NOVA MEDICAL SCHOOL|Faculdade Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa
Relatório Final
Estágio Profissionalizante – Mestrado Integrado em Medicina
Ano Letivo 2019/2020
Beatriz Félix Santana Louro
Aluna 6º ano Mestrado Integrado em Medicina, número 2014153
Regente: Prof. Doutor Rui Maio
Orientadora: Dr.ª Teresa Libório
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ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS ... 3
2. DESCRIÇÃO ATIVIDADES ... 3
2.1. Estágio Parcelar Cirurgia Geral ... 3
2.2. Estágio Parcelar Medicina Interna ... 4
2.3. Estágio Parcelar Ginecologia-Obstetrícia ... 5
2.4. Estágio Parcelar Saúde Mental ... 5
2.5. Unidade Curricular de Medicina Geral e Familiar ... 6
2.6. Unidade Curricular de Pediatria ... 7
3. ATIVIDADES EXTRACURRICULARES ... 7
4. REFLEXÃO CRÍTICA ... 8
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1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
O Estágio Profissionalizante, incluído no plano de estudos do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da NOVA Medical School|Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM), possui como principal objetivo a preparação do aluno para a sua futura atividade enquanto médico. O estágio profissionalizante é realizado sob um regime tutelado, no qual o aluno integra as atividades diárias de uma equipa de trabalho. A pandemia causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 (COVID-19) atingiu Portugal no dia 2 de Março de 2020. O estado de emergência, declarado no dia 18 Março do mesmo ano, impôs uma modificação na nossa conduta e atividades do quotidiano, incluindo o método de ensino que, até então, tinha sido o pilar da formação do jovem médico. Nesse sentido, surgiu a necessidade da reformulação do mesmo e acréscimo de novos objetivos de aprendizagem – capacidade de adaptação, perseverança e reestruturação.
Os objetivos gerais do estágio profissionalizante são delineados de acordo com o documento “O Licenciado Médico em Portugal” e nestes destacam-se: 1) Sistematização, consolidação e aplicação dos conhecimento teórico-práticos nos diferentes contextos clínicos; 2) Realização da história clínica, exame físico, exercício de raciocínio clínico e tomada de decisão no diagnóstico e terapêutica, com aquisição progressiva de autonomia na prática clínica; 3) Desenvolvimento das técnicas de comunicação com doentes, familiares, equipa médica e restantes profissionais de saúde e 4) Abordagem holística e biopsicossocial da pessoa através da aplicação do modelo clínico centrado no paciente e prestação de cuidados diferenciados. No decorrer dos estágios procurei adquirir estas competências, colmatar as falhas que pudessem persistir de anos anteriores e conhecer melhor as atividades características de cada uma das especialidades a fim de encontrar a que melhor me realize enquanto profissional.
No presente relatório, realizarei uma breve descrição dos diferentes estágios parcelares realizados, em particular dos objetivos específicos das atividades desenvolvidas e alterações decorridas no contexto da pandemia; de seguida, uma breve referência a trabalhos e atividades extracurriculares que maior contributo deram para a minha formação e, finalmente, uma reflexão crítica relativo ao cumprimento dos objetivos acima propostas e avaliação retrospetiva do meu percurso académico.
2. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES
Durante o presente ano letivo realizei 4 estágios parcelares presenciais e 3 unidades curriculares por teletrabalho após a suspensão das atividades (Anexo I).
2.1. Estágio Parcelar de
Cirurgia Geral – 9 setembro a 1 novembro de 2019
Objetivos específicos: Conhecer as principais síndromes cirúrgicas, exercitar oraciocínio clínico, hierarquizar as hipóteses diagnósticas e respetiva abordagem de diagnóstico e tratamento. Melhorar técnicas de pequena cirurgia e condições de assepsia.
