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Epidermólise Bolhosa em animais.

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CENTRO DE SAÚDE E TECNOLOGIA RURAL

CAMPUS DE PATOS – PB

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA

GILDENOR XAVIER MEDEIROS

EPIDERMÓLISE BOLHOSA EM ANIMAIS

PATOS-PB 2012

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GILDENOR XAVIER MEDEIROS

EPIDERMÓLISE BOLHOSA EM ANIMAIS

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Campina Grande como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Medicina Veterinária.

Orientador: Prof. Dr. Franklin Riet-Correa

PATOS-PB 2012

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FICHA CATALOGADA NA BIBLIOTECA SETORIAL DO CSTR UFCG – CAMPUS DE PATOS-PB

M488e 2012

Medeiros, Gildenor Xavier

Epidermólise bolhosa em animais / Gildenor Xavier Medeiros Patos-PB: UFCG, CSTR, PPGMV, 2012.

64p. Bibliografia

Orientador: Franklin Riet-Correa.

Tese (Doutorado em Medicina Veterinária), Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural

1 – Dermatologia Veterinária – Tese. 2 – Doenças da pele. 3 – Caprinos. 4 – Bovinos.

I Título.

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EPIDERMÓLISE BOLHOSA EM ANIMAIS

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Campina Grande como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Medicina Veterinária.

Aprovado em 29/06/2012

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Franklin Riet-Correa - Orientador

Universidade Federal de Campina Grande – Campus de Patos-PB Unidade Acadêmica de Medicina Veterinária

Profa. Dra. Ana Lucia Pereira Schild

Universidade Federal de Pelotas – Faculdade de Veterinária – Pelotas-RS

Prof. Dr. José Augusto Bastos Afonso da Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco

Clínica de Bovinos - Campus de Garanhuns

Profa. Dra. Rosane Maria Trindade de Medeiros

Universidade Federal de Campina Grande – Campus de Patos-PB Unidade Acadêmica de Medicina Veterinária

Prof. Dr. Otávio Brilhante de Sousa

Universidade Federal de Campina Grande – Campus de Patos-PB Unidade Acadêmica de Medicina Veterinária

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“Dedico este trabalho à minha

esposa Lu e aos meus filhos

Guilherme e Giancarlo pelo apoio,

compreensão

e

amor.

Essa

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AGRADECIMENTOS

A DEUS, que me ilumina, fortalece e protege todos os dias.

Aos meus pais, Seu Nivaldo e Dona Madazinha, com simplicidade e sabedoria, me ensinaram a ter: honestidade, humildade, dignidade, respeito ao próximo, bom caráter, disposição para aprender e trabalhar. Aos meus irmãos Gilberto, Gilmar e Givaldo por todo apoio que me deram nesse momento e sempre.

À minha esposa Lu e aos meus filhos, Guilherme e Giancarlo, pela compreensão nos momentos que precisei me ausentar para realizar as atividades do doutorado.

Ao meu orientador, Professor Dr. Franklin Riet-Correa, por acreditar na minha capacidade de realizar este trabalho. Agradeço pelas várias horas dedicadas para me orientar, sempre com muita sabedoria, respeito e paciência.

Ao Professor Dr. Antônio Flávio pelo apoio e orientações essenciais para a realização deste trabalho.

Aos Doutores Severo, Mauro e Anibal pela realização da microscopia eletrônica, indispensável para o êxito dos trabalhos.

Aos professores Eldinê, Sara, Almir, Rosane, Otávio, Verônica, Pedro, Sérgio Azevedo, Felício, Danilo, Nara, Adriano, Sérgio Ricardo e Sônia Lima que, direta ou indiretamente, contribuíram nessa conquista.

Ao colega Glauco que participou diretamente na realização deste trabalho. E aos demais colegas da Patologia Animal: Fabrício, Rômulo, Luciano, Diego, Clarice, Lizanka, Allan, Raquel, Eduardo, Andrei, Thalita, Luiza, José Carlos, Priscila, Everton, Carlos, Gabriela, Pedroso, Malba, Temístocles, Lizziane, Valéria, Francelícia, Danilo, Jean, Jackson, Fernando e Márcia. A todos, muito obrigado pelos momentos de aprendizado, ajuda e companheirismo. Aos colegas de outras áreas que também foram importantes na realização do trabalho: Evaristo, Gildeni, Tatiane, Beatriz, Adriana, Milena, Rodrigo (Digão), Ana Lucélia, André, Fabrícia, Rodrigo Palmeira, Diego Catolé, João Marcos e Leonardo.

A todos os funcionários, em especial: Nevinha, Edinho, D. Joana, Seu Cuité, Seu Zé, Finha, Josemar, Neide e Dal, que sempre me ajudaram no que foi necessário.

Aos Professores Dr. Alexandre Borges e Dr. José Filho da Faculdade de Medicina Veterinária, UNESP, Botucatu, pelos ensinamentos e acolhida importantes para minha formação profissional e pessoal.

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RESUMO

Esta tese inclui três artigos sobre epidermólise bolhosa (EB) em animais, uma doença hereditária, cuja principal característica é a formação de bolhas e erosões na pele e mucosas

em resposta ao mínimo trauma. O primeiro capítulo é um artigo de revisão que abrange o diagnóstico, a classificação, a epidemiologia, o modo de herança, a clínica, a patologia e as alterações ultraestruturais e moleculares da EB em animais. Baseado no nível ultraestrutural de separação do tecido, a EB é dividida em três tipos: simples, juncional e distrófica. Em humanos estima-se que a EB afeta 1 em 17.000 nascidos vivos, mas em animais a frequência de EB não é estimada. Os achados clínicos e patológicos são semelhantes em todos os tipos de EB, variando apenas na intensidade. A EB é causada por mutações nos genes que expressam as proteínas do citoesqueleto dos queratinócitos ou da zona da membrana basal (ZMB). No segundo capítulo foram descritos em caprinos os achados clínicos, histopatológicos e ultraestruturais da EB distrófica transmitida por um gene autossômico recessivo. Os caprinos apresentaram exungulação, erosões, crostas e cicatrizes na pele e úlceras na cavidade oral. Histologicamente, a pele apresentava uma separação subepidérmica preenchida com fluido eosinofílico claro, restos celulares ou neutrófilos. Ultraestruturalmente, o local de separação foi abaixo da lâmina densa na ZMB. Na pele com formação de bolhas e na pele não envolvida clinicamente, a lâmina basal foi preservada, mas as fibrilas de ancoragem eram escassas e rudimentares. Sugere-se que a doença é similar a EB distrófica recessiva generalizada e severa observada em humanos. No terceiro capítulo é descrito um caso de EB em um bezerro. Ele tinha exungulação de todos os cascos, erosões e crostas generalizadas na pele e úlceras na cavidade oral. Na histologia da pele foi observada separação subepidérmica. No exame ultra-estrutural foi identificado a separação ao nível da lâmina lúcida na ZMB, deixando a lâmina densa unida às papilas dérmicas. Os hemidesmossomos apresentavam-se pequenos, pobremente definidos e sem demarcação clara. Os achados clínicos, histológicos e ultraestruturais encontrados no bezerro são característicos da EB juncional.

