PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA
TÉCNICAS HÍBRIDAS PARA ANÁLISE DE TENSÕES COMBINANDO HOLOGRAFIA ELETRÔNICA E ELEMENTOS FINITOS
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM ENGENHARIA MECÂNICA
GENISSON SILVA COUTINHO
ELEMENTOS FINITOS E HOLOGRAFIA ELETRÔNICA"
ESTA DISSERTAÇÃO FOI JULGADA ADEQUADA PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE
M ESTRE EM ENGENHARIA
ESPECIALIDADE ENGENHARIA MECÂNICA, ÁREA DE CONCENTRAÇÃO METROLOGIA E INSTRUMENTAÇÃO, APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA. GENISSON SILVA COUTINHO
Prof. Armando Albertazzi Gonçalves Jr., Dr. Eng. Orientador
Coordenador do Curso
BANCA EXAMINADORA
Prof. Armando Albertazzi Gonçalves Jr., Dr. Eng.
Prof. Nelson Back, PhD.
À mi nha famí1i a
Pelo carinho, apoio e incentivo
AGRADECIMENTOS
- À Universidade Federal de Santa Catarina;
- À Fundação Certi e Labmetro pela infraestrutura oferecida;
- À CAPES pelo apoio financeiro;
- Ao Professor Armando Albertazzi Gonçalves Jr pela orientação e
dedicação durante a realização deste trabalho;
- Ao Prof. Edison da Rosa pela colaboração durante o trabalho;
- À Danilo José dos Santos (Dadá) pelo auxílio durante os
experimentos;
- Aos colaboradores do CERTI que, direta ou indiretamente,
contribuiram para a conclusão deste trabalho;
- À todos os meus amigos pelo apoio e amizade durante todo o
SUMÁRIO
R E S U M O ... vi i i
A B S T R A C T ... i x
1. IN TR ODUÇÃO... .01
1.1 Objetivo do tr ab al ho ... .02
2. HOLOGRAFIA EL ETRÔ NICA... .04
2.1 Interferênccia entre Duas O n d a s ...04
2.2 O Sp e c k l e ... .06
2.3 A Variação de Fase do Sp ec kl e... .08
2.4 Holografia Eletrôni ca... .10
2.4.1 0 Mapa de Fran ja s... .11
2.4.2 Configurações Ut il izadas... .13
2.4.3 Iluminação M i s t a ...17
2.4.4 0 Método do Deslocamento de F a s e ... .18
2.5 A Estação Holográf ica... .20
3. O MÉTODO DE ELEMENTOS FI NI TO S... .23 3.1 As Aproximações do M é t o d o ... .23 3.2 A Equação B á s i c a ... .25 3.3 Aspectos de Mo de la ge m... .29 4. INTERAÇÃO NUMÉRICO-EXPERIMENTAL...33 4.1 Um Ex empl o...33
4.1.1 Dificuldades deste Exe mpl o... ..35
4.2 Porque Interagir... .38
4.2.1 Limitações das Técnicas Experimentais... .40
4.2.2 Limitações das Técnicas Nu méricas... .41
4.3 Superando as Limitações... .43
5. INTERAÇÃO ENTRE HOLOGRAFIA ELETRÔNICA E ELEMENTOS FINITOS. 46 5.1 Holografia Eletrônica... .46
5.1.1 Aspectos Po sitivos... .46
5.1.2 Li mitações... .47
5.1.3 Análise de Erros da Técnica ut il iz ad a.... .. 48
5.2 O Método de Elementos Finito s... 51
5.2.1 Aspectos Po sitivos... .51
5.2.2 Li mi tações... .52
5.3 A Interação Numérico-Experimental . . . . ... .53
5.3.1 Aplicações Tí pi ca s... .54
6. ESTUDO DE C A S O S ... ... ..69
6.1 Viga Biapoiada com Carregamento C e nt ra l ... .69
6.1.1 Análise das Teorias de Estado P l a n o... .70
6.1.2 Modelo Parcial com Condições de Contorno Experimentais . . 73
6.1.3 Modelo Parcial com Ajuste das Condições de Contorno no A p o i o .78 6.1.4 Modelo que Despreza a Região do A p o i o ...80
6.1.5 Modelo Pa rc ia l... .82
6.2 Viga em Ba l a n ç o ... .85
6.2.1 Determinação de Condições de Contorno mais R e a i s .. 86
7. C O N C LU SÕ ES... ... 100
7.1 Reco me nd aç ões... ... 101
7.2 Sugestões para Futuros Tr ab al ho s... 102
Neste trabalho é apresentada uma análise dos diversos
aspectos da análise híbrida de tensões combinando Holografia
Eletrônica e o Método de Elementos Finitos. Mostra-se que através
desta técnica é possível superar diversas limitações que técnicas
numéricas e experimentais apresentam isoladamente.
Discute-se a aplicabilidade da técnica para diferentes
situações, descrevendo-se vantagens e limitações. Diversos exemplos
envolvendo as técnicas de holografia eletrônica e elementos finitos
são apresentados e discutidos.
Os resultados apresentados mostram claramente algumas
vantagens da análise híbrida de tensões em problemas onde métodos
ABSTRACT
This work presents an analysis os several aspects of an Hybrid
Stress Analysis combining Electronic Holography and the Finite
Element Method. By using this technique it is possible to overcome
many limitations of numerical and experimental methods.
The use of this hybrid technique in different applications is
discussed. Its main advantages and limitations are also presented.
Several examples involving finite elements and electronic
holography are presented and discussed.
In order to test the use of the hybrid technique, two problems were
studied. In the first case a polycarbonate beam, subjected to a
central load, was analysed. In the second case an aluminum
cantilever beam was studied. In both problems different approaches
of the hybrid technique were tested. The results show that this
technique is well suited to solve several problems where numerical
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
A análise de tensões em componentes mecânicos pode ser
realizada, em geral, por três métodos básicos : analítico, experimental e numérico. Devido ao tempo consumido e limitações técnicas, o método analítico é utilizado quase que exclusivamente
em problemas de pequena complexidade. Na área numérica, o fortalecimento das bases matemáticas e os grandes avanços da
informática possibilitaram o surgimento de modernos algoritmos computacionais capazes de obterem soluções extremamente rápidas. No lado experimental o desenvolvimento também é bastante acelerado.
Um grande exemplo deste desenvolvimento é o surgimento da
holografia eletrônica, onde a medição de deslocamentos, deformações
e tensões é efetuada através dos modernos, flexíveis e extremamente rápidos sistemas de processamento de imagens.
