TESE_Interações agroeconômicas de alface e rúcula
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(2) ELIANE QUEIROGA DE OLIVEIRA. INTERAÇÕES AGROECONÔMICAS DE ALFACE E RÚCULA. Tese apresentada à Universidade Federal de Lavras como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Agronomia, área de concentração Fitotecnia, para a obtenção do título de “Doutor”.. Orientador Prof. Dr. Rovilson José de Souza. LAVRAS MINAS GERAIS – BRASIL 2008.
(3) Ficha Catalográfica Preparada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da UFLA Oliveira, Eliane Queiroga de. Interações agroeconômicas de alface e rúcula / Eliane Queiroga de Oliveira. – Lavras : UFLA, 2008. 87 p. : il. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Lavras, 2008. Orientador: Rovilson José de Souza. Bibliografia. 1. Alface. 2. Rúcula. 3. Consórcio. I. Universidade Federal de Lavras. II. Título.. CDD - 635.52.
(4) ELIANE QUEIROGA DE OLIVEIRA. INTERAÇÕES AGROECONÔMICAS DE ALFACE E RÚCULA. Tese apresentada à Universidade Federal de Lavras como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Agronomia, área de concentração Fitotecnia, para a obtenção do título de “Doutor”.. APROVADA em 18 de julho de 2008. Prof. Dr. Arthur Bernardes Cecílio Filho. UNESP. Prof. Dr. Ernani Clarete da Silva. UNIFENAS. Profa. Dra. Janice Guedes de Carvalho. UFLA. Prof. Dr. Itamar Ferreira de Souza. UFLA. Prof. Dr. Rovilson José de Souza DAG/UFLA (Orientador). LAVRAS MINAS GERAIS - BRASIL.
(5) Ao meu pai, Joaquim Cavalcante e ao meu irmão, Antônio (in memoriam), pela eterna existência em minha vida. Aos meus filhos, meus tesouros inseparáveis, DEDICO. O homem de sucesso é o que viveu bem, riu muitas vezes e amou bastante; que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças; que galgou uma posição respeitada e cumpriu suas tarefas; que deixou este mundo melhor do que o encontrou, ao contribuir com uma flor mais bonita, um poema perfeito ou uma alma resgatada; que jamais deixou de apreciar a beleza do mundo ou falhou em expressá-la; que buscou o melhor nos outros e deu o melhor de si. (Robert Louis Stevenson).
(6) AGRADECIMENTOS A Deus, por guiar meus passos, iluminar meu caminho e abençoar minha vida, meu lar e minha profissão. Aos meus familiares, pelo incentivo e compreensão. Aos meus filhos, Yuri e Isis, pela companhia. À Escola Agrotécnica Federal de Sousa, pela liberação de minhas atividades docentes. À Universidade Federal de Lavras (UFLA) e ao Departamento de Agricultura (DAG), pela oportunidade da realização da pós-graduação e pela contribuição para a minha formação acadêmica. À Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pela concessão da bolsa de estudos. Aos professores Rovilson José de Souza, Luiz Antônio Gomes, Janice Guedes de Carvalho e Arthur Bernardes Cecílio Filho, pela orientação e ensinamentos, importantes para a minha formação profissional e Itamar Ferreira de Souza, pela amizade e por todas as considerações. Às secretárias da Pós-Graduação do Departamento de Agricultura, Marli e Nelzy, por todas as informações e, principalmente, pela atenção. Ao colega de pós-graduação em Fitotecnia, André Cabral, pela ajuda técnica. Aos amigos Maria do Céu, Virna, Izamara, Neimar, Oscar e Valéria, pela ajuda e companheirismo em muitos momentos. Aos funcionários do Setor de Olericultura da UFLA, pela ajuda na condução dos experimentos. Enfim, a todos aqueles que contribuíram, de alguma forma, para a realização deste trabalho. MUITO OBRIGADA!.
(7) SUMÁRIO Página i RESUMO ................................................................................................... ii ABSTRACT ............................................................................................... 1 2 3 4 4 6 8. CAPÍTULO I. INTRODUÇÃO GERAL ................................................... 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 1.2 Objetivo geral ...................................................................................... 2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................... 2.1 Competição e inter-relacionamento entre culturas ............................... 2.2 A consorciação de culturas e a alelopatia ............................................ 2.3 Cultivo consorciado com hortaliças no Brasil ..................................... 2.4 Influência dos fatores agronômicos na produtividade e eficiência dos sistemas consorciados ................................................................................ 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 10 12. CAPÍTULO II. INTERAÇÕES BIOLÓGICAS ENTRE ALFACE E RÚCULA ................................................................................................... 1 RESUMO ................................................................................................ 2 ABSTRACT ............................................................................................ 3 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 4 MATERIAL E MÉTODOS .................................................................... 4.1 Bioensaio ............................................................................................ 4.2 Experimento em vasos ......................................................................... 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 5.1 Bioensaio ............................................................................................ 5.2 Experimento em vasos ......................................................................... 6 CONCLUSÕES ...................................................................................... 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 16 17 18 19 21 21 23 24 24 30 33 34. CAPÍTULO III. PRODUTIVIDADE DE ALFACE E RÚCULA EM CULTIVO CONSORCIADO .................................................................... 1 RESUMO ................................................................................................ 2 ABSTRACT ............................................................................................ 3 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 4 MATERIAL E MÉTODOS .................................................................... 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 6 CONCLUSÕES ...................................................................................... 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 36 37 38 39 41 46 53 53.
(8) CAPÍTULO IV. ANÁLISE ECONÔMICA DO CONSÓRCIO ALFACE-RÚCULA ............................................................................. 1 RESUMO .............................................................................................. 2 ABSTRACT ..................................................................................... 3 INTRODUÇÃO .............................................................................. 4 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................ 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................ 6 CONCLUSÕES ................................................................................ 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................ 56 57 58 59 61 66 69 70. ANEXO ............................................................................................... 72.
(9) RESUMO. OLIVEIRA, Eliane Queiroga de. Interações agroeconômicas de alface e rúcula. 2008. 87 p. Tese (Doutorado em Fitotecnia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.*. Este trabalho foi realizado com o objetivo principal de avaliar a interação de alface e rúcula, sob aspectos biológicos e econômicos, em função de arranjos espaciais de plantio e sistemas de cultivo agrícola. O comportamento e o efeito das relações biológicas entre os organismos, especificamente as culturas que compõem os agrossistemas com hortaliças, ainda necessitam de muitos estudos. Assim, foram feitos quatro experimentos na Universidade Federal de Lavras (UFLA), no período de fevereiro a setembro de 2006. Os experimentos foram os seguintes: 1 - Bioteste realizado em laboratório, avaliando-se o potencial alelopático de extratos de rúcula no índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da radícula e do hipocótilo, massa fresca e massa seca de plântulas de alface; 2 - Experimento conduzido em casa de vegetação, avaliando-se, nas associações entre plantas, a influência da rúcula sobre o desenvolvimento da alface; 3 - Experimento em campo, no qual se avaliou agronomicamente o consórcio de alface e rúcula, sob diferentes geometrias de plantio, em adubação orgânica e mineral. 4 - Avaliação da viabilidade econômica do cultivo consorciado de alface e rúcula, em função da adubação orgânica e mineral. 1 Houve influência dos extratos de rúcula sobre o desenvolvimento da alface; 2 O aumento da densidade de plantas de rúcula reduziu o acúmulo de massa fresca e massa seca da parte aérea; 3 - Todas as associações de alface e rúcula, assim como os seus cultivos solteiros, tiveram melhor desempenho produtivo sob a adubação orgânica. A rebrota da rúcula aumentou a eficiência do sistema consorciado. A associação de alface e rúcula no arranjo espacial 3A:3R é a de maior eficiência agronômica. 4 - A maior rentabilidade do consórcio foi obtida no cultivo orgânico. As maiores receitas, taxas e margens de retorno foram obtidas nos arranjos de uma e três fileiras alternadas de plantas de alface e de rúcula.. Palavras-chave: Lactuca sativa, Eruca sativa, consorciação, eficiência biológica. _____________ * Orientador: Rovilson José de Souza - UFLA. i.