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Descrição das Atividades: A primeira semana de estágio decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, dedicada à formação de temas teórico-práticos e curso TEAM – Trauma Evaluation and Management na NOVA Medical School. As restantes semanas decorreram no Hospital das Forças Armadas (HFAR), onde integrei as atividades da equipa orientada pela Dra. Ana Catarina Pinho e acompanhei os assistentes nas diversas vertentes – enfermaria, bloco operatório, consulta externa e sessões clínicas em videoconferência com HFAR Pólo Porto. Durante as consultas e internamento pratiquei a realização do exame objetivo dirigido à patologia, discussão de exames complementares de diagnóstico e abordagem terapêutica. No bloco operatório foi-me permitido assistir e participar em procedimentos da área cirúrgica, anestésica e deenfermagem, revezando-me com os meus colegas e otimizando o máximo de participações. Os procedimentos cirúrgicos mais observados foram a Hernioplastia – inguinal e epigástrica – e a Colecistectomia. Como o Serviço Urgência do HFAR é realizado sob a forma de chamada, o número de doentes observados em contexto agudo era reduzido. Nesse seguimento, acompanhámos por diversas ocasiões os assistentes na realização de Serviço de Urgência no exterior, mais precisamente no Hospital São Francisco Xavier. No último dia de estágio realizou-se o Minicongresso, no qual apresentei, em conjunto com dois dos meus colegas, um caso clínico de abordagem ao nódulo tiroideu intitulado “Mais sorte que sintomas” (Anexo II).2.2. Estágio Parcelar de Medicina Interna – 4 novembro 2019 a 10 janeiro de 2020
Objetivos específicos: Desenvolver raciocínio clínico e hierarquização das situações clínicas emergentes e respetiva abordagem diagnóstica e terapêutica; aplicar abordagem holística e biopsicossocial do doente; desenvolver a capacidade de comunicação com profissionais de saúde, doente e familiares.
Descrição das Atividades: No internamento, eram-me atribuídos diariamente entre 1 a 2 doentes, pelos quais era responsável pela colheita de história clínica, realização de exame objetivo, procedimentos técnicos (punções venosas, gasimetria arterial e eletrocardiograma), requisição e interpretação de exames complementares de diagnóstico, elaboração do diário clínico e/ou nota de entrada/alta e assegurar a comunicação com as outras valências inerentes à gestão de problemas do doente (equipa de enfermagem, fisioterapia, nutrição e assistente social). O dia de internamento finalizava sempre com a discussão de cada caso em equipa. Acompanhei com maior proximidade 29 doentes, com idades entre os 23 e 87 anos, média de idades de 74 anos e cujos diagnósticos principais foram as Infeções – trato respiratório, prostatite, pielonefrite e bacteriémia – e a agudização de doenças crónicas (insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica) maioritariamente precipitadas pelas patologias de foro agudo, como as infeções. Perante patologias em fase terminal, adquiri alguns conceitos e competências no controlo de sintomas e medidas de conforto. Participei nas reuniões do serviço que decorreram todas as quintas-feiras, onde tive a oportunidade de apresentar os doentes que tinha acompanhado ao longo da semana. Semanalmente, frequentei o Serviço de Urgência, sob a orientação da Dra. Patrícia Vicente ou elementos da sua equipa, onde contactei com diversas patologias agudas e consolidei conhecimentos relativos à abordagem diagnóstica e terapêutica em
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contexto de urgência. Adicionalmente, observei e participei nas Consultas Externas de Diabetologia, assisti semanalmente às Sessões Clínicas Hospitalares e aulas teórico-práticas destinadas aos alunos do 6º ano. Como elemento adicional de avaliação, apresentei numa das Sessões Clínicas um trabalho referente a técnicas – “Cateter Venoso Central” (Anexo II).2.3. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia – 20 janeiro a 14 fevereiro de 2020
Objetivos específicos: Treinar procedimentos práticos do exame objetivo ginecológico e obstétrico, interpretação de exames complementares de diagnóstico e terapêutica; conhecer a abordagem à mulher grávida e diferentes estádios do desenvolvimento fetal; identificar as patologias ginecológicas mais frequentes e respetiva orientação diagnóstica e terapêutica.
