Geofagia:corpos cerâmicos, corpos híbridos
Texto
(2) ROSÂNGELA SANTANA PEREIRA. GEOFAGIA CORPOS CERÂMICOS, CORPOS HÍBRIDOS. Dissertação apresentada como exigênica parcial para obtenção detítulo de mestre em artes visuais, à comissão avaliadora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal da Bahia. Área de concentração: Linguagens Visuais – Tradição e Contemporaneidade. Linha de Pesquisa – Processos Criativos nas Artes Visuais. Orientadora: Profa. Dra. Maria Celeste de Almeida Wanner. Salvador 2007.
(3) APOIO. CENTRO CULTURAL DANNEMANN.
(4) ROSÂNGELA SANTANA PEREIRA. GEOFAGIA CORPOS CERÂMICOS, CORPOS HÍBRIDOS. Esta dissertação foi julgada adequada à obtenção do grau de Mestre em Artes Visuais e aprovada em sua forma final pelo Curso de Mestrado em Artes Visuais da Universidade Federal da Bahia. Salvador – BA, 21 de dezembro de 2006.. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________ Profa. Dra. Maria Celeste de Almeida Wanner Doutora em Artes Plásticas – California College Arts e Crafts - EUA ______________________________________________________ Profa. Dra. Sônia Lúcia Rangel Doutora em Artes Cênicas – Escola de Teatro da UFBA _____________________________________________________ Profa. Dra. Maria Ivone dos Santos Doutora em Artes e Ciências da Arte – Universite de Paris I (Pantheon-Sorbone) ______________________________________________________ Prof. Dr. Antônio Saja Ramos Neves dos Santos Doutor em Letras e Linguística - UFBA.
(5) À minha família.
(6) AGRADECIMENTOS. A Deus, por ter me sustentado neste árduo caminho. A Jair, meu esposo – na verdade, o iluminado –, que com seu entusiasmo racionalista sempre esteve do meu lado. À minha orientadora, Profa. Dra. Maria Celeste de Almeida Wanner, profissional de excelência e humana, por quem tive o privilégio de ser orientada e amparada sempre, nas mais diversas circunstâncias, até virtualmente. À Profa. Dra. Sônia Rangel, pelas colocações e sugestões no momento do Exame de Qualificação. À Profa. Dra. Maria Ivone Santos, pela contribuição ao fornacer embasamento para o rumo que a pesquisa começou a tomar, já apontando possivelmente para um doutorado. Ao meu co-orientador e amigo, Eriel Araújo, por seus conselhos, seu entusiasmo, incentivo e valiosa colaboração na minha formação e nesse trabalho. À FAPESB, pela bolsa auxílio mestrado, com a qual pude investir em material de trabalho e estudo. Ao Programa de Pós Graduação – Mestrado em Artes Visuais da Escola de Belas Artes, sob a direção da Profa. Dra. Viga Gordilho e da Profa. Dra. Maria Hermínia e ao Departamento II – Desenho e Escultura, sob a coordenação do Professor Onias. Ao Centro Cultural Dannemann, juntamente com Hans Leusen, Pedro Arcanjo, Mariana e Cebola, pelo primeiro prêmio que me deu oportunidade de fazer residência artística na Alemanha. A Edgar Quadt, Friederike Densh, Christian Altengarten, Niels Dietrich, Laura Krhunner, Mathias, Achim Helm, Anna Zimmermann, Cornelia Griess, Christopher, Martin Rhein, Martin Gesche (Pilla), Nina e Alessandra dos Anjos, que, em diferentes circunstâncias, me receberam, me ensinaram e zelaram por mim durante essa residência artística. À minha amiga d’alma, Margarete Vitória (Margot), pelos sonhos em dupla e pelo fato ter me perdoado por ter barbotinizado e queimado o vestido que me deu de presente. A meus amigos e todos os que me aconselharam, deram sugestões e desejaram meu sucesso nesse caminho que escolhi. A meus queridos alunos, que tanto me ajudaram a crescer e aprender. A Galeria Cañizares, que sob a direção de Marcia Magno, coordenação de Edgar Oliva e o apoio da secretária Vânia abriu espaço para que eu pudesse realizar a exposição Geofagia. A Manoel Francisco, José Robério, Sr. Batista e Dona Vânia, e a todos os funcionários que me ajudaram nesse período..