(10) ABSTRACT. OLIVEIRA, Eliane Queiroga. Agrobioeconomic interactions of lettuce and rocket. 2008. 87 p. Thesis (Doctorate in Crop Science) - Federal University of Lavras, Lavras, MG*. This work was conducted aiming to evaluate the interaction of lettuce and rocket on biological and economic aspects under different spatial arrangements and planting systems. The behavior and the effect of biological interactions among the organisms, specifically horticultural crops still need further studies. Thus, four experiments were carried out, from February to September of 2006 at Federal University of Lavras - UFLA. The experiments were: 1 - Biotest perfomed in laboratory, evaluating the allelopatic potencial of rocket extracts on the germination velocity rate (IVG), length of radicle and hypocotil, fresh weight and dry weight of lettuce seedlings; 2 - Experiment in greenhouse, evaluating in the associations among plants, the influence of rocket on the development of lettuce in intercrops; 3 - Experiment in field, where the intercropping if lettuce/rocket was evaluated agronomicaly under different planting geometries, in organic and mineral fertilization. 4 - The economic viability of the intercropping with lettuce and rocket was evaluated as related to organic and mineral fertilization. 1 - There was an influence of rocket extracts upon the lettuce development of; 2 - The increase of rocket plants density reduced the accumulation of fresh mass and dry weight of the aerial part; 3 - All lettuce and rocket planting densisties and the monocultures presented better performance under the organic fertilization. The second sprouting of rocket increased efficiency of the intercropping system. Lettuce and rocket in the 3A: 3R spatial arrangement gave higher efficiency. 4 - The highest yield of the intercrop was achieved in the organic system. The highest profit and turnover were obtained in the 1 and 3 arrangements of the lettuce/rocket intercropping.. Keywords: Lactuca sativa, Eruca sativa, intercropping, biological efficiency.. ____________ * Major Professor: Rovilson José de Souza - UFLA. ii.
(11) CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO GERAL. 1.
(12) 1. INTRODUÇÃO. Devido à sua extensão territorial e diversidade climática, o Brasil apresenta grande potencial para a produção agrícola. Porém, o produtor enfrenta ávida concorrência de produtos importados de países que, ao contrário do Brasil, subsidiam fortemente a agricultura. Apesar dos avanços tecnológicos, ainda hoje, em muitos locais do Brasil, muitos trabalhadores utilizam apenas a enxada para executar o seu trabalho. Cerca de 70% da força dos agricultores das regiões Norte e Nordeste do país é manual e metade dos 4 milhões de pequenos agricultores familiares brasileiros vive abaixo do limiar da pobreza, sem acesso ao crédito, à assistência técnica e à informação (Garcia, 2008). Segundo dados da produção agrícola de hortaliças no Brasil, três quartos do volume de produção concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o Nordeste e o Centro-Oeste respondem pelos 25% restantes (Agrianual, 2007). Para se estabelecer e entrar no processo de competição de mercado é indispensável o uso de um sistema de produção baseado nos princípios de uma agricultura sustentável. Isso porque os mercados consumidores estão cada vez mais exigentes, no que se refere aos aspectos ecológico e social dessa produção agrícola. A agricultura convencional demonstra a sua insustentabilidade porque elimina a biodiversidade do solo, de plantas e, em conseqüência, o ecossistema perde a capacidade da auto-regulação. É necessário empregar sistemas alternativos de produção, observando os biociclos, respeitando as inter-relações entre os seres vivos e o meio ambiente. As evidências da degradação ambiental e a ineficiência energética dos sistemas produtivos instigaram pesquisadores e produtores a repensar os 2.
(13) fundamentos da agricultura moderna. O interesse por sistemas alternativos de produção, que aumentem a rentabilidade e melhorem a qualidade de vida no meio rural, além de preservar a capacidade produtiva do solo em longo prazo, já é patente nos agricultores (Ehlers, 1999). Durante a última década, o nível de conscientização quanto aos recursos naturais, as relações da agricultura com o ambiente e a qualidade dos alimentos cresceu substancialmente. As atuais mudanças na política global, com diretrizes ecológicas, a crescente demanda por produtos orgânicos no mundo e as restrições impostas pelos países importadores quanto à qualidade e à segurança alimentar têm gerado a necessidade de estudos e técnicas alternativas para a produção de frutos e hortaliças que minimizem a utilização de adubos minerais ou agroquímicos (Fontanétti et al., 2004). Diante. da. perspectiva. de. uma. agricultura. sustentável,. incontestavelmente, as mudanças não ocorrerão de forma espontânea, pois elas dependerão de práticas agrícolas que conservem os recursos naturais e produzam alimentos mais saudáveis, que permitam ao produtor o acesso à tecnologia, à terra e a uma distribuição mais igualitária de seus rendimentos. A consorciação de hortaliças pode ser inserida num contexto sustentável, uma vez que se configura como uma das práticas agrícolas que têm obtido sucesso na olericultura, pelas diversas vantagens nos aspectos produtivo, econômico e ambiental.. 1.1 Objetivo geral Objetivou-se avaliar a interação de alface e rúcula, sob aspectos biológicos e econômicos, em função de arranjos espaciais de plantio e sistemas de cultivo agrícola.. 3.
(14) 2 REFERENCIAL TEÓRICO. 2.1 Competição e inter-relacionamento entre culturas Os seres vivos interagem constantemente com o meio em que vivem e com os grupos de indivíduos que compõem os ecossistemas. Em uma comunidade vegetal, homogênea ou heterogênea, as plantas interagem, competindo de forma intra e interespecífica pelos recursos do meio, abaixo ou acima do solo. Os resultados dessa interação podem ser bastante divergentes. Para Zanine & Santos (2004), o entendimento da competição entre espécies de plantas é de fundamental importância nos sistemas agropecuários, notadamente nos quais são feitas associações entre plantas que tenham características e habilidades competitivas distintas. A duração do tempo da competição pode determinar prejuízos no crescimento e no desenvolvimento e, conseqüentemente, na produção das culturas. O grau de interferência na competição interespecífica depende de fatores relacionados à comunidade (posição específica, densidade e distribuição) e à própria cultura (gênero, espécie ou cultivar, espaçamento entre sulcos e densidade de plantio). Depende também da duração do período de convivência, da época em que este período ocorre, sendo modificada pelas condições edafoclimáticas e pelos tratos culturais. À medida que aumenta a densidade de plantas, ocorre redução da disponibilidade de fatores abióticos para cada indivíduo. A redução da energia fotossinteticamente ativa (RAF) disponível para uma ou mais culturas limita a fotossíntese e a energia para a evapotranspiração (Trenbath, 1975). Por outro lado, plantas parcialmente sombreadas podem estar menos sujeitas ao estresse por falta de umidade. Na competição por água, nutrientes e oxigênio, o sistema radicular fica diretamente envolvido e nos sistemas consorciados, por exemplo, são 4.
(15) importantes as características inerentes às raízes das culturas associadas, assim como o tipo, o tamanho e a profundidade do solo explorada. É de se esperar menos competição e melhor aproveitamento do solo quando o sistema é composto de culturas com raízes que exploram o solo a diferentes profundidades. As pesquisas já confirmam que as pragas são freqüentemente menos abundantes em policultivos do que em monocultivos (Altiere, 2002). Os sistemas de policultivo apresentam diversas vantagens na proteção de plantas: (1) a freqüência de insetos-praga é menor nas monoculturas; vários mecanismos que diminuem a ocorrência de doenças operam favoravelmente na proteção de plantas; por exemplo, as espécies suscetíveis podem ser cultivadas em menores densidades, já que o espaço entre elas será ocupado por plantas resistentes que interessam ao produtor (Liebman, 1989); (2) além do aumento da diversidade no espaço e/ou no tempo, a consorciação e rotação de culturas fazem com que os processos biológicos auxiliem a proteção de plantas. Outra forma de aumentar a diversidade e, conseqüentemente, a complexidade do sistema (sistemas mais complexos são mais estáveis), é o cultivo em faixas. As culturas devem pertencer a famílias diferentes e, assim, os patógenos e as pragas de uma não atingem a outra (Ghini & Bettiol, 2000). Os arranjos espaciais, portanto, são importantes fatores de manejo que podem ser manipulados para melhorar o uso de recursos e a eficiência da prática do consórcio em hortaliças (Teixeira et al., 2005). Avaliando a artropodofauna presente em cultivos consorciados sob o sistema de adubação orgânica, Ferreira & Silveira (2007) observaram que a consorciação aumentou a diversidade de fitófagos (59,01%), entomófagos predadores e parasitóides (22,98%), onívoros (9,69%) e detritívoros (7,93%) nos 77 diferentes táxons coletados na área cultivada. A cultura da alface apresentou maior riqueza e abundância média de indivíduos que a rúcula. A presença desses 5.
