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Técnicas de controle não linear para o problema de rastreamento de trajetória aplicadas a quadricópteros

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Academic year: 2021

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(1)

Ricardo de Souza Bonna

T´ecnicas de controle n˜ao linear para o

problema de rastreamento de trajet´oria

aplicadas a quadric´opteros

CAMPINAS

2016

(2)

T´ecnicas de controle n˜ao linear para o

problema de rastreamento de trajet´oria

aplicadas a quadric´opteros

Dissertac¸˜ao de Mestrado apresentada `a Faculdade de Engenharia Mecˆanica da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos exigidos para obtenc¸˜ao do t´ıtulo de Mestre em Engenharia Mecˆanica, na ´Area de Mecˆanica dos S´olidos e Pro-jeto Mecˆanico.

Orientador: Prof. Dr. Juan Francisco Camino dos Santos

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE `A VERS ˜AO FINAL DA DISSERTAC¸ ˜AO DEFENDIDA PELO ALUNO RICARDO DE SOUZA BONNA, E ORI-ENTADA PELO PROF. DR. JUAN FRANCISCO CAMINO DOS SANTOS.

... ASSINATURA DO ORIENTADOR

CAMPINAS

2016

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Ficha catalográfica

Universidade Estadual de Campinas Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura Elizangela Aparecida dos Santos Souza - CRB 8/8098

Bonna, Ricardo de Souza,

1990-B642t BonTécnicas de controle não linear para o problema de rastreamento de trajetória aplicadas a quadricópteros / Ricardo de Souza Bonna. – Campinas, SP : [s.n.], 2016.

BonOrientador: Juan Francisco Camino.

BonDissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica.

Bon1. Sistemas não lineares. 2. Teoria de controle. 3. Robótica. 4. Controle automático. I. Camino, Juan Francisco,1970-. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Mecânica. III. Título.

Informações para Biblioteca Digital

Título em outro idioma: Nonlinear control techniques for the trajectory tracking problem applied to quadrotors Palavras-chave em inglês: Nonlinear systems Control theory Robotics Automatic control

Área de concentração: Mecânica dos Sólidos e Projeto Mecânico Titulação: Mestre em Engenharia Mecânica

Banca examinadora:

Juan Francisco Camino [Orientador] Ely Carneiro de Paiva

Ricardo Coração de Leão Fontoura de Oliveira Data de defesa: 23-02-2016

(4)

FACULDADE DE ENGENHARIA MEC ˆ

ANICA

COMISS ˜

AO DE P ´

OS-GRADUAC

¸ ˜

AO EM ENGENHARIA MEC ˆ

ANICA

DEPARTAMENTO DE SISTEMAS INTEGRADOS

DISSERTAC¸ ˜AO DE MESTRADO ACAD ˆEMICO

T´ecnicas de controle n˜ao linear para o

problema de rastreamento de trajet´oria

aplicadas a quadric´opteros

Autor: Ricardo de Souza Bonna

Orientador: Prof. Dr. Juan Francisco Camino dos Santos

A Banca Examinadora composta pelos membros abaixo aprovou esta Dissertac¸˜ao:

Prof. Dr. Juan Francisco Camino dos Santos, Presidente DSI/FEM/UNICAMP

Prof. Dr. Ely Carneiro de Paiva DSI/FEM/UNICAMP

Prof. Dr. Ricardo Corac¸˜ao de Le˜ao Fontoura de Oliveira DT/FEEC/UNICAMP

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Gostaria de agradecer primeiramente aos meus pais Marcus e Kathia, por todo o apoio durante a minha graduac¸˜ao e posteriormente o mestrado.

Gostaria de agradecer ao meu irm˜ao Andr´e e `a minha cunhada Andr´ea, por divi-direm um espacinho da casa deles para que eu pudesse passar as noites enquanto estava em Campinas finalizando as correc¸˜oes desta dissertac¸˜ao.

Gostaria de agradecer aos meus colegas e amigos de laborat´orio Luis, Guilherme, Thiago, Marcos e Lukas, pela ajuda em algumas etapas deste projeto. Tamb´em gostaria de agradecer aos demais amigos e colegas de faculdade que aqui n˜ao citarei por serem tantos nomes e por receio de esquecer alguˆem.

Gostaria de mandar um agradecimento especial para minha querida Let´ıcia, por me aturar por tanto tempo e me ajudar em muitos momentos de stress.

No ˆambito acadˆemico, gostaria de agradecer ao meu orientador, professor Camino, pelas orientac¸˜oes e pelo aprendizado adquirido durante esses 2 anos de mestrado. Tamb´em gostaria de agradecer aos membros da banca de defesa professor Ely e professor Ricardo, pelas sugest˜oes dadas.

Por ´ultimo, gostaria de agradecer a Coordenac¸˜ao de Aperfeic¸oamento de Pessoal de N´ıvel Superior (CAPES) pelo financiamento dessa pesquisa atrav´es de uma bolsa de mestrado.

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O projeto de controladores voltado ao problema de rastreamento de trajet´orias para quadric´opteros ´e uma tarefa complexa pois requer a aplicac¸˜ao de t´ecnicas avanc¸adas de controle, j´a que o modelo dinˆamico do quadric´optero ´e n˜ao linear e subatuado. Em situac¸˜oes reais, um quadric´optero est´a sujeito a v´arios tipos de perturbac¸˜oes que podem prejudicar o desempenho dos controladores projetados.

Este trabalho apresenta projetos de controladores de rastreamento de trajet´orias para um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes em sua dinˆamica de voo. A arquitetura do sistema de controle ´e constitu´ıda de uma malha interna de controle contendo um controlador por feedback

linearization, que ser´a respons´avel por neutralizar as n˜ao linearidades presentes no modelo dinˆamico e lidar com a subatuac¸˜ao inerente do sistema, e uma malha externa de controle. Para a malha externa, que ´e respons´avel pela estabilidade e rejeic¸˜ao `as perturbac¸˜oes, s˜ao apresentados trˆes projetos de controladores: um controlador LQR, um controlador H∞ e um controlador por sliding mode. Simulac¸˜oes num´ericas s˜ao apresentadas para demonstrar a capacidade de rastreamento de trajet´orias e a rejeic¸˜ao a perturbac¸˜oes de cada um dos trˆes projetos propostos.

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Designing trajectory tracking controllers for quadrotors is not a trivial task. Since the quadrotor’s dynamic model is nonlinear and underactuated, the use of advanced control techniques is often required. In real applications, a quadrotor is subject to different kinds of disturbances that can affect the performance of the designed controllers.

This work presents different trajectory tracking controller designs for a quadrotor with disturbances in its flight dynamics. The control system architecture is composed of an inner and an outer control loop. The inner loop, created through feedback linearization, counte-racts nonlinearities of the dynamic model while dealing with the underactuation of the system. For the outer loop, responsible for stability and disturbance rejection, three different control designs are presented: one LQR controller, oneH∞ controller and one sliding mode control-ler. Numerical simulations show the trajectory tracking performance and disturbance rejection capabilities of the proposed controllers.

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1.1 General Atomics MQ-9 Reaper. . . 17

1.2 Hexac´optero. . . 17

1.3 Quadric´optero AscTec Hummingbird. . . 18

1.4 Giroplano n´umero 1. . . 18

1.5 Oehmichen n´umero 2. . . 19

1.6 Helic´optero de Bothezat. . . 19

2.1 Quadric´optero. . . 34

2.2 Diagrama de corpo livre. . . 35

2.3 Diagrama de corpo livre modificado. . . 36

4.1 Diagrama de blocos do controlador dinˆamico. . . 72

4.2 Malha de controle proposta. . . 73

4.3 Planta generalizada. . . 76

5.1 Trajet´orias de referˆenciapr(t) e ψr(t). . . 86

5.2 Perturbac¸˜oes utilizadas nas simulac¸˜oes. . . 87

5.3 Sa´ıdas obtidas (linha cont´ınua azul) e trajet´orias desejadas (linha tracejada ver-melha) para o controlador auxiliar LQR sem perturbac¸˜oes. . . 90

5.4 Erros de rastreamento para o controlador auxiliar LQR sem perturbac¸˜oes. . . . 90

5.5 Sinais de controle para o controlador auxiliar LQR sem perturbac¸˜oes. . . 91

5.6 Sa´ıdas obtidas (linha cont´ınua azul) e trajet´orias desejadas (linha tracejada ver-melha) para o controlador auxiliar LQR com o sistema sujeito a perturbac¸˜oes. . 92

5.7 Erros de trajet´oria para o controlador auxiliar LQR com o sistema sujeito a perturbac¸˜oes. . . 92

5.8 Sinais de controle para o controlador auxiliar LQR com o sistema sujeito a perturbac¸˜oes. . . 93

(10)

5.10 Sa´ıdas obtidas (linha cont´ınua azul) e trajet´orias desejadas (linha tracejada ver-melha) para o controlador auxiliarH∞. . . 96 5.11 Erros de trajet´oria para o controlador auxiliarH∞. . . 96 5.12 Sinais de controle para o controlador auxiliarH∞. . . 97 5.13 Sinais de controle para o controlador auxiliar H∞ no intervalo de tempo t ∈

[0, 0.1]. . . 98 5.14 Sa´ıdas desejadas (linha cont´ınua azul) e trajet´orias desejadas (linha tracejada

vermelha) para o controlador auxiliar por sliding mode. . . . 101 5.15 Erros de trajet´oria para o controlador auxiliar por sliding mode. . . . 101 5.16 Sinais de controle para o controlador auxiliar por sliding mode. . . . 102

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R Conjunto dos n´umeros reais. Z Conjunto dos n´umeros inteiros.

l Meia envergadura do quadric´optero [m]. g Acelerac¸˜ao da gravidade [m/s2].

m Massa do quadric´optero [kg].

