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Relationship Between the Capital Structure and the Asset Structure in the Electrical Energy and Telecommunications Brazilian Branches

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Academic year: 2021

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(1)RBGN – REVISTA BRASILEIRA DE GESTÃO DE NEGÓCIOS. © FECAP. ISSN 1806-4892. ÁREA TEMÁTICA: FINANÇAS E ECONOMIA. Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações Relationship Between the Capital Structure and the Asset Structure in the Electrical Energy and Telecommunications Brazilian Branches Relación entre Estructura de Capitales y Estructura de Activos en los Sectores Brasileños de Energía Eléctrica y Telecomunicaciones Romero Machado Ferreira1 Luiz Alberto Bertucci2 Antônio Dias Pereira Filho3. Recebido em 19 de agosto de 2009 / Aprovado em 14 de dezembro de 2009 Editor Responsável: Evandir Megliorini, Dr. e Francisco Henrique Figueiredo de Castro Junior,Dr. Processo de Avaliação: Double Blind Review. RESUMO Este trabalho analisa o comportamento da estrutura de capital no momento de grandes investimentos e em períodos subsequentes, colocando em evidência as relações entre decisões de investimento  e  financiamento.  Em  termos  empíricos, foram analisados os dados financeiros de empresas  brasileiras  dos  setores  de  energia  elétrica  e telecomunicações  que  apresentaram  aumento de ativo permanente igual ou superior a 75% em determinado  momento  entre  1996  e  2005,  a fim de avaliar a evolução da estrutura de capital. A  metodologia  consistiu  essencialmente  na  utilização  de  testes  não-paramétricos  de  com o objetivo de comparar e analisar a estrutura de capital das empresas em momentos. Whitney . Mann-. anteriores  e  posteriores  à  realização  de  grandes investimentos.  Os  resultados  encontrados  permitiram  concluir  que,  mesmo  mediante  forte aumento  na  estrutura  de  ativos,  a  estrutura  de capital das empresas do setor de energia elétrica foi afetada apenas no médio e longo prazos. Por outro lado, no setor de telecomunicações, ela não foi afetada até dois anos após o aumento realizado nos ativos permanentes. A análise de histórias específicas de empresas da amostra revelaram que suas  especificidades  exercem  um  papel  crucial sobre a escolha da estrutura de capital, superando até mesmo os efeitos provocados por características setoriais. Este trabalho fornece elementos para  uma  melhor  compreensão  do  tema  estrutura de capital.. 1. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG [[email protected]] 2. Doutor em Administração pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Ciências Econômicas, Departamento de Ciências Administrativas – UFMG [[email protected]] 3. Doutor em Administração pela Université Pierre Mendès, França. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Ciências Econômicas, Departamento de Ciências Administrativas – UFMG [[email protected]] Endereço dos autores: Av. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha, Belo Horizonte – MG Cep. 31270-901 – Brasil R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. 7.

(2) Romero Machado Ferreira / Luiz Alberto Bertucci / Antônio Dias Pereira Filho. Palavras-chave: Estrutura de capital. Estrutura de. de  energía  eléctrica  y  telecomunicaciones  que. ativos. Empresas brasileiras.. presentaron aumento del activo permanente igual o superior al 75% en determinado momento entre 1996  y  2005,  con  la  finalidad  de  evaluar  la. ABSTRACT. evolución de la estructura de capital. Esencialmente,. This  work  analyzes  the  behavior  of  capital. la  metodología  se  fundamentó  en  el  uso  de  las. structures  when  large  investments  are  placed  as. pruebas no paramétricas de Mann-Whitney con. well  as  subsequent  periods,  evidencing  the. el propósito de comparar y analizar la estructura. relationship  between  investment  and  financial. de  capital  de  las  empresas  en  los  momentos. decisions.  In  empirical  terms  we  have  analyzed. anteriores y posteriores a la realización de grandes. financial  data  from  Brazilian  companies  of  the. inversiones. Los resultados encontrados permitieron. electrical energy and telecommunications branches. concluir que incluso mediante un fuerte aumento. that  have  presented  an  increase  in  fixed  assets. en la estructura de activos, la estructura de capital. equal or greater than 75% in a specific moment. de las empresas del sector de energía eléctrica sólo. between 1996 and 2005, in order to evaluate their. fue afectada a medio y largo plazo. Por otra parte,. evolution in capital structure. The methodology. en  el  sector  de  telecomunicaciones  la  estructura. essentially consisted of the use of non-parametric. de capital solamente fue afectada dos años después. tests of Mann-Whitney to compare and to analyze. de  la  realización  del  aumento  en  los  activos. the structure of capital of the companies at previous. permanentes.  El  análisis  de  historias  específicas. and  posterior  moments  to  the  accomplishment. de  las  empresas  de  la  muestra  reveló  que  sus. of great investments. The results found allow us. especificidades  ejercen  un  papel  crucial  en  la. to  conclude  that  even  though  there  was  a  great. selección  de  la  estructuras  de  capital,  e  incluso. increase in the capital structure of companies in. sobrepasan los efectos provocados por características. the electrical energy field, they only affected these. sectoriales.  Este  trabajo  proporciona  elementos. companies  in  the  medium/long  term.  On  the. que permiten comprender mejor el tema estructura. other  hand,  in  the  telecommunications  field,. de capital.. it  was  not  affected  up  until  two  years  after  the increase  in  the  fixed  assets.  The  analysis  of. Palabras clave: Estructura de capital. Estructura. some companies’ specific stories show that their. de activos. Empresas brasileñas.. specificities  exert  a  major  role  in  the  choice  of capital  structure,  even  greater  than  the  effect provoked by inherent characteristics to the fields. 1. INTRODUÇÃO. of  study. This  paper  gives  elements  for  the  best understanding of the capital structure subject.. A decisão de financiamento situa-se entre as mais importantes no âmbito das organizações.. Key  words:  Capital  structure.  Asset  structure.. Estudos  nessa  área  nos  remetem  diretamente  à. Brazilian enterprises.. teoria financeira da estrutura de capital, que trata da  composição  entre  capitais  próprios  e  de  terceiros  e  que  tem  muito  a  ver  com  os  níveis  de. 8. RESUMEN. risco  operacional  e  financeiro  enfrentados  pelas. Este  trabajo  analiza  el  comportamiento  de  la. empresas.. estructura  de  capital  en  el  momento  en  que  se. Neste trabalho a atenção é centrada sobre. realizan  grandes  inversiones  y  en  los  períodos. o modo como as empresas brasileiras dos setores. subsiguientes  y  pone  en  evidencia  las  relaciones. de energia elétrica e telecomunicações financiam. entre  decisiones  de  inversión  y  financiamiento.. seus investimentos e, mais especificamente, sobre. En  términos  empíricos  se  analizaron  los  datos. seus  comportamentos  quando  realizam  fortes. financieros de empresas brasileñas de los sectores. movimentos  de  crescimento  por  meio  de  gran-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010.