(16) organismos favoreceu o equilíbrio de insetos-praga já que, apesar do maior percentual de fitófagos, não foram observadas injúrias nas culturas.. 2.2 A consorciação de culturas e a alelopatia Alelopatia é a inibição química exercida por uma planta (viva ou morta) sobre a germinação ou o desenvolvimento de outras. Tem sido reconhecida como um importante mecanismo ecológico que influencia a dominância vegetal, a sucessão, a formação de comunidades vegetais e de vegetação clímax, bem como na produtividade e no manejo de culturas (Chou, 1986; Melkania, 1992). O solo é o meio natural de crescimento de plantas terrestres em que a maioria das interações ocorre. Condições específicas do solo, inclusive a sua microflora, podem modificar o efeito dos metabólitos produzidos pelas plantas, liberando-os dentro do ambiente durante a vida da planta ou após a sua morte. Os efeitos alelopáticos dependem dos aleloquímicos liberados no ambiente pelas plantas doadoras. Dessa forma, a alelopatia distingue-se da competição, pois essa envolve a redução ou a retirada de algum fator do ambiente, necessário a outra planta no mesmo ecossistema, tal como luz, água e nutrientes. O fenômeno da alelopatia é conhecido há muito tempo e, já em 1832, De Candole, citado por Rice (1984), afirmava que o cansaço das terras, decorrente da prática da monocultura, durante anos seguidos, era ocasionado pelo acúmulo de alguma substância secretada pela cultura e que passava a afetar o seu próprio desenvolvimento; para evitá-lo, sugeria a prática de rotação de culturas. Como se pode observar, a inibição alelopática não se manifesta somente de forma interespecífica, mas intra-especificamente. A influência da alelopatia na agricultura tem despertado interesse e se tornado objeto de investigação nas últimas décadas. O estudo das interações. 6.
(17) alelopáticas e o desenvolvimento da agricultura moderna encontram-se intimamente relacionados. Estudos feitos com erva-mate recomendam a prática da policultura, sendo comum a cultura do milho e de hortaliças na formação dos ervais (Ferreira, 1995). As relações mutualísticas ocorrem entre diferentes espécies vegetais, tanto em ambientes naturais quanto em condições de cultivo, criando efeitos alelopáticos. Estes efeitos são importantes, em práticas agrícolas, para o desenvolvimento de associações de plantas (Narwal, 1999). As solanáceas, as brassicáceas (crucíferas) e as rosáceas são famílias botânicas também conhecidas por seus efeitos alelopáticos. O conceito de que algumas brassicáceas possam ser usadas como uma alternativa no controle de plantas daninhas tem recebido grande atenção. Poucos estudos têm determinado os compostos específicos liberados pelos tecidos decompostos das brassicáceas no solo. No entanto, possivelmente, elas suprimam as plantas daninhas por meio da exsudação de substâncias alelopáticas das raízes no solo, dos resíduos das plantas ou através de plantas incorporadas por técnicas de cultivo. Partes de brassicáceas secretam glucosinato no meio de crescimento. Quando estes se hidrolizam a “isocianatos”, inibem a germinação de plantas daninhas e suprimem seu crescimento. O grau de supressão por espécies de brássicas parece estar dependente da espécie utilizada, assim como da variedade dentro da espécie (Al-Khatib & Boydston, 1999). Tipos selvagens de brássicas, freqüentemente, possuem alto potencial alelopático, devido aos maiores níveis de glucosinato neles presentes. Van Etten & Tookey (1979) demonstraram que as cultivares de repolho contêm diferentes perfis de glucosinato que causam diferentes graus de supressão de plantas daninhas. Os estudos sobre alelopatia em agrossistemas têm enfocado, principalmente, as interações entre as culturas agrícolas e as plantas daninhas. 7.
(18) No entanto, as interações culturais estabelecidas nos monocultivos e as interespecíficas determinadas no cultivo múltiplo também necessitam ser avaliadas. Apesar do avanço tecnológico, os estudos conduzidos no Brasil sobre alelopatia ainda têm sido insuficientes, considerando as áreas geográfica e agrícola e a grande diversidade vegetal. Segundo Rodrigues et al. (1997), a possibilidade de as culturas desenvolverem efeitos alelopáticos benéficos ou prejudiciais entre elas é de interesse agronômico, especialmente na rotação e na consorciação.. 2.3 Cultivo consorciado com hortaliças no Brasil Estudos indicam que o sistema de cultivo consorciado foi um dos primeiros tipos de agricultura organizada. Apesar de ser bastante utilizado em todo mundo, fatores como escolha das espécies associadas, densidade de plantio, adubação e manejo constituem desafios para as práticas agronômicas alternativas que, progressivamente, vêm sendo superados. Dentro das possibilidades dos sistemas de cultivo múltiplo, o consórcio com hortaliças tem recebido especial atenção. Entra as razões para isso está a riqueza de suas interações ecológicas, do arranjo e do manejo das culturas no campo, que contrastam com os sistemas agrícolas modernizados, assentados sobre a exploração de monoculturas, o uso intensivo de capital e de produtos originários do setor industrial, como fertilizantes sintéticos e o controle químico de pragas e doenças. No Brasil, a eficiência da consorciação tem sido estendida ao cultivo com hortaliças, à área agrícola caracterizada por intenso manejo e exposição do solo, ao uso intensivo de defensivos agrícolas, fertilizantes e irrigação, à dificuldade no controle de invasoras, entre outras práticas culturais que proporcionam considerável impacto ambiental. As combinações entre essas 8.
(19) culturas podem ser bem sucedidas por apresentarem crescimento e maturação rápida, além de alta produtividade de biomassa. Nas últimas décadas, várias pesquisas têm demonstrado a eficiência da consorciação de hortaliças, sobretudo para os pequenos produtores, mesmo que esse sistema não esteja associado ao uso de alta tecnologia, nem a obtenção de elevadas produções. Em compensação, ela pode ser indicada como um modelo sustentável de produção e consumo. As eficiências agroeconômicas e ambientais têm sido observadas, por exemplo, no cultivo de cenoura com folhosas em sistemas consorciados. Um dos questionamentos que têm sido feitos é se o emprego de cultivares ou de algum outro fator pode afetar os indicadores agroeconômicos de um consórcio (Bezerra Neto et al., 2005). Por apresentar hábito de crescimento e desenvolvimento temporal distintos, a escolha do tipo de associação deverá levar em consideração as peculiaridades de cada propriedade e a preferência do mercado em comercializar os produtos. Em Jaboticabal, SP, consórcios de pimentão com outras hortaliças, associando folhosas (alface, repolho e rúcula) e rabanete foram avaliados. Ao comparar a consorciação de cada duas ou três culturas com os seus cultivos solteiros, Rezende (2004) verificou que, em consórcio apenas com pimentão, a alface apresentou maior quantidade de massa fresca do que ao ser associada também a repolho e rabanete. A rúcula em consórcio com pimentão, pimentão e alface e pimentão e rabanete não sofreu reduções na sua massa fresca. As produtividades de repolho e pimentão nos cultivos consorciados não diferiram dos seus cultivos solteiros. O cultivo consorciado, portanto, será bem sucedido quando os recursos forem manejados de modo que se satisfaçam as necessidades humanas (obtenção de alimento), permitam retorno econômico, enquanto seja mantida ou melhorada a qualidade do ambiente e se conservem os recursos naturais.. 9.