I Momento de in´ercia do quadric´optero [kg m2]. Ixx Momento de in´ercia no eixox [kg m2].

Iyy Momento de in´ercia no eixoy [kg m2]. Izz Momento de in´ercia no eixoz [kg m2].

p Vetor de posic¸˜ao do centro de massa do quadric´optero [m]. α Vetor de orientac¸˜ao (ou atitude) do quadric´optero [rad]. φ Angulo de roll [rad].ˆ

θ Angulo de pitch [rad].ˆ ψ Angulo de yaw [rad].ˆ

R Matriz de rotac¸˜ao entre dois referenciais. J Matriz Jacobiana de velocidades angulares. ω Velocidade angular [rad/s].

S(ω) Matriz anti-sim´etrica de velocidades angulares. Ωi Velocidade angular da h´elicei [rad/s].

b Coeficiente de empuxo das h´elices [N s2]. d Coeficiente de arrasto das h´elices [N m/s2]. ρ Empuxo total produzido pelos rotores [N]. τ Vetor de torque efetivo [N m].

ˆi Vetor[1, 0, 0]⊤. ˆj Vetor[0, 1, 0]⊤.

(13)

t Vari´avel de tempo [s].

y(i) Derivada temporal de ordemi de y. I Referencial inercial.

B Referencial local.

J Func¸˜ao de custo do problema LQR.

Q Matriz que penaliza os estados na func¸˜aoJ .

R Matriz que penaliza a entrada de controle na func¸˜aoJ . 1i×i Matriz identidade de dimens˜aoi.

0i×j Matriz nula de dimens˜oesi × j. kx(t)k1 Norma 1 do vetorx(t) em func¸˜ao de t.

kx(t)k2 Norma 2 do vetorx(t) em func¸˜ao de t (Norma Euclidiana). kx(t)k∞ Norma infinito do vetorx(t) em func¸˜ao de t.

kx(t)kL2 NormaL2 do sinalx(t).

kx(t)kL∞ NormaL∞do sinalx(t).

(14)

1 Introduc¸ ˜ao 16

1.1 Revis˜ao da literatura . . . 20

1.2 Objetivo da dissertac¸˜ao . . . 22

1.2.1 Metodologia . . . 23

2 Modelo dinˆamico 25 2.1 Conceitos b´asicos de dinˆamica . . . 25

2.1.1 Restric¸˜oes cinem´aticas ao movimento . . . 25

2.1.2 Sistemas subatuados . . . 28

2.1.3 Cinem´atica de corpos r´ıgidos . . . 29

2.1.4 Equac¸˜oes de Newton-Euler . . . 33

2.2 Modelo dinˆamico de um quadric´optero . . . 33

2.2.1 Quadric´optero sem perturbac¸˜oes . . . 33

2.2.2 Quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes . . . 40

3 T´ecnicas de controle n˜ao linear 44 3.1 Feedback Linearization . . . 44

3.1.1 Linearizac¸˜ao entrada-sa´ıda para sistemas SISO . . . 45

3.1.2 Linearizac¸˜ao entrada-estado para sistemas SISO . . . 48

3.1.3 Generalizac¸˜ao para sistemas MIMO . . . 50

3.2 Sliding Mode . . . 55

3.2.1 Sliding modeem sistemas SISO . . . 55

3.2.2 Generalizac¸˜ao para sistemas MIMO . . . 59

4 Projeto de controladores para quadric´opteros 63 4.1 Definic¸˜ao do problema de controle . . . 63

(15)

4.3 Projeto da lei de controle auxiliarv . . . 73

4.3.1 Controlador auxiliar LQR . . . 73

4.3.2 Controlador auxiliarH∞ . . . 75

4.3.3 Controlador auxiliar por sliding mode . . . . 79

5 Simulac¸˜oes num´ericas 84 5.1 Parˆametros do quadric´optero . . . 84

5.2 Condic¸˜oes iniciais, trajet´oria desejada e perturbac¸˜oes . . . 85

5.3 Simulac¸˜oes num´ericas utilizando o controlador auxiliar LQR . . . 88

5.3.1 Parˆametros do controlador auxiliar LQR . . . 88

5.3.2 Resultados num´ericos utilizando o controlador auxiliar LQR . . . 89

5.4 Simulac¸˜oes num´ericas utilizando o controlador auxiliarH∞ . . . 94

5.4.1 Parˆametros do controlador auxiliarH∞ . . . 94

5.4.2 Resultados num´ericos utilizando o controlador auxiliarH∞ . . . 95

5.5 Simulac¸˜oes num´ericas utilizando o controlador auxiliar por sliding mode . . . . 98

5.5.1 Parˆametros do controlador auxiliar por sliding mode . . . . 99

5.5.2 Resultados num´ericos utilizando o controlador auxiliar por sliding mode 100 6 Conclus˜ao 103 6.1 Temas para trabalhos futuros . . . 105

A Ferramentas matem´aticas 109 A.1 Gradiente e Jacobiano . . . 109

A.2 Lie derivative e Lie bracket . . . 109

A.3 Difeomorfismo . . . 110

A.4 Involutividade . . . 111

B Linearizac¸˜ao entrada-sa´ıda 112 B.1 Procedimento . . . 112

(16)

1 INTRODUC

¸ ˜

AO

Ve´ıculos a´ereos n˜ao tripulados (VANTs), popularmente conhecidos como drones, est˜ao ganhando cada vez mais notoriedade nas ´ultimas d´ecadas. Atualmente, ´e muito comum encontrar not´ıcias envolvendo drones ou at´e mesmo presenciar um drone em ac¸˜ao realizando filmagens a´ereas, transporte de pequenas cargas ou sendo utilizados para inspec¸˜ao.

Qualquer ve´ıculo a´ereo que n˜ao possua piloto abordo ´e um ve´ıculo a´ereo n˜ao tripu-lado. Os drones podem ser divididos em duas classes: autˆonomos ou controlados remotamente. Os drones autˆonomos s˜ao controlados por um computador abordo do ve´ıculo e s˜ao capazes de realizar manobras sem a interferˆencia humana, enquanto que os drones controlados remota-mente s˜ao operados com o aux´ılio de um sistema de controle remoto, atrav´es de um humano.

Embora existam relatos de drones sendo utilizados desde antes da Primeira Guerra Mundial, o seu desenvolvimento passou a ser significativo ap´os o t´ermino da Segunda Guerra Mundial. Durante a Guerra Fria, a necessidade de se obter informac¸˜oes sobre o inimigo fez os Estados Unidos e a Uni˜ao Sovi´etica investirem em sat´elites e avi˜oes espi˜oes n˜ao tripulados. Ainda no per´ıodo de Guerra Fria, com a corrida espacial, surgiu a necessidade de se testar os ve´ıculos espaciais e seus lanc¸adores, os foguetes, sem colocar vidas em risco, exigindo assim que os foguetes fossem controlados remotamente. Drones com capacidade de bombardeiro, como por exemplo o MQ-9 Reaper (Figura 1.1), s˜ao utilizados nos dias de hoje pelas forc¸as armadas dos Estados Unidos.

Devido ao grande avanc¸o na ´area de microeletrˆonica embarcada, os drones deixaram de ser um equipamento exclusivamente de uso militar ou de ´org˜aos governamentais e passaram a ser uma ferramenta para fotografias a´ereas, um brinquedo para hobbystas ou um meio de transporte de pequenas cargas. Dentre os tipos de drones mais populares entre a populac¸˜ao civil est˜ao os multic´opteros, que s˜ao pequenos helic´opteros possuindo 4 ou mais rotores, todos eles paralelos entre si. A Figura 1.2 mostra um tipo de multic´optero de 6 rotores, conhecido como hexac´optero.

(17)

Figura 1.1: General Atomics MQ-9 Reaper.

Figura 1.2: Hexac´optero.

O n´umero de rotores de um multic´optero ´e determinado, em geral, pela massa total do ve´ıculo carregado. O n´umero de rotores ´e sempre um n´umero par, em que metade deles giram no sentido hor´ario e a outra metade no anti-hor´ario. Dentre as vantagens dos multic´opteros em relac¸˜ao aos helic´opteros convencionais, podem ser citadas a contribuic¸˜ao de todos os rotores na propuls˜ao total do ve´ıculo e o fato de n˜ao ser necess´ario o uso de um mecanismo de swashplate (Castillo et al., 2005) nos rotores para efetuar manobras. Helic´opteros convencionais, al´em de necessitarem de mecanismo de swashplate no rotor principal, possuem um rotor traseiro apenas para contra-balancear o torque do rotor principal, n˜ao contribuindo para a propuls˜ao total do ve´ıculo.

Dentre os multic´opteros, o que mais se destaca ´e o quadric´optero. Ele possui o n´umero m´ınimo de rotores necess´arios para gerar as quatro atuac¸˜oes b´asicas requeridas por qualquer ve´ıculo a´ereo: propulc¸˜ao, rolagem, arfagem e guinada (do inglˆes, thrust, roll, pitch

(18)

e yaw respectivamente), sem necessitar de mecanismo de swashplate. A dinˆamica de voo de qualquer multic´optero de rotores paralelos pode ser simplificada como a dinˆamica de um qua-dric´optero, isso explica o grande destaque que ´e dado a quadric´opteros. A Figura 1.3 mostra um quadric´optero AscTec Hummingbird (AscTec, 2015).

Figura 1.3: Quadric´optero AscTec Hummingbird.

O conceito de multic´opteros de rotores paralelos remete `as primeiras d´ecadas do s´eculo XX. Nessa ´epoca, alguns inventores tentaram levantar voo com o que seriam os primeiros multic´opteros da hist´oria. Por volta do ano 1907, os irm˜aos franceses Jacques e Louis Breguet constru´ıram e testaram o Giroplano n´umero 1, um quadric´optero primitivo que demonstrou ser muito inst´avel durante os testes. A Figura 1.4 mostra uma r´eplica em pequena escala do Giroplano n´umero 1.