Descrição das Atividades: Orientada pela Dra. Lina Salgueiro, responsável pelo internamento materno-fetal do Hospital São Francisco Xavier, a maior parte do meu estágio decorreu ao redor da mulher grávida e saúde fetal. Tive oportunidade de participar ativamente na realização da história clínica ginecológica/obstétrica, interpretação de exames completares de diagnóstico, exame objetivo obstétrico e processo de internamento. Relativamente à casuística das doentes, o principal motivo de internamento foi a indução do trabalho de parto, seguindo-se ameaça de parto pré-termo e vigilância do bem-estar fetal. Semanalmente frequentei o Serviço de Urgência e Bloco de Partos por um período de 12 horas, o que permitiu aumentar o meu contacto com a patologia obstétrica e ginecológica do foro agudo e partos. Por diversas ocasiões tive a oportunidade de participar como 2ª ajudante nas cesarianas e parto vaginal eutócico. Adicionalmente, observei a realização de ecografias obstétricas e ginecológicas, assisti às Consultas Externas de Patologia Fetal, Obstetrícia, Ginecologia e Patologia do Colo do Útero e Bloco Operatório. Assisti semanalmente às reuniões clínicas do serviço, participei no Workshop – “The Women” na Maternidade Alfredo da Costa lecionado pela Prof. Doutora Teresinha Simões e, na última semana de estágio, apresentei na sessão clínica uma pequena revisão sobre o tema “Abortos de Repetição – Gestão de um problema” (Anexo II).
2.4. Estágio Parcelar de
Saúde Mental – 16 fevereiro a 13 março de 2020
Objetivos específicos: Identificar sintomas de perturbação psiquiátrica e diferenciá-los do funcionamento psicológico normal do indivíduo; aquisição e desenvolvimento de competências e técnicas de entrevista clínica no contexto da doença mental; consolidação e sistematização da abordagem terapêutica.
Descrição das Atividades: No serviço de internamento acompanhei diariamente os assistentes na realização da entrevista clínica, avaliação do estado mental e cognitivo, discussão em equipa da abordagem terapêutica e programação do processo de reabilitação após a alta. Este planeamento era realizado em conjunto com a equipa comunitária, Hospital de Dia e familiares. Nesse sentido, assisti semanalmente às reuniões realizadas com os respetivos elementos, de cada uma das equipas. Durante o estágio acompanhei com maior proximidade o internamento de 21 doentes, 12 do sexo feminino e 9 do sexo masculino, com uma média de
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idades de 43 anos (idade mínima 19 e máxima de 86 anos). As principais patologias observadas foram a Perturbação Afetiva Bipolar e a Esquizofrenia. Também tive a oportunidade de observar tratamentos de eletroconvulsivoterapia, realizados semanalmente no bloco operatório. Assisti aos seminários teórico-práticos - “Casos clínicos em psiquiatria” e “Estigma na doença mental e programas para a doença mental grave” - lecionados na faculdade e às reuniões clínicas do serviço, semanais, onde eram realizadas sessões expositivas e discussão de casos clínicos. Por incompatibilidade da logística de escalas e reuniões com posterior cancelamento do estágio, não foi possível a frequência do Serviço de Urgência. Como elemento complementar de avaliação, realizei uma história clínica em conjunto com o meu colega de estágio. No dia 2 de março são confirmados os primeiros 2 casos de COVID-19 em Portugal e no dia 9 de março cancelados os estágios presenciais. A discussão do relatório ocorreu por videochamada com o Prof. Doutor Miguel Talina.Após a declaração do estado de emergência e suspensão de todas as atividades presenciais, as restantes unidades curriculares desenvolveram-se por teletrabalho.
