DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS - DCEEng CURSO DE DESIGN
BRUNA LUÍZA COLOMBO
BOLSA PACHAMAMA
ÍJUI 2018
BOLSA PACHAMAMA
IJUI 2018
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Design do Departamento de Ciências Exatas e Engenharias da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ como requisito para obtenção do Título de Bacharel em Design.
Quero dedicar a Deus e todas as forças e energias que me possibilitaram de realizar esta conquista. Agradeço à todas as pessoas que me apoiaram para a realização deste trabalho, em especial minha família e amigos.
Esta monografia apresenta o desenvolvimento de uma bolsa feita a partir de banner lona, um material que geralmente é descartado incorretamente e demora centenas de anos para se decompor no meio ambiente. O design vem a ser um fator de diferenciação do produto como forma a atribuir valorização no mercado, abordando estudos e métodos para a realização do projeto. A bolsa tem como o objetivo de diminuir os impactos que este material provoca no ambiente apresentando uma forma de solução para reduzir as consequências de resíduos não recicláveis, assim como abordar esse assunto como forma de incentivo para o consumo de produtos sustentáveis.
This monograph presents the development of a bag made from canvas banner, a material that is generally discarded incorrectly and takes hundreds of years to decompose into the environment. Design becomes a factor of differentiation of the product as a way to attribute valuation in the market, addressing studies and methods for carrying out the project the purpose of the bag is to reduce the impacts of this material on the environment by providing a form of solution to reduce the consequences of non-recyclable, waste as well as to abort this subject as a form of incentive for the consumption of sustainable products.
Keywords: sustainability, ecodesign, fashion.
Figura 1 - Demandas do produto com aspectos ambientais...16
Figura 2 - Abordagem do life cycle design...18
Figura 3 - Relação entre as estratégias de otimização de vida do produto e extensão dos materiais...19
Figura 4 - Custos e oportunidades de descarte/ eliminação...20
Figura 5 - Vantagens ambientais no descarte de materiais...23
Figura 6 - Comparação entre a produção de materiais virgens e reciclados...24
Figura 7 - Reciclagem com efeito cascata...25
Figura 8 - Fluxograma das etapas de produção...29
Figura 9 - Exemplo de utilização de acessórios na passarela...34
Figura 10 - Representação dos tipos de bolsas...34
Figura 11 - Componentes de uma bolsa...35
Figura 12 - Mochila primitiva...30
Figura 13 - Mochila lançada pela Prada nos anos 80...30
Figura 14 - Bolsa Ornj bags ...37
Figura 15 - Bolsa Marbella ...38
Figura 16 - Bolsa i’m not a plastic bag...39
Figura 17 - Produtos feitos com lona de caminhão...40
Figura 18 -Técnica rapport...42
Figura 19 - Rapport distribuído de forma linear...43
Figura 20 - Desenho como módulos...43
Figura 21 - Aplicação dos módulos num estampa...44
Figura 22 - Tipos de tecidos para o uso da serigrafia...45
Figura 23 - Imagem positiva e imagem negativa...46
Figura 24 - Técnica de serigrafia grega ...47
Figura 25 - Técnica do 5W1H...54
Figura 26 - Listagem de atividades...55
Figura 27 – Hierarquização de subproblemas...56
Figura 28 - Produto e suas funções...57
Figura 29 - Características do produto...58
Figura 33 - Técnica brainstorming ...60
Figura 34 - Caixa morfológica...63
Figura 35 - Alternativa bolsa carteiro...66
Figura 36 - Alternativa bolsa redonda...68
Figura 37 - Alternativa pochete...69
Figura 38 - Alternativa mochila...70
Figura 39 – Alternativa bolsa de mão...71
Figura 40 – Alternativas de acessórios para acompanhar...72
Figura 41 - Desenho técnico bolsa...73
Figura 42 – Desenho técnico porta documentos...74
Figura 43 – Teste de aderência de tinta...75
Figura 44 – Construção dos moldes...76
Figura 45 – Posicionamento dos moldes...77
Figura 46 – Bolsa costurada...77
Figura 47 – Reforço com cola de vinil...78
Figura 48 – Pintura tinta spray...78
Figura 55 – Pintura tinta de esmalte...79
Figura 49 – Stencil de papel aplicado na bolsa...79
Figura 50
–
Ajuste da estampa após retirada do adesivo...80Figura 51 – Editorial Bolsa Pachamama...81
Figura 52 – Editorial Bolsa Pachamama...82
Figura 53 – Editorial Bolsa Pachamama...83
Figura 54 – Editorial Bolsa Pachamama...84
Figura 55 – Editorial Bolsa Pachamama...85
Figura 56 – Editorial Bolsa Pachamama...86
Figura 57 – Montagem do porta documentos ...87
Figura 58 - Montagem do porta documentos ...88
Figura 59 - Porta documentos estampado e finalizado...89
Figura 60 - Referências para símbolos ...90
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Quando eu tenho que escolher entre dois produtos iguais, eu sempre escolho o que é menos prejudicial às outras pessoas e ao meio ambiente...34 Tabela 2 - Eu não compro produtos fabricados ou vendidos por empresas que prejudicam ou desrespeitam o meio ambiente...34 Tabela 3 - Estou disposto a pagar um pouco mais por produtos e alimentos que estão livres de elementos químicos que prejudicam o meio ambiente...35
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Produção de banners lona até o final do ano de 2018...71 Gráfico 2 – Produção de banners lona durante 10 anos ...72
1. INTRODUÇÃO...13
2. REFERENCIAL TEÓRICO...14
2.1 Ecodesign...14
2.1.2 Ciclo de vida dos materiais dos produtos ...17
2.1.3 Tipos de materiais descartáveis e o seu impacto ambiental... ...21
2.1.4 Banner de lona...26
2.1.5 Resíduos de tecidos...28
2.1.6 Quem consome produtos sustentáveis?...33
2.2 Acessórios ...33
2.2.1 Bolsa e mochilas...34
2.2.2 Produtos feitos com material descartado...37
2.3 Upcycling – novo conceito em moda...39
2.4.Design de superfície...41 2.5 Serigrafia...44 3. METODOLOGIA...49 3.1 Identificação do cliente...49 3.1.1 Objetivos ...50 3.2 Desenvolvimento...52 3.2.1 Similares...52 3.2.2 Atividade...53 3.2.3Função...56 3.2.4 Análise estrutural...57 3.2.5 Análise funcional...58 3.2.6 Análise técnica...59 3.2.7 Materiais...60 4. PROJETAÇÃO...64 4.1 Criatividade...64 4.2 Brainstorming...65 4.3 Caixa morfológica...66
4.6 Design orientado a produção e montagem...75
4.6.1 Produção porta documentos...88
5. JUSTIFICATIVA DO NOME DA BOLSA...91
5.1 Justificativa escolha da estampa...91
6.CONCLUSÃO...95
1. INTRODUÇÃO
O desenvolvimento da bolsa Pachamama é o tema principal desde trabalho, abordando assuntos de reaproveitamento de materiais que por costume são descartados de forma incorreta ou possuem um ciclo de vida muito longo levando em consideração os anos que estes materiais levam para se decompor no meio ambiente. Assim, propondo aplicações para soluções desse problema.