(19)

Na d´ecada de 1920, o engenheiro francˆes ´Etienne Oehmichen testou alguns con-ceitos de multic´opteros, entre eles o Oehmichen n´umero 2 (Figura 1.5), que apresentou uma estabilidade consideravelmente maior que os outros modelos testados na ´epoca. Em 1927, Oehmichen bateu o recorde mundial de distˆancia percorrida, voando 360m com o Oehmichen n´umero 2. Ainda no mesmo ano, ele bateu outro recorde voando 1km em uma trajet´oria circular, sendo o primeiro homem a completar tal feito com um helic´optero.

Figura 1.5: Oehmichen n´umero 2.

Em 1922, George de Bothezat e Ivan Jerome desenvolveram um quadric´optero que viria a ser conhecido como Helic´optero de Bothezat (Figura 1.6), com 4 rotores possuindo h´elices de 6 lˆaminas. O quadric´optero foi construido para as forc¸as armadas dos Estados Uni-dos e voou aproximadamente 100 vezes at´e o final de 1923, atingindo uma altura m´axima de 5m. No entanto, esse ve´ıculo requeria um esforc¸o significante por parte do piloto para realizar movimentos laterais. Assim, alguns meses depois o projeto foi abandonado.

Figura 1.6: Helic´optero de Bothezat.

Em meados do s´eculo XX, algumas tentativas de se produzir um multic´optero de rotores paralelos para as forc¸as armadas dos Estados Unidos, apesar de bem sucedidas, foram abandonadas por n˜ao atingirem os padr˜oes de qualidade do ex´ercito, como, por exemplo, a do quadric´optero Curtiss-Wright VZ-7.

Foi apenas no in´ıcio do s´eculo XXI, com o desenvolvimento da microeletrˆonica em-barcada, das baterias e dos motores el´etricos, que os multic´opteros atingiram o seu verdadeiro

(20)

potencial. Atualmente j´a existem pequenos quadric´opteros fazendo filmagens a´ereas, vigilˆancia e at´e mesmo ajudando a pol´ıcia a capturar criminosos. ´E poss´ıvel que, futuramente, existam drones multic´opteros entregando produtos em nossas casas, como promete o projeto Prime Air da loja virtual Amazon.

1.1

Revis˜ao da literatura

Uma das partes mais importantes de um quadric´optero (e consequentemente qual-quer outro multic´optero) ´e o sistema de controle. Nas ´ultimas d´ecadas, o projeto de controlado-res para esse tipo de ve´ıculo vem sendo objeto de estudo de muitos pesquisadocontrolado-res ao redor do mundo. Alguns centros de pesquisas possuem instalac¸˜oes espec´ıficas para o teste experimental de leis de controle para quadric´opteros (How et al., 2008; Michael et al., 2010; Lupashin et al., 2014).

Quadric´opteros s˜ao naturalmente dif´ıceis de controlar pois seu modelo dinˆamico ´e n˜ao linear e subatuado (Castillo et al., 2005). Sistemas subatuados s˜ao caracterizados por possu´ırem menos atuadores do que graus de liberdade (Fantoni e Lozano, 2002; Spong, 1998). Dentre os problemas de controle para quadric´opteros, pode-se definir duas grandes classes de problemas: controle de atitude e rastreamento de trajet´orias.

O controle de atitude consiste em controlar a orientac¸˜ao do ve´ıculo sem levar em conta o comportamento dinˆamico de translac¸˜ao. Como a dinˆamica de rotac¸˜ao de um quadrirotor n˜ao depende da dinˆamica de translac¸˜ao (embora o contr´ario n˜ao seja verdadeiro), pode-se des-considerar a dinˆamica de translac¸˜ao em problemas de controle de atitude. Um fato curioso ´e que a dinˆamica de rotac¸˜ao ´e completamente atuada e a sua linearizac¸˜ao na origem atrav´es da s´erie de Taylor ´e completamente control´avel, permitindo a aplicac¸˜ao de t´ecnicas de controle lineares baseadas em realimentac¸˜ao de estados. Controladores de atitude costumam estar presentes em todos os quadric´opteros, seja como controlador principal ou como um controlador secund´ario para o problema de rastreamento de trajet´orias. De fato, ´e comum controlar primeiramente a atitude antes de se realizar o rastreamento de trajet´orias, o que justifica a grande importˆancia dada por muitos pesquisadores a essa classe de problemas de controle.

Alguns trabalhos focam principalmente na resoluc¸˜ao de problemas de controle de atitude, como ´e o caso de Bouabdallah (2007), que apresenta diversas t´ecnicas de controle dife-rentes, lineares e n˜ao lineares, todas verificadas experimentalmente, para o controle de atitude.

(21)

Uma comparac¸˜ao direta entre a utilizac¸˜ao de controladores PID e LQR em um problema de controle de estabilizac¸˜ao de atitude ´e apresentado em Bouabdallah et al. (2004). O controlador PID se mostrou superior ao controlador LQR no quesito robustez a pequenas perturbac¸˜oes.

Algumas abordagens para o controle de atitude envolvem a utilizac¸˜ao de quaterni-ons unit´arios para descrever a atitude de um quadric´optero. O artigo Tayebi e McGilvray (2006) apresenta um controlador PD, com implementac¸˜ao baseada em quaternions, para o controle de atitude. O trabalho mostra que ´e poss´ıvel atingir estabilidade exponencial global da origem dos ˆangulos de orientac¸˜ao (row, pitch e yaw) e que o controlador proposto ´e robusto a pequenas perturbac¸˜oes que afetam a dinˆamica de rotac¸˜ao do quadric´optero.

A outra classe de problemas de controle, o rastreamento de trajet´orias, ´e significati-vamente mais complexa que o controle de atitude. A ideia por tr´as do rastreamento de trajet´orias ´e projetar leis de controle que, a partir de uma dada trajet´oria parametrizada pela vari´avel de tempo, a diferenc¸a entre a posic¸˜ao atual do ve´ıculo e a posic¸˜ao atual da referˆencia convirja para zero. Para que tais leis de controle possam ser projetadas, ´e necess´ario considerar tanto a dinˆamica de rotac¸˜ao quanto a dinˆamica de translac¸˜ao do quadric´optero, fornecendo um sistema n˜ao linear e subatuado. Nesse caso, ´e necess´ario a utilizac¸˜ao de t´ecnicas de controle n˜ao lineares como por exemplo o backstepping, o feedback linearization ou o sliding mode.

Em Madani e Benallegue (2006a), o modelo dinˆamico do quadric´optero ´e escrito em uma forma apropriada para aplicac¸˜ao do backstepping. O modelo ´e dividido em 3 subsistemas: um subatuado, um completamente atuado e um subsistema representando a dinˆamica do con-junto rotor/h´elice. A estabilidade do sistema em malha fechada e o rastreamento de trajet´orias s˜ao garantidos utilizando a teoria de Lyapunov. Devido a natureza recursiva do backstepping, a lei de controle resultante ´e composta por um conjunto de leis de controle auxiliares e suas derivadas, dificultando a implementac¸˜ao pr´atica do controlador projetado.

Em Mistler et al. (2001), ´e mostrado que n˜ao ´e poss´ıvel encontrar uma lei de con-trole est´atica que linearize, utilizando feedback linearization, a relac¸˜ao entrada-sa´ıda de um quadric´optero em problemas de rastreamento de trajet´orias, pois o modelo do quadric´optero, escolhendo como sa´ıdas a posic¸˜ao cartesiana do centro de massa e o ˆangulo de yaw, n˜ao pos-sui grau relativo. A soluc¸˜ao adotada foi propor um controlador dinˆamico que, adicionando a dinˆamica do controlador ao sistema, resulta em um sistema estendido com grau relativo com-pleto. Isso possibilitou a s´ıntese de um controlador baseado em linearizac¸˜ao entrada-estado que, em malha fechada com o sistema estendido, resultou em um sistema em malha fechada

(22)

n˜ao interativo.

Em Lee et al. (2009), dois projetos de controladores distintos para rastreamento de trajet´orias s˜ao comparados, um utilizando feedback linearization e outro utilizando sliding

mode adaptativo. O controlador por feedback linearization ´e projetado utilizando um mo-delo dinˆamico simplificado de um quadric´optero para reduzir a complexidade das derivadas de grande ordem envolvidas no processo. ´E mostrado, atrav´es de simulac¸˜oes num´ericas, que o controlador sliding mode adaptativo apresenta uma maior robustez `a incertezas e ru´ıdos de medic¸˜ao.

A estrat´egia adotada por Das et al. (2008) para a soluc¸˜ao do problema de controle de rastreamento de trajet´orias consiste em projetar uma malha de controle interna que estabilize a dinˆamica de rotac¸˜ao e a altitude do quadric´optero atrav´es de um controlador de atitude e altitude por invers˜ao dinˆamica. Uma segunda malha de controle ´e respons´avel por gerar a atitude desejada a partir dos erros de rastreamento. Uma estrat´egia similar ´e adotada por Raffo

et al.(2010), por´em a malha de controle interna ´e composta por um controlador n˜ao linearH∞, e a malha externa, respons´avel por fornecer a atitude desejada, ´e composta por um controlador preditivo baseado nos erros de rastreamento.

A utilizac¸˜ao do sliding mode se mostrou muito promissora no quesito rejeic¸˜ao a perturbac¸˜oes quando utilizado como lei de controle auxiliar por controladores n˜ao lineares pro-jetados para rastreamento de trajet´orias. Em Madani e Benallegue (2006b), ´e apresentado um controlador por backstepping, similar ao apresentado em Madani e Benallegue (2006a), por´em incluindo termos contendo leis de controle auxiliares por sliding mode. O sistema em malha fechada mostrou, tanto em simulac¸˜oes quanto em experimentos, um aumento significativo na rejeic¸˜ao a perturbac¸˜oes e incertezas.

