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OS EFEITOS DA INTRANET NA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DA COMPLEXIDADE: UM ESTUDO DE CASO

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OS EFEITOS DA INTRANET NA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL

NO CONTEXTO DA COMPLEXIDADE: UM ESTUDO DE CASO

PUC –

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

Programa de Estudos de Pós-Graduação em Administração

São Paulo

(2)

HENRIQUE VAILATI NETO

OS EFEITOS DA INTRODUÇÃO DA INTRANET NA COMUNICAÇÃO

ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DA COMPLEXIDADE: UM

ESTUDO DE CASO

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para a obtenção do título de MESTRE em administração, sob a orientação do Prof. Dr.

Onésimo de Oliveira Cardoso

.

PUC – PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração

São Paulo

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BANCA EXAMINADORA

_________________________________

_________________________________

_________________________________

(4)

À minha esposa Maria Auxiliadora, companheira de

sempre e de tudo, que em sua grandeza de alma

abriu mão de si para que tivéssemos nossos sonhos

e pudéssemos realizá-los.

Aos meus filhos (pela ordem em que os ganhamos),

Henrique, Luiz, Ana Maria e Octávio, razão e orgulho

maior de tudo o que fizemos, principalmente, eles

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AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Rosa e Henrique que apostaram em mim antes de mim, exemplos

definitivos de grandeza humana, inspiração maior e eterna.

Ao professor Dr. Onésimo de Oliveira Cardoso que com sabedoria e erudição fez

desta dissertação tardia uma tarefa profícua e prazerosa numa relação de

dignidade cordialíssima.

Ao Dr. Américo Fialdini Jr. instigador primeiro deste trabalho e que, mesmo

quando eu mesmo não acreditei, ele o fez e deu o amparo dos amigos.

A Rafael Abrão Possik Jr, amigo que nos apresentou a tecnologia da informação

com a gentileza e carinho com que distingue a todos que o cercam e que é sua

marca pessoal.

À Claudia Rizzo, amiga e colega que sempre acreditou mais em mim do que eu

(6)

À Elizabete e Heloisa que com sua dedicada ajuda me acudiram com a gentileza

que caracteriza as pessoas nobres e sem as quais tudo teria sido mais difícil e

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RESUMO

A proposta desta dissertação é identificar, analisar e refletir a utilização das

Tecnologias da Comunicação e Informação nos processos de comunicação

organizacional no âmbito da Teoria da Complexidade de modo a se buscar, ao

menos em latência, os corolários estruturais de inovações tecnológicas que, de

modo geral, ainda não foram analisadas na proporção e intensidade do caudal

geral das mudanças e dos esforços materiais nelas já gastos, sobretudo no que

se refere a aspectos da cultura organizacional. Para fundamentar nossas

hipóteses, nos apoiamos em um estudo de caso de implantação de uma intranet,

ou seja, de um portal corporativo.

Para tanto, nos valemos de alguns dos mais consistentes estudiosos do espaço

virtual, como Pierre Lévy e dos pensadores da Teoria da Complexidade enquanto

pano de fundo teórico que pudesse conferir às nossas reflexões a sustentação

metodológica suficiente para nos permitir pensar as organizações no difícil

enquadramento e dinâmica deste nosso momento de mutações e

imprevisibilidade.

(8)

ABSTRACT

The proposal of this dissertation is to identify, to analyze and to reflect the use of

the Technologies of the Communication and Information in the processes of

organizational communication in the scope of the Theory of the Complexity in

order to search, to little in latency, the structural corollaries of technological

innovations that, in general way, had still not been analyzed in the ratio and

intensity of the general volume of the changes and the material efforts already

expensed in it, over all to what refers to aspects of the organizational culture. To

base our hypotheses, in we support them in a study of case of implantation of an

Intranet, or either, of a corporative vestibule.

For in such a way, in we are valid them the some of most consistent studious of

the virtual space, as Pierre Lévy and of the thinkers of the Theory of the

Complexity while cloth of deep theoretician who could confer to our reflections

the enough methodological sustentation in allowing to think the organizations in

the difficult framing and dynamics of this moment of mutations and

imprevisibility.

(9)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 12

Objetivo do trabalho 12

Hipótese 15

Relevância e interesses 19

Referências Teóricas 24

Procedimentos Metodológicos 28

Viabilidade da realização da pesquisa 32

Estrutura da dissertação 34

1- A HIPERMODERNIDADE: ESGOTAMENTO LÓGICO E

COMPLEXIDADE 36

1.1 Pós-modernidade e hipermodernidade: em busca de uma designação

apropriada. 36

1.2 A exaustão do Paradigma do Ocidente. 45 1.3 A gênese da Teoria da Complexidade 50

1.4 A chegada da Teoria da Complexidade nos estudos

organizacionais 57

2- VIRTUALIDADE, COMPLEXIDADE E COMUNICAÇÃO

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2.1 O universo virtual e a complexidade 65 2.2 As organizações no mundo complexo: o caos e o êxtase gerenciais.71 2.3 A comunicação organizacional em sua medularidade estratégica. 84 2.4 As organizações em espaços virtuais: facilitações e dificultações

pelas TCI 98

3- ESTUDO DE CASO: OS EFEITOS DA INTRODUÇÃO DA INTRANET NA

COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL 113 3.1 A seleção do caso. 113 3.2 As principais questões da pesquisa. 115

3.3 A descrição do método: 116

3.3.1 Tipo de pesquisa. 116 3.3.2 O método de coleta dos dados. 117

3.4 O caso da Fundação F: 119

3.4.1 O histórico da organização 119 3.4.2 A pesquisa com os dirigentes. 127 3.4.3 A pesquisa com a administração média. 131 3.4.4 A pesquisa com os funcionários operacionais 133 3.4.6 A análise cruzada dos dados. 141

3.4.7 Análise final dos dados. 143

(11)

A TÍTULO DE CONCLUSÃO. 154

BIBLIOGRAFIA 162

ANEXO 1: Questionários da pesquisa. 174

ANEXO 2: Telas de navegação da intranet. 178

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OBJETIVO DO TRABALHO

Este estudo tem por objetivo identificar, analisar e refletir a utilização da Tecnologia da Informação no processo de comunicação organizacional no âmbito das organizações complexas o que, em nosso caso, concentramos numa intranet.

