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INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA LEIA COM MUITA ATENÇÃO
1. Verifique, no cabeçalho desta prova, se seu nome, número e turma estão corretos. 2. Esta prova contém 10 questões dissertativas.
3. Leia todas as questões com atenção.
4. A prova deverá ser feita com caneta esferográfica de tinta azul ou preta. 5. É vedada a utilização de qualquer material de consulta, eletrônico ou impresso.
6. É terminantemente proibido retirar-se do local da prova antes de ocorrido o tempo mínimo estipulado, qualquer que seja o motivo.
7. Tempo de duração da avaliação - Mínimo: 50min Máximo: 50min
8. Ao final, entregue a prova ao professor aplicador.
BOA PROVA!
Assinatura do Aluno: _________________________________________________
QUESTÕES
Texto para a questão 1:
“Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas da própria mão. O Miranda mesmo, que o via em conta de amigo fiel, muitas e muitas vezes lhas confiara em ocasiões desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no intimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão; entendia também que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.
— Uma mulher naquelas condições, dizia ele convicto, representa nada menos que o capital, e um capital em caso nenhum a gente despreza! Agora, você o que devia era nunca chegar-se para ela...
— Ora! explicava o marido. Eu me sirvo dela como quem se serve de uma escarradeira!”
(O cortiço, Aluísio Azevedo)
1. O capítulo II do livro “O cortiço” menciona o personagem Miranda e contém importante informação sobre o espaço em que se desenvolvem as ações. Com base no trecho acima e no capítulo como um todo, que sentimento Miranda nutria com relação a João Romão?
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Literatura Carolina Av. Mensal 02/09/13
Imagens para a questão 2:
Imagem I Imagem II
Almeida Junior, Ezequiel Freire, s.d., óleo sobre tela, 55X40cm, Coleção da Academia Paulista de Letras. Reprodução fotográfica Isabella Matheus.
Anita Malfatti, O homem amarelo, 1915-1916, óleo sobre tela, 61X51cm, Coleção Mario de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Reprodução fotográfica de Romulo Fialdini.
2. As imagens I e II representam diferentes movimentos estéticos da arte brasileira.
a) Aponte duas diferenças entre as pinturas, observando os procedimentos de expressão (cor, forma, equilíbrio, contorno, relação entre figura e fundo etc).
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Texto I:
O Assinalado
Tu és o louco da imortal loucura, o louco da loucura mais suprema. A terra é sempre a tua negra algema, prende-te nela extrema Desventura. Mas essa mesma algema de amargura, mas essa mesma Desventura extrema faz que tu’alma suplicando gema e rebente em estrelas de ternura.
Tu és o Poeta, o grande Assinalado que povoas o mundo despovoado, de belezas eternas, pouco a pouco. Na Natureza prodigiosa e rica toda a audácia dos nervos justifica os teus espasmos imortais de louco!
BILAC, Olavo. In: BARBOSA, Frederico (Org.). Clássicos da poesia brasileira. Rio de Janeiro: O Globo, Klick Editora, 1997, pp.163-164.
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Texto II:
Casablanca
Te acalma, minha loucura!
Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados! Este som de serra de afiar as facas
não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias... Estas molas a gemer no quarto ao lado
Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia
O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema... As chaminés espumam pros meus olhos
As hélices do adeus despertam pros meus olhos
Os tamancos e os sinos me acordam depressa na madrugada feita de binóculos de gávea e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano
CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Brasiliense, 1982, p.60.
3. Determine as diferenças no emprego da linguagem e na concepção formal entre os poemas de Olavo Bilac e Ana Cristina César.
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Texto para a questão 4:
E a geada veio! Não geadinha mansa de todos os anos, mas calamitosa, geada cíclica, trazida em ondas do Sul. O sol da tarde, mortiço, dera uma luz sem luminosidade, e raios sem calor nenhum. Sol boreal, tiritante. E a noite caíra sem preâmbulos.
Deitei-me cedo, batendo o queixo, e na cama, apesar de enleado em dois cobertores, permaneci entanguido uma boa hora antes que ferrasse no sono. Acordou-me o sino da fazenda, pela madrugada. Sentindo-me enregelado, com os pés a doerem, ergui-me para um exercício violento. Fui para o terreiro.
