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"Da salvador de agora" perfis de jovens artistas da cidade

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

      

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO

Thiago Felix de Souza Galvão

“DA SALVADOR DE AGORA”

Perfis de jovens artistas da cidade

SALVADOR

2008

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

      

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO

“DA SALVADOR DE AGORA”

Perfis de jovens artistas da cidade

Memorial   do   Projeto   Experimental   de  Conclusão de Curso apresentado ao Curso  de   graduação   em   Comunicação   com  habilitação em Jornalismo da Faculdade de  Comunicação,   Universidade   Federal   da  Bahia,   como   requisito   para   a   obtenção   do  grau de Bacharel em Comunicação Social. Orientador: Prof. Maurício Tavares

SALVADOR

2008

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AGRADECIMENTOS

Agradeço   à   minha   família   principalmente   por   todo   o   apoio,   carinho   e  compreensão; aos meus colegas que tornaram a passagem pela faculdade  muito mais interessante e ao meu orientador Maurício Nogueira Tavares pela  boa vontade e bom humor.

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RESUMO

Este  trabalho  é  uma  reportagem  formada  pela  reunião  de  perfis  de jovens  artistas   que   vivem   e   trabalham   na   cidade   de   Salvador.   E   o   exercício   de  experimentar as diversas formas de explorar o perfil como formato, partindo  das experiências do jornalismo literário.

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SUMÁRIO 1. Diretrizes e Objetivos...06 2. O Personagem...12 3. Curadoria...14 4. Forma & Conteúdo...18 5. Edição...21 6. Justificativa...22 7. Conclusões...24

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8. Referências Bibliográficas...26 1.Diretrizes e objetivos  Entre muitas outras coisas, este trabalho tem como objetivo compor, através da  reunião de alguns perfis, um retrato da cena de pessoas jovens que tentam  desenvolver trabalhos artísticos e atividades culturais na cidade de Salvador.   Estamos interessados na idéia de “jovens artistas”, pessoas com menos de  trinta anos que começam a se familiarizar com as responsabilidades da vida  adulta e a desenvolver seus próprios trabalhos, tentando inseri­los no mercado  e se esforçando para sobreviver às custas dele. Jovens que utilizam várias  formas   de   expressão:   fotografia,   teatro,   cartum,   música,   textos;   e   também 

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produtores culturais.

Os perfis pretendem montar um painel com nomes que, de alguma maneira,  movimentam   a   cena   cultural   jovem   de   Salvador;   pessoas   cujo   futuro   não  delineia apenas o curso de suas vidas, mas, muito possivelmente, o rumo da  produção cultural no ambiente do qual fazem parte.

Para capturar a atmosfera desta cena serão elaborados perfis desses jovens,  tentando mostrar um algo da personalidade de cada um, buscando entender o  trabalho que desenvolvem e apresentando uma perspectiva crítica dele. Estes  perfis   serão   elaborados   dentro   dos   aspectos   estruturais   do     que   se  convencionou chamar no Brasil de jornalismo literário.

O flerte com o jornalismo literário representa a possibilidade de incorporar ao  texto recursos como diálogos e descrições, mais presentes na literatura; pouco  compatíveis com o jornalismo mais convencional. Tendo como referência os  padrões estéticos de um texto menos vinculado ao estilo seco e categórico da  grande   imprensa,   haverá   mais   espaço   para   apresentar   os   personagens  incluindo   pequenas   digressões,   narrativas   e   até   mesmo   aspectos  metalingüísticos do exercício da compreensão do universo persoal de cada um.  Faz­se   uso   de   todos   estes   recursos   na   tentativa   de   fazer   ­   como   afirma  Humberto Werneck no posfácio de Fama e Anonimato, do jornalista americano  Gay Talese ­ “um relato, não um relatório”.