Tal proposta nasceu da intensa vivência do autor do processo de implantação e uso de uma rede corporativa de comunicação via computador em uma instituição de ensino superior e todo o largo espectro de situações e corolários que, desde seu nascedouro, vislumbramos identificar e que nos revelou um campo de insuspeitadas conseqüências no que tangia aos efeitos da Tecnologia da Informação não apenas na intermediação das relações dentro das organizações, ou seja, na comunicação, que é nosso foco aqui, mas, por conseqüência, também no âmbito total da cultura organizacional.

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dessas novas tecnologias; pareceu-nos que a irreversível, ampla e vertiginosa chegada das TCI às organizações paralisou pela ofuscação ou, no mínimo, surpreendeu à massa dos estudiosos no que se referia a um instrumental teórico-analítico capaz de, em tão curto espaço de tempo, assimilar e entender as linhas pelas quais poder-se-ia organizar e interpretar tão vasta casuística: o filósofo e auto-designado engenheiro do conhecimento, o francês Pierre Lévy, dentre os autores que nos guiaram na busca de um norte para a nossa tarefa foi quem, de cima de sua reconhecida autoridade, justificou nossas preocupações:

“A filosofia política e a epistemologia cristalizaram-se em épocas nas quais a informação e a comunicação estavam relativamente estáveis ou pareciam evoluir. (...) Tudo começou a mudar com a revolução industrial (...) a química, os avanços da impressão, a mecanografia, os novos meios de comunicação e os transportes, a iluminação elétrica transformaram a forma de viver dos europeus e desestabilizaram outros mundos. Os ruídos dos aplausos ao progresso cobriam as queixas dos perdedores e mascaravam o silêncio do pensar. Hoje em dia, ninguém mais acredita no progresso, e a metamorfose técnica do coletivo nunca foi tão evidente”.(Lévy 1993 7,9)

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diversos de importância nos processos de mudança nas organizações mas, por isso mesmo, reafirmando a crença na importância científica do abordagem proposta (Silveira,2001: 1)

Para tanto, procuramos corroboração e maior discernimento através do nosso estudo de caso mesmo porque o tema, o fôlego do trabalho e o nosso direcionamento metodológico nos distanciam de qualquer possibilidade de normatização, anelo maior de todo esforço intelectual, hoje posto no limite das impossibilidades pelo universo real marcado pela complexidade já que, “a complexidade, apresenta outra peculiaridade que a faz diferente da complicação, ela revela sempre alguma coisa que nos escapa”.(Genelot, 1998:26)

Mesmo cuidando de concentrar nosso foco, como recomenda a boa norma, temos consciência dos riscos, desafios e tentações que incursões na área da complexidade organizacional implicam, desafio que sempre parece indicar o caminho de realidades inconciliáveis, mas que, também por isso, possuem o apelo positivo dos desafios e que querem, em última instância:

“... transformar a experiência do executivo da empresa em consciência, no seio de uma civilização que dificilmente aprende a suspeitar das respostas simples... uma meditação auto-co-reorganizadora que nos pertence desde que não estejamos submetidos às aleatoriedades de uma misteriosa e cruel ‘ordem social espontânea’ e, se pretende conservar a razão construindo projetos individuais e coletivos, de forma inseparável.” (Genelot, 1998:133)

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HIPÓTESE

Considerando as características das redes informacionais e dos ambientes por elas criados:

“Uma estrutura que permite desconstrução e reconstrução contínua, suplantação do espaço e invalidação do tempo, e também, uma reorganização rápida e drástica das relações de poder” (Castells, 2000:498);

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"vai-e-vem" cuja existência atômica se faria, burocraticamente, mais consistente já que concreta e menos “indeletável”.

Por outro lado, sendo uma ferramenta bem elaborada em termos de mapas de navegação e de links, a intranet permitiria, ao todo do quadro funcional, enxergar um claro e pormenorizado panorama da organização, de seu organograma, de sua distribuição espacial, de forma a influenciar o processo de aculturação dos neófitos, que não dependeriam tanto dos “favores e benesses” da intermediação humana formal ou informal, de modo curiosamente contraditório já que, sua apresentação à arquitetura organizacional, seria mais lenta pela utilização de um instrumento originalmente mais formal: a escrita, ainda que eletrônica, implica em maior formalismo do que a velha oralidade da “rádio-peão”, mesmo quando constatamos a oferta de uma ferramenta virtual mais conversacional e amigável, no caso observado, o “comunicador”; em caso contrário, a aceleração da comunicação no sistema aumentaria a estabilidade deste como quer a Complexidade o que ensejaria a mudança na organização: será Edgar

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Um dos aspectos de maior relevância são, pelo seu caráter mais estratégico, as modificações constatadas nas relações de poder da organização que, a nosso ver, também sofrem transformações qualitativas significativas: alguns dos altos executivos, quer pelo seu estilo gerencial próprio, quer pelo “incômodo” do aprendizado técnico ou, até mesmo, pela existência de uma secretaria pessoal de alta confiabilidade e eficiência, acabam preterindo o uso da rede e se tornando leitores de e-mails impressos, com seus corolários de um novo estilo linguagem, de um novo ritmo já que as operações de comunicação formal são aumentadas por mais intermediações. Num outro sentido, poder-se-ia, nessa atitude, ver uma confirmação forte de conservadorismo tecnológico o que, nem sempre, poderá ser interpretado como um traço autoritário ipso facto; ainda nessa direção, poderiam surgir reforços do autoritarismo pela melhor visualização do todo e, portanto, demarcação dos estratos hierárquicos, facilmente perceptíveis nos mapas de navegação, bem como no processo geralmente verticalizado de imposição da inovação: fato razoavelmente corriqueiro, quer pela obtenção de novos instrumentos de controle tais como a indicação de presença, quer pelo controle da presteza na operação das estações de trabalho e que, poderíamos designar, como um reforço ou ferramenta na direção da construção de uma burocracia digital, no sentido clássico de Weber: estrutura organizacional envolvendo clara divisão de atividades integradas e hierarquizadas (Weber, 1979).