A partir da observação do uso do material banner lona, observa-se que surge a necessidade de reaproveitamento do material, reutilizar é um dos temas que se baseia o conceito dos “3Rs”, reduzir, reciclar e reutilizar, essa ideologia vem sendo difundida em prol da sustentabilidade ambiental. Na contemporaneidade, materiais promocionais na área de comunicação visual, tem por finalidade divulgar algo para alguém, e que tem sido descartado em cantos, pegando pó e ocupando espaço, resultando em milhares de banners empilhados em aterros sanitários. (SANTOS k. et al, 2016)
Assim, tem-se como justificativa deste projeto amenizar os impactos ambientais que materiais como o banner lona causam no meio ambiente, com o objetivo de desenvolver formas para contribuir para que o materiais descartados transformem-se em um produto de longa duração através da criatividade, para que este mesmo projeto perdure no mercado, assim, incentivando a sociedade a dar visibilidade a questões ambientais e priorizando trabalhos onde o tema sustentabilidade seja fundamental, com o objetivo de garantir um mundo melhor para as próximas gerações.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
O trabalho seguir possuem o embasamento em estudos em Ecodesign, da autora Silvia Barbero e Brunella Cozzo (2009), em O desenvolvimento de Produtos Sustentáveis escrito por Ezio Manzini e Carlo Vezzoli (2002), Design Industrial de Elizabeth Regina Platcheck (2012), para o estudo da estampa foi utilizado o livro de Renata Rubim, Desenhando a Superfície (2004) e ainda se encontra, várias citações e artigos científicos e dissertações.
2.1 Ecodesign
Ecodesign é um conjunto de processos que contempla aspectos ambientais onde visa desenvolver e executar atividades que de alguma forma irão reduzir o uso de recursos não renováveis ou somente, reduzir a utilização de materiais durante o processo industrial enfatizando o custo de vida do produto. Segundo Manzini e Vezzoli (2002), ecodesign é a atividade que, ligando o tecnicamente possível com o ecologicamente necessário, faz nascer novas propostas que sejam sociais e culturalmente aceitáveis.
Gradativamente podemos notar a necessidade cada vez maior em relação aos materiais utilizados na indústria e recursos que possam diminuir o impacto no ecossistema do planeta em que vivemos. Se torna necessário rever os conceitos de crescimento e desenvolvimento à luz das problemáticas ambientais que deles resultam, (BARBERO e COZZO, 2009).
A partir dos anos 60 o ecodesign começou a ser discutido, mas só nos anos 90 a temática ambiental estreitou relações com a indústria. Ainda assim, quando os produtos são lançados em escalas industriais, a sustentabilidade é praticamente esquecida sendo dada a importância somente quando os impactos são visivelmente imprescindíveis.
Para Platcheck (2012) Ecodesign são produtos, sistemas, infraestruturas e serviços que requerem o mínimo de recursos, energia para promover bons resultados que sejam desejáveis ao mesmo tempo que possam diminuir a emissão de poluentes no meio ambiente. Platcheck, (2012) diz que Ecodesign significa desenvolvimento de produtos com consciência ambiental que visa a inclusão de aspectos ambientais desde a concepção do produto até o design final.
O Ecodesign deve ser considerado um aspecto fundamental para o planejamento de qualquer produto principalmente em escala industrial, ainda que pode ser considerado uma vantagem para alcançar bons desempenhos a longo prazo. É recente, e a prática torna-se essencial para aquelas instituições que já reconheceram que a responsabilidade ambiental é de vital importância para o sucesso a longo prazo (PLATCHECK, 2012).
Na Etimologia a palavra Ecodesign deriva na junção das palavras Ecologia e Design onde, cada qual, tem uma função dentro do processo de produção. Ao mesmo tempo que a palavra seja de fácil compreensão, é muito subjetivo o termo na prática e a real definição da palavra (MANZI E VEZZOLI, 2002).
A palavra Ecodesign é datada de uma boa capacidade auto-explicativa, pois seu significado sobressai de maneira imediata dos dois termos que a compõem: ecodesign é um modelo “projetual” ou de projeto (design), orientado por critérios ecológicos. O termo apresenta-se, portanto, como a expressão que sintetiza um vasto conjunto de atividades projetuais que tendem a enfrentar os temas postos pela questão ambiental partindo do ponto inicial, isto é, do redesenho dos próprios produtos. (MANZINI e VEZZOLI, 2002 p. 17)
Segundo Platcheck (2012) ecodesign é uma otimização de um sistema que visa aspectos ambientais desde o planejamento do produto até o final do processo incluindo essa ideologia no desenvolvimento de cada etapa tradicional de qualquer produto em potencial como questões de durabilidade, estética, funcionalidade, ergonomia, qualidade, manufaturabilidade e custos como mostra a figura 1. Segundo Platcheck (2012), o termo EcoDesign expressa diretamente o fato de que a Ecologia e a Economia devem estar unidas e inseparáveis para o bom Design em procedimentos de EcoDesign.
Figura 1 - demandas do produto com aspectos ambientais
Os processos de projeto incluem etapas de transporte do produto, embalagens, tipos de energia, espaço físico ocupado, ainda que o Ecodesign possui potencialidade para mudar hábitos da sociedade que vai muito além da estética e da funcionalidade do produto, segundo Barbero e Cozzo (2009) os desempenhos exigidos aos produtos em particular, não podem estar exclusivamente restritos á estética. Enfatizando assim, a essência do Ecodesign, unindo a possibilidade para que designers consigam procurar soluções para a projetação de produtos sustentáveis através de novas tecnologias e estratégias alternativas que fazem com que se diferencie do design convencional por ter uma visão de alcance, onde se enxerga os resultados antes que se tornem grandes problemas ambientais impregnados nos nossos costumes e na nossa cultura.
O ecodesign é uma [...] capacidade imaginativa perspicaz na busca de sistemas, tecnologias e estratégias de produção de alternativas. Em comparação a produção industrial convencional o ecodesign, tal como o design [...] avalia antecipadamente o resultado desejado em todos os seus aspectos. (BARBERO e COZZO, 2009, p. 12)
Assim, podemos dizer que ecodesign é uma característica fundamental e requisito para projetos de design em busca de produtos de menor impacto que possam ser desenvolvidos a partir de novas tecnologias e estratégias alternativas, alcançando os objetivos impostos por esse método de pesquisa. Ecodesign pode conseguir resultados com menos impacto ambiental, assim como, investir em novos meios que possibilitem tornar os materiais com um maior ciclo de vida, onde os mesmos materiais sejam reciclados ou reutilizados de forma que os usuários desfrutem por mais tempo os produtos.
2.1.2 Ciclo de vida dos materiais dos produtos
Quando um produto é projetado é indispensável a reflexão do papel que o mesmo terá durante todo o seu ciclo de vida, isso se torna um pré requisito a qualquer atividade de design, visando um baixo impacto ambiental na sociedade, segundo Manzini e Vezzoli (2002) “já não é possível conceber qualquer atividade de design sem confrontá-la com o conjunto das relações que, durante o seu ciclo de vida, o produto vai ter no meio ambiente”.
Conforme Manzini e Vezzoli (2002) o produto deve ser projetado considerando em todas as suas fases o conceito de ciclo de vida, nesse contexto podemos enfatizar que todas as
atividades que são essenciais para produzir, distribuir, utilizar, e descartar um determinado produto são consideradas homogêneas.
Manzini e Vezzoli (2002) dizem que a melhor ferramenta para contribuir para uma projetação com o objetivo no ciclo de vida do produto com uma visão sistêmica é o Life Cycle Design (LCD) que permite reduzir a carga ambiental durante todo o ciclo de um produto. Enfatiza-se que o LCD não é somente o produto em si, mas sim, todos os fatores que englobam a produção desse produto incluindo as interferências na natureza, refletindo quais são as consequências no processo de fabricação. Segundo Manzini e Vezzoli (2002) podemos citar esses fatores como os inputs e outputs. Os inputs são fatores que são retirados na natureza como a matéria-prima, ou seja, todo tipo de material que é retirado para a realização do produto, e os outputs é todo e qualquer tipo de resíduo que é descartado e é lançado na natureza como por exemplo, gases poluentes. Assim, na fase de projetação deve ser definido um objetivo durante as fases do ciclo do produto, levando em consideração desde a extração da matéria-prima até o descarte dos resíduos, conforme a ilustração da figura 2.
Figura 2 – Abordagem do Life Cycle Design
Fonte :Manzini e Vezzoli (2002, p. 101)
Deste modo, podemos dizer que conforme Manzini e Vezzoli (2012), quando definimos que o produto a ser projetado será sustentável, é preciso adotar estratégias no qual toda e qualquer suposição ou decisões tomadas devem ser pensadas levando em consideração o ciclo de vida do produto.