(3) Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações des  investimentos.  De  fato,  qualquer  empresa  é. para  uma  melhor  compreensão  das  decisões  de. obrigada  a  levantar  recursos  financeiros  para. empresas brasileiras em matéria de financiamento.. expandir  suas  atividades,  seja  recorrendo  à  pou-. Mais especificamente, procura-se apontar evidên-. pança  dos  proprietários  (capitais  próprios),  seja. cias capazes de sustentar a hipótese segundo a qual. obtendo  recursos  junto  a  credores  (capitais  de. aumentos importantes na estrutura de ativos exer-. terceiros).. cem influência direta e significativa sobre a estru-. Sob essa perspectiva, a ideia consiste essencialmente em buscar respostas às opções assumi-. tura de capital das empresas brasileiras dos setores supramencionados.. das pelas empresas dos referidos setores quanto à. Do ponto de vista prático, a melhor com-. formação de suas respectivas estruturas de capital,. preensão das questões de financiamento associa-. o que se faz por meio de “testes de força” repre-. das ao investimento e, portanto, ao crescimento. sentados por grandes mudanças em suas estrutu-. e  à  valorização,  ajudará  as  empresas,  o  governo. ras  de  ativos  em  determinados  momentos.  Mais. (no  sentido  de  criação  e  aprimoramento  de. precisamente, procura-se constatar a existência de. mecanismos  de  incentivo  ao  investimento),  os. preferências por uma ou outra estrutura de finan-. investidores, os credores e o mercado financeiro,. ciamento,  mesmo  em  momentos  extraordiná-. por  meio  de  informações  e  interpretações  mais. rios  como  aqueles  em  que  as  empresas  realizam. acuradas para a análise de risco, projeções e toma-. importantes investimentos.. da  de  decisões.  Num  mercado  como  o  brasilei-. No  que  tange  ao  desenvolvimento  do. ro,  no  qual  há  forte  potencial  de  crescimento,  a. tema, a teoria que trata da estrutura de capital das. qualidade  dessas  informações  é  de  fundamental. empresas é reconhecidamente complexa e, apesar. importância.. de mais de meio século de evolução constante por. À luz do exposto acima, pode-se precisar. meio de estudos e pesquisas, especialmente empí-. que o objetivo principal deste trabalho é analisar. ricos, ainda não se produziu um modelo capaz de. as formas de financiamento utilizadas por empre-. explicar os diferentes comportamentos adotados. sas brasileiras dos setores de energia elétrica e tele-. pelas empresas. As divergências quanto à possibili-. comunicações no contexto da realização de gran-. dade ou não de existência de uma estrutura ótima. des investimentos. Além disso, procura-se verificar. de  capital  como  forma  de  maximizar  os  ganhos. o comportamento da estrutura de capital no cur-. é, por exemplo, um indicador de que o tema está. to e longo prazos em relação ao referido evento.. longe de ser esgotado.. Acredita-se que dadas as características dos inves-. Desse modo, a teoria financeira é carente. timentos realizados, a estrutura de capital dessas. de  muitas  respostas  concretas,  notadamente  em. empresas  seja  significativamente  diferente  tanto. relação à composição de financiamento mais ade-. antes quanto depois da decisão.. quada para os diferentes tipos de empresas, à uti-. Ademais, pretende-se identificar que his-. lização da estrutura de capital como mecanismo. tórias particulares de empresas consideradas indi-. de proteção aos diversos movimentos especulati-. vidualmente exercem um papel importante, às ve-. vos  e,  em  especial  para  este  trabalho,  ao  com-. zes essencial, no processo de escolha da estrutura. portamento da estrutura de capital sob a influên-. de capital, o que representa uma certa confronta-. cia  de  grandes  movimentos  de  investimento.. ção  aos  postulados  teóricos  segundo  os  quais  as. A respeito deste último aspecto, percebe-se que,. características setoriais representam um dos princi-. mesmo em relação à pesquisa empírica, pouco se. pais determinantes da estrutura de financiamento. produziu no Brasil e no exterior.. das empresas.. Portanto, este trabalho pode ser visto como. Este  trabalho  compreende  cinco  seções,. uma contribuição ao desenvolvimento da pesquisa. sendo a primeira esta introdução. Na segunda seção. referente à escolha da estrutura de capital sob con-. são  identificados  e  apresentados  os  principais. dições  pouco  exploradas  pela  teoria  financeira,. estudos  acerca  do  tema  estrutura  de  capital.  A. tornando-se,  assim,  particularmente  importante. metodologia da pesquisa é detalhada e discutida. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. 9.