Apesar do avanço, técnicas numéricas e experimentais
apresentam limitações. Por exemplo, no método de elementos finitos os resultados são fortemente afetados pelas hipóteses e condições de contorno adotadas. 0 desconhecimento ou incerteza na prescrição destas condições limita em muito a confiabilidade dos resultados.
Métodos experimentais, como a holografia, possibilitam a completa determinação do campo de deslocamentos na superfície de uma peça, sem que sejam conhecidas as condições de contorno. Entretanto nenhuma informação pode ser obtida no interior da peça.
Visando reduzir, ou até mesmo eliminar, grande parte das limitações que técnicas numéricas e experimentais apresentam quando
onde, através de procedimentos interativos, são combinadas
informações experimentais com métodos numéricos. Esta nova
filosofia denomina-se análise integrada numérico-experimental ou análise híbrida. Ko bayashi[1], Wheathers[2] e Morton[3] apresentam diversos exemplos onde esta análise foi empregada com bastante êx i t o .
A técnica de holografia eletrônica(HE) e o método de elementos finitos(MEF) são, sob diversos aspectos, complementares.
A correta especificação das condições de contorno e a
confiabilidade do modelo numérico podem ser verificadas pela holografia eletrônica. A caracterização completa do estado de tensões nas peças, inclusive em regiões inacessíveis à holografia, pode ser muito bem cumprida pelo modelo numérico realimentado. Desta forma, através da combinação das técnicas citadas, é possível conferir uma maior confiabilidade e abrangência ao processo global de análise de tensões.
1.1 OBJETIVO DO TRABALHO
0 principal objetivo deste trabalho de dissertação é analisar os diversos aspectos inerentes da análise integrada numérico experimental envolvendo a técnica de holografia eletrônica e o método numérico de elementos finitos. Serão analisados aspectos como: a)viabi 1idade da interação; b)confiabi 1idade dos modelos numéricos, experimentais e híbridos; c) aplicações típicas e; d)implementação prática.
Para atingir tal meta, este trabalho foi organizado da seguinte forma:
a) Capítulos 2 e 3: estudo detalhado das técnicas utilizadas. Este
b) Capítulo 4: estudo genérico da análise numérico-experimental.
Neste capítulo o processo de análise integrada é analisado visando
identificar as características mais importantes do método e que são
relevantes ao trabalho em desenvolvimento;
c) Capítulo 5: Análise da viabilidade da interação entre as
técnicas e estudo de aplicações. Neste capítulo apresenta-se uma
análise de erros da técnica experimental, o que possibilitou um
estudo posterior da influência de tais erros sobre os resultados
da análise integrada. São analisadas as principais aplicações da
análise híbrida HE-MEF.
d) Capítulo 6: Desenvolvimento experimental. Neste capítulo são
apresentados alguns experimentos realizados, visando ilustrar e
avaliar alguns exemplos de aplicação da análise híbrida.
Convém ressaltar que este trabalho, sob certos aspectos,
apresenta um caráter inovador, tendo em vista que não foi obtida
nenhuma referência que aborde diretamente o assunto estudado. Este
fato, de uma certa forma, contribuiu para uma maior motivação no
Ca pí t ulo 2
Holografia Eletrônica
Neste capítulo são apresentados alguns princípios e conceitos
básicos diretamente relacionados com a técnica de holografia
eletrônica. Alguns aspectos referentes à terminologia adotada são
também apresentados e discutidos. Ao final é feita uma rápida
descrição do sistema de medição Estação Holográfica utilizado nas
análises experimentais.
2.1 INTERFERÊNCIA ENTRE DUAS ONDAS
0 fenômeno de interferência entre ondas é o elemento
fundamental para o desenvolvimento de todas as técnicas
interferométricas de medição. Por esta razão será apresentada a
seguir uma breve descrição deste fenômeno, com o conseqüente
equacionamento do mesmo.
0 princípio da superposição de ondas[4], válido para a óptica
linear, estabelece que quando duas ou mais frentes de onda se
interceptam em um ponto, a amplitude total naquele ponto será dada
pela soma das amplitudes complexas individuais.
Por simplicidade de equacionamento, considera-se que as
frentes de ondas mencionadas a seguir são polarizadas na mesma
direção. Em caso contrário, as somas envolvidas deveriam se dar de
forma v e to ri al.
Considerando duas frentes de onda(U1 e U2) incidindo em
U± = i^exp i {2nft + <DX) U2 = i^exp i (2nft + ® 2)
onde :
f = freqüência da onda luminosa
<t>1 e 02 - fases arbitrárias das frentes de onda
U! e u2 = amplitudes individuais
Pelo principio da superposição de ondas, a amplitude total no
ponto de intersecção será :
Ut = U± + U2 (2.3) Substituindo as expressões de U, e U2 na equação 2.3,
obtém-se :
U t = Ujexp +iijexp i(2icft + ® 2) (2.4)
Ut = (u,exp + u^exp i ® 2)exp i2%ft (2.5) A equação 2.5 expressa a amplitude total resultante da
superposição de duas ondas que se interceptam em um determinado
ponto. Quando neste ponto é colocado um fotodetetor, o sinal
captado é a intensidade luminosa(I) resultante da superposição das
ondas. Esta intensidade é proporcional ao quadrado da amplitude Ut.
Tem-se portanto :
I « U t-Ut = uí + u| + i^Ujitexp - ® 2) + exp -i ( • 1 - <&2)] <2 -6 ) Como :
e x p i í ® ! - ®2) + e x p - i í ® ! -
92) =
2 c o s ( $ 1 - 4>2) ( 2 . 7 )(
2 . 1)
A equação 2.6 resulta então em :
ü t' Ul = Ui + ui +2ulu2c o s ( ® 1 - ® 2) (2.8) A intensidade é proporcional ao produto UtUt* e pode ser
escrita como :
I = J-L + J2 + 2/rnÇcOS - 4>2) (2.9) Onde I, e I2 são as intensidades individuais das ondas
incidentes no fotodetetor.
Nota-se aqui que a intensidade resultante depende da
diferença de fase entre as ondas incidentes e, pode variar entre
um valor máximo dado por I Ii+I2+2( I-,I2)1/2 quando a diferença de
fase for um múltiplo de 2n, a um valor mínimo dado por
Imfn=Ii+I2-2(IiI2)1/2, quando a diferença de fase for it, 3it, ...,
(2n+1)it. Este fenômeno é conhecido como interferência entre ondas
luminosas e está diretamente relacionado com o processo de formação
do speckle que será descrito a seguir.