O relento estava de cortar as carnes – mas que maravilhoso espetáculo! Brancuras por toda a parte. Chão, árvores, gramados e pastos eram, de ponta a ponta, um só atoalhado branco. As árvores imóveis, inteiriçadas de frio, pareciam emersas dum banho de cal. Rebrilhos de gelo pelo chão. Águas envidradas. As roupas dos varais, tesas, como endurecidas em goma forte. As palhas do terreiro, os sabugos de ao pé do cocho, a telha dos muros, o topo dos moirões, a vara das cercas, o rebordo das tábuas – tudo polvilhado de brancuras, lactescente, como chovido por um suco de farinha. Maravilhoso quadro! Invariável que é a nossa paisagem, sempre nos mansos tons do ano inteiro, encantava sobremodo vê-la súbito mudar, vestir-se dum esplendoroso véu de noiva – noiva da morte, ai!...
4. Este texto foi extraído de um conto de Monteiro Lobato, cujo personagem principal enlouquece, quando vê seu cafezal inteiramente destruído pela geada. Tendo em vista as variedades linguísticas da língua portuguesa, justifica-se o emprego, no texto, de expressões como “geadinha mansa”, “batendo o queixo” e “ferrasse no sono”? Explique.
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Texto para a questão 5:
Ó meu Amor, que já morreste, Ó meu Amor, que morta estás! Lá nessa cova a que desceste Ó meu Amor, que já morreste, Ah! nunca mais florescerás? Ao teu esquálido esqueleto, Que tinha outrora de uma flor A graça e o encanto do amuleto Ao teu esquálido esqueleto Não voltará novo esplendor?
(Cruz e Souza)
5. Sobre o poema acima, responda:
a) Identifique no poema dois aspectos que remetem ao Romantismo.
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b) Exemplifique, valendo-se de elementos textuais, por que, em certa medida, os poetas simbolistas, como Cruz e Souza, se aproximam dos parnasianos.
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E há poetas que são artistas E trabalham nos seus versos Como um carpinteiro nas tábuas! ... Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está! ... Quando a única casa artística é a Terra toda Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma. Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio... Não sei se elas me compreendem Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra E levar ao colo pelas Estações contentes E deixar que o vento cante para adormecermos E não termos sonhos no nosso sono.
("Poemas completos de Alberto Caeiro", em Fernando Pessoa. "Obra poética". Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, p. 156.)
No poema acima, Alberto Caeiro compara o trabalho do poeta com o do carpinteiro.
6. Por que tal comparação é feita? Por que ela é rejeitada pelo eu lírico na segunda estrofe do poema?
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7. Identifique duas características próprias da visão de mundo de Alberto Caeiro presentes na terceira estrofe. Justifique sua resposta.
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O esperado grito do cláxon fechou o livro de Henri Ardel e trouxe Teresa Rita do escritório para o terraço. O Lancia passou como quem não quer. Quase parando.
Uiiiiia-uiiiiia! Adriano Melli calcou o acelerador. Na primeira esquina fez a curva. Veio voltando. Passou de novo.
Continuou. Mais duzentos metros. Outra curva. Sempre na mesma rua. Gostava dela. Era a Rua da Liberdade. Pouco antes do número 259-C já sabe: uiiiiiauiiiiia!
(Antônio de Alcântara Machado,"Brás, Bexiga e Barra Funda", em "Novelas Paulistanas". Rio de Janeiro: José Olympio, 1959, p. 25). 8. O texto pertence a um conto intitulado “A sociedade” .No trecho acima, a linguagem e as imagens apontam para a influência das vanguardas no primeiro momento modernista. Selecione dois exemplos e comente-os.
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Texto para a questão 9:
Soneto
Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra.
Em seus lábios que os meus lábios osculam
Micro-organismos fúnebres pululam
Numa fermentação gorda de cidra.
Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
A uma só lei biológica vinculam,
E a marcha das moléculas regulam,
Com a invariabilidade da clepsidra!...
Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos
Roída toda de bichos, como os queijos
Sobre a mesa de orgíacos festins!...
Amo meu Pai na atômica desordem
Entre as bocas necrófagas que o mordem
E a terra infecta que lhe cobre os rins!
(Augusto dos Anjos. Eu. 1935.)
9. Explique em que medida, no soneto de Augusto dos Anjos, o sentimento final do eu poemático ante a pessoa morta é diferente, tomando por base o mesmo tema em outros poetas.
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10. Explique por que as vaias durante as apresentações da Semana de Arte Moderna foram interpretadas positivamente por seus idealizadores.
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