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(1)UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE. GLAUBER FERREIRA. DESAFIOS REGULATÓRIOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL DIANTE DAS EVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS DAS EMPRESAS FINANCEIRAS "FINTECHS" NO SÉCULO XXI. SÃO PAULO 2018.

(2) GLAUBER FERREIRA. DESAFIOS REGULATÓRIOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL DIANTE DAS EVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS DAS EMPRESAS FINANCEIRAS "FINTECHS" NO SÉCULO XXI. Dissertação apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie para obtenção do Diploma de Mestre Profissional em Economia e Mercados.. Orientadora: Profa. Dra. Roberta Muramatsu. SÃO PAULO 2018.

(3) F383d Ferreira, Glauber Desafios regulatórios do Banco Central do Brasil diante das evoluções tecnológicas das empresas financeiras “fintechs” no século XXI. / Glauber Ferreira. 74 f. ; 30 cm Mestrado (Mestrado profissional em Economia e Mercados) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2018. Orientadora: Profª. Drª Roberta Muramatsu Bibliografia: f. 71-74. 1. Fintechs. 2. Inovação tecnológica. 3. Banco Central do Brasil. 4. Benefícios e riscos. 4. Falhas de mercado. I. Muramatsu, Roberta, orientador. II. Título. CDD 332.6. Bibliotecário Responsável: Aline Amarante Pereira – CRB 8/9549.

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(5) AGRADECIMENTOS. Agradeço a minha orientadora Profa. Dra. Roberta Muramatsu, por ter estado ao meu lado, me aconselhando, me instruindo e sobretudo apoiando nos momentos de dificuldades. Suas orientações e seus conhecimentos foram extremamente importante para a conclusão do trabalho.. Agradeço a todos os mestres que teceram seus conhecimentos e nos possibilitaram aprender um pouco mais através das aulas no curso profissionalizante em Economia e Mercados.. Também agradeço a minha família pela paciência despendida e compreensão pois sem eles o esforço seria em vão e a conclusão deste trabalho não seria possível..

(6) RESUMO. O objetivo do presente trabalho é examinar as ações tomadas pelo órgão regulador do Sistema Financeiro Nacional, o Banco Central do Brasil, diante das inovações tecnológicas que despontam no setor financeiro no século XXI. Para tanto, é feito um diagnóstico sobre os impactos provocados pelas Fintechs no mercado financeiro e as percepções do órgão regulador sobre os fatores positivos e novas fontes de incertezas ou desafios que podem afetar a estabilidade financeira. Diante deste novo cenário que se descortina, este trabalho visa contribuir para a discussão sobre o papel do banco central como a principal autoridade monetária do país tendo como função basilar o papel de regular o sistema financeiro, evitando que as falhas de mercado apareçam com as alterações originadas pelo novo ecossistema financeiro. Com intuito de desvendar os desafios do Banco Central do Brasil diante do movimento disruptivo, elencam-se as ações tomadas pelos órgãos reguladores internacionais e as primeiras atuações tomadas internamente pelo BC diante dos movimentos tecnológicos dos principais centros propagadores de produtos e serviços financeiros através das plataformas eletrônicas de crédito, ou Fintechs de crédito. Conclui-se que nas ações tomadas até o momento, o BC do Brasil vem agindo de forma prudente e conservadora diante deste novo rearranjo pois hoje em dia, este assunto está em tremenda ebulição no mercado financeiro e qualquer movimento regulatório implantado que gere efeitos contrários à melhoria de eficiência, pode acabar inviabilizando as mudanças tecnológicas no setor financeiro e “arranhar” a credibilidade do banco central do Brasil.. Palavras-chave: Fintechs, inovação tecnológica, Banco Central do Brasil, benefícios e riscos, falhas de mercado..

(7) ABSTRACT The focus on the dissertation will be to examine the actions taken by the regulatory body of the National Financial System, the central bank of Brazil in face of the technological innovations that cross the financial sector in the 21st century. To achieve it, a diagnosis is made of the impacts caused by Fintechs in the financial market and the regulator’s perceptions about positive factors and the new sources of uncertainties or challenges that can affect financial stability. Regarding to the new scenario, this paper aims to contribute to the discussion about central bank’s roles which is the main monetary authorities of the country with the function of basing the role of regulating the financial system, avoiding that market failures appear with the changes originated by the new financial ecosystem. In order to unveil the challenges of the Brazilian central bank into the face of the disruptive movement, the actions taken by the international regulatory agencies and the first action taken internally by the central bank’s technological movements of the main centers for the propagation of financial products and services through the platforms electronic credit or named Fintechs Credit. It is concluded that the actions taken so far, BC of Brazil has been acting prudently and conservatively ways regarding to the new rearrangement due to nowadays, this issues are in tremendous boom in the financial market and any regulatory movement created that improved efficiency, could end up some technological changes in the financial sector and "scratching" the credibility of Brazil's central bank.. Key words: Fintechs, technological innovation, Central Bank of Brazil, benefits and risks, market failure..

(8) LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Gráfico 1 - Quantidade de Agências .............................................................................. 53 Gráfico 2 - Percentual de Participação de Ativos, Empréstimos e Depósitos ............... 53 Gráfico 3 - Investimentos em Fintechs no mundo ......................................................... 59. Figura 1 - Utilização do cartão de crédito e contas bancárias ....................................... 54 Figura 2 - Internet e Mobile........................................................................................... 55 Figura 3 - Mapas das Fintechs no Brasil ....................................................................... 58.

(9) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Inovações tecnológicas e as atividades financeiras impactadas ................... 34 Tabela 2 - Volumes de créditos provido pelas Fintechs por País .................................. 40 Tabela 3 - Tipos de plataformas eletrônicas e as características do investidor ............. 42 Tabela 4 - Ações tomadas pelos órgãos reguladores referentes as plataformas de crédito (Fintechs de Crédito) nos principais centros financeiros................................................ 44 Tabela 5 - Número de Fintechs na América Latina........................................................60.

(10) LISTA DE ABREVIATURAS (Em ordem alfabética). AMBA. Medidas Administrativas sobre Atividades de Negócios de Empréstimos na Internet. APIs. Application Programming Interface. APRA. Australian Prudential Regulation Authority. ASIC. Australian Securities and Investments Commission. BCBS. Sound Pratices: Implications of fintech developments for banks and banks supervisors. BCs. Bancos Centrais. BSA. Bank Secrecy Act. CBRC. Comissão Regulatória do Banco da China. CFPB. Consumer Financial Protection Bureau. CIAB. Congresso de Tecnologia da Informação para as instituições financeiras. DFAC. Digital Finance Advisory Commitee. DLT. Distributed Ledger Technology. FCA. Autoridade de Condução Financeira. FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos GOPHD. Guiding Opinions on Promoting the Healthy Development of Internet Finance. PBOC. Banco Popular da China. PMES. Pequenas e Médias Empresas. SEC. U.S. Securities and Exchange Commission. SLB 2.0. Draft Rules of Non-Deposit Lending Institutions.