Palavras-chave: epidermólise bolhosa; zona da membrana basal; doenças mecanobolhosas;

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ABSTRACT

This thesis includes three papers on epidermolysis bullosa (EB) in animals, which is an hereditary disease, characterized by the formation of blisters and erosions on the skin and mucous in response to minor mechanical trauma. The first paper reviews the diagnosis, classification, epidemiology, mode of inheritance, clinical, pathology, and ultrastructural and molecular changes of EB reported in animals. Based on the ultrastructural level of tissue separations EB is divided into three types: simplex, junctional, and dystrophic. In humans it is estimated that EB affect 1 in 17000 live births, but in animal the frequency of EB is not estimated. The clinical and pathological findings are similar in all types of EB, varying only in intensity. EB is due to mutations in genes that express the protein constituent the cytoskeleton of the basal keratinocytes or of the basement membrane zone (BMZ). In the second paper, clinical, histopathological, and ultrastructural findings of dystrophic EB in goats transmitted by an autosomal recessive gene are reported. The goats presented with exungulation, erosions, crusts and scars on the skin and ulcers in the oral cavity. Histologically, the skin showed subepidermal separation, with clefts filled with clear eosinophilic fluid, cellular debris or neutrophils. Ultrastructurally, the site of blister formation was the sub-lamina densa in the BMZ. In skin with blister formation and in clinically uninvolved skin, the basal lamina was preserved, but the anchoring fibrils were scarce and rudimentary. It is suggested that the disease is similar to human severe generalized recessive dystrophic EB. In the third paper, a case of EB in a calf is reported. It was presented exungulation of all hooves, widespread erosions and crusts on the skin, and ulcers in the oral cavity. Histologically, the skin showed subepidermal clefts. Ultrastructurally, there was epidermal-dermal separation at the level of the lamina lucida, with the lamina densa attached to the papillary dermis. The hemidesmosomes were poorly defined and small. The clinical, histological and ultrastructural findings are characteristic of junctional EB.

Keywords: epidermolysis bullosa; basal membrane zone; mechanobullous diseases; hereditary

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LISTA DE FIGURAS

CAPÍTULO I

Figura 1. Búfalo afetado com epidermólise bolhosa simples. A) São observadas numerosas áreas de lesões crônicas com alopecia, erosões, crostas e cicatrizes na pele. Também existem lesões recentes (setas). B) Aspecto palmar dos dedos do membro torácico mostrando a perda do casco de um paradígito e deformidades nos outros cascos. C) Pele com desprendimento recente da epiderme, causado por um atrito ocasional. (A Figura 1 é uma cortesia da Dra. Cristina Fernandes da Universidade Federal de Pelotas-RS)... 25 Figura 2. Bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. A) São observadas grandes áreas de erosões e crostas na pele, principalmente nos membros. Observe a exungulação de todos os cascos. B) Aspecto lateral dos dedos do membro torácico esquerdo, mostrando o desprendimento da pele e a exungulação dos cascos. C) Pele da face interna do pavilhão auricular com desprendimento da epiderme por fricção induzida. D) Mucosa ruminal com várias úlceras, situadas principalmente nos pilares ruminais... 26 Figura 3. Vestíbulo oral. Caprino (A) com epidermólise bolhosa distrófica e bezerro (B) com epidermólise bolhosa juncional. A) No caprino existem úlceras e cicatrizes na mucosa da bochecha, com perda das papilas (seta). B) No bezerro, observa-se uma úlcera na mucosa da bochecha (seta), mas sem cicatrizes e perdas de papilas... 27 Figura 4. Fotomicrografia: Pele de um bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. A epiderme está destacada da derme, formando uma fissura subepidérmica, contendo hemácias e neutrófilos. Hematoxilina e eosina (H&E). Barra = 50 µm... 27 Figura 5. Representação esquemática da organização molecular do citoesqueleto dos queratinócitos basais e da zona da membrana basal. E = epiderme; H = hemidesmossomo; LL = lâmina lúcida; LD = lâmina densa; D = derme. Proteínas dos desmossomos e da junção intercelular: Dp = desmoplaquina; Pg = placoglobina; Pf = placofilina; C = caderinas... 29

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Figura 6. Fotomicrografia eletrônica de transmissão: A) Pele de um búfalo afetado com epidermólise bolhosa simples. O assoalho da bolha suprabasal (estrela) é formado por células basais unidas a derme (D). Observe as células acantolíticas (setas) dentro da bolha. Barra = 2 µm. B) Pele de um bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. As células basais estão formando o teto da bolha (estrela), após a separação da derme ao nível da lâmina lúcida. Observe os pequenos hemidesmossomos (quadrado). Barra = 1 µm. C) Ampliação do quadrado da Figura B. Observe a membrana plasmática (seta) e os hemidesmossomos pequenos e mal definidos dentro dos quadrados. Barra = 200nm. D) Pele de um caprino afetado com epidermólise bolhosa distrófica. A lâmina densa (setas) forma o teto da bolha (estrela). A lâmina basal, os hemidesmossomos e os filamentos de ancoragem estão bem preservados. Barra = 500 nm. (Figura 6A é uma cortesia do Dr. Severo S. Barros da Universidade Federal de Pelotas-RS)... 32

CAPÍTULO II

Figura 1. Pedigree dos caprinos com epidermólise bolhosa distrófica. Os quadrados representam os machos e os círculos as fêmeas. Os quadrados e círculos pretos são os caprinos afetados. As linhas diagonais são os animais que morreram... 45 Figura 2. Caprinos com epidermólise bolhosa distrófica. (A) Caprino I-1. Vista lateral direita da cabeça mostrando alopecia e desprendimento da epiderme na face externa da orelha e na pálpebra superior. (B) Caprino II-8. Face interna da orelha mostrando o desprendimento da epiderme após o teste de Nikolsky. (C) Caprino II-9. Gengiva e lábios com desprendimento do epitélio da mucosa. (D) Caprino I-1. Desprendimento e deformação dos cascos………... 46 Figura 3. Caprino II-9. (A) A cavidade oral mostrando úlceras e cicatrizes no palato duro e na mucosa da bochecha, com perda das papilas bucais (setas). Note o exudato mucopurulento. (B) A língua com extensa ulceração e cicatrizes no dorso, com perda de papilas linguais (setas). Algumas papilas da bochecha e da língua permanecem normais (*)... 46

(11)