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Parte do que se pretende neste trabalho é descrita por Cremilda Medina no  livro   “Entrevista   ­   o   diálogo   possível”   como   “Perfil   Humanizado”.   Segundo  Cremilda, neste tipo de abordagem o “entrevistador” deve tentar compreender  os conceitos, valores, comportamentos e o histórico de vida das pessoas. No  entanto esta não é uma definição muito clara. A própria Cremilda, no mesmo  livro, fala sobre a incipiente produção intelectual e a dificuldade de teorizar  sobre a entrevista e o perfil no campo jornalístico.   Mas este trabalho não  cuidará apenas de entrevistar os perfilados. Um referencial importante para o desenvolvimento destes perfis é o trabalho  realizado por nomes como Truman Capote, Keneth Tynan e Gay Talese em  períodicos como a revista  New Yorker, e agora publicado em livros como “Os  cães ladram” “A vida como performance” e “Fama e Anonimato”. Estes autores  ocuparam lugar de destaque na arte de escrever sobre pessoas e lugares,  utilizando   uma   linguagem   que   flertava   com   a   literatura,   mas   que   estava   a  serviço do jornalismo (ainda que  às vezes o valor como obra literária relegue  ao segundo plano a intenção jornalística deles). 

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No entanto, o ideal do   jornalismo literário não pode ser tomado aqui como  meta.   Em primeiro lugar por este não se estruturar como um conjunto de  regras – as características que determinam o que poderia ser tido jornalismo  litérario passam pela postura livre no que diz respeito às convenções do estilo  jornalístico, pela influência da literatura: na procura ferramentas que pudessam  dar ao seu texto maior qualidade estética (tornando­o assim mais interessante  para o leitor) – e isto não alcança  um grau de especifidade  razoável para  designar se algom merece ou não pertencer a um categoria. Em segundo lugar,  o que se chamou de jornalismo literário também está muito vinculado a um  contexto histórico específico, e já distante.     Como, mesmo naquela época, já não havia regras para fazê­lo, também não  haveria agora para julgar se o trabalho estaria sendo executado de maneira  satisfatória dentro dos padrões de jornalismo literário. Esta tentativa de retratar  alguns personagens considera o repertório do jornalismo literário apenas como  um referencial para elaborar um produto jornalístico, descritivo, mais livre dos  padrões estilísticos da grande imprensa e disposto a incorporar como recurso 

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estético algo da escrita literária. Acima de tudo, este trabalho de apresenta  como uma possibilidade de experimentar maneiras diferentes de tentar retratar  um   pouco   do   temperamento,   da   história   pessoas   e   das   carácterísticas   do  trabalho dos personagens envolvidos.

Uma vez que estes perfis literários estejam escritos e o universo pessoal de  cada um dos personagens esteja apresentado, a compilação de todos eles  numa   “reportagem”   pretende   reunir   dados   suficientes   traçar   este   pequeno  panorama.     Esta   é   uma   tentativa   de   reunir   um   conjunto   representativo   de  pessoas que se enquadrem em um certo tipo: jovens que, enquanto começam  suas   carreiras   e   se   deparam  com   os   conflitos   da  vida  adulta,   conseguem,  através de sua produção, enriquecer e movimentar a cena cultural na cidade de  Salvador.  Um bom exemplo do tipo de investida que se faz aqui é a reportagem “O Piauí  existe”, publicada na revista Realidade (e apresentada por Muniz Sodré e Maria  Helena Ferrari em seu “Técnicas de Reportagem – notas sobre a narrativa  jornalística”) na qual a população do estado do Piauí   é retratada através de  perfis de tipos comuns encontrados no estado.

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Em resumo, como esclarece Alceu Amoroso Lima em seu “O jornalismo como  gênero literário”, a atividade jornalística que pretende ter algum valor literário  não deve considerar a escrita apenas como um meio para levar informação. 

Este   trabalho   tem   como   objetivo   traçar   os   perfil   de   sete   jovens   que  desenvolvem trabalhos relevantes na cultura da cidade Salvador, e para isto ele  pretende se apropriar de técnicas jornalísticas como a entrevista, se apoiar no  exemplo de escritores do jornalismo literário e considerar a atividade  da escrita  não só como um meio para levar informação, mas como um fim em si mesmo,  dotado  de  algum   valor  estético, sem  ao  mesmo tempo  deixar  de  lado  seu  objetivo informativo. 