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2.5. Unidade Curricular de Medicina Geral e Familiar – 16 março a 17 abril de 2020
Objetivos específicos: Adotar uma abordagem centrada na pessoa; identificar e gerir os problemas de saúde mais frequentes na comunidade; coordenar cuidados de saúde; tomar decisões terapêuticas que tenham em consideração as limitações dos dados clínicos e a relação custo-benefício; identificar riscos de saúde em determinados pacientes e famílias e efetuar as medidas preventivas indicadas; adaptar e auxiliar na reestruturação da unidade curricular; conhecer e integrar as ferramentas informáticas do teletrabalho. Descrição das Atividades: O meu estágio era para ter sido realizado no Centro de Saúde de Serpa. A suspensão dos estágios presenciais impôs a reformulação do método de ensino que permitisse, dentro do possível, a aquisição dos objetivos previamente delineados. Dessa forma, foi estabelecida uma ordem de trabalhos que incluiu a realização online de cursos, elaboração de um portfólio e a apresentação de um tema no minicongresso por videoconferência (Anexo III). O portfólio compreendia a resolução de um caso clínico, análise de situação – no meu caso referente a um exame complementar de diagnóstico (ECD) – registo e análise de consultas videogravadas, descrição dos cursos online frequentados e de outras atividades desenvolvidas e, por fim, uma breve análise crítica ao “estágio” desenvolvido. A resolução do caso clínico permitiu-me a revisão e sistematização de alguns conhecimentos teórico-práticos relativos ao conjunto de problemas apresentados pela doente – palpitações, cansaço geral, alterações do metabolismo, hipertensão arterial, síndrome do ombro doloroso, distúrbio sono/estado de ansiedade – e aplicação da abordagem holística e biopsicossocial da doente. O ECD escolhido foi a avaliação laboratorial da função tiroideiae a sua análise possibilitou não só a aprendizagem de conceitos de índole teórica (indicações, contraindicações, riscos associados), como também aspetos práticos inerentes à sua prescrição tais como preço e
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acessibilidade. Nos últimos dois dias de estágio realizou-se o Minicongresso, o qual moderei em conjunto com os meus colegas e apresentei o tema “Polimedicação no Idoso”. A avaliação do portfólio foi realizada pelo Prof. Doutor Bruno Heleno e o tema do minicongresso pela Prof.ª Doutora Isabel Santos e Prof.ª Doutora Teresa Ventura.2.6. Unidade Curricular de Pediatria – 20 abril a 15 maio de 2020
Objetivos específicos: Conhecer as principais patologias da criança e adolescente em Portugal e no Mundo; conhecer os princípios gerais de abordagem das patologias mais comuns, incluindo urgências e emergências; reconhecer critérios de gravidade; desenvolver competências de comunicação com a criança ou adolescente e família; adaptar-me à reestruturação da unidade curricular; conhecer e integrar as ferramentas informáticas do teletrabalho.
Descrição das Atividades: O estágio de Pediatria, que decorreria no Hospital CUF Descobertas, foi igualmente suspenso. A reformulação do método de ensino e avaliação da unidade curricular consistiu na elaboração de um artigo de revisão e apresentação de um trabalho de grupo no Minicongresso online. O tema do artigo de revisão foi “Infeções cutâneas mais comuns em pediatria” e o tema do trabalho apresentado “Abordagem da Criança com Proteinúria”. Adicionalmente, o corpo docente proporcionou a realização de aulas teórico-práticas, de caráter opcional, para a preparação da Prova Nacional de Acesso (PNA). Dos temas abordados, destacam-se: exantemas, gastrenterologia, abordagem do doente com proteinúria e hipertensão arterial e pneumologia.
3. ATIVIDADES EXTRACURRICULARES
Desde o 1º ano do Mestrado Integrado em Medicina que tenho sido Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. O Programa de Bolsas Gulbenkian Mais é destinada ao apoio de jovens universitários com menos recursos financeiros e bom desempenho académico. Não só se trata de um apoio de carácter monetário com destino às despesas escolares, como também de um programa de valorização pessoal através da realização de formação certificada em inteligência emocional - “Search Inside Yourself” - desenvolvida e testada na Google. A Bolsa é renovada anualmente mediante o meu desempenho escolar, carta de recomendação e cumprimento das obrigações pré-definidas. Como última atividade envolvida, participei no Webinar “Gestão do Tempo e Produtividade”.
No presente ano também estagiei no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Este estágio consistiu na participação de 3 turnos, cada um de 8 horas - 2 turnos nas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER),em que acompanhei o médico e enfermeiro, e 1 em Ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) na companhia de um enfermeiro e técnico de emergência pré-hospitalar (TEPH). Tive a oportunidade de acompanhar os profissionais de saúde nas distintas ativações de ocorrência com a respetiva aplicação de algoritmos de abordagem. Permitiu-me contactar com uma realidade médica fora do ambiente
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hospitalar que no decorrer do curso me suscitava interesse, considerando o presente ano o momento mais indicado para tal.4. REFLEXÃO CRÍTICA
Após a descrição sumária das atividades desenvolvidas em cada um dos estágios e unidades curriculares, procedo a uma apreciação crítica individualizada e ao balanço do cumprimento dos objetivos acima propostos.