1.2

Objetivo da dissertac¸˜ao

O objetivo principal deste trabalho ´e projetar leis de controle tendo como meta a resoluc¸˜ao do problema de controle de rastreamento de trajet´orias, considerando a presenc¸a de perturbac¸˜oes na dinˆamica de quadric´opteros.

Como o modelo dinˆamico de um quadric´optero ´e n˜ao linear e subatuado, os con-troladores projetados dever˜ao ser capazes de lidar com as n˜ao linearidades e a subatuac¸˜ao do modelo dinˆamico e, ao mesmo tempo, apresentarem robustez perante perturbac¸˜oes. A

(23)

metodo-logia adotada para atingir o objetivo ´e descrita a seguir.

1.2.1

Metodologia

Deve-se primeiramente levantar o modelo dinˆamico de um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes. Esse modelo dinˆamico deve ser capaz de representar a dinˆamica de voo de um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes na dinˆamica de translac¸˜ao e na dinˆamica de rotac¸˜ao, podendo tratar casos em que essas perturbac¸˜oes s˜ao isoladas, simultˆaneas ou inexistentes. O modelo ser´a levantado utilizando as equac¸˜oes de Newton-Euler, sem utilizar nenhum tipo de aproximac¸˜oes ou linearizac¸˜oes, podendo representar fielmente a dinˆamica de um quadric´optero real mesmo durante as manobras mais agressivas. O Cap´ıtulo 2 apresenta todo o procedimento de modelagem utilizado.

Para o projeto dos controladores, apresentado no Cap´ıtulo 4, ser´a utilizada a t´ecnica de controle n˜ao linear feedback linearization (cuja teoria ´e apresentada no Cap´ıtulo 3), utili-zando o controlador dinˆamico proposto por Mistler et al. (2001), com o objetivo de neutralizar as n˜ao linearidades presentes no modelo dinˆamico do quadric´optero e de lidar com a subatuac¸˜ao inerente do sistema. Controladores por feedback linearization necessitam de uma lei de controle auxiliar, normalmente uma lei de controle linear, que ´e respons´avel pela estabilidade e desem-penho do sistema em malha fechada. Ser˜ao projetadas 3 leis de controle auxiliares distintas utilizando-se 3 t´ecnicas de controle diferentes: regulador linear quadr´atico (LQR), controleHe sliding mode.

O controlador auxiliar LQR ser´a projetado para o caso em que as perturbac¸˜oes s˜ao inexistentes, conforme apresentado em Bonna e Camino (2015). Ele ser´a utilizado para a validac¸˜ao do controlador por feedback linearization e como base de comparac¸˜oes para os demais controladores auxiliares.

O controlador auxiliarH∞ ser´a projetado com o objetivo de se minimizar a ac¸˜ao das perturbac¸˜oes nos erros de rastreamento. Atrav´es de algumas manipulac¸˜oes alg´ebricas, ´e poss´ıvel representar a malha fechada contendo a dinˆamica do quadric´optero e o controlador por

feedback linearizationem uma planta generalizada apropriada para a utilizac¸˜ao de algoritmos de s´ıntese de controladoresH∞.

Sabendo que a t´ecnica de sliding mode se mostrou muito robusta a incertezas e perturbac¸˜oes (Lee et al., 2009; Madani e Benallegue, 2006b), ser´a projetado uma terceira lei de controle auxiliar baseada em sliding mode (cuja teoria ´e apresentada no Cap´ıtulo 3), que ´e

(24)

capaz de anular completamente a ac¸˜ao das perturbac¸˜oes nos erros de rastreamento, contanto que as perturbac¸˜oes sejam limitadas por func¸˜oes conhecidas. Ser´a apresentada tamb´em uma maneira de projetar leis de controle cont´ınuas por sliding mode, evitando assim fenˆomenos indesejados como por exemplo o chaveamento em altas frequˆencias conhecido como chattering. A utilizac¸˜ao de uma malha interna por feedback linearization e uma malha externa por sliding

modepara rastreamento de trajet´orias aplicadas a um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes ´e a grande inovac¸˜ao deste trabalho.

Por fim, ser˜ao realizadas simulac¸˜oes num´ericas no Cap´ıtulo 5 para se demonstrar a capacidade de rastreamento de trajet´orias e desempenho do sistema em malha fechada contendo o controlador por feedback linearization e cada um dos trˆes controladores auxiliares propos-tos. Os resultados obtidos com cada controlador auxiliar s˜ao comparados entre si nos quesitos rejeic¸˜ao a perturbac¸˜oes e viabilidade de implementac¸˜ao.

(25)

2 MODELO DIN ˆ

AMICO

Este cap´ıtulo apresenta o levantamento do modelo dinˆamico de um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes. A Sec¸˜ao 2.1 apresenta alguns conceitos b´asicos de cinem´atica e dinˆamica necess´arios para o desenvolvimento das equac¸˜oes de movimento de um quadric´optero. A Sec¸˜ao 2.2 apresenta o procedimento para levantar as equac¸˜oes de movimento de um qua-dric´optero. Esta sec¸˜ao ´e dividida em duas partes, sendo que a primeira parte ´e referente a um quadric´optero sem perturbac¸˜oes e a segunda parte ´e referente a um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes. Esta sec¸˜ao tamb´em apresentar´a o modelo de estados do sistema e an´alise de pontos de equil´ıbrio.

2.1

Conceitos b´asicos de dinˆamica

Esta sec¸˜ao apresenta alguns conceitos b´asicos de cinem´atica e dinˆamica que ser˜ao importantes para o levantamento das equac¸˜oes de movimento de um quadric´optero.

2.1.1

Restric¸˜oes cinem´aticas ao movimento

Considere um sistema deN part´ıculas. A configurac¸˜ao desse sistema ´e dada pela posic¸˜ao individualri ∈ R3 de cada uma dasN part´ıculas, necessitando assim 3N coordenadas para descrever a configurac¸˜ao do sistema. No caso usual, as part´ıculas n˜ao podem se mover livremente no espac¸o pois podem existir restric¸˜oes cinem´aticas ao movimento. Um exemplo cl´assico de restric¸˜ao ´e o caso de um corpo r´ıgido, onde as distˆancias entre as part´ıculas se mant´em constantes, ou seja

kri− rjk − cij = 0

em quecij ´e uma constante que indica a distˆancia entre as part´ıculas.

Desta forma, ´e poss´ıvel obter a configurac¸˜ao de um sistema com uma quantidade de coordenadas n inferior a 3N. Essas n ≤ 3N coordenadas s˜ao chamadas de coordenadas

(26)

generalizadas. O n´umero de coordenadas generalizadas em um sistema nem sempre ´e o mesmo, pois depende da escolha de coordenadas. Um sistema deN part´ıculas e l restric¸˜oes possui 3N −l graus de liberdade. No entanto, o n´umero de graus de liberdade ´e propriedade do sistema e n˜ao da escolha de coordenadas.

As restric¸˜oes cinem´aticas podem ser divididas em duas grandes classes: restric¸˜oes holonˆomicas e restric¸˜oes n˜ao holonˆomicas.

Definic¸˜ao 2.1 (Greenwood (2003)). Considere que a configurac¸˜ao de um sistema ´e dada por n coordenadas generalizadas q = [q1, . . . , qn]⊤ e que existem m equac¸˜oes independentes de

restric¸˜oes com a forma

hi(q, t) = 0, i = 1, . . . , m (2.1)

Uma restric¸˜ao que pode ser escrita dessa forma ´e chamada de restric¸˜ao holonˆomica.

Como pode-se observar, uma restric¸˜ao holonˆomica n˜ao depende das derivadas das coordenadas generalizadas ˙q, tamb´em conhecidas como velocidades generalizadas.

Exemplo 2.1 (Greenwood (2003)). Uma part´ıcula de posic¸˜ao p = [x, y, z], que se move na

superf´ıcie de uma esfera de raioR e centrada na origem do espac¸o cartesiano possui uma

restric¸˜ao holonˆomica descrita pela equac¸˜ao

h(x, y, z) = x2 + y2+ z2− R2 = 0

A partir da definic¸˜ao de restric¸˜oes holonˆomicas, pode-se definir o conceito de siste-mas holonˆomicos:

Definic¸˜ao 2.2 (Greenwood (2003)). Se o sistema possuir apenas restric¸˜oes holonˆomicas, ent˜ao

o sistema ´e holonˆomico.

Uma propriedade muito importante de sistemas holonˆomicos ´e que eles podem ser sempre descritos utilizando um n´umero m´ınimo de coordenadas generalizadas igual ao n´umero de graus de liberdade.

Exemplo 2.2. Um corpo r´ıgido livre no espac¸o tri-dimensional ´e um sistema holonˆomico que

pode ser descrito utilizando no m´ınimo 6 coordenadas generalizadas.

Restric¸˜oes n˜ao holonˆomicas diferem das restric¸˜oes holonˆomicas pela presenc¸a das velocidades generalizadas ˙q nas equac¸˜oes das restric¸˜oes.

(27)

Definic¸˜ao 2.3 (Greenwood (2003)). Em um sistema dinˆamico, uma restric¸˜ao n˜ao integr´avel na

forma

h(q, ˙q, t) = 0

´e chamada de restric¸˜ao n˜ao holonˆomica.

Restric¸˜oes n˜ao holonˆomicas podem ser descritas, na maioria dos casos, por uma relac¸˜ao linear nas velocidades generalizadas dada por

h = h1(q, t)⊤˙q + h2(q, t) = 0

em queh1 : Rn× [0, ∞) → Rneh2 : Rn× [0, ∞) → R, com n = dim(q). ´

E importante enfatizar que a restric¸˜ao n˜ao holonˆomica n˜ao pode ser integr´avel, caso contr´ario seria poss´ıvel reescrever a equac¸˜ao da restric¸˜ao na forma (2.1), o que a tornaria uma restric¸˜ao holonˆomica.