Figura 4. Pele. Caprino. (A) A epiderme está destacada da derme, formando uma fissura subepidérmica (*). HE. Barra, 25 µm. (B) Micrografia eletrônica de transmissão. A lâmina basal e os queratinócitos normais formam o teto da bolha (*), e a derme está no assoalho. As fibrilas de ancoragem não são observadas. Barra, 2.5 µm. (C) Micrografia eletrônica de transmissão mostrando a lâmina densa (setas) formando o teto da bolha (*). A lâmina basal, os hemidesmossomos e os filamentos de ancoragem estão bem preservados. Barra, 1 µm. (D) Micrografia eletrônica de transmissão. Pele sem lesões. A lâmina basal está preservada, mas as fibrilas de ancoragem são escassas e rudimentares (setas). Barra, 0.5 µm... 47

CAPÍTULO III

Figura 1. A) Bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. São observadas grandes áreas de erosões e crostas na pele, especialmente nas áreas de atrito e nos membros. Note a exungulação de todos os cascos. B) Membro torácico mostrando desprendimento da pele e exungulação dos cascos. C) Mucosa do palato e da bochecha com desprendimento do epitélio... 58 Figura 2. Pele. Bezerro. A epiderme está destacada da derme, formando uma fenda subepidérmica (*). HE, Barra 50 µm.………….………... 59 Figura 3. Micrografia eletrônica de transmissão. Pele. Bezerro. Junção dermo-epidérmica. É observada a separação (*) ao nível da lâmina lúcida. Células basais (BC). Derme (D). Barra, 5 µm. Inset: Secção semifina mostrando o local da separação, observada na microscopia eletrônica (retângulo). Note a formação da vesícula (estrela). Barra, 50 µm... 59 Figura 4. Micrografia eletrônica de transmissão. Pele. Bezerro. Junção dermo-epidérmica, com a derme separada das células basais. A lâmina densa (setas) está unida à papila dérmica (PD). Note as fibras de colágeno com 20 nm (CF) dentro da derme edematosa. A vesícula também é observada (estrela). Barra, 1 µm... 59 Figura 5. Representação esquemática da ultraestrutura da zona da membrana basal epidérmica... 60

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LISTA DE TABELAS

CAPÍTULO I

Tabela 1. Tipos e subtipos de epidermólises bolhosas baseado no nível ultraestrutural de separação na zona da membrana basal... 19 Tabela 2. Ocorrência natural de epidermólise bolhosa em animais... 21 Tabela 3. Resumo dos achados clínicos e patológicos da epidermólise bolhosa em animais... 24

(13)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 12

Referências... 13

CAPÍTULO I – Epidermólise Bolhosa em Animais – Revisão de Literatura... 15

Abstract... 16

Resumo... 17

Introdução... 17

Diagnóstico e classificação... 18

Epidemiologia e modo de herança... 20

Sinais clínicos e patologia... 22

Alterações ultraestruturais e moleculares... 28

Epidemólise bolhosa simples... 29

Epidermólise bolhosa juncional... 30

Epidermólise bolhosa distrófica... 31

Referências... 33

CAPÍTULO II – Epidermólise Bolhosa Distrófica em Caprinos... 40

Summary... 41 Resumo... 42 Introdução... 42 Material e Métodos... 43 Resultados... 44 Discussão... 48 Referências... 50

CAPÍTULO III – Epidermólise Bolhosa em um Bezerro... 54

Abstract... 55

Resumo... 55

Referências... 61

CONCLUSÕES... 63

(14)

INTRODUÇÃO

A pele possui várias funções, dentre elas se destaca a proteção contra agressões físicas e químicas. Para realizar tais funções, a pele conta com várias especializações dos queratinócitos basais para manutenção da sua integridade. O citoesqueleto dos queratinócitos basais e a membrana basal, que juntos formam os complexos juncionais (célula-matriz e célula-célula), atuam na manutenção da estabilidade e integridade da pele, no bloqueio seletivo de moléculas e no processo de diferenciação das camadas da epiderme (Christiano & Uitto 1996). Os complexos juncionais são compostos por várias proteínas, que são produtos de expressão de diferentes genes. A interação entre as proteínas proporciona uma forte união entre epiderme e derme, entre os queratinócitos e entre as camadas da epiderme. Essa intricada rede de proteínas proporciona resistência ao atrito e pressão (McMillan et al. 2003). Alterações estruturais ou bioquímicas (primárias ou secundárias) nestas proteínas, resultam em fragilidade da pele e desenvolvimento de lesões que caracterizam os sinais clínicos das dermatoses bolhosas (Bruckner-Tuderman 1999, Solovan et al. 2005, Ko & Marinkovich 2010).

É importante ressaltar que a mesma proteína pode estar alterada por causa de uma mutação no gene que a codifica ou por ação de anticorpos em desordens autoimunes, de forma que, em ambas as situações, os sinais clínicos são semelhantes (Wozniak & Kowalewski 2005). A compreensão da etiopatogenia das dermatoses bolhosas adquiridas e hereditárias é essencial para o diagnóstico preciso. Um protótipo para essas condições é a epidermólise bolhosa (EB), uma rara patologia hereditária de humanos (Sawamura et al. 2010, Sianez-Gonzáles et al. 2009) e animais (Bruckner-Tuderman et al. 2010, Natsuga et al. 2010), que pertence a um grupo heterogêneo de distúrbios mecanobolhosos, caracterizado pela formação de bolhas na pele e mucosas, formadas em resposta a um trauma mínimo. Baseado no nível ultraestrutural de separação do tecido, a EB pode ser dividida em três categorias: epidermólise bolhosa simples (EBS), epidermólise bolhosa juncional (EBJ) e epidermólise bolhosa distrófica (EBD) (Fine et al. 2008).

Diferentes formas de EB em humanos têm sido claramente definidas, entretanto, em animais, ainda não foram definidos os critérios para a classificação das diferentes formas da doença, nem os mecanismos moleculares de cada forma. Nos últimos seis anos foi diagnosticado no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus de Patos-PB, um caso de EB em caprinos e dois em bovinos. Diante da

(15)

raridade da doença, surgiu a oportunidade de estudar a EB em animais. Esta tese teve o objetivo de estudar os aspectos etiológicos, epidemiológicos, clínicos, patológicos, genéticos, ultraestruturais e moleculares da EB diagnosticada em caprinos e bovinos. A mesma está dividida em três artigos formatados de acordo com o que estabelece a NORMA Nº 01/2011 de 03 de junho de 2011 do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFCG, Campus de Patos-PB (anexo 1). O primeiro trabalho é um artigo de revisão, submetido à revista Veterinary Dermatology, que aborda o diagnóstico, a classificação, a epidemiologia, o modo de herança, a clínica, a patologia e as alterações ultraestruturais e moleculares da EB em animais. No segundo artigo, são descritos, pela primeira vez, os aspectos clínicos, histopatológicos e ultraestruturais, e o modo de herança da EB do tipo distrófica em caprinos. Este artigo foi aceito para publicação na revista Journal of Comparative Pathology. O terceiro artigo foi publicado na revista Journal of Veterinary Diagnostic Investigation (DOI: 10.1177/104638711425953). O referido trabalho relata os aspectos clínicos, histológicos e ultraestruturais de um caso de EB do tipo juncional em um bezerro.