(11) SUMÁRIO 1.. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 10 1.1.. 2.. PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO .................................................. 12. A TRAJETÓRIA DO BANCO CENTRAL, SEU DESENVOLVIMENTO E AS. FUNÇÕES COMO ORGÃO REGULADOR ............................................................ 14. 3.. 2.1.. CONTEXTO HISTÓRICO: O SURGIMENTO DO BANCO CENTRAL .... 14. 2.2.. APARECIMENTO DO PAPEL DE SUPERVISOR DO BANCO CENTRAL16. 2.3.. CRIAÇÃO DA REGULAÇÃO PRUDENCIAL ............................................. 17. 2.4.. O BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB) .................................................. 18. NOVOS ARRANJOS INSTITUCIONAIS, FINTECHS E SEUS IMPACTOS. NO DESAFÍO AOS BANCOS CENTRAIS ............................................................... 20. 4.. 3.1.. CONTEXTUALIZAÇÃO ............................................................................... 20. 3.2.. FINTECHS ...................................................................................................... 22. 3.3.. BENEFÍCIOS GERADOS COM AS FINTECHS .......................................... 24. 3.4.. RISCOS GERADOS COM AS FINTECHS SOB A ÓTICA DO REGULADOR 27. PRINCIPAIS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS NO SETOR FINANCEIRO-. FINTECHS .................................................................................................................... 34 4.1.. AMBIENTE PROPÍCIO PARA AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS ... 38. 4.2.. FINTECH DE CRÉDITO ................................................................................ 39. 4.3. OS PRINCIPAIS MERCADOS DAS FINTECHS DE CRÉDITO E AS AÇÕES DOS ORGÃOS REGULADORES ............................................................................ 42. 5.. 4.3.1.. REGRAS PARA O AMBIENTE DIGITAL DE CRÉDITO ................... 45. 4.3.2.. PROTEÇÃO AO INVESTIDOR ............................................................. 47. 4.3.3.. RETENÇÃO AO RISCO E CAPITAL ALOCADO ............................... 48. 4.3.4.. PROTEÇÃO AOS DADOS ..................................................................... 49. 4.3.5.. RELATÓRIOS AO REGULADOR ......................................................... 50. AS FINTECHS NO BRASIL ............................................................................... 51 5.1. CRESCIMENTO DAS PLATAFORMAS DIGITAIS NO BRASIL .............. 51. 5.1.1. MERCADO CONCENTRADO ............................................................... 51. 5.1.2. MEIOS DE PAGAMENTOS – MERCADO PROMISSOR ................... 54. 5.1.3. CRESCIMENTO DA ECONOMIA DIGITAL ....................................... 55. 5.1.4. REGULAMENTAÇÃO DOS MEIOS DE PAGAMENTO .................... 55.

(12) 5.2. EVOLUÇÃO DAS FINTECHS NO BRASIL ................................................ 57. 5.3. BRASIL, INVESTIMENTOS NO SETOR E LÍDER NA AMÉRICA LATINA 59. 5.4 AÇÕES DO BANCO CENTRAL DO BRASIL DIANTE DO FENÔMENO FINTECHS ................................................................................................................. 61. 6. 5.4.1. ARRANJOS E INSTITUIÇÕES DE PAGAMENTOS ........................... 62. 5.4.2. CADASTRO POSITIVO ......................................................................... 63. 5.4.3. PORTABILIDADE .................................................................................. 64. 5.4.4. REGULAMENTAÇÃO DAS FINTECHS DE CRÉDITO ...................... 65. 5.4.5. RISCO CIBERNÉTICO ........................................................................... 67. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 68. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 71.

(13) 10. 1. INTRODUÇÃO. Eu tenho um sonho. É futurista porém realidade. Está relacionado a um painel com controles e uns monitores. Isto envolverá o mapeamento global dos fluxos de recursos em tempo real (a partir de um painel de controle usando monitores), assim como temos hoje com os controles do tempo e o tráfego da internet. O principal será o mapeamento do fluxo financeiro global, com gráficos e correlações. 1 Andy Haldane, Chief Economist, Bank of England (2014). Nos anos recentes, as inovações tecnológicas têm sido utilizadas nos serviços financeiros e tem atraído a atenção de diversos players do ecossistema. O rápido crescimento da tecnologia no mercado financeiro tem gerado otimismo no mundo financeiro oferecendo oportunidades até então consideradas de difícil transposição e certo grau de preocupação devido aos riscos que desafiam os órgãos reguladores a manterem a estabilidade financeira, monetária entre outras âncoras. Os Bancos Centrais (BCs) através dos fundamentos que os fazem existir e com suas regulamentações sobre as atividades bancárias externam suas preocupações diante destes movimentos considerados disruptivos.. O presente trabalho reconhece a necessidade de examinar as Fintechs, especificamente as de crédito, e os desafios regulatórios impostos aos bancos centrais que têm a incumbência de preservar e proporcionar a sustentação do mercado financeiro que se descortina com o advento das mudanças tecnológicas e com o aparecimento de interesses antagônicos de velhas e novas organizações.. Diante deste quadro desafiador, o interesse pelo assunto surgiu da preocupação com a lógica e implicação econômica de uma proposição feita pelo vice-presidente do Bradesco, Mauricio Minas no evento 27o Congresso de Tecnologia da Informação para Instituições Financeiras (CIAB) organizado pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN). Segundo o executivo,. Tradução livre de “I have a dream. It is futuristic, but realistic. It involves a Star Trek chair and a bank of monitors. It would envolve tracking the global flow of funds in close to real time (from a Star Trek chair using a bank of monitors), in much the same way as happens with global weather systems and global internet traffic. Its centerpiece would be a global map of financial flows, charting spill-overs and correlations” de Andy Haldane, Chief Economist, Bank of England, Speech at the Maxwell Fry Annual Global Finance Lecture: Managing Global Finance as a System, Birmingham University 10 (Oct. 29, 2014). 1.

(14) 11. já ocorreram mudanças tecnológicas importantes com a criação das agências, caixas eletrônicos, Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB), internet e mobile banking, entretanto nenhuma modificação se compara com a ocorrência de transformações dramáticas que o BlockChain, a Inteligência Artificial e a Internet das coisas, prometem para o mundo financeiro no Brasil e no mundo.. Os desafios colocados aos BCs diante das alterações tecnológicas em curso, possibilitam um rearranjo das estruturas conhecidas, podendo constituir grandes oportunidades e desafios para o setor bancário, através das indústrias financeiras, consumidores e órgãos reguladores (bancos centrais). Para os players que despontam nas organizações, essa onda de transformação digital tem prometido uma revolução tecnológica que irá democratizar os serviços financeiros e possibilitará maior absorção de uma camada da sociedade que não possuía acesso aos produtos bancários até hoje.. As mudanças tecnológicas estão proporcionando alterações nas relações entre os players na cadeia produtiva e reorganizando as participações daqueles chamados de tradicionais. Estas mudanças estão exigindo novas demandas contratuais e regulatórias de modo a coordenar incentivos, entendimentos, conceitos e padrões de comportamento dos agentes e suas organizações.. Em paralelo, as alterações comportamentais da sociedade nos últimos anos, emergem naturalmente com o avanço tecnológico onde as novas gerações “plugadas” nos aplicativos de celular buscam praticidade e agilidade para resolver questões sem modificar as rotinas do dia a dia. Esses movimentos colocam pressões para que transformações significativas no setor financeiro ocorram.. Diante do surgimento das indústrias não financeiras, o presente trabalho examinará sobre tudo, um dos principais dilemas do banco central do Brasil que diz respeito a, até que ponto se deve regular de maneira a evitar as falhas de mercado, mas sem prejudicar esse movimento disruptivo de despontar tecnológico do sistema financeiro. Para tanto analisa-se as principais tendências do desenvolvimento tecnológico, as funções do Banco Central, as supervisões e fiscalizações, as origens das inovações no mercado bancário, os benefícios e os riscos gerados pelos novos arranjos institucionais e as consequências regulatórias que desafiam os participantes do mercado de forma direta ou indireta..