(4) Romero Machado Ferreira / Luiz Alberto Bertucci / Antônio Dias Pereira Filho na seção três. Em seguida, a seção quatro é consa-. jetos com retornos superiores à taxa de desconto. grada à apresentação e à discussão dos principais. utilizada na categoria de risco da empresa.. resultados encontrados. As conclusões e conside-. Elaborado a partir de uma série de suposi-. rações finais compõem a seção cinco. Por fim, são. ções expressando condições ideais de funcionamen-. listadas as referências bibliográficas consultadas e. to do mercado – ausência de tributação, de custos. utilizadas na realização do estudo.. de falência, de custos de transação e de custos de agência, e considerando os mercados financeiros como eficientes – o trabalho de Modigliani e Miller. 2. ESTUDOS  SOBRE  ESTRUTURA  DE CAPITAL. (1958)  representa  efetivamente  a  base  para  o desenvolvimento de uma série de estudos que buscam justamente analisar a influência da introdu-. 10. A pesquisa sobre o modo como as empre-. ção das diferentes imperfeições do mercado sobre. sas  financiam  suas  atividades  e  seus  investimen-. as decisões referentes à estrutura de capital. É essen-. tos nos remete ao estudo da estrutura de capital.. cialmente dentro dessa perspectiva que são realiza-. Esta é definida como uma combinação de recur-. dos os estudos e pesquisas sobre o tema no âmbi-. sos  próprios  e  de  terceiros  escolhida  por  uma. to das teorias das trocas (. empresa,  onde  cada  um  dos  investidores  (acio-. dos custos de agência, da assimetria de informa-. nistas  e  credores)  enfrenta  condições  e  riscos. ção,  da  hierarquia  de  financiamentos  (. Static Trade-Off Theory),. diferenciados  e,  consequentemente,  exige  igual-. Pecking Order Theory),  assim  como  na  identificação  dos. mente  uma  taxa  de  retorno  diferenciada.  Como. determinantes das escolhas em matéria de estru-. bem destacado por Assaf Neto (2003), a escolha. tura de capital, destacando-se aqui as influências. da estrutura de financiamento está estreitamente. exercidas pela natureza dos produtos, empresas e. associada ao custo de capital total da empresa.. competição  no  mercado.  É  importante  destacar. Durand (1952, 1959) foi um dos pioneiros. que os trabalhos de Harris e Raviv (1991), Myers. em advogar a favor da existência de uma estrutu-. (2001) e Swanson, Srinidhi e Seetharaman (2003). ra  ótima  de  capital.  Seus  estudos,  assim  como. fornecem ótimas sínteses sobre as principais teo-. outros  nessa  mesma  linha,  constituem  o  que  se. rias que buscam explicar as decisões de estrutura. conhece como teoria tradicional da estrutura de. de capital das empresas.. capital.  Em  síntese,  essa  teoria  admite  que  o. A  teoria  das  trocas  repousa  sobre  a  ideia. endividamento pode ser elevado até certo ponto. segundo a qual o endividamento proporciona ao. ótimo onde o valor do Custo Médio Ponderado. mesmo tempo benefícios e custos para a empresa.. de Capital (CMPC) é minimizado e, por conse-. Os benefícios decorrem essencialmente da vanta-. guinte, o valor da empresa é maximizado. Apesar. gem fiscal obtida com a dedutibilidade dos juros.. de suas limitações, a abordagem tradicional é geral-. Por  sua  vez,  os  custos  são  normalmente  aqueles. mente  considerada  como  o  início  dos  estudos  e. relacionados  à  falência  da  empresa,  ou  seja,  os. proposições acerca da estrutura de capital.. decorrentes das dificuldades financeiras. Esses cus-. A partir da segunda metade da década de. tos acabam corroendo as vantagens obtidas por meio. 1950, são realizados estudos mais elaborados que. da utilização de capital de terceiros, reduzindo, por. tratam do tema com a sua devida complexidade.. conseguinte, o valor da empresa. Nesse sentido, a. Assim, por meio de um estudo publicado em 1958,. teoria das trocas propõe a existência de uma estru-. Modigliani e Miller inauguram a chamada visão. tura  ótima  de  capital  que  maximiza  o  valor  da. moderna da estrutura de capital. A respeito desse. empresa mediante o balanceamento entre benefí-. trabalho,  merece  destacar  aqui  a  proposição  III. cios  e  custos  do  endividamento  (BRADLEY;. que desvincula as decisões de investimento e finan-. JARREL;  KIM,  1984;  KIM,  1978;  KRAUS;. ciamento  de  uma  empresa.  Ela  estabelece  ainda. LITZENBERGER, 1973; SCOTT, 1976).. uma  regra  simples  para  a  otimização  da  política. Posteriormente,  além  dos  custos  de  difi-. de investimentos, ou seja, a de aceitar apenas pro-. culdades  financeiras,  foram  considerados  aque-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010.