Relativamente ao Estágio de Cirurgia, destaco como pontos positivos o conhecimento da realidade da Saúde das Forças Armadas; a acessível integração dos alunos no serviço de cirurgia e equipa cirúrgica; a disponibilidade dos assistentes no ensino; a maior quantidade e qualidade de tempo vivido entre médico-doente; aquisição progressiva de responsabilidade no acompanhamento dos doentes em internamento e a elaboração de notas de entrada e alta. Por se tratar de uma unidade hospitalar apenas destinada ao tratamento dos elementos pertencentes às forças armadas e polícia de segurança pública (PSP), a diversidade de patologias era limitada e, consequentemente, o volume e variedade de cirurgias. O facto de o serviço de urgência do HFAR trabalhar sob um regime de chamada e escala de prevenção, também limitou a observação de patologia no contexto de urgência. De forma a complementar a formação na pequena cirurgia, acompanhámos dois cirurgiões da equipa no serviço de urgência do Hospital São Francisco Xavier, o que, a meu ver, não foi suficiente para colmatar esta falha pois não existia autorização para a prática da técnica cirúrgica. Posto isto, considero que a minha aprendizagem referente às patologias cirúrgicas mais comuns e patologias do foro agudo, com respetivas abordagens de diagnóstico e tratamento não permitiu o cumprimento do objetivo ao qual me tinha proposto. Tratando-se de uma área de interesse pessoal, acredito que possa colmatar estas falhas durante a realização da Formação Geral.
No que diz respeito ao Estágio de Medicina Interna importa referir que foi o estágio com maior contributo para o meu desenvolvimento profissional e pessoal. Começo pela referência ao espírito de entreajuda e à disponibilidade demonstrada pela equipa médica e restantes elementos que contribuiu para um ambiente mais propício à minha formação. No que respeita ao trabalho desenvolvido, considero que, na globalidade, os objetivos a que me propus foram atingidos. Destaco uma aquisição gradual de autonomia, conforto e confiança nas tarefas desenvolvidas, capacitando-me para lidar progressivamente com casos mais complexos. A apresentação de doentes nas reuniões clínicas semanais e a discussão de casos permitiu treinar a minha capacidade de sistematização, comunicação e, sobretudo, de reflexão sobre a complexidade inerente à decisão médica. Aprendi a importância da abordagem do doente numa perspetiva holística, que tanto me foi transmitido e que reflete a qualidade dos cuidados prestados. Adicionalmente, pude aplicar e complementar o meu conhecimento relativo aos princípios gerais dos cuidados paliativos, adquiridos na unidade curricular opcional Cuidados Paliativos Pediátricos (5º ano), através do contacto com doentes em fim de vida e acompanhamento dos meus assistentes nas tomadas de decisões. Entendo também que não
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posso deixar de referir o falecimento de um doente, que tinha acompanhado desde o início do seu internamento, e que constituiu a minha primeira verdadeira vivência com um “caso não bem-sucedido” e, particularmente, a morte. Aprendi que existem desfechos imprevisíveis, não controláveis pelo ser humano e a importância da prestação dos melhores cuidados possíveis, para a gestão emocional necessária.Revendo os objetivos delineados para o Estágio de Ginecologia e Obstetrícia, considero que não os atingi na totalidade dado que acompanhei, na maioria do tempo, a minha tutora e, consequentemente, diminuindo o meu contacto com a Ginecologia. Esta era uma preocupação que, tanto eu como os meus colegas, antevíamos desde o início do estágio e, por isso, as diversas tentativas de contacto com o coordenador na unidade hospitalar, não bem-sucedidas. Acredito que tenha existido uma falha na comunicação entre ambas as partes e, de forma proativa, tentei progressivamente frequentar outras vertentes do serviço. Por outro lado, não posso deixar de destacar a minha integração no serviço materno-fetal; a disponibilidade de ensino da Dra. Lina Salgueiro e o rácio discente: docente de 1:1 que assumiu uma grande importância no estágio ao permitir que apenas tivesse que revezar com os internos. Tal contribuiu para o meu desenvolvimento na área da Obstetrícia, aperfeiçoamento da prática de técnicas, discussão de casos, colocação de dúvidas e ganho progressivo de autonomia na minha participação. De forma a complementar a minha formação na área da ginecologia e, porque também constitui uma especialidade da minha preferência, propus a realização do Estágio Opcional no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Distrital de Santarém. Infelizmente, pela suspensão das atividades letivas presenciais, este acabou por não se realizar, ficando em aberto o convite para a sua realização assim que seja possível.
