UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA AMANDA VENÂNCIO DOS SANTOS
KATHREIN DA SILVA BATISTA
GESTÃO DE TEMPO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Palhoça 2020
AMANDA VENÂNCIO DOS SANTOS KATHREIN DA SILVA BATISTA
GESTÃO DE TEMPO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.
Orientador: Prof. José Humberto Dias de Tolêdo, Msc.
Palhoça 2020
AMANDA VENÂNCIO DOS SANTOS KATHREIN DA SILVA BATISTA
GESTÃO DE TEMPO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil e aprovado em sua forma final pelo Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Dedicamos esse trabalho a todos os envolvidos entre familiares e amigos que de alguma forma nos ajudaram ao longo dessa caminhada, e aos nossos professores que nos proporcionaram o devido conhecimento.
AGRADECIMENTOS
Aos nossos pais e familiares por toda dedicação e paciência contribuindo para que nosso caminho fosse mais leve durante esses anos.
Ao professor José Humberto Dias de Toledo, por gentilmente ter nos ajudado e guiado no decorrer deste trabalho, dando todo suporte necessário e compartilhando seu conhecimento, onde com toda certeza seus conhecimentos foram partilhados.
A Unisul, e todos os seus professores do curso de Engenharia Civil, que de alguma forma são os responsáveis pelos conhecimentos passados a nós durante esses anos.
Aos entrevistados, por dedicar a nós tempo e colaboração, permitindo que este trabalho fosse concretizado.
A banca examinadora, professora Fernanda Soares de Souza Oliveira e professor Nelso Lucio Huber por aceitar participar.
Aos amigos pela compreensão da ausência. E, agradecemos a Deus, por mais essa vitória.
“O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia” (ROBERT COLLIER).
RESUMO
A gestão de Tempo na construção civil consiste em processos necessários para que o empreendimento seja executado dentro do prazo previsto. O presente trabalho visa identificar os requisitos para a gestão de tempo na construção civil, identificar as ferramentas de gerenciamento de planejamento e controle de execução. A metodologia usada foi pesquisa descritiva e exploratória por meio de estudo de campo. Foi aplicado um questionário, no período de setembro e outubro de 2020, destinado as construtoras atuantes nas cidades de Florianópolis e Palhoça – SC. A base teórica de estudo foi o planejamento aliados a gestão de tempo dos processos construtivos. Os resultados da pesquisa foram analisados e percebeu-se divergências e conflitos entre planejamento, execução e prazos. Observou-se também a importância do planejamento e ferramentas já existentes aplicadas para uma boa gestão de execução, obtendo retorno positivo as empresas.
ABSTRACT
Time management consists of the processes necessary for the project to be executed within the scheduled period. The present work aims to identify the requirements for time management in civil construction, to identify the management tools for planning and execution control. The methodology used was descriptive and exploratory research through field study. A questionnaire was applied in the period from September to October 2020, aimed at construction companies operating in the cities of Florianópolis and Palhoça - SC. The theoretical basis of the study was planning combined with time management of construction processes. The results of the research were analyzed and divergences and conflicts were noticed between planning, execution and deadlines, it was also observed the importance of planning to existing tools applied for a good execution management, obtaining positive return for the companies.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Modelo de rede PERT/CPM ... 28
Figura 2 – Exemplo de rede PERT/CPM – Método Americano ... 30
Figura 3 – Exemplo de rede PERT/CPM – Método Francês - (Edificação com múltiplos pavimentos) ... 31
Figura 4 – Software Lean Construction ... 34
Figura 5 – Software Primus-K ... 34
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Relação tempo x qualidade... 26
Gráfico 2 – Relação tempo x custo ... 27
Gráfico 3 – Cidade de atuação da empresa... 40
Gráfico 4 – Quantidade de funcionários ... 41
Gráfico 5 – Fatores fundamentais para o planejamento ... 47
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Modelo diagrama de GANTT – Simplificado ... 32
Quadro 2 – Tempo de mercado ... 40
Quadro 3 – Classificação da empresa ... 41
Quadro 4 – Cargo do entrevistado ... 42
Quadro 5 – Tipo de empreendimento realizado ... 42
Quadro 6 – Nível de conhecimento da empresa em gerenciamento da gestão do tempo... 43
Quadro 7 – Uso de metodologia, ferramentas e práticas de gestão de tempo ... 44
Quadro 8 – Tipo de controle de planejamento ... 44
Quadro 9 – Tempo necessário para o início do planejamento temporal ... 45
Quadro 10 – Tempo de gerenciamento dos processos construtivos nas construtoras ... 46
Quadro 11 – Grau de relevância ... 46
LISTA DE SIGLAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BIM – Building Information Modeling
PMBOK – Project Management Body of Knowledge PERT – Program Evaluation and Review Technique CPM – Critical Path Method
EAP – Estrutura Analítica do Projeto PMI – Project Management Institute
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 14 1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO ... 15 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA ... 15 1.3 JUSTIFICATIVA ... 16 1.4 OBJETIVOS ... 16 1.4.1 Objetivo geral ... 16 1.4.2 Objetivos específicos ... 17 1.5 METODOLOGIA ... 17 1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 20 2.1 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO ... 20 2.1.1 Planejamento ... 20 2.1.2 Controle ... 22 2.1.3 Execução ... 22 2.1.4 Entrega da obra ... 23
2.2 GESTÃO DE TEMPO NOS PROCESSOS CONSTRUTIVOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL ... 24
2.2.1 Relação gestão tempo x qualidade ... 25
2.2.2 Relação gestão do tempo x custo ... 26
2.2.3 Método PERT- CPM ... 27
2.2.4 Diagrama de GANTT – gráfico de barras ... 31
2.2.5 Softwares de gestão de tempo ... 33
2.3 TRABALHOS CORRELATOS ... 35
3 ESTUDO DE CASO ... 39
3.1 CAMPO DE PESQUISA ... 39
3.2 MÉTODO DE PESQUISA ... 39
3.3 ANÁLISES DOS RESULTADOS ... 39
3.4 ANÁLISE GERAL DOS RESULTADOS ... 49
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 50
REFERÊNCIAS ... 52
1 INTRODUÇÃO
A atividade da construção civil vem, mundialmente, crescendo nos últimos anos e evoluindo com novas tecnologias para aprimorar as execuções construtivas afim de alinhar três vertentes principais das suas operações, tempo, custo e qualidade (RIBEIRO, 2020).
Nacionalmente, o Brasil iniciou o emprego de novas tecnologias construtivas na década de 60, na construção da capital do Brasil, Brasília (HOLANDA, 2003).
O setor da construção se tornou muito competitivo, com isso gerou-se uma expectativa por parte dos compradores por maior qualidade. O desafio das empresas desse setor é, justamente, alinhar esta qualidade com um bom desempenho de obra e um custo limitado (VEYRAT, 2015).
O planejamento é a etapa inicial de qualquer empreendimento que delimita um padrão de controle sobre as três principais vertentes de operação. Neste processo, estuda-se detalhadamente o empreendimento, identificando possíveis situações desfavoráveis, uma mão de obra falha regionalmente, por exemplo, que futuramente implicará de modo negativo no custo e prazo final. Ou seja, quanto mais se dedica ao planejamento, maior será a taxa de sucesso econômico e social do empreendimento (SILVA, 2015).
Cada empresa deverá encontrar técnicas de gerenciamento e execução, de acordo com a sua realidade, que não dispensem a realimentação de informações e a auto avaliação. Na escolha da montagem da estrutura de produção e de instrumentos, eles serão meios de aprimoramento de resultados (SILVA, 2014).
Uma parte indispensável no âmbito de prazo do planejamento a ser realizado é a elaboração de um cronograma. O cronograma servirá para determinar um prazo e, durante a execução, para controlar a evolução das etapas baseado no prazo determinado inicialmente. O cronograma realizado é diretamente correlacionado com a gestão de tempo da construção civil (SILVA, 2011).