(5) Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações les  referentes  aos  custos  de  agência  (JENSEN;. caso, por exemplo, da abordagem segundo a qual. MECKLING, 1976), à perda potencial das van-. as escolhas relacionadas à estrutura de capital das. tagens  fiscais  não  resultantes  do  endividamento. empresas  sinalizam  aos  investidores  externos  as. (DeANGELO; MASULIS, 1980), à diferença de. informações  detidas  pelos  gestores  (os . impostos  entre  os  rendimentos  provenientes  de. Nesse  caso,  a  estrutura  de  capital  é  considerada. ações e de títulos de dívida (MILLER, 1977), todos. como um mecanismo sinalizador de informações,. esses elementos agindo sobre as escolhas em ter-. tanto por meio da proporção do endividamento. mos de estrutura de capital.. (ROSS, 1977) quanto mediante modelos basea-. No  tocante  ao  trabalho  de  DeAngelo  e Masulis  (1980),  é  importante  ressaltar  o  papel. insiders).. dos na aversão ao risco dos gerentes (LELAND; PYLE, 1977).. exercido  pelas  vantagens  fiscais  não  decorrentes. Utilizando-se de um modelo que trata do. do endividamento, que funcionam mesmo como. equilíbrio da decisão de emitir-investir das empre-. substitutas  dos  benefícios  fiscais  resultantes  da. sas,  Myers  e  Majluf  (1984)  mostram  que  a  assi-. dívida. Uma explicação para isso estaria associada. metria da informação, associada ao fato de que os. ao fato de que empresas que investem pesadamente. dirigentes atuam em prol do interesse dos atuais. em ativos fixos e que geram, portanto, níveis de. acionistas,  gera  algumas  situações  nas  quais  os. depreciação  e  créditos  tributários  relativamente. dirigentes recusam boas oportunidades de inves-. elevados, podem tomar emprestado a uma taxa de. timento. Tal fenômeno pode ocorrer, segundo o. juros inferior devido ao fato de que seus emprés-. modelo desenvolvido pelos ditos autores, quando. timos  estariam  garantidos  por  ativos  tangíveis.. a empresa precisa emitir novas ações para aprovei-. Quanto à teoria da agência, ela trata dos. tar uma oportunidade de investimento. Nesse caso,. conflitos que ocorrem nas organizações como resul-. os dirigentes podem se recusar a emitir novas ações. tado  da  existência  de  interesses  e  atitudes  diver-. tendo em vista que estas seriam subavaliadas pelo. gentes entre os diferentes atores envolvidos. Esses. mercado,  provocando  perdas  aos  atuais  acionis-. conflitos  geram  custos  que  acabam  influencian-. tas. A assimetria de informação levaria a empresa. do  as  decisões  de  estrutura  de  capital,  uma  vez. a diminuir seu valor para os acionistas atuais, caso. que os acionistas podem relutar em buscar novo. decidisse pela nova emissão, já que os novos pro-. capital,  seja  por  meio  de  novos  sócios,  seja  por. jetos não seriam corretamente avaliados pelo mer-. meio  de  capital  de  terceiros.  Em  outros  termos,. cado,  acarretando  uma  subavaliação  das  novas. os  custos  de  agência  influenciam  as  decisões  de. ações e a conseqüente transferência de riqueza dos. emissão de ações e de títulos de dívida.. antigos para os novos acionistas.. Um outro elemento importante na explica-. Myers (1984) e Myers e Majluf (1984) con-. ção das decisões de endividamento das empresas. cluem que uma empresa com ampla folga finan-. refere-se à assimetria de informação entre gestores. ceira  (por  exemplo,  com  grandes  quantias  em. e investidores externos, na medida em que os pri-. dinheiro ou em títulos negociáveis, ou ainda com. meiros são mais bem informados que os últimos. capacidade para emitir dívidas a taxas livres de ris-. sobre, entre outras coisas, retornos previstos, ris-. co) aproveitaria todas as oportunidades com Valor. cos envolvidos, oportunidades de investimento e. Presente  Líquido  (VPL)  positivo,  visto  que  elas. operações  da  empresa.  A  assimetria  de  informa-. aumentariam o valor à empresa. Além de explicar. ção é, segundo Weston e Brigham (2000, p. 686),. o porquê da preferência pelo financiamento inter-. “a  situação  em  que  os  gerentes  têm  diferentes. no (autofinanciamento), o modelo demonstra ain-. (melhores)  informações  sobre  as  perspectivas  de. da que, em caso de financiamento externo, a dívida. suas empresas do que os investidores”.. é mais vantajosa para a empresa do que novo capi-. Para Harris e Raviv (1991, 306), a “introdu-. Pecking Order Theory). Por fim, os auto-. tal próprio (. ção na economia de modelos explícitos de infor-. res argumentam que a forma pela qual os gerentes. mação privada tem tornado possível várias abor-. buscam  capital  externo  emite  sinais  ao  mercado. dagens  para  explicar  a  estrutura  de  capital”.  É  o. a respeito das condições financeiras da empresa.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. 11.

(6) Romero Machado Ferreira / Luiz Alberto Bertucci / Antônio Dias Pereira Filho 2.1. Determinantes  da  escolha  da  estrutura  de capital. ativos e o endividamento de curto e longo prazos. Assim, apenas para o Chile os resultados indicam que  quanto  maior  o  volume  de  ativos,  que  são. Os determinantes da escolha da estrutura. boas garantias, maior é a tendência de a empresa. de  capital  referem-se  aos  modelos  baseados  nas. recorrer ao endividamento como fonte de finan-. interações entre as características da empresa e sua. ciamento.. estrutura de capital. Segundo Harris e Raviv (1991),. Quanto ao atributo crescimento, os resul-. essas interações podem se referir às influências da. tados  encontrados  não  permitem  verificar  seu. natureza dos produtos, da empresa ou da compe-. relacionamento com qualquer tipo de dívida nos. tição  no  mercado.  As  teorias  elaboradas  sob  tal. mercados  americano,  argentino  e  chileno.  Por. perspectiva  sugerem  que  as  empresas  escolhem. outro lado, nos mercados brasileiro, mexicano e. suas  estruturas  de  capital  influenciadas  por  atri-. português, esse atributo mostra-se relacionado ao. butos ou características que determinam os vários. grau  endividamento  das  empresas.  No  Brasil,  o. custos e benefícios associados ao uso do financia-. crescimento  revela-se  negativamente  associado. mento. Dada a variedade desses elementos, pode-. apenas ao endividamento de curto prazo, enquanto. se esperar que a estrutura de capital mais apropria-. no México isso ocorre tanto com dívida de curto. da  seja  igualmente  diferente  entre  as  empresas.. quanto de longo prazos. Contrariando a teoria, o. O  estudo  de  Titman  e  Wessels  (1988)  é. crescimento  apresentou  relação  positiva  com  as. geralmente  considerado  como  um  dos  mais. medidas de endividamento no mercado português.. importantes  nessa  linha  de  pesquisa. Valendo-se. Desse modo, as proposições teóricas se confirmam. de alguns atributos, esses autores buscam identi-. apenas no México (onde empresas em crescimen-. ficar  suas  influências  sobre  o  grau  de  endivida-. to são menos alavancadas) e parcialmente no Brasil. mento das empresas norte-americanas. Dentre os. (onde  o  nível  de  endividamento  das  empresas. atributos, é conveniente destacar aqui a estrutura. em crescimento é menor apenas para a dívida de. de ativos, o crescimento da empresa, o tamanho e. curto prazo).. a  classificação  do  setor  de  atividade.  