Analisando o Estágio de Saúde Mental, penso que me tenha aproximado dos objetivos propostos. Desenvolvi competências e técnicas de abordagem ao doente psiquiátrico, com as devidas particularidades em contexto agudo e respetiva orientação diagnóstica e terapêutica; conheci com maior profundidade o serviço de internamento e a exigência inerente ao planeamento de uma alta e adequado acompanhamento. Além disso, fiquei mais sensibilizada para o impacto das doenças psiquiátricas em termos clínicos, sociais e económicos e a importância da luta contra o estigma associado à doença mental. Como únicos pontos a ressalvar e reconhecendo não estarem ao alcance de resolução, destaco apenas a não frequência do serviço de urgência e a impossibilidade de finalização do estágio por imposição das medidas de emergência da COVID-19.
Os tempos de hoje implicam novas abordagens e alternativas para que, de uma forma segura, se possa manter a mínima normalidade possível, sendo uma delas, o prosseguimento da nossa formação. É da minha sincera opinião a importância da realização dos estágios profissionalizantes, sobretudo, nesta fase de consolidação de conceitos e aplicação prática que visam a habilitação do jovem médico. Na sua incapacidade de resolução, as Unidades Curriculares (UC) reformularam o seu método de ensino.
O Estágio de Medicina Geral e Familiar foi o primeiro a ser realizado sob Estado Emergência Nacional devido à Pandemia COVID-19. Primeiramente, destaco a pronta capacidade de reformulação do programa
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curricular e a surpreendente e abrangente alternativa ao cumprimento dos objetivos de aprendizagem propostos e, na sua possibilidade, práticos. Através da realização do caso clínico, tive a oportunidade de poder exprimir pela escrita “como seria uma consulta realizada por mim” e como me aplicaria na sua melhor concretização; permitiu a abordagem e sistematização de algumas patologias mais comummente encontradas na prática clínica e como as “histórias clínicas” ou a sua sintomatologia podem ser ambíguas ecomuns a distintas patologias. No que concerne à visualização das videoconsultas, estas permitiram a
observação de exemplos referentes à abordagem de questões mais práticas, o que possibilitou a resolução de algumas falhas ou dúvidas que seriam colmatadas no decorrer do estágio. Os cursos online revelaram-se complementos da nossa formação muito úteis e cómodos. O tema do minicongresso atribuído também foi do meu pessoal agrado e de enorme aprendizagem. Constatando-se o rápido envelhecimento da população e o incremento das doenças crónicas, a polifarmácia e as suas implicações são, cada vez mais, problemas
recorrentes na gestão do doente, particularmente nos Cuidados de Saúde Primários. Posto isto, e tendo em consideração o momento em que vivemos, considero que o “estágio” foi muito bem conseguido e possibilitou o progresso na minha formação.
Por fim, no que diz respeito ao Estágio de Pediatria, lamento que tenha sido aquele que tenha ficado mais aquém no meu desenvolvimento. Não deixando de compreender o impacto da pandemia sobre o volume de trabalho e quotidiano dos profissionais de saúde, deparamo-nos com um défice de resposta na reestruturação da unidade curricular e, por conseguinte, na nossa formação. Considero que a realização de um artigo de revisão e trabalho de grupo sejam insuficientes na aquisição de conhecimentos teórico-práticos relativos à abordagem da criança ou adolescente e seus familiares.
Em substituição do Estágio Opcional, reconheço o incrível trabalho do Prof. Doutor Roberto Palma dos Reis e equipa de docentes na criação da nova “UC – Preparação para o Exame de Seriação para o Ingresso nas Especialidades Médicas”. Refletem a preocupação e o espírito de ajuda nesta fase tão importante.