(15) 12. 1.1.. PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO. Um levantamento feito pela Revista Ciab FEBRABAN relatou que o uso de celular já é uma realidade nas rotinas de todos os bancos sendo que 21,9 bilhões de operações realizadas financeiramente foram efetuadas através dos aplicativos de celulares. Ainda de acordo com esse levantamento o número de contas abertas de forma digital –, ou seja, sem a necessidade de ir à uma agência bancária – em 2017 atingiu o patamar de quase 1 milhão.. De acordo com a consultoria McKinsey & Company, até 2025, 10% a 40% das receitas auferidas por um Banco serão reduzidas devido a digitalização do processo e a entrada das Fintechs as quais intensificariam as concorrências e provocariam a substituição das instituições financeiras que não se adaptasse às mudanças disruptivas. Segundo dados extraídos de países da União Europeia, a mudança no comportamento dos consumidores fez com que houvesse uma redução de cerca de 40 mil agências físicas nos últimos cinco anos e uma redução de aproximadamente 250 mil colaboradores diretos e indiretos na indústria financeira.. Nota-se que a tarefa regulatória efetuada pelo Banco Central, adquire complexidade com as transformações tecnológicas, pois as mesmas reduzem os custos de transação no mercado e de intermediação financeira e, em contrapartida, ampliam a ocorrência de novas fontes de risco sistêmico, padrões de comportamento oportunista e chances de captura regulatória.. O presente trabalho reconhece que as distorções e eficiências geradas na regulação dos BCs, devem ser submetidas à testes empíricos até mesmo em virtude do fato de que as mudanças tecnológicas no setor parecem exigir novas respostas e soluções tempestivas do Banco Central. Essas respostas são direcionadas ao órgão regulador pois ele exerce a função de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional, supervisionar o sistema financeiro, executar a política monetária e contribuir para a estabilidade macroeconômica da nação. Diante do exposto até aqui, o presente trabalho visa analisar as ações do Banco Central do Brasil diante das inovações tecnológicas do setor financeiro, preservando sempre uma das suas principais funções que é de ser o responsável pela estabilidade do mercado financeiro..

(16) 13. No que concerne a estruturação e forma de apresentação, o presente estudo está organizado em quatro capítulos, assim definidos:. No primeiro capítulo é apresentada uma breve visão sobre a trajetória do Banco Central e o desenvolvimento de suas funções como órgão regulador. Este capítulo retrata o propósito do BC e sua missão institucional de manter a estabilidade do poder de compra da moeda e a solidez do mercado financeiro. Ressalta-se a estrutura do Banco Central do Brasil e a função de supervisor do mercado financeiro.. No segundo capítulo, examina-se sobre o crescimento das inovações tecnológicas nos serviços financeiros, as definições das Fintechs, os benefícios gerados pelo novos entrantes no sistema financeiro, os riscos que desafiam as principais funções do BCs diante dos movimentos disruptivos no mercado financeiro.. No terceiro capítulo, analisam-se as especificidades das Fintechs, particularmente as voltadas para o crédito, as tendências tecnológicas que suportam o crescimento das plataformas de crédito, os principais polos tecnológicos na criação das Fintechs de crédito e as respectivas ações dos órgãos reguladores.. No quarto capítulo, avalia-se a evolução das Fintechs de crédito no Brasil, as ações e o monitoramento do Banco Central do Brasil diante do desafio imposto pelo novo rearranjo seja ele sistêmico, operacional, jurídico, comportamental dos consumidores e investidores. A pesquisa tem relevância e importância à medida que examina as ações do Banco Central do Brasil diante das mudanças tecnológicas que a indústria financeira vem atravessando principalmente nos pós crise de 2007..

(17) 14. 2. A TRAJETÓRIA DO BANCO CENTRAL, SEU DESENVOLVIMENTO E AS FUNÇÕES COMO ÓRGÃO REGULADOR. O presente capitulo tem como propósito descrever de forma cronológica a história do Banco Central ao redor do mundo, o aparecimento das principais funções e responsabilidades as quais nasceram e evoluíram com o desenvolvimento econômico e com a diversificação dos sistemas financeiros.. 2.1.. CONTEXTO HISTÓRICO: O SURGIMENTO DO BANCO CENTRAL. A história do Banco Central retorna ao século XVII com a primeira instituição reconhecida como Banco Central, a Swedish Riskbank. Fundado em 1688 tinha como principais responsabilidades o Controle da Circulação do Papel-Moeda, a Conversibilidade de seus Bilhetes em Ouro, a Câmara de Liquidação do Comércio e Financiamento das atividades do Estado.. Em 1694, sob autorização Real, o banco da Inglaterra foi fundado com o propósito de financiar o governo inglês recebendo o monopólio legal de ser uma instituição bancária organizada juridicamente sob a forma de sociedade anônima. Em sua origem, o Banco da Inglaterra não recebeu o direito exclusivo de emissão da moeda fiduciária, porém devido ao seu relacionamento estreito com a Coroa, tornou-se rapidamente o principal banco emissor do país. Posteriormente suas atividades se desenvolveram e suas relações com o Tesouro inglês levaram-no a atuar como banqueiro do governo, como agente fiscal e como administrador da dívida pública. Diante de tais mudanças, o Banco da Inglaterra assumiu o papel de depositário das reservas metálicas do país e dos outros bancos. No final do século XIX, após a eclosão de diversas crises bancárias que desestabilizaram o mercado financeiro inglês, o Banco Central tornou-se o prestamista final do sistema bancário, oferecendo reservas aos demais bancos que necessitavam de recursos para compensar os saldos não nulos de suas transações.. Com o passar do tempo, a intermediação financeira e a busca pela estabilidade do sistema de pagamentos, direcionaram o Banco da Inglaterra ao afastamento progressivo dos negócios bancários convencionais e a nova hierarquização de suas funções, começando a desempenhar o papel de banco dos bancos. Nas palavras de Aglietta (1991, p. 5-6):.

(18) 15. [...] o próprio desenvolvimento da economia monetária produz a emergência dos bancos centrais. [...] em outras palavras, o Banco Central é criação do mercado e não uma criatura do Estado. As duas dimensões essenciais do ofício de Banco Central, que o transformaram em bancos dos bancos, são o de emprestador de última instância e o encargo de regulação da taxa de juros no mercado monetário.. Segundo Goodhart (1985, p.7):. (...) foi a metamorfose, a partir do seu envolvimento nas atividades de bancos comerciais, bancos competitivos e que maximizam os lucros, em direção as funções não competitivas e que não maximizam os lucros, que marcou a verdadeira emergência e o desenvolvimento dos bancos centrais.. O Goodhart (1985) lembra que no caso específico do Banco da Inglaterra, essa metamorfose sofreu enormes dificuldades devido ao direito de propriedade nos lucros do banco e pelos riscos morais associados ao papel regulador que o banco assumiria.. Na França, o Banco Francês foi fundado por Napoleão Bonaparte por volta do ano de 1800 com as funções de estabilizar a moeda após a hiperinflação durante a Revolução Francesa e ajudar a financiar os débitos do governo. O Banco de França nasceu como um banco comercial com fins lucrativos que, ao longo do desenvolvimento histórico e institucional do sistema bancário francês, assumiu as funções de depositário das reservas bancárias, de supervisão do sistema bancário e de prestamista em última instância. No final do século XIX, o Banco de França afastou-se das atividades comerciais tornando uma instituição assim como o Banco da Inglaterra, não concorrencial (AGLIETTA, 1991).. Nos Estados Unidos, a criação do Banco Central teve como determinante a crise financeira de 1907. Após a formação da comissão para estudar o sistema bancário e monetário, a criação do Banco Central ganhou força entre os governantes. Em 6 de dezembro de 1913 nascia o Sistema da Reserva Federal sob a forma de 12 bancos centrais regionais que compartilhavam o poder com a Junta de Coordenação, localizada em Washington. Segundo Guttmann (1994) o Federal Reserve System foi constituído inicialmente com os seguintes propósitos:. 1- Garantir a estabilidade da oferta monetária; 2- Organizar um sistema eficiente de compensação bancária;.

