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A Favelização e a Segregação Sócio Espacial

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Academic year: 2021

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A Favelização e a

Segregação

Sócio

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A cidade: centro e periferia

A cidade é a mais profunda e radical intervenção humana

sobre a superfície do planeta.

A ocupação, o fluxo e os usos do espaço geográfico determinam a

valorização

ou a desvalorização das diferentes localizações. Pode ser resultado de uma

aglomeração espontânea, como a vila de São Paulo

de Piratininga.

Pode ser planejada, como Belo Horizonte, inaugurada em 12 de dezembro de 1897, para substituir

Ouro Preto.

Atributos paisagísticos e climáticos das áreas elevadas

serviram de berço para bairros residenciais sofisticados.

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Segundo o minidicionário da língua portuguesa, favela quer dizer “conjunto de casebres desprovidos de recursos higiênicos” (Olinto, 2001).

Imagem: Favela dos Trilhos - 2009 – Goiânia / autor: Cauan Kaizen / Creative Commons Atribuição-Partilha nos Termos da Mesma Licença 3.0 Unported

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A ORIGEM DA PALAVRA FAVELA

A palavra favela, que consagrou as habitações da periferia do Rio de Janeiro e, depois, de todo Brasil, tem sua origem numa planta da caatinga existente no Arraial de Canudos. A origem do termo se encontra no episódio histórico conhecido por Guerra de Canudos. A cidadela de Canudos foi construída junto a alguns morros, entre eles o Morro da Favela, assim batizado em virtude de uma planta (chamada de favela) que encobria a região. Alguns dos soldados que foram para a guerra, ao regressarem ao Rio de Janeiro em 1897, deixaram de receber o soldo, instalando-se em construções provisórias erguidas sobre o Morro da Providência. O local passou então a ser designado popularmente Morro da Favela, em referência à “favela” original. O nome favela ficou conhecido na década de 1920, as habitações improvisadas, sem infraestrutura, que ocupavam os morros passaram a ser chamadas de favelas. Com a destruição do arraial de resistência de Antônio Conselheiro, em Canudos, muitos dos beatos migraram para o Rio de Janeiro em navios oferecidos pelo poder público, como forma de desativar o foco de resistência.

SANTOS, I. M. M. dos. Sobre o Nordeste. Disponível em:

http://www.onordeste.com/onordeste/sobreonordeste/index.php

Data de acesso: 23.05.12

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OUTRA VERSÃO PARA A ORIGEM DAS FAVELAS

Com o declínio do mercado negreiro, ex-escravos e outras

parcelas da população acabaram se fixando em fundos de vale e

encostas de morros, que, por estarem dentro da cidade, ficavam

mais próximos do mercado de trabalho (Campos, 2005).

Im a g e m : Fav e la / a u to r: Fab io P o z z e b o m /A b r / Crea ti v e Com m on s Li c en s e A ttrib uti on 3.0 B raz il

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Favelização cresce 159,6% em dez anos

Aos pés do morro, dois crânios de bode e uma cabeceira de cama fazem a delimitação imaginária do que deveria ser a parte da frente do terreno de Hailton Lopes dos Santos.

Entre os crânios, sua casa – ou o mais próximo que ele conseguiu chegar disso. Homem falante de 55 anos que diz ser líder comunitário, presidente de clube carnavalesco, artista plástico, bonequeiro, técnico em refrigeração e em conserto de eletrodomésticos, ele mora em um cubículo que parece mal se sustentar de pé.

Feito de tábuas de cores e formatos diferentes, mal abriga seu dono e seus quatro companheiros, os cachorros Tobi, Pop, Cenoura e Já Morreu.

Hailton é um dos 349.920 moradores de aglomerados de baixa renda existentes no Recife/PE. Situação de 9,95% dos habitantes de todo o estado e de 6% da população brasileira.

No Recife de 1991, 108.025 pessoas moravam nos chamados aglomerados subnormais, nomenclatura usada para designar favelas, invasões, comunidades de baixa renda, palafitas e outros tipos de assentamentos irregulares. Em 2000, esse número aumentou para 134.790, uma diferença de 24,7%. O boom ocorreu na década que se seguiria, com um crescimento de 159,6 em dez anos.

NOGUEIRA, J. Recife favelizado: falta de planejamento na pauta de 2012. in: Diário de Pernambuco, 22/12/2011. Disponível em: http://blogs.diariodepernambuco.com.br/politica/?tag=favela

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Mas o que impulsiona o surgimento das

favelas?

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FATORES CONDICIONANTES PARA O CRESCIMENTO DAS CIDADES E O

SURGIMENTO DAS FAVELAS

ÊXODO RURAL Mecanização da agricultura Falta de incentivo /apoio ao homem do campo Problemas climáticos (secas, geadas) Falta de infraestrutura no campo (escola, hospitais, etc) FALTA DE PERSPECTIVA CRESCIMENTO DAS CIDADES FALTA DE PLANEJAMENTO SURGIMENTO DAS FAVELAS

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O crescimento acelerado das cidades, quando não é

acompanhado com o devido planejamento, faz surgir

inúmeros problemas. Dentre eles, a favelização.

Im agem : R oc inha F avel a / autor : paul a l e di eu / Cr eati v e C om m ons Atri bui ç ão 2.0 G enér ic a.

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Exclusão social e violência urbana

Pobreza e exclusão expressam ideias diferentes.

Pobreza: falta de acesso à

satisfação das necessidades consideradas mínimas para se ter

uma vida digna e adequada na sociedade

em que se vive.

Exclusão social: não está associada à ideia

de pobreza originalmente. Trata-se de um termo que surgiu na luta de segmentos da sociedade francesa contra a injustiça social

ou contra a falta de igualdade plena de direitos.