Referências

Bruckner-Tuderman L. 1999. Biology and pathology of the skin basement membrane zone. Matrix Biology 18: 3-4.

Bruckner-Tuderman L., McGrath J.A., Robinson E.C. & Uitto J. 2010. Animal models of epidermolysis bullosa: update 2010. Journal of Investigative Dermatology 130: 1485-1488.

Christiano A.M. & Uitto J. 1996. Molecular complexity of the cutaneous basement membrane zone. Revelations from the paradigms of epidermolysis bullosa. Experimental Dermatology 5: 1-11.

Fine J.D., Eadly R.A.J., Bauer E.A., Bauer J.W., Bruckner-Tuderman L., Heagerty A., Hintner H., Hovnanian A., Jonkman M.F., Leigh I., McGrath J.A., Mellerio J.E., Murrell D.F., Shimizu H., Uitto J., Vahlquist A., Woodley D. & Zambruno G. 2008. The classification of inherited epidermolysis bullosa (EB): Report of the Third International Consensus Meeting on Diagnosis and Classification of EB. Journal of the American Academy of Dermatology 58: 931-950.

Ko M.S. & Marinkovich M.P. 2010. Role of dermal-epidermal basement membrane zone in skin, cancer, and developmental disorders. Dermatologic Clinics 28: 1-16.

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McMillan J.R., Akiyama M. & Shimizu H. 2003. Epidermal basement membrane zone components: ultrastructural distribution and molecular interactions. Journal of Dermatological Science 31: 169-177.

Natsuga K., Shinkuma S., Nishie W. & Shimizu H. 2010. Animal models of epidermolysis bullosa 28: 137-142.

Sawamura D., Nakano H. & Matsuzaki Y. 2010. Overview of epidermolysis bullosa. Journal of Dermatology 37: 214-219.

Siãnez-Gonzáles C., Pezoa-Jares R. & Salas-Alanis J.C. 2009. Congenital epidermolysis bullosa: A review. Actas Dermosifiliogr 100: 842-856.

Solovan C., Ciolan M. & Olariu L. 2005. The biomolecular and ultrastructural basis of epidemolysis bullosa. Acta Dermatoven APA 14: 127-135.

Wozniak K. & Kowalewski C. 2005. Alterations of basement membrane zone in autoimmune sub epidermal bullous disease. Dermatological Science 40: 169-175.

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CAPÍTULO I

Epidermólise Bolhosa em Animais - Revisão de Literatura

O presente trabalho foi formatado, segundo as normas da revista Veterinary

(18)

Epidermólise Bolhosa em Animais

Gildenor Xavier Medeiros* e Franklin Riet-Correa*

*Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, Universidade Federal de campina Grande, Patos, Paraíba, Brasil, CEP 58708-110.

Correspodência: Franklin Riet-Correa, Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária, Universidade Federal de campina Grande, Patos, Paraíba, Brasil, CEP 58708-110. E-mail: [email protected]

Fontes de Financiamento Este estudo foi auto-financiado.

Conflitos de Interesses

Nenhum conflito de interesse foi declarado.

Abstract

Epidermolysis bullosa (EB) is a hereditary mechanobullous disease of animals and humans, characterized by extreme fragility of the skin and mucous membranes. The main feature of the EB, both in humans and animals, is the formation of blisters and erosions in response to minor mechanical trauma. Based on the ultrastructural level of tissue separations EB is divided into three broad categories: epidermolysis bullosa simplex, junctional epidermolysis bullosa, and dystrophic epidermolysis bullosa. Based in ultrastructural changes and mode of inheritance, human types of EB are divided in several sub-types, but in animals, subtypes are not clearly established. In this paper sub-types of EB in domestic animals are reviewed in accordance with human classification. In humans it is estimated that EB affect 1 in 17,000 live births, but in animal the frequency of epidermolysis bullosa is not estimated. The clinical and pathological findings are similar in all types of EB, varying only in intensity. EB is due to mutations in genes that express the protein constituent of structures cytoskeleton of basal keratinocytes or of the basement membrane zone. This paper reviews the diagnosis, classification, epidemiology, mode of inheritance, clinical, pathology, and ultrastructural and molecular changes of EB reported in animals.

(19)

Resumo

A epidermólise bolhosa (EB) é uma doença mecanobolhosa hereditária de animais e humanos, caracterizada por extrema fragilidade da pele e membranas mucosas. A principal característica da EB, tanto em humanos como em animais, é a formação de bolhas e erosões em resposta ao mínimo trauma. Baseado no nível de separação do tecido, a EB é dividida em três amplas categorias: epidermólise bolhosa simples, epidermólise bolhosa juncional e epidermólise bolhosa distrófica. Com base nas alterações ultraestruturais e no modo de herança, os tipos de EB em humanos são divididos em vários subtipos, mas em animais, os subtipos não são claramente definidos. Neste artigo, os subtipos em animais são revisados de acordo com a classificação para humanos. Em humanos é estimado que a EB afeta 1 em 17.000 nascidos vivos, mas em animais a frequência de epidermólise bolhosa não é estimada. Os achados clínicos e patológicos são semelhantes em todos os tipos de EB, variando apenas na intensidade. A EB é causada por mutações nos genes que expressam as proteínas que constituem o citoesqueleto dos queratinócitos ou a zona da membrana basal. Este artigo revisa o diagnóstico, a classificação, a epidemiologia, o modo de herança, a clínica, a patologia e as alterações ultraestruturais e moleculares da EB em animais.

Introdução

A epidermólise bolhosa (EB) é uma doença mecanobolhosa hereditária de animais e humanos, caracterizada por extrema fragilidade da pele e membranas mucosas. A principal característica da EB, tanto em humanos como em animais, é a formação de bolhas e erosões em resposta a um trauma mínimo, especialmente em áreas mais propícias ao atrito.1,2 A fragilidade da pele e mucosa resulta de anormalidades do citoesqueleto dos queratinócitos basais ou da zona da membrana basal (ZMB).3,4 A EB em humanos tem sido bastante estudada; recentes pesquisas identificaram mutações em diferentes genes, responsáveis pela heterogeneidade clínica na EB.2,5 Camundongos geneticamente modificados foram usados como animais modelos para a compreensão da patogênese da EB em humanos. Entretanto, estudos moleculares em animais domésticos são raros, embora algumas mutações tenham sido identificadas.1 Considerando a raridade da doença e a escassez de literatura em animais, uma revisão compreendendo o diagnóstico, a classificação, a epidemiologia, o modo de herança, os sinais clínicos, a patologia e as alterações ultraestruturais e moleculares da EB contribuirá para o diagnóstico e a pesquisa.