(19) 16. 3- Conceder refinanciamento aos bancos comerciais; 4- Controlar os bancos membros; 5- Ser o financiador final evitando crises financeiras.. A disseminação de bancos centrais pelos cinco continentes nas primeiras décadas do século XX foi encorajada pela conferência financeira internacional de 1920 realizada em Bruxelas. Essa conferência aprovou uma resolução sobre a conveniência da criação de Banco Central por aqueles países que ainda não possuíam. Nesse contexto, foram criados quarenta e oito bancos centrais entre 1920 e 1925, dentre os quais o do Chile (1923), da China (1928), do México (1932) e da Argentina (1935). No Brasil, o Banco Central foi criado em 1965 substituindo certas funções de banqueiro central então desempenhadas pelo Banco do Brasil e pela Superintendência da moeda e do Crédito (Sumoc).. 2.2.. APARECIMENTO DO PAPEL DE SUPERVISOR DO BANCO CENTRAL. As funções do Banco Central nasceram e evoluíram com o desenvolvimento econômico e com a diversificação dos sistemas financeiros, desempenhando ao longo do tempo, o papel de depositário das reservas bancárias, de banco dos bancos, de prestamista em última instância e de supervisor das atividades bancárias. Kock (1946, p. 103) argumenta que “essas funções evoluíram de forma inter-relacionadas e constituem características essenciais da evolução dos bancos especiais, que se converteram em bancos centrais no sentido estrito do termo”.. O papel de prestamista em última instância representa uma das funções mais essenciais do Banco Central, porém, isso não representa um dever de fornecer um socorro ilimitado aos bancos em qualquer circunstância, visto a certeza de suporte certo e ilimitado do Banco Central estimularia os bancos a assumirem riscos cada vez maiores. A ação dos bancos centrais como garantidores da estrutura patrimonial dos bancos explica por que essa função está diretamente relacionada com a regulamentação, a supervisão e a fiscalização do sistema bancário (Texto de Discussão n.º 63, 1998).. Para evitar que os bancos assumam riscos excessivos que possam ameaçar a estabilidade do sistema de pagamentos e de crédito, o Banco Central deve participar ativamente da supervisão.

(20) 17. e do controle das atividades bancárias. A responsabilidade de regular o sistema bancário pelos bancos centrais criados antes do século XX, foi um desdobramento natural de suas funções de banco dos bancos e de prestamista em última instância. Diante do desdobramento das funções do BC e a crise de 2007 no principal epicentro financeiro, os BCs ao redor do mundo elaboraram regulamentações denominadas prudenciais que limitavam as instituições financeiras a se alavancarem sem ter um “colchão” mínimo de capital que suportasse os riscos elencados no negócio.. 2.3.. CRIAÇÃO DA REGULAÇÃO PRUDENCIAL. A regulamentação prudencial embasada na alocação de capital, envolve dois aspectos centrais: um de prevenção e outro de proteção. A regulamentação preventiva visa impedir a ocorrência de crise de confiança que contamine o sistema produtivo. Portanto, compreende os limites mínimos de capital, os limites de endividamento ou de alavancagem, os índices de liquidez e de risco dos ativos, as provisões contra créditos duvidosos e não-pagos, a exigência de transparência e de fornecimento das informações necessárias para o acompanhamento e avaliação da situação financeira e patrimonial das instituições bancárias (ALMEIDA, FREITAS, 1998).. Já a regulamentação prudencial deve conter instrumentos de proteção para fornecer uma salvaguarda ao sistema quando a regulamentação preventiva falha ou não é suficiente. Todavia, esses instrumentos de proteção podem contribuir para aumentar os riscos de uma crise, pois os as instituições financeiras em busca de lucros cada vez maiores, geram exposições que aumentam o nível de risco assumido por elas. Isso significa dizer que o mercado financeiro, especificamente os bancos, procuram diante das regulamentações que mitigam os riscos, no mínimo manter os lucros, pois sabe-se que quanto menor o risco, menor o retorno auferido e, portanto, uma forte regulamentação pode levar os bancos a aumentar as exposições com o intuito de recompor os lucros.. Diante da recomposição de lucros, cabe aos bancos centrais assegurarem que a busca incessante de margens positivas pelas instituições bancárias individuais seja efetuada de forma adequada de maneira que não ameace a estabilidade do sistema bancário em seu conjunto. Segundo Goodhart (1988), um banco que adota uma postura mais prudente de risco de capital comparado a seus competidores arrisca-se seriamente a perder uma fatia do mercado..

(21) 18. Freitas (2006) afirma que atualmente o controle exercido na moeda e no crédito é considerado função primordial dos BCs e que pós crise de 1929, os processos de supervisão, fiscalização e regulamentação dos bancos centrais intensificaram-se. Nota-se que, ao longo do tempo, a supervisão dos bancos centrais vem passando por modificações conforme surgem as necessidades sendo impulsionadas, por exemplo, pelas evoluções tecnológicas, por mudanças comportamentais do consumidor e pelos participantes do mercado financeiro. As regras e mecanismos gerados pelos BC’s, para manter a solidez financeira dividem-se em duas linhas de atuação: Regulação Sistêmica, que se destina a proporcionar segurança aos bancos com o objetivo de diminuir externalidade negativas decorrentes do alto grau de integração e concentração entre eles e a Regulação Prudencial, que busca controlar o nível de risco assumido pelos bancos em suas atividades. Esta regulação, possui caráter mais preventivo, procurando descrever regras que mantenham a solidez do mercado financeiro.. Com base no apresentado até aqui o presente trabalho analisa, de forma detalhada, a estrutura e definição do Banco Central do Brasil com base no Manual da Supervisão que descreve a transparência aos princípios, à forma de atuação e as atividades da Supervisão.. 2.4.. O BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB). De acordo com a Série “Perguntas Mais Frequentes” Banco Central do Brasil (10/2016), “O Bacen é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, criada pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964 que tem por missão assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente que tem como principais funções, a emissão de papelmoeda e moeda metálica, responsável pelos recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias, realização das operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras, execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis e de transferência de recursos, negociação de compra e venda de títulos públicos federais, execução do controle de crédito e autorização do funcionamento das instituições financeiras”.. O Banco Central do Brasil possui diversas autarquias sob a responsabilidade de um presidente e de oito diretores. As áreas vinculadas responsáveis pela avaliação dos riscos, monitoramento.

(22) 19. e aplicação dos processos, estão vinculadas ao Diretor de Fiscalização (Difis) e possuem as seguintes atribuições: . Departamento de Gestão Estratégica, Integração e Suporte da Fiscalização (Degef): coordenação de processos de planejamento, orçamento e gestão das unidades subordinadas ao Diretor da área;. . Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (Desig): monitoramento da estabilidade, da eficiência, da liquidez e da solvência do SFN (abordagem macro prudencial) e das entidades supervisionadas pelo BCB (abordagem micro prudencial), produzir e divulgar informações relativas à estabilidade, à liquidez e à solvência do SFN e das entidades supervisionadas pelo BCB;. . Departamento de Supervisão Bancária (Desup): supervisão prudencial das instituições financeiras bancárias, de seus respectivos conglomerados e de instituições de pagamento que deles participem, excetuando-se os bancos cooperativos e as administradoras de consórcio vinculadas aos conglomerados bancários;. . Departamento de Supervisão de Conduta (Decon), realizar a supervisão de conduta, verificando o cumprimento das normas e regulamentos que não estejam diretamente vinculados à riscos financeiros mas que, em caso de não conformidade, possam acarretar risco de reputação às entidades supervisionadas ou ameaçar a adequada disciplina de mercado, com ênfase nos assuntos relacionados a clientes e usuários de produtos e serviços financeiros, à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLD/FT), e as matérias anti concorrenciais;. . Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições não Bancárias (Desuc), realizar a supervisão prudencial em cooperativas de crédito, instituições não bancárias não pertencentes a conglomerados bancários, conglomerados financeiros que não possuam entre suas empresas, bancos de qualquer espécie;. As áreas acima são responsáveis pela fiscalização e supervisão das regulamentações após as implementações das normas ao mercado financeiro. Todavia o departamento responsável pelo levantamento das informações pertinentes às mudanças tecnológicas do setor financeiro no.