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É   bastante   conveniente   chamar   cada   uma   das   pessoas   qualificar   como  personagens cada uma das pessoas que aparece neste trabalho. Pois seria  deveras leviano e presunçoso tratar o que está escrito aqui sobre eles como  algo que dê conta de explicar e reproduzir o que cada um é   em toda a sua  complexidade. Além trazer o compromisso de refletir alguma coisa vida e da personalidade de  cada um, o que se apresenta apenas uma observação através de sua persona  artística. Por trás de tudo isso ainda há   a intenção de contextualização, da  representação do modo como se integram à cena cultural soteropolitana e de  como ajudam a desenhá­la. Aborda­se o que cada um representa destro desta  perspectiva, o que de interessante cada um pode oferecer para compor um  painel da cena de jovens que trabalham produzindo bens culturais.  Os personagens, como se apresentam neste trabalho, são resultado  de uma  bordagem específica, cujas intenções nem sempre privilegiam o que cada um é  em   toda   a   sua   complexidade,   pois   encontra   limitações   impostas   pela   sua  própria proposta e por aspectos implícitos no seu processo de produção.

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O   que   se   apresenta   aqui   como   parte   da   história,   da   aparência,   da  personalidade e da mentalidade de cada perfilado tem o único propósito de  ajudar a compor uma interpretação das pessoas que assinam os trabalhos  oferecidos ao público. Por questões formais, éticas, estéticas e até mesmo prática muito do que cada  um é teve que ser deixado de lado, sendo privilegiado aqui o que ajuda a  explicar a obra e o papel que cada um desempenha no meio a que pertence.  Por isso é importante ressaltar que cada um dos perfilados apacerece aqui  como um personagem que serve a um propósito que vai além do seu retrato  pessaol, ainda que este retrato seja parte fundamental do trabalho.

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3.Curadoria   Acompanhando a intenção de apresentar um pequeno panorama de jovens  artistas   que começam agora a percorrer suas tragetórias profissionais e a  fazer parte da cena cultural da cidade de Salvador vem a responsabilidade de  escolher entre inúmeras pessoas que realizam os mais diversos trabalhos. E  ainda as restrições que se enfrenta no que diz respeito a sua disponibilidade e  comprometimento com o trabalho.

Primeiro   havia   a   necessidade   óbvia   de   se   apresentar   personagens   que  trabalhassem   com   diferentes   linguagens   e   suportes.   Procuramos   então  represetantes para a produção musical, teatral, das artes visuais e pessoas que  promovessem   atividades   culturais   e   também   alguma   coisa   de   produção  literária.

Em cada uma das categorias havia grande número de opções. A qualidade da  produção foi um fator determinante para eliminação de possíveis candidatos.  Deixando de lado gostos pessoais ainda havia a necessidade de contemplar a  diversidade   de   estilos   e   de     formas   de   pensamento.   Por   outro   lado   ainda  tinham   que   ser   levados   em   consideração   aspectos   práticos   da   pesquisa   e 

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apuração em cada um dos casos.

Há   um   sem   número   de   fatores   envolvendo   questões   sociais,   polítcas,  identitárias, estéticas e econômicas influenciando a escolha de personagens.  Por isso o que se apresenta aqui não tenho nenhuma pretensão de esgotar o  tema ou representar objetivamente as características da cena cultural baiana.

Os relatos apresentados aqui pretendem que o espírito da época e do lugar se  revele   através   da   experiência   subjetiva   de   cada   perfilados.   Em   nenhum  momento o leitor deve supor que qualquer um dos sete seja um representante  modelo, uma amostra especialmente reveladora do todo. A idéia é justamente  que o todo e a voz da coletividade se revele através de suas idiossincrasias de  cada um dos perfilados. Por isso é mais fácil salientar os motivos da escolha de cada um deles. Na produção de artes visuais o GIA era a opção óbvia pela relevância do seu  trabalho e pela precoce legitimação  através do reconhecimento do trabalho por  instituições   como   o   Museu   de   Arte   Moderna   da   Bahia.   Dentre   os   cinco  membros, Pedro Marighela foi escolhido pela diversidade dos trabalhos e pelo 

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caráter pitoresco de suas histórias.