A partir da definic¸˜ao de restric¸˜oes n˜ao holonˆomicas, pode-se definir o conceito de sistemas n˜ao holonˆomicos:

Definic¸˜ao 2.4 (Greenwood (2003)). Se o sistema possuir pelo menos uma restric¸˜ao n˜ao

ho-lonˆomica, ent˜ao o sistema ´e n˜ao holonˆomico.

Sistemas n˜ao holonˆomicos podem ser descritos por uma quantidade m´ınima de co-ordenadas generalizadas igual ao n´umero de graus de liberdade mais o n´umero de restric¸˜oes n˜ao holonˆomicas presentes.

Exemplo 2.3. Um robˆo m´ovel de trac¸˜ao diferencial pode ser descrito pelas seguintes equac¸˜oes

cinem´aticas:

˙x = v cos θ ˙y = v sin θ ˙θ = ω

em quex, y e θ s˜ao as coordenadas generalizadas e v e ω s˜ao, respectivamente, as velocidades

de translac¸˜ao e de rotac¸˜ao do robˆo. Esse sistema possui uma restric¸˜ao n˜ao holonˆomica dada por

˙x sin θ − ˙y cos θ = 0

e pode ser descrito usando, no m´ınimo, trˆes coordenadas generalizadas. No entanto, esse sistema possui apenas dois graus de liberdade.

(28)

2.1.2

Sistemas subatuados

Uma classe de sistemas que gera problemas de controle interessantes, especialmente para o caso de rastreamento de trajet´orias, ´e a classe dos sistemas subatuados. Submarinos, robˆos m´oveis e ve´ıculos a´ereos como avi˜oes, helic´opteros e foguetes s˜ao exemplos de sistemas subatuados. O que todos esses sistemas tˆem em comum ´e o fato de possu´ırem menos atuadores do que graus de liberdade.

Definic¸˜ao 2.5 (Spong (1998)). Um sistema que possui um n´umero inferior de entradas de

con-trole independentes do que graus de liberdade ´e um sistema subatuado.

Exemplo 2.4 (Spong (1998)). Um sistema carro-pˆendulo pode ser descrito pelas seguintes

equac¸˜oes:

¨

q1+ cos(q1)¨q2− sin(q1) = 0 cos(q1)¨q1 + 2¨q2− ˙q21sin(q1) = τ

em queq1 eq2 s˜ao as coordenadas generalizadas eτ ´e uma entrada de controle. Sabendo que,

neste caso, o n´umero de graus de liberdade ´e igual ao n´umero de coordenadas generalizadas, este sistema possui dois graus de liberdade, por´em possui apenas uma entrada de controle. Portanto esse sistema ´e subatuado.

Apesar de a maioria dos sistemas subatuados se enquadrarem na Definic¸˜ao 2.5, existem sistemas que possuem o mesmo n´umero de graus de liberdade e entradas de controle e ainda assim s˜ao subatuados. Um exemplo disso seria substituir a entradaτ do exemplo 2.4 por τ1 + τ2. Dessa forma o sistema passaria a ter duas entradas de controle e dois graus de liberdade, no entanto, continuaria sendo subatuado. Uma definic¸˜ao mais espec´ıfica de sistemas subatuados ´e dada a seguir.

Definic¸˜ao 2.6 (Fantoni e Lozano (2002)). Considere os sistemas que podem ser escritos como ¨

q = f (q, ˙q) + G(q)u (2.2)

em queq ∈ Rn ´e o vetor de coordenadas generalizadas,f : R2n → Rn ´e o campo vetorial representando a dinˆamica do sistema,G : Rn → Rn×m ´e a matriz de coeficientes que

multi-plicam as entradas eu ∈ Rm ´e o vetor de entradas de forc¸as generalizadas. Considere que o n´umero de graus de liberdade ´e igual an. O sistema (2.2) ´e dito subatuado se as forc¸as

gene-ralizadas n˜ao conseguem produzir acelerac¸˜oes instantˆaneas em todas as direc¸˜oes do espac¸o de configurac¸˜ao, ou seja, se rank(G(q)) < n.

(29)

2.1.3

Cinem´atica de corpos r´ıgidos

SejamI e B dois sistemas de coordenadas que se relacionam atrav´es de uma matriz de rotac¸˜ao IBR , que ´e func¸˜ao de um ˆangulo de orientac¸˜ao γ.

A notac¸˜aoBu ser´a utilizada para enfatizar que o vetor u est´a representado no sistema de coordenadasB, desta forma, uma matriz de rotac¸˜ao IBR ´e aquela que ao multiplicar Bu altera a representac¸˜ao do vetor Bu do sistema de coordenadas B para o sistema I, ou seja:

I

u = IBR B

u.

Analogamente B

IR altera a representac¸˜ao do vetor Iu do sistema de coordenadas I para o sistemaB.

As matrizes de rotac¸˜ao pertencem a um conjunto denominado SO(3), do inglˆes,

Special Orthogonal Matrices. Os elementos do conjuntoSO(3) possuem as seguintes proprie-dades: 1. Ortogonalidade: I BR ⊤ = I BR −1 = B IR 2. Determinante unit´ario: det(I BR ) = 1 ´

E poss´ıvel determinar as matrizes de rotac¸˜ao em torno dos eixos ortogonaisx, y e z do espac¸o Euclidiano. Essas matrizes de rotac¸˜ao s˜ao chamadas matrizes de rotac¸˜ao elementares e ser˜ao denotadas como R(·, ·), onde o primeiro argumento denota o ˆangulo de rotac¸˜ao e o segundo denota o eixo de rotac¸˜ao. Por exemplo, quandoγ representar um ˆangulo de rotac¸˜ao em torno do eixox, a matriz de rotac¸˜ao elementar ser´a dada por

R(γ, x) =      1 0 0 0 cos γ − sin γ 0 sin γ cos γ     

Analogamente, para os eixosy e z tem-se:

R(γ, y) =      cos γ 0 sin γ 0 1 0 − sin γ 0 cos γ      e R(γ, z) =      cos γ − sin γ 0 sin γ cos γ 0 0 0 1     

(30)

´

E poss´ıvel representar qualquer rotac¸˜ao em um espac¸o tri-dimensional utilizando trˆes matrizes de rotac¸˜ao elementares. Sejaα = [φ, θ, ψ]⊤ um vetor de ˆangulos de rotac¸˜ao, a matriz de rotac¸˜ao IBR , entre um par de referenciais B e I no espac¸o tri-dimensional, pode ser escrita como a multiplicac¸˜ao entre trˆes matrizes de rotac¸˜ao elementares, ou seja

I BR(α) = I iR(φ) i jR(θ) j BR(ψ) (2.3)

ondei e j s˜ao referenciais intermedi´arios. A ´unica regra para a escolha dos eixos de rotac¸˜ao para as matrizes IiR(φ) , i

jR(θ) e j

BR(ψ) ´e que o eixo de rotac¸˜ao da matriz de rotac¸˜ao elementar intermedi´aria, neste caso i

jR(θ) , deve ser diferente dos eixos das demais matrizes.

Embora possam existir diversas combinac¸˜oes para os eixos de rotac¸˜ao das matrizes de rotac¸˜ao elementares, algumas s˜ao mais utilizadas que as outras. Os exemplos a seguir mos-tram duas matrizes de rotac¸˜ao muito utilizadas, resultantes de diferentes escolhas de eixos de rotac¸˜ao.

Exemplo 2.5 ( ˆAngulos de Euler). A seguinte sequˆencia de rotac¸˜oes elementares ´e utilizada

para definir a matriz de rotac¸˜ao por ˆangulos de Euler:

1. Uma rotac¸˜aoφ em torno do eixo z do referencial I, resultando no referencial i; 2. Uma rotac¸˜aoθ em torno do eixo x do referencial i, resultando no referencial j;

3. Uma rotac¸˜aoψ em torno do eixo z do referencial j, resultando no referencial B. Desta forma, a matriz resultante ´e dada por

I BR = IiR(φ, z)ijR(θ, x) j BR(ψ, z) I BR =     

cos φ cos ψ − sin φ cos θ sin ψ − cos φ sin ψ − sin φ cos θ cos ψ sin φ sin θ sin φ cos ψ + cos φ cos θ sin ψ − sin φ sin ψ + cos φ cos θ cos ψ − cos φ sin θ

sin θ sin ψ sin θ cos ψ cos θ

    

Exemplo 2.6 ( ˆAngulos de Cardan). A seguinte sequˆencia de rotac¸˜oes elementares ´e utilizada

para definir a matriz de rotac¸˜ao por ˆangulos de Cardan:

1. Uma rotac¸˜aoφ em torno do eixo x do referencial I, resultando no referencial i; 2. Uma rotac¸˜aoθ em torno do eixo y do referencial i, resultando no referencial j;

(31)

Desta forma, a matriz resultante ´e dada por I BR = I iR(φ, x) i jR(θ, y) j BR(ψ, z) I BR =     

cos ψ cos θ − sin ψ cos θ sin θ

sin ψ cos φ + cos ψ sin θ sin φ cos ψ cos φ − sin ψ sin θ sin φ − cos θ sin φ sin ψ sin φ − cos ψ sin θ cos φ sin φ cos ψ + sin ψ sin θ cos φ cos θ cos φ

    

Dois referenciais n˜ao necessariamente precisam estar parados um em relac¸˜ao ao outro. Eles podem possuir um movimento de rotac¸˜ao relativo entre si fazendo com que a matriz de rotac¸˜aoR entre dois referenciais n˜ao seja constante.