2.2 O SPECKLE
A imagem de uma peça iluminada pela luz do laser aparenta ter
uma textura granular, contendo pontos claros e escuros. Estes
"grãos" aparentes são denominados speckle, que significa "mancha"
em inglês. 0 speckle pode ser visto tanto a olho nu quanto por
instrumentos ópticos. É uma conseqüência da interferência provocada
pela reflexão simultânea da luz do laser por diversos pontos da
S u p e r f íc ie Rugosa
Figura 2.1 O processo de formação do speckle
O processo de formação do speckle pode ser descrito com
auxílio da figura 2.1. A luz do laser ao incidir em uma superfície
rugosa é refletida de forma difusa em várias direções. Como
conseqüência desta difusão, ocorre a interferência entre os raios
provenientes dos diversos pontos da superfície iluminada. Esta
interferência, quando captada por um observador, dá origem a um
padrão granular aleatório denominado padrão de speckle (fig 2.2).
A natureza aleatória deste padrão de speckle é uma conseqüência da
rugosidade da superfície iluminada.
visualizar a superfície iluminada, cada speckle será formado pela
interferência dos raios difundidos por uma pequena região da
superfície associada ao mesmo. As dimensões de cada speckle e da
região de influência associada são dependentes das características
do sistema óptico utilizado. Por esta razão, estes speckles são
denominados de subjetivos. Quando não há um sistema óptico para
a visualização da superfície, os speckles se formam devido à
interferência generalizada que ocorre entre os raios luminosos
provenientes dos infinitos pontos da referida superfície.
Um estudo mais detalhado da teoria do speckle pode ser
encontrado na referência [6].
2.3 A VARIAÇÃO DA FASE DO SPECKLE
A medição do campo de deslocamentos na superfície de uma peça
torna-se possível graças à mudança na fase de cada speckle desta
superfície, em conseqüência do deslocamento sofrido pela mesma.
Este processo de mudança de fase pode ser facilmente descrito com
auxílio da figura 2.3.
Fonte
Um feixe de luz coerente partindo de uma fonte S, incidindo
na superfície no ponto P e dirigindo-se ao observador 0, descreve
o caminho óptico dado por SP+PO. A fase da luz que incide no
observador depende do número de comprimentos de onda percorridos
pela luz ao descrever a trajetória acima citada. Desta forma, a
fase final no ponto de observação será dada por :
Gjj = -
2
”
(s>Kí
+
PO-Kz) +9i
(
2
.
10
)
Onde :
X = comprimento de onda da luz incidente
<t> = fase arbitrária no ponto S
R, e i? 2 = vetores unitários
Ao sofrer um deslocamento d, o ponto P assume uma nova
posição P ’. A luz, após percorrer a nova trajetória S P ’0, atinge
o observador com uma fase dada por:
A mudança de fase, decorrente do deslocamento do ponto P, é
dada pela diferença entre as fases final(0f) e inicial (fy). Esta
diferença resulta em :
A4> = — Ojr ( 2 . 1 2 )
A < X > = - ^ ( S P - K j + ~FÒ-Ki - ~5P-Z± - T Õ - K J ( 2 . 1 3 )
Como os deslocamentos são muito pequenos comparados com as
distâncias envolvidas, pode-se considerar R, « Rs e R2 « R4 . tem-se
então:
Analisando a figura 2.3 verifica-se que :
sp» - sp
= a
p’o -
pó= -a
Logo : A O = - ^ ( ^ - 4 ) * <3 (2.15) A O = ^ P • 3 (2.16) onde : P = Ri — vetor sensibilidade 3 = vetor deslocamentoA equação 2.16 mostra que a variação da fase do speckle está
diretamente relacionada com a componente do deslocamento na direção
do vetor sensibilidade. Este vetor é definido pelas coordenadas da
peça, pontos de iluminação e observação. 0 vetor sensibilidade é
portanto, um parâmetro geométrico que define o quanto a fase do
speckle irá variar, em conseqüência do deslocamento sofrido pela
superfície iluminada.
2.4 HOLOGRAFIA ELETRÔNICA
Por ser bastante recente, não existe ainda, a nível
internacional, uma uniformidade quanto a denominação da técnica de
medição utilizada neste trabalho. Alguns autores[7 e 8] utilizam
a denominação Interferomet ria Eletrônica de Padrão de Speckle
(ESPI), outros autores [9] usam o termo Holografia de TV (TV Holo gr ap hy ). Há ainda autores que usam a denominação
Neste trabalho adota-se a denominação de Holografia Eletrônical^O e 11] para designar a técnica de medição que será
descrita nos itens a seguir.
2.4.1 0 MAPA DE FRANJAS
A holografia eletrônica é uma técnica onde o padrão de
speckle da superfície a ser medida interfere com uma onda luminosa
de referência, seja esta originada diretamente do laser ou
proveniente de um outro padrão de speckle. Esta interferência é
captada por uma câmera de TV dotada do chamado CCD (Charge Coupled
Device). 0 CCD[12] é um sensor formado por um conjunto de elementos
fotossensiveis que captam a intensidade luminosa que atinge a
câmera e a transformam em um sinal elétrico proporcional. Este
sinal elétrico proveniente do CCD é velozmente processado por um
sistema eletrônico de processamento de imagens que torna o processo
de medição bastante rápido e eficiente.
Duas imagens deste padrão de interferência são^ obtidas em
instantes diferentes e referentes às configurações indeformada e
deformada da superfície a medir. A equação 2.9 expressa as
intensidades luminosas de cada ponto associado ao padrão de
interferência captado nestas imagens.
Considerando-se, respectivamente, Ij e If as intensidades
luminosas associadas aos speckles das imagens das superfícies
indeformada e deformada, tem-se:
c o s ( A ® ) ( 2 . 1 7 )
Onde :
<t> = 0, - <t>2 = defasagem entre as ondas incidentes õ = mudança de fase devido ao deslocamento da superfície
Analisando a correlação entre Ij e If verifica-se q u e : [13] a) A correlação é máxima quando õ=2nn . Neste caso Ij = If.
b) A correlação é mínima quando õ=(2n+1)n. Neste caso Ij = -If.
Com base na constatação acima e verificando ainda que a
mudança de fase ocorre de forma contínua com o
de sl oc amento(eq.2.16), conclui-se que, ao se fazer a subtração das
imagens obtidas, as regiões onde a correlação for máxima (I| = If)
resultarão em diferença nula, enquanto que nas regiões onde a
correlação for mínima o módulo da diferença será máximo. Nas outras
regiões, onde a correlação não for nem máxima nem mínima, a
diferença assumirá valores intermediários. Em decorrência deste
processo, regiões claras(máxima diferença) e escuras(mínima
diferença) se formarão na imagem final. Estas regiões são
denominadas franjas de interferência e a imagem final é denominada
de mapa de franjas (fig.2.4).