São  igual-. .. 12. O atributo classificação do setor de ativi-. mente importantes os estudos de Booth et al  (2001). dade  não  foi  analisado  nos  mercados  brasileiro,. e Rajan e Zingales (1995), e que buscam identifi-. mexicano,  argentino  e  chileno.  Quanto  ao  mer-. car  e  analisar  os  determinantes  da  estrutura  de. cado português, os resultados não comprovam seu. capital em países desenvolvidos e em desenvolvi-. papel de determinante da estrutura de capital das. mento, respectivamente.. empresas.  Entretanto,  assim  como  ocorreu  em. Estudos  semelhantes  foram  realizados  a. relação ao atributo produto único ou especializa-. partir de dados representativos de empresas ope-. do, a análise de dados representativos do merca-. rando  em  mercados  mais  específicos.  São  exem-. do americano revela resultados que confirmam as. plos os trabalhos de Jorge e Armada (2001) sobre. proposições da teoria e indicam correlação nega-. empresas portuguesas, de Perobelli e Famá (2002). tiva entre a classificação do setor de atividade e o. sobre empresas brasileiras e ainda o de Perobelli e. nível de endividamento.. Famá (2003) sobre empresas argentinas, mexica-. No que se refere ao atributo tamanho, as. nas e chilenas. A seguir são destacados alguns dos. evidências  mostram  uma  relação  significativa. principais resultados encontrados por esses estudos.. entre este e o nível de endividamento total (dívi-. No  que  tange  à  estrutura  de  ativos,  não. das de curto e longo prazos) das empresas chile-. foram encontradas evidências significativas de que. nas, sendo a relação negativa com o curto prazo e. ela  esteja  relacionada  à  estrutura  de  capital  das. positiva com o longo prazo. Os dados referentes. empresas  nos  mercados  americano,  brasileiro,. aos mercados argentino e português não permiti-. mexicano, argentino e português. Corroborando. ram identificar qualquer relação entre essas variá-. as teorias, dados de empresas chilenas permitem. veis.  Os  mercados  norte-americano  e  brasileiro. constatar  relações  positivas  entre  a  estrutura  de. revelam correlação negativa entre tamanho e nível. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010.

(7) Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações de  endividamento  de  curto  prazo  das  empresas,. econômicos específicos dos países, embora impor-. mas  não  apresentam  relação  significativa  com. tantes,  não  são  determinantes  decisivos  da  pro-. o  endividamento  de  longo  prazo.  Finalmente,. porção de dívida. Por sua vez, Matsuo e Eid Júnior. o  mercado  mexicano  revela  correlação  positiva. (2004)  analisam  a  influência  de  fatores  macro-. entre tamanho e dívida de longo prazo, não apre-. econômicos sobre as emissões primárias de ações. sentando, entretanto, relação significativa com o. e  debêntures,  supondo  haver  momentos  favorá-. endividamento de curto prazo.. veis  na  conjuntura  econômica  para  decisões  de. Os resultados corroboram as proposições. captação de recursos externos. Esses autores encon-. da teoria quando apresentam relações significati-. tram evidências de que tais decisões são influen-. vas para o atributo tamanho. As relações encon-. ciadas por fatores de conjuntura macroeconômica.. tradas para o endividamento de curto prazo suge-. Além  disso,  a  escassez  de  recursos  no  mercado. rem que empresas menores são relativamente mais. doméstico, aliada ao ambiente de incertezas eco-. propensas a esse tipo de endividamento, confor-. nômicas e políticas, parece levar as empresas a um. me  resultados  encontrados  nos  Estados  Unidos,. comportamento oportunista do tipo . market timing.. Brasil e Chile. Por sua vez, empresas maiores são. A questão do impacto de anúncios de inves-. mais  endividadas  no  longo  prazo  (resultados  de. timentos sobre o valor de empresas é analisada e. México e Chile). Ainda sobre os resultados encon-. discutida nos trabalhos de Lucchesi e Famá (2007). trados quanto ao atributo tamanho, Titman e Wessels. e Procianoy e Antunes (2003), tendo sido empre-. (1988)  afirmam  que  eles  sugerem  os  custos  de. gada uma metodologia de estudos de eventos em. transação como um importante determinante da. ambos os estudos. Os resultados do primeiro tra-. escolha da estrutura de capital das empresas.. balho indicam haver uma relação entre a variação do ativo permanente e o valor da ação da empresa no  mercado.  De  forma  semelhante,  o  segundo. 2.2. Outros estudos. trabalho permite concluir que o mercado reage de maneira consistente ao preconizado pelo modelo. Além dos trabalhos citados anteriormente,. tradicional  de  avaliação.  Ou  seja,  empresas  que. é importante destacar ainda os resultados alcan-. anunciam  aumento  do  nível  de  investimentos. çados  pelos  trabalhos  de  Junqueira,  Bertucci  e. experimentam uma reação positiva do mercado,. Bressan (2005), Lucchesi e Famá ( 2007),. enquanto anúncios de redução do nível de inves-. Matsuo  e  Eid  Júnior  (2004),  Nakamura et al. (2007), Procianoy e Antunes (2003), Silveira,. timentos provocam reações negativas em relação ao valor de mercado das ações.. Perobelli  e  Barros  (2008)  e Terra  (2002,  2003).. Junqueira, Bertucci e Bressan (2005) ava-. O estudo de Terra (2002) repousa sobre a. liam  as  relações  existentes  entre  endividamento. análise dos determinantes da estrutura de capital. e volume de investimento, bem como o impacto. na América Latina e nos Estados Unidos. A partir. de variáveis como rentabilidade, tamanho e risco. de uma análise de dados em painel, o autor con-. operacional  sobre  as  decisões  de  investimentos.. clui que há similaridades entre os determinantes. Por meio de uma análise de dados em painel com. nas  duas  regiões  e  que  a  teoria  da  hierarquia  de. modelagem específica de efeitos aleatórios, esses. financiamentos (. Pecking Order Theory) se confir-. autores encontram resultados que apontam para. mava  apenas  com  baixos  níveis  de  significação. uma  relação  positiva  entre  o  endividamento  e  o. estatística.. volume de recursos disponibilizados para investi-. A influência de fatores macroeconômicos. mentos nas empresas analisadas. Especificamente. sobre a composição da estrutura de financiamento. quanto à rentabilidade, os resultados suportam a. de empresas constitui-se em objeto de estudo de. hipótese segundo a qual quanto maior a lucrati-. Matsuo e Eid Júnior (2004) e Terra (2003). Por. vidade  da  empresa,  maior  a  sua  capacidade  de. meio da análise de dados de empresas da América. investimento. Quanto às variáveis tamanho e ris-. Latina, Terra (2003) conclui que os fatores macro-. co operacional, os resultados encontrados não são. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. 13.