(7) À bibliotecária Leda Maria Ramos Costa da Escola de Belas Artes da UFBA, pela revisão da parte de bibliografia e pela ficha catalográfica, tirando dúvidas quanto às normas da ABNT. À Simone Rubim pela revisão de linguagem. À Igreja Batista de Plataforma – impossível enumerar todos os seus membros –, pelas orações e votos para que tudo desse certo. Especificamente, ao Coro da Igreja Batista de Plataforma, representado pelo Maestro Valmir Estácio Barbosa, pela compreensão da minha ausência de quase dois anos. Aos meus pais, Zulene e Joel Santana, pelo apoio em minhas escolhas. À minha irmã, Rosana, pelo entusiasmo. Aos meus sogros – na verdade, também pais –, Maria Helena e Alcebíades Pereira, que, junto à cunhada Marilucy, cuidaram de minha filha nas minhas ausências. À minha filha, Letícia, pelo incentivo, pelo auxílio com as fotografias no nosso ateliê e pela compreensão dos momentos de ausência..
(8) "A argila também será, para muitas almas, um tema de devaneios sem fim. O homem se perguntará indefinidamente de que lama, de que argila ele é feito..." (Gaston Bachelard, "A Água e os Sonhos")..
(9) RESUMO. Esta é a dissertação que revela a investigação teórico-prática intitulada Geofagia: corpos cerâmicos, corpos híbridos, para conclusão de curso de mestrado. As reflexões. sobre o tema em análise levam à compreensão das motivações e implicações presentes no processo de construção da obra, e da experimentação, em que foi utilizada uma técnica milenar tradicional, a cerâmica, que deu origem à cerâmica enquanto linguagem visual contemporânea híbrida. Durante o desenvolvimento desse trabalho, que teve o corpo como referência e a materialidade como tema, foram investigados outros materiais, além da argila, na construção de objeto, além de fotografia e instalação, dialogando com conceitos de registro, permanência/impermanêcia, memória, espaço e tempo. Tomando por base reflexões prático-teóricas, pretendeu-se realizar uma pesquisa que tivesse a obra como objeto de estudo, considerando o seu processo de instauração e a possibilidade de outros devires. No decorrer da construção dos objetos, instalações e esculturas, na qual a cerâmica foi utilizada como o principal meio de expressão com possibilidades híbridas, refletiu-se sobre aspectos contemporâneos da arte, identificados na pesquisa em questão, capazes de possibilitar a comunicação entre arte e outros conhecimentos afins, com a utilização de uma metodologia específica em artes visuais, a Poiética. Os autores eleitos para dar embasamento teórico à investigação foram Gaston Bachelard, Roland Barthes, Henri Bergson e Georges Didi-Huberman. Palavras-chave: Cerâmica; Fotografia; Corpo; Memória; Permanência/Impermanência..
(10) ABSTRACT. The present dissertation, called Geofagia: ceramics corpus hibridus corpus,. presents. an analysis about ceramic as a contemporary visual language, result of the desconstruction of this “ancient” tecnique. Through the studio experimentation, research and reflections of the body of work done during a period of time, it was possible to see a great possibility to make a hibridization of ceramic, photography and performance. Therefore, the body took a more important place and reference in this investigation. Besides clay, other materials and elements were also researched, as well as object and instalation,. all. of. them. dialoging. with. concepts. of. impression,. permanence/impermanence, memory, space and time. The methodology was based on the Poiesis, a specific methodology in visual arts. The theorical part was based on authors, such as Gaston Bachelard, Roland Barthes, Henri Bergson and Georges DidiHuberman. Keywords: Ceramics; Photography; Body; Memory; Permanence/Impermanence..