(20)

Diagnóstico e classificação

Suspeita-se de EB quando os animais têm bolhas e erosões na pele e mucosas, que se apresentam em resposta ao mínimo atrito. Esta condição é bem identificada pela aplicação do teste de Nikolsky,6 que é realizado pressionando e deslizando levemente a ponta do dedo ou um objeto de ponta romba na pele. No teste positivo a epiderme desprenderá facilmente. É importante realizar uma completa anamnese e um exaustivo exame físico, incluindo uma criteriosa avaliação da distribuição das lesões e da presença de outros sinais clínicos ou complicações. Também é necessário realizar uma análise genealógica dos animais afetados e de seus ascendentes e descendentes para determinar o modo de herança. O diagnóstico diferencial para EB inclui: penfigóide bolhoso, penfigóide cicatricial, lúpus eritematoso sistêmico bolhoso, dermatose bolhosa por IgA linear, pênfigo vulgar, picadas de insetos e bolhas friccionais.7 Uma vez descartados outros diagnósticos, a suspeita de EB pode ser confirmada através da microscopia eletrônica de transmissão para identificar em que nível ocorreu a separação na ZMB.8,9 Outras técnicas de laboratório, incluindo imunofluorescência e análise de DNA, tornaram-se importantes no diagnóstico da EB.5,10

A classificação da EB em animais segue o mesmo critério usado para humanos, que é o nível ultraestrutural de separação na ZMB. Dessa forma, a EB pode ser dividida em três categorias principais: epidermólise bolhosa simples (EBS), caracterizada pela citólise dos queratinócitos basais, formando uma fissura intraepidérmica; epidermólise bolhosa juncional (EBJ), em que a separação ocorre na lâmina lúcida; e epidermólise bolhosa distrófica (EBD), com separação dentro ou abaixo da lâmina densa. Cada forma de EB tem subtipos que são definidos de acordo com as alterações ultraestruturais e o modo de herança (Tabela 1).11 Porém, em animais, os subtipos não são claramente estabelecidos.

Existe também uma forma adquirida de EB (EBA), uma rara doença autoimune bolhosa da pele, que foi pela primeira vez relatada, em 1895, em humanos. A EBA é classificada como uma EB porque clinicamente ela é semelhante à forma hereditária distrófica.12 Ela é causada pela produção de imunoglobulinas G contra o colágeno VII, o principal componente das fibrilas de ancoragem.13 Em animais, a EBA foi relatada em cães em 1998,14,15 mas, devido à semelhança dos achados clínicos, histológicos e imunohistológicos com o penfigóide bolhoso, essa doença foi mal diagnosticada antes de 1998.15 A EBA está incluída no grupo das doenças bolhosas subepidérmicas autoimunes, portanto, não será abordada nessa revisão.

(21)

Tabela 1. Tipos e subtipos de epidermólises bolhosas baseado no nível ultraestrutural de separação na zona da membrana basal (Adaptado de Fine et al. 2008) Tipos e subtipos de EB Nível de separação ultraestrutural Outros achados ultraestruturais

EB simples (EBS)

EBS localizada Camada basal A fenda pode se estender até a camada suprabasal EBS Dowling-Meara Camada basal Os filamentos de queratina são densos, circunscritos e

aglutinados EBS com distrofia muscular Predominantemente na camada basal, acima da placa interna

hemidesmossomal

Reduzida integração dos filamentos de queratina com os hemidesmossomos

EBS autossômica recessiva Queratinócitos basais Os filamentos de queratina são reduzidos ou ausentes dentro dos queratinócitos basais

EBS superficial Suprabasal, usualmente na interface entre as camadas granular e cornificada

-

EBS letal acantolítica Suprabasal com acantólise Retração perinuclear dos filamentos de queratina EBS com deficiência de

placofilina

Suprabasal, com separação célula-célula Os desmossomos suprabasais são pequenos; ocorre retração perinuclear dos filamentos de queratina

EB juncional (EBJ)

EBJ Herlitz Lâmina lúcida Os hemidesmossomos são marcadamente reduzidos ou

ausentes; a placa densa sub-basal está ausente

EBJ não-Herlitz Lâmina lúcida Os hemidesmossomos podem ser normais ou pequenos e reduzidos em número

EBJ com atresia pilórica Lâmina lúcida As placas hemidesmossomais são pequenas, sempre com placa densa sub-basal atenuada

EB distrófica dominante (EBDD)

EBDD generalizada Sub-lâmina densa As fibrilas de ancoragem são normais ou reduzidas em número

EBDD-dermólise bolhosa do recém-nascido

Sub-lâmina densa Corpos estrelados eletrodensos dentro da camada basal e reduzidas fibrilas de ancoragem

EB distrófica recessiva (EBDR)

EBDR generalizada severa Sub-lâmina densa As fibrilas de ancoragem são escassas, ausentes ou rudimentares

EBDR generalizada Sub-lâmina densa As fibrilas de ancoragem são reduzidas ou de aparência rudimentar

EBDR- dermólise bolhosa do recém-nascido

Sub-lâmina densa Corpos estrelados eletrodensos dentro da camada basal e reduzidas fibrilas de ancoragem

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Epidemiologia e modo de herança

O termo epidermólise bolhosa foi usado pela primeira vez na medicina veterinária em 1974,16 embora em humanos esse termo já tenha sido usado por Koebner, em 1886, no primeiro relato da doença.11 Doenças semelhantes a EB foram relatadas em animais com outros nomes como: a doença do pé vermelho do ovino,17 doença mecanobolhosa hereditária em equinos18,19 e em bovinos,20 e epiteliogênese imperfeita em equino.21 Em búfalos, uma doença mecanobolhosa hereditária, chamada de dermatose acantolítica mecanobolhosa suprabasilar hereditária, não foi classificada como EB porque o nível ultraestrutural de separação é suprabasal, e as lesões orais não são observadas.22 Entretanto, com base na atual classificação de EB em humanos (Tabela 1), esta doença pode ser definida como epidermólise bolhosa simples com separação suprabasal. A doença é similar a EBS com deficiência de placofilina-1, na qual as lesões orais também são mínimas ou ausentes.11 Uma separação suprabasal semelhante é também relatada em uma doença mecanobolhosa hereditária de bovinos da raça Angus, denominada de acantólise familiar.23