É importante levarmos em conta a escolha de materiais conforme Manzini e Vezzoli (2002) a duração da vida dos materiais é igualmente proporcional ao descarte e eliminação, portanto, quando citamos materiais é vital obter facilidade na desmontagem, (figura 3), pois resulta na otimização dos produtos e na extensão de vida dos materiais. A escolha começa desde os materiais de energia, ou seja, o output do sistema inteiro, visando a diminuição e a minimização do uso dos recursos que, a escolha de recursos que possam ter um baixo impacto ambiental é prioridade, nesse quesito ainda se pode enfatizar que a duração de um produto e a chance de reutilização devem ser levadas como importantes, pois para alguns produtos essa estratégia pode se tornar mais eficaz e prioritária. (MANZINI E VIZZOLI, 2002)
O projeto de qualquer produto vai ser definido através do design a escolha dos materiais utilizados e os métodos de produção, componentes de peças e o processo de montagem final do produto a ser fabricado. Assim, se torna importante o estudo de escolha de tipos de materiais, desde a sua extração que vai entrar como matéria-prima do produto, máquinas e equipamentos utilizados, onde os quais também terão o seu ciclo de vida contabilizados pelo processo de produção, assim como o seu descarte. (JUNIOR e LIMA, 2015)
Segundo Manzini e Vezzoli (2002), enfatizam que a otimização da extensão da vida dos materiais, é um fator determinante para a duração de um produto e são apenas percursos indiretos para evitar o consumo de novos recursos, quando estendemos a vida de um material através de um produto evitamos o consumo de matéria-prima virgem para a produção de novos materiais.
Figura 3 - Relação entre as estratégias de otimização de vida do produto e extensão dos materiais.
Segundo Manzini e Vezzoli (2002), nenhuma das estratégias irá satisfazer os resultados estimados e requisitos ambientais, se for usado apenas uma estratégia, é necessário que seja elaborado uma série de estratégias ambientais e de opções de projeto, uma solução voltada para requisitos de projeto para a redução de impactos ambientais deve ser economicamente viável, além de ser estético, portanto ele deve ser ecoeficientes. Estratégias apropriadas podem se tornar ilusórias ao design quando o desempenho de um produto não é eficiente devido as melhorias ambientais.
Após a escolha da melhor estratégia para a otimização do processo produtivo, Manzini e Vezzoli (2002) enfatizam como projetar o fim de vida do produto, essa fase é considerada com potencialidade para produzir um maior impacto ambiental devido ao descarte e eliminação dos materiais, todas as pessoas envolvidas, os que reciclam, os produtores e os designers, devem encarar o fato das problematizações que podem estar ligadas ao tempo em que o produto é projetado e aquele que vai ser eliminado, inclusive se deve pensar a forma do descarte seja através da reutilização, refrabricação, reciclagem, incineração, e tratamento para enviar a centrais de coleta de lixo, Manzini e Vezzoli (2002) ainda alertam que essa atitude é válida não só hoje mas também para situações futuras.
Segundo Manzini e Vezzoli (2002), materiais que já foram manufaturados cerca de 5 a 15 anos atrás, já não podem ter interversões, e há a recomendação de que só haja um melhoramento nos processos de fabricação, recuperação e valorização dos materiais e componentes dos produtos, sendo assim definida como fase imediata. Nesse contexto, podemos começar a intervir nos projetos que são fabricados hoje, implementando possíveis modificações como citado por Manzini e Vezzoli (2002) nos produtos incrementais/pontuais, que são aquelas modificações que não requerem variações relevantes no fluxo de matéria e de organização da produção, é definida como a fase de curto período. Já na modalidade de fase de médio/longo prazo, podemos levar em consideração os produtos que atualmente já podem ter um reflexão e implementação mais profunda cuja a vida útil pode acabar ao médio/longo prazo.
Manzini e Vezzoli (2002) dizem que, geralmente é preferível usar a técnica de reutilização do material, ou reutilizar o produto inteiro ou somente parte dele, ao invés de reciclar e incinerar os materiais, devido aos custos de manutenção e preços, reparos ou a refrabricação, que hoje podemos citar que são em grande parte custos de mão de obra, os processos de reciclagem ou incineração acabam tendo um custo muito elevado resultando no descarte sendo diretamente feito no lixo, conforme ilustra a figura 4.
Segundo Naime et al. (2012), ainda podemos pensar que o ciclo de vida de um produto planejado, aumenta futuras possibilidades de reaproveitamento dos seus materiais, considerando a reciclagem como um grande avanço institucional para as empresas, é o caso de várias que já utilizam esse método sendo reconhecidas como vanguardistas no assunto, resultado numa visibilidade maior no mercado onde se valoriza ações como estas e ocasionam uma estimulação para remuneração da iniciativa.
Figura 4 – Custos e oportunidades de descarte/ eliminação
Fonte: Manzini e Vezzoli (2002, p 115)
O reaproveitamento de materiais utilizando a reciclagem ou uma recuperação energética, aumenta o ciclo de vida dos materiais que fazem parte do produto representando uma técnica de poupar recursos naturais principalmente os não renováveis dos quais a sua extinção já se anuncia próxima (JUNIOR e LIMA, 2015).
Ainda, ressalta- se que a escolha de materiais que possam ter um baixo impacto ambiental não é uma tarefa simples ou fácil pois a oferta desses tipos de materiais é muito escassa, segundo Junior e Lima (2015) requer muito conhecimento e pesquisa para conseguir os materiais certos para proporcionar um resultado satisfatório, sendo recomendado um estudo a fundo de cada material para cada tipo de caso dentro do projeto, ou seja se trata se ampliar a variedade de materiais que possam ser utilizados em projetos de proporcionam baixo impacto ambiental.
2.1.3 Materiais e o seu impacto ambiental
Segundo Platchek (2012), é de suma importância que o designer analise as principais características de um material no processo de fabricação bem como analisar o processo de transformação para comparar os custos e a facilidade de acesso dos mesmos, ainda que, podemos situar a utilização de materiais alternativos para futuras aplicações no objeto a ser estudado. Já para Manzini e Vezzoli (2002), o designer pode ter um papel relevante na escolha e aplicação de materiais nos produtos, mesmo não tendo a consciência de que não vai estar envolvido com a origem ou fim desses materiais.
Quando projetamos um produto devemos dar a devida atenção para o descarte do material, assim damos a preferência de materiais que possam causar um menor impacto ambiental, segundo Manzini e Vezzoli (2002), partes de um produto como um todo são cruciais para as formas de impacto ambiental assim como vários impactos que causam na nossa saúde e afetam o ecossistema em que vivemos. Em suma, devemos fazer a escolha que minimizem a periculosidade de emissões considerando a transformações dos materiais e os tratamentos de eliminação final dos produtos, ou seja, o descarte.
Ainda que se tem uma grande preocupação com a coleta seletiva dos materiais, segundo o Ministério do Meio Ambiente, o principal problema é o destino dos resíduos sólidos, e para amenizar os impactos da negligência deste tema, o governo federal aposta na política dos 5’s que prioriza a redução do consumo e reaproveitamento de materiais, os 5’s são:
Reduzir; Repensar; Reaproveitar; Reciclar;
Recusar consumir produtos que gerem impactos significativos.
Dessa forma, vemos como base a redução, visto que, estimula o consumo desenfreado, priorizando produtos que possuam maior durabilidade, notando marcas, validade ou tamanho. Já o processo de reaproveitamento é considerado um aproveitamento de matérias de forma que prolongue a vida útil e ao mesmo tempo evite a extração de matérias-primas. Para a reciclagem consiste na separação do correta do lixo e a sua destinação correta, servindo futuramente de matéria-prima para outros produtos.
O Ministério do Meio Ambiente (2018) ainda ressalta que os cinco R’s fazem parte de um processo educativo que se aplica no dia a dia da população, fazendo com que os produtos possam ter um destino correto através do estimulo de símbolos padronizados que podem indicar quais são os tipos de materiais presentes para facilitar a separação dos resíduos ao serem descartados.