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e que, no caso, se converteria em certa “licença hierárquica”, poderiam permitir que, alguns gerentes normalmente mais reservados se introduzissem, ainda que de forma menos profunda, nas estruturas informais - que possuem mecanismos de defesa/ataque contra aos níveis superiores - gerando, quiçá, uma maior possibilidade de diálogo democratizante pela reciprocidade e conteúdos facilitados pelo meio eletrônico, o que aumentaria seu potencial auto-organizante uma vez que ele depende de redes informais de conectividade rica e aleatória já que, as formais, apenas alimentariam o status quo: as redes virtuais, assim, seriam um poderoso fator de escape para

informalidade e de facilitação de diálogo entre níveis hierárquicos diferentes.

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RELEVÂNCIAS E INTERESSES

Num momento histórico em que o totalitarismo da inovação se impõe numa ilimitada sanha anacronizante que ameaça, não apenas, a sobrevivência de muitas organizações, mas a própria sanidade civilizatória na medida em que, muito mais que consumidores compulsivos, somos devorados pelo vórtice de um processo onde nossas referências valorativas foram dizimadas; onde nossas radicais subvertidas nos fizeram produtos mutantes de uma história que nos parece fracionada pela nossa incapacidade epistemológica de nela nos acharmos, vítimas de forças desregradas e incontroláveis operadas por um demiurgo insaciável por sacrifícios humanos. Assim, qualquer esforço na busca de um sentido é obrigação ética indiscutível quer do intelectual quer, sobretudo, do educador.

“Porque transformam os ritmos e modalidades da comunicação, as mutações das técnicas de transmissão e de tratamento das mensagens contribuem para redefinir as organizações. São lances decisivos”, metalances “, se podemos falar assim, no jogo da interpretação e da construção da realidade”.(Lèvy, 1993:25)

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Lipovetsky que, no limite menor de seus efeitos, nos atirou a uma noção de tempo ímpar em toda a trajetória humana até aqui (Lipowetsky, Sébastien, 2004).

No epicentro desse tumulto mutacional se erguem, como senhoras dessa crise histórica (se é que o conceito História ainda é passível de utilização tranqüila), as tecnologias da comunicação e da informação que provocaram nas organizações, foco de nosso estudo, toda uma revolução intestina que, mesmo para fins menos acadêmicos e mais pragmáticos, ainda não se conseguiu suficiente calma e segurança metodológica para a geração de um acervo crítico que pudesse apontar para um esboço, ainda que rudimentar, de um modelo interpretativo: “Emerge, neste final de século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventariaram”. (Lèvy, 1993:7) Assim, há que se procurar organizar um grande e conjunto esforço para a reapropriação humana da tecnologia e, por conseqüência, do próprio conhecimento das mudanças já operadas e potenciais nas estruturas das organizações.

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“No que concerne às aparelhagens de comunicação e de pensamento, negligenciamos a dimensão de interioridade, de subjetividade coletiva, de ética e de sensibilidade que envolvem as decisões aparentemente mais técnicas.”(Lèvy,1999:106)

Ainda que bastante limitado face à grande e importância do tema, justificamos nosso esforço no sentido de trazer alguma contribuição para o entendimento de algumas das novas estruturas de comunicação, das transformações organizacionais no trato de um novo tempo e de um novo espaço e de, principalmente, novas formas de interação humanas geradas pelos multimeios ainda insuspeitadas e, por isso mesmo, imprevisíveis: nunca é demais insistir que os arautos do ciberespaço só propagam as vantagens e milagres de sua capacidade de alcance e transmissão, negligenciando seus atores sociais, esquecendo as nuances do sistema interno e externo às organizações que foi construído e os conflitos culturais que possam ter provocado; o deslumbramento pelo progresso tecnológico conquistado ofuscou a dimensão humana pela sua abordagem essencialmente tecnicista que, sempre termina, num otimismo irrealista, inconseqüente e caro quando, sobretudo, nos referimos aos custos reais das novas tecnologias em sociedades onde a subnutrição, a segurança e o analfabetismo precedem, como realidade de sobrevivência, à exclusão digital que, confrontada com a gravidade dos problemas precedentes, adquire foros de cegueira social:

“Hoje em dia, ninguém mais acredita no progresso, e a metamorfose técnica do coletivo humano nunca foi tão evidente. Não existe mais fundo sócio-técnico, mas sim a cena das mídias”.(Lèvy, 1993:7)

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questão das tecnologias da comunicação e informação a começar, como há pouco mencionamos, pelos seus custos sempre crescentes e pela anacronização sempre maior que, também objeto de muitos estudos, parecem conduzir as organizações a um limite perigoso de sobrevivência e de preocupações o que leva a se afirmar: ”Chegou-se ao sistema de produção em que tudo é vulnerável, possível e imprevisível”(Motta,1999:XIII). Em igual grandeza, os ganhos de produtividade dados pela renovação das Tecnologias de Informação atingem sua exaustão pela incapacidade de sua utilização plena e adequada. A sensação de impotência gerencial ante tais determinismos, só não é maior, pela relativa inconsciência dos altos executivos do quadro mais amplo de suas potenciais conseqüências, como os danos causados por mudanças inopinadas na cultura organizacional e seus reflexos no próprio gerenciamento estratégico: alterações nas relações de poder, elevação dos níveis de ansiedade e frustração pela introdução de novas tecnologias e pelas dificuldades inerentes ao seu uso, redesenhos e reengenharias organizacionais no limite desse amplo espectro, apontam para o risco de se chegar a momentos de quase cegueira gerencial que, de acordo com a capacidade de sobrevivência da organização, ou a coloca em risco, ou a obriga a dolorosas e arriscadas cirurgias funcionais.