(20) 2.4 Influência dos fatores agronômicos na produtividade e eficiência dos sistemas consorciados Os. sistemas. de. produção. de. hortaliças. estão. voltados,. predominantemente, para a monocultura, mas, nos últimos anos, os estudos envolvendo agrossistemas consorciados têm se multiplicado em várias regiões do Brasil. Nardin et al. (2002) e Cecílio Filho et al. (2003) observaram que a produtividade da beterraba em cultivo solteiro não diferiu significativamente da obtida na consorciação com rúcula. No entanto, a produtividade de rúcula em cultivo solteiro foi superior à obtida em consórcio. Reduções na produtividade de rúcula ocorreram à medida que sua semeadura foi realizada mais tardiamente em relação ao transplantio da beterraba. Avaliando densidades populacionais e o desempenho do consórcio cenoura e alface, Barros Júnior (2004) constatou que as densidades populacionais das culturas influenciaram significativamente a produtividade total e comercial de raízes da cenoura, à medida que se aumentou a densidade populacional, apresentando índice de uso eficiente da terra de 1,72% no consórcio cenoura (80%) + alface (100%). Cecílio Filho (2005), investigando a viabilidade agronômica de consórcios de alface e tomate sob cultivo protegido, estabelecidos em diferentes épocas, verificou que a eficiência do uso da área pelo consórcio foi superior a 100% em relação ao cultivo solteiro, até quando o consórcio foi instalado com transplantes das culturas no mesmo dia. A partir daí, à medida que aumentou o período entre o transplante da alface em relação ao tomate para 10, 20 e 30 dias, a eficiência diminuiu para 80%, 67% e 30%, respectivamente. Verificando os aspectos produtivos e econômicos do consórcio entre alface e rúcula, Costa (2006) observou que os cultivos consorciados foram superiores aos sistemas solteiros, com índice de uso da terra - UET entre 8% e 10.
(21) 102%. Neste experimento, as cultivares de alface (grupos crespa, lisa e americana) não foram afetadas pelos sistemas de cultivo; produção de rúcula, UET, receita bruta, receita líquida taxa de retorno e margem de retorno foram reduzidos nos consórcios estabelecidos tardiamente, aos 14 dias após transplantio da alface. Os custos operacionais totais (COT) dos consórcios foram superiores em 14,8% a 95,6% aos dos cultivos solteiros, principalmente, pelo aumento das operações. Apesar disso, estes se mostraram rentáveis. Ao analisar os rendimentos das culturas de beterraba e de coentro, em função da época de estabelecimento do consórcio, Grangeiro et al. (2007) verificaram que a associação é agronomicamente viável e que esta deve ser implantada simultaneamente ou com o plantio do coentro, sete dias após a semeadura da beterraba, quando também foram obtidos os maiores valores do índice de uso eficiente da terra. Em Mossoró, RN, consorciando rúcula em dois cultivos sucessivos com cenoura (cultivares Brasília e Esplanada), Lima et al. (2007) verificaram diferença significativa entre as cultivares de rúcula (cultivada e folha larga) apenas no segundo cultivo e o maior desempenho da rúcula quando consorciada com a cenoura esplanada. Pôrto et al. (2007), avaliando o desempenho produtivo de cultivares de alface, em cultivos sucessivos, com rúcula e cenoura, obtiveram, no consórcio, em relação ao cultivo solteiro, percentuais de 85%, 85%, 44% e 58%, respectivamente,. para. as. características. número. de. folhas,. diâmetro,. produtividade e matéria seca de alface. O produtor, portanto, ao optar pelo cultivo consorciado de hortaliças, poderá utilizar ampla variação de critérios para selecionar cultivares, em vez de apenas rendimento cultural e retorno econômico.. 11.
(22) 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. ANUÁRIO DA AGRICULTURA BRASILEIRA. Produção de hortaliças no Brasil. São Paulo: Agra FNP Pesquisas, 2007. p. 159-160. AL-KHATIB, K. ; BOYDSTON, R. Weed control with Brassica Green manure crops. In: NARWAL, Shamsher S. (Ed.) Allelopaty update : basic and applied aspects. New Delhi: Oxford & IBH, 1999. p. 256-261. ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba: Agropecuária, 2002. 592 p. BARROS JÚNIOR, A. P. Densidades populacionais das culturas componentes no desempenho agroeconômico do consórcio cenoura e alface em bicultivo em faixa. 2004. 77 p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Escola Superior de Agricultura de Mossoró, Mossoró. BEZERRA NETO, F.; LIMA, J. S. S. de; NEGREIROS, M. Z. de; GRANGEIRO, L. C.; FREITAS, K. K. C. de; BARROS JÚNIOR, A. P. ; OLIVEIRA, E.Q de. Avaliação agroeconômica de policultivos de alface, cenoura e rúcula em faixas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 23., 2005, Brasília. Resumos … Brasília: SOB, 2005. 1 CDROM. CECÍLIO FILHO, A. B. Cultivo consorciado de hortaliças : desenvolvimento de uma linha de pesquisa. Jaboticabal: UNESP, 2005. 135 p. Texto sistematizado para fins de Livre-Docência. CECÍLIO FILHO, A. B.; TAVEIRA, M. C. G. S.; GRANGEIRO, L. C. Productivity of the beet culture in function of time of establishment of the intercropping with roquete. Acta Horticulturae, The Hague, v. 607, p. 91-95, Apr. 2003. CHOU, C. The role of allelopathy in subtropical agroecosystems in Taiwan. In: PUTNAM, A.; TANG, C. (Ed.). The Science of Allelopathy. New Yor: WileyInterscience, 1986. p. 57-73.. 12.
(23) COSTA, C. C. Consórcio de alface e rúcula : aspectos produtivos e econômicos. 2006. 83 p. Tese (Doutorado em Produção Vegetal) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal. EHLERS, E. Agricultura sustentável : origens e perspectivas de um novo paradigma. 2. ed. Guaíba: Agropecuária. 1999. 157 p. ETTEN, C. H. van ; TOOKEY, H. L. Chemistry and biological effects of glucosinolates. In: ROSENTAl, G. A. ; D. H. JANSEN. Herbivores, their interaction with secondary plant matabolites. New York: Academic, 1979. p. 471-500. FERREIRA, A. G. Erva-mate & chimarrão. Ciência hoje. Rio de Janeiro, v.19, n. 111, p. 47-50, 1995. FERREIRA, F. Z.; SILVEIRA, L. C. P. Diversidade de arthropoda em cultivo consorciado de alface e rúcula. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 10., 2007, Lavras. Anais ... Lavras, 2007. 1 CD-ROM. FONTANÉTTI, A.; CARVALHO, G. J. de; MORAIS, A. R. de; ALMEIDA, K. de ; DUARTE, W. F. Adubação verde no controle de plantas invasoras nas culturas de alface-americana e de repolho. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 28, n. 5, p. 967-973, set./out. 2004. GARCIA, A. Panorama da agricultura. Bom dia Brasil. Disponível em: <http://www.g1.com.br/bomdiabrasil>. Acesso em: 26 mar. 2008. GHINI, R. ; BETTIOL, W. Proteção de plantas na agricultura sustentável. Cadernos de Ciência & Tecnologia, Brasília, v.17, n.1, p. 61-70, jan./abr. 2000. GRANGEIRO, L. C.; COSTA, L. M.; SANTOS, A. P. dos; FREITAS, F. C. L. de; ARAÚJO, J. M. S.; CECÍLIO FILHO, A. B. Rendimentos das culturas da beterraba e coentro em função da época de estabelecimento do consórcio. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 25., 2007, Porto Seguro. Resumos ... Porto Seguro: SOB, 2007. 1 CD-ROM. LIEBMAN, M. Effects of nitrogen fertilizer, irrigation, and crop genotype on canopy relations and yields of an intercrop/weed mixture. Field Crops Research, Florida,v. 22, n. 2, p. 83-100, Sept. 1989.. 13.