(11) LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Figura 1 - Rosângela Costa, “S/Título” - Cerâmica vidrada. 34cm diam. 2001…………………..24 Figura 2 - Rosângela Costa, “S/título” - Cerâmica. Dimensões variáveis, 2002…………….……24 Figura 3 - Rosângela Costa, “S/título” - Cerâmica. Dimensão variável. 2002………………….…24 Figura 4 - Rosângela Costa, “S/título” - Cerâmica vidrada. 2004………………….………………24 Figura 5 - Rosângela Costa, “S/Título” - Cerâmica. 36cm diam. cada. 2003………..……………25 Figura 6 - Rosângela Costa, “S/Título” - Cerâmica. Dimensão variável. 2003……………...……27 Figura 7 - Rosângela Costa, “Trapo” - Cerâmica. 9 x 6 x 1.1 cm. 2003……………………….….27 Figura 8 - Rosângela Costa, “ Tabocas” - Cerâmica. Dimensão Variável. 2003……………..….28 Figura 9 - Rosângela Costa, “Tabocas” - Detalhe. Cerâmica. 2003……………………………….28 Figura 10 - Rosângela Costa, “Resquícios” - Cerâmica e cinzas. 2004………………………….29 Figura 11 - Rosângela Costa, “Resquícios” - Detalhe. 2004…………………………………...…..29 Figura 12 - Rosângela Costa, “Broa” - Cerâmica. Dim. variável 2004…………………………….31 Figura 13 - Rosângela Costa. Preparação da base e desenho com cordão………………..……31 Figura 14 - Rosângela Costa, “Panejamento” - Cerâmica. 2004…………………………………..31 Figura 15 - Rosângela Costa. Detalhe. 2004……………………………………………….………..31 Figura 16 - Rosângela Costa, “S/Título” – Cerâmica. Dimensão variável. 2004……….………..32 Figura 17 - Rosângela Costa, “Eu, tu, nós” – Instalação. Cerâmica. Dimensão variável. (Detalhe). 2004. Apresentado em exposição coletiva no Museu Eugênio Teixeira Leal, Pelourinho, Salvador…………..........................................................................32 Figura 18 - Rosângela Costa, “Nós-Velos” - Cerâmica. 12 cm diametro. 2004………………..…33 Figura 19 - Rosângela Costa, “S/título” - Cerâmica. 13 x 19 x 6.8 cm. 2004……………………..33 Figura 20 - Rosângela Costa. Convite para exposição Cozeduras (Frente). 2004. Museu Eugênio Teixeira Leal…………………………………..……….……………………..…35 Figura 21 - Rosângela Costa. Convite para exposição Cozeduras (Verso). 2004. Museu Eugênio Teixeira Leal………………………………………………………………..……35 Figura 22 - Rosângela Costa, “S/título” - Instalação. Folhas cerâmicas. Dimensão variável. 2004…………………………………………………………………………………..…….36 Figura 23 - Rosângela Costa. Visitação pública. 2004………………………………………….......36 Figura 24 - Georgia Kiryakákis, “Cerâmica e Cinzas” Instalação. 500 x 400 x 40 cm. 1995….36 Figura 25 - Rosângela Costa, “S/título” - Instalação. Cerâmica, metal e manta acrílica. 2004. Exposição Cozeduras. Museu Eugênio Teixeira Leal………………………………….37 Figura 26 - Rosângela Costa, “S/título” - Cerâmica. 2004. Trabalho selecionado para participar do 16° Salão Paranaense de Cerâmica. 2004………………………………………….39 Figura 27 - Rosângela Costa. Convite do 16° Salão Paranaense de Cerâmica (Frente e verso). 2004…………………………………………………………………………………….……39.