Manzini e Vezzoli (2002) citam que alguns materiais quando descartados podem causar toxidade ao meio ambiente devido principalmente ao uso de aditivos, como por exemplo, os polímeros que muitas vezes são aditivados com estabilizantes a quente. Porém, muitos materiais são renováveis como por exemplo, os materiais biodegradáveis possuindo uma grande vantagem na fase de projetação do ciclo de vida.
Dissemos que pode, a fim de levar a uma avaliação da qualidade dos materiais biodegradáveis nos parâmetros ambientais correntes. Tais materiais são recomendáveis para as aplicações em que a decomposição seja efetivamente uma vantagem, como, por exemplo, em embalagens de lixos úmidos. (MANZINI e VEZZOLI, 2002 p.153)
Um exemplo de material biodegradável são os polímeros, segundo Manzini e Vezzoli (2002), polímeros biodegradáveis podem ser obtidos através de microrganismos que se alimentam de açucares também polímeros de ácido lático ou amido de massas ou milho, esses tipos de materiais podem ser usados em produtos com vida curta.
Podemos descartar certos tipos de materiais através da reciclagem que nada mais é do que o reprocessamento para produzir novos materiais, segundo Manzini e Vezzoli (2002) reciclagem pode ser considerada uma compostagem quando a matéria pode ser utilizada como fertilizante, sendo preparado e umedecido com frequência uma terra com elementos putrescíveis, conhecido popularmente como lixo orgânico ou úmido. Nesta técnica podemos citar inúmeras vantagens da compostagem pois essa técnica evita o impacto ambiental promovendo o despejo desses materiais novamente no meio ambiente, também o fertilizante
pode ser usado para provir outros tipos de materiais ou energia, dada a importância de que, mesmo que possa parecer que a reciclagem é a melhor solução para impactos ambientais durante o descarte, temos de refletir que até esta solução pode ocasionar algum dano ao meio ambiente como por exemplo, o transporte do material, como mostra a figura 5.
Figura 5 - Vantagens ambientais no descarte de materiais
(Fonte: Manzini e Vezzoli, 2002 p, 212)
Baseado nos aspectos de Manzini e Vezzoli (2002), algumas experiências ensinam que geralmente materiais reciclados produzem um menor impacto ambiental e possuem um real ganho, como ilustra a figura 6, onde pode-se observar o impacto de materiais que são virgens em comparação ao reciclado.
Figura 6 – Comparação entre a produção de materiais virgens e reciclados
Fonte: Manzini e Vizzoli (2002, p. 213)
Segundo Manzini e Vezzoli (2002), existe dois tipos de materiais recicláveis, os materiais de pré – consumo são caracterizados por serem normalmente limpos produzem uma reciclagem de alta qualidade, já os materiais pós – consumo são materiais que vem de embalagens já utilizadas pelo consumidor final, normalmente produzem uma reciclagem de baixa qualidade, portanto são mais difíceis de serem reciclados.
Uma técnica que pode ser utilizada no âmbito da reciclagem é a técnica em efeitos cascata, conforme ilustra a figura 7, que segundo Manzini e Vezzoli (2002), permite que o processo da reciclagem seja feito repetidas vezes com o mesmo material quantas vezes for necessário até quando a quantidade seja diminuída ao ponto de não ser mais possível repetir o processo pois o material não se torna mais utilizável, sendo assim a solução mais viável o incineramento.
Figura 7 – Reciclagem com efeito cascata
Fonte: Manzini e Vezzoli (2002 p. 223)
Conforme Manzini e Vezzoli (2002), a combustão ou seja, a incineração deve ser feita a partir da técnica do efeito cascata, esse método se faz necessário quando as características dos materiais não possuem mais nenhuma necessidade de reciclagem ou reutilização, porém, um ponto negativo para esta técnica é a liberação de gases poluentes que são liberados durante a combustão que pode ser gradativamente maior se os materiais possuírem algum tipo de aditivos ou outros tipos de ingredientes nocivos e tóxicos.
Outra opção que podemos citar segundo Dionisyo LGM, e Dionisyo RB (2011) é a reutilização, pois assim não chegamos nem a gerar lixo, complementando ainda segundo Fonseca.
A educação - a disseminação dos conceitos de consumo responsável, reutilização dos produtos e destinação adequada dos resíduos, entre eles, os plásticos – é o canal mais eficaz para que toda a sociedade compreenda seu papel em prol da sustentabilidade.
É por meio da educação e do empenho de todos – poder público, indústria (de produtos e serviços) e população – que vamos conseguir aproveitar melhor os recursos, gerar economia e garantir a preservação ambiental. - presidente da Plastivida, Miguel Bahiense (FONSECA, 2013. p. 9)
Fonseca (2013 p.15) ainda ressalta que, reutilizar é “reaproveitar o material em outra função. Ex: usar os potes de vidro com tampa para guardar miudezas”, nesse âmbito Fonseca exemplifica como pode ser feita a reutilização de materiais.
Os pneus usados podem ser reutilizados após sua recauchutagem. Esta consiste na remoção por raspagem da banda de rodagem desgastada da carcaça e na colocação de uma nova banda. Após a vulcanização, o pneu "recauchutado" deverá ter a mesma durabilidade que o novo. A economia do processo favorece os pneus mais caros, como os de transporte (caminhão, ônibus, avião), pois nestes segmentos os custos são melhores monitorados (FONSECA,2013 p. 12).
Fonseca (2013) ainda cita que as opções que se pode dar exemplo, são pneus transformados em barreira em acostamentos de estradas, elemento de construção em parques e playgrounds, quebra-mar, obstáculos para trânsito e, até mesmo, recifes artificiais para criação, e asfalto.
2.1.4 Banner de lona
Segundo Cardoso et al. (2016), o banner é muito utilizado para os meios de divulgação, exposições, feiras, eventos, fachadas e promoções, em forma de painéis ou faixas feitos de vários tamanhos. É considerada como uma ferramenta muito prática, pois pode ser transportada com facilidade, como ainda ressalta Santos K. et al. (2016) os banners são utilizados na maioria das vezes em programas de apresentação de ensino pesquisa e extensão, assim como em outros lugares como em prefeituras e gráficas, porém o período de vida é curto, e assim que é utilizado na maioria das vezes é descartado e vai diretamente para o lixo, Santos K. et al (2016).
O material do banner é lona sintética, considerado um material nobre devido à resistência que derivam de uma matéria prima não natural, sua origem é petroquímica. Com o avanço da tecnologia os banners foram sendo evoluídos com o melhoramento de mais propriedades como resistência ao calor, umidade e impressões em alta qualidade (CARDOSO et al. 2016).
Um banner demora o equivalente 500 anos para se decompor, em contratempo a sua utilização demora poucos dias. Um banner lona basicamente é feito dos materiais de lonas de policloreto de vinila (PVC) sendo assim um agravante para o processo de reciclagem, e geralmente são descartados em aterros sanitários sem nenhuma separação ou reaproveitamento (CARDOSO et al. 2016)
Lonas feitas por PVC são produzidas a partir de uma mistura de resina, cargas, aditivos e plastificantes, todos os ingredientes formam uma mistura homogênea com o calor onde todos os materiais se fundem e formam um material laminado. Depois de pronto essa lâmina é juntada com uma tela de poliéster, poliamida ou qualquer outro tipo de material que garante que esse produto não irá se romper, ou rasgar, é esta tela que prolonga a durabilidade do banner fornecendo muito resistência física e mecânica. (CARDOSO et al. 2016)
Materiais sintéticos especialmente os que são derivados do petróleo possuem um ciclo de decomposição mais lento do que os materiais não sintéticos, pois a química presente nesses materiais dificulta e muitas vezes inviabiliza a decomposição por meios naturais. Os materiais sintéticos são os mais utilizado pela indústria, principalmente por sua viabilidade econômica em especial a indústria gráfica. (NAJELISKI et al. 2017)
Uma das opções para a impressão do banner é feita através da serigrafia, que geralmente é a mais comum, onde consiste em um vazamento de tinta através de uma pressão de um rodo ou puxador por meio de uma tela que fica imóvel, essa tela fica esticada num quadro de madeira que pode ser feito também de alumínio ou aço. A matriz é gravada através de foto sensibilidade. (CARDOSO et al. 2016)
Segundo Coutinho et al. (2017) após o uso do banner lona como material de divulgação ele se torna obsoleto, e um problema ambiental que precisa ser solucionado devido à dificuldade de reciclagem, sendo descartados sem nenhum processo seletivo de reutilização ou reciclagem, por isso o reaproveitamento se torna uma das soluções mais viáveis na obtenção de novos produtos a partir do mesmo material, criando um possível destino correto para o banner lona.