Como   o   trabalho   muitas   vezes   privilegiava   opções   alternativas,   na   música  tentamos prestigiar a predominância do Axé Music e escolhemos através de  Amanda Santiago mostrar  os desafios propostos pela indústria do carnaval de  Salvador. O advento das câmeras digitais e a possibilidade de publicar material em perfis  da internet fizeram crescer em muito o número de fotógrafos. A nova cara da  fotografia baiana já estava definida e João Meirelles, além de estar ligado à  entidades que ajudam a criar uma imagem da Bahia para o resto do país e até  para si mesma, ainda se mostrava polivalente em sua produção. E trazia um  trabalho impregnado da sua distinta personalidade. Por sua vez a personagem de Caroline Feitosa acabou se transformando em  um ícone de jovens que não se viam em nada representados pelas temáticas  da   “baianidade”.   Ela   própria   é   um   retrato   muito   interessante   deste   tipo   de  pessoa.   E   traz   uma   forma   bastante   peculiar   de   representar   isso   e   outras  questões   como   a   feminilidade   em   uma   tirinha.   O   tipo   de   produção   tão  raramente realizado na Bahia. 

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bastante descolada do sentimento de pertencimento  aos valores da identidade  local,   de   montar   e   dirigir   sua   primeira,   adaptada   de   um   texto   português   e  encenada por uma companhia baiana. Difícil encontrar um representante da jovem produção literária de Salvador. No  entanto, os textos de Juliana Cunha já tão identificados com as possibilidades  de publicação na internet, e sua postura como personagem que se apresenta  na rede por meio de perfis textos e fotos renderam a ela o seu lugar como  personagem local no que diz respeito à produção de textos.  O lugar que se destinava a produtores e agitadores culturais nesta pequena  compilação de personagens locais se destinava inicialmente aos precursores  da cena de festas de discotecagem em Salavador. No entanto, Diego Almeida  acabou se revelando uma opção muito rica para falar do papel da internet na  segmentação do público e também das possibilidades que ela oferecede para  organização e comunicação entre as pessoas. Podemos dizer então que a escolha se baseou em como se articulava o que  havia   de   idiossincrático   em   cada   personagem       e   em   como   ele   poderia  representar o grupo ao qual pertencia. Levando em cosdireção também os que  poderiam render trabalhos mais interessantes dentro do formato estabelecido e  as condições práticas de entrar em contanto com as informações necessárias  para escrever a seu respeito. 

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 4. Forma & Conteúdo

Este trabalho também é uma investigação do perfil com formato. Ele propõe o  exercício   experimental   abordagens   através   das   quais   se   possa   falar   de  pessoas diferentes com as quais se teve tipos diferentes de contato. Parte  fundamental de sua elaboração envolveu o contato com cânones deste tipo de  escrita a partir dos quais foram estabelecidas as abordagens formais de cada  caso.

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O   perfil   da   cantora   Amanda   Santiago   tinha   que   ser   escrito   a   partir   da  experiência de acompanhá­la durante  o período de produção para uma sessão  de   fotos.   Para   fazer   isto   foi   muito   importante   apreender   algo   do   estilo   da  jornalista   americana   Lillian   Ross.   O   modo   como   ela   partia   de   pequenas  situações   para   chegar   à   caracterização   dos   personagens   se   revelou   uma  maneira bastante apropriada de tratar o material bruto que reunido a respeito  da cantora. O perfil de Amanda foi completamente pensado a partir do trabalho  de Mrs. Ross. 

Truman Capote foi mais que um mestre na arte de se colocar pessoalmente em  escritos   sobre   outras   pessoas.   Nos   casos   de   Dielgo   Almeida   e   Pedro  Marighela,   com   que   m   havias   intimidade   suficiente   para   que   não   se  conseguisse   uma   opinião   visão   mais   “objetiva”   era   uma   abordagem   mais  pessoal se pretendia fazer. Como eu conheci Pedro Merighella traz no próprio  título a sua explicação. É um depoimento sobre o artista, a partir da experiência  de conhecê­lo um pouco melhor pessoalmente e das histórias  ouvidas a seu  respeito. 

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No caso de Diego fez­se a opção de tratar o modo como ele precisou articular  uma relação com uma cidade da qual destoava bastante, para, assim, poder  realizar seu trabalho. Então se apresenta uma breve retrospectiva de sua vida,  enfatizando os momentos mais emblemáticos desta  relação. O texto sobre João Meirelles é muito influênciado pelo modo como Kenneth  Tynan escrevia sobre as pessoal. Kenneth deixava transparecer muito em seus  perfis a sua formação como crítico de teatro. O modo como ele escrevia sobre  os   atores   não   devia   ser   muito   diferente   de   como   escrevia   sobre   suas  interpretação, talvez por isso a compilação de perfis escritos por ele se chame,  justamente, A vida como performane. 