Realizando uma análise global retrospetiva do presente ano e tendo em consideração os objetivos a que me propus e as particularidades impostas pela pandemia, percebo que existiu uma evolução positiva no meu desenvolvimento através da aquisição progressiva de autonomia e confiança na observação dos doentes e na interação com os restantes profissionais de saúde. O programa de estudos adotado pela NOVA Medical School|Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM) possibilitou, desde o 3º ano, o contacto com o meio hospitalar e a aquisição de competências de comunicação e práticas que se revelaram essenciais neste ano. Reconheço que tal se deve, em larga medida, à disponibilidade de todos os tutores e restantes profissionais de saúde para a partilha de conhecimentos, esclarecimento de dúvidas, exemplo de atitudes e auxílio no desenvolvimento de aptidões.
Finalizo com um profundo agradecimento aos meus familiares, colegas de curso, tutores e professores que possibilitaram a minha formação através de inspiração, motivação e conhecimentos.
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5. ANEXOS
5.1. Estágios Parcelares
Anexo I – Organização dos estágios parcelares
Anexo II – Trabalhos realizadosem estágios parcelares presenciais
Anexo III – Trabalho desenvolvido na Unidade Curricular Medicina Geral e Familiar
5.2. Certificados Participação
Anexo IV – Estágio INEM
Anexo V – iMed Conference 11.0 2019
Anexo VI – iMed Conference 11.0 2019 – Workshop Laparoscopic Surgery – Basics Anexo VII – iMed Conference 11.0 2019 - Talking Hands - Portuguese Sign Language Anexo VIII – Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach
Anexo IX – TEAM - Trauma Evaluation and Management Anexo X – Conviver com Familiares com Demência Anexo XI – 12 Topics in Rheumatology
Anexo XII – Coronavírus 101
Anexo XIII – Webinar 1º Congresso Nacional Imunoalergologia Anexo XIV – Nutrição materno-infantil
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5.1. Anexo I – Organização dos estágios parcelares
ESTÁGIO PERÍODO LOCAL TUTOR
Cirurgia Geral 9 setembro a 1 novembro
2019 Hospital das Forças Armadas Dr.ª Ana Catarina Pinho
Medicina Interna
4 novembro de 2019 a 10
janeiro de 2020 Hospital São Francisco Xavier Dr.ª Patrícia Vicente
Ginecologia-Obstetrícia
20 janeiro a 14 fevereiro de
2020 Hospital São Francisco Xavier Dr.ª Lina Salgueiro
Saúde Mental 16 fevereiro a 13 março de 2020
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca EPE
Dr.ª Patrícia Salgueiro e Dr.ª Sofia Barbosa Medicina Geral e Familiar 16 de março a 17 de abril de 2020 Não presencial
Pediatria 20 abril a 15 de maio de
2020 Não presencial
5.1. Anexo II – Trabalhos realizados nos estágios parcelares presenciais
TÍTULO ESTÁGIO PARCELAR AUTORES
“Mais sorte que sintomas” Cirurgia Geral
Beatriz Louro Francisco Belchior
Pedro Cerdeira
“Cateter Venoso Central” Medicina Interna Beatriz Louro
“Abortos de Repetição – Gestão
de um Problema” Ginecologia e Obstetrícia
Beatriz Louro Maria Batista
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5.1. Anexo III – Trabalho desenvolvido na Unidade Curricular de Medicina Geral e Familiar
PORTFÓLIO
Caso Clínico
Questões abordadas na resolução: - Motivo Consulta
- História clínica e exame objetivo dirigido - Identificação de Problemas
- Proposta Plano
Análise Situação Avaliação laboratorial da função tiroideia
Consultas Videogravadas
- Emergency Contraception
- Prostate Specific Antigen and Benign prostatic hyperplasia
- Breaking Bad News - Managing an Angry
- Down’s antenatal screening enquiry
Cursos online
- Antimicrobial Stewardship – A competency based approach
- Overview of season influenza | vírus respiratórios emergentes, incluindo COVID-19.
- Seasonal influenza: Clinical management of seasonal influenza
- ePROTECT Infeções Respiratórias|Prevenção e controlo de infeções para o novo coronavírus (COVID-19)
Opcional: Beyond Medical Histories: Gaining Insight from Patient Stories
Outras atividades desenvolvidas
1.Leitura de temas integrados bibliografia da Prova Nacional de Acesso.
2.Revisão de Normas da Direção-Geral da Saúde (DGS).
3. Leitura de informação referentes à COVID-19 da World Health Organization e DGS.
4. Candidatura a iniciativas de apoio à pandemia