2.1.5 Resíduos de tecido
A indústria da moda segundo Santos H. et al. (2014), permite a confecção de vestuário em massa fazendo com que produza grandes quantidades com baixos custos e possibilitando vendas elevadas, tendo como objetivo produzir roupas que tenham um apelo comercial, acompanhando características culturais como tendências de moda. Segundo dados da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) referentes ao ano 2013, o setor têxtil e de confecção no Brasil é o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo e o quinto maior produtor têxtil do mundo, esse dado surpreendente nos faz refletir o quanto de resíduos o Brasil gera e como é descartado.
A indústria têxtil gera resíduos assim como qualquer atividade industrial, e acaba gerando subprodutos nos quais acabam provocando impactos ambientais, seja pelo modo em que o produto é produzido ou pelos resíduos que a fabricação gera ao longo do processo produtivo, e considerando a quantidade de resíduos gerados no Brasil se institui a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, reuso e reciclagem; a lei estabelece m conjunto de fatores; princípios, para à gestão integrada e ao gerenciamento ambiental adequado dos resíduos sólidos, eliminando até agosto de 2014 os lixões e disponibilizar os rejeitos em locais adequados que não agridam o ambiente. (SANTOS H. et al.2014)
Os resíduos têxteis, como retalhos e aparas de confecção, são classificados segundo Santos H. (2014) como Resíduos de Classe II-A, por que possuem características como a biodegrabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água, segundo a Norma Brasileira (NBR) 10.004/2004. Conforme Alencar e Assis, (2009) e Santos H; .et al. (2014) podem-se classificar os resíduos em diferentes categorias, como:
Retalho, surge a partir de corte como o resultado do limite do tecido, através da modelagem manual ou automatizada. Os retalhos podem atingir 30% do tecido inicial;
Pó de overloque, oriundo das máquinas de costura, é gerado a partir do excesso de tecido deixado na fase de corte;
Carretéis de elástico, provenientes da costura e bordados com elásticos;
Tubos de papelão de PVC, gerados a partir de tubos de tecido de papel utilizado para a elaboração de moldes.
Outros resíduos, agulhas, linhas de acabamento e arremates, lâmpadas, embalagens de óleo lubrificante, tecidos ou estopas sujas e entre outros.
Conforme Santos H. (2014), os designers Brendler e Brandi foram os maiores responsáveis por identificar a origem de cada resíduo gerado em cada fase do processo produtivo, (figura 8), incluindo a produção de ruídos (não resíduo), assim pode-se observar que os retalhos são formados em todas as fases do produto como o corte, montagem, finalização e expedição.
Figura 8 –Fluxograma das etapas de produção
Fonte: Santos H. et al. 2014 p. 12
A partir desses dados os resíduos têxteis produzidos no processo de fabricação vem sendo uma preocupação da indústria, pois obriga cada vez mais as empresas elaborarem soluções para que esse impacto ambiental seja reduzido incluindo a diminuição de destinos incorretos do material. (SANTOS et al. 2014)
O Centro Nacional de Tecnologia limpa (CNT), 2009 afirma que a indústria da moda gera resíduos significativos, principalmente da matéria-prima do tecido que é transformada em retalhos e em peças que não podem mais ser utilizadas. Os autores Pinheiro e Francisco, (2013) afirmam que o processo que mais gera resíduos é o processo de corte do tecido, onde são provenientes de fibras têxteis que são todo tipo de tecido de origem animal, vegetal ou mineral ou até mesmo sintética. Os autores ainda citam que de acordo com a Conmetro (Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) 2012 o tecido descartado varia
de 20 a 35% do corte, sendo que de 40% a 50% costuma representar todo o material têxtil da peça confeccionada (Pinheiro e Francisco, Apud. Conmetro, 2012. p. 5).
Com esses dados preocupantes surge a criação de leis para o gerenciamento de resíduos sólidos, como a Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), com esta lei houve uma facilitação quanto ao gerenciamento dos resíduos sólidos nos diferentes segmentos. Essa nova lei tem a intenção de regularizar e amenizar a poluição através de estratégias que possam dar outro destino aos resíduos de forma correta e mais adequada. (PINHEIRO E FRANCISCO, 2013)
Devida a importância do impacto ambiental que resíduos têxteis podem causar no meio ambiente, é recomendável que sempre haja interesse em se informar sobre os resíduos que a empresa gera e como são descartados. Em uma realidade produtiva podemos levar em consideração um aspecto de critérios de sustentabilidade tornando as empresas com vantagens no mercado pois acaba promovendo um desempenho ambiental. (PINHEIRO E FRANCISCO, 2013)
2.1.7 Quem consome produtos sustentáveis?
Indivíduos que se preocupam com o meio ambiente possuem um maior afeto com questões ambientais logo, possuem mais atitude ecológica, ou seja, consumidores mais informados sobre o assunto tendo uma opinião formada em questões ambientais tendem ter uma atitude diferenciada comparada a outra pessoa que não possui esse conhecimento (AMORIM et al. 2009)
O comportamento de uma pessoa em relação a algum produto não está necessariamente relacionado com as atitudes da pessoa, mas sim com os objetivos que o indivíduo almeja e quais são as suas intenções perante aquele objeto ou produto, sendo assim qualquer pessoa que possuiu intenções ecológicas baseadas no conhecimento adquirido a respeito do assunto, terá consequentemente mais ações em prol de atitudes com fundamentos ecológicos. (AMORIM et al. 2009)
As pessoas irão comprar um produto pelo tipo de informação de possuem, conforme afirma Amorim et. al (2009) e quando não há uma informação interessante o consumidor não irá comprar pois não haverá nada que se encaixe com os seus interesses priorizando muitas vezes o preço do produto.
Na pesquisa feita por Amorim et tal. (2009) feita com cerca de 50 gestores que possuem lojas no Shopping na cidade de Campinas, estado da Paraíba, utilizou-se a escala otimizada de
Likert de 1 a 5 pontos, onde 1 representa, Discordo Plenamente, 2 - Discordo, 3 - Nem discordo, nem concordo, 4 - Concordo e 5 - concordo plenamente. A análise dos dados foi através da frequência relativa e absoluta, com o objetivo de verificar se a grande parte dos empresários que são os maiores responsáveis por influenciar a população em massa, possuem a consciência ambiental para a preservação da natureza e o posicionamento do consumo de produtos ecologicamente corretos, visto que essa prática é muito pouco consolidada no Brasil.
Tabela 1 - Quando eu tenho que escolher entre dois produtos iguais, eu sempre escolho o que é menos prejudicial às outras pessoas e ao meio ambiente.
(Fonte AMORIM et. al 2009 p,4)
O resultado da tabela 1, mostra que 34% dos gestores não concordam nem discordam sobre esse assunto, sendo eles a maioria apresentada nesta tabela. De acordo com Amorim et al. (2009) a tabela mostra que os gestores não possuem uma ideia clara sobre o poder do consumidor na preservação ambiental.
Tabela 2 - Eu não compro produtos fabricados ou vendidos por empresas que prejudicam ou desrespeitam o meio ambiente.