A EB é herdada através de mecanismo autossômico dominante ou recessivo. A incidência não é afetada por raça e a doença ocorre tanto no sexo feminino quanto no masculino.1 Até agora a EB é uma doença incurável tanto em humanos quanto em animais. A maioria dos casos em humanos leva a morte na infância24 e os animais são eutanasiados ou morrem durante os primeiros meses de vida.1 São raros os registros de sobrevivência por meses ou anos em animais com EB. Uma cadela sem raça definida, diagnosticada com EBJ não-letal, sobreviveu por pelo menos quatro anos,25 e os búfalos com EBS suprabasal22 sobrevivem até a idade adulta (Figura 1A). Estima-se que em humanos a doença afeta 1 a cada 17.000 nascidos vivos em todo o mundo.26 Em animais, a frequência de EB não é estimada. Entretanto, no laboratório de Patologia do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Campina Grande, no período de 1983 a 2012, de 861 diagnósticos de doenças em caprinos, um cabrito foi diagnosticado com EB. No mesmo período, num total de 1.144 diagnósticos em bovinos, dois bezerros de diferentes fazendas foram diagnosticados com EB. Um inventário atual de EB em animais é mostrado na Tabela 2.

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Tabela 2. Ocorrência natural de epidermólise bolhosa em animais

Tipo de EB e espécie animal Modo de herança Referências

EBS

Bovino Autossômica dominante 34, 36-39

Bovino Autossômica recessiva 23

Búfalo Autossômica recessiva 22

Cão Não determinada 54

EBJ Herlitz

Bovino Não determinada 40

Equino Autossômica recessiva 18, 19, 21, 29-33,70

Ovino Autossômica recessiva 42, 44

Cão Não determinada 46

Rato Autossômica recessiva 50

Camundongo Autossômica recessiva 51

EBJ não-Herlitz

Cão Autossômica recessiva 7, 25, 58, 74-77

Gato Não determinada 27

EBD

Bovino Não determinada 20,35

Ovino Autossômica recessiva 41,43

Caprino Autossômica recessiva 45

Cão Autossômica recessiva 47, 55, 84, 85

Gato Autossômica recessiva 48

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Sinais clínicos e patologia

Os achados clínicos e patológicos são semelhantes em todos os tipos de EB, variando apenas na intensidade. Como as descrições são baseadas em achados observados num pequeno número de registros na literatura, o quadro completo de sinais clínicos pode ser mais diverso (Figura 2A). É interessante notar que a fragilidade da pele e a formação de bolhas é comum em humanos,2,24 enquanto em animais, especialmente em cães e gatos, o tegumento é menos propenso a lesões. Uma possível explicação para esse fenômeno é que em animais o pêlo previne o desprendimento da epiderme, não apenas por atuar como barreira mecânica, mas também por ancorar profundamente a epiderme na derme ao nível da invaginação dos folículos pilosos.27 Distrofia ou queda das unhas é outro sinal frequente em humanos com EB,28 isto corresponde a deformidade e perda dos cascos em equinos,29-33 búfalos (Figura 1B),22 bovinos (Figura 2B),34-40 ovinos41-44 e caprinos45 e a onicomadese em cães7,25,46,47 e gatos.27,48,49 Geralmente as lesões são mais severas em casos de EBJ (Figura 2A) do que em outros tipos de EB (Figura 1A), provavelmente porque as alterações observadas em EBJ envolvem as principais estruturas de união da ZMB (ver alterações ultraestruturais e moleculares). Em bovinos (Figura 2A),40 equinos29 e ovinos42,44 afetados por EBJ tipo Herlitz, as lesões de pele são severas e distribuídas pelo corpo, todos os cascos são afetados ao mesmo tempo e os animais morrem nas primeiras semanas de vida. O mesmo é observado em cães,46 ratos50 e camundongos,51 mas as lesões são mais brandas. Em EBD, as lesões da pele e das membranas mucosas têm uma tendência a cicatrizar, característica observada em caprinos45 e humanos.52 A cura com cicatrizes ocorre porque a formação de bolhas é sob a lâmina densa da ZMB, proporcionando uma cicatrização mesenquimal da derme.52,53

Em animais a intensidade das lesões está diretamente associada ao modo de vida de cada espécie. Em animais de produção as lesões são mais intensas porque eles vivem em rebanhos e num ambiente mais favorável a traumas. Quando os animais são contidos com as mãos ou com cordas, ou entram em contato uns com os outros ou com os estábulos, a epiderme se desprende facilmente (Figuras 1C e 2C). A perda dos cascos é também comum durante o manejo.22,29,38-40,43 Em cães7,54,55 e gatos27,49 as lesões são menos graves do que em animais de produção e são mais predominantes em áreas glabras como ápice do nariz e coxins palmares e plantares.

As principais lesões orais são úlceras multifocais na mucosa da gengiva, do palato, dos lábios, da bochecha e do dorso da língua.27,29,40-45,55 No entanto, as lesões em herbívoros são mais extensas do que em outras espécies por causa do alimento fibroso. Os ruminantes podem

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ser mais afetados por lesões orais porque passam mais tempo mastigando do que os monogástricos, em função da ruminação. Esporadicamente, são observadas úlceras na mucosa de outros órgãos como esôfago,41,43,45,55 ânus, vulva,45 vagina,21 córnea38,41,45e pré-estômagos (Figura 2D). Tal como em humanos,56,57 em caprinos com EBD45 a cura com formação de cicatrizes é responsável por alterações da arquitetura de algumas estruturas anatômicas da mucosa oral, incluindo papilas da bochecha e da língua, que podem reduzir o comprimento ou desaparecer após a cicatrização, deixando uma superfície plana (Figura 3A). Essa característica não foi observada em ruminantes com EBS23,34,36-39 e EBJ (Figura 3B).40 Hipoplasia do esmalte dentário é um achado comum em humanos57 com EBJ, mas em animais tem sido esporadicamente observada em equinos29,30 e caninos.58

Os achados histopatológicos da pele e da mucosa são similares em todos os tipos de EB, mas variam de acordo com a evolução da manifestação clínica, o local da lesão e as lesões secundárias, como infecção bacteriana. A lesão inicial é a separação subepidérmica com inflamação mínima. Nas lesões mais avançadas, são observadas extensas áreas de epiderme separadas da derme, formando grandes fissuras contendo fluido eosinofílico, eritrócitos e neutrófilos ocasionais (Figura 4).38,40,43 Em EBS com separação suprabasal22,23 é observada a perda da junção intercelular e acantólise. São observadas áreas de perda do epitélio oral e lingual (exceto em búfalos)22 associada à necrose, extensiva ulceração, infiltração por neutrófilos e hemorragia.38,40,45 Alterações similares são observadas na mucosa do esôfago em ovinos41,43 e caprinos45 com EBD, e na mucosa vaginal e anal em equinos com EBJ.21 Desprendimento do epitélio da córnea com o mínimo de inflamação foi observado em EBD41,45 e EBS.38

A Tabela 3 resume os achados clínicos e patológicos de EB em animais. Podem ocorrer variações entre as espécies e as informações resumidas na Tabela 3, que devem ser consideradas como diretrizes, e não como descrições definitivas de cada fenótipo possível da EB.