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entendidos como ativos e não passivos nos processos produtivos, não apenas pouco participam nos processos de inovação, sendo apenas treinados para operar a mudança; bem como, no seio da própria inovação, são desconsiderados aspectos essenciais da cultura organizacional ou seja, da "humanidade" da organização. Aqui, quando a discussão assume sua característica essencialmente ideológica, já que se fala em, efetivamente, de controle, a questão da "visão compartilhada", da "cultura do comprometimento coletivo" mergulha numa esfera de mascarado diversionismo gerencial, espaço limite pouco assinalado pelos estudos e sempre evitado na esfera da práxis gerencial:

“Uma estrutura muito hierarquizada e rígida desencorajará as pessoas a assumir riscos e apresentar novas idéias. Uma estrutura muito liberal resulta em P & D sem foco e sem nenhuma aplicação comercial ou leva tanto tempo para ser desenvolvida que as oportunidades de mercado são perdidas”.(Mattos, Guimarães, 2005: 27).

Por isso, o direcionamento no sentido de se tentar a difícil mas inevitável leitura da questão organizacional pela ótica da Complexidade que, como veremos insistentemente a seguir, é corolário irrefutável de um tempo que exige, no mínimo, uma abordagem renovada:

“... toda a teoria pregressa das organizações chega ao esgotamento, o que nos põe diante de uma profunda quebra de paradigma: mais do que classificarmos os ambientes como instáveis ou turbulentos, precisamos passar a assumir a idéia de que neles só é capaz de sobreviver uma empresa também instável, ou turbulenta”.(Bauer, 1999: 168)

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grande parte do que a práxis organizacional fazia, deram uma desconcertante lição de auto-poeisis e de sucesso mostrando um novo desenho organizacional de contornos surpreendentemente revolucionários que, diga-se de passagem, parecem resistirem às tentativas de sujeição aos ditames acadêmico-teorizantes tendo, é bem denotativo, se transformado num dos grandes focos de estudo.

REFERÊNCIAS TEÓRICAS

Conforme já mencionado, a relativa novidade do tema e sua indiscutível complexidade, nos obrigaram a um exercício de humildade e reconhecimento teórico-metodológico: se citamos e citaremos copiosamente no decorrer de nosso trabalho autores que, a seguir comentaremos, foi porque, num terreno para nós tão escorregadio porque desafiadoramente novo, a busca da integralidade dos pareceres de "nossos guias" se impôs, em inúmeras passagens, não apenas como um dever de honestidade inerente ao nosso escopo, mas como demarcação de segurança na difícil tarefa de manter nosso foco e não sermos seduzidos pela infinidade de apelos e atalhos que o tema suscita mas que o bom método e nossas limitações pessoais desaconselham.

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das atuais mudanças em sua dimensão e velocidade: numa história em que a própria natureza do devir começa a perder seu sentido tradicional de linearidade pela ruptura de fios condutores que nos permitiam vislumbrar nela alguma relação de causalidade, como tentar entender, com as velhas ferramentas numéricas, essa desconcertante realidade?

Ou seja, o Paradigma do Ocidente como também é designado o Paradigma Cartesiano, enfatizando a rigorosa observação dos fenômenos do mundo físico, numa abordagem racionalista que, perseguindo regularidades, intenta a formulação de leis por um conhecimento objetivo por se crer isento, desaguou, sob o aspecto epistemológico, na dicotomia sujeito e objeto e, por conseguinte, na separação entre o conhecimento e seu contexto, num divórcio hoje inaceitável mas que continua indesejavelmente presente numa ciência social aplicada, a administração.

Cabe, aqui, um hiato obrigatório.

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e, quanto maior for sua longevidade, mais intenso e agudo será o processo de transição para outro paradigma que, por sua vez, alterará todas as anteriores representações mentais.

Para a superação desses impasses, resolvemos adotar a abordagem da Complexidade, onde a ciência é caracterizada pela ênfase nas ciências sociais, na relatividade da simultaneidade, na atenção aos sistemas abertos, nas situações de não-equilíbrio, de auto-organização; onde o distanciamento entre sujeito e objeto se reduz drasticamente o que enseja a valorização entre homem e natureza, relação avidamente desejada no senso comum, mas imperceptivelmente negada pela adoção de posturas epistemológicas anacrônicas e que, para nós, recupera a condição da administração de ciência social aplicada.

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Para tanto, nos valemos de guias seguros nesse universo de instabilidade prevista e procurada. Começamos nossa iniciação pelas obras de Edgar Morin (Morin,2001), pai e grande didata da complexidade para, após o que, fazermos a entrada da Complexidade nas organizações pelas mãos competentes de Ruben Bauer (Bauer, 1999) que nos propiciou uma relação facilitada e intermediada, não apenas com os teóricos da Complexidade como Edgar Morin, como de outros que oportunamente citaremos e que também nos deram a abertura para chegarmos com a complexidade ao foco de nosso estudo, o espaço virtual e a estrutura da organização:

“Uma estrutura que permite desconstrução e reconstrução contínua, suplantação do espaço e invalidação do tempo, e também, uma reorganização rápida e drástica das relações de poder” (Castells, 2000:498).

Com o mesmo interesse, fomos buscar o auxílio do já citado Pierre Lèvy, auto-denominado engenheiro do conhecimento e filósofo que, em seu notável esforço em construir uma antropologia do ciberespaço, fornece ao estudioso, linhas medulares na condução de suas observações desses “novos instrumentos” de conhecimento, de comunicação e, portanto, de gestão.