(23) 20. mundo e o acompanhamento dos novos produtos e serviços oferecidos pelas Fintechs, ficam sob responsabilidade do Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf). Afirma Adriano Pereira Rubim Silva, chefe adjunto no Deorf:. É fundamental para todos os bancos centrais entender o poder de disrupção dessas tecnologias, compreender como elas são enquadradas na regulamentação que existe no país. Essas questões tornam necessário para o BC absorver a maior quantidade possível de informações, de conhecimento, de modo a tratar essa questão dentro do binômio de segurança, de um lado, e de não tolher e impedir a inovação e a eficiência de outro lado.. O Banco Central do Brasil vem acompanhando de perto a evolução tecnológica no Sistema Financeiro Nacional levando em consideração o seu papel de supervisor e fiscalizador do sistema. No próximo capítulo, discorre-se sobre os desafios que as Fintechs impõem aos Bancos Centrais.. 3. NOVOS ARRANJOS INSTITUCIONAIS, FINTECHS E SEUS IMPACTOS. NO. DESAFÍO AOS BANCOS CENTRAIS. Ao decorrer desse capítulo será analisado o surgimento das Fintechs, levando em consideração o cenário, os fatores que levarão ao aparecimento dos novos arranjos e os benefícios à sociedade e os riscos inerentes com o surgimento das Fintechs.. 3.1.. CONTEXTUALIZAÇÃO. Conforme destacado no primeiro capítulo, a crise financeira global que começou em 2007 foi considerada o marco das estruturas das reformas regulatórias e culminou em uma profunda reflexão sobre a efetividade e eficiência da supervisão financeira dos Bancos Centrais. A crise revelou a deficiência das metodologias e ferramentas utilizadas na regulação do mercado financeiro pois não evitou a desestabilização financeira e o risco sistêmico. O poder de compra das moedas foi afetado nos principais continentes e diversos países foram afetados pelo.

(24) 21. denominado “efeito dominó2”, em que os países com posições de destaque que entraram em crise “arrastaram” países considerados, até então, sem problemas nas suas estruturas econômicas.. Carvalho (2005) argumenta que o desafio dos Bancos Centrais em torno da regulação bancária é minimizar o problema de contágio, gerando um risco sistêmico através da falência de uma instituição e criando um efeito conhecido multiplicador aos demais participantes do mercado. Os instrumentos de proteção, tornaram-se mais necessários no contexto de globalização dos mercados.. Na crise de 2007, tanto a Basileia I e II mostraram-se insuficiente para impedir a alavancagem excessiva dos bancos, aliada à baixa qualidade do capital e à baixa margem de liquidez, compunham o cenário de fragilidade do sistema bancário. Adicionalmente, para responder as pressões de aumento da eficiência dos regulatórios e da supervisão, o Comitê de Basileia divulgou em dezembro de 2010 a Basileia III que teve por objetivo aumentar o percentual de alocação de capital, através de margens que refletissem os movimentos cíclicos e contra cíclicos do mercado financeiro. Em paralelo, as autoridades monetárias expandiram os seus mandatos incluindo responsabilidades como proteção ao consumidor, competição e inclusão financeira.. O conjunto de regras estabelecido ao longo do tempo fez com que as instituições financeiras adaptassem as suas gestões de capital, ao possibilitar que parte do capital ficasse disponível fazendo frente ou sendo utilizado conservadoramente como um “colchão” para os riscos inerentes ao mercado financeiro. O capital não alocado no negócio para as instituições tornouse um custo alto e pouco eficaz na prevenção e combate as crises sistêmicas. Segundo o BCB, além das alocações de capital na Basiléia I e II3 não se mostrarem suficientes para reduzir a crise 2007, a mesmas expos outras falhas do sistema financeiro consideradas 2. O efeito dominó, surge em 1954, nos Estados Unidos, pelo então presidente Dwight Eisenhower, que afirma que,. se qualquer país caísse sob influência do comunismo, os países circundantes também cairiam como se fossem uma fileira de peças de dominó em pé (Fonte: https://operamundi.uol.com.br/historia). 3. Em 1988, o BCBS (Basel Committee on Banking Supervision) divulgou o primeiro Acordo de Capital da Basileia, oficialmente denominado International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards, com o objetivo criar exigências mínimas de capital para instituições financeiras como forma de fazer face ao risco de crédito. Em 1996, o Comitê publicou uma emenda ao Acordo de 88, incorporando ao capital exigido cobertura dos riscos de mercado (Emenda de 96). Em 2004, o BCBS divulgou revisão do Acordo de Capital da Basileia, conhecida como Basileia II, com o objetivo de buscar uma medida mais precisa dos riscos incorridos pelos bancos.

(25) 22. importantes para a estabilidade financeira, por exemplo a coleta de dados de informação e os relatórios produzidos pelos players do mercado financeiro ao regulador.. Em 2013, o BCBS divulgou os Princípios Efetivos dos Riscos de Dados Adicionados e os Relatórios de Risco que estabeleciam padrões mínimos de coleta de dados e gerenciamento sobre as informações fornecidas. Neste momento, a estrutura tecnológica despontou como uma das alternativas de solução e cumprimento das exigências oriundas do órgão regulador. O aumento da estrutura regulatória global, o crescimento de solicitações e informações por parte do regulador, aumento da tempestividade na informação e altos valores cobrados com multas, fizeram com que as instituições financeiras tomassem algumas medidas no sentido de aumentar o controle e a governança nas suas decisões. Uma das alternativas foi aumentar os investimentos na área tecnológica e na área de pesquisas em produtos e serviços financeiros.. 3.2.. FINTECHS. A tecnologia sempre foi parte integrante dos serviços financeiros, diversos movimentos foram observados ao longo do tempo com o desenvolvimento tecnológico e criação das agências, caixas eletrônicos, SPB (Sistema de Pagamento Brasileiro), internet e mobile banking entre outros já citados, porém pós crise de 2007 o setor intensificou a utilização da tecnologia devido aos custos gerados com as regras impostas pelos Bancos Centrais, tal como conformidade, aumento do capital alocado para contrabalancear os riscos na indústria financeira e regulamentação. De acordo com Jeff Cox (2015)4, os custos gerados pós crise 2007 excederam USD 200 bilhões na indústria financeira.. Para. Dominic. Broon,. responsável. chefe. da. Tesouraria. do. BNY. Mellon,. (https://www.bnymellon.com, February 25, 2016):. internacionalmente ativos. Essa versão, juntamente com as anteriores de 1988 e 1996 e alguns itens adicionais sobre risco de mercado e de crédito, foi compilada e publicada em 2006 como uma Comprehensive Version. Esse acordo era direcionado aos grandes bancos tendo como base, além dos Princípios Essenciais para uma Supervisão Bancária Eficaz (Princípios da Basileia), três pilares mutuamente complementares: Pilar 1: requerimentos de capital para risco de crédito, mercado e operacional; Pilar 2: revisão pela supervisão do processo de avaliação da adequação de capital dos bancos; e Pilar 3: disciplina de mercado. A Basileia III de 2010, visa ao aperfeiçoamento da capacidade de as instituições financeiras absorverem choques provenientes do próprio sistema financeiro ou dos demais setores da economia, reduzindo o risco de transferência de crises financeiras para a economia real (Banco Central do Brasil – Recomendações de Basileia) 4 See Jeff Cox, Misbehaving banks have now paid $ 204B in fines, CNBC (Oct. 30, 2015), http://www.cnbc.com/2015/10/30/misbehaving-banks-have-now-paid-204b-in-fines.html..