Em cinem´atica de corpos r´ıgidos, ´e comum a utilizac¸˜ao de um par de referenciais, sendo um referencial inercial e um referencial fixo no corpo r´ıgido, para descrever o movimento do corpo. SejaB um referencial fixo em um corpo r´ıgido, I um referencial inercial e R = IBR a matriz de rotac¸˜ao que transforma um vetor representado emB para I. A matriz anti-sim´etrica S(Iω) do vetor de velocidade angular Iω = [Iω

x,Iωy,Iωz]⊤do corpo r´ıgido, representado no referencialI, ´e definida como

S(Iω) :=      0 Iω z Iωy Iω z 0 −Iωx −Iω y Iωx 0     

Pode-se mostrar queS(Iω) = ˙RR. ´E poss´ıvel definir a matriz anti-sim´etricaS(Bω) do vetor de velocidade angular Bω = [Bω

x,Bωy,Bωz]⊤ de maneira an´aloga, sendo poss´ıvel mostrar tamb´em que

S(Bω) = RR˙ (2.4)

O vetor de velocidade angular de rotac¸˜ao de um corpo r´ıgido ω = [ωx, ωy, ωz]⊤ pode ser relacionado com as derivadas dos ˆangulos de orientac¸˜ao ˙α atrav´es da matriz jacobiana de rotac¸˜aoJ, func¸˜ao dos ˆangulos de orientac¸˜ao α. A matriz jacobiana ´e definida como

J(α) := ∂ω ∂ ˙α Ent˜ao pode-se mostrar queω = J(α) ˙α.

Se a matriz jacobiana for invers´ıvel, ´e poss´ıvel obter a taxa de variac¸˜ao dos ˆangulos de orientac¸˜ao ˙α a partir do vetor velocidade de rotac¸˜ao ω, ou seja

(32)

Sabe-se que, para um conjunto de ˆangulos denominados ˆangulos cr´ıticosαcrit, o jacobiano n˜ao possui inversa. Quando a orientac¸˜ao de um corpo r´ıgido ´e igual a αcrit, ´e dito que ele est´a em configurac¸˜ao de travamento girosc´opico (do inglˆes gimbal lock). Essa configurac¸˜ao ocorre sempre que o ˆangulo da segunda rotac¸˜ao da equac¸˜ao (2.3), neste caso o ˆanguloθ, ´e tal que alinha o eixo da primeira rotac¸˜ao com o da terceira.

A matriz jacobiana pode ser definida para representar o vetorω no referencial I, ou seja

Iω = J

I ˙α

como tamb´em pode ser definida de tal forma a representar o vetorω no referencial B, de tal forma que

B

ω = JB ˙α (2.5)

ondeJI = RJB.

Os exemplos a seguir mostram os Jacobianos para os ˆangulos de Euler e Cardan e seus ˆangulos cr´ıticos.

Exemplo 2.7 (Jacobianos para ˆangulos de Euler).

JI =     

0 cos φ sin φ sin θ 0 sin φ − cos φ sin θ

1 0 cos θ      ; JB =     

sin ψ sin θ cos ψ 0 cos ψ sin θ − sin ψ 0

cos θ 0 1     

O determinante das matrizes jacobianas para os ˆangulos de Euler ´e dado por

det(JI) = det(JB) = − sin θ

Dessa forma, os ˆangulos cr´ıticos para os jacobianos dos ˆangulos de Euler s˜ao:

θcrit = kπ, ∀k ∈ Z Exemplo 2.8 (Jacobianos para ˆangulos de Cardan).

JI =      1 0 sin θ

0 cos φ − sin φ cos θ 0 sin φ cos φ cos θ

     ; JB =     

cos ψ cos θ sin ψ 0 − cos θ sin ψ cos ψ 0

sin θ 0 1     

O determinante das matrizes jacobianas para os ˆangulos de Cardan ´e dado por

det(JI) = det(JB) = cos θ

Dessa forma, os ˆangulos cr´ıticos para os jacobianos dos ˆangulos de Cardan s˜ao:

θcrit= π

(33)

2.1.4

Equac¸˜oes de Newton-Euler

Considere um corpo r´ıgido de massam cujo centro de massa est´a a uma distˆancia p da origem de um sistema de coordenadas inercial I. Esse corpo est´a sujeito a um conjunto de forc¸as externas cujo somat´orio ´e igual af . Pela segunda lei de Newton para corpos r´ıgidos, estando os vetoresf e p representados no referencial I, tem-se:

mIp =¨ If (2.6)

A equac¸˜ao que descreve o movimento angular de um corpo r´ıgido sujeito a momen-tos angulares externos ´e conhecida como equac¸˜ao de Euler. Considere queB ´e um referencial local, fixo no corpo r´ıgido, cuja origem coincide com o centro de massa do corpo. Sejaω a ve-locidade angular de um corpo,I seu tensor de in´ercia, calculado em relac¸˜ao a B e considerado constante, eτ o somat´orio dos momentos aplicados ao corpo. Pela equac¸˜ao de Euler, estando todos representados no referencialB, tem-se:

IB˙ω + S(Bω)IBω = Bτ (2.7)

Equivalentemente, notando queS(Bω)IBω = B

ω × (IBω), a equac¸˜ao de Euler tamb´em pode ser escrita como

IB˙ω + B

ω × (IBω) = Bτ

As equac¸˜oes (2.6) e (2.7) s˜ao conhecidas como equac¸˜oes de Newton-Euler (Gre-enwood, 2003) e s˜ao utilizadas para descrever o movimento de um corpo r´ıgido.

2.2

Modelo dinˆamico de um quadric´optero

2.2.1

Quadric´optero sem perturbac¸ ˜oes

Um quadric´optero ´e um ve´ıculo a´ereo constitu´ıdo de quatro rotores paralelos fixados perpendicularmente a uma plataforma em forma de cruz. Rotores que se encontram em lados opostos da plataforma giram no mesmo sentido, sendo que um par gira no sentido hor´ario e outro par gira no sentido anti-hor´ario. A Figura 2.1 mostra um quadric´optero convencional.

(34)

Figura 2.1: Quadric´optero.

Antes de iniciar o processo de derivac¸˜ao das equac¸˜oes de movimento de um qua-dric´optero, ´e necess´ario fazer algumas considerac¸˜oes a respeito do modelo. O quadric´optero ser´a considerado como sendo um corpo r´ıgido de estrutura sim´etrica, com atuadores idˆenticos, em que cada atuador produz uma forc¸a de empuxo e um torque associado na mesma direc¸˜ao. Efeitos de in´ercia dos rotores e das h´elices s˜ao desprez´ıveis, assim como as perturbac¸˜oes exter-nas.

Para se derivar as equac¸˜oes de movimento, ser˜ao utilizados dois referenciais distin-tos, sendo um referencial inercialI e um referencial local fixo na estrutura do quadric´optero B. Ser´a utilizada a nomenclatura I = {O; x, y, z} para indicar que o referencial I, cuja origem ´e localizada emO, ´e composto pelos vetores unit´arios ortogonais x, y e z. Analogamente, o referencial local ´e definido por B = {O1; x1, y1, z1}. A Figura 2.2 apresenta o diagrama de corpo livre de um quadric´optero e os referenciaisI e B. O vetor p representa a distˆancia entre as origensO e O1,l ´e a distˆancia de um rotor ao centro do quadric´optero O1, que ser´a chamada de meia envergadura,m ´e a massa do quadric´optero e g ´e a acelerac¸˜ao da gravidade. A matriz de rotac¸˜ao IBR transforma um vetor descrito no referencial B para o referencial I. Essa matriz ´e func¸˜ao dos ˆangulos de orientac¸˜aoα = [φ, θ, ψ]⊤.

Como ´e poss´ıvel observar na Figura 2.2, cada rotori ∈ {1, 2, 3, 4} produz uma forc¸a de empuxo de magnitudefie um torque associado de magnitudeτina direc¸˜aoz1do referencial B. As magnitudes das forc¸as de empuxo fi e dos torques associadosτi s˜ao proporcionais ao quadrado das velocidades de rotac¸˜ao de cada h´elice (Mahony et al., 2012), como descrevem as equac¸˜oes a seguir:

(35)

O x y z I B x1 y1 z1 O1 l τ1 τ2 τ3 τ4 f1 f2 f3 f4 mg p

Figura 2.2: Diagrama de corpo livre.

ondeb ´e o coeficiente de empuxo, d ´e o coeficiente de arrasto das h´elices e Ωi ´e a velocidade angular de rotac¸˜ao da h´elicei.

Como todas as forc¸as de empuxo e todos os torques associados atuam na mesma direc¸˜ao, ´e poss´ıvel transformar as quatro forc¸as de empuxofi em uma forc¸a de empuxo resul-tanteρ e os quatro torques τiem um torque resultanteτz onde:

ρ = f1+ f2+ f3+ f4 (2.9)

τz = −τ1 + τ2− τ3 + τ4 (2.10)

As forc¸as de empuxo, por atuarem nas extremidades do quadric´optero, geram tor-quesτx eτy nas direc¸˜oes x1 ey1 respectivamente. Esses torques s˜ao representados pelas se-guintes equac¸˜oes:

τx = l(f4− f2) (2.11)

τy = l(f3− f1) (2.12)

Substituindo (2.8) em (2.9)-(2.12) e representando a equac¸˜ao resultante na forma matricial, tem-se         ρ τx τy τz         =         b b b b 0 −bl 0 bl −bl 0 bl 0 −d d −d d                 Ω2 1 Ω2 2 Ω2 3 Ω2 4        

A Figura 2.3 representa o diagrama de corpo livre modificado, sendo este o re-sultado das transformac¸˜oes dadas pelas equac¸˜oes (2.9)-(2.12), que transformam as forc¸as de

(36)

O x y z I B x1 y1 z1 O1 l τx τy τz ρ mg p

Figura 2.3: Diagrama de corpo livre modificado.

empuxofi e os momentos associadosτi no empuxo resultanteρ e nos trˆes torques ortogonais τx,τy eτz.