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“O mundo atual sendo caracterizado pela complexidade, não está surpreendendo que as apostas de poder sejam deslocadas para o controle do sistema nervoso das organizações complexas: a informação e a comunicação” (Genelot, 1998: 164)

Finalizando, no intuito de termos o máximo de atualidade, brasilidade e, portanto, adequação no enfoque de nosso problema, efetuamos uma varredura cuidadosa nos estudos publicados dos Anais da ENANPAD dos últimos anos que, ainda que tangencialmente, pudessem trazer alguma contribuição ao nosso esforço de discreta ousadia, bem como a uma bibliografia de apoio que, pelo riscos já apontados, tivemos ou que limitar ou que usar de forma extremamente módica porque cuidadosa.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Optamos por uma abordagem qualitativa para a condução de nosso trabalho mesmo porque, concordando com o nosso orientador, é extremamente falacioso para as epistemologias do nosso tempo, falar de diferenças entre qualitativo e quantitativo. Objetivando entender o processo de implantação de um portal corporativo (intranet) em uma organização de ensino superior e seus efeitos sobre a comunicação interna, nos seus aspectos de complexidade, a partir da ótica de seus principais atores e que, para nosso objeto de estudo, serão selecionados por amostragens dos diversos cortes hierárquicos da organização de forma a servirem de indicadores confiáveis, dos diversos segmentos estratégicos para a compreensão do caso em foco.

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sistema que, por seu lado, também constitui importante material de análise, quer pelas suas características, quer pela especificidade de seus conteúdos, quer pela maior incidência de usos específicos entre determinados setores e ferramentas; tais recursos metodológicos se justificam pelas especificidades inerentes aos embricamentos naturais entre as estruturas organizacionais e o espaço virtual que, muitas vezes, parecem ocupar esferas diversas que, é sempre bom que se destaque, extrapolam de muito aqueles aspectos meramente ferramentais que sempre mereceram destaque na atenção dos estudiosos: buscar na análise desse documental os indicadores das transformações suspeitadas se é tarefa minuciosa e delicada, é aspecto importante na análise do processo de comunicação da organização informatizada.

A opção pelo estudo de caso, como fulcro de nosso estudo, resultou de um conjunto de fatores que tem seu núcleo essencial, é sempre útil insistir, na relativa insipiência dos trabalhos de análise crítica da comunicação pela intermediação eletrônica nas organizações: assim, graças aos recursos empíricos do método, poderemos extrair da contemporaneidade do fenômeno observado elementos que nos permitam correlações deste com o espaço externo que o compreende de forma a suportar subsídios teórico-analíticos e indícios para novos procedimentos e processos organizacionais, num limite mais consciente e, até mesmo, mais pragmático e, evidentemente, mais eficiente.

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interessante e o estudamos para obter a máxima compreensão do fenômeno” (Serrano,1998:80)

Conforme assinalado, a opção pelo estudo de caso nos colocou diante de um largo espectro de autores com abordagens metodológicas próprias para a condução do trabalho: cabe lembrar que o método, nascido em Harvard na década de vinte do século passado, tem sido importante ferramenta nos estudos organizacionais entre outras, pelas possibilidades de trabalhar um método capaz de enfrentar a velocidade, a variedade e a complexidade dos objetos estudados. Para tanto, fizemos nossa escolha recair sobre o protocolo de Robert K. Yin (Yin, 2001) que destaca que este método é uma das estratégias de pesquisa utilizáveis nos estudos organizacionais por propiciar pesquisas de eventos da vida real, como os processos administrativos, através de observações diretas e por entrevistas, com a possibilidade de expandir e generalizar teorias. Para tanto, recomenda nosso autor, no atendimento correto ao método e se evitando evidências equivocadas, a investigação acurada e o rigorismo na escolha de critérios, bem como a utilização de diversas fontes de evidências, alinhamento destas, uso de uma abordagem lógica de replicação, fixação de medidas operacionais adequadas para os conceitos utilizados e a delimitação dos campos nos quais as conclusões podem ser aplicadas em forma de generalizações.

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confirmação dos grandes contornos e das potencialidades percebidas nas entrevistas e nas análises documentais.

Cumpre, também, assinalar o caráter exploratório de nosso trabalho que se quer propor como subsidiário de outros estudos. Nesse sentido, citamos Perrien, Chéron e Zins (Chéron, Zins, 1983) que afirmam o caráter exploratório de uma pesquisa quando os resultados obtidos não são, necessariamente, um fim em si mesmos e podem ter como objetivo a formulação de um problema para a investigação mais exata ou para a criação de hipóteses que levantem novos horizontes, lembradas as limitações da obra e do trabalhador. Do mesmo modo, este tipo de pesquisa, permitindo a utilização de ferramentas menos padronizadas, oferece uma maior flexibilidade o que atende às diretrizes teóricas que buscamos imprimir às nossas reflexões que, sabemos, não poderão produzir hipóteses muito precisas ou operacionalizáveis mas que, insistimos, poderão ensejar procedimentos mais organizados (Gil, 1989: 45).

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generalizações graças ao conhecimento do processo como um todo pela relação complexa entre as partes:

“A idéia de inter-relação remete para os tipos e as formas de ligação entre os elementos ou indivíduos, entre elementos e indivíduos e o todo. A idéia do sistema remete para a unidade complexa do todo inter-relacionado, para suas características e propriedades fenomênicas. A idéia de organização remete para a disposição das partes num, e em um, e por todo.” (Morin,1997:102)

VIABILIDADE DA REALIZAÇÃO DA PESQUISA

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preocupações de caráter político-funcional na medida que, lembramos, em quase todos os processos de modernização, a adoção do novo sistema, acontece de forma verticalizada, gerando resistências, “incomodações” e acomodações dolorosas de efeitos prolongados: sobretudo por que, na Fundação F, a dinâmica dos fatos em questão, colidiu com estruturas bastante cristalizadas e que foram sendo modificadas por um processo de arrumação cuidadosa e diplomática do quadro funcional que, é importante frisar, conta com um número evidentemente grande de docentes de inúmeras áreas do conhecimento que, por si só, já oferecem um universo de especificidades bastante dicotômico: se temos, na população mencionada, professores de administração, engenharia e economia relativamente afeitos com os processos da inovação organizacional, por outro, encontraremos profissionais das áreas de artes, comunicação e direito, onde a lógica da inovação caminha por atalhos aparentemente diversos daqueles rotineiros à lógica de mercado e, portanto, gerando reações também diferentes.