(8) Romero Machado Ferreira / Luiz Alberto Bertucci / Antônio Dias Pereira Filho significativos para explicar o comportamento da. identificar e analisar os determinantes da estrutura. variável investimento. Essa pesquisa permite con-. de capital de pequenas e médias empresas gregas,. cluir  que  as  empresas  mais  rentáveis  e  as  que  já. francesas, italianas e portuguesas. Dentre seus prin-. utilizam  recursos  de  terceiros  tendem  a  realizar. cipais resultados, é conveniente destacar a relação. investimentos de maneira mais intensiva.. positiva  entre  tamanho  e  endividamento,  assim. O  estudo  realizado  por  Nakamura  et  al.. como a relação negativa entre a alavancagem e as. (2007) apresenta elementos importantes sobre os. variáveis estrutura de ativos, lucratividade e risco.. fatores determinantes da escolha da estrutura de capital  de  empresas  brasileiras.  Entre  seus  principais  resultados,  merece  destaque  a  conclusão. 3. METODOLOGIA. segundo a qual o comportamento dos dirigentes de  empresas  brasileiras  em  matéria  de  estrutura. 3.1. Tipo e estratégia de pesquisa. de capital pode ser explicado tanto pela ótica do. pecking order quanto do static trade-off.. Com base em Vergara (2000), pode-se dizer. Ainda sobre os principais trabalhos nacio-. que este trabalho se enquadra, com base em seus. nais acerca do tema, o estudo de Silveira, Perobelli. objetivos, como pesquisa exploratória e descritiva.. e  Barros  (2008)  repousa  sobre  uma  perspectiva. É exploratória na medida em que busca um maior. mais recente de análise dos fatores que agem sobre. conhecimento acerca de uma abordagem de estudo. a  escolha  da  estrutura  de  capital.  Mais  precisa-. pouco explorada e discutida na literatura. É tam-. mente,  os  autores  investigam  empiricamente  a. bém descritiva porque pretende descrever as caracte-. influência das práticas de governança corporativa. rísticas de um fenômeno ou estabelecer correlações. sobre a estrutura de capital de empresas brasilei-. entre variáveis (GIL, 1996). Quanto aos procedi-. ras.  Os  resultados  encontrados  revelam  que  as. mentos utilizados, este trabalho envolve testes esta-. práticas de governança corporativa, especialmen-. tísticos e pesquisas bibliográfica e documental. No. te  aquelas  associadas  à  estrutura  de  propriedade. que  se  refere  à  natureza  dos  dados,  esta  pesquisa. }e  ao  conselho  de  administração,  exercem  uma. é  classificada  como  quantitativa,  pois  analisa  o. influência  positiva  e  significativa  sobre  as  deci-. relacionamento  entre variáveis  a  partir  de  dados. sões de alavancagem financeira. À luz dos resulta-. numéricos e mensuráveis (CASTRO, 2002).. dos  obtidos,  os  autores  sugerem  que  as  práticas de governança corporativa podem mesmo ser consideradas como um dos determinantes da escolha. 3.2. Definição da amostra. da estrutura de capital. Finalmente,  é  importante  destacar  ainda. A amostra foi obtida a partir das empresas. os trabalhos de Kayhan e Titman (2007) e Psillaki. abertas  negociadas  na  Bolsa  de  Valores  de  São. e Daskalakis (2009). O estudo de Kayhan e Titman. Paulo (BOVESPA), entre 1996 e 2005, e presentes. (2007) analisa a influência de histórias relativas a. na base de dados Economatica. fluxos de caixa, investimentos de capital e preços. fase, dois critérios foram utilizados para sua sele-. de ações sobre os índices de endividamento. Seus. ção:  (i)  empresas  não  financeiras  e  (ii)  empresas. resultados mostram que tais variáveis exercem uma. que, em determinado(s) momento(s) do período. influência significativa sobre as mudanças na estru-. de  análise,  aumentaram  o  ativo  permanente  em. tura de capital das empresas. Esses autores desta-. 75% ou mais, percentual este que foi considerado. cam ainda que, não obstante as fortes influências. como  representativo  de  um  grande  movimento. de histórias de empresas, a estrutura de capital tende. de investimento. Nessa primeira fase foram sele-. a se mover ao longo do tempo em direção a um. cionadas 106 empresas distribuídas em 15 setores.. índice-meta de endividamento, o que vai ao encon-. Numa segunda fase, o critério utilizado baseou-se. static trade-off. Quanto ao tra-. nos requisitos mínimos para a aplicação dos testes. balho de Psillaki e Daskalakis (2009), este busca. estatísticos, ou seja, a existência de pelo menos 8. tro das teorias do . 14. ®.  Numa primeira. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010.