(24) LIMA, J. S. S. de; BEZERRA NETO, F.; NEGREIROS, M. Z. de; OLIVEIRA, M. K. T. de; GÓES, S. B. de; PORTO, V. C. N. ; LINHARES, P. C. F.. Cultivares de rúcula consorciadas com cultivares de cenoura em faixas em dois cultivos sucessivos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 47., 2007, Porto Seguro. Resumos ... Porto Seguro: SOB, 2007. 1 CD-ROM. MELKANIA, N. P. Allelopathy in forest and agroecosystems in the Himalayan region. In: RIZVI, S. J. H.; RIZVI, V. (Ed.). Allelopathy : basic and applied aspecs. London: Chapman & Hall. 1992. p. 371-388. NARWAL, S. S. (Ed.). Allelopathy update. Enfield: Science, 1999. v 1, 335 p. NARDIN, R. R.; CATELAN, F.; CECILIO FILHO, A. B. Efeito do cultivo intercalado de rúcula e beterraba estabelecida por semeadura direta, sobre as produtividades das culturas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 42., 2002, Uberlândia. Resumos... Uberlândia: SOB, 2002. 1 CD-ROM. PÔRTO, V. C. N.; ALENCAR, R. D.; BEZERRA NETO, F.; LIMA, J. S. da S.; GÓES, S. B. de; Góes, G. B. de. Cultivares de alface consorciadas com cenoura e rúcula no primeiro cultivo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 47., 2007, Porto Seguro. Resumos ... Porto Seguro: SOB, 2007. 1 CD-ROM. REZENDE, B. L. A. Análise produtiva e rentabilidade das culturas de pimentão, repolho, rúcula, alface e rabanete em cultivo consorciado. 2004. 60 p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias "Júlio de Mesquita Filho", Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal. RICE, E. L. Allelopathy : physiological ecology. 2. ed. New York: Academic, 1984. 422 p. RODRIGUE, B. N.; PASSINI, T. ; FERREIRA, A. G. Research on allelopathy in Brazil. In: NARWAL, S. S. (Ed.). Allelopathy update. Enfield: Science, 1997. v. 1, p. 307-323. TEIXEIRA, I. R.; MOTA, J. H.; SILVA, A. G. da. Consórcio de Hortaliças Intercrop of Vegetables. Ciências Agrárias, Londrina, v. 26, n. 4, p. 507-514, out./dez, 2005.. 14.
(25) TRENBATH, B. R. Plant interactions in mixed crop communities. In: PAPENDICK, R. I.; SANCHES, P. A.; TRIPLE, G. B. (Ed.). Multiple cropping. Wisconsin: American Society of Agronomy, 1975. v. 1, p. 129-160. ZANINE, A. de M. ; SANTOS, E. M. Competition among species of plants. Revista da Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia, Uruguaiana, v. 11, n. 1, p. 10-30, 2004.. 15.
(26) CAPÍTULO II. INTERAÇÕES BIOLÓGICAS ENTRE ALFACE E RÚCULA. 16.
(27) 1 RESUMO. OLIVEIRA, Eliane Queiroga de. Interações biológicas entre alface e rúcula. In: __ . 2008. Interações agroeconômicas de alface e rúcula. p. 16-35 Tese (Doutorado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.*. Com os objetivos de verificar o potencial alelopático de extratos de rúcula na germinação e no crescimento de plântulas de alface e avaliar, nas associações entre plantas, a influência da rúcula sobre o desenvolvimento da alface, foram conduzidos dois experimentos na Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Lavras, MG. O bioteste foi realizado em laboratório, em fevereiro de 2006. O delineamento foi inteiramente casualizado, no esquema 3 x 4, com quatro repetições. Os tratamentos constaram de 3 extratores (água destilada, hexano e metanol) e 4 concentrações (0%, 0,625%, 1,25% e 2,5% p/v) de folhas de rúcula, em que a solução a 0%, constituída apenas de água destilada, foi considerada como testemunha. Foram avaliados: índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da radícula (CR) e do hipocótilo (CH), massa fresca (MF) e massa seca (MS) de plântulas de alface. O IVG, o CR e o CH das plântulas foram afetados negativamente pelos extratos de rúcula. Houve menor influência dos extratos no acúmulo de massa seca do hipocótilo. O segundo experimento foi conduzido em casa de vegetação, no período de maio a julho de 2006. O delineamento foi inteiramente casualizado, com quatro repetições e seis tratamentos: 2 plantas de alface como testemunhas e 5 associações de plantas de alface (A) e rúcula (R) - 2A:1R; 2A:2R; 2A:3R; 2A:4R e 2A:5R. Houve influência da rúcula sobre o desenvolvimento da alface. O aumento da densidade de plantas de rúcula não afetou a altura e o número de folhas por planta da alface, mas reduziu o acúmulo de massa fresca e de massa seca da parte aérea.. Palavras-chave: Lactuca sativa, Eruca sativa, alelopatia, germinação, crescimento. _____________ * Orientador: Rovilson José de Souza – UFLA. 17.
(28) 2 ABSTRACT. OLIVEIRA, Eliane Queiroga. Biological interactions between lettuce and rocket. In: __. 2008. Agrobioeconomic interactions of lettuce and rocket. p. 16-35 Thesis (Doctorate in Crop Science) - Federal University of Lavras, Lavras, MG* With the objectives of verifying the allelopatic potential of rocket extracts upon the germination and growth of lettuce seedlings and evaluating, in the associations between plants, the influence of the rocket on the development of lettuce, two experiments were carried out at Federal University of Lavras (UFLA) - MG. The biotest were carried out in a laboratory, in February of 2006. The experimental design was a completely randomized 3x4 factorial scheme with four replications. The treatments were 3 chemical extractors (distilled water, hexano and methanol), 4 concentrations (0; 0.625; 1.25 and 2.5% p/v) of leaves of rocket, and the control solution 0% - distilled water only. Germination velocity rate (IVG), length of radicle and hypocotil, fresh masst and dry mass of seedlings of lettuce were evaluated. The speed of germination of the lettuce seeds, the length of radicle and hypocotil of seedlings were negatively affected by the extracts of rocket. There was minor influence of extracts on dry weight of hypocotil. The second experiment was established in greenhouse, from May to July of 2006. The experimental design was the completely randomized with four replications and six treatments: 2 lettuce plants as control and 5 associations of lettuce plants (a) and rocket (r) - 2A: 1R; 2A: 2R; 2A: 3R; 2A: 4R and 2A: 5R. Influence of rocket on development of lettuce was registered. The increase in number of plants of rocket did not affect height and number of leaves per plant of lettuce plants, but it reduced the accumulation of fresh matter and mass of dry substance of the aerial part.. Keywords: Lactuca sativa, Eruca sativa, allelopathy, germination, growth. _____________ * Major Professor: Rovilson José de Souza – UFLA. 18.
(29) 3 INTRODUÇÃO. É conhecido que as plantas competem entre si por luz, água, nutrientes e espaço, e dependem deste para sobreviver e assegurar a manutenção das suas espécies no meio ambiente. Neste sentido, as plantas têm desenvolvido, ao longo da sua trajetória evolutiva, mecanismos de defesa que se baseiam, principalmente, na síntese de determinados metabólitos que passam ao solo, exsudados pelas raízes ou pela parte aérea. Estas substâncias, segundo estudos já realizados, possuem alto potencial de atividade fisiológica, embora possam atuar sob baixas concentrações. As substâncias alelopáticas liberadas por uma planta poderão afetar o crescimento, prejudicar o desenvolvimento normal e, até mesmo, inibir a germinação das sementes de outras espécies vegetais (Silva, 1978). O efeito visível dos aleloquímicos sobre as plantas é somente uma sinalização secundária de mudanças anteriores. Assim, os estudos dos efeitos de aleloquímicos sobre a germinação e ou o desenvolvimento da planta avaliam as manifestações secundárias de efeitos ocorridos no âmbito molecular e celular, inicialmente. De acordo com Ferreira & Aquila (2000), as alterações dos aleloquímicos podem ser pontuais, mas, como o metabolismo consiste numa série de reações com vários controles do tipo “feedback”, rotas inteiras podem ser alteradas, mudando processos. Os aleloquímicos, após a liberação, podem ser alterados por meio de reações fotoquímicas, oxidação e transformações microbianas, ou complexados aos colóides do solo (Tang, 1986). Essas modificações alteram as quantidades disponíveis dos mesmos, influenciando seus efeitos. Para Inderijit & Dakshini (1995), há maior influência alelopática em solos arenosos do que em solos ricos em microrganismos e frações coloidais. No caso de substâncias solúveis em. 19.