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ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

No Capítulo 1, justificaremos, introdutoriamente, a adoção do termo Hipermodernidade como necessidade de caracterização deste momento ímpar que vivemos; como um pano de fundo para, a partir das restrições lógicas que os Antigos Paradigmas derivados do Paradigma Cartesiano provocaram, justificar a necessidade de nos pautarmos pela Complexidade.

Para tanto, faremos considerações medulares sobre essa teoria, suas conseqüências epistemológicas e como que as mesmas permitem aos estudos organizacionais um equivalente valor positivo de enfrentamento das dificuldades de entendermos e viabilizarmos a gerência e a compreensão das organizações contemporâneas.

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No Capítulo 3, chegamos ao estudo do caso onde tentaremos utilizar a carga conceitual acumulada e o ferramental metodológico escolhido para a perseguição das hipóteses levantadas tendo, como campo empírico, nossa vivência profissional e intelectual na Fundação F.

Por fim, a reverência ao método, muito mais do que ao estilo, nos obriga a confessar nossa incapacidade de conferir ao discurso um caráter menos redundante e adjetivado do que gostaríamos ou imaginamos precisar, uma vez que, a necessidade de nos fazer claros, somada ao entusiasmo juvenilmente extemporâneo, nos fizeram correr os riscos da deselegância e da prolixidade para nos manter no conforto do tom alcançado como seguro a nos fazer entender e a nos satisfazer, num assumido descuido científico, mas que sacrificamos pelo prazer da identidade plena com o trabalho.

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1.1 Pós-modernidade e hipermodernidade: em busca de uma designação apropriada.

Esclarecendo possíveis vícios benignos e distorções não comprometedoras na essência de nosso trabalho vimos, aqui, esclarecer que tais idiossincrasias podem ser atribuídas às influências que nossa origem intelectual exerce sobre nosso modo de enxergar as ciências do homem: historiador de formação, há mais de três décadas gentilmente recebido no universo da administração, nem sempre conseguimos, ou nem sempre tentamos, nos separar de algumas boas manias adquiridas na nossa primeira formação acadêmica e que acabam por nos dar um certo “sotaque estrangeiro” pelo qual pedimos escusas.

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vez, encharcado de coerência, a tudo dava sentido e explicava, em tudo estabelecia nexos e fornecia comparações.

No sentido de enquadrar nosso objeto de estudo no seu contexto tal como o pensamos, justificamos o caminho que segue.

Se a Segunda Guerra Mundial trouxe algum incômodo a essa ordem temporal, ele ficou abafado, por um certo período, pelos ecos ufanistas da vitória aliada; a acidez e os impactos do último conflito mundial parecem não terem sido assimilados criticamente “ex abrupto” pela imediata Guerra Fria entre as duas potências hegemônicas e suas imperiais políticas, que obcecaram as décadas dos cinqüenta, sessenta e setenta, transformando-as numa espécie de cortina de fumaça de estupor ideológico dualista-bipolar-maniqueista e totalitarista; apesar de tudo e de tanto, apesar do holocausto e de Hiroshima, percebia-se ou buscava-se a “fortiori” uma continuidade, uma causalidade, mesmo porque, não há como negar que os citados eventos tinham tido sua geração no útero conturbado do início do século XX e, de uma certa maneira, representariam o apogeu de um movimento civilizatório que teria seu termo coletivo insinuado e visualizado pelos conflitos sociais na década dos sessenta que, ante o débâcle do Império Soviético, se amiudaram fazendo com que o milênio se encerrasse bem antes que o assinalado nos calendários.

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introduzir na análise histórica a denominação de Pós-Modernismo para caracterizar um tempo que contrasta com o modernismo iniciado no século XV e que perdurou até a metade do século passado. O Pós-Moderno seria marcado por um ritmo de mudanças tecnológicas que, de muito, ultrapassaram às aquelas ocorridas nas esferas espiritual, moral, política e ideológica. A Pós-Modernidade já antecipava esse vazio filosófico e o esboroar das grandes ideologias, ainda hoje, insistentemente moribundas e deletérias enquanto espectros de mundos perdidos a querer sobreviver e, em parte, atreladas às suas radicais iluministas-industrialistas e seus corolários antitéticos, ou seja, a fundamentos filosóficos que remontam aos albores do século XVIII. Assim, chegamos a um tempo que assistiria ao advento dos computadores e das comunicações à distância em todos os quadrantes da vida; à transição das economias centradas na produção industrial e serviços para, outra, ancorada na informação, na tecnologia e no consumismo, onde os fordismos e os taylorismos seriam varridos pelas necessidades de organizações descentralizadas, flexíveis e com liberdade de comunicação interna; mas o mundo Pós-Moderno, apesar de tudo, ainda sacralizava conceitos da modernidade ainda, insistimos, era moderno por sua crença no progresso e não se dava conta de que tentava entender o muito novo com as ferramentas mentais do proporcionalmente muito antigo:

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O pós-modernismo é, como todas as divisões cronológicas, resistente a delimitações rigorosas. Grosso modo, na área das ciências sociais, ele tem sido utilizado para narrar um clima social marcado por mudanças sociais e organizacionais e um conjunto de abordagens filosóficas para o estudo da organização e de outras áreas, incluindo a atenção na natureza construída das pessoas e da realidade, enfatizando a linguagem enquanto sistema de distinções no processo de construção; criticando as grandes narrativas e os sistemas teóricos gerais tais quais o marxismo e o funcionalismo; enfatizando aspectos como a relação poder-conhecimento, o papel nas comunicações de massas na dominação assumindo, assim, uma função crítica aos fundamentos e ideais utópicos que marcam o modernismo (Alvesson, Deetz, 1999).