A gestão de tempo é parte de um planejamento específico realizado antes de toda a execução. O seu controle coloca em questão uma parte que requer um acerto máximo, sem muitas possibilidades de erro. Uma vez mal projetado, a má gestão do tempo poderá ter interferências diretas na execução de tal projeto (MAGALHÃES; MELLO; BANDEIRA, 2018).
Na construção civil do Brasil tem-se um sistema construtivo extremamente manufaturado e que detém de uma mão de obra muitas vezes não totalmente qualificada, isso
dificulta no gerenciamento temporal da construção. Além de outras variáveis influenciadoras nesta atividade (SOUZA, 2013).
Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é analisar quais são os métodos utilizados em algumas empresas, para fazer esta gestão com margens pequena de erros, compará-los e classificá-los para no fim ter a ciência do método mais assertivo baseado nas melhorias de padrões, financeiras e de processos que tal gerenciamento possibilitou para a empresa.
1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO
Gestão de tempo nas etapas e processos construtivos de execução de serviço nas empresas da construção civil na região de Florianópolis e Palhoça - SC.
1.2 PROBLEMA DE PESQUISA
O planejamento é fácil de ser implantado, o difícil é o controle, destaca a especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Metre em construção Civil, Ulhôa (2018).
De acordo com Ulhôa (2018), o planejamento é a forma mais eficaz de garantir o andamento de um serviço. Ele estabelece metas a serem obtidas durante a execução do determinado serviço ao qual foi realizado tal planejamento, ou seja, há um limite periódico de cada serviço, respectivo a sua dificuldade de execução, a ser concluído para que não ocorra descumprimento de prazo final e ou perda na qualidade do serviço assim como desregulamento na meta de custeio final do empreendimento.
O controle na execução de um serviço, segundo Ulhôa (2018) depende diretamente da qualificação do funcionário, uma vez que o funcionário não é qualificado para a determinada atividade que exija um nível de capacitação mais elevado, leva a ocorrência de problemas relacionados a acidentes de trabalho ou serviços mal executados.
Com isso, surge a questão a ser trabalhada neste estudo: Quais são os métodos e ferramentas que auxiliam as empresas a elaborar um planejamento de gerenciamento temporal afim de minimizar os variados prejuízos decorrentes dos fatores à dinâmica positiva realizada no planejamento inicial?
1.3 JUSTIFICATIVA
O cenário da construção civil conta com ferramentas e métodos para auxiliar o controle de produção. Muitos empreendimentos não estão sendo executados de acordo com o prazo solicitado. Por essa falta de gerenciamento, muitas empresas se comprometem em prover condições de prazos a clientes. Assim, sobrecarregando funcionários resultando em prejuízos na qualidade dos serviços prestados (SILVA, 2011). Para Gomes e Sallas (1997 apud GASPARETTO; PROSDÓCIMO; SCHNORRENRGER, 2010, p. 6),
O controle de gestão é um processo resultante da inter-relação de um conjunto de elementos internos (formais e informais) e externos à organização, que influem no comportamento das pessoas e no planejamento para cada área ou unidade, na execução desse plano e na avaliação e análise dos resultados
O gerenciamento dos processos produtivos na construção civil visa em aumentar a produtividade garantindo a qualidade dos serviços. É de grande importância otimizar o tempo para cumprir os cronogramas, satisfazer os clientes e melhorar o desemprenho do empreendimento. O segredo do sucesso está no planejamento, na tecnologia e na organização. Continua sendo o principal desafio da construção civil o uso de ferramentas que auxiliam no controle e que esteja alinhado ao plano da obra. Implementar esse sistema é o passo do sucesso dentro do empreendimento a ser executado, finaliza Silva (2018).
O tema abordado serve como investigação, com intuito de comprovar a inserção dos métodos que influenciam os processos já existentes atribuídos nas empresas, analisando se há uma forma positiva a ser usada dentro do planejamento. As práticas do estudo do trabalho ajudarão a entender como funciona a gestão de tempo dentro da construção civil.
1.4 OBJETIVOS 1.4.1 Objetivo geral
Analisar os fatores que influenciam na gestão das etapas e processos construtivos já existentes no setor da construção civil, quais são as influências sobre os processos utilizados no planejamento e os tipos de retorno para a empresa.
1.4.2 Objetivos específicos
• Apontar como são executadas as atividades e a gestão das etapas e processos construtivos;
• Avaliar o processo de planejamento e tempo, utilizado em empresas da construção civil;
• Averiguar os benefícios e retornos que a gestão de tempo trás para as empresas; e, • Identificar as consequências causadas pelo não cumprimento do planejamento do
tempo nas empresas. 1.5 METODOLOGIA
O presente trabalho de natureza aplicada, tem por objetivo o método de estudo baseado em pesquisa descritiva e exploratória, com base no levantamento de dados em estudo de caso. As pesquisas descritivas são fundamentadas através de questionários, onde se observa, registra, analisa e ordena dados sem manipulação, ou seja, sem a interferência do apresentador. Esse tipo de pesquisa assume a forma de levantamento, registrando e descrevendo fatos. Pesquisa exploratória assume a forma experimental, explicando o porquê do fato. É o estudo feito através de materiais bibliográficos encontrados na fase preliminar, a fim de proporcionar mais informações sobre o assunto (PRODANOV; FREITAS, 2013).
A abordagem do problema será de forma quanti-qualitativa, onde o método será conclusivo, tendo o objetivo de identificar o problema e entender a dimensão dele. É um tipo de abordagem com fonte direta nos dados. Abordando o processo mais do que o produto. A abordagem faz o uso de técnicas estatísticas como a extração em percentuais e análises a fim de traduzir informações, números e opiniões (PRODANOV; FREITAS, 2013).
O procedimento utilizado para elaborar a coleta de dados será feito através do estudo de caso, que conforme Yin (2015) refere-se ao estudo minucioso de um ou mais objetos, podendo permitir novas descobertas e aspectos que não foram previstos inicialmente.
Para o desenvolvimento da pesquisa, fundamentado no material já elaborado através de livros e artigos científicos, foi criado um questionário com questões abertas e fechadas designados aos colaboradores das construtoras atuantes na cidade de Florianópolis e Palhoça, SC com obras em vigência no período atual.
Durante a fase de elaboração desta pesquisa, o mundo vivencia uma pandemia gerada pelo novo vírus Covid-19, obrigando a sociedade a adequar-se num sistema mais isolado. No
Brasil houve períodos de fechamento do comércio afim de evitar ao máximo a proliferação do vírus e, consequentemente, evitar a lotação dos hospitais e as mortes causadas pelo mesmo. Com isso, muitas empresas adotaram um novo esquema de trabalho colocando o máximo de profissionais possível para trabalhar em casa, o popularmente conhecido home office. Já no canteiro de obras, as visitas para conversas com o engenheiro foram minimizadas para somente em casos de urgência. Isso dificultou muito o acesso aos gestores, engenheiros e outros profissionais capacitados para participar do questionário proposto nesta pesquisa.
Com o intuito de aplicar o questionário de forma presencial, a fim de explicar a finalidade do estudo de caso e obter mais conhecimento, o caso da pandemia sendo vivida pela sociedade impossibilitou uma pesquisa mais aprofundada. Então, a pesquisa limitou-se a uma reduzida amostragem composta por 5 empresas.
O estudo foi realizado em empresas de Médio e Grande Porte. Alguns Órgãos Governamentais classificam o porte das mesmas pelo faturamento anual. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), classifica para comércio e serviço empresas de médio porte o faturamento anual entre 4,8 milhões e 300 milhões e empresas de grande porte o faturamento maior que 300 milhões anuais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) classificam as empresas pelo número de funcionários, sendo entre 50 e 99 funcionários empresa de médio porte e acima de 100 funcionários a empresa passa a ser de grande porte para comércio e serviço (BNDES, 2020; CUNHA, 2020; SEBRAE, 2020).