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Tabela 3. Resumo dos achados clínicos e patológicos da epidermólise bolhosa em animais

Achados clínicos e patológicos EBS EBJ EBD

Início dos sinais clínicos 1ª semana Ao nascer 1ª semana

Pele

Distribuição predominante Membros, pontos de pressão,áreas glabras

Generalizada Membros, pontos de pressão,áreas

glabras

Bolhas, erosões e crostas ++(bovino, búfalo), +(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) ++(ovino, caprino), +(cão, gato) Alopecia ++(bovino, búfalo), +(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) ++(ovino, caprino), +(cão, gato)

Cicatriz atrófica - - ++(caprino)

Milia - - +(cão, gato)

Cascos e garras

Eritema da banda coronária ++(bovino, búfalo), +(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) ++(ovino, caprino), +(cão, gato) Deformidades ++(bovino, búfalo), +(cão) ++(bovino, equino, ovino), +( cão, gato, rato, camundongo) +++(ovino, caprino), +(cão, gato) Exungulação ++(bovino, búfalo), +(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) ++(ovino, caprino), +(cão, gato) Envolvimento extra-cutâneo

Retardo do crescimento ++ +++ ++

Lesões na cavidade oral +++(bovino), ++(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) +++(ovino, caprino), +(cão, gato)

Úlcera na córnea +(bovino) +(gato) +(ovino, caprino)

Exame pós-morte

Úlceras na cavidade oral +++(bovino), ++(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) +++(ovino, caprino), +(cão, gato) Úlceras na lingua +++(bovino), ++(cão) +++(bovino, equino, ovino), ++(cão, gato, rato, camundongo) +++(ovino, caprino), ++(cão, gato) Defeitos no esmalte dentário - Hipoplasia de esmalte, +(equino, cão) -

Lesões no trato gastrointestinal - Úlceras nos pré-estômagos, + (Bovino) e ânus, +( equino) Úlcera esofágica, +(ovino, caprino, cão) Lesões no trato genitourinário - Úlceras na vagina, +( equino) Úlceras na vulva, +(caprino)

Morte 3ª semana (bovino)

1º(cão) ao 4º ano (búfalo)

Herlitz: 1ª semana

Não-Herlitz: 1º (gato) ao 4º ano (cão)

1º ao 3º mês (ovino,caprino) 1º ano (cão, gato)

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Figura 1. Búfalo afetado com epidermólise bolhosa simples. A) São observadas numerosas

áreas de lesões crônicas com alopecia, erosões, crostas e cicatrizes na pele. Também existem lesões recentes (setas). B) Aspecto palmar dos dedos do membro torácico mostrando a perda do casco de um paradígito e deformidades nos outros cascos. C) Pele com desprendimento recente da epiderme, causado por um atrito ocasional. (A Figura 1 é uma cortesia da Dra. Cristina Fernandes da Universidade Federal de Pelotas-RS).

(28)

Figura 2. Bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. A) São observadas grandes

áreas de erosões e crostas na pele, principalmente nos membros. Observe a exungulação de todos os cascos. B) Aspecto lateral dos dedos do membro torácico esquerdo, mostrando o desprendimento da pele e a exungulação dos cascos. C) Pele da face interna do pavilhão auricular com desprendimento da epiderme por fricção induzida. D) Mucosa ruminal com várias úlceras, situadas principalmente nos pilares ruminais.

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Figura 3. Vestíbulo oral. Caprino (A) com epidermólise bolhosa distrófica e bezerro (B)

com epidermólise bolhosa juncional. A) No caprino existem úlceras e cicatrizes na mucosa da bochecha, com perda das papilas (seta). B) No bezerro, observa-se uma úlcera na mucosa da bochecha (seta), mas sem cicatrizes e perdas de papilas.

Figura 4. Fotomicrografia: A) Pele de um bezerro

afetado com epidermólise bolhosa juncional. A epiderme está destacada da derme, formando uma fissura subepidérmica, contendo hemácias e neutrófilos. Hematoxilina e eosina (H&E). Barra = 50 µm.

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Alterações ultraestruturais e moleculares

A EB é causada por mutações nos genes que expressam as proteínas constituintes do citoesqueleto dos queratinócitos basais e da ZMB.3,4 O citoesqueleto é formado por uma rede citoplasmática de filamentos intermediários compostos de queratina 5 e queratina 14. Estes filamentos estão conectados aos desmossomos e hemidesmossomos e desempenham um papel na organização da arquitetura celular e na manutenção da integridade estrutural da epiderme.59 As células epidérmicas comunicam-se através dos desmossomos e junções intercelulares. Os desmossomos são complexos especializados que formam as junções intercelulares entre as células epiteliais adjacentes. As principais proteínas destas junções intercelulares são: placoglobina, placofilina, desmoplaquina e as caderinas desmocolina e desmogleina (Figura 5).4 A ZMB está localizada na junção entre a epiderme e a derme. Sua função é manter a adesão entre estes dois tecidos, estruturalmente diferentes, por meio de uma complexa rede de moléculas de adesão intricadamente inter-relacionadas. A ZMB é dividida em três áreas: os hemidesmossomos, a lâmina lúcida e a lâmina densa. Os hemidesmossomos são formados pelas placas interna e externa. A placa interna é composta pelas proteínas hemidesmossomais citoplasmáticas HD1/plectina e BP230. Ela está conectada aos filamentos intermediários, no interior do citoplasma dos queratinócitos basais. A placa externa contém as proteínas integrina α6β4 e BP180. A lâmina lúcida é formada por: membrana plasmática, placa densa sub-basal e filamentos de ancoragem. Os filamentos de ancoragem são compostos pelas proteínas BP180 (também conhecido como colágeno XVII) e laminina 332 (antes chamada de laminina 5). A lâmina densa é constituída principalmente pelo colágeno IV. Sob a lâmina densa estão as fibrilas de ancoragem, elas se estendem até a papila dérmica e são compostas de colágeno VII (Figura 5).60,61 Cada tipo de EB tem alterações ultraestruturais e moleculares específicas, que são descritas em seguida.

(31)

Figura 5. Representação esquemática da organização molecular do citoesqueleto dos

queratinócitos basais e da zona da membrana basal. E = epiderme; H = hemidesmossomo; LL = lâmina lúcida; LD = lâmina densa; D = derme. Proteínas dos desmossomos e da junção intercelular: Dp = desmoplaquina; Pg = placoglobina; Pf = placofilina; C = caderinas.