(30) água, e particularmente as voláteis, a maioria das interações alelopáticas é mediada junto à solução do solo, enquanto que, em atmosfera do solo, é mediada pelo ar. No solo, muitas interações competitivas ocorrem entre plantas, por isso é muito difícil separar os efeitos alelopáticos, assim como dominar os seus problemas (Narwal, 1999). Estudos de compostos aleloquímicos sugerem que vários fatores, como argila, alguns óxidos, teor de matéria orgânica, pH, nutrientes e microrganismos, determinam as concentrações ativas desses compostos nos solos (Dalton et al., 1983). Muitas vezes, o efeito alelopático não é sobre a germinabilidade (percentual final de germinação no tempo), mas sobre a velocidade de germinação ou outro parâmetro do processo (Borghetti & Pessoa, 1997; Rodrigues et al., 1999). O efeito alelopático pode provocar alterações na curva de distribuição da germinação, alongando a curva através do eixo do tempo ou um padrão complexo de distribuição de germinação das sementes (Labouriau & Agudo, 1987). Dessa forma, o acompanhamento da germinação deve ser diário ou em tempos mais curtos que 24 horas. Para a determinação do potencial alelopático de uma planta, tem-se recorrido, inicialmente, à técnica dos extratos aquosos e orgânicos. Esta técnica, usualmente realizada em laboratório e casa de vegetação, é considerada a mais simples e se fundamenta na capacidade de melhor isolar o efeito alelopático de outras interferências (Gomide, 1993). A alface (Lactuca sativa L.) é a planta mais comum, entre as hidrófitas, a ser utilizada como espécie alvo para examinar efeitos alelopáticos, devido tanto ao pequeno período requerido para sua germinação (24 a 48 horas) quanto para seu crescimento (Elakovich, 1999). A rúcula (Eruca sativa) pertence a uma família botânica também citada, por diversos autores, por seus efeitos alelopáticos. No entanto, pouco se sabe a respeito das brassicáceas quanto à. 20.
(31) liberação de aleloquímicos no solo e dos seus efeitos sobre outras espécies cultivadas. O conhecimento ainda restrito sobre o comportamento e o efeito das relações biológicas entre os organismos e o seu ambiente instiga a realização de estudos contínuos. Devido à grande importância das interações entre as espécies de plantas e entre culturas de interesse agronômico, o presente estudo foi realizado com os seguintes objetivos: (1) verificar o potencial alelopático de extratos de rúcula na germinação e no crescimento de plântulas de alface e (2) avaliar, nas associações entre plantas, a influência da rúcula sobre o desenvolvimento da alface.. 4 MATERIAL E MÉTODOS. 4.1 Bioensaio O bioensaio foi conduzido no laboratório de sementes da Universidade Federal de Lavras (UFLA), durante o mês de fevereiro de 2006. Utilizou-se o esquema fatorial 3 x 4, no delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições. Os tratamentos foram constituídos por 3 extratores (água destilada, hexano e metanol) de polaridades diferentes e 4 concentrações (0%, 0,625%, 1,25% e 2,5% peso/volume) de folhas de rúcula (Eruca sativa), cv. Cultivada. A solução a 0%, constituída apenas de água destilada, foi considerada como testemunha. As folhas, completamente expandidas, de rúcula foram colhidas e colocadas em uma estufa de circulação forçada de ar, a 50°C, por 24 horas. Posteriormente, foram picadas em fragmentos de, aproximadamente, 0,5 cm, com auxílio de uma tesoura. O material foi imerso em água destilada, utilizando-. 21.
(32) se 50 g da massa seca de rúcula para 500 mL de água destilada, por um período de 6 horas e, em seguida, filtrado para compor a solução estoque (10% p/v). Esta solução foi diluída em água destilada para a composição das concentrações restantes. Realizou-se o mesmo procedimento para a preparação dos extratores orgânicos. Foram efetuados testes preliminares para a verificação da viabilidade e do vigor da germinação das sementes de alface. Os testes foram realizados em caixas Gerbox (11 x 11cm), forradas com 2 folhas de papel mata-borrão previamente autoclavadas (120°C). Cada Gerbox constituiu uma parcela que recebeu 2,5 vezes o peso do papel em solução, em que foram distribuídas, em espaços regulares, 20 sementes de alface, cv. Vera e pipetadas as soluções. Os Gerbox permaneceram em estufa de incubação com umidade relativa (80%±2), temperatura (25°C) e fotoperíodo (12 horas de luz) controlados por oito dias, tendo sido realizadas as observações. As características avaliadas foram: - índice de velocidade de germinação (IVG): segundo metodologia empregada por Maguire (1962): IVG = G1/N1 + G2/N2 + ... + Gn/Nn em que: G1, G2, Gn = número de sementes germinadas até o enésimo dia; N1, N2, Nn = representa o número de dias em que se avaliou a germinação G1, G2, Gn. - comprimento da radícula e do hipocótilo, a partir do segundo dia de implantação do bioensaio, utilizando-se paquímetro graduado em milímetros. Após o oitavo dia, separou-se a radícula da parte aérea das plantas, sendo levadas à estufa de circulação forçada de ar (50°C), até adquirir massa constante, onde foi pesada a massa seca de cada parte.. 22.
(33) Os dados foram submetidos à análise de variância e, posteriormente, fezse a análise de regressão.. 4.2 Experimento em vasos Um experimento foi conduzido, em condições de casa de vegetação, no período de maio a julho de 2006, no Centro de Estudos Pesquisa e Extensão do Café (CEPE-CAFÉ), da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O delineamento foi inteiramente casualizado, com quatro repetições. Consideraram-se seis tratamentos: 2 plantas de alface como testemunhas (distanciadas 0,10 m uma da outra) e 5 associações de plantas de alface (A) e rúcula (R) - 2A:1R; 2A:2R; 2A:3R; 2A:4R e 2A:5R, mantendo-se o mesmo espaçamento. Cada tratamento foi estabelecido em um vaso de plástico com capacidade para 20 L e dimensões de 0,36 m x 0,30 m. O volume dos vasos foi preenchido com solo retirado de uma área próxima ao viveiro do CEPE-CAFÉ, classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico (Embrapa, 2006) e submetido à análise física e química.. TABELA 1 - Dados de análise física, química e classe textural do solo utilizado no experimento em casa de vegetação, nas associações de alface e rúcula. UFLA, Lavras, MG, 2006.. Areia 19 pH H2O 5,2. CaCl2 5,6 P-rem mg L-1 0,7. Silte 6. Análise física (dag kg-1) Argila 75 Análise química. Classe textural Muito argilosa. P K Ca²+ Mg²+ Al³+ H + Al SB (t) (T) mg dm-³ ..................................... cmolc dm-³................................. 2,0 9 0,2 0,2 0,0 1,3 0,6 0,6 1,9 Zn Fe Mn Cu B S ................................................... cmolc dm-³........................................ 0,1 19,3 2,3 0,6 0,3 -. 23. m V ..... % ..... 0 32,3 MO dag kg-1 0,5.
(34) As irrigações foram conduzidas de acordo com o poder de embebição, a fim de manter a umidade dos vasos próxima à capacidade de campo. As mudas de alface foram preparadas em bandejas de isopor de 128 células contendo substrato comercial Plantmax® e transplantadas para os vasos após 25 dias de semeadura, quando a rúcula se encontrava aos 10 dias de emergência. As plantas de alface e de rúcula permaneceram juntas nos vasos durante 28 dias, quando foram coletadas para suas respectivas avaliações. Durante o período de crescimento da alface, foram realizadas quatro avaliações (em intervalos de 7 dias), verificando aspectos visuais, sintomas de fitotoxicidade visual (manifestação de injúrias leves, moderadas ou graves), altura e número de folhas por planta. Foram feridas também, na última avaliação, massa fresca e massa seca da parte aérea. Aos dados foi aplicada análise de variância e, posteriormente, realizouse a análise de regressão.. 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO. 5.1 Bioensaio Houve interações entre concentrações e extratos de rúcula para índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento e massa seca do hipocótilo de plântulas de alface. A velocidade de germinação das sementes de alface foi afetada negativamente pelos extratos aquosos e orgânicos de rúcula testados (Figura 1).. 24.