1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO
O trabalho foi estruturado e divido em quatro capítulos. O capítulo 1 apresenta informações gerais sobre o estudo, definição do problema de pesquisa, justificativa, objetivos a serem alcançados e metodologia adotada. Demonstra o modo da pesquisa, os procedimentos a serem adotados e seguidos no embasamento teórico, na pesquisa e nos resultados.
O capítulo 2 é abordado o referencial teórico, onde são dispostas as abordagens de gerenciamento dos processos construtivos incluindo planejamento e a relação com a gestão do tempo nas etapas de execução da obra, assim como quais ferramentas utilizadas para encontrar e avaliar os resultados a fim de propor melhorias na gestão do tempo. Além da apresentação de 3 trabalhos correlatos.
O capítulo 3 traz o desenvolvimento da pesquisa, o contexto das empresas, a análise dos resultados da pesquisa de campo, as dificuldades encontradas em seu desenvolvimento, e sugestões.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Neste capítulo foram reunidos tópicos referenciados, que englobam os aspectos do cenário das etapas e processos de execução dos construtivos na construção civil.
2.1 PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
O processo construtivo de uma edificação se estabelece, basicamente, em três etapas para o obter o produto final, que é a entrega do empreendimento. Ressalta-se que este processo deve ser controlado em todas as etapas a serem citadas quanto a segurança, qualidade, prazo e custo (SANTANA, 2013).
De acordo com Santana (2013), as principais etapas são: planejamento, controle, execução e entrega da obra.
2.1.1 Planejamento
Para ter-se um sucesso ao final de um empreendimento com todas as margens nos aspectos custo, prazo e qualidade, é importante que se tenha uma organização das ideias do empreendimento ao elaborar um planejamento de toda a execução que busca ser construída.
Segundo Santana (2013) o planejamento determina diretrizes a serem seguidas como coleta de dados, análise de dados, estudo de viabilidade técnico-econômica, elaboração de anteprojetos e projetos executivos, emprego da mão de obra direta ou terceirizada, nível de mecanização, instalação do canteiro de obras, custos, prazo de execução, etc.
O início do planejamento de um projeto a ser desenvolvido é subsequente de um estudo preliminar. O estudo preliminar consiste em analisar todos os dados como fazer o reconhecimento do terreno, analisar um programa de possíveis necessidades no decorrer do empreendimento e estudos de viabilidade. A seguir parte-se para o desenvolvimento dos projetos (DIAS, 2018).
O projeto de qualquer segmento significa ter um plano quanto ao desejo de realizar algo. Já na construção civil, o projeto é o plano geral de uma edificação, um conjunto de informações expressados em plantas gráficas, como uma planta de um projeto arquitetônico, e textos, como descritos em orçamentos e memoriais. Essas informações são fundamentais para a concepção do empreendimento e uma execução de qualidade (DIAS, 2018).
Ainda segundo Dias (2018), apresenta-se uma sequência nos desenvolvimentos de projetos para uma margem de execução, evitando prejuízos, atrasos ou déficit na qualidade do projeto.
• Anteprojeto: um projeto preliminar com características de como será a arquitetura da edificação para confirmação do estudo preliminar. Este aprovado passa-se ao próximo projeto.
• Projeto Indicativo: acompanhado de informações complementares a parte gráfica da arquitetura, o projeto indicativo faz a junção dos memoriais elaborados as plantas gráficas, como arquitetônico, hidráulico, estrutural, etc. Uma básica demonstração do projeto definitivo.
• Projeto Legal: o projeto legal consiste em reunir todos as informações pertinentes a aprovação do projeto junto ao órgão público de fiscalização local competente e nas concessionárias de serviços públicos. A prefeitura reconhece as informações para o processo de liberação de alvarás de construção.
• Projeto Executivo: resultado das aprovações dos projetos caracterizados acima, o projeto executivo é o documento final detentor de todas as informações necessárias autorizando a execução do empreendimento.
• Detalhamento do Projeto: são todos os elementos construtivos a serem empregados na construção.
• Detalhes Construtivos: são as informações gráficas que modificam ou complementam informações básicas para melhorar o sistema construtivo.
• Projetos complementares: projetos complementares ao projeto executivo aprovado. Como o projeto estrutural e de fundações.
Dias (2018) ainda ressalta a importância fundamental da compatibilização de projetos. Isso pelo fato de envolver setores, criando uma interdependência entre os participantes deste planejamento, como arquitetura, engenharia e construção afim de minimizar as indesejáveis interferências no canteiro de obras, que sempre prejudicam nos custos e prazos propostos anteriormente.
Em seguida, com todos os projetos aprovados e especificados, deve-se também fazer um estudo sobre a mão de obra qualificada regional, tanto de funcionários diretos quanto de empresas terceirizadas, seguido dos estudos de mecanização para instalação do canteiro de obras e outros serviços lá prestados (SANTANA, 2013).
Todas as informações preliminares descritas até o momento levam ao levantamento do custo estimado do empreendimento, seguido a uma perspectiva de prazo de execução para enfim obter-se um controle para concluir minuciosamente o planejamento elaborado.
2.1.2 Controle
Controlar a produção consiste em utilizar processos para gerenciar as atividades que envolvam a obra. Avaliação e acompanhamento constante, são condições que determinam a ação gerencial. Assumir a gestão da obra é uma garantia que a execução seguirá o projeto à risca, o que beneficia não apenas o autor, mas também seu contratante (ROCHA; CASTRO, 2013).
O controle é a estimativa entre o previsto e o realizado com os objetivos de subsidiar os balanços físicos, econômicos e financeiros (SILVA, 2013). Esse sistema permite a análise de possíveis não conformidades como incompatibilização de projetos, evitando-se o retrabalho e o desperdício de material, comprometendo os prazos de execução e entrega da obra impactando na credibilidade da empresa contratada (SANTANA, 2013).
Queiroz (2001) diz que o sistema planejamento/controle é representado através de um ciclo sequencial de etapas divididas em: medições periódicas, comparações entre o previsto e real, análise de variações entre o previsto e o executado e tomadas de medidas corretivas.
O autor, também pontua que o principal objetivo desse sistema de controle é maior segurança e confiabilidade nas programações físicas e financeiras, aumentando a produtividade reduzindo as perdas. Destaca também que o planejamento e controle são atividades interligadas e interdependentes não sendo desenvolvidas sequencialmente, mas que se sobrepõe ao tempo. 2.1.3 Execução
Para uma boa execução é indispensável um bom gerenciamento. É por meio de uma gestão eficaz que é possível garantir que os prazos de execução sejam atendidos. A primeira etapa da construção acontece por meio do projeto arquitetônico, onde é realizado todo o estudo do empreendimento, compreendendo informações das plantas, custos e materiais (GOING GREEN, 2019).
O primeiro passo é garantir todas as informações necessárias antes do início da obra. Além do projeto, incluem orçamentos e cronogramas. Também se deve assegurar a identificação e disponibilidade dos recursos necessários (físicos e tecnológicos), bem como o
tratamento do ambiente, diz Francisco Ferreira Cardoso, Professor do departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
É necessário o monitoramento em cada fase da obra, verificando a procedência dos materiais de construção, contratação e gestão de mão de obra até a supervisão da execução dos serviços e medições de desempenho (GOING GREEN, 2019). Conforme esclarece Cardoso:
O bom gerenciamento da execução das obras está diretamente relacionado à qualidade do projeto em si, ou seja, à disponibilidade de especificações técnicas e clareza do nível de desempenho pretendido. Garantir esse nível de detalhe antecipará escolhas construtivas e outras decisões que seriam prejudicadas se tomadas durante a execução da obra (GOING GREEN, 2019).