(26) 23. “crescimento das inovações nos serviços financeiros não é um novo fenômeno. Ao longo de décadas, a inovação incluiu o aparecimento de novos meios de pagamento tal como os cartões de crédito, terminais eletrônicos (ATMs) e a onda de desregulamentação nos mercados de capitais na década de 1990”.. Subsequentemente, a internet trouxe novos benefícios para os bancos tradicionais e a habilidade de conduzir atividades bancárias remotas, ou seja, sem a interação face a face entre clientes e bancos. Com o advento do celular, a tecnologia adicionou novos participantes ao setor financeiro, provedores de hardware e software. Aos poucos o movimento disruptivo e o aparecimento das Fintechs começou a ser desenhado e se intensificou devido a alguns fatores considerados de preparação essencial:. 1.. Deficiências do mercado financeiro devido à crise financeira global e as respostas aos reguladores;. 2.. A falta de confiança dos consumidores nos serviços financeiros particularmente nos Estados Unidos e Europa;. 3.. Para Arner, Barberis e Buckeley (2016), pressão política por alternativas de desenvolvimento das pequenas e microempresas também são fatores de preparação essencial;. Fintechs são empresas não financeiras que provem serviços e produtos financeiros utilizando a inovação tecnológica como matéria prima para alcançar soluções de maneira tempestiva que atendam a necessidade dos usuários. O desenvolvimento das Fintechs tem o potencial de melhorar, transformar ou romper modelos de negócios, aplicações, processos ou produtos em muitas áreas da indústria financeira. Elas nascem com a missão de prover soluções financeiras diretas ao cliente, para participantes “tradicionais” ou vender os serviços financeiros para uma empresa.. As Fintechs passaram a designar o segmento das startups que criam inovações na área de serviços financeiros, com processos baseados em tecnologia e que tem possibilitado um universo com novas formas de lidar com os produtos e serviços financeiros, utilizando intensivamente a tecnologia. Atualmente, as empresas não financeiras estão sendo responsáveis por desenvolver e utilizar as plataformas tecnológicas de uma maneira mais assertiva de acordo.

(27) 24. com a necessidade e facilidade dos clientes, gerando uma sinergia entre provedores e consumidores com custos cada vez menores.. 3.3.. BENEFÍCIOS GERADOS COM AS FINTECHS. Os benefícios gerados no setor financeiro com o advento das Fintechs são inúmeros, indo desde a inserção de uma população marginalizada dos serviços oferecidos pelos bancos tradicionais até a redução de custo e ganho de eficiência aos participantes do mercado financeiro. De acordo com a Câmara de Compensação e Depósitos (DTCC), membro do Federal Reserve (FED), em documento publicado em 2017, “as Fintechs têm um impacto sistêmico significativo principalmente. na. desintermediação,. desagregação. dos. serviços. financeiros. e. descentralização”. A desintermediação financeira, desagregação e descentralização significam o deslocamento de transações de intermediação do setor financeiro para o setor não financeiro, focando no desenvolvimento de produtos financeiros específicos para atender a necessidade de cada demandante, deixando de ser produtos conhecidos como de prateleira e sendo produtos desenvolvidos especificamente para atender à necessidade individual do consumidor. A intermediação utiliza os bancos tradicionais para conectar investidores e tomadores seguindo uma série de normativos ao órgão regulador e que, portanto, tem seu custo encarecido ao consumidor final. Em contrapartida, o setor não financeiro surge com plataformas eletrônicas apoiadas à tecnologia tendo como consequências, a maior sinergia entre tomadores e investidores, custos menores e acessibilidade à mercados até então de difícil acesso para determinada camada da sociedade. A origem da redução dos custos tem como um dos fatores a possibilidade de elaborar soluções específicas aos clientes, onde cada provedor da cadeia operacional financeira tem especialidades pontuais e que, com a desintermediação os novos players, foquem em determinadas especialidades, provendo um determinado serviço com mais qualidade e em menor tempo. Estes efeitos, alteram as forças competitivas, a dinâmica do mercado, a inclusão financeira e principalmente os direitos dos consumidores..

(28) 25. Os principais benefícios destacados neste trabalho, que serão aprofundados posteriormente, são: contratos inteligentes, grandes bancos de dados, aplicativos e celulares e maior competitividade e oportunidade para pequenas e médias empresas. . CONTRATOS INTELIGENTES. Os bancos tradicionais possuem alto custo de transação por possuírem estruturas complexas com processos e rotinas que geram pouca eficiência operacional. Processos operacionais como: trâmites burocráticos e manuais na confecções de contratos e instrumentos de garantia, registros em câmaras especificas e os custos oriundos da formalização, refletem um alto custo fixo por contrato, sendo repassados na precificação final ao consumidor. Com o advento da tecnologia e consequentemente a automação e padronização de processos juntamente com a velocidade de processamento das informações, permitirá uma maior geração de quantidades de contratos em um tempo menor. Uma das tecnologias utilizadas na diminuição do custo de transação é a tecnologia de blocos criptografados, chamada Blockchain, que tem como principal objetivo pulverizar a informação para todos os participantes da cadeia com maior nível de segurança e qualidade, evitando com isso as assimetrias de informação. No próximo capítulo, analisa-se as ferramentas tecnológicas que agilizam a inovação. . GRANDES BANCOS DE DADOS. A utilização de grandes bancos de dados com algoritmos de grande grau de complexidade possibilita a maior eficácia na tomada de decisão. Tal eficácia é proporcionada devido aos grandes bancos de dados serem interligados com diversos agentes da cadeia, possibilitando assim, através de algoritmos avançados, o mapeamento comportamental do cliente, suas preferências, a rede de relacionamentos e contato que este cliente “navega”, entre outras inferências. Como consequência consegue-se ser mais assertivo ao oferecer um determinado produto financeiro de forma mais tempestiva. Este acesso aos dados, do início ao fim (frontend relationship) faz com que as Fintechs levem vantagem sobre os modelos de bancos tradicionais e que tenham maiores eficiências na tomada de decisão devido aos modelos matemáticos de correlação gerados pelos algoritmos utilizados nos bancos de dados (BCBS, 2018)..