(35) FIGURA 1 - Índice de velocidade de germinação (IVG) médio de sementes de alface submetidas a concentrações (p/v) de extratos de rúcula utilizando água destilada, hexano e metanol como extratores. UFLA, Lavras, MG, 2006. Quando o extrator foi a água destilada, observou-se redução de 67% na velocidade de germinação, em relação à concentração de 2,5% (p/v) de rúcula. Os extratos hexanólico e metanólico promoveram germinação mais lenta, causando redução na velocidade de 95,7% e 89,7%, respectivamente, em relação às maiores concentrações. Provavelmente, este comportamento deve-se à presença de compostos menos polares existentes em maiores quantidades na rúcula. Souza et al. (2005), avaliando o comportamento de sementes de alface e rúcula, sob diversas concentrações de extratos aquosos de capim-cidreira, verificaram diminuição na germinação da alface, de acordo com o aumento da 25.
(36) concentração. Porém, o efeito alelopático do extrato foi maior sobre a germinação de sementes de rúcula. Constata-se, portanto, que as plantas receptoras têm comportamentos diferentes e sementes como as de alface são bons indicadores de efeitos alelopáticos nos biotestes, pois exibem rapidamente as mudanças fisiológicas provocadas pelo estresse ambiental. Para o comprimento de radícula, observou-se que o aumento das concentrações dos extratos de rúcula promoveu reduções significativas (Figura 2).. FIGURA 2 - Comprimento médio da radícula de plântulas de alface submetidas a concentrações (p/v) de extratos de rúcula, utilizando água destilada, hexano e metanol como extratores. UFLA, Lavras, MG, 2006. O comprimento da radícula atingiu um decréscimo de 87,18%, na maior concentração. Segundo Ferreira & Aquila (2000), a germinação é menos sensível aos aleloquímicos que o crescimento da plântula. Porém, a. 26.
(37) quantificação experimental é muito mais simples, pois, para cada semente, o fenômeno é discreto, germina ou não. Nesse contexto, a avaliação do crescimento das plântulas é um instrumento importante no estudo dos efeitos alelopáticos. Quanto ao crescimento do hipocótilo, verificou-se que os extratos apresentaram comportamentos distintos (Figura 3).. FIGURA 3 - Comprimento médio do hipocótilo de plântulas de alface submetidas a concentrações (p/v) de extratos de rúcula, utilizando água destilada, hexano e metanol como extratores. UFLA, Lavras, MG, 2006. No extrato aquoso, houve aumento inicial de 9% no comprimento do hipocótilo, no entanto, o hexanólico promoveu decréscimo de 93,78% e, com o extrato metanólico, a maior concentração afetou em 44,4% o crescimento, mostrando tendência linear de redução.. 27.
(38) Avaliando o efeito alelopático da Andira humilis na germinação e no crescimento de alface e de rabanete, Periotto et al. (2004) verificaram que extratos aquosos de caules e folhas desta leguminosa, em todas as concentrações, reduziram o desenvolvimento de plântulas de alface, enquanto as plântulas de rabanete sofreram inibição do crescimento apenas na presença de extratos de caules. Estes resultados indicam que há uma especificidade dos agentes aleloquímicos sobre a planta receptora, de acordo com o órgão vegetal da espécie doadora. Pelo gráfico da Figura 4 observa-se o efeito inibitório dos extratos na massa seca da radícula de plântulas de alface.. FIGURA 4 - Massa seca da radícula de plântulas de alface submetidas a doses de extratos de rúcula, utilizando água destilada, hexano e metanol como extratores. UFLA, Lavras, MG, 2006. A redução foi de 63,33% pela maior concentração, indicando a influência dos extratos de rúcula sobre o desenvolvimento da radícula.. 28.
(39) Quando se analisou o acúmulo de massa seca do hipocótilo, verificou-se menor interferência dos extratos de rúcula (Figura 5).. FIGURA 5 - Massa seca do hipocótilo de plântulas de alface submetidas a doses de extratos de rúcula, utilizando água destilada, hexano e metanol como extratores. UFLA, Lavras, MG, 2006. A água proporcionou aumento de 63% na massa de matéria seca, enquanto que, no hexano, houve incremento de 8,63%. Para o extrato metanólico, não houve diferenças entre as concentrações testadas (Tabela 2A). Em estudos sobre alelopatia têm sido relatados, predominantemente, os efeitos de interações entre espécies cultivadas e plantas daninhas, para fins de complementação dos métodos tradicionais de controle destas, reduzindo o uso de herbicidas. As avaliações que buscam identificar o potencial alelopático de uma espécie sobre outra, visando o reconhecimento da heterogeneidade de uma comunidade vegetal ainda são incipientes. Por isso, existe dificuldade em. 29.
(40) comparar resultados que relacionem efeitos alelopáticos entre espécies que possam ser cultivadas simultaneamente numa mesma área.. 5.2 Experimento em vasos Nas avaliações de fitotoxicidade, a partir do estabelecimento das plantas nos vasos, não foram observadas injúrias visuais em qualquer tratamento. Não houve efeito significativo das associações aditivas de rúcula para altura e número de folhas por planta. Observou-se comportamento linear positivo no crescimento das plantas de alface (Figura 6).. FIGURA 6 - Altura média de plantas de alface avaliadas aos 7, 14, 21 e 28 dias após o transplantio, em função do número de plantas de rúcula associadas. UFLA, Lavras, MG, 2006. Quanto ao número de folhas por planta (Figura 7), constatou-se tendência semelhante à altura, não se observando, nestas duas características, qualquer influência alelopática das plantas de rúcula sobre a alface.. 30.
(41) FIGURA 7 - Número de folhas de alface por planta, avaliado aos 7, 14, 21 e 28 dias após o transplantio, em função do número de plantas de rúcula associadas. UFLA, Lavras, MG, 2006. O efeito significativo das combinações entre alface e rúcula foi verificado sobre a massa fresca e a massa seca da parte aérea da alface. O decréscimo foi mais evidente nos tratamentos cuja densidade de plantas de rúcula foi maior (Figura 8).. 31.
(42) Figura 8 - Massa fresca e massa seca da parte aérea de plantas de alface, em função do número de plantas de rúcula associadas. UFLA, Lavras, MG, 2006. Considerando-se a ocorrência de heterotoxicidade quando substâncias fitotóxicas são liberadas pela exsudação das raízes de uma planta sobre a germinação das sementes e o crescimento de outra (Whittaker & Feeny, 1971), provavelmente, o efeito alelopático da rúcula causou diminuição da área foliar da alface e, conseqüentemente, reduziu a sua massa fresca e a massa seca. Embora as plantas de rúcula tenham apresentado um aspecto visual que indicasse melhor desenvolvimento que a alface, não é possível afirmar que a redução na massa fresca e seca desta espécie seja fundamentalmente resultante de uma competição intra ou interespecífica. Weidenhamer et al. (1989) observaram que, para certa quantidade de aleloquímico, o aumento da densidade de plantas diminuía o efeito alelopático, embora tenha aumentado a competição. 32.
(43) Isto porque cada planta dividiu com suas companheiras os efeitos fitotóxicos, de forma que houve atenuação ou neutralização das impressões negativas. Estes fatos revelam, claramente, que alelopatia e competição são fenômenos distintos, embora possam estar bastante inter-relacionados. Não é fácil distinguir, portanto, se o efeito nocivo de uma planta sobre a outra cabe à alelopatia ou à competição (Souza et al., 2003). Neste experimento foi utilizado solo de camada superficial com baixa fertilidade. Optou-se por não adubar, para que não houvesse interferência da matéria orgânica na expressão aleloquímica das plantas porque, segundo Barcik (1999), a manifestação das substâncias inibidoras é mais pronunciada em solos arenosos do que naqueles ricos em matéria orgânica, pois a inativação e a destruição das toxinas são mais lentas em solos pobres.. 6 CONCLUSÕES. No bioensaio, foi possível verificar que os extratos de rúcula exerceram influência na velocidade da germinação e no crescimento de plântulas de alface. Nas associações de alface e rúcula, em vasos, houve influência da rúcula sobre o desenvolvimento da alface. O aumento da densidade de plantas de rúcula reduziu o acúmulo de massa fresca e massa seca da alface.. 33.