Clarice Degani, coordenadora-executiva do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) diz que cumprir o que foi projetado reduz o risco de um tropeço durante a execução das obras. Ainda, afirma que trabalhar de acordo com o que foi projetado garante menor desperdício de tempo, material, força de trabalho e investimento, diminuindo as chances de tomadas de decisões equivocadas (GOING GREEN, 2019).
Com a velocidade em que as inovações tecnológicas acontecem, torna-se importante que a esquipe esteja atualizada, podendo trazer novas atividades e boas práticas para a execução dos serviços realizados no canteiro de obras diz Degani, que ainda elenca algumas possibilidades sobre tecnologia da informação como: BIM- para minimizar a incompatibilidade entre os sistemas projetados; software de planejamento e gestão – para o cadastro e gerenciamento dos registros, conferindo a agilidade e garantia dos serviços; drones – para facilitar o acompanhamento das atividades e instrumentos de medição – para medições de desempenho (GOING GREEN, 2019).
2.1.4 Entrega da obra
Entrega da obra é o passo seguinte após a conclusão de todas as etapas construtivas. Incluindo limpeza geral e obtenção do Habite-se (documento comprovando que o imóvel foi construído de acordo com as exigências determinadas pela prefeitura local) (SANTANA, 2013).
A qualidade é agregada ao produto toda vez que os processos das etapas construtivas são respaldados pelo planejamento e controle, trazendo melhorias contínuas durante todo o processo. Atender as exigências dos clientes através da satisfação com o produto adquirido é a
meta a ser atingida por todos os colaboradores da construção do empreendimento (SANTANA, 2013).
No Tópico seguinte ressalta-se a gestão de tempo nos processos construtivos.
2.2 GESTÃO DE TEMPO NOS PROCESSOS CONSTRUTIVOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
Segundo Hozumi (2006 apud BRANDALISE, 2017), o gerenciamento de tempo agrega os processos necessários para garantir que o projeto seja implantado no prazo previsto.
Brandalise (2017) diz que as empresas da atualidade procuram a competitividade com a finalidade de assegurar a sustentação e sobrevivência a longo prazo. Diz também, que a competitividade deve ser considerada como a capacidade de atender aos requisitos do mercado e/ou clientes, bem como os requisitos internos da empresa, ou seja, seus objetivos estratégicos.
Ao longo das últimas décadas, as exigências do mercado foram agregando aos fatores já esperados de desempenho empresarial, ampliando consideravelmente a complexidade da gestão na busca por competitividade (GASNIER, 2000, apud BRANDALISE, 2017).
Esse fato faz com que exista a necessidade de empresas investirem em metodologia eficiente de planejamento e controle de obras. Para atender as exigências mínimas do mercado e garantir competitividade, práticas maduras no planejamento, programação e controle de projetos, capacitam as empresas ao controle das etapas construtivas (KERZNER, 2006 apud CARVALHO; AZEVEDO, 2013).
Mondeto (2019) diz que o único recurso impossível de ser recuperado é o tempo, interferindo no desempenho do projeto caso não seja administrado de uma forma correta, abrindo a possibilidade de atraso em relação aos prazos e orçamento do projeto.
Quanto maior o tempo gasto com planejamento em todas as fases do ciclo de vida do projeto, maiores são as possibilidades de obter sucesso do mesmo. A elaboração de atividades como programação ou cronograma do projeto suprem tempo e esforço condizentes com sua relevância para o empreendimento (BRANDALISE, 2017).
Souza (2019) afirma que para obter os resultados esperados é necessário um eficiente sistema de gestão, onde planejamento e execução ganham destaque sendo avaliado o desempenho da obra em função da produtividade e a qualidade de execução de mão de obra.
As empresas e os gerentes de projetos têm investido no treinamento, processos, ferramentas e estruturas para aumentar a maturidade de um ambiente de gerenciamento. Contudo é possível observar vários problemas ligados a essa prática.
Muitos deles estão ligados a uma das variáveis mais imponderáveis e implacáveis de todas: o tempo (PANIGAS, 2010, apud BARCAUI et al., 2019, p. 5).
O guia PMBOK destaca os principais processos de gestão de tempo de projetos na construção civil:
1- Definir as atividades – Processo de identificação das ações específicas para entrega dos projetos;
2- Sequenciar as atividades – Processo de identificação e documentação relacionados ao projeto.
3- Estimar os recursos das atividades – Processo de estimativa dos tipos e quantidades de insumo, pessoas, equipamentos que serão necessários para a realização de cada atividade.
4- Estimar a duração das atividades – Processo de estimativa mais próxima no número de períodos de trabalho necessário para a finalização das atividades especificas com os recursos destinados a ela;
5- Desenvolver Cronograma - Processo de análise das sequências de atividades e sua duração, com os recursos necessários para a criação do cronograma de projeto; e, 6- Controlar o cronograma – Processo de monitoramento do andamento do projeto e
gerenciamento das mudanças realizadas na base do cronograma (MPI, 2017). Conhecido como medidor visual, o cronograma é uma forma mais clara de enxergar atraso ou adiantamento do projeto. Um atraso só é causado quando há interferência na execução. O gerenciamento de projeto atua na raiz do problema sendo corrigido com ações corretivas para amenizar desvios. A execução da obra pede como indicador principal a gestão do tempo, sabendo que a mesma interfere diretamente em outras áreas do setor (SILVA, 2014).
2.2.1 Relação gestão tempo x qualidade
Silva (2014) diz que a qualidade está ligada com a qualificação da mão de obra e é inversamente proporcional ao tempo. Obras com prazos de execução curtos apresentam dificuldades em obter um produto de qualidade acabado. É preciso determinar um prazo final para que a obra seja executada com qualidade.
Segundo Neves (2009) a gerência do tempo é interferida quando a execução do projeto não possui conformidades trazendo lacunas a gestão da qualidade, que por sua vez, acarreta um retrabalho operacional aumentando o prazo de execução final.
É impossível construir uma casa de alvenaria de qualidade em dez dias. Se a obra dispõe de dez a doze meses para a construção, será encontrado o ponto ideal de qualidade, porém se levar 50 anos para construir uma casa relativamente simples, isso resultará em perda de qualidade por ineficiência, uma vez que a estrutura da casa, a alvenaria e os outros componentes estarão expostos às intempéries e à destruição durante todo o período do projeto (VARGAS, 2000 apud MONTEDO, 2019, p. 8).
Um projeto com prazo de duração curto a qualidade tende a cair e um projeto com prazo de execução ideal a qualidade tente a ser máxima, afirma Silva (2014) (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Relação tempo x qualidade
Fonte: Vargas (2000 apud MONTEDO, 2019).
A mão de obra é um dos pontos que mais interfere no processo de construção. E, a qualidade dos recursos humanos é uma das principais causas de sucesso ou fracasso de uma empresa ou empreendimento (MONTEDO, 2019).
2.2.2 Relação gestão do tempo x custo
Silva (2014) diz que a relação do tempo com o custo é a mais importante entre todas as áreas do setor. Um projeto com prazo de execução curto encarece o orçamento, tornando o custo alto devido à quantidade de horas extras e o volume das equipes de profissionais para atender o prazo final. Se o projeto se adequa a um prazo de execução bom o custo se torna ótimo, mas se o prazo for estendido o custo volta a se elevar tornando o projeto ineficiente, conforme Gráfico 2.
Gráfico 2 – Relação tempo x custo
Fonte: Vargas (2000 apud MONTEDO, 2019).
Muitos empreendimentos adotam a política econômica de menor custo, contratando sua mão de obra mais barata, tornando o custo a médio e longo prazo inevitável (TOSTA, 2013). 2.2.3 Método PERT- CPM
Durante a guerra fria entre as décadas de 1950 e 1960 os Estados Unidos criou, de acordo com um programa de construção de novos submarinos nucleares, polaris e aviões bombardeios de longo alcance (MARTINS FILHO, 2014).