O trabalho de João se confunde muito com a sua própria personalidade, seria  possível escrever as mesmas coisas sobre um ou outro. Por isso a crítica do  que João apresenta ao público seria um perfil muito esclarecedor dele próprio.  O   que   se   buscou   foi   um   elemento   que   fincionasse   como   uma   espécie   de  “chave semântica” para entender tanto um quanto o outro.

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exatamente pelo caráter relevante de acontecimentos que a se tornar a pessoa  que ela hoje é. Isto posto parte­se para uma pequena investigação psicológica  do   modo   como   ela   aprendeu   a   lidar   com   isto   tudo,   com   o   mundo   e,  pricipalemente, consigo mesma.

É algo parecido o que se faz no perfil de Rita Carelli, só que na ordem inversa.  Parte­se   de   uma   caracterização   da   personagem,   descrevendo   sua   história  pessoal,   sua   aparência   e   sua   personalidade,   para   chegar   finalmente   ao  momento em que ela se depara com o momento de experimentar a si mesma  como diretora e sua relação com um lugar ao qual não pertence.

No caso de Caroline Feitosa já havia muito para dizer sobre ela a partir de sua  personagem e não havia qualquer expectativa de que ela fosse muito diferente  daquilo.   Depois   de   ouví­la   bastante   e   de   sujar   os   sapatos   nas   tintas   da  Rabuga, o que se tentou foi  explorar o modo como as semelhanças entre ela e  sua personagem se desmembravam na vida cotidiana, além da forma como as  diferenças se impuseram com o passar do tempo e com a evolução da artista e  da personagem. 5.Edição Por definição, este trabalho é uma reportagem sobre a jovem cena de pessoas 

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que produzem cultura na cidade de Salvador, ainda que isto se dê através da  reunião destes setes perfis.

As   prioridades   do   processo   de   elaboração   estavam   mais   voltadas   para   o  exercício da forma e para a apresentação dos personagens. Por isso não foram  levadas em consideração as restrições ou formatações impostas pelos veículos  de comunicação.

Cogitando­se   a   hipótese   de   uma   publicação   e   pensando   em   formas   que  beneficiem os propósitos desta reportagem, duas opções se apresentam como  razoáveis. 

Na   primeira   e   os   perfis   seriam   publicados   separamende   em   números  consecutivos de algum periódico dentro de uma série sobre a cena de jovens  artistas. Na segunda, eles viriam agregados uns aos outros na forma de um  livro­reportagem. Há ainda a hipótese de publicar os perfis na internet. No  entanto a extensão do texto não se mostra compatível com o tipo de leitura que  se faz neste veículo. E o formato blog seria bastante controverso já que os  textos  e os temas não se destinam à atualizações.

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6.Justificativa:

A   existência   deste   trabalho   se   justifica,   primeira   e   obviamente,   pela  necessidade de cumprimento de deveres acadêmicos. Em uma esfera menos  pessoal, pode­se dizer que seja justificável a existência de um registro do modo  de vida, do jeito de pensar e das características pessoais de jovens que ajudam  a tornar possível a produção cultural baiana neste fim de década. No caso específico deste material, parece razoável dedicar interesse e esforço  à tarefa de  mostrar um pouco da identidade e do trabalho dos artistas no início  de suas carreiras,  levando em consideração a  importância deste período na  formação de cada um deles.  Além disso, trata­se de um recorte que  capaz de  revelarr um pouco melhor esta geração que surge e se estabelece já nas novas  configurações   trazidas   pela   a   internet   e   junto   com   outras   tranformações  políticas e sociais dos anos “00”.

  Há   ainda   a   possibilidade   de   os   artistas   colocados   em   pauta   se   tornarem  nomes proeminentes da cena cultural local. Desta forma este trabalho ganharia  uma nova leitura, e teria o mérido de trazer à luz um período “obscuro” da vida  destes artistas. Aí não teríamos apenas uma descrição interessante e curiosa,  mas um importante e peculiar registro de momentos determinantes da carreira 

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de cada um deles.