(12) Figura 28 - Rosângela Costa, “Com afeto” - Cerâmica, vidro e manta acrílica. 44 x 10 x 8 cm. 2004………………………………………………………………………………………….40 Figura 29 - Rosângela Costa, “Vestidura” - Cerâmica e manta acrílica.Dimensão variável. 2004. 1° Prêmio VII Bienal do Recôncavo………………………………………………...……41 Figura 30 - Rosângela Costa. Preparação do vestido (sequência). Despedida, banho de barbotina e secagem. 2004……………………………………….……………………...42 Figura 31 - Rosângela Costa. Experimentos em porcelana realizados durante especialização em cerâmica (sequência). Atelier de Nils Dietrich, Colônia, Alemanha.2005……...44 Figura 32 - Rosângela Costa. Experimentos em porcelana realizados durante especialização em cerâmica (sequência). Atelier de Nils Dietrich – Colônia – Alemanha – 2005….45 Figura 33 - Rosângela Costa, “Os Rasgos Vazados Desnudam Escondidos ”- Cerâmica em processo. 2005……………………………………………………………………….…….46 Figura 34 - Rosângela Costa, “Os Rasgos Vazados Desnudam Escondidos” – Cerâmica. 120 x 40 x 29 cm. 2005……………………………………………………………………...……46 Figura 35 - Rosângela Costa, “Cabeça Feita” – Cerâmica. 38 x 26 x 23 cm. 2005…………...…46 Figura 36 - Rosângela Costa, “S/título” – Cerâmica em processo. 2005…………………….……47 Figura 37 - Rosângela Costa, “Ties” – Cerâmica. Em média 150 x 14 x 7 cm. 2005…………...47 Figura 38 - Rosângela Costa. Folder de 4 páginas com parte da produção na Alemanha. 2005.…...48 Figura 39 - Rosângela Costa, “Partes Íntimas” – Instalação. Cerâmica, vidro, manta acrílica e metal. Exposição Terra Cotas da Terra,. 2005………………………………………….49 Figura 40 - Rosângela Costa, “Partes Ìntimas” - Detalhes……………………………………..….49 Figura 41 - Rosângela Costa, “Partes Ìntimas” - Detalhes………………………………………...49 Figura 42 - Rosângela Costa. Convite (frente e verso) exposição coletiva. Conjunto Cultural da Caixa, Salvador…………………………………………………………………………….50 Figura 43 - Rosângela Costa, “S/título” – Instalação. Cerâmica. Dimensão variável. Exposição coletiva Espaço – Acumulação – Passagerm, Icba, Salvador………………………...51 Figura 44 - Detalhes da instalação…………………………………………………………………….51 Figura 45 - Rosângela Costa. Convite da exposição coletiva Espaço – Acumulação – Passagem. Divulgação em meio virtual…………………………………………………51 Figura 46 - Claudi Casanovas, “Ermitó” - Cerâmica. 55 x 52 x 45 cm. 1993……………………..55 Figura 47 - Peter Voulkos, “Chachmo” - Stoneware.Queima a lenha. 42 x 27 cm. 1995……...55 Figura 48 - Viola Frey, “Man and World” – Cerâmica vidrada. 68 x 72 x 140 cm. 2003…………55 Figura 49 - Robert Arneson, “General Nuke” - Cerâmica vidrada e bronze sobre base de granito. 77 x 30 x 36 cm. 1984……………………………………………………………55 Figura 50 - Gertraud Möhwald, “Kopf mi orangenem Orring”. Cerâmica refratária, cerâmica vidrada e engobe. 39.5 cm. 1999……………………………………………………….56 Figura 51 - Anthony Gormley, “Field” - Instalação com 192.000 estatuetas de cerâmica. 1994………………………………………………………………………………………….56.
(13) Figura 52 - Anthony Gormley, “Field” - Instalação com 192.000 estatuetas de cerâmica. 1994………………………………………………………………………………………....56 Figura 53 - Jeff Koons, “Pink Panther” - Escultura. Porcelana. 41 x 20 x 19 cm. 1988…………56 Figura 54 - Alberto Andrés, “Tacones” - Fotografia e serigrafia sobre grês e cordão. 210 x 78 cm. 2004…………………………………………………………………………………....57 Figura 55 – AlbertoAndrés, “Y pasa la gloria” - Cerâmica. 2006. ………………………………….57 Figura 56 - Antoni Tápies, “Cadira coberta” - Cerâmica. 90 x 57 x 30 cm……………………….57 Figura 57 - Richard Long, “White Water Line” - Argila para porcelana em estado de barbotina espalhada no piso da Tate Galery, Londres. Dimensões variáveis. 1990…………...62 Figura 58 - Ana Maria Maiolino, “São Estes” - Instalação.Bancada, argila, plástico, balde, pano de limpeza, mesa. XXIV Bienal de São Paulo. 1998…………………………………..62 Figura 59 - Gabriel Orozco, “Mis Manos son mi Corazón”. Fotografia, cibacromo. 22,9 x 34,9 cm cada uma. 1991………………………………………………………………………64 Figura 60 - Celeida Tostes, “Fertilidade” – Instalação. Cerâmica, parte dos 20.000 amassadinhos. XXI Bienal Internacional de São Paulo. 2001………………………..64 Figura 61 - Celeida Tostes, “Passagem” – Performance. 1979…………………………………....65 Figura 62 - Rosângella Costa. Experimento com impressão de uma das mãos. (Em processo). 