O projeto da marinha contava com 10 mil empresas entre projetistas, empreiteiros, subcontratantes e fornecedores. Como precisavam de uma linguagem global entre eles, em 1958 foi desenvolvido o método Program Evaluation and Review Technique (PERT). Na mesma época, em relação à grande demanda foi desenvolvido o método Critical Parth Method (CPM) com intuito de acompanhar contratos com o governo (ÁVILA; JUNGLES, 2013).
Com procedimentos operacionais semelhantes apenas diferindo o tempo das atividades realizadas, tornaram-se o composto de PERT/CPM. A metodologia PERT/CPM é aplicada no processo de gestão de projetos, com a facilidade de integrar e correlacionar as atividades de planejamento, coordenação e controle (ÁVILA; JUNGLES, 2013).
Para Ávila e Jungles (2013), o método do PERT/CPM foi desenvolvido com os seguintes objetivos:
1- Minimizar problemas localizados de projetos como atrasos, estrangulamento da produção e interrupções de serviço;
2- Conhecer antecipadamente as atividades críticas em que o cumprimento de prazo possa influenciar a duração total do programa;
3- Manter a administração informada quanto ao desenvolvimento, favorável ou não, de cada etapa do projeto, permitindo a constatação antecipada, de qualquer fator crítico que possa atrapalhar o desempenho e permitir uma adequada e corretiva tomada de decisão;
4- Estabelecer o ‘‘quando’’ cada evolvido deverá iniciar ou concluir suas atribuições; e,
5- Ser um forte instrumento de planejamento, coordenação e controle.
Qualquer rede de planejamento é definida segundo suas atividades constitutivas, suas durações, as datas em que elas ocorrem, e outros atributos que as caracterizam (ÁVILA; JUNGLES, 2013). O programa apresenta o projeto de forma gráfica representado na Figura 1. Figura 1 – Modelo de rede PERT/CPM
Fonte: Adaptado Ávila e Jungles (2013).
Atividade – Dominação pela qual se caracteriza uma tarefa, serviço, ou projeto a ser realizado que consome tempo e recursos.
Evento – representa a data delimitando o tempo de início ou de término de qualquer atividade. Não consome tempo e recurso.
Evento Inicial – Data de início do programa. Evento Final – Data final do programa.
Após o modelo de rede ser definido, o método analisa a duração de cada atividade da rede determinando prazos. O caminho entre as fases iniciais e finais é chamado de caminho crítico (PANTA et al., 2015).
Ávila e Jungles (2013) classificam caminho crítico como a rede correspondente a maior duração na execução de um projeto, que é composto por uma sequência de atividades críticas, sendo essas atividades que compõe o caminho crítico do projeto. Qualquer atraso nas atividades críticas afeta diretamente nos prazos finais do projeto elevando os custos. O aumento dos custos é dado por: Aumento da mão de obra direta; Aumento de custos administrativos; Aumento de recursos a fim de manter o prazo final previsto.
Ávila e Jungles (2013) descrevem a metodologia PERT/CPM para planejamento pelos seguintes procedimentos:
1º - Definir a natureza do projeto e seus objetivos;
2º - Propor possíveis alternativas para a execução do projeto; 3º - Estabelecer a tecnologia a ser utilizada;
4º - Montar a Estrutura Analítica do Projeto (EAP);
5º - Estabelecer as relações de dependência entre as atividades; 6º - Definir o nível de controle;
7º - Definir e quantificar os atributos das atividades: tempo e custo; 8º - Montar a rede PERT/CPM;
9º - Calcular os tempos mais cedo e mais tarde de cada evento e a duração total da rede (contratual);
10º - Calcular as folgas de evento; 11º - Calcular as folgas de atividade; 12º - Estabelecer o caminho crítico. 13º - Alocar recursos para cada atividade;
14º - Ajustar a rede segundo as restrições de tempo e recursos exigidos para cada alternativa proposta;
15º - Efetuar a programação definitiva da melhor alternativa estudada.
Os métodos adotados por Ávila e Jungles (2013) são divididos entre o método americano - que trabalha com uma fácil utilização, calculando tempos e folgas vinculados a cada evento, sendo recomendado quando usado de forma manual e o método francês, que permite uma visualização mais expedita, sendo mais trabalhoso ao calcular as folgas e os tempos relacionados as atividades, sendo recomendado a utilização quando se tem os dados de rede para uma interpretação mais fácil para o leigo. Na Figura 02 um exemplo do método Americano. E, na Figura 3 do método Frances.
Figura 2 – Exemplo de rede PERT/CPM – Método Americano
Figura 3 – Exemplo de rede PERT/CPM – Método Francês - (Edificação com múltiplos pavimentos)
Fonte: Adaptado Ávila e jungles (2013).
2.2.4 Diagrama de GANTT – gráfico de barras
Criado em 1918 pelo Engenheiro Henrry Gantt o método Gráfico de Barras é um instrumento de fácil visualização de cada atividade de um projeto ou empreendimento com simples aplicação. Sua metodologia é definir o conjunto de tarefas a realizar e exprimir graficamente a duração das mesmas. O diagrama permite uma visualização de informações como recursos associados ao projeto, o responsável por cada tarefa, o custo de cada atividade e quantidade de serviço (ÁVILA; JUNGLES, 2013).
Não é considerado um método de fácil utilização, essa técnica não permite visualizar o impacto das alterações a programação nas fases de planejamento e nas fases de execução. Após a criação da metodologia PERT/CPM o Diagrama de Gantt passou a ser instrumento de gestão. (ÁVILA; JUNGLES, 2013).
Utilização do modelo de Diagrama de Gantt, segundo Ávila e Jungles (2013):
a) Instrumento de acompanhamento e controle visando orientar a cronologia dos serviços especificamente ao nível de execução, ou seja, no nível operacional; b) Na elaboração de cronogramas físico-financeiros, quando as barras, em cada
unidade de tempo, são substituídas pela porcentagem do serviço a ser realizado ou de custo a ser despendido;
c) Como documento de contrato, ao detalhar e indicar a relação do objeto a ser cumprido, dos custos a serem incorridos por atividade e por unidade de tempo, a quantidade de serviço correlata a cada atividade e a duração das mesmas;
d) A elaboração do fluxo de caixa.
Avila e Jungles (2013) usam a metodologia de Gantt sob a forma de cronograma físico- financeiro, seguindo a classificação:
1º - Definir os níveis de controle;
2º - Definir a EAP – Estrutura analítica do projeto;
3º - Estabelecer, para cada projeto, a quantidade total de cada atividade a ser executada; 4º - Calcular o tempo total de cada serviço ou atividade e a duração total do projeto
global;
5º - Estabelecer as quantidades de cada atividade a serem executadas em cada período; 6º - Calcular o número de equipes a serem mobilizadas; e,
7º - Orçar o custo total e por período a ser aplicada na execução de cada atividade. No quadro 1 apresenta-se um modelo do diagrama de GANTT.
Quadro 1 – Modelo diagrama de GANTT – Simplificado
Para traçar o gráfico, o projeto deve ser subdividido em um número de atividades que possam ser medidas e controladas de maneira fácil e rápida sem conter muitos detalhes. As barras representam a estimativa da duração de cada atividade, com datas de início e fim, nesse tipo de gráfico não estão representadas as ligações entre as atividades (MUBARAK, 2010 apud COSTA, 2018).
2.2.5 Softwares de gestão de tempo
Ribeiro (2020) diz que a gestão de tempo é parte de uma tarefa complexa de gerenciamento. Nas empresas perde-se tempo desenvolvendo e avaliando as atividades executadas. O uso dos Softwares para gerenciamento possibilita a otimização de tempo, alcançando resultados satisfatórios como:
- Rápido retorno financeiro; - Economia e lucratividade; - Integração entre os setores;
- Centralização das informações da obra; e, - Controle do início ao fim da obra.
Na sequência apresentaremos alguns softwares que podem auxiliar na gestão de tempo nas etapas construtivas.