(Fonte: AMORIM et al. 2009, p 4)
A tabela 2 mostra que de acordo com Amorim et al. (2009) 48% dos respondentes concordaram que fazem esforços para redução do uso de produtos feitos de recursos naturais
escassos, a tabela ainda apresenta um alto índice de neutralidade correspondentes a 18% do total de entrevistados.
Tabela 3 - Estou disposto a pagar um pouco mais por produtos e alimentos que estão livres de elementos químicos que prejudicam o meio ambiente.
(Fonte Amorim et al. 2009, p 6)
A tabela 3 mostra que segundo Amorim et al. (2009) gestores ouvidos, 42% concordam em pagar um pouco mais por um produto ou alimento que esteja livre de elementos químicos que prejudicam o meio ambiente.
A partir dessas tabelas podemos concluir que as pessoas estão dispostas a pagar um pouco mais pelo produto e que estão cientes do seu papel como gestores em relação a preservação do meio ambiente. No entanto, apesar de todos os gestores possuírem uma consciência ecológica as tabelas revelaram que possuem uma prática muito pouco consolidada por parte dos mesmos, sendo necessária a prática de novas soluções para a novas campanhas estratégicas com o fim de ressaltar a importância para ações ecologicamente corretas.
Conforme, Fabricio e Leocádio (2013), a maioria dos consumidores possuem consciência sustentável, porém as suas ações não condizem com o conhecimento que eles têm adquirido sobre sustentabilidade e preservação do meio ambiente por meio de um consumo consciente. Ainda que os mesmos consumidores não demonstram em ter interesse em ser ativos na sociedade pois não conseguem ver vantagens quando se trata de custo benefício dos produtos e principalmente quando entra a questão de valores.
Fabricio e Leocádio (2013) ainda sugere que o consumo sustentável só é possível com a ajuda no poder público em ações coletivas que possam sensibilizar a população para questões ambientais ligadas diretamente com o consumo. O consumo sustentável, no entanto, se torna viável com a conscientização dos indivíduos através da educação que pode ser captada formalmente ou informalmente com potencialidade de desenvolver a compreensão de que o
consumo gera custos sociais, humanos e ambientes e que cada pessoa é responsável por aquilo que produz.
2.2 Acessórios
Segundo Santos (2012), acessórios não são somente um objeto funcional como décadas atrás, não serve apenas para transportar ou para guardar pertences e objetos, atualmente são vistos como um objeto de linguagem e significado próprio. Historicamente, conforme Santos (2012) o acessório de moda surge como uma necessidade de complementar o vestuário, deixando a composição mais enfeitada.
Desde a virada do milénio, todas as casas de moda passaram a dar grande importância aos acessórios, como ferramentas comerciais que consolidam uma maior exposição da marca de forma geral. Uma das razões para este fenómeno é que os acessórios, mais que as roupas, são verdadeiros ícones da essência de um determinado estilo (SANTOS, 2012 p. 6).
O impacto visual que os acessórios proporcionam através da estética transmitem a informação de que as tendências contemporâneas se propagam por meio do tempo. Na moda os acessórios são compreendidos como uma metáfora, como palavras complexas isoladas na linguem na moda, além disso, acessórios server para a criação visual externa de um usuário. (SANTOS, 2012)
O termo acessório, inclui como uma peça que acrescenta a composição de trajes femininos e masculinos, acrescentam cores e vida e estilos principalmente em looks básicos, ainda que pode ser usado como um item decorativo que enfeita o vestuário como por exemplo, joias, bolsas, cintos, óculos de sol, gravata e entre outros. (SANTOS, 2012)
Segundo Santos (2012), acessórios sempre foram um fator de diferenciação pois nos grandes eventos de moda o mesmo chama muita atenção, ganhando muito mais importância, não se limita em apenas servir como adorno, mas possuem demarcação de estilo ganhando espaço na moda contemporânea.
Figura 9 – Exemplo de utilização de acessórios na passarela
Fonte – Santos (2012, p 8)
Acessórios femininos, conforme Natt et al. (2010), são apetrechos que estão ligados a sensualidade da mulher, porém se trata de uma sensualidade não vulgar pois os maiores objetivos dos acessórios é dar valor ao visual transmitindo elegância. Acessórios ainda possuem o poder de indicar um grande potencial de diferenciação pois carrega consigo a capacidade de agregar valor, valores estes que podem ser vistos como insinuar a sensualidade até como pertencimento de algum grupo.
2.2.1 Bolsa e mochila
De acordo com Benarush (2014) é “Peça utilizada pra armazenar e transportar objetos pessoais, de materiais e formatos diversos, podendo ser carregada no ombro ou na mão” conforme ilustra a figura 10.
Figura 10 - Representação dos tipos de bolsas
Fonte – Benarush (2014, p 32)
Historicamente segundo Almeida MB. e Almeida NB (2014) a bolsa só se tornou popularmente conhecida no século V quando as bolsas do tipo alfajore que eram meramente sacos de couro que se usava na cintura, ombros e em celas de animais. Esse tipo de bolsa era
muito usada pelo público masculino para auxiliar no carregamento de mantimentos, como alimentos e dinheiro, já na idade média as bolsas ganharam distinção de sexo, as dos homens eram maiores e a das mulheres menores, a partir deste tempo começou a surgir variações dos tipos de bolsas sendo feitas dos mais diferentes materiais e dos mais diversos formatos e que vem se modificando até os dias atuais.
Estruturalmente as bolsas podem ser basicamente divididas em várias partes conforme Almeida MB. e Almeida NB (2014) dizem que existem vários componentes no corpo de uma bolsa, conforme ilustra a figura 11, que considera esta bolsa como um padrão, ou seja, uma bolsa com elementos básicos sem elementos decorativos.
Figura 11 – Componentes de uma bolsa
Fonte – Almeida MB. e Almeida NB (2014, p 31)
As mochilas também são consideradas bolsas, ainda que está entre os tipos mais antigos do mundo usada principalmente nos primórdios pelos nômades tinham como principal função carregar objetos nas costas deixando as mãos livres enquanto caçavam na floresta (figura 12). Com o passar do tempo a mochila se tornou um objeto para uso militar para que os soldados pudessem caminhar grandes distâncias ou carregar bastante peso. O uso da mochila se tornou banal a partir dos estudantes, que na década de 80 a partir do lançamento da marca Prada a mochila feita de nylon (figura 13) teve um retorno muito positivo dos jovens sendo um item de consumo icônico na época influenciando muitas gerações resultando em várias versões nos anos seguintes. ALMEIDA MB. e ALMEIDA NB (2014)
Figura 12 – Mochila primitiva
Fonte - Almeida MB. e Almeida NB (2014, p 20)
Figura 13 – Mochila lançada pela Prada nos anos 80
Fonte - Almeida MB. e Almeida NB (2014, p 21)
De acordo com Almeida MB. e Almeida NB (2014) as bolsas mudaram muito ao longo de tempo suas evoluções se deram a partir das necessidades do ser humano, desde as primeiras bolsas que eram utilizadas como um instrumento que auxiliava na caça de animais na era primitiva, desde o tempo em que a bolsa se tornou somente mais um acessório de moda que agrega valor e estilo ao visual, hoje em dia a bolsa é mais vista apenas como um objeto de consumo e é avaliada mais por sua beleza do que pela sua função.
2.2.2 Produtos feitos com material descartado
O setor mais sujeito a mudanças são setor de moda e acessórios, pois as mudanças acontecem rapidamente, na maioria das vezes se tem a tendência de deixar roupas em bom estado no armário e pelo simples fato do consumidor querer estar na moda sempre, o mesmo sempre acaba tendo um armário “novo” a cada estação que passa onde as peças vão se renovando ao decorrer do tempo. No entanto há uma solução para ser mais sustentável, sem que precise sair de moda, onde a principal estratégia adquirida é a redução de materiais ou a utilização de materiais reciclados (ornj bags e BOOTLEG) e não sintéticos (eco-chic) (BARBERO E COZZO, 2009).