2005…………………………………………………………………………………………70 Figura 63 - Rosângela Costa. Experimento com impressão do rosto. (Em processo). 2005…...72 Figura 64 - Rosângela Costa. Experimento com impressão do rosto. (Em processo). 2005…...72 Figura 65 - “Leonardo”, K. Ö. Gortz – Cerâmica. 195 x 195 x 5,5 cm, 1999……………………..73 Figura 66 - Rosângela Costa. Preparação de suporte e da placa de argila para a ação Filha do Vosso Ventre. 210 x 60 x 8 cm. 2005……………………………………………………75 Figura 67- Rosângela Costa, “Filha do Vosso Ventre” - Ação, fotografia e cerâmica em processo. 2005……………………………………………………………………………..76 Figura 68 - Rosângela Costa, “Filha do Vosso Ventre” - Ação, fotografia e cerâmica em processo (continuação). 2005…………………………………………………………….77 Figura 69 - Rosângela Costa, “Filha do Vosso Ventre”, Cerâmica em processo. 2005…………78 Figura 70 - Rosângela Costa, “Filha do Vosso Ventre”, Cerâmica em processo. 2005…………78 Figura 71 - Ana Mendieta, “S/título” - Da série Silhueta – Fotografia. 1978................................81 Figura 72 - Giuseppe Penone, “Soffio” - Terracota. 178 x 98 x 86 cm. 1978............................90 Figura 73 - Giuseppe Penone, “Soffio” - Modelado da boca do vaso.........................................90 Figura 74 - Giuseppe Penone, “Souffle de Feuilles” – Instalação. 1979…………………………..90 Figura 75 - Giuseppe Penone, “Souffle de Feuilles” – Instalação. 1979…………………………..90 Figura 76 – Anônimo, “Máscara mortuária de Gotthold Ephraim Lessing”. 1781………………..90 Figura 77 - Jackson Pollock , action painting. Anos 1950…………………………………………95 Figura 78 - Kasuo Shiraga, “Wresting in the Mud”. Performance. 1935……………..…………..98.
(14) Figura 79 - Ives Klein, “Salto para o vazio” - Fotografia de ação. 1960…………………………..98 Figura 80 - Ives Klein, “Antropometria do Período Azul” - Impressão corporal 1960…………98 Figura 81 - Annette Messager, “My Vols” - Instalação com fotografias emolduradas. 19881991……………………………………………………………………………………….100 Figura 82 - Convite virtual da exposição Geofagia. Divulgação em meio virtual………………111 Figura 83 - Rosângela Costa. Estudo do espaço expositivo com esboço sobre a planta baixa da Galeria Cañizares…………………………………………………………………….112 Figura 84 - Rosângela Costa, “Terra Vita” – Fotografia de ação. 50 x 70 cm. 2005…………...114 Figura 85 - Rosângela Costa, “Pertencimento I” – Fotografia de ação. 50 x 70 cm. 2006…….115 Figura 86 - Rosângela Costa, “Pertencimento II” – Fotografia de ação. 50 x 70 cm. 2006. ….116 Figura 87 - Rosângela Costa, “Bibelô” – Cerâmica e fotografia. 37 azulejos com transfers cerâmicos. 15 x 15 cm cada. 2006…………………………………………………….117 Figura 88 - Detalhe. 15 x 15 cm…………………………………………………………………….. 117 Figura 89 - Colagem dos azulejos na parede……………………………………………………….117 Figura 90 - Rosângela Costa, “Medunizado frescor” - Instalação de parede. 40 rosas cerâmicas. Dimensões variáveis. 2006………………………………………………..119 Figura 91 - Rosângela Costa, “Medunizado frescor” - Instalação de parede. 40 rosas cerâmicas. Dimensões variáveis. 2006………………………………………………119 Figura 92 - Rosângela Costa, “Medunizado frescor” - Instalação de parede. 40 rosas cerâmicas. Dimensões variáveis. 2006…………………………………………..……119 Figura 93 - Rosângela Costa. Preparação das rosas para banho de barbotina………………..120 Figura 94 - Rosângela Costa. Vedação do assoalho com piso emborrachado e fita adesiva...120 Figura 95 - Preparação da argila para a instalação……………………………………………..…120 Figura 96 - (Sequência) Preparação da argila para a instalação participação lúdica e terapêutica. 2006…………………………………………………………………………122 Figura 97 - Rosângela Costa, “A Lama e os Sonhos” – Instalação. Argila, porcelana, metal e pedras artificiais. 2006…………………………………………………………………..123 Figura 98 - Espartilhos do século XIX. Instituto da Indumentária de Kioto……………………..125 Figura 99 - Rosângela Costa. Montagem da instalação Vestíbulo. 2006………………………..125 Figura 100 - Rosângela Costa, “Vestíbulo” – Instalação. Porcelana, arroz, rosas, manequim em fibra e resina, tecido e argila. 2006……………………………………………………126 Figura 101 - Detalhe…………………………………………………………………………………...126 Figura 102 - Detalhe…………………………………………………………………………………...126.