Por outro lado, encarando este projeto como um material destinado a contribuir  para a formação profissional de um jornalista, pode­se dizer que desempenha  um papel muito importante. Ele representa a oportunidade de se desenvolver  um  produto  jornalístico  sob  a  supervisão  de  um  orientador. Isto  inclui,   não  apenas uma crítica muito mais apurada e comprometida com o bom rendimento  do   que   se   poderia   esperar   em   condições   comuns;   mas       um   tipo   de  encaminhamento e um ritmo de trabalho que supõem uma sofisticação muito  maior do que a maioria das redações parece poder oferecer.

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7.Conclusões

Da distância que sempre existe entre a intenção de realizar algo e o o feito  propriamente dito é que se tira o aprendizado. E na falta de correspondência  entre  as   duas  coisas   cabe  tudo  o  pôde   ser   trazido   pelas  contingências.   A  distancia entre a primeira intenção e o resultado final deste trabalho é muito  grande. O percurso envolveu muita dedicação durante pesquisas para entender  o mundo de sete pessoas muito diferentes entre si, e o prazer de descobrir a  escrita primorosa de pessoas com raro envolvendo com o elemento humano,  como é o caso do brilhante Joseph Mitchell. A tarefa de escrever envolveu muito respeito pelas pessoas que inspiraram  este trabalho e a profunda consciência da distância que existe entre ele e os  seus referenciais. No entanto, a reflexão sobre como adaptar ao uso comum o  tipo de abordagem por trás da sensibilidade genial de escritores como Truman  Capote  é algo de que este trabalho se alimente e é nisto que se baseia.

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Uma das grandes motivações para começar  este projeto foi a familiaridade que  já existia com parte da bibliografia. O contato com os livros listados aqui, e  também com alguns outros, está  implícito em vários momentos do trabalho e  representam um crescimento muito importante para o modo de pensar o fazer  jornalístico. Tentar mostrar um pouco da Salvador de agora envolveu também conhecê­la  melhor,   junto   com   cada   uma   das   sete   fascinantes   pessoas   que   se   tenta  apresentar aqui. É certo que há muitos erros, e pode­se ter certeza de que  houve imenso comprometimento com os acertos. É claro também que este  trabalho não é suficiente para representar os personagens e a produção de  Salvador neste meio e neste tempo, nem é um dos melhores exemplos do tipo  de escrita à qual pretende pertencer. O importante para a realização dele foi  muito mais estabelecer alguma relação com todas estas coisas, e aprender  com todas elas. E isto, parece, está feito.

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8.Referências Bibliográficas  CAPOTE, Truman. A Sangue Frio. São Paulo: Abril Cultural, 1980. ________________ Os Cães Ladram. São Paulo: Abril Cultural, 1984. ________________ Música para Camaleões. São Paulo: Abril Cultural, 1984. FERRARI e SODRÉ, Maria Hellena e Muniz. Técnicas de Reportagem – notas  sobre a narrativa jornalística, São Paulo: Summus, 2008. GIDE, André. Córidon. São Paulo: Civilização Brasileira, 1971.       LIMA, Alceu Amoroso. O Jornalismo como Gênero Literário. Rio de Janeiro de 

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Janeiro: Agir, 1980. LINDOSO, Felipe [organizador]. Rumos (do) Jornalismo Cultural. São paulo:  Summus, Itaú Cultural, 2007. MEDINA, Cremilda. Entrevista, o diálogo possível. São Paulo: Summus, 1987. Mitchell, Joseph. O Segredo de Joe Gould. São Paulo: Companhia das Letras,  2003. MILLER, Henry. Um Diabo no paraíso. Rio de Janeiro: Pioneira, 1997 . OLINTO, Antonio. Jornalismo e Literatura. Rio de Janeiro: Tecnoprint. 1955. ROSS, Lillian. Cinema e Outras Reportagens. Rio de Janeiro: Agir, 1977. TALESE, Gay. Fama e Anonimato. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. TYNAN, Kenneth. A Vida Como Performance: perfis. São Paulo. Companhia  das Letras, 2004.

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Referências

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