A bolsa Ornj Bags, desenvolvida pelo designer David Shock vem sendo usada principalmente em feiras ao ar livre devido ao seu espaço e resistência, feita de materiais da construção civil como as cintas de plástico usadas como redes de proteção e isolamento, a função primária quando concluída, as cintas possuem uma vida breve e são descartadas, apesar de possuírem muita resistência (BARBERO E COZZO, 2009) .À procura de produtos semelhantes a Ornj Bags, fabricados a partir de materiais recicláveis capazes de possuírem uma resistência e durabilidade maior em comparação ao outras bolsas, sem deixar de lado o lado estético, aumentam gradativamente em sintonia com os tempos atuais.
Figura 14 – Bolsa Ornj Bags
fonte: Babero e Cozzo (2009 p. 224)
Outro exemplo é a bolsa Marbella, que foi criada em 1998 na cidade de Barcelona pela empresa Demano, que foi uma das pioneiras que tiveram verdadeiramente intenções sustentáveis aplicas nos seus produtos. Observando a grande quantidade de cartazes
publicitários expostos na cidade espanhola, três senhoras brasileiras tiveram a ideia de produzir bolsas, utilizando os retângulos de PVC. Após o grande retorno positivo do público foram acrescentados novos materiais entre os quais sobras de fábricas têxteis, guarda-chuvas e poliéster. Por meio de diferentes formas do produto a Demamo conseguiu dar linha a uma expressiva concepção do ecologicamente sustentável.
Figura 15 – Bolsa Marbella
Fonte: Barbero e Cozzo (2009, p 238)
Mais um exemplo que podemos citar é a I’m not A Plastic Bag foi o primeiro saco de compras a ser produzido de algodão, no qual abriu caminho para que uma série de bolsas fossem feitas de material natural. O mais interessante é a frase nele impressa e notoriamente provocatória, a simples mensagem adverte para que não se use sacos plásticos para as compras, mas sim sacolas de material natural e biodegradáveis, reduzindo assim o impacto ambiental lançados ao meio ambiente, conforme mostra a figura 16.
Figura 16 - bolsa I’m not A Plastic Bag
Fonte – Barbero e Cozzo (2009, p. 236)
Assim, pode-se observar que é possível conscientizar a população através de bolsas que trazem uma mensagem em seu produto podendo ser verbal ou não verbal, é importante que as grandes marcas tomem iniciativa para projetos nesse âmbito pois assim, agrega-se valor aos produtos e ao mesmo tempo diminuí-se o impacto ambiental. (BARBERO E COZZO, 2009)
2.3 Upcycling – novo conceito em moda
A partir da preocupação do futuro do planeta assim como com as futuras gerações surge novos conceitos de moda a favor da sustentabilidade. Entre eles se encontra o Upcycling que é caracterizado por utilizar resíduos, peças ou produtos descartados em novos materiais ou objetos. Em suma, é transformar alguma coisa que está no fim da sua vida útil em um outro produto com uma nova função. (OLIVEIRA e DOCKHORM, 2017)
Diversas empresas utilizam essa técnica para produzir novos produtos, segundo Oliveira e Dockhorm, (2017) um exemplo é a marca “Bag for Life” que produz bolsas a partir de fibra de bananeira e tecidos de fibras de garrafas recicladas, também utilizam outros tipos de materiais como outdoors, resto de móveis, sobras de indústria de calçados e entre outros. A prática do Upcycling conforme Oliveira e Dockhom (2017) também pode ser útil para peças de decoração, como por exemplo móveis feitos a partir de restos de madeira, evitando assim o desperdício e promove a aplicação desse conceito através da reutilização de resíduos.
O termo Upcycling foi pela primeira vez usado pelos autores William McDonough e Michael Braungart em seu livro, Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things, de
2002, onde citam que o objetivo desde movimento é evitar o desperdício de materiais úteis, e reduzindo o uso de novas matérias-primas, resultando também a redução de consumo de energia assim como gases poluentes e resíduos jogados nas águas. (LUCIETTI et al. 2017)
Conforme Souza e Emidio (2015), o Upcycling é um método muito parecido com o redesign, porém muito mais recente no âmbito sustentável onde se destaca principalmente nas áreas no design como um processo de reutilização de materiais desperdiçados em novos produtos com valor agregado além da valorização ambiental. Esse método é caracterizado por utilizar os mesmos materiais com menos consumo de energia enfatizando a reutilização sem precisa reciclar o mesmo.
Essa ideologia vem ganhando forma nesses últimos tempos onde se pensa muito no ecologicamente correto e isso vem atraindo novos olhares da indústria, além disso possui custos reduzidos na produção de novos produtos, assim o Upcycling vem sendo cada vez mais adepto não só em produtos de moda, mas também em outros ramos como o mobiliário e no ramo de acessórios, como mostra a figura 17. (LUCIETTI et al. 2017)
Figura 17 – Produtos feitos com lona de caminhão
Fonte - Lucietti et al. (2017 p. 4)
Segundo a autora LUCIETTI et al. (2017, p 5) existem uma série de benefícios que os Upcycling podem proporcionar, como:
A implantação dos processos de design aplicados com rapidez e facilidade, acrescentando a participação do designer agregando valor ao produto;
Valorização de materiais já existentes;
Criação de um “novo” produto baseado num produto antigo; Oportunidade de escolher o melhor processo de aplicação durante a fabricação para que tenha uma melhor perspectiva ambiental.
A ferramenta de upcycling segundo Vilaca et al. (2016) é de suma importância para que os materiais de qualquer produto possam ter um ciclo de vida maior transformando o material em outro produto e ainda agregando ainda valor ao mesmo, se tornando um cada vez um produto exclusivo.
2.4 Design de superfície
Para Rubim (2004) o desenho da estampa em superfícies e qualquer tratamento de cor e tratamento aplicado em qualquer tipo de produto, sendo industrializado ou não. Os designers de superfície trabalham com os mais diversos tipos de material, como papel, tecidos, cerâmica, plásticos e emborrachados, também pode ser visto como um complemento para o design gráfico quando possui participação em alguma ilustração ou na Web-Design.
Quando mencionamos a padronagem de alguma estampa logo estamos pensando em uma ordem definida e ordenada, ou muitas vezes pode ser considerada um arranjo, uma repetição de linhas e adornos, nesse âmbito a autoria Omoto (2015) classifica a padronagem em dois tipos.
Padronagem visual que é composta por imagens que se repetem, ou são arranjos criando ritmo e composição;
Padronagem cultural é quando um elemento se repete inúmeras vezes ao longo do tempo, criando assim um padrão cultural.
De acordo com Silvia e PATRÍCIO (2016), a criação de estampas propõe a ligação entre elementos em harmonia numa composição visual dos meios plásticos e do estudo dos signos. É pensada através da técnica de módulos, reproduzindo um padrão que é repedido várias vezes. Na moda essa técnica é conhecida como rapport, conforme ilustra a figura 18, que dá a origem
ao design de superfície têxtil. O desenho pode ser elaborado a partir do estudo de tendências e procura soluções criativas para valorizar o produto a ser estampado
O desenho é elaborado a partir de estudos de tendências, onde é determinado o objeto-signo que será desenvolvido para compor a nova imagem a ser impressa. O processo construtivo dessa imagem resulta em um repertório original, não só pessoal (bagagem cultural do indivíduo que projeta a estampa), mas também de técnicas muito especificas em estamparias, tecidos, custos e conceitos de moda. (SILVA e PATRÍCIO 2016 p. 16
Figura 18 – Técnica rapport
Fonte – Rubim (2004, p 36)
As criações de estamparia têxtil dependem das composições criadas através da imagem, as criações possuem o propósito de transmitir harmonia de cores e arranjo visual, é formada através de módulos, e é referente a técnica de rapport, conforme a figura 19, que mostra a
construção de uma estampa num aspecto de módulo distribuído de forma linear. (SILVA e PATRÍCIO, 2016)
Figura 19- Rapport distribuído de forma linear
Fonte – Silva e Patricío (2016, p. 17)
Na estamparia têxtil, conforme Silva e Patricío (2016), o uso da técnica de grids para delimitar a distância em que os elementos precisam estar dentro da comunicação, nessa técnica se tem grades modulares, divisão de colunas e a formatação dos elementos. Na estamparia é chamado de módulos os desenhos ou motivos que são considerados como desenhos também, conforme ilustra a figura 20 e 21.
