. E trazia um trabalho impregnado da sua distinta personalidade. Por sua vez a personagem de Caroline Feitosa acabou se transformando em um ícone de jovens que não se viam em nada representados pelas temáticas da “baianidade”. Ela própria é um retrato muito interessante deste tipo de pessoa. E traz uma forma bastante peculiar de representar isso e outras questões como a feminilidade em uma tirinha. O tipo de produção tão raramente realizado na Bahia.
bastante descolada do sentimento de pertencimento aos valores da identidade local, de montar e dirigir sua primeira, adaptada de um texto português e encenada por uma companhia baiana. Difícil encontrar um representante da jovem produção literária de Salvador. No entanto, os textos de Juliana Cunha já tão identificados com as possibilidades de publicação na internet, e sua postura como personagem que se apresenta na rede por meio de perfis textos e fotos renderam a ela o seu lugar como personagem local no que diz respeito à produção de textos. O lugar que se destinava a produtores e agitadores culturais nesta pequena compilação de personagens locais se destinava inicialmente aos precursores da cena de festas de discotecagem em Salavador. No entanto, Diego Almeida acabou se revelando uma opção muito rica para falar do papel da internet na segmentação do público e também das possibilidades que ela oferecede para organização e comunicação entre as pessoas. Podemos dizer então que a escolha se baseou em como se articulava o que havia de idiossincrático em cada personagem e em como ele poderia representar o grupo ao qual pertencia. Levando em cosdireção também os que poderiam render trabalhos mais interessantes dentro do formato estabelecido e as condições práticas de entrar em contanto com as informações necessárias para escrever a seu respeito.
4. Forma & Conteúdo
Este trabalho também é uma investigação do perfil com formato. Ele propõe o exercício experimental abordagens através das quais se possa falar de pessoas diferentes com as quais se teve tipos diferentes de contato. Parte fundamental de sua elaboração envolveu o contato com cânones deste tipo de escrita a partir dos quais foram estabelecidas as abordagens formais de cada caso.
O perfil da cantora Amanda Santiago tinha que ser escrito a partir da experiência de acompanhála durante o período de produção para uma sessão de fotos. Para fazer isto foi muito importante apreender algo do estilo da jornalista americana Lillian Ross. O modo como ela partia de pequenas situações para chegar à caracterização dos personagens se revelou uma maneira bastante apropriada de tratar o material bruto que reunido a respeito da cantora. O perfil de Amanda foi completamente pensado a partir do trabalho de Mrs. Ross.
Truman Capote foi mais que um mestre na arte de se colocar pessoalmente em escritos sobre outras pessoas. Nos casos de Dielgo Almeida e Pedro Marighela, com que m havias intimidade suficiente para que não se conseguisse uma opinião visão mais “objetiva” era uma abordagem mais pessoal se pretendia fazer. Como eu conheci Pedro Merighella traz no próprio título a sua explicação. É um depoimento sobre o artista, a partir da experiência de conhecêlo um pouco melhor pessoalmente e das histórias ouvidas a seu respeito.
No caso de Diego fezse a opção de tratar o modo como ele precisou articular uma relação com uma cidade da qual destoava bastante, para, assim, poder realizar seu trabalho. Então se apresenta uma breve retrospectiva de sua vida, enfatizando os momentos mais emblemáticos desta relação. O texto sobre João Meirelles é muito influênciado pelo modo como Kenneth Tynan escrevia sobre as pessoal. Kenneth deixava transparecer muito em seus perfis a sua formação como crítico de teatro. O modo como ele escrevia sobre os atores não devia ser muito diferente de como escrevia sobre suas interpretação, talvez por isso a compilação de perfis escritos por ele se chame, justamente, A vida como performane.
O trabalho de João se confunde muito com a sua própria personalidade, seria possível escrever as mesmas coisas sobre um ou outro. Por isso a crítica do que João apresenta ao público seria um perfil muito esclarecedor dele próprio. O que se buscou foi um elemento que fincionasse como uma espécie de “chave semântica” para entender tanto um quanto o outro.
exatamente pelo caráter relevante de acontecimentos que a se tornar a pessoa que ela hoje é. Isto posto partese para uma pequena investigação psicológica do modo como ela aprendeu a lidar com isto tudo, com o mundo e, pricipalemente, consigo mesma.
É algo parecido o que se faz no perfil de Rita Carelli, só que na ordem inversa. Partese de uma caracterização da personagem, descrevendo sua história pessoal, sua aparência e sua personalidade, para chegar finalmente ao momento em que ela se depara com o momento de experimentar a si mesma como diretora e sua relação com um lugar ao qual não pertence.
No caso de Caroline Feitosa já havia muito para dizer sobre ela a partir de sua personagem e não havia qualquer expectativa de que ela fosse muito diferente daquilo. Depois de ouvíla bastante e de sujar os sapatos nas tintas da Rabuga, o que se tentou foi explorar o modo como as semelhanças entre ela e sua personagem se desmembravam na vida cotidiana, além da forma como as diferenças se impuseram com o passar do tempo e com a evolução da artista e da personagem. 5.Edição Por definição, este trabalho é uma reportagem sobre a jovem cena de pessoas
que produzem cultura na cidade de Salvador, ainda que isto se dê através da reunião destes setes perfis.
As prioridades do processo de elaboração estavam mais voltadas para o exercício da forma e para a apresentação dos personagens. Por isso não foram levadas em consideração as restrições ou formatações impostas pelos veículos de comunicação.