Lean Construction é um sistema desenvolvido pela marca Toyota na década de 40, para gestão de projeto, com o objetivo de aumentar a eficiência e a produtividade por meio da diminuição de desperdícios e tempo de espera. Esse sistema garante a otimização de todas as atividades de planejamento e controle na construção civil (ALVES, 2017a). A figura 4 traz o layout apresentado pela ferramenta.
Figura 4 – Software Lean Construction
Fonte: Teamoty (2020).
Primus-K é uma ferramenta que faz toda a parte de gestão de cronogramas e execução das obras. São feitas análises necessárias para planejamento de diversas atividades, como curva ABC e plano financeiro. Alves (2017b) diz que o sistema produz cronogramas personalizados e comparativos, relatórios e tabelas, fazendo o gerenciamento de prazos com base em condições climáticas e números de dias trabalhados. Conforme figura 5.
Figura 5 – Software Primus-K
VejaObra é o software voltado para cronograma e controle financeiro. A plataforma auxilia na ordem cronológica das atividades realizadas, prazos de execução e interferências de profissionais nos serviços executados (ALVES, 2017). A figura 6 mostra a dinâmica da ferramenta.
Figura 6 – Software VejaObra
Fonte: Alves (2017b).
No tópico seguinte apresentaremos trabalhos correlatos em relação ao estudo de Gestão de tempo nas etapas construtivas.
2.3 TRABALHOS CORRELATOS
No estudo bibliográfico para o desenvolvimento desta pesquisa, foi selecionado um projeto ao qual ilustra perfeitamente todos os detalhes acerca do assunto sobre o gerenciamento de tempo na construção civil com o título “Gestão de prazos em obras de edificações considerando paradigmas atuais da construção civil” de Thais da Fonseca Palhota (2016). Este estudo foi elaborado na conclusão da graduação ao curso de engenharia civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O presente trabalho visa demonstrar como uma melhor utilização de técnicas e processos de gestão de prazos pode tornar a construção de edificações mais eficiente, reduzindo os custos das obras, evitando atrasos e prejuízos para os clientes. Em seus objetivos secundários, este documento pretende avaliar, por intermédio de um estudo
de caso comparativo, como efetivamente os problemas de gestão de prazos se apresentam em duas obras, de uma mesma construtora (PALHOTA, 2016, p. 2).
Segundo Palhota (2016), a gestão do tempo no estudo de um empreendimento tem uma importância inquestionável, e sua necessidade de cada vez mais achatar os índices de erros nas atividades executáveis. Como mencionado nesta pesquisa, tais erros geram danos ao planejamento da construção como o comprometimento no custo, o atraso na entrega do projeto e, consequentemente, na liberação comercial dos mesmos.
Baseada em PMI, a autora acima mencionada sequência uma metodologia disponível dos principais processos para a execução alinhada da gestão de prazos (tempo). Tal execução dá-se pela sequência:
a) planejar o gerenciamento do cronograma; b) definir as atividades;
c) sequenciar as atividades;
d) estimar os recursos das atividades; e) estimar as durações das atividades; f) desenvolver o cronograma; e,
g) controlar o cronograma (PALHOTA, 2016).
Partindo destes métodos, a autora realizou um estudo de caso com entrevistas dirigidas baseado na análise de como as empresas atuais realizam a gestão dos prazos afim de reduzir possíveis atrasos e alteração de custos para tais empresas.
Ao final destas entrevistas feitas em uma obra especifica, chegou-se ao resultado de que a empresa estudada atrasou a entrega do seu empreendimento devido a uma série de problemas ao longo de toda a execução. Segundo Palhota (2016), a maior deficiência que culminou no descontrole do prazo de entrega ocorreu na fase de acabamento, mais especificamente com o atraso do embasamento. Outras possíveis falhas de execução foram corrigidas ao longo da construção, porém servem de exemplos para tais problemas serem solucionados, se possível, já na fase de planejamento do próximo empreendimento.
Um outro parâmetro literário para o presente estudo bibliográfico foi o trabalho realizado por Marcos André Oliveira Silva, Leonardo Rodrigues Corrêa e Adriana Xavier Alberico Ruas com o título “Gerenciamento de projetos na construção civil: tempo, custo e qualidade”. Tal estudo foi elaborado com o apoio da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade FUMEC, da Escola de Engenharia da UFMG e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ao qual foi publicado na Revista Construindo, Belo Horizonte. Volume 10, número 02, p. 01 a 20 de julho a dezembro de 2018.
Com uma pesquisa bem resumida, porém de qualidade, tem como objetivo principal analisar o gerenciamento de tempo, custo e qualidade em um empreendimento em fase de construção. Segundo Silva, Corrêa e Ruas (2018), o estudo trata-se de uma pesquisa aplicada ao método quali-quantitativo, descritivo, de campo e documental, com dados atuais e retrospectivos baseado em um empreendimento caracterizado pelos autores como prédios de um condomínio de apartamentos em execução.
Com a coleta de dados de fichas registradas de 2014 a 2016 e com o auxílio da ferramenta de Software Microsoft Office Excel 2007, depois de todos os resultados e discussões, os autores chegaram à conclusão que:
Com o estudo foi possível verificar que inicialmente houve muitas reprovações nos serviços executados na obra, e quanto mais se repetiu as atividades, menos desvios foram constatados. Notou-se que o tempo, o custo e a qualidade são interdependentes na atividade da construção civil, e que seu gerenciamento só apresenta funcionalidade quando são trabalhados de forma integrada no processo construtivo (SILVA; CORRÊA; RUAS, 2018).
Ou seja, a melhor opção para obter-se uma continuidade na execução de um empreendimento é o alinhamento dos aspectos tempo, custo e qualidade, para que de maneira integrada a equipe assegure o cumprimento de prazo, sem adicionais de custo comparado ao estudo preliminar da construção e com uma qualidade no produto a ser entregue ao seu consumidor final.
E, para finalizar as descrições de trabalhos correlatos utilizados como pesquisas bibliográficas para este estudo, destaca-se o projeto realizado como requisito parcial para conclusão da graduação em engenharia civil, “Planejamento e controle de obra estudo de caso: comparar o desenvolvimento da construção estrutural de um edifício multifamiliar com o planejamento”. Dos autores Kaio Schueroff Barcelos e Thiago Freitas Alves, o seguinte trabalho consiste em um estudo comparativo com um planejamento elaborado através do software Sienge.
Segundo Barcelos e Alves (2019), a partir do planejamento inicial, fez-se um comparativo na fase de construção estrutural de um empreendimento de doze pavimentos afim de analisar se o prazo estipulado seria cumprido e, possivelmente, solucionar problemas para que não sejam repetidos num próximo projeto.
O estudo foi realizado visando o planejamento de estrutura de concreto das lajes e pilares de um edifício residencial de 12 pavimentos, a obra dispõe de um administrador de obras cuja função é realizar diário de obra e realizar solicitação de insumos, ferramentas, EPIs, etc. O diário de obras foi fundamental para a realização
do estudo, pois, o estudo realizado foi através dele, que contém diversas informações tais como: quantidade de funcionários, serviço executado no dia, clima, data, prazo, tempo decorrido da obra, saldo do prazo, observações, ocorrências e responsável pelo diário. Através de análises, foram coletadas informações que auxiliaram no estudo de erros ao decorrer da execução do empreendimento (BARCELOS; ALVES, 2019).
Segundo os autores, baseado em documentos entregues pela empresa, ao fim da pesquisa diversos fatores relacionados diretamente ao atraso no cronograma da obra foram encontrados, consequentemente, houve um acúmulo de atrasos durante a obra que resultou ao final em um significativo atraso no prazo final do empreendimento.
Destaca-se, então, a importância deste estudo para que haja um contínuo aperfeiçoamento nos controles do planejamento durante a execução, com ferramentas aptas a auxiliar neste aspecto como as mencionadas nestes trabalhos aqui correlatados.