Figura 20 - Desenho como módulos
Fonte – Silva e Patricío (2016, p 19)
Fonte – Silva e Patricío (2016, p 19)
Conforme Silva e Patrício (2016) a composição da estampa no meio comunicativo é controlar a interpretação da imagem que o usuário recebe, o significado se encontra tanto no olho de espectador como no olhar de quem produziu a estampa. A mesma procura estabelecer conexões pois é agregado de significados que precisam fazem sentido além de criar conexões pessoais.
2.4.2 Serigrafia
Serigrafia é um processo permeográfico que se manifestou no Brasil em 1970, utilizando telas de nylon como matrizes. Só máquinas automatizadas conseguem fazer grandes tiragens em tecidos onde se pode conseguir a policromia com meios-tons com qualidade mediana. Serigrafia também pode ser executada manualmente ou semiautomática, popularmente conhecido como cartazes “lambe-lambe”, são geralmente do tamanho igual e possui o mesmo tamanho ou a metade do formato das fábricas de papel (OLIVEIRA,2000)
A serigrafia ou a técnica que também pode ser chamada de silk-screen é uma ferramenta de impressão através da infiltração de tinta por meio de uma tela permeável com o fim de se obter uma imagem monocromática. Devido a vantagem dessa técnica por sua qualidade produzida em tão pouco tempo, torna a serigrafia uma das técnicas mais usadas no Brasil, principalmente no ramo têxtil. Essa técnica também permite impressão em superfícies como,
madeira, PVC, metal, fazendo com que seja atraente para os demais empresários e empreendedores que atuam no mercado. (JENSEN e SCHNEIDER, 2015)
No processo de serigrafia a impressão silk-screen pode ser feita manualmente ou através de máquinas automatizadas, sendo mais comum a técnica manual, exigindo cuidado da pessoa que irá realizar esse processo. Nas duas técnicas os passos para fazer uma serigrafia são muito similares, é um processo muito semelhante a revelação fotográfica. Primeiro é desenvolvido a matriz onde é composta por um bastidor e tecido (geralmente feito de nylon) nesse momento é quando a arte é preparada na região onde a tinta poderá passar livremente e o restante o nylon é vedado. Depois é usado um bastidor composto de uma moldura feita de madeira que precisa ser resistente à humidade pois essa matriz é lavada diversas vezes, ainda que se recomenda que tenha alguns centímetros livres como margem, a moldura é fixada com grampeadores (JENSEN E SCHNEIDER 2015)
No bastidor conforme Jensen e Schneider (2015), é necessário ter o conhecimento de qual tecido apropriado para o tipo resolução da serigrafia, quanto menor a malha mais alta é a definição da imagem, tecidos mais utilizados conforme ilustra a figura 22 assim como os fatores negativos e fatores positivos de cada tecido.
Figura 22 – Tipos de tecidos para o uso da serigrafia
Fonte -Jensen e Schneider (2015, p 47)
É importante que o tecido esteja bem esticado de forma uniforme por toda a área da matriz, quanto mais esticado estiver mais a técnica terá mais qualidade. Depois desse processo é necessário realizar a emulsão da tinta, primeiramente é aplicado uma solução de detergente antes de revestir a matriz depois que secar, é aplicado a emulsão fotossensível mais o sensibilizador sendo exporto logo em seguida num ambiente e exposto na luz ultravioleta, logo a tinta começa a endurecer e se torna impermeável. (JENSEN E SCHNEIDER 2015)
Conforme Jensen e Schneider (2015) existe a técnica com a gravação da arte, para isso acontecer é necessário colocar uma matriz com a arte e por cima colocar uma tela e no topo é recomendado o uso de uma lâmina de vidro para servir como peso para que a ilustração não se mova, o autor ainda recomenda que seja feito o processo numa câmara escura, pois com a luz sobre o tecido a emulsão endurece completamente, menos o lado positivo pois a tinta não permite que a luz atravesse o papel. A arte pode ser gravada na própria matriz após a aplicação da luz sobre a solução com emulsante, é uma imagem positiva com a parte negativa vedada conforme ilustra a figura 23.
Figura 23 – Imagem positiva e imagem negativa
Fonte: Jensen e Schneider (2015, p 48)
Jensen e Schneider (2015) também afirma que existe mais um tipo da técnica da serigrafia, como a impressão. O processo consiste em fixar a matriz e a alinhando no lugar devido, após esse passo, se levanta a tela e sem aplicar muita força se reveste a tela com uma camada de tinta. Isso é feito para que se tire o ar dos poros da matriz, feito isso, imprime a imagem e ao passar um rodo pela tela, fazendo com que a imagem positiva se transfira para o suporte. Terminado esse processo caso haja restos de tinta no recipiente é colocado de volta na lata, assim pode ser reutilizada.
Oliveira (2000), afirma que um medidor de qualidade para a impressão em serigrafia é a qualidade da tela, a trama de nylon por onde passa a tinta. Quanto menor a trama consequentemente será mais cara, mais delicada deve ser a impressão exigindo um maior cuidado ao manuseio, o resultado é uma impressão de maior qualidade. Já quando a trama é menos densa, possuindo mais poros abertos, mais barata será a impressão e a qualidade será inferior não sendo a técnica ideal para ser utilizada em impressos que serão lidos a distância.
Segundo e Jensen Schneider (2015), o processo da serigrafia permite uma série de opções para abusar da criatividade, sendo possível diversas experimentações em busca de um resultado original, para isso é preciso ter conhecimento principalmente de misturas de cores que precisam ser comparadas o tempo todo para se obter a tinta certa na impressão. No entanto no tipo de serigrafia grega Tind, se usa a harmonia cromática de cores ao acaso na tela, esse tipo de técnica é muito usado para a produção de materiais gráficos como mostra a figura 24.
Figura 24- Técnica de serigrafia grega
Fonte – Jensen e Schneider (2015 p, 50)
A qualidade da impressão também pode ser avaliada através do equipamento e a qualificação da mão de obra, como regra geral, espera-se que a impressão seja de média qualidade, pois a serigrafia permite que haja impressão em diversos suportes como, papéis, laminados plásticos, plásticos rígidos, tecidos, lonas, e suportes tridimencionais (OLIVEIRA, 2000)
Com o passar das décadas, a produção exclusiva da serigrafia passou a ser substituída por impressão digital com o uso de plotters de tinta ou cortes eletrônicos. A impressão sobre tecido para tiragens pequenas é sugerida o uso de um transfer que é um decalque obtido em um processo digital sobre um suporte específico para esse fim sendo a tinta transferida para o tecido através da pressão e do calor (OLIVEIRA, 2000)
A serigrafia é de uso comum em caso de impressos sobre papel onde pode-se unir qualidade e produção em baixa tiragem como é geralmente usado em capas de livro e brochuras, se haver cópias que cheguem a milheiro deve-se usar telas com maior número de densidade e com menos poros, pois assim pode ser explorado a predominância de áreas chapadas, textura e brilho da tinta. (OLIVEIRA, 2000)
Para finalizar Jensern e Schneider (2015) ainda ressaltam que o uso da serigrafia permite várias combinações diferentes se tornando um diferencial de trabalho funcionando como o
principal atrativo quando se olha essa técnica aplicada a materiais de design pois pode ser usada de forma aleatória e com várias experimentações ou ainda o reaproveitamento de matrizes ou a utilização de outras partes do de pôsteres para a criação de algo novo. A serigrafia também pode ser considerada uma forte aliada dos designers pois depois que se conhece e se tem a dominância da técnica o profissional consegue realizar ilustrações em muito menos tempo, sendo muito mais eficaz comparada a outras técnicas.