2.4.2 CONFIGURAÇÕES UTILIZADAS
Dois tipos de configuração podem ser utilizados para a
obtenção dos mapas de franja utilizados na holografia eletrônica:
a) Iluminação simples e; b) Iluminação dupla.
a) Iluminação simples : (Fig. 2.5)
Este tipo de configuração é utilizado, em geral, para a
medição de deslocamentos normais à superfície iluminada. Somente
um feixe de luz ilumina a peça a medir, enquanto que um outro
feixe, denominado de feixe de referência, formado por um outro
padrão de speckle ou frente de onda qualquer, ilumina um dos braços
do interferômetro(espelho parcial) onde ocorre a superposição entre
o feixe proveniente da peça com o feixe de referência.
a) Iluminação de superfície de referência b) Feixe de referência diretamente na câmera
A superfície ao se deslocar promove a variação da fase dos
speckles de acordo com equação 2.16 e, como o próprio nome já diz,
o feixe de referência permanece inalterado,ou seja, não sofre
variação de fase. As franjas que se formam na imagem final são, por
conseguinte, resultantes da mudança na fase dos speckles devido ao
deslocamento da superfície a medir e não sofrem influência do feixe
de referência. Esta mudança de fase é expressa pela equação 2.16.
Assim sendo, para as regiões escuras do mapa de franjas, onde
a correlação entre os speckles antes e após a deformação for
máxima, tem-se :
í £ - P - d = 2 n n (2.19)
P • ã = Xn (2.20)
O n d e :
P é o vetor sensibilidade dado por :
P = £„ + jcj_ ■ - (2.21)
R0 e R, são vetores unitários relativos às direções de observação e iluminação, respectivamente.
n é denominado ordem de franja, está associado à defasagem sofrida pelo speckle e pode ser determinado a partir da análise dos mapas de franja.
Usualmente o vetor sensibilidade é quase normal à superfície do objeto a medir. Por esta razão, a iluminação simples é mais
apropriada para medição da componente normal à superfície
considerada.
A equação 2.20 foi obtida considerando apenas os pontos da
apenas valores inteiros. Quando a correlação não é máxima a
equação 2.20 continua válida, porém a ordem de franja assume valores fracionários mais difíceis de serem obtidos.
Tipicamente o vetor deslocamento é completamente desconhecido
e apresenta componentes nas três direções ortogonais. Assim sendo,
com apenas um mapa de franjas não é possível a completa
determinação deste vetor deslocamento. São necessários, no mínimo, três diferentes mapas de franjas, associados a três vetores
sensibilidade diferentes e linearmente independentes. Isto
possibilita que seja obtido um sistema de equações que quando
resolvido resulte no vetor deslocamento medido. 0 sistema de equações resultante é dado por :
• 3 =
P, • 3 = kOF2 (2.22)
P3 • 3 = kOF%
Onde Pj e OFj são vetores sensibilidade e ordens de franja
associados ao i-ésimo ponto de iluminação.
b) Iluminação dupla: (fig. 2.6)
Esta configuração é utilizada, em geral, para possibilitar a
medição de deslocamento paralelos a superfície a medir. A
superfície a medir é iluminada por dois feixes de luz que geram,
cada um, um padrão de speckle. Estes padrões interferem entre si,
gerando um novo padrão de speckle que preserva as mesmas
características dos padrões originais.
Quando a superfície se move, os padrões de speckle, relativos
a cada feixe de iluminação, sofrem uma defasagem alterando assim
PONTO DE ILUMINAÇÃO1
CAMERA OCO
SUPERFÍCIE
A MEDIR PONTO DE ILUMINAÇÃO 2
Figura 2.6 Iluminação dupla
Para os feixes 1 e 2(fig.2.6) as defasagens são dadas por:
(2.23)
», - - ^ 4 • a (2.24)
Onde :
P-j — Ri - R3 e P2 - 1*2 “ ^ 3
A fase inicial do padrão de speckle é dada por:
- # 2 (2.25)
Após o deslocamento da superfície a fase final do padrão de
interferência será :
= (*, ♦ Ôx) - (®2 + Ô2)
Subtraindo os valores de <Df e <t>j , obtém-se a defasagem final:
A 4» = - ® i = Ôi - ô2 (2.27)
Substituindo as expressões de õ ^ e q . 2.23) e õ2 (eq.2.24) na
equação 2.27 obtém-se :
A G = [(Px - P2) •3] ( 2 . 2 8 )
A = 2 * p • d (2.29) Onde :
P = P, - P2 = R, - R2 (2.30)
Ao se analisar o mapa de franjas obtido com esta configuração
chega-se à equação 2.31, que é bastante similar à equação 2.20,
diferindo apenas na obtenção do vetor sensibilidade. Para a medição
de um vetor deslocamento com três componentes também é necessária
a obtenção de, no mínimo, três mapas de franja para se obter um
sistema equivalente ao apresentado na equação 2.22. A equação 2.31
é dada por :
P • B = X O F (2.31) Onde P é dado pela equação 2.30.
2.4.3 ILUMINAÇÃO MISTA
Em uma situação genérica, o campo de deslocamentos de uma superfície qualquer apresenta componentes nas três direções ortogonais. Isto significa que devem ser medidos deslocamentos tanto no plano quanto na direção normal à superfície considerada.
Nestes casos é recomendável o uso de uma i Tuminação mista[ 1 4], onde em uma só montagem experimental são combinadas iluminações simples e duplas. A iluminação mista é extremamente interessante pois
combina a maior sensibilidade a deslocamentos normais da iluminação simples, com a elevada sensibilidade que a iluminação dupla apresenta aos deslocamentos no plano da superfície a medir.
Combinando as equações obtidas para iluminação
s i mp le s( eq.2.20) e iluminação du pl a( eq.2.31), em um único sistema de equações, obtém-se :
= ÀÍOft (2.32)
Onde [P] é a matriz de sensibilidade combinada e é dada por:
« 3 p iy * 1 * II -■1 ? 2 x & 2 y P 3X P 3 y p 3 * . Onde :
p
j
£0+ £ ,
para iluminação simples
^2 33^
1
£ - JE,
paia iluminação dupla
2 . 4 . 4 O MÉTODO DO DESLOCAMENTO DE FASE (PHASE SHIFTING)
Os mapas de franjas descritos anteriormente apresentam duas
desvantagens: a) baixa visibilidade devido à superposição de
speckles aleatórios sobre a imagem final, reduzindo a relação
sinal/ruído e; b) dificuldade na determinação da ordem de franja
fracionária, pois é necessário obter os pontos de máxima e mínima
correlação entre os campos de speckle, além da necessidade de
Uma forma de eliminar as dificuldades acima e aumentar a
confiabilidade dos resultados experimentais é através do método do
deslocamento de fase( Phase Shifting ). Este método possibilita a
determinação da fase relativa, resultante da interferência entre
duas frentes de onda.