(15) LISTA DE ABREVIATURAS. Acbeu………………………………………..Associação de Cultura Brasil Estados Unidos Cefet…………………………………………..…Centro Federal de Educação Tecnológica Ufba……………………………………..……………………Universidade Federal da Bahia UFRGS……………………………………….Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRJ……………………………………………….Universidade Federal do Rio de Janeiro Unb…………………………………………...................................Universidade de Brasília USP……………………………………………………………….Universidade de São Paulo.
(16) FOTOGRAFIAS. Figuras 2 – 3 – 6 – 8 – 9 – 10 -11 – 16 – 18 – 19 – 25 – 26 – 40 Eriel Araújo Figura 29 Catálogo, Pedro Arcanjo Figuras 34 - 35 Christian Altengarten Figuras 94 -101 - 102 Euriclesio Sodré Figuras 39 - 41 André de Faria Figura 54 Celeste Wanner Figura 96 Edgar Oliva.
(17) SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO …………………………………….……...…………………………………19 2 CORPOS CERÂMICOS - Cozeduras…………….……………………………………….23 2.1 TECENDO, COSTURANDO E DESENHANDO TERRA……….……………..26 2.2 DA LINHA AO VESTIDO………………………………………………………….34 2.3 OUTROS ENSAIOS……………………………………………………………….43 3 A DESCONSTRUÇÃO DA CERÂMICA – da Técnica à Linguagem………………….53 4 CORPOS HÍBRIDOS………………………………………………………………………..67 4.1 CERAMICAÇÃO…………………………………………………………………...67 4.2 FILHA DO VOSSO VENTRE……………………………………………………..68 4.3 ACERCA DA IMPRESSÃO CORPORAL……………………………………….83 4.4 A PASSAGEM PARA O INSTANTE FOTOGRÁFICO…………………….…..83 4.5 FRAGILIDADE E PASSAGEM DO TEMPO…………………………………….87 4.6 O CORPO NA ARTE………………………………………………………………91 4.7 CORPO/POÉTICA/MATÉRIA…………………………………………………..104 5 GEOFAGIA………………………………………………………………………………….110 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS………………………………………………………………125 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………………….127.