(29) 26. . APLICATIVOS E CELULARES. Com a evolução tecnológica e dos meios de pagamentos, os clientes demandam cada vez mais dos serviços financeiros, procurando por mais conveniência, produtos mais baratos e que estejam integrados com as atividades online do dia a dia. Com a inovação tecnológica, os aplicativos e celulares possibilitaram que os clientes buscassem serviços financeiros personalizados e com mais tempestividade nas soluções, além de permitir o alcance em áreas consideradas até então remotas do ponto de vista geográfico. Segundo BCBS (2017) de cada 10 pessoas, apenas 6 possuem conta bancária, porém existem mais equipamentos celulares do que pessoas no mundo. A possibilidade gerada com os mobiles faz com que mais pessoas tenham acesso aos serviços financeiros com eficiência e em maior velocidade. (Revista Ciab Febraban, 2017) . COMPETITIVIDADE E OPORTUNIDADES A PEQUENAS E MÉDIAS. EMPRESAS A entrada de novos players gerado pelo aparecimento das Fintechs possibilita a redução do risco sistêmico, pois há uma redução da concentração do setor financeiro e dos spreads cobrados pelos bancos tradicionais. Diante da crise iniciada em 2007 as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) foram excluídas dos empréstimos bancários oferecidos pelas instituições financeiras, pois o risco de insolvência e as provisões com perdas de crédito fizeram com que os bancos tomassem a decisão de financiar apenas empresas com certo grau de transparência nos balanços. As PMEs tiveram suas linhas de crédito cortadas dificultando sua sobrevivência e que agora, através das Fintechs – especificamente de crédito, vislumbram a retomada dos financiamentos e a promoção da inclusão novamente no mercado financeiro. Em capítulos seguintes, analisa-se o impacto gerado das PMES por deficiência de crédito no mercado financeiro e a retomada destes créditos tem consequências extremamente importantes para o crescimento sustentável da economia, para a retomada e geração de empregos e para a maior diversificação do risco pelo investidor. As Fintechs despontam como uma mudança das estruturas do mercado financeiro e que vem cercada de benefícios conforme ressaltado acima, porém também vem acompanhada de riscos e incertezas que podem se potencializar caso não receba a atenção devida pelos órgãos reguladores. No parágrafo seguinte, analisa-se os riscos gerados pelo advento das Fintechs..

(30) 27. 3.4.. RISCOS GERADOS COM AS FINTECHS SOB A ÓTICA DO REGULADOR. Conforme discutido no capitulo I, os BCs têm a missão de manter a estabilidade do poder de compra da moeda e a solidez do mercado financeiro. Os BCs estão sendo cautelosos diante deste movimento disruptivo, pois entendem que a inovação tecnológica no setor financeiro possibilita a bancarização, a redução dos spreads bancários, a quebra de monopólios, a melhor qualidade nos serviços oferecidos, maior segurança, transparência e dinamismo das soluções. Por outro lado, compreendem que, com o advento tecnológico os riscos inerentes à segurança da informação, cibernético, de terceirização, de liquidez e mudanças estruturais com os novos entrantes não financeiros, podem acarretar em movimentos que colocam em risco a solidez e estabilidade do sistema financeiro. Para Maccrimmon e Wehrung apud Steiner Neto (1998), existem três condições para definição de risco, que são denominados componentes do risco: (i) deve existir a possibilidade de haver perda ou dano (magnitude de perda), (ii) deve haver uma possibilidade associada a essa perda (possibilidade de perda) e (iii) deve haver a possibilidade de o decisor agir de forma tal que aumente ou diminua a magnitude ou a probabilidade dessa perda ou dano (exposição à perda). Steiner Neto (1998) conclui que o conceito de risco implica a possibilidade de escolha. As incertezas geradas neste novo ambiente tecnológico que desponta, são acompanhadas de probabilidades de ocorrer perdas e danos da estabilidade financeira conforme citado acima e isto tem sido o grande desafio dos bancos centrais quando da determinação das ações a serem tomadas. Os desafios regulatórios impostos aos BCs afetam diretamente duas funções básicas: o fluxo de demanda por dinheiro – política monetária e a organização da indústria financeira – supervisão e fiscalização (estabilidade financeira). Com o advento dos meios de pagamento eletrônico e do aumento das transações de varejo, há uma tendência de redução da moeda circulante e de possível alteração nas funções de emissor de papel moeda e de distribuidor por parte dos Bancos Centrais (Aaron, Rivadeneyra e Sohal, 2017). Os consumidores estão mudando o comportamento e adquirindo produtos e serviços através dos sites de e-commerce, utilizando como instrumento de pagamento o “dinheiro de plástico” ou cartão de crédito..

(31) 28. Do ponto de vista de fiscalização, os modelos macro prudenciais utilizados pelos órgãos reguladores são voltados para supervisionar as atividades operacionais dos participantes tradicionais do mercado financeiro levando em conta os conceitos conhecidos de captar recursos através dos poupadores e emprestar aos clientes ou tomadores. (Site Banco Central do Brasil). Com as inovações tecnológicas, o foco do órgão regulador muda, sendo uma regulação baseada nas instituições e não nas atividades, pois haverá uma descentralização das mesmas, dificultando o papel do regulador. Isto significa dizer que o banco central começa a atuar na supervisão, monitoramento e fiscalização de maneira individualizada, tratando cada instituição conforme o seu porte e perfil, gerando processos de controle específicos para cada player do mercado financeiro. Com as inovações proporcionadas pelas Fintechs através das utilizações dos aplicativos e celulares, aliado à redução dos custos de transação, uma tendência vem sendo observada no comportamento dos consumidores. Estes consumidores vêm se tornando mais flexíveis à mudança e diminuindo a lealdade com determinada instituição. Se os produtos oferecidos por uma nova instituição atendem as rotinas do dia a dia com certa comodidade, economizando o tempo disponível do consumidor e possibilitando que ele consumidor possa ter mais tempo para se dedicar a outras atividades, ele troca de instituição perdendo a lealdade que existia no passado que expressava certa confiança. Com o surgimento das Fintechs, existem uma série de implicações pela ótica da estrutura do ecossistema financeiro que são positivas, benéficas, conforme descrito anteriormente, porém há implicações que geram novos riscos ou potencializam riscos considerados até então de pouca relevância. A seguir as principais incertezas geradas neste novo rearranjo. . RISCO ESTRATÉGICO. Conforme mencionado, as receitas auferidas pelos bancos tradicionais devem sofrer uma redução de 10% a 40% até 2025 devido a digitalização dos processos e a entrada das não financeiras e das Fintechs no sistema financeiro. As instituições financeiras devem perder uma fatia do mercado e ter as margens reduzidas devido a entrada dos novos players que se caracterizam pelo uso da inovação de forma mais eficiente e por oferecer serviços com menos custos que atendam às necessidades e expectativas dos clientes. Estrategicamente, os novos players desafiam a estrutura vigente, pois possibilitam uma deterioração disruptiva dos.

(32) 29. resultados comprimindo as margens e, consequentemente, alterando a lucratividade adquirida com os clientes. . RISCO OPERACIONAL – SISTÊMICO E IDIOSSINCRÁTICO. Com o crescimento tecnológico no setor financeiro, a interdependência entre os bancos, Fintechs, indústrias não financeiras, reguladores, supervisores e as novas estruturas de mercado, podem causar um risco de tecnologia da informação que será escalável às crises sistêmicas, particularmente nos serviços que estão concentrados ou dominados pelos grandes bancos. A entrada das Fintechs no setor financeiro, aumenta a complexidade nos sistemas devido às integrações e parametrizações entre os participantes atuais e os novos entrantes que estão conectados pela tecnologia e automação de sistemas. A capilaridade que surge neste ecossistema pode gerar um risco em cadeia conhecido como “efeito domino” e colocar em risco o sistema financeiro total. Com a proliferação de novos produtos e serviços financeiros, cresce a complexidade do sistema financeiro, tornando mais difícil o gerenciamento do risco tecnológico e operacional por parte dos gestores e reguladores. Os sistemas legados dos bancos, devem se mostrar menos adaptáveis ou inadequados devido ao surgimento dos novos produtos oferecidos e ao aumento do número de fornecedores e entrantes. As terceirizações ou o aparecimento de novos players, aumentam a complexidade do parque tecnológico e reduz a transparência das operações pois ocorre uma maior capilaridade gerada que dificulta a rastreabilidade da informação. Por consequência, há o aumento do crescimento do risco de proteção aos dados, com privacidade, prevenção a lavagem de dinheiro e crime cibernético. Quanto maior a capilaridade, mais integrações entre os sistemas tendem a acontecer, aumentando o risco de exposição das informações, podendo gerar perdas significativas das mesmas e dificultando a atuação do órgão regulador com relação ao mapeamento das informações. Qualquer perda das informações pode causar ao órgão regulador dificuldades em recepcionar as informações oriundas dos participantes do mercado financeiro e não refletir a integridade e totalidade da informação, fazendo com que os Bancos Centrais percam o controle e a estabilidade financeira..