Diversos tipos de deslocamento de fase são descritos na
literatura técnica[15]. Nos experimentos realizados durante este
trabalho utilizou-se o método de quatro passos descritos por [16].
Quando duas frentes de onda interferem, a intensidade final
é dada pela equação 2.9. Se uma das frentes de onda sofrer
variações de fase de 0, 90, 180, 270 graus, provocadas, por
exemplo, por um microdeslocamento de um espelho, as intensidades
resultantes tornam-se respectivamente:
I 0 = i , + i 2 + ( i , l 2) 1/5fcos(A<t>)
Ig0 = I, + I2 + (I, I2)1/ícos(A<t> + 90)
1,80=1! + I2 + (I, I2)1/SCOS(A<t> + 180) I270 =Ii + I2 + (I, I2)1/^cos(A4> + 270)
As equações acima podem ser combinadas de modo a resultar na tangente de Aí :
C g A $ = J 2 7 0 _ J a o •Tn 0 180An (2.34) e A © = ai ct g( ^? 2— " -*iAn (2.35)
Desta forma é possível calcular a fase de em padrão de speckle, simplesmente defasando um dos feixes de 0, 90, 180 e 270 graus e operando com as imagens resultantes de cada passo de
defasagem. Calculando a fase dos padrões de speckle nas configurações deformada e indeformada, e subtraindo estas duas quantidades obtém-se o chamado mapa de fase(fig.2.7) que representa a defasagem provocada pelo deslocamento da superfície medida. Este mapa de fase pode ser analisado e, em conjunto com as equações 2.32, resultar na determinação do campo deslocamentos da peça.
Figura 2.7 0 Mapa de Fase
2.5 A ESTAÇÃO HOLOGRÁFICA
Sintetizando o que foi descrito nos itens anteriores conclui-
se que para a medição de deslocamentos utilizando a holografia
eletrônica são necessários :
a) Iluminação da peça com luz coerente e a partir de ângulos
conheci d o s ;
b) Captar os padrões de speckle das superfícies medidas;
c) Calcular a fase dos speckles;
d) Subtrair imagens;
A estação holográfica (fig 2.8) é um sistema de medição que
integra todas as operações acima citadas, visando flexibilizar todo
o processo de montagem, execução, processamento e análise de
resultados[17].
Este sistema pode ser dividido em duas partes : a) hardware
e; b) software. 0 Hardware é composto por laser, fibras ópticas e
suportes fixadores, um espelho montado sobre um microdeslocador
tipo piezoelétrico (PZT), placas de processamento de imagens,
câmera CCD e monitor de TV, entre outros elementos.
0 software do sistema, intitulado SINTHE 3.0, é composto por
diversos módulos que possibilitam a realização de diversas
operações, tais como : a) visualização de franjas ao vivo; b)
obtenção de mapas de fase; c) cálculo de deslocamentos,
deformações e tensões; d) análise de resultados através de
gráfi c o s .
Na figura 2.9 apresenta-se um diagrama de blocos da estação
holográfica referentes a medições utilizando iluminações simples
Capítulo 3
O Método de Elementos Finitos
0 comportamento dos sistemas físicos comumente encontrados na
mecânica estrutural, termodinâmica, fluidos , entre outras áreas,
pode ser aproximadamente descrito através de equações diferenciais
parciais que relacionam as diversas grandezas e suas influências
sobre o sistema. Estas equações, em geral, são bastante complexas
e as soluções por meios puramente analíticos podem se tornar
difíceis, incompletas ou até mesmo impossíveis. Surge então a
necessidade da obtenção de soluções aproximadas que representem,
da melhor forma possível, o comportamento do sistema em estudo. 0
método de elementos finitos é um processo numérico que possibilita
a obtenção de tais soluções aproximadas[18].
Neste método as equações diferenciais que descrevem o problema são transformadas em um sistema de equações algébrico cujas incógnitas podem ser deslocamentos, tensões ou outras variáveis quaisquer, denominadas graus de liberdade.
3.1 AS APROXIMAÇÕES DO MÉTODO
Conforme descrito, o método de elementos finitos(MEF) visa a
obtenção de soluções aproximadas para um determinado sistema de
equações diferenciais. Estas equações devem ser satisfeitas no
domínio e também devem ser atendidas as condições de contorno do
problema. Tipicamente, necessita-se resolver um sistema de equações
A(u) + q = 0 no domínio ( fi ) (3.1 a)
B(u) + b = 0 no contorno (
r
) (3.1 b)Onde A e B são operadores apropriados, q e b são funções
vetoriais conhecidas e u uma função vetorial desconhecida, que se
pretende determinar.
No método de elementos finitos, o domínio do problema é
dividido em subdomínios menores( elementos finitos ), definidos por
meio de nós (fig. 3.1). Dentro destes elementos a função u
desconhecida é aproximada por uma combinação linear de funções de
interpolação(1ineares, quadráticas, etc), ponderadas por parâmetros
nodais (eq. 3.3). Assim, o valor da grandeza u em cada ponto é
aproximado pela soma :
_ (3.2)
Onde: N;= funções de interpolação
U; = parâmetros nodais
Existem diferentes possibilidades para a escolha das funções
de interpolação, entretanto algumas restrições são necessárias para
a obtenção de uma solução convergente e precisa[20].
A transformação do sistema de equações (3.1) em um sistema
algébrico de equações é possível através da utilização dos métodos
de resíduos ponderados ou de Rayleigh-Ritz[21], sendo este último,
o mais utilizado na área de análise estrutural.
0 método de Rayleigh-Ritz envolve a utilização de princípios
variacionais para possibilitar a obtenção das soluções aproximadas.
Os princípios variacionais usam os chamados "funcionais" que são
expressões integrais contendo implicitamente as equações
diferenciais do problema. Atualmente existe um grande número de
princípios variacionais que podem ser aplicados a uma grande
variedade de problemas. Dentro destes princípios pode-se citar os
da energia potencial estacionária, mínima energia complementar e
energia complementar modi ficado.
Um estudo mais detalhado sobre princípios variacionais pode ser
encontrado na referência [22].
Por ser um dos princípios variacionais mais utilizados no MEF,
o princípio da energia potencial estacionária será descrito,
visando ilustrar uma das mais conhecidas equações do método,
denominada aqui de equação básica para a análise estática de
estruturas.