(44) 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. BARCIK, C. Processos autoalelopáticos na cultura de alfafa (Medicago sativa L.) variedade crioula em solos de diferentes texturas. 1999. 109 p. Dissertação (Mestrado em Ciências do Solo) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba. BORGHETTI, F. ; PESSOA, D. M. de A. Autotoxidade e alelopatia em sementes de Solanum lycocarpum St.Hil. (Solanaceae). In: CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL, 3., 1997, Brasília, DF. Anais... Brasília: UnB, 1997. p. 54-58. DALTON, B. R.; BLUM, U.; WEED, S. B. Allelopathic substances in ecosystems: effectiveness of sterile soil components in altering recovery of ferulic acid. Journal of Chemical Ecology,North Carolina, v. 9, n. 8, p. 11851201, Aug. 1983. ELAKOVICH, S. D. Biossays applied to allelopathic herbaceous vascular hydrophytes. In: INDERJIT, S. D.; DAKSHINI, K. M. M. ; FOY, C. L. (Ed.) Principles and practices in plant ecology. Boca Raton: CRC, 1999. p.45-56 EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação, 2006. 306 p. FERREIRA, A. G. ; AQUILA, M. E. A. Alelopatia: uma área emergente da ecofisiologia. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, Campinas, SP, v. 12, p. 175-204, 2000. Edição especial. GOMIDE, M. B. Potencialidades alelopáticas dos restos culturais de dois cultivares de cana-de-açúcar (Saccharum sp), no controle de algumas plantas daninhas. 1993. 96 p. Tese (Doutorado em Fitotecnia) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba. INDERJIT, S. D.; DAKSHINI, K. M. M. On laboratory biossays in allelopathy. The Botanical Review, New York, v. 61, n. 1, p. 28-44, Jan. 1995.. 34.
(45) LABOURIAU, L.G. ; AGUDO, M. On the physiology of seed germination in Salvia hispanica L. I. temperature effects. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 59, p.37-56, 1987. NARWAL, S. S. Research on allelopathy in India. In: NARWAL, S. S. (Ed.). Allelopathy update. Enfield: Science, 1999. v.1, p. 123-184. MAGUIRE, J. D. Speed of germination aid selecting and evaluating for seedling emergence and vigor. Crop Science, Madson, v.1, n.1, p.176-177, 1962. PERIOTTO, F.; PEREZ, S. C. J.; GALTIERI, A. de. ; LIMA, M. I. S. Efeito alelopático de Andira humilis Mart. ex Benth na germinação e no crescimento de Lactuca sativa L. e Raphanus sativus L. Acta Botanica Brasílica, São Paulo, v. 18, n. 3, jul./set. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/abb>. Acesso em: 21 maio 2008. RODRIGUES, B. N.; PASSINI, T. ; FERREIRA, A.G. Research on allelopathy in Brazil. In: NARWAL, S. S. (Ed.) Allelopathy Update. Enfield: Science, 1999. v. 1, p. 307-323. SILVA, Z. L. Alelopatia e defesa em plantas. Boletim geográfico, Rio de Janeiro, v. 36, n. 258/259, p. 90-96, 1978. SOUZA, S. A. M.; STEIN, V. C.; CATTELAN, L. V.; BOBROWSKI, V. L. ; ROCHA, B. H. G. Utilização de sementes de alface e rúcula como ensaios biológicos para avaliação do efeito citotóxico e alelopático de extratos aquosos de plantas medicinais. Revista de Biologia e Ciências da Terra, Paraíba, v. 5, n. 1, p. 322-326, 2005. TANG, C. S. Continuous trapping techniques for the study of allelochemicals from higher plants. In: PUTNAM, A. R.; TANG, C. S. The science of allelopathy. New York: J. Wiley, 1986. p. 113-131. WEIDENHAMER, J. D.; HARTNETT, D.C. ; ROMEO, J. T. Densitydependent phytotoxicity: distinguishing resource competition and allelopathic interference in plants. The Journal of Applied Ecology British Ecological Society, USA, v. 26, n. 2 p. 613-624, Aug. 1989. WHITTAKER, R. H.; FEENY, P. P. Allelochemics: chemical interaction between species. Science, v. 171, n. 3973, p. 757-770, 1971.. 35.
(46) CAPÍTULO III. PRODUTIVIDADE DE ALFACE E DE RÚCULA, EM CULTIVO CONSORCIADO. 36.
(47) 1 RESUMO. OLIVEIRA, Eliane Queiroga de. Produtividade de alface e rúcula em cultivo consorciado. In: ____ . 2008. Interações agroeconômicas de alface e rúcula. p. 36-55 Tese (Doutorado em Fitotecnia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.* Com o objetivo de avaliar agronomicamente as associações de alface e rúcula, sob diferentes geometrias de plantio, sob adubação orgânica e mineral, foram realizados dois experimentos na Universidade Federal de Lavras - MG, nos meses de abril a setembro de 2006, sob delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições. Os tratamentos consistiram de quatro arranjos espaciais entre as culturas de alface (A) e rúcula (R), plantadas em: fileiras alternadas 1A:1R; fileiras duplas alternadas 2A:2R; fileiras triplas alternadas 3A:3R e quatro fileiras alternadas 4A:4R e a alface ou rúcula em cultivo solteiro. Os maiores rendimentos de folhas de alface foram registrados no cultivo orgânico. O rendimento de massa verde da rúcula, no sistema solteiro sobressaiu-se dos demais, embora estatisticamente semelhante aos arranjos espaciais 3A:3R e 4A:4R no número de folhas. No cultivo orgânico, diferenças significativas entre o primeiro e o segundo ciclo da rúcula expressaram-se na altura de plantas e massa seca da parte aérea, com a maior altura média no primeiro cultivo e a maior quantidade de massa seca da parte aérea na rebrota. Os consórcios de alface e rúcula nos arranjos espaciais 1A:1R e 3A:3R tiveram a maior eficiência do uso da área (EUA), da ordem de 55% e 63%, respectivamente, no sistema de cultivo orgânico. A eficiência biológica aumentou para 62% e 70% nestes mesmos arranjos, com o cultivo da rebrota da rúcula no sistema orgânico.. Palavras-chave: Lactuca sativa, Eruca sativa, consorciação, eficiência produtiva.. _____________ * Orientador: Rovilson José de Souza - UFLA.. 37.
(48) 2 ABSTRACT. OLIVEIRA, Eliane Queiroga of. Productivity of lettuce and rúcula in intercropping. In: __. 2008. Interaction of lettuce and rocket: evaluation agrobioeconomic. p. 36-55 Thesis (Doctorate in Crop Science) - Federal University of Lavras, Lavras, MG* Two experiments were carried out at Federal University of Lavras (UFLA) MG, from April to September, 2006, aiming to evaluate lettuce/rocket intercropping, under different designs under organic and mineral fertilization. The experimental design was a completely randomized block with four repetitions. The treatments were four spatial arrangements of lettuce (a) and rocket (r), planted in alternate rows 1A: 1R; alternate double rows 2A: 2R; alternate triple rows 3A: 3R, alternate four rows 4A: 4R and lettuce and rocket monocultures. The highest yield of lettuce leaves was registered in the organic treatment. The yield of fresh weight of rocket, in the monoculture system was higher than the others although statistically similar to the spatial arrangements 3A: 3R and 4A: 4R for the number of leaves. The organic treatment exhibited significant differences between first and second sprouting for height of plants and dry weight of aerial part, being the highest average plant height found in the first sprouting and the highest dry weight of aerial part in second sprouting. Spatial arrangements 1A: 1R and 3A: 3R for lettuce/rocket intercropping gave the highest efficiency (EUA), ranging from 55% to 63%, respectively, in the organic treatment. Biological efficiency increased up to 62% and 70% in these same arrangements, with the second sprouting of rocket in the organic system.. Keywords: Lactuca sativa, Eruca sativa, intercropping, productive efficiency.. _____________ * Major Professor: Rovilson José de Souza – UFLA.. 38.
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