Utilizando a segunda lei de Newton, dada por (2.6), expressa no referencial inercial I, sabendo que a forc¸a de empuxo ρ atua na direc¸˜ao z1 e a forc¸a gravitacional mg atua na direc¸˜aoz, tem-se mI¨ p = −mgIkˆ I + IBR Bkˆ Bρ (2.13)

onde IˆkI = [0, 0, 1]⊤representa o vetor unit´ario na direc¸˜aoz descrito no referencial inercial I e BˆkB = [0, 0, 1]⊤representa o vetor unit´ario na direc¸˜aoz1 descrito no referencial localB.

Pela equac¸˜ao de Euler (2.7) expressa no referencial localB, tem-se

IB˙ω + S(Bω)IBω = Bτ .

onde Bτ = [τx, τy, τz]⊤ eI = diag(Ixx, Iyy, Izz) ´e a matriz diagonal contendo os momentos de in´erciaIxx,Iyy eIzz, que representam os momentos de in´ercia nos eixosx1,y1 ez1 respectiva-mente. Utilizando as equac¸˜oes (2.4) e (2.5), a equac¸˜ao acima pode ser reescrita como:

IJBBα = −(¨ IBR ⊤ I

BR IJ˙ B + I ˙JB)B˙α + Bτ (2.14) Para simplificar, os referenciais ser˜ao omitidos das equac¸˜oes (2.13) e (2.14), ou seja, R = I

BR , ˆk = IkˆI = BˆkB, p = Ip, α = Bα, J = JB eτ = Bτ , resultando nas equac¸˜oes de movimento dadas por

p = −mgˆk + Rˆkρ (2.15)

(37)

As equac¸˜oes de movimento (2.15) e (2.16) podem ser escritas na forma de estados. Sejax = [x⊤

1, x⊤2, x⊤3, x⊤4]⊤um vetor de estados onde

x1 = p ∈ R3, x2 = ˙p ∈ R3, x3 = α ∈ R3, x4 = ˙α ∈ R3 (2.17)

O modelo de estados de um quadric´optero, dividido em dinˆamica de translac¸˜ao e dinˆamica de rotac¸˜ao, ´e dado por

˙x1 = x2 ˙x2 = −gˆk + m−1Rˆkρ    Dinˆamica de translac¸˜ao ˙x3 = x4

˙x4 = −(IJ)−1(R⊤RIJ + I ˙˙ J)x4 + (IJ)−1τ    Dinˆamica de rotac¸˜ao ou na forma matricial ˙x = f (x) + G1(x)u (2.18) onde f (x) =         x2 −gˆk x4 −(IJ)−1(RRIJ + I ˙˙ J)x 4         , u =   ρ τ  , G1(x) =         03×1 03×3 m−1k 0 3×3 03×1 03×3 03×1 (IJ)−1         ´

E importante enfatizar que as matrizesR, ˙R, J e ˙J s˜ao func¸˜oes dos estados, ou seja

R = R(x3), R = ˙˙ R(x3, x4), J = J(x3), J = ˙˙ J(x3, x4)

Para entender um pouco sobre o comportamento dinˆamico de um quadric´optero, ´e necess´ario que se fac¸a uma an´alise de pontos de equil´ıbrio. Os pontos de equil´ıbrio da dinˆamica de um quadric´optero s˜ao todos os pontosx∗ eutais que ˙x = 0. Esses pontos de equil´ıbrio s˜ao encontrados a partir da equac¸˜ao

f (x∗

) = −G1(x∗)u∗ (2.19)

(38)

Alguns componentes de x∗ e upodem ser encontrados fazendo-se uma an´alise r´apida de (2.19). Note que, pela estrutura da matrizG1 e do vetorf1, pode-se afirmar direta-mente quex∗

2 = 0 e x∗4 = 0. Note tamb´em que, se x∗4 = 0, ent˜ao o ´ultimo bloco de elementos do vetorf (x∗) ´e nulo. Com isso, pode-se afirmar que

(IJ(x∗3))−1τ∗ = 0

Como(IJ(x3))−1 6= 0, ∀x3 ∈ R3, ent˜ao a ´unica soluc¸˜ao poss´ıvel ´eτ∗ = 0.

Sabendo que (2.19) ´e completamente independente dex1, isto ´e,f (x) e G1(x) n˜ao s˜ao func¸˜oes dex1, ent˜aox∗1 pode assumir qualquer valor no R3. Por fim, x∗3 eρ∗ s˜ao resultado da equac¸˜ao

mgˆk = R(x∗

3)ˆkρ∗ (2.20)

ComoR(x3)ˆk ´e a ´ultima coluna da matriz de rotac¸˜ao R, que ´e uma matriz ortogonal, ent˜aoR(x3)ˆk ´e um vetor unit´ario para qualquer x3 ∈ R3. Portanto, o lado direito de (2.20) ´e constitu´ıdo por um vetor de magnitude ρ∗ e direc¸˜ao R(x

3)ˆk, enquanto o lado esquerdo da equac¸˜ao ´e constitu´ıdo por um vetor de magnitudemg e direc¸˜ao ˆk. Assim, as soluc¸˜oes de (2.20) s˜ao dadas por

   ρ∗ = mg R(x∗3)ˆk = ˆk ou    ρ∗ = −mg R(x∗3k = −ˆk Portanto existem dois poss´ıveis conjuntos de soluc¸˜oes paraρ∗ex

3. Sendo assim, os pontos de equil´ıbriox∗eupodem ser divididos em duas configurac¸˜oes descritas a seguir:

• Um quadric´optero operando no ponto de equil´ıbrio x = x∗ e u = ucom ρ= mg e R(x∗

3)ˆk = ˆk ´e dito que est´a pairando (do inglˆes, hovering). Essa ´e a configurac¸˜ao mais importante em um quadric´optero por dois motivos, primeiro porque ´e desejado que um quadric´optero inicie e termine qualquer manobra pairando, e segundo porque, com excec¸˜ao de manobras muito agressivas, um quadric´optero vai operar a maior parte do tempo pr´oximo a essa configurac¸˜ao.

• Um quadric´optero operando no ponto de equil´ıbrio x = x∗ eu = ucomρ

= −mg e R(x∗

3)ˆk = −ˆk ´e dito que est´a pairando invertido (do inglˆes, hovering upside down). So-mente quadric´opteros com h´elices com ˆangulo de ataque vari´avel conseguem permanecer nessa posic¸˜ao (Cutler e How, 2015).

Note que em momento algum a matriz de rotac¸˜aoR (e consequentemente o jacobi-anoJ) foi efetivamente definida durante o levantamento das equac¸˜oes de movimento. Isso se

(39)

deve ao fato de que qualquer matriz de rotac¸˜aoR ∈ SO(3) pode ser utilizada para se definir as equac¸˜oes de movimento de um quadric´optero. Contudo, para se poder encontrar efetivamente x∗

3, ´e necess´ario que a matriz de rotac¸˜aoR seja definida. Como existem in´umeras possibilidades para a escolha deR, aqui ser˜ao utilizadas as matrizes de rotac¸˜ao apresentadas nos exemplos 2.5 e 2.6, que s˜ao os ˆangulos de Euler e os ˆangulos de Cardan. Dentre essas duas poss´ıveis matrizes de rotac¸˜ao, a mais apropriada para ser utilizada no modelo dinˆamico de um quadric´optero ´e a matriz de rotac¸˜ao por ˆangulos de Cardan. Para explicar o porque da escolha da matriz por ˆangulos de Cardan, foram definidas duas condic¸˜oes para a escolha da matriz de rotac¸˜ao mais apropriada para o modelo dinˆamico:

1. ProdutoR(x3)ˆk func¸˜ao apenas de φ e θ:

Essa condic¸˜ao consiste em selecionar matrizes de rotac¸˜ao cuja ´ultima coluna, represen-tada pelo produto R(x3)ˆk, seja func¸˜ao apenas dos ˆangulos φ (representando o ˆangulo de roll) eθ (representando o ˆangulo de pitch) do vetor de ˆangulos de orientac¸˜ao α. Essa condic¸˜ao permite escolher matrizes de rotac¸˜aoR(x3), para o modelo dinˆamico, que fac¸am com que a dinˆamica de translac¸˜ao n˜ao dependa deψ (ˆangulo de yaw). Como pode-se ob-servar, tanto a matriz por ˆangulos de Euler quanto por ˆangulos de Cardan obedecem a esse crit´erio.

2. JacobianoJ(x3) n˜ao singular em x∗3:

Como tanto o campo vetorialf (x) quanto a matriz G1(x) do modelo de estados (2.18) possuem termos contendoJ(x3)−1, ´e necess´ario que o quadric´optero opere longe de pon-tos de singularidade do Jacobiano. Sabe-se que os ponpon-tos de equil´ıbrio definidos porx∗ 3 s˜ao pontos muito importantes de operac¸˜ao, uma vez que um quadric´optero operar´a fre-quentemente pr´oximo a eles, logo, ´e conveniente queJ(x∗

3)−1exista. Escolher a matriz de rotac¸˜aoR por ˆangulos de Euler faz com que x∗

3 = 0 seja um ponto de equil´ıbrio e, nesse ponto de equil´ıbrio, o jacobianoJ(x∗

3) n˜ao ´e invers´ıvel, como pode ser visto no exemplo 2.7. EscolherR por ˆangulos de Cardan tamb´em resulta em um ponto de equil´ıbrio em x∗

3 = 0, por´em o jacobiano J(x∗3) ´e invers´ıvel, como pode ser visto no exemplo 2.8. Uma vez que a matrizR, por ˆangulos de Cardan, foi escolhida, o conjunto de pontos

(40)

de equil´ıbriox∗

3 ´e, ent˜ao, dado por

x∗3 =      φ∗ = 0 + k φπ θ∗ = 0 + k θπ ψ∗ ∈ R      ´

E importante notar que um quadric´optero pode estar em sua posic¸˜ao de equil´ıbrio independentemente da posic¸˜ao de seu centro de massap = x1 ou da sua orientac¸˜ao em yawψ. Ou seja, como foi mostrado anteriormente, tem-se que

p∗ = x

1 ∈ R3, ψ∗ ∈ R

2.2.2

Quadric´optero sujeito a perturbac¸ ˜oes

Durante o desenvolvimento das equac¸˜oes de movimento (2.15) e (2.16), foi descon-siderada a presenc¸a de perturbac¸˜oes que podem afetar a dinˆamica do sistema. Esta sec¸˜ao tratar´a de incluir o efeito de perturbac¸˜oes na dinˆamica do quadric´optero. Para isso, ser´a adicionado um termo extra a cada uma das equac¸˜oes de movimento, representando entradas de perturbac¸˜ao. Para a dinˆamica de translac¸˜ao, esse termo adicional pode representar, por exemplo, forc¸as pro-venientes de dist´urbios ex´ogenos ou efeitos dinˆamicos n˜ao modelados, e para a dinˆamica de rotac¸˜ao, esse termo pode representar torques provenientes de dist´urbios ex´ogenos ou tamb´em efeitos dinˆamicos n˜ao modelados.