(9) Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações empresas  por  setor.  Foi  assim  que  chegou-se  à. tal antes de realizarem grandes investimentos. Em. seleção das empresas dos setores de energia elétri-. seguida,  os  momentos  1  e  2  foram  comparados. ca e telecomunicações, com 12 e 14 empresas res-. aos  demais  para  analisar  o  comportamento  das. pectivamente.. empresas no momento de grandes investimentos e após a sua realização.. 3.3. Variáveis, coleta e tratamento dos dados 3.4. Método estatístico. Os  dados  foram  coletados  a  partir  dos demonstrativos  contábeis  não  consolidados  das. Dadas as limitações em termos de número. empresas  objeto  de  análise.  Para  identificar  as. de  observações,  julgou-se  correto  não  recorrer  à. empresas  que  apresentaram  aumento  do  ativo. “salvaguarda”  da  premissa  de  normalidade,  até. permanente igual ou superior a 75% em momen-. porque,  ainda,  a  literatura  de  finanças  não  dá. tos específicos no tempo, foi tabulada a evolução. quaisquer pistas acerca da distribuição de médias. desse  grupo  do  balanço  patrimonial  para  as. de  estruturas  de  capital  de  empresas  nacionais  e. empresas entre 1996 e 2005.. estrangeiras.  Assim,  optou-se  pela  realização  de. Selecionadas  as  empresas,  foi  necessário. testes sem a restrição da definição prévia de distri-. definir suas estruturas de capital, as quais foram. buições, ou seja, assumiu-se não saber qual seria a. comparadas  antes,  durante  e  depois  do  grande. mais apropriada e, portanto, recorreu-se a testes. movimento de investimento. O passivo total das. de  natureza  não-paramétrica.  Em  particular,  o.  Mann-Whitney. Este teste. empresas  foi  dividido  em  (I)  financiamento. teste escolhido é o de. espontâneo, (II) capital de terceiros e (III) capital. aplica-se  a  amostras  relativamente  pequenas,. próprio,  sendo  a  estrutura  de  capital  composta. como  é  o  caso  desta  pesquisa  (HOLLANDER;. por  capitais  de  terceiros  e  próprios.  São  efetiva-. WOLFE, 1999; NEWBOLD, 1995).. mente esses componentes da estrutura de capital. A hipótese nula do teste é a de que as loca-. que se constituem nas variáveis a serem compara-. ções  centrais  das  populações  sejam  idênticas,  o. das  antes,  no  momento  e  após  o  movimento  de. que  no  caso  desse  trabalho  corresponderia,  por. grande investimento.. exemplo, ao fato de que a relação capital próprio/. A fim de identificar e analisar o compor-. capital total. (&3 / &7RW )  no momento de um grande. tamento  das  empresas  brasileiras  dos  setores  de. investimento seria igual a essa mesma relação um. energia elétrica e telecomunicações quanto às suas. ano  após.  Quanto  à  hipótese  alternativa,  ela. decisões de financiamento no momento de gran-. poderia  sugerir  que  a  relação  fosse  menor,  maior. des investimentos, tomou-se a estrutura de capital. ou diferente nos dois momentos.. dessas empresas em seis momentos específicos no. momento 1 – um ano antes do grande movimento de investimento; (II) momento 2 – um. tempo: (I) . trimestre  antes  do  grande  movimento  de  investi-. No  que  se  refere  à  operacionalização  do teste, pode-se dizer que ele é baseado no ranqueamento (. ranking) ou classificação em ordem cres-. cente dos valores para as observações, e a hipótese. momento 3  –  o  trimestre  do  grande movimento de investimento; (IV)  momento 4 –. forem aproximadamente iguais para cada momen-. um ano depois do grande movimento de investi-. to aferido. Naturalmente, se tal diferença for sig-. mento;  (III) . momento 5 – dois anos depois do grande  movimento  de  investimento  e  (VI)  momento 6  –  três  anos  depois  do  grande  movimento  de mento; (V) . investimento. A primeira análise consistiu em comparar os momentos 1 e 2 para verificar se as empresas antecipam mudanças em suas estruturas de capi-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. nula  será  verdadeira  se  as  médias  dos . rankings. nificativa  (para  mais  ou  para  menos),  assume-se que as populações se comportam de maneira diversa  e,  ademais,  recorre-se  à  estatística  do . p-value. para  se  conhecer  o  grau  de  certeza  da  afirmação de que os comportamentos são diferentes. Apresenta-se a seguir a formalização do teste. Mann-Whitney para esta pesquisa: 15.