3 ESTUDO DE CASO
Nesse capítulo apresentamos os resultados da pesquisa e suas análises tendo como de discussão o referencial teórico.
3.1 CAMPO DE PESQUISA
A pesquisa foi coletada e aplicada nos meses de setembro e outubro de 2020 sendo coletada de forma presencial nas empresas, onde os entrevistados tiveram a oportunidade da troca de informações agregando e contribuindo com as respostas apresentadas. Considerou-se empresas situada nas cidades de Florianópolis e Palhoça, e que compreendem para a pesquisa empresas de médio e grande porte. Na aplicação do questionário foram selecionadas 5 empresas atuantes nas cidades de Florianópolis e Palhoça – SC.
3.2 MÉTODO DE PESQUISA
Orientada pela pesquisa bibliográfica que aborda os métodos de gestão de tempo na construção civil, a primeira etapa do questionário destina-se em avaliar e identificar as empresas entrevistadas e é composta por seis questões fechadas e uma questão aberta. A segunda etapa é composta por questões abertas e fechadas a fim de avaliar a relevância das práticas e ferramentas da gestão de tempo, assim como o conhecimento sobre o tema. A pesquisa ainda conta com uma terceira etapa onde destina-se as empresas que não fazem uso de ferramentas ou práticas relacionadas ao controle de gestão tempo e/ou fazem o uso de práticas mais simples, com apenas uma pergunta fechada em relação ao interesse da empresa em investir em gerenciamento de gestão de tempo.
A primeira etapa da pesquisa conta com perguntas do campo de identificação, local de atuação, quantidade de funcionários, tempo de mercado, qualificação da empresa e tipo de empreendimento realizado. Após a etapa de identificação, foram aplicadas questões com formato original apresentadas no Apêndice A.
3.3 ANÁLISES DOS RESULTADOS
A primeira etapa do questionário teve a finalidade de identificar o perfil das empresas e entrevistados. Conforme análise da pesquisa, 60% dos entrevistados são construtoras atuantes em Florianópolis capital e 40% atuantes na cidade de Palhoça, ou seja, das cinco construtoras
participantes entrevistadas, 3 são de Florianópolis e 2 de Palhoça. Bem como todas empresas atuam no mercado há mais de 10 anos. Conforme Gráfico 3 e Quadro 2.
Gráfico 3 – Cidade de atuação da empresa
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Quadro 2 – Tempo de mercado
1. Tempo de Mercado Empresa Resposta A 33 anos B 20 Anos C 10 anos D 42 anos E 15 anos
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
A pesquisa mostra que três das cinco empresas trabalham com até 50 funcionários diretos, ou seja, contratados, e as outras duas empresas trabalham com número de funcionários superior a 100. Além disso, todas as construtoras entrevistadas trabalham com número de funcionários terceirizados acima de 40. Os entrevistados relatam uma maior flexibilização e andamento de cronograma com uma equipe de terceirização maior que de funcionários próprios da empresa. Não existindo uma limitação ou regra na contratação de terceirizados baseados número de funcionários próprios. Conforme Gráfico 4.
Florianópolis 60% Palhoça
Segundo Bizonin (2020) a terceirização é um novo modelo para construção civil. Essa alternativa traz ganhos de produção otimizando o tempo de entrega, assim evitando problemas agregados a qualidade do serviço.
Gráfico 4 – Quantidade de funcionários
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Todos os entrevistados atuam em empresas de médio e grande porte. Sendo quatro empresas classificadas como empresas de médio porte e uma empresa de grande porte. Conforme resposta dos entrevistados no Quadro 3.
Quadro 3 – Classificação da empresa
1. Classificação da Empresa Empresa Resposta A Grande Porte B Médio Porte C Médio Porte D Médio Porte E Médio Porte
Fonte: Elaboração das autoras (2020). 45 100 10 50 300 60 50 40 50 150 EMPRESA E EMPRESA D EMPRESA C EMPRESA B EMPRESA A
A maioria dos entrevistados, 60%, exerce o cargo de engenheiro civil, completando a porção, 40% atuam na área de gerência de Engenharia. Sendo os mesmos os próprios responsáveis pelo gerenciamento da gestão de tempo e planejamento dentro da empresa. Conforme Quadro 4. Segundo Silva (2011), uma boa execução de qualquer empreendimento exige a combinação dos fatores mão-de-obra qualificada, equipamento e material. A produção funciona como um fluxo, onde cada equipe tem uma velocidade constante de execução. Mattos (2010) finaliza dizendo que a competitividade torna o grau de exigência dos clientes ainda mais alto. Todos os entrevistados consideram de extrema importância o setor de planejamento para início de um empreendimento.
Quadro 4 – Cargo do entrevistado
1. Cargo do Entrevistado
Empresa Resposta
A Gerente Técnico de Engenharia
B Diretor de Engenharia
C Engenheiro Civil
D Engenheiro Civil
E Engenheiro civil
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Para finalizar a primeira etapa do questionário de identificação, foi perguntando quanto ao tipo de empreendimento realizados pelas construtoras. Onde 60% dos entrevistados trabalham com obras do tipo residenciais e 40% com obras mistas (residenciais e comerciais). Conforme Quadro 5.
Quadro 5 – Tipo de empreendimento realizado
1. Tipo de Empreendimento Realizado
Empresa Resposta
A Obras Mistas (Residenciais e Comerciais)
B Obras Residenciais
C Obras residenciais
D Obras Mistas (Residenciais e Comerciais)
E Obras Residenciais
A abordagem da segunda etapa da pesquisa destina-se a gestão de tempo. Foi investigado junto aos entrevistados, o conhecimento das práticas e ferramentas do planejamento de gestão de tempo (Quadro 6). Ainda que seja de grande importância o planejamento dentro de um empreendimento, 60% dos entrevistados alegam ter um conhecimento intermediário em gerenciamento da gestão de tempo. Brandalise (2017) ressalta as dificuldades no setor devido à baixa qualificação dos trabalhadores quando comparados a outros segmentos industriais. O gestor deve ter um alto grau de detalhamento do empreendimento a fim de identificar situações desfavoráveis, atribuindo a correção ou prevenção necessária para a situação, minimizando os possíveis riscos e prejuízos de custo e tempo da obra. Um bom planejamento garante o sucesso do empreendimento (BRANDALISE, 2017).
Quadro 6 – Nível de conhecimento da empresa em gerenciamento da gestão do tempo 2 – Qual o nível de conhecimento da empresa em gerenciamento da gestão de tempo?
Empresa Resposta A Intermediário B Básico C Básico D Intermediário E Intermediário
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Das cinco empresas entrevistadas, duas empresas fazem uso de ferramentas no auxílio do planejamento, o modelo Lean Construction (Quadro 7). 80% fazem uso da metodologia do Diagrama de Gant. E, 100% das empresas adotam a prática do planejamento participativo. Segundo Ramos (2019) os softwares de gestão apresentam uma boa solução para garantir o controle constante da obra, permitindo o dinamismo favorável e maiores facilidades, principalmente para quem atua em campo. Esses recursos como práticas, ferramentas e o uso de metodologia em gestão de tempo propiciam otimizar o uso de materiais controlando melhor o orçamento da obra afim de finalizar as etapas de construção de maneira mais rápida.