Mas foi o desmoronar do sonho soviético em simultaneidade com o fim do sonho de Jefferson catalisados pelo esvaziamento do cartesianismo que, dentre uma miríade de indicadores, foram alguns dos sinais da mudança: a mesma incapacidade de se justificar a manutenção do Muro de Berlim, permitiu o destruir da Carta das Nações Unidas e da Declaração dos Direitos do Homem após os eventos de 11 de setembro de 2001.

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pragmatismo que se conferiu às ciências ora atreladas à produção tecnológica e ao lucro.

Pois bem, este retorno ao Moderno, apesar de aparentemente mal alocado no texto, nos afigurou necessário para que pudéssemos, didaticamente, relembrar como, etapa a etapa, os ritmos se aceleraram, as transformações se agudizaram a um tal ponto que levaram os historiadores a buscarem, na tentativa de melhores definições, termos mais e mais arrojados que pudessem atender à sua incapacidade de abarcar dinâmicas tão diversas e imprevisíveis, que permitissem alguma forma de abordagem para o entendimento dessa sucessão de humanidades de difícil decifração, que se organizou rapidamente em conformações sócio-culturais híbridas, mutantes e mutáveis, muito opacas à penetração de nossos frágeis óculos de análise: é interessante como no Pós-Moderno já se afigurava uma certa incapacidade semântica de definir o que acontecia enquanto evidente corolário do próprio esgotamento epistemológico subjacente.

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que afirma que todas as formulações axiomáticas da Teoria dos Números incluem propostas indecisas o que, de outra forma, significa a falência da Lógica Formal.

O Pós Modernismo, utilizado apesar de suas limitações, já que nasceu para batizar uma tendência arquitetônica, nos permitiria, no “reino da administração” (governado pela lei de mercado que impõe a sobrevivência sempre à frente de qualquer tentativa teorizante de entendimento das mudanças), assistir ao nascer das organizações enxutas, dos toyotismos, das reengenharias, de estruturas que, se não mais genuinamente cartesianas que, se já haviam abandonado as pranchetas e migrado para as estações gráficas, ainda se mostravam umbilicalmente ligadas a modelos anteriores e todos seus desdobramentos lógicos mas que, ainda, tinham ritmos e seqüências que não assinalavam rupturas, que mantinham uma certa e antiga linearidade. O Pós Moderno, dentre tantas marcas, foi um período onde, ainda, poderíamos falar de mudanças onde, ainda, falava-se com um certo ar de ousadia, em quebra de paradigmas, expressão que se tornou num vício odioso, porque vício e vazio, no linguajar dos “consultores”.

Mas foi, a partir dos anos setenta, que a noção de pós-modernidade se estadeou como qualificador da cultura das sociedades desenvolvidas e acabou ganhando os espaços jornalísticos e popularescos:

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É, também, um momento marcado pelo esgotamento daquele legalismo da ciência tradicional onde todas as “leis maiores e universais”, uma vez descobertas, nos conferiam a condição de observadores dominadores da natureza que, continuaria, estranha a nós, ameaçada e ameaçadora.

Foi, exatamente, por essa ambigüidade assinalada pelo polêmico pensador francês, que dele tomamos o termo Hipermodernidade para designar esse pedaço de história que parece desafiar nossa capacidade de designação que, tal qual o mais resistente dos pagãos, não se submete à pia batismal e que, por tudo isso, sintetiza a incontornável incapacidade de definirmos o nosso tempo ou deixá-lo de fazer, razão pela qual a adoção do termo foi feita sem maiores preocupações de embasamento histórico-filosófico.

Cabem, aqui, algumas digressões necessárias.

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efeitos das periferias mais remotas e o poder dos centros hegemônicos aparecem incontestáveis; se a interligação via satélite e toda a parafernália a ela ligada nos levaram à beira de nos sentirmos verdadeiros cidadãos do orbe, não há como ignorar, mesmo que os míopes recalcitrantes insistam, que as nacionalidades resistem bravamente que, na Itália da Comunidade Européia, ainda se fale em Liga Lombarda; que os chechenos aterrorizam o mundo pela sua luta nacional tanto como os bascos que não se querem espanhóis e que a própria Espanha não conseguiu deixar de ser, ainda, uma ficção de cunho político. Como aceitarmos a globalização, conceito autoritário e descaracterizante, num mundo onde milhões de seres humanos vivem, com ou sem internet via satélite, seus referenciais tribais e onde as nações disputam palmos sangrentos de chão?

No encalço do sentido perdido, o ser humano ameaçado por essa mundialização anuladora das individualidades e numa espécie de contra-mão do previsto, voltou-se para suas raízes mais profundas: a cada arranco de internacionalismo, ele lança um contra-ataque de recuperação de suas singularidades, de seus regionalismos mesmo que machucados pelas determinações mercadológicas, como o do sertanejo conspurcado pelo country, ou de repentistas descaracterizados por instrumentos eletrônicos.

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para a necessidade de se sobreviver gerencialmente pela ativação de um mecanismo intelectual de localização antropológica que designamos com um certo pedantismo, como o “diálogo das grandezas díspares” e que se faz necessário em cada movimento de análise de realidade, em cada ensaio de tomada de decisão, que nos obriga ao difícil malabarismo de confrontos constantes para compreendermos a convivência vital das pequenas singularidades da nossa cultura organizacional com dados de realidades geograficamente distantes mas absolutamente presentes: do mau humor de nossa secretária, às conseqüências para o nosso produto da mão-de-obra semi-escrava da Tailândia, da festa de amigo-secreto, à teleconferência com Amsterdã dentro da mesma sala.