3.2 A EQUAÇÃO BÁSICA
A energia potencial total de um corpo linearmente elástico
compõe-se de duas parcelas: a) energia de deformação elástica e ;
b) energia potencial das cargas aplicadas ao corpo. Matematicamente
esta energia é expressa pela equação (3.3) abaixo,
Onde :
U é a energia de deformação elástica, dada por :
U = f (l{e}t [S\ íe} - (e}t [JS1 {e0} + feHco}) d Ü (3.4) vú £»
W é a energia potencial das cargas aplicada, dada por :
W = - firi Hâ dü - J íiifyJdT - {riHi* (3.5) e
{u} = vetor deslocamento
{e} = [ex ey ez Yxy Y yz Yxz] tensor deformação {e0} = vetor de deformações iniciais
{ct0 } = vetor de tensões iniciais CE3 = matriz constitutiva
{F } = [fx fy fz]t vetor de forças de corpo {$} = vetor de trações superficiais
{D} = graus de liberdade nodais
{P } = cargas externas aplicadas(concentradas) T, Q = superfície e volume do corpo
Como já visto, no MEF o campo de deslocamentos no interior de
um elemento é expresso por uma combinação linear das funções de
interpolação, ponderadas pelos parâmetros nodais, através da
equação (3.1). Esta equação pode ser escrita em forma matricial,
resultando em :
íii = [J\fl ídJ (3.6)
o n d e :
{u} = vetor deslocamento
[ N ] = matriz de funções de interpolaçõo
onde :
Derivando a equação (3.6) obtém-se as deformações:
íe} = [3] íuí (3.7)
[d] é um operador diferencial matricial e é dado por :
[d] = d dx 0 0 0 _d_ dy 0 0 0 _ a dz _ Õ _ n dy dx \J f i _d_ d U dz dy _ a n _d_ dz U dx ( 3 . 8 ) Substituindo ( 3.6 ) em ( 3.7 ) obtém-se lei = [B] Icff (3.9) onde :
[B]
= [d] [tf] ( 3 . 1 0 )Substituindo (3.6) e (3.10) nas expressões de energia (eq. 3.3, 3.4, 3.5) obtém-se a expressão aproximada para a energia
pot enci a l :
n. =
- £ « ‘„ir;, - w*w
(3.11)
n = 1, nS de elementos
{re}n = vetor tor de carga do elemento dado por:
A equação 3.11 pode ser reescrita na forma:
n_ =
*
-
ídK
íM
2 (3.1 2)
Onde :
[K] = I [k]n = matriz de rigidez global
[R] = I [fe]n + [P] = vetor força generalizado
Os somatórios acima descrevem a passagem dos vetores e da
matriz de rigidez do elemento para os vetores carga e matriz de
rigidez da estrutura global. Neste processo os graus de liberdade
do elemento {d} passam a fazer parte do vetor de graus de liberdade
global {D } e, as contribuições de cada elemento são levadas em
conta na montagem de matriz de rigidez global. A aplicação do
princípio da mínima energia potencial possibilita que a equação
seja transformada em um sistema de equações algébricas cujas
incógnitas são os graus de liberdade nodais. Este princípio
estabelece que [21]: " Entre todas as cofigurações admissíveis de
um sistema conservativo, aquela que satisfaz as equações de
equilíbrio torna mínima a energia potencial do sistema, com
respeito a pequenas variações admissíveis do deslocamento".
Matematicamente o princípio da energia potencial estacionária
resulta em :
Aplicando então o princípio da energia estacionária à equação
3.13, obtém-se :
o - ÍdKr}
= 0 (3.1 4)
ÕD
( 3 . 1 5 )
[jeitaJ - ütf = o
( 3 . 1 6 )A equação (3.16) é a chamada equação básica do método de
elementos finitos.
3.3 ASPECTOS DE MODELAGEM
Rosa e Al be rt az zi[23] descrevem o processo de análise de
sistemas físicos por métodos numéricos, comentando as diversas
etapas decorrentes desse processo. Resumidamente estas etapas
envolvem ( Fig 3.2 ):
a) Geração de um modelo de referência :
Nesta etapa analisa-se o sistema de modo a captar todos os
fenômenos, variáveis e aspectos importantes que influenciam no
comportamento do mesmo. Gera-se assim um modelo inicial do sistema.
Ressalta-se aqui que nesta etapa não devem ser feitas
simplificações pois algumas variáveis importantes poderiam ser
desprezadas, o que levaria a resultados incorretos.
b) Geração de um modelo matemático :
Partindo-se do modelo de referência deve-se gerar o modelo
sistema estão interelacionadas e como influenciam no comportamento
do mesmo. Algumas simplificações podem ser feitas de modo a
facilitar a geração do modelo matemático. Nestas simplificações os
fenômenos que tem pouca ou nenhuma influência sobre o sistema são
desprezadas. Exige-se no entanto um grande senso crítico do
analista para que ele possa desprezar os fenômenos realmente
irrelevantes, sem introduzir erros cansideráveis. O modelo
matemático obtido, geralmente constitui-se de equações diferenciais
parciais ou ordinárias.
c) Geração de um modelo numérico :
Como já citado, as equações diferenciais do problema, em
geral são de difícil solução e por isso são necessários
procedimentos numéricos para a obtenção de solução aproximadas.
Neste processo gera-se um modelo numérico que deve se adequar da
melhor forma possível aos modelo de referência e matemático, dando
condições para que a solução do problema seja bastante próxima da
solução i d e a l .
d) Solução numérica :
Este processo envolve o processamento do modelo numérico de
modo a resultar na solução do sistema de equações envolvido.
e) Análise de resultados :
Nesta etapa os resultados devem ser analisados de forma
crítica, verificando se há coerência nos mesmos, através da
Isto possibilita ao analista verificar se o modelo é confiável para
que possa então analisar os resultados do ponto de vista de
engenharia, ou seja, tomar conclusões sobre o comportamento do
sistema a partir dos resultados obtidos.
Uma outra etapa seria, a partir dos resultados obtidos, fazer
uma realimentação com as etapas anteriores, buscando otimizar os
modelos de referência, matemático e numérico.
idealizações do sistema, retendo as
informações relevantes
equações que regem os fenômenos
descritos no modelo de referência
discretização do domínio para
viabilizar a solução numérica
apresentação de resultados
interpretação de resultados
Figura 3.2 Seqüência de modelos que levam a uma solução numérica [ref. 23]
Como foi visto, em cada uma das etapas anteriores são feitas
diversas aproximações e simplificações visando tornar o problema
mais fácil de ser analisado. Estas aproximações são, obviamente,
geradoras de erro nos resultados finais. É importante que o
analista tenha experiência suficiente para conhecer a influência
Capítulo 4
In tera ção Numérico-Experimen tal
Neste capitulo serão apresentados, de uma forma genérica,diversos aspectos relativos a análise integrada numérico-
expe ri me nt al. Alguns exemplos ilustram certas limitações das
técnicas numéricas e experimentais quando utilizadas isoladamente.