Quadro 7 – Uso de metodologia, ferramentas e práticas de gestão de tempo
Empresa Metodologia Ferramentas Práticas
A Diagrama de Gant - Planejamento Participativo
B Diagrama de Gant Lean Construction Planejamento Participativo
C - - Planejamento Participativo
D Diagrama de Gant Lean Construction Planejamento Participativo
E Diagrama de Gant - Planejamento Participativo
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
A pesquisa mostra que todas as empresas trabalham com a terceirização de algum tipo de serviço. Foi perguntado sobre o controle feito durante a execução dos serviços terceirizados para que não haja mudança no planejamento da obra. As empresas, 100% delas, trabalham com o sistema de comunicação, onde são realizadas medições semanais e mensais dos serviços a fim de não atrasar o planejamento e andamento da obra. Todas as empresas fazem prática das reuniões semanais com a finalidade de manter e estabelecer cronogramas de execução, para que nenhuma etapa fique para trás ou tenha atraso. Ainda fazendo parte dos serviços terceirizados, foi perguntado se o planejamento é mencionado aos terceirizados. Três das cinco empresas responderam que sim, justificando que o cronograma de serviço é passado ao terceirizado bem como anexado ao contrato de prestação de serviço, e em caso de descumprimento gerando atrasos, as empresas trabalham com cláusulas de multas aos terceirizados. Nesta fase do questionário as perguntas foram do tipo abertas permitindo total liberdade às respostas. Conforme Quadro 8 com respostas de cada empresa.
Quadro 8 – Tipo de controle de planejamento
4. Caso a empresa trabalhe com a terceirização de serviços, existe o controle durante a execução para que não haja mudanças no planejamento da gestão de tempo? Cite.
Empresa Resposta
A Replanejamento através do Prevision.
B Medições mensais e replanejamento mensal.
C Reuniões semanais e mensais.
D Replanejamento de cronograma.
E Reuniões de planejamento.
Analisando o Quadro 9, a seguir, todas as empresas entrevistadas trabalham com prazos de 1 ano de antecedência os processos de planejamento temporal de um empreendimento. Um bom planejamento requer tempo planejando, tendo o objetivo fazer as coisas acontecerem da melhor forma não ultrapassando o orçamento. ‘‘Se você quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado’’ Palavras de um provérbio chinês que Roberto (2019) destaca. As empresas ainda destacam a relevância dos prazos em função do porte do empreendimento, assim exigindo um período de preparação e planejamento maior. E quanto maior a complexidade do empreendimento, maior a importância de respeitar as etapas do processo a fim de não prejudicar a coerência do projeto final (DIAS, 2018).
Quadro 9 – Tempo necessário para o início do planejamento temporal
6. Com qual antecedência inicia-se os processos de planejamento temporal a partir do começo da execução? Empresa Resposta A 0 – 1 ano B 0 – 1 ano C 0 – 1 ano D 0 – 1 ano E 0 – 1 ano
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Tendo em vista a pesquisa, avaliou-se o período em que o gerenciamento dos processos produtivos faz parte dos empreendimentos das construtoras. Quatro empresas responderam 5 anos ou menos, apenas uma empresa respondeu que aplica o gerenciamento de tempo há mais de 20 anos. Conforme Quadro 10.
Quadro 10 – Tempo de gerenciamento dos processos construtivos nas construtoras 7 – Há quanto tempo o gerenciamento dos processos produtivos faz parte dos empreendimentos da construtora? Empresa Resposta A 5 anos ou menos B 5 anos ou menos C 5 anos ou menos D 20 anos ou mais E 5 anos ou menos
Foi perguntado aos entrevistados se o tempo investido para o planejamento da gestão de tempo e prazos do empreendimento é considerado o suficiente para uma boa execução e andamento das etapas da obra. Todas as empresas responderam que não. Tendo em vista a pesquisa de campo, os entrevistados alegam a necessidade de um tempo maior que o planejado. Rocha e Castro (2013) apontam o planejamento como garantia da qualidade e produtividade das obras. Segundo Matos (2010) o planejamento de um empreendimento segue um roteiro. A deficiência desse planejamento pode trazer consequências para o empreendimento, por extensão, para a empresa que a executa. Um descuido em uma atividade pode acarretar em atrasos e custos, afetando o sucesso final do empreendimento.
A identificação dos requisitos nesta etapa da pesquisa foi realizada por meio da interpretação dos resultados da matriz de relevância dos requisitos, onde aplicou-se o grau das atividades para a gestão de tempo. Pontuando de 1 a 5, onde 1 é menos relevante e 5 muito relevante. Conforme Quadro 11.
Quadro 11 – Grau de relevância
GRAU DE RELEVÂNCIA 1 Pouco Relevante 2 3 4 5 Muito Relevante
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
A pesquisa abordou os itens fundamentais, seguindo o grau de relevância, na hora do planejamento de tempo dos processos construtivos e fatores, externos e internos, que possam interferir no andamento do planejamento (Gráfico 5 e 6).
Gráfico 5 – Fatores fundamentais para o planejamento
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Gráfico 6 – Fatores que interferem no andamento do planejamento
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Para as questões 11 e 12 foram perguntados aos entrevistados quanto a necessidade na alteração dos prazos de execução, qual o procedimento adotado pela empresa e que tipo de ferramenta é usado para esta alteração. Nesta fase do questionário as perguntas foram do tipo abertas permitindo total liberdade às respostas. Conforme Quadro 12.
5 5 5 5 5 5 4 3 5 5 4 3 3 4 3 3 5 3 2 3 3 5 2 4 3 2 3 4 4 3 2 5 4 1 2 2 5 4 3 5 EMPRESA E EMPRESA D EMPRESA C EMPRESA B EMPRESA A
Itens fundamentais para o planejamento de
tempo dos processos construtivos
Recursos Financeiros Experiência Profissional Agilidade Tomada de Decisões Comunicação Escritório/Obra Domínio Técnicas Construtivas Burocracia
Equipamentos Materiais 5 5 5 5 5 4 5 3 5 3 3 4 3 4 3 4 5 4 2 3 5 5 5 5 5 2 5 2 4 2 3 4 2 4 3 4 5 3 3 2 EMPRESA E EMPRESA D EMPRESA C EMPRESA B EMPRESA A
Fatores, internamente e externamente da empresa,
que podem interferir no andamento do
planejamento
Número de Funcionários Experiência Profissional Agilidade na Tomada de Decisões Comunicação Escritório/Obra Recursos Financeiros Intempéries (Tempo) Burocrácia e Documentação Equipamentos e Insumos
Quadro 12 – Procedimentos de alteração de planejamento adotados pelas empresas 11. No caso de necessidade na alteração em relação aos prazos de execução dos processos construtivos, qual o procedimento adotado pela empresa?
Empresa Resposta
A Reuniões semanais com mestres e
engenheiros responsáveis
B Replanejamento, se de alguma forma
afetar no prazo final de entrega, quando possível é aumentado as equipes para aumentar a produtividade e entregar no
prazo.
C Atualização do planejamento existente,
readequação na mão de obra.
D Replanejamento de cronograma.
E Reuniões de planejamento.
Fonte: Elaboração das autoras (2020).
Apenas duas empresas fazem o uso de ferramentas que auxiliam na alteração de prazos, quando necessário. Sendo recalculadas nas ferramentas Linhas de Balanço e Prevision.
Ressalta-se que o tempo é o principal indicador, quando não administrado corretamente poderá interferir diretamente no desempenho global do projeto. Assim, verificando a deficiência na gestão do tempo, abre-se a possibilidade para estouros nos prazos e custo de orçamento, resultando em desgaste para a empresa (BRANDALISE, 2017).
Avaliou-se a partir da pesquisa que nenhuma empresa atuou em um empreendimento sem planejamento de prazos e etapas construtivas. Segundo Souza (2009) para se obter resultados esperados é necessário um eficiente sistema de gestão onde o planejamento ganha destaque, podendo avaliar o desempenho da obra em função da produtividade. Para finalizar a segunda etapa da pesquisa, foi perguntado aos entrevistados se após a implantação da gestão do planejamento na empresa foi realizado uma análise comparativa com outro empreendimento sem a gestão de tempo implantada. Apenas uma empresa respondeu sim, pontuando economia de tempo e materiais, entrega da obra no prazo previsto e pouco retrabalho durante a execução como fatores primordiais de uma boa gestão de tempo e planejamento.
A última etapa da pesquisa originada pelo bloco três, são destinadas as empresas que não fazem o uso de ferramentas ou práticas do controle de gestão do tempo e/ou fazem o uso