(10) Romero Machado Ferreira / Luiz Alberto Bertucci / Antônio Dias Pereira Filho. Hipótese nula. A fim de obter uma melhor explicação dos testes efetuados, definiu-se o primeiro momento. H :. o. As diferenças de médias em momentos distintos são insignificantes e, portanto, têm a mesma locação central.. como sendo tanto o ano quanto o trimestre anterior ao grande investimento. Por sua vez, o segundo momento pode ocorrer um, dois ou três anos após o primeiro momento.. Hipótese alternativa Existem três possibilidades para o teste específico desta hipótese:. a) H :. 1. A  média  da  relação . 4. RESULTADOS DA PESQUISA. &3 / &7RW   no  primeiro. momento supera a média desta relação no. A  seguir  são  apresentados  os  resultados obtidos com a realização desta pesquisa.. segundo momento.. H :. 1. (&3 / &7RW )1 > (&3 / &7RW )2. =α >. (8 − µ8 ) σ8. 4.1. Setor de energia elétrica. b) H : A média da relação no primeiro momento. No setor de energia elétrica, 12 empresas. é  superada  pela  média  desta  relação  no. apresentaram  crescimento  do  ativo  permanente. segundo momento.. em montante igual ou superior a 75% em deter-. 1. H :. 1. (&3 / &7RW )1 < (&3 / &7RW )2. =α <. (8 − µ8 ) σ8. minado  momento  entre  1996  e  2005.  Essas empresas e os respectivos anos e trimestres em que realizaram  o  grande  investimento  (momento  3). c) H :. 1. H :. 1. A média da relação no primeiro momento. estão apresentados na Tabela 1.. é  diferente  (ou  maior,  ou  menor,  tanto. Apresentam-se na Tabela 2 as proporções. faz)  da  média  desta  relação  no  segundo. de capital próprio na estrutura de financiamento. momento.. das 12 empresas selecionadas do setor de energia. (&3 / &7RW )1 ≠ (&3 / &7RW )2. (8 − µ8 ) < = σ8. α /2. <. (8 − µ8 ) σ8. elétrica nos seis períodos de análise definidos nesta pesquisa.. Tabela 1 – Amostra do setor de energia elétrica e período do grande investimento. (PSUHVD. 16. 3HUtRGRGRJUDQGHLQYHVWLPHQWR. AES Sul Distribuidora de Energia. Dezembro de 1998. Coelce. Setembro de 1999. Elektro. Setembro de 1999. Eletropaulo Metropolitana. Março de 1999. Escelsa. Junho de 1998. F Luz Cataguazes. Dezembro de 1997. Inepar Energia. Setembro de 2001. Iven. Setembro de 2003. Light. Setembro de 1998. Paulista Força e Luz. Dezembro de 1999. Transmissão Paulista. Dezembro de 2001. VBC Energia. Dezembro de 1999. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010.

(11) Relação entre Estrutura de Capitais e Estrutura de Ativos nos Setores Brasileiros de Energia Elétrica e Telecomunicações. Tabela 2 – Setor de energia elétrica – evolução do capital próprio. (PSUHVDV7HPSR. . . . . . . AES Sul Distribuidora de Energia. 87,15%. 38,94%. 37,77%. 14,15%. 5,51%. 18,50%. Coelce. 58,25%. 55,34%. 76,47%. 74,76%. 63,43%. 51,61%. Elektro. 84,24%. 72,55%. 70,11%. 87,60%. 82,79%. 75,15%. F Luz Cataguazes. 65,31%. 51,90%. 56,86%. 53,44%. 47,72%. 56,59%. Inepar Energia. 64,59%. 67,07%. 67,64%. 60,33%. 50,64%. 50,50%. Iven. 99,92%. 99,98%. 99,98%. 100,00%. *. *. Light. 80,42%. 81,89%. 87,93%. 30,53%. 29,13%. 14,65%. Paulista Força e Luz. 73,34%. 53,94%. 84,36%. 84,31%. 60,56%. 41,94%. Transmissão Paulista. 97,49%. 97,72%. 90,99%. 91,23%. 91,92%. 93,62%. VBC Energia. 31,75%. 33,37%. 36,13%. 31,96%. 50,00%. 31,84%. Eletropaulo Metropolitana. 33,55%. 32,86%. 55,71%. 56,88%. 48,30%. 46,47%. Escelsa. 86,85%. 53,31%. 53,12%. 42,08%. 41,55%. 34,52%. 0pGLD. . . . . . . * A Economática não apresenta dados para esta empresa a partir de 31/03/2005.. A partir dos dados acima, e com o objetivo. grande investimento. Esta evidência sugere que as. de analisar o comportamento das empresas do setor. alterações da estrutura de capital das empresas anali-. de energia elétrica quanto à escolha de suas respecti-. sadas são não-influenciadas ou pouco influenciadas. vas estruturas de capital, os momentos 1 e 2 foram. pelas decisões tomadas no momento da realização. comparados entre si e com os demais momentos.. de grandes investimentos em ativos permanentes.. A Tabela 3 resume os resultados dessas comparações.. No que tange aos períodos mais próximos. Os dados da Tabela 3 mostram que em ape-. ao momento do grande movimento de alteração. nas três das nove comparações foi possível rejeitar. na  estrutura  de  ativos,  não  foram  encontradas. H  e, por conseguinte, afirmar que houve mudança. mudanças  estatisticamente  significativas  nas. na  estrutura  de  financiamento  das  empresas  do. concomitantes estruturas de financiamento.. o. setor de energia elétrica. Entretanto, dois aspectos merecem ser destacados. O primeiro diz respeito ao. 4.2. fato de que, nessas três ocasiões, as mudanças ocor-. Setor de telecomunicações. reram no sentido da diminuição da proporção do capital próprio. O segundo refere-se ao fato de que. No caso do setor de telecomunicações, 14. as mudanças deram-se apenas nos momentos 5 e 6,. empresas apresentaram crescimento do ativo per-. ou seja, nos períodos mais distantes da decisão de. manente em montante igual ou superior a 75% em. Tabela 3 – Resumo das comparações dos momentos do setor de Energia Elétrica. 0RPHQWRV 1. . . . . . . Não Rejeita Ho. Não Rejeita Ho. Não Rejeita Ho. 5HMHLWD+R . 5HMHLWD+R . Não Rejeita Ho. Não Rejeita Ho. Não Rejeita Ho. 5HMHLWD+R . 2. * Aceita-se a hipótese alternativa de que a média da proporção de capital próprio no momento posterior é superada pela média desta proporção no primeiro momento. Resultados significativos ao nível de 10%.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 7-24, jan./mar. 2010. 17.

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