(33) 30. . RISCO DE CONFORMIDADE. Diante da complexidade e capilaridade gerada com a alta tecnologia no mercado financeiro, do ponto de vista de conformidade e melhores práticas de mercado, os bancos precisam adaptar seus processos de monitoramento com relação a prevenção a lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Atualmente, quando um cliente faz algum pagamento via cartão de crédito/débito ou movimentação através da conta corrente, os bancos possuem a responsabilidade de autenticar a veracidade das transações. Os bancos tradicionais utilizam uma série de regulatórios que lhe permitem, através de questionamentos e premissas quantitativas, avaliar e suspeitar sobre movimentos dos seus clientes. Com o alto nível de automação e distribuição dos produtos ou serviços entre os bancos e as Fintechs, a dificuldade na transparência de como as transações são executadas, o mapeamento destas informações e a responsabilidade de avaliar o cliente quanto ao risco de conformidade, fazem com que os riscos de conduta e conformidade aumentem e coloquem em risco novamente todo o sistema financeiro. Outro exemplo de risco de conformidade que deriva do surgimento das Fintechs é a utilização dos grandes bancos de dados. As Fintechs possuem, como um dos seus pilares de negócios, a facilidade tecnológica no manuseio de grandes bancos de informação, utilizando algoritmos que identificam tendências e mudanças comportamentais dos indivíduos e possibilita uma assertividade maior nas necessidades e soluções à sociedade. Os grandes bancos de dados são formados através de fontes de informação interligadas ou por redes sociais que facilitam a identificação e extração de informações privadas sobre o perfil do indivíduo. As Fintechs, ao utilizar os bancos de dados, podem, em prol da competitividade e sem regras de conformidade bem estabelecidas, violar o sigilo bancário dos clientes ou expor a vida pessoal dos consumidores. . RISCO DE TERCERIZAÇÃO. Com um número maior de participantes envolvidos na oferta de produtos financeiros e serviços (desintermediação financeira) e com o surgimento de vários atores na cadeia de valores do sistema financeiro, os riscos de incidente operacional podem se potencializar. Os bancos tradicionais que possuem a regulação cada vez mais complexa possuem, como desafios a identificação, mensuração, o monitoramento e o controle dos riscos operacionais que surgem fora do ambiente interno a que eles estão acostumados. O risco de terceirização será mais claro se alguns serviços ou produtos forem ofertados por terceiros e que estas empresas provedoras.

(34) 31. de serviços tecnológicos sejam empresas multinacionais, resultando em alto grau de concentração mercadológica. Os bancos, estabelecendo parcerias com as Fintechs, devem possuir processos e rotinas que possibilitam uma conduta apropriada e diligente no gerenciamento dos contratos entre eles, no monitoramento operacional e na vulnerabilidade que esta parceria pode trazer quanto a continuidade dos negócios. As Fintechs e os bancos parceiros devem garantir em seus contratos, cláusulas que garantam segurança jurídica e que diminuam o risco de vulnerabilidade entre os bancos, clientes e financeiras provedoras de tecnologia. . RISCO CIBERNÉTICO. Com o advento tecnológico e os novos modelos de negócio, os riscos cibernéticos tendem a crescer se os controles não estiverem preparados para essa mudança. Aumentar a interconectividade entre os players de mercado pode gerar benefícios aos bancos e seus respectivos clientes, porém também pode prover uma amplitude maior na segurança. Ferramentas que surgem com o aparecimento tecnológico como nuvens, Application Programming Interface (APIs) e outras tecnologias que facilitam a interconectividade, podem potencialmente tornar os sistemas dos bancos tradicionais vulneráveis a ameaças cibernéticas. Segundo o professor da pós-graduação em Perícia Forense da Faculdade Impacta Tecnologia (FIT), Ricardo Tavares, o retorno de investimento dos crimes cibernéticos chegam a render 1.500% e segundo seu estudo, as empresas e instituições públicas em todo mundo devem perder em breve R$ 6 trilhões. Segundo presidente da ESET – produtora de softwares de segurança, Camilo Di Jorge no site convergência digital de maio de 2017 ressalta: “O crime cibernético busca explorar novas plataformas e diferentes tecnologias. Nesse ano, vimos campanhas maliciosas para o mobile, como smartphones e tablets, que geralmente são menos protegidas. Outro exemplo é o caso das botnets de Internet das Coisas, como a Mirai, que surgiu no final do ano de 2016. Aproveitando-se do baixo nível de segurança de muitos equipamentos conectados à internet, o crime cibernético faz a instalação massiva de malwares para controla-los remotamente, formando um verdadeiro exército digital, e para fazer ataques a sites, e-commerce e outros negócios”.. Os hackers utilizam a inovação tecnologia para se aproveitar da grande gama de informações disponibilizadas, se beneficiando financeiramente ou usando as informações como manobra para chantagens contra as empresas. O Norton Cyber Security Insights Report (2017) revela que o Brasil é o segundo no ranking entre os países que mais se prejudicaram financeiramente.

(35) 32. com os crimes cibernéticos. De acordo com a Symantec, os Milênios são as vítimas mais frequentes, principalmente porque 26% deles não adotam qualquer método de proteção em seus dispositivos e/ou compartilham suas senhas. O Banco Central do Brasil está tomando as ações cabíveis para mitigar os riscos que norteiam o novo arranjo financeiro conforme será abordado no capítulo quatro. . RISCO DE LIQUIDEZ E A ALTERNÂNCIA DAS FONTES DE CAPTAÇÃO. PELOS BANCOS Com o advento das novas plataformas tecnológicas provedoras de serviços financeiros, os investidores procuram obter maiores retornos com seus investimentos sendo propiciados principalmente pelo aumento da concorrência, pela redução dos custos impostos pelas instituições financeiras, pela velocidade nas modelagens de crédito e a facilidade e disponibilidade dos serviços financeiros à clientes. Os investidores possuem acesso rápido através dos aplicativos que oferecem uma gama de investimentos proporcionados pelas Fintechs onde escolhem as melhores opções conforme a sua necessidade. Este movimento tem sido conhecido como “mainstrean financeiro” (BCBS, 2017), gerando maiores eficiências, porém afetando a lealdade dos investidores e aumentando a volatilidade dos depósitos. Clientes buscam comodidade e velocidade nas soluções de suas necessidades sendo que as mudanças na infraestrutura do sistema financeiro e do comportamento do cliente, desafiam os bancos tradicionais e reguladores do ponto de vista de liquidez e concentração dos depósitos. Os desafios impostos aos reguladores com o surgimento de novos players e das inovações tecnológicas no setor financeiro são imensos. Os reguladores ao redor do mundo segundo o Comitê de Estabilidade Financeira sobre o Grupo de Questões de Fintechs, em fevereiro 2017 indicou que 20 de 26 jurisdições já estão tomando medidas para responder aos desafios colocados pela inovação. As decisões tomadas e ações regulatórias implementadas, determinaram a extensão e impacto que as Fintechs terão sobre os papeis e responsabilidades dos Bancos Centrais. Essencialmente os reguladores devem ser transparentes nas ações e ter harmonia entre todas as jurisdições, coordenando as ações com supervisores do mundo, de modo a evitar arbitragens regulatórias e situações indesejáveis. Segundo Mark Carney, governador do Banco da Inglaterra e conselheiro do comitê de Política Monetária, do comitê de Política Financeira e do comitê de Regulação Prudencial, “o desafio.

Referências

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