(18) 19 1 INTRODUÇÃO A presente dissertação, intitulada Geofagia: Corpos Cerâmicos, Corpos Híbridos, é uma análise teórico-prática da cerâmica como linguagem visual híbrida contemporânea, que teve o corpo por referência. Durante o processo de hibridização1, vários materiais, além da argila, foram investigados na construção de objetos, bem como a fotografia, dialogando com conceitos como apropriação, passagem, registro, permanência/impermanêcia, fragilidade, memória, espaço e tempo. O início dessa investigação deu-se há seis anos, em consequência de uma instalação participativa sensorial intitulada Caminho, constituída por mandalas com base de cimento e diversos materiais encravados, as quais poderiam ser pisadas com os pés descalços e oferecer diferentes sensações. Dando continuidade ao estudo do mosaico, recorri à cerâmica na busca de soluções técnicas, não só no espaço bidimensional, mas também no espaço tridimensional. Foi uma fase de preparação de alguns anos até ingressar no Mestrado em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Durante esse período de aprofundamento de procedimentos técnicos, tive a oportunidade de encontrar uma pasta para cerâmica chamada paperclay2, demonstrada em um workshop pela ceramista baiana Carmen Mattos. O interesse na investigação dessas pastas decorreu da apropriação temporária de objetos do cotidiano, como rosas e peças íntimas. Iniciada com experimentos, a técnica passou, então, a fazer parte do meu vocabulário visual, instaurando o que veio a ser, mais tarde, minha poética. Nesse sentido, o trabalho ora realizado justifica-se pela importância da pesquisa em artes visuais, sobretudo a cerâmica contemporânea, para o meio artístico e acadêmico interessado nessa área e para o aperfeiçoamento profissional pessoal.. 1. É um termo usado nas artes que vem da biologia, significando um cruzamento entre duas espécies para desenvolver um aprimoramento genético ou uma terceira espécie, esta com caráter híbrido. 2 Massa para cerâmica fabricada com uma mistura de argila e papel..
(19) 20 O objetivo principal desta dissertação foi explorar e desconstruir a técnica da cerâmica. tradicional. e. erudita,. até. atingir. uma. linguagem. visual. híbrida. contemporânea. O embasamento teórico foi apoiado em autores como Gaston Bachelard, com a filosofia poética dos materiais e do devaneio, relacionando-os com o corpo, ultrapassando a estética, na direção de uma meditação sobre a imaginação material; Roland Barthes, pelas questões de registro e memória; Henri Bergson, que trata da matéria na medida em que esta interessa para a abordagem da relação do espírito com o corpo, a matéria e a memória; e Georges Didi-Huberman, no que diz respeito ao ato de imprimir, deixar marca, rastro. Alguns diálogos foram encontrados entre o meu trabalho e os de alguns artistas, na poética e/ou no uso dos materiais, como Geórgia Kiriakákis, K. O. Götz, Jim Melchert, Kazuo Shiraga, Yves Klein, Giuseppe Penonne, Luciana Crepaldi, Ana Mendieta, Richard Long. Supondo que seria possível desconstruir a técnica tradicional da cerâmica, agregando-a a outros materiais e suportes com possibilidade de associação com outras linguagens, alguns questionamentos surgiram como desencadeadores e fio condutor desta pesquisa, a saber: quais objetos do cotidiano relacionados ao corpo poderiam. ser. apropriados. para. abordar. conceitos. de. registro,. identidade,. permanência e impermanência? Como associar a fragilidade das pelícilas cerâmicas com tais conceitos?. Como entender o corpo no que se refere à relação matéria–. espírito sem cair na ilustração de conceitos? Como fazer evidente o caráter reflexivo e auto-referencial da obra? De acordo com as experimentações, que outros materiais poderiam dialogar com a cerâmica? Quais os melhores procedimentos para executar a obra? Como problematizar acerca da gênese e da efemeridade humana? Qual a composição de pasta cerâmica que melhor se adaptaria ao processo de barbotinização? Quais materiais e elementos poderiam transformar-se em segunda pele para encobrir o corpo? Outros questionamentos surgiram durante a pesquisa, como: de que modo a prática de ateliê pode ser pensada como performance? Como se daria a passagem do processo de trabalho à performance, à instalação e à fotografia nessa pesquisa?.