Considerando que δp e δα s˜ao termos de perturbac¸˜ao na dinˆamica de translac¸˜ao e rotac¸˜ao, respectivamente, o modelo dinˆamico do quadric´optero passa a ser:

p = −mgˆk + Rˆkρ + δp (2.21)

IJ ¨α = −(R⊤RIJ + I ˙˙ J) ˙α + τ + δα (2.22)

em queδp eδα s˜ao perturbac¸˜oes na dinˆamica de translac¸˜ao e rotac¸˜ao respectivamente. Essas perturbac¸˜oes podem ser func¸˜oes tanto dos estados quanto de um sinal ex´ogeno, como segue

δp = δp(p, ˙p, α, ˙α, dp(t)) δα = δα(p, ˙p, α, ˙α, dα(t))

Os sinais ex´ogenosdp(t) e dα(t) s˜ao considerados func¸˜oes cont´ınuas que dependem apenas do tempo.

(41)

Em geral, a maior fonte de dist´urbio ex´ogeno que atua em um quadric´optero ´e proveniente de rajadas de ventos, que atuam de maneira muito mais significativa na dinˆamica de translac¸˜ao do que na dinˆamica de rotac¸˜ao, ou seja, ´e de se esperar que os dist´urbios ex´ogenos de translac¸˜aodp(t) sejam significativamente maiores do que os de rotac¸˜ao dα(t).

´

E poss´ıvel modelar algumas perturbac¸˜oes utilizando conceitos f´ısicos b´asicos. A seguir ´e apresentado, apenas como exemplo, a modelagem de dois fenˆomenos que podem causar perturbac¸˜oes na dinˆamica de voo de um quadric´optero. S˜ao eles o efeito girosc´opico da rotac¸˜ao do conjunto h´elice-rotor e o arrasto aerodinˆamico.

Exemplo 2.9 (Efeito girosc´opico do conjunto h´elice-rotor). Foi considerado, durante o

desen-volvimento das equac¸˜oes de movimento (2.15) e (2.16), que os efeitos de in´ercia dos rotores e h´elices s˜ao desprez´ıveis. Essa considerac¸˜ao foi feita baseada na premissa de que a in´ercia do conjunto h´elice-rotor ´e muito menor que a in´ercia de toda a estrutura do quadric´optero. Por´em, por maior que seja a diferenc¸a de massa entre a estrutura do quadric´optero e o conjunto h´elice-rotor, um quadric´optero real sempre estar´a sujeito a efeitos girosc´opicos causados pela in´ercia de seu rotores e, dependendo da diferenc¸a de massa, esses efeitos girosc´opicos poder˜ao afetar de forma mais, ou menos, significativa a dinˆamica de voo de um quadric´optero.

O efeito girosc´opico causado pela rotac¸˜ao de uma das h´elices pode ser modelado pela equac¸˜ao a seguir

B

Mi = (−1)iIrS(Bω)(Ωiˆk)

em que BM

i ´e o momento gerado pelo rotori, representado no referencial B, Ir ´e o momento

de in´ercia do conjunto h´elice-rotor em relac¸˜ao ao seu eixo de rotac¸˜ao eΩi ´e a velocidade de

rotac¸˜ao do rotori (Bouabdallah, 2007). Somando os momentos gerados pelo efeito girosc´opico

de cada h´elice e lembrando queS(Bω) = RR, a perturbac¸˜ao gerada pelo efeito girosc´opico˙

dos rotores ´e dada por

δα = 4 X i=1 B Mi = −IrΩR⊤Rˆ˙k em queΩ := Ω1− Ω2+ Ω3− Ω4.

Quando um quadric´optero est´a pairando, as velocidades de rotac¸˜ao de cada h´elice

Ωis˜ao iguais e, sabendo que na maior parte do tempo um quadric´optero opera pr´oximo de estar

pairando, as velocidades angularesΩiadmitem valores aproximadamente iguais. Logo,Ω ≈ 0

na maior parte do tempo. Aliando isso ao fato de queIr ≪ I, ´e comum desconsiderar o efeito

(42)

Exemplo 2.10 (Arrasto aerodinˆamico). Um dos fenˆomenos que mais afetam a dinˆamica de voo

do quadric´optero, especialmente para voos outdoor, ´e o arrasto aerodinˆamico, que ´e func¸˜ao da diferenc¸a de velocidade entre o quadric´optero e o ar. Considerando que a forc¸a de arrasto aerodinˆamico ´e proveniente de um amortecimento viscoso, tem-se

B

F = −CBv

em queC ´e uma matriz diagonal de coeficientes de amortecimento viscoso e Bv ´e a diferenc¸a

de velocidade do corpo em relac¸˜ao ao ar representada no referencialB. ´E importante ressaltar que esta f´ormula ´e v´alida para o referencial localB fixo no corpo r´ıgido.

Sabendo que, para o quadric´optero, Bv = R⊤

( ˙p − vair) onde vair ´e o vetor de

velocidade do ar representado no referencial inercial, ´e poss´ıvel descrever a forc¸a de arrasto aerodinˆamico no referencial inercial como

δp = RBF = −RCR⊤( ˙p − vair) (2.23)

em queC = diag(cx, cy, cz) ´e a matriz de coeficientes de amortecimento.

´

E importante fazer algumas observac¸˜oes a respeito da equac¸˜ao do arrasto aero-dinˆamico (2.23). Primeiro, essa f´ormula considera que a diferenc¸a de velocidades v entre o

quadric´optero e o ar ´e pequena. Para diferenc¸as de velocidade significantes, o arrasto aero-dinˆamico se torna proporcional `av2. Segundo, a matriz de coeficientes de amortecimentoC,

que depende da densidade e viscosidade do ar, varia com a altitude do quadric´optero, portanto n˜ao ´e constante a princ´ıpio.

As equac¸˜oes de movimento de um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes (2.21) e (2.22) podem, tamb´em, ser escritas na forma de estados. Utilizando as vari´aveis de estados definidas por (2.17), o modelo de estados de um quadric´optero sujeito a perturbac¸˜oes, dividido em dinˆamica de translac¸˜ao e dinˆamica de rotac¸˜ao, ´e dado por

˙x1 = x2 ˙x2 = −gˆk + m−1Rˆkρ + m−1δp    Dinˆamica de translac¸˜ao ˙x3 = x4

˙x4 = −(IJ)−1(R⊤RIJ + I ˙˙ J)x4+ (IJ)−1τ + (IJ)−1δα    Dinˆamica de rotac¸˜ao (2.24) ´

E poss´ıvel tamb´em escrever o modelo de estados do sistema como

(43)

em quef (x) e G1(x) s˜ao os mesmos apresentados em (2.18) e G2(x) e δ(t) s˜ao dados por: G2(x) =         03×1 03×3 m−11 3×1 03×3 03×1 03×3 03×1 (IJ)−1         , δ(t) =   δp δα  

(44)

3 T ´

ECNICAS DE CONTROLE N ˜

AO LINEAR

Este cap´ıtulo apresenta uma breve introduc¸˜ao te´orica sobre as t´ecnicas de controle n˜ao lineare feedback linearization, apresentado na Sec¸˜ao 3.1, e sliding mode, apresentado na Sec¸˜ao 3.2, que foram utilizadas neste trabalho.

3.1

Feedback Linearization

Feedback linearization´e uma t´ecnica de controle cuja ideia principal ´e transformar a dinˆamica de um sistema n˜ao linear em um sistema linear, para que t´ecnicas de controle linear possam ser aplicadas. Diferentemente da linearizac¸˜ao por s´erie de Taylor, o feedback

lineari-zationse utiliza de dois artif´ıcios distintos, primeiro uma realimentac¸˜ao completa de estados e segundo uma transformac¸˜ao alg´ebrica de estados, para gerar uma lei de controle n˜ao linear que neutralize as n˜ao linearidades da dinˆamica de um sistema n˜ao linear fazendo com que o sistema em malha fechada seja linear.

Como exemplo, considere o sistema n˜ao linear de segunda ordem dado por

¨

q = f (q, ˙q) + G(q)u (3.1)

em queq ∈ Rn eu ∈ Rn. Uma lei de controle que lineariza esse sistema, considerando que G(q) possui inversa, ´e dada por

u = G(q)−1(v − f(q, ˙q)) (3.2)

em quev ∈ Rn ´e um novo vetor de entradas. Como pode-se observar, a lei de controle (3.2) neutraliza os termos n˜ao lineares do sistema (3.1), tornando-o linear. Dessa forma o sistema linearizado passa a ser

¨ q = v

Assim, basta projetar a nova lei de controle linearv de forma a garantir a estabilidade e desem-penho do sistema linear.

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