Cogitandose a hipótese de uma publicação e pensando em formas que beneficiem os propósitos desta reportagem, duas opções se apresentam como razoáveis.
Na primeira e os perfis seriam publicados separamende em números consecutivos de algum periódico dentro de uma série sobre a cena de jovens artistas. Na segunda, eles viriam agregados uns aos outros na forma de um livroreportagem. Há ainda a hipótese de publicar os perfis na internet. No entanto a extensão do texto não se mostra compatível com o tipo de leitura que se faz neste veículo. E o formato blog seria bastante controverso já que os textos e os temas não se destinam à atualizações.
6.Justificativa:
A existência deste trabalho se justifica, primeira e obviamente, pela necessidade de cumprimento de deveres acadêmicos. Em uma esfera menos pessoal, podese dizer que seja justificável a existência de um registro do modo de vida, do jeito de pensar e das características pessoais de jovens que ajudam a tornar possível a produção cultural baiana neste fim de década. No caso específico deste material, parece razoável dedicar interesse e esforço à tarefa de mostrar um pouco da identidade e do trabalho dos artistas no início de suas carreiras, levando em consideração a importância deste período na formação de cada um deles. Além disso, tratase de um recorte que capaz de revelarr um pouco melhor esta geração que surge e se estabelece já nas novas configurações trazidas pela a internet e junto com outras tranformações políticas e sociais dos anos “00”.
Há ainda a possibilidade de os artistas colocados em pauta se tornarem nomes proeminentes da cena cultural local. Desta forma este trabalho ganharia uma nova leitura, e teria o mérido de trazer à luz um período “obscuro” da vida destes artistas. Aí não teríamos apenas uma descrição interessante e curiosa, mas um importante e peculiar registro de momentos determinantes da carreira
de cada um deles.
Por outro lado, encarando este projeto como um material destinado a contribuir para a formação profissional de um jornalista, podese dizer que desempenha um papel muito importante. Ele representa a oportunidade de se desenvolver um produto jornalístico sob a supervisão de um orientador. Isto inclui, não apenas uma crítica muito mais apurada e comprometida com o bom rendimento do que se poderia esperar em condições comuns; mas um tipo de encaminhamento e um ritmo de trabalho que supõem uma sofisticação muito maior do que a maioria das redações parece poder oferecer.
7.Conclusões
Da distância que sempre existe entre a intenção de realizar algo e o o feito propriamente dito é que se tira o aprendizado. E na falta de correspondência entre as duas coisas cabe tudo o pôde ser trazido pelas contingências. A distancia entre a primeira intenção e o resultado final deste trabalho é muito grande. O percurso envolveu muita dedicação durante pesquisas para entender o mundo de sete pessoas muito diferentes entre si, e o prazer de descobrir a escrita primorosa de pessoas com raro envolvendo com o elemento humano, como é o caso do brilhante Joseph Mitchell. A tarefa de escrever envolveu muito respeito pelas pessoas que inspiraram este trabalho e a profunda consciência da distância que existe entre ele e os seus referenciais. No entanto, a reflexão sobre como adaptar ao uso comum o tipo de abordagem por trás da sensibilidade genial de escritores como Truman Capote é algo de que este trabalho se alimente e é nisto que se baseia.
Uma das grandes motivações para começar este projeto foi a familiaridade que já existia com parte da bibliografia. O contato com os livros listados aqui, e também com alguns outros, está implícito em vários momentos do trabalho e representam um crescimento muito importante para o modo de pensar o fazer jornalístico. Tentar mostrar um pouco da Salvador de agora envolveu também conhecêla melhor, junto com cada uma das sete fascinantes pessoas que se tenta apresentar aqui. É certo que há muitos erros, e podese ter certeza de que houve imenso comprometimento com os acertos. É claro também que este trabalho não é suficiente para representar os personagens e a produção de Salvador neste meio e neste tempo, nem é um dos melhores exemplos do tipo de escrita à qual pretende pertencer. O importante para a realização dele foi muito mais estabelecer alguma relação com todas estas coisas, e aprender com todas elas. E isto, parece, está feito.
8.Referências Bibliográficas CAPOTE, Truman. A Sangue Frio. São Paulo: Abril Cultural, 1980. ________________ Os Cães Ladram. São Paulo: Abril Cultural, 1984. ________________ Música para Camaleões. São Paulo: Abril Cultural, 1984. FERRARI e SODRÉ, Maria Hellena e Muniz. Técnicas de Reportagem – notas sobre a narrativa jornalística, São Paulo: Summus, 2008. GIDE, André. Córidon. São Paulo: Civilização Brasileira, 1971. LIMA, Alceu Amoroso. O Jornalismo como Gênero Literário. Rio de Janeiro de
Janeiro: Agir, 1980. LINDOSO, Felipe [organizador]. Rumos (do) Jornalismo Cultural. São paulo: Summus, Itaú Cultural, 2007. MEDINA, Cremilda. Entrevista, o diálogo possível. São Paulo: Summus, 1987. Mitchell, Joseph. O Segredo de Joe Gould. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. MILLER, Henry. Um Diabo no paraíso. Rio de Janeiro: Pioneira, 1997 . OLINTO, Antonio. Jornalismo e Literatura. Rio de Janeiro: Tecnoprint. 1955. ROSS, Lillian. Cinema e Outras Reportagens. Rio de Janeiro: Agir, 1977. TALESE, Gay. Fama e Anonimato. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. TYNAN, Kenneth. A Vida Como Performance: perfis. São Paulo. Companhia das Letras, 2004.