(20) 21 A metodologia utilizada, específica em artes visuais, foi a Poiética, que, segundo Passeron, é a filosofia da conduta criadora, ou seja, estudo teórico-prático da obra em construção, de acordo com o qual cada artista pesquisador estabelece o seu modus operandi, que incluiu a investigação de materiais; a pesquisa bibliográfica em busca de embasamento teórico; e a detecção de diálogos com trabalhos de outros artistas, observando aproximações e distanciamentos. O parâmetro adotado para a análise do processo criativo baseia-se no pressuposto de que a arte, como atividade instauradora, deve trilhar caminhos diversos de experimentações que possibilitem desdobramentos investigativos, dentro do recorte estabelecido como objeto de estudo. O artista é, ao mesmo tempo, autor e testemunha do seu processo criativo. A presente dissertação está dividida em capítulos que correspondem às etapas do processo de construção das obras. O segundo capítulo, intitulado Corpos Cerâmicos, trata dos experimentos iniciais, trabalhos anteriores ao curso regular de mestrado, passando pela execução da obra Vestidura, da exposição coletiva Espaço – Acumulação – Passagens até parte da produção dos trabalhos de cerâmica elaborados durante a residência artística na Alemanha e outros ensaios. No capítulo três, A Desconstrução da Cerâmica: da Técnica à Linguagem, há um resumo histórico da cerâmica e uma abordagem de como esta passou a ser entendida como escultura, sendo, posteriormente, desconstruída, associando-se então a diferentes linguagens, gerando outras, estas com características híbridas. Nesse contexto, é ressaltada a participação de alguns dos artistas que colaboraram para que isso ocorresse. O capítulo quatro, denominado Corpos Híbridos, apresenta um percurso histórico do uso do corpo na arte e uma análise de novos elementos presentes na pesquisa, como ação e fotografia, durante o período de residência artística citado anteriormente. Aborda, ainda, a construção da poética, tendo como embasamento teórico os autores Gaston Bachelard, Henri Bergson, Roland Barthes e Georges DidiHuberman..
(21) 22 No quinto capítulo, é apresentada a exposição de conclusão de curso, Geofagia – constituída de três fotografias, duas instalações e duas composições de trabalhos em parede –, que foi realizada em 5 de setembro de 2006, na Galeria Cañizares, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia..
(22) 23 2 CORPOS CERÂMICOS – Cozeduras Comparo o meu processo criativo e minha pesquisa a um caminho, composto por várias peças que vão se juntando, ganhando sentido, formando um todo. A junção dessas peças, porém, depende de reflexão, reconhecimento de conexões e abertura para admitir novos tasselos3. Cada peça tem um sentido, mas, assim como os retalhos de uma imensa colcha, tinham a conexão fundamental para que o múltiplo viesse a se tornar uno. Este capítulo apresenta uma série de trabalhos anteriores ao meu ingresso no mestrado, quando comecei a utilizar a pasta paperclay e, paralelamente, a encontrar minha poética. Trata-se, portanto, da passagem de um ciclo de minhas pesquisas. Após trabalhar com mosaico por cerca de dois anos, migrei para a cerâmica com o intuito de solucionar questões técnicas mais complexas. Foi quando comecei a moldar e vidrar minhas próprias peças – composições modulares e esculturas (Figuras 1,2, 3 e 4) – e a experimentar pastas para cerâmica. A composição S/Título (Figura 5) é a primeira dessa série. A intenção, principalmente nos módulos em que se vê um panejamento, era atingir a espessura mínima sem quebras. Para isso, usei como apoio jornais e meias esferas de isopor. No início, houve algumas fissuras, por estar trabalhando de uma forma muito ágil, fazendo bastante movimento, com a intenção de imitar o caimento de um tecido. No módulo central, vê-se o detalhe das crateras da mesma base usada para os dois panejamentos. Essas bases surgiram ao acaso, quando, após ter batido a mistura da pasta, coloquei esse material para secar em uma forma de gesso. Ao retirar o restante da mistura do balde com as mãos, nelas ficaram resíduos de barbotina4, que atirei dentro da forma, vendo, então, se formarem crateras. O que queria testar, naquele momento, era a maleabilidade e a possibilidade de trabalhar com camadas cada vez mais finas dessa pasta.. 3 4. Fragmentos de mosaico. Argila líquida..
(23) 24. Figura 1 - Rosângela Costa, “S/Título” - Cerâmica vidrada. 34cm diam. 2001.. .. Figura 2 - Rosângela Costa, “S/título” Cerâmica. Dimensões variáveis, 2002.. Figura 3 - Rosângela Costa, “S/título” Cerâmica. Dimensão variável. 2002.. Figura 4 - Rosângela Costa, “S/título” Cerâmica vidrada. 2004..
(24) 25. Figura 5 - Rosângela Costa, “S/Título” – Cerâmica. 36cm diam. cada. 2003..
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