O aumento da pobreza implica reforço desse processo, uma vez que os direitos do cidadão não estão garantidos.

O processo de globalização agrava as diferenças econômicas e sociais. Na busca por lucros crescentes, empresas transnacionais fazem exigências em outros países para que lhes sejam

oferecidos mão de obra, infraestrutura e meios de comunicação mais baratos.

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Exclusão social e violência urbana

Proporção de municípios com incidência de pobreza acima de 50% e índice Gini acima de 40% − Brasil e grandes regiões (2003)

Uma das principais preocupações da população nas grandes metrópoles é a segurança.

A violência é resultado da segmentação

socioespacial e da diferença de renda.

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O planejamento é uma intervenção do Estado

na cidade. Existe para alterar e dirigir a cidade

na forma considerada necessária e desejável

pela sociedade (CLARK, 1990).

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Qual instrumento, no Brasil, que trata da

política urbana e do planejamento urbano?

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A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL E A POLÍTICA URBANA

A Constituição Federal do Brasil, nos Art. 182 e 183, trata da questão da política urbana:

“Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.

§ 1° O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana;

§ A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências

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De acordo com o Art. 182 da Constituição do Brasil, fica claro que a responsabilidade pela política urbana no Brasil é do poder municipal, ou seja, cabe ao município prover meios que tornem a cidade um espaço de convivência melhor. Vale salientar que tal situação é alcançada quando a cidade atende a requisitos básicos que envolvem a sua função social. Dentre esses requisitos, podemos destacar:

• habitação (moradia digna para todos, envolvendo água, luz e saneamento);

• circulação (questão relacionada ao transporte público de qualidade);

• lazer (praças, parques. Afinal, uma pessoa sem lazer é uma pessoa estressada,

fato que poderá gerar violência);

• trabalho (a cidade que não oferece trabalho formal aos seus habitantes sofrerá

com problemas de mendicância, aumento do consumo do álcool e das drogas e, por fim, o aumento da violência).

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PLANO DIRETOR

Documento obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes, devendo

ser aprovado pela câmara municipal, reflete os anseios da sociedade e tem

inciativa do prefeito.

Espera-se que o PLANO DIRETOR aponte meios para o desenvolvimento

economicamente viável , socialmente justo e ambientalmente equilibrado.

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ESTATUTO DA CIDADE

O Estatuto da Cidade (Lei 10.257 de 10 de julho de 2001) regulamenta a

questão da política urbana no Brasil expressa na constituição brasileira, nos

seus Art. 182 e 183. Tem como princípios básicos o planejamento

participativo e a função social da propriedade.

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A PARTICIPAÇÃO POPULAR

A mobilização da sociedade, por meio das associações de moradores de

bairros, dos sindicatos, associações ambientalistas, movimentos estudantis,

de defesa dos direitos humanos e de defesa dos direitos dos consumidores,

poderá auxiliar na modificação da realidade dos grandes centros urbanos,

uma vez que se torna cada vez mais difícil o poder público resolver todos os

problemas que atingem o espaço urbano.

GEOGRAFIA, 7º Ano do Ensino Fundamental

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A URBANIZAÇÃO DAS FAVELAS

Com o intuito de fazer cumprir o que determina a lei e resgatar a cidadania de pessoas que sobrevivem à margem da sociedade, os governos federal, estadual e municipal vêm tentando, por meio de convênios, amenizar a situação de quem vive nas favelas. Para tanto, lançam programas de urbanização desses espaços. Como exemplo, podemos citar a urbanização do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro/RJ, das Comunidades do V8 e V9 em Olinda/PE e a remoção de pessoas que viviam em palafitas na comunidade de Brasília Teimosa, para conjuntos habitacionais, com o posterior ordenamento da orla.

Imagem: Chegando na Estação da Baiana do Teleférico no Complexo do Alemão / autor: ATigre / Creative Commons

Atribuição-Partilha nos Termos da Mesma Licença 3.0 Unported

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PONTOS QUE DEVEM SER DISCUTIDOS ANTES DO

PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DE UMA FAVELA:

• Quais os anseios da comunidade?

• Qual a vocação da comunidade (com o que a comunidade trabalha)?

• Vale a pena relocar a comunidade para uma área distante de seu local de

origem?

• Caso haja a necessidade de relocar a comunidade, esse novo local será

perto do trabalho que a comunidade costumava exercer?

• Se não for possível a comunidade continuar com o mesmo tipo de

trabalho exercido anteriormente, como qualificá-la para um novo

exercício?

Tais repostas serão encontradas com base no diálogo entre comunidade, seus

representantes (associações) e o governo.

(23)

Quem vive nas favelas?

GEOGRAFIA, 7º Ano do Ensino Fundamental

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É comum escutarmos piadas preconceituosas a respeito de quem vive em

favelas. O preconceito, muitas vezes, além do viés social e econômico, vem

encoberto com uma máscara de preconceito racial. Será que são verdades as

afirmativas seguintes?

• Todo mundo que mora na favela é traficante ou ladrão.

• Favelado não tem cultura.

• Favelado é tudo mal educado.

• Só podia ser negro e favelado para fazer o que não presta.

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ASSISTA AO SEGUINTE VIDEO

Vídeo: “A minha alma” – O Rappa. Disponível em:

http://www.youtube.com/watch?v=vF1Ad3hr dzY

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O vídeo “A Minha Alma”, da banda o Rappa, retrata o dia a dia de um grupo

de garotos que são negros, pobres e moram na favela. O grupo, sem muita

pretensão, dirigia-se à praia para divertir-se quando foi abordado por

policiais. Será que, se o grupo tivesse uma outra formação: composto por

garotos brancos, ricos e que morassem num bairro nobre à beira mar, teria

sido tratado da mesma forma?

Referências

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