Será mostrado que através da análise híbrida é possível superar a
maioria destas limitações, obtendo subsídios para uma análise mais
confiável dos sistemas físicos ora estudados.
4.1- UM EXEMPLO: " ANÁLISE DE PLACAS FINAS APOIADAS EM BASE NÃO
ELÁSTICA E SUBMETIDAS A GRANDES DEFLEXÕES M
Na figura 4.1 são apresentadas várias tipos de placas
circulares sob diversas condições de carregamento. A análise destes
problemas torna-se bastante complicada quando as deflexões são
quase da ordem ou maiores do que a espessura das placas. 0 grau de dificuldade aumenta quando as forças de atrito na interface entre
a placa e a base devem ser consideradas no modelo do problema.
Nestes casos a teoria clássica de placas finas[24] não pode
ser empregada pois deve-se considerar as tensões de membrana
decorrentes das grandes deflexões a as forças de atrito, além da
não linearidade do material da base. Laermann [25], utilizando uma
teoria não linear de placas, chega a um sistema de equações
B W w
=
hL(w,F)
-
• §^
-d r 2
2 ar2
(4.1)+
Pa - P
(4.2) Onde : w = deflexão da placaF = função tensão de Airy
= função associada às tensões de atrito(t)= ít(r)dr
Pa = tensão normal de contato
P = carregamento externo
E, v = módulos de elasticidade e Poisson
B = rigidez de flexão da placa
r = coordenada radial da placa
L { a ,b ) =
= &a
• 1
+ 1
da
.
cPb
d r 2
x dz
x d i
d i 2
(4.3)'
f
F i g u r a 4 . 1 V á r i o s t i p o s de p l a c a s s u p o r t a d a s em b a s e s não e l á s t i c a s (d a r e f . [ 2 5 ] )
4.1.1- DIFICULDADES DESTE EXEMPLO
O modelo matemático da placa circular (Eq. 4.1 e 4.2)
considera internamente as influências das forças normal e de atrito
decorrentes da interação entre a placa e a base. Assim, torna-se
necessária a elaboração de um modelo matemático também para a base,
visando obter uma terceira equação que em conjunto com as equações
já obtidas, possibilite a solução do problema em questão.
Obviamente este modelo não é tão simples de se obter, além disso
as equações obtidas poderiam ser tão complexas que
impossibilitariam qualquer tentativa de solução sem que fòssem
feitas algumas simplificações e suposições sobre o comportamento
do sistema. Uma destas simplificações seria considerar que as
reações normais são proporcionais à deflexão w (Eq 4.4), ou seja,
despreza-se a não linearidade da base, supondo um comportamento
elástico para a mesma. Neste caso seria necessário conhecer a
constante de proporcionalidade k.
A equação 4.4 é dada por:
Pa=kw (4.4)
onde
w = deflexão da placa
k = constante de proporcional idade
Esta simplificação pode induzir a erros significativos,
principalmente quando a não linearidade da base for de grande
magnitude.
Resumidamente pode-se dizer que neste problema encontram-se
duas dificuldades fundamentais:
a) Necessita-se modelar a base e sua interação com a placa;
Não seria difícil pensar que sem um modelo para a base a
solução do problema seria impossível. A seguir será apresentado o
procedimento descrito por Laermann, onde, através da combinação de
técnicas numéricas com métodos experimentais, chega-se a solução
completa do problema em questão, sem a necessidade de modelagem da
b a s e .
4.1.2 A SOLUÇÃO
Aplicando o método das diferenças finitas às equações 4.1 e
4.2 foi obtido um sistema algébrico de equações dado por[25]:
B[D]{m) = - (P.) + (P) (4.5)
* r a
[D]({nr) + (n,)+ra [A](t)) = -Eh[w'] (w") ( [aj -v [ ^ ] ) (t) (4.6) onde :
[D] = matriz dos coeficientes de V 2
[A], [ A ■( ], [A2] = matrizes associadas a (<t>), ( $ ’) e (<t>"), respect ivãmente
(m) = vetor resultante de
fnrJ e fn,J = matrizes diagonais dos esforços de membrana Através da técnica de fotoelasticidade são obtidos os valores
de :
(r) = i^ (r) + O(r)
(
4.
7)
N^(r) = N 9 (r) + <& (x) (4.8) w ’ e w" podem ser obtidos a partir da técnica de Moi ré.
Substituindo estes valores na equação 4.6 obtém-se as tensões de
o n d e :
m = r a [ D ] U ) + - ^ ( [ ^ 1 - v U J ) ( 4 . 8 )
Após calcular (t), pode-se obter os valores de Nr e Nf através
das equações 4.7 e 4.8, respectivamente. Desta forma, todas as
variáveis da equação 4.5 são conhecidas, exceto as tensões normais
de contato que podem ser então determinadas :
(P) = (Pa)
- B
[D] (W' + w")
+[njw"
+ [n ]w'
+ - J L - L A J ( t )zx a
0 procedimento descrito acima foi aplicado a uma placa de
material fotoelástico apoiada em uma base de borracha. Os
resultados obtidos são apresentados nas figuras 4.2 e 4.3.
(t) = (n; + n^) + Eh[w']-(w")} (4.7)
Fig. 4.2 Tensões de flexão(crB) e tensões de membrana (oM)
ref. [25]
Fig. 4.3 Tensões de contato p e t. (as linhas tracejadas
denotam as incertezas associadas ao experimento e ao cálculo numérico)
4.2- PORQUE INTERAGIR
Atualmente os métodos numéricos e experimentais são
largamente utilizados nas diversas áreas da ciência, possibilitando
a solução de um grande número de problemas. Entretanto,
isoladamente estas técnicas apresentam limitações que podem
dificultar, ou mesmo inviabilizar, a análise de problemas cujo grau
de complexidade é mais elevado. Ressalta-se que a complexidade dos
problemas pode se elevar por diversos fatores, tais como: a)modelo
matemático de difícil solução; b)desconhecimento das propriedades
dos materiais envolvidos; c)desconhecimento das condições de
contorno do problema ; d)geometrias complexas; e)dificuldade em
reproduzir experimentalmente o carregamento desejado;
f)dificuldades em analisar experimentalmente toda a peça de
interesse, entre outros.