Epidermólise bolhosa simples

Em humanos24,62 e bovinos38 a EBS é geralmente causada por mutações nos genes que codificam as queratinas 5 e 14 (genes KRT5 e KRT14) e transmitida por herança autossômica dominante. Em bovinos a separação acima da membrana basal é formada por lise dos queratinócitos basais e aglutinação de filamentos intermediários;38,39 essa mesma alteração foi descrita na forma Dowling-Meara de EBS em humanos.62 Em bovinos foi identificada uma mutação “missense” no gene KRT5, que causou a mudança no códon GAG (ácido glutâmico) para AAG (lisina) na posição 478. Possivelmente, essa mudança de aminoácidos (ácido para básico) alterou a formação da queratina e dos filamentos intermediários causando fragilidade dos queratinócitos e a separação da epiderme.38 A mesma mutação foi relatada em casos de EBS em humanos.63 Em humanos a EBS transmitida de forma recessiva é causada por mutações nos genes PLECTIN,64,65 DESMOPLAKIN66 e PLAKOPHILIN-1.24,67 A EB em búfalos, transmitida através de mecanismo autossômico recessivo, é caracterizada por separação suprabasal entre o estrato basal e o estrato espinhoso, com perda da junção desmossomal (Figura 6A).22 Estas mudanças assemelham-se a EBS com separação

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suprabasal, associada à deficiência de placofilina-1, conhecida como síndrome da fragilidade da pele e displasia ectodérmica, observada em humanos.24,67 Estudos complementares sugeriram que a doença em búfalos ocorreu, provavelmente, devido a defeitos na estabilidade, estrutura ou função das caderinas desmossomais e não às alterações nas proteínas da placa desmossomal.68

Epidermólise bolhosa juncional

Todos os subtipos de EBJ que afetam humanos2,11,24 e animais1 são transmitidos, por genes autossômicos recessivos e são caracterizados por formação de bolhas na lâmina lúcida (Figura 6B) e defeitos nas proteínas do complexo hemidesmossomos-filamentos de ancoragem. Os hemidesmossomos são as principais estruturas de adesão na ZMB. As anormalidades no complexo hemidesmossomos-filamentos de ancoragem podem causar extrema fragilidade na junção entre epiderme e derme, de modo que os sinais clínicos são mais severos em EBJ do que nos outros tipos de EB.24,69 Em bovinos,40 equinos,21,70 e ratos50 são observados filamentos de ancoragem reduzidos, hemidesmossomos pequenos e sem clara demarcação (Figura 6C), e placa densa sub-basal atenuada. Em humanos a maioria das mutações que causa EBJ, está situada em um dos três genes que codificam as cadeias α3, β3, ou γ2 da laminina 332, respectivamente os genes LAMA3, LAMB3 e LAMC2.2 Essas mutações causam a falta de expressão das respectivas cadeias de proteínas. A laminina 332 forma os filamentos de ancoragem que conecta a integrina α6β4 dos hemidesmossomos ao colágeno VII das fibrilas de ancoragem.61 Uma mutação “frameshift” no gene LAMC2 gerou um prematuro códon de parada em equinos Belgas29,31 e ovinos Black Headed Mutton,42 geneticamente similar a EBJ do tipo Herlitz, a forma mais severa observada em humanos.71,72 Em equinos da raça American Saddlebred foram identificadas mutações no gene LAMA3 devido a deleção de 6.589 pb na região incluindo os éxons 24-27. Esta mutação causou um fenótipo semelhante ao dos equinos Belgas com EBJ.33 Em humanos com EBJ clinicamente menos grave, conhecida como EBJ não-Herlitz, são identificadas mutações nos genes COL17A1 (que codifica o colágeno XVII), ITGA6 e ITGB4 (que codificam a integrina α6β4). Nesses casos, a microscopia eletrônica mostra os hemidesmossomos normais ou pequenos e em menor número.11 Em cães25,73-77 são observados achados clínicos e ultraestruturais semelhantes a EBJ não-Herlitz de humanos. Usando um anticorpo específico para o colágeno XVII, em todos os fragmentos de pele (lesionada e não lesionada) de cães

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com EBJ, a reação imunoistoquímica foi negativa, sugerindo uma falha na expressão do gene COL17A1.74

Epidermólise bolhosa distrófica

A EBD é transmitida por mecanismo autossômico dominante ou recessivo, causada por mutações no gene COL7A1 que codifica o colágeno VII, o principal componente das fibrilas de ancoragem da junção entre epiderme e derme.52,78,79 Ultraestruturalmente, o local da separação é abaixo da lâmina densa (Figura 6D). Em humanos,9,52,78 gatos,49 cães,45 ovinos41 e caprinos45 com EBD recessiva são observadas fibrilas de ancoragem escassas e rudimentares. Tais alterações diminuem a adesão das fibrilas de ancoragem com as fibras de colágeno da derme, deixando a junção entre epiderme e derme susceptível a separação.80 Na forma dominante, relatada em humanos, mas não em animais, as fibrilas de ancoragem têm a forma normal, mas são reduzidas em número.81 Outras estruturas da ZMB (queratinócitos basais, lâmina lúcida, lâmina densa e hemidesmossomos) são normais. Mais de 300 mutações são relatadas em humanos e a maioria está associada a substituições de glicinas por diferentes aminoácidos. Estas mutações são causadas por alteração em um alelo do gene que expressa o colágeno VII. As substituições de glicinas provavelmente têm um efeito dominante negativo na formação do colágeno VII.81-83 Uma mutação “missense” no gene COL7A1 com substituição de glicina por uma serina foi também observada em cães com EBD recessiva.84,85

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Figura 6. Fotomicrografia eletrônica de transmissão: A) Pele de um búfalo afetado com

epidermólise bolhosa simples. O assoalho da bolha suprabasilar (estrela) é formado por células basais unidas a derme (D). Observe as células acantolíticas (setas) dentro da bolha. Barra = 2 µm. B) Pele de um bezerro afetado com epidermólise bolhosa juncional. As células basais estão formando o teto da bolha (estrela), após a separação da derme ao nível da lâmina lúcida. Observe os pequenos hemidesmossomos (quadrado). Barra = 1µm. C) Ampliação do quadrado da Figura B. Observe a membrana plasmática (seta) e os hemidesmossomos pequenos e mal definidos dentro dos quadrados. Barra = 200 nm. D) Pele de um caprino afetado com epidermólise bolhosa distrófica. A lâmina densa (setas) forma o teto da bolha (estrela). A lâmina basal, os hemidesmossomos e os filamentos de ancoragem estão bem preservados. Barra = 500 nm. (Figura 6A é uma cortesia do Dr. Severo S. Barros da Universidade Federal de Pelotas-RS).

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