Como foi visto no capítulo 3, para a análise de um sistema
físico qualquer, é necessária a elaboração de modelos físicos e
matemáticos que visam descrever o fenômenos associados àquele
sistema, de modo a possibilitar que seja determinada a resposta do
mesmo às diversas fontes de excitação existentes. Em geral, é
impossível modelar perfeitamente o sistema considerando todas
variáveis associadas ao evento físico real, seja por
desconhecimento de alguns fenômenos ou por dificuldades na
resolução das equações matemáticas resultantes deste modelo. Como
conseqüência deste fato, suposições e simplificações, de diversos
níveis, devem ser introduzidas de modo a tornar o modelo
operacional, ou seja, passível de solução. 0 modelo obtido é apenas
uma aproximação da realidade, não se tendo garantia alguma da
obtidos com uma análise matemática qualquer deste modelo são
completamente incertos, a despeito do uso de modernos métodos
numéricos e sofisticados computadores.
Na análise experimental são utilizados modelos físicos mais
realísticos dos sistemas estudados. Estes modelos físicos podem ser
o próprio sistema, parte dele, um modelo reduzido ou um outro
sistema físico análogo ao estudado. É interessante notar que
freqüentemente a informação obtida não corresponde diretamente à
variável desejada e, portanto, devem ser introduzidos modelos
matemáticos que correi acionam as informações medidas com as
grandezas desejadas. Estes modelos matemáticos também podem conter
algumas aproximações, como no caso da análise de tensões através
da extensômetri a, onde a determinação de tensões é féita com o uso
de equações constitutivas que, em muitos casos, apresentam
aproximações do comportamento do material em análise. Isto mostra
que apesar de utilizar modelos físicos mais realistas, as técnicas
experimentais também apresentam aproximações e incertezas
associadas, entretanto o nível destas incertezas é, em geral, bem
mais reduzido.
As considerações da análise acima mostram que, por mais
sofisticadas que possam ser, técnicas numéricas e experimentais
apresentam limitações e deficiências quando utilizadas de forma
independente. Deste fato, surge uma nova metodologia de análise,
denominada de Análise Numérico-Experimental, ou análise
híbrida[26], onde através da combinação de técnicas numéricas e
experimentais é possível aproveitar os aspectos positivos e
A seguir são apresentadas as principais limitações de cada
método e, posteriormente, discutidas as alternativas para
superá-1 a s .
4.2.1- LIMITAÇÕES DAS TÉCNICAS EXPERIMENTAIS
No problema ilustrado anteriormente as tensões e deflexões
envolvidas foram determinadas através das técnicas de
fotoelasticidade e Moiré. Estas técnicas, no entanto, não
possibilitaram a determinação direta das forças normais e de atrito
decorrentes da interação entre a placa e a base. Necessitou-se o
uso de um método numérico para que tais forças fossem determinadas.
Este fato ilustra uma das principais limitações das técnicas
experimentais: " Raramente um método experimental possibilita a
análise completa de um determinado problema " [27]. Em síntese,
isto significa que, em geral, são necessários mais de um método
experimental para possibilitar a solução completa de um dado
problema.
Outras limitações das técnicas experimentais são :
a) Necessidade do uso de instrumentos e equipamentos, em geral,
bastante caros e inacessíveis a muitos analistas;
b) As análises experimentais são mais caras e demoradas que as
análises numéricas. Os ensaios experimentais devem ser
cuidadosamente planejados e executados para que se possa garantir
a confiabilidade dos resultados obtidos. Este fato dificulta o processo de desenvolvimento e/ou otimização de uma determinada peça
ou produto, pois não é tão simples alterar o projeto e novamente
medir experimentalmente as conseqüências dessas alterações. Além
análises experimentais, o que aumenta bastante os custos finais do
p r o c e s s o ;
c) Tipicamente os resultados experimentais apresentam pequenos
erros sistemáticos e potencialmente grandes erros aleatórios. Estes
erros aleatórios podem vir a dificultar um processamento posterior
dos dados como, por exemplo, uma derivação numérica.
d) Quando é necessário o uso de modelos de peças surgem
dificuldades e erros adicionais, pois um modelo nunca consegue
representar perfeitamente a peça ou fenômeno em estudo. Este é o
caso da técnica de fotoelasticidade onde são necessários modelos
fot oe lásticos que, por não serem feitos do mesmo material das peças
em análise, não representam fielmente os fenômenos que ocorrem em
uma peça real. É também o caso quando modelos reduzidos da peça ou
sistema de interesse tem que ser usados.
e) Algumas técnicas experimentais apresentam valores localizados
para as grandezas medidas, como é o caso da extensômet ri a, que
apresenta resultados quantitativos excelentes. A determinação dos
pontos críticos de uma peça em análise pode ser muito penosa e
normalmente é efetuada por combinação com outras técnicas
experimentais quantitativamente deficientes mais qualitativamente
superiores à extensômetri a , o que pode tornar o processo caro e
demorado.
4.2.2- LIMITAÇÕES DAS TÉCNICAS NUMÉRICAS
Em síntese as principais limitações das técnicas numéricas
são:
a) A precisão dos resultados é fortemente afetada pelas hipóteses e condições de contorno adotadas durante o modelamento. Muitas
vezes, ao se elaborar um modelo numérico podem ser utilizadas hipóteses e/ou condições de contorno não condizentes com o modelo real. Pode-se, por exemplo, analisar uma placa sob grandes deflexões usando uma teoria linear. Resultados serão obtidos, porém a confiabilidade dos mesmos será muito baixa. Isto é, grandes erros sistemáticos podem estar presente porém apenas pequenos erros aleatórios são esperados;
b) Necessita-se um conhecimento prévio do comportamento, bem como das propriedades dos materiais envolvidos. A solução do problema apresentado ( 4 . 1 ) não seria possível sem que um modelo para a base fosse gerado considerando todas as suas influências sobre a p l a c a ;
c) Simplificações no modelo são muitas vezes necessárias para
possibilitar a solução numérica (vide 4.1 e 4.2). Estas
simplificações podem prejudicar seriamente os resultados, caso não sejam feitas de forma sensata, considerando-se suas influências sobre os resultados finais;
d) Não se conhece, a priori, o nível de erros nos resultados, pois este são dependentes do grau de refino das malhas adotadas, dos
elementos utilizados, e das teorias adotadas, entre outros
a s pe c t o s .
Ao analisar as limitações acima percebe-se que para se realizar uma análise numérica é necessário que o analista possua uma grande experiência para que possa ponderar os diversos parâmetros envolvidos (malha, elementos, tipo de análise, etc.) de modo a possibilitar uma solução condizente com o que se deseja, ou seja, obter uma solução com uma relação custo/benefício ótima. Vale ressaltar que quanto mais precisos os resultados mais alto será o custo da solução.