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e fantástica tarefa de saber das ameaças da Jihad Islâmica pela internet, de encararmos essa lógica dos extremos.

Voltemos a Lipovetsky:

“Essa época terminou. Hipercapitalismo, hiperclasse, hiperpotência, hipertexto, - o que mais não é hiper? O que mais expõe uma modernidade elevada à potência superlativa? Ao clima de epílogo segue-se uma sensação de fuga para adiante, de modernização desenfreada, feita de mercantilização proliferativa, de desregulamentação econômica, de ímpeto técnico-científico, cujos efeitos são tão carregados de perigos quanto de promessas”.(Lipovetsky, 2004: 52).

É nesse paroxismo civilizatório, é para essa necessidade de se encontrar uma lógica para os extremos, uma lógica urgentista que justificamos, até pelas enormes limitações ditadas pelo ilimitado, a adequação da Complexidade enquanto orientação histórico-filosófica capaz de enfrentar esse hiper-diferente de uma civilização em êxtase, momentaneamente adequada e suficiente. Quando Lipovetsky aponta a transição de uma modernidade negadora para uma supermodernidade integradora e capaz de reintegrar as lógicas do passado com as lógicas de mercado, não estaria ele dizendo da capacidade auto-poética desse hipertempo, de um tempo que, talvez como todos os outros, se auto-organiza sempre de uma forma imprevista?

1.2 A exaustão do paradigma do ocidente

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Creio que podemos relembrar, sem riscos da condenação por excesso, que poucas áreas dos estudos humanos foram tão comprometidas pelas influências cartesianas e sua incrível capacidade residual quanto a dos estudos e práticas organizacionais: nós que tivemos nossa origem nos segmentos mais assumidos das humanidades e mais resistentes a pragmatismos sentimos, mais agudamente, as marcas cartesianas das origens da administração; evidentemente, as necessidades derivadas das imposições de sobrevivência no mercado fizeram com que o administrador, a duríssimas penas, conseguisse exorcizar o engenheiro de produção que, de muitas formas, ainda hoje assombra sua profissão como, outrora, assombrava seu emprego e a quem não se pode negar uma imprescindível contribuição mas, em hipótese alguma, subserviência já que, ele próprio, o engenheiro, se humanizou apesar de custos que não nos compete aqui lembrar.

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trabalhos oferecidos e apresentados nos níveis de pós-graduação, confirma-se essa resistência pelo, proporcionalmente menor, interesse pelos temas que envolvem a essência humanística das organizações. Nosso primeiro e já antigo choque, nesse sentido, disse respeito a um certo desdém às questões referentes à cultura organizacional; pareceu-nos, num primeiro momento, que as vicissitudes de um mercado selvático e concorrencial, nos haviam condenado a um positivismo eternizado pelo inerente utilitarismo a ele associado.

Se a Revolução Industrial teve o condão de trazer as ciências para perto da tecnologia, de transformar as divindades dos laboratórios em seres produtivos, levando as ciências teóricas a serem ciências tecnológicas, já de há muito se insinuava, nas entrelinhas das ciências de vanguarda, uma tendência acalentada em outras áreas do saber, a da ciência ética, uma ciência não mais entronada na intangibilidade celeste daqueles que ditam os determinismos, mas uma ciência que se humanizou pelo retorno do incerto, pela volta do acaso, de volta à subjetividade.

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A partir do momento indeterminado mas, vital e concreto, em que as ciências, com todo seu auto-atribuído poder racional passaram a dominar o mundo, começaram a justificar as vitórias da burguesia, a ampliar o poderio do corpo humano para dimensões jamais imaginadas e, sobretudo, a gerar lucros astronômicos, sua chegada aos píncaros olímpicos foi rápida: não foi por acaso que Comte, procurando aquilo que todos esperavam, enunciou os fundamentos de uma “física social” aliás, já antecipada por Condorcet – filósofo e matemático francês - em sua intenção de erigir uma “matemática social”; a possibilidade de se atender ao maior anseio da civilização ocidental, ou seja, dominar os mecanismos da conduta humana tal qual se sujeitara a força do vapor: a partir de então, a “supremacia das ciências exatas” não pararia de permear todos os quadrantes da vida, fazendo com que a subjetividade, essência mesma do humano, fosse aviltada pela busca cega da objetividade normativa, tanto mais viciosa quanto inconsciente na pesquisa científica.

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de dominação fundamentado na noção de conforto derivado do domínio da natureza e do aumento da produtividade, ou seja, temos técnica e ciência como ideologia.

Bem difícil, senão impossível, seria avaliar a importância civilizatória que a obra de Descartes teve para o ocidente e, por corolário, para o que se chamou de Era Industrial. Daí designação de Paradigma do Ocidente. O alcance, a profundidade e a fixidez ontológicos desse discurso não podem ser mensurados. Só suspeitamos a importância dessa grande determinação quando sentimos o vazio, a imponderabilidade a que o homem foi atirado quando as referências do “velho padrão” se desfizeram: em diversos momentos críticos da história contemporânea notamos, como ainda acontece, crises lógicas agônicas decorrentes dessa falência paradigmátic a atingir parcelas maiores das populações que, seviciadas pela impactação da cultura de massas e pela inconsistência de políticas educacionais inócuas, se situam numa condição mais ampla de exclusão.

Apesar do desvio, não resistimos à tentação de uma reflexão: a de atribuir à falência não percebida da lógica cartesiana, parte do renascimento místico que se constata, de forma mais intensa, nas periferias pobres do mundo e que dispensa qualquer e nos reconcilia em parte com nosso tema, a mística da tecnofascinaçãp:

“... um lado, em uma cultura do sof ware que permite conectar a razão instrumental e paixão pessoal e, de outro, em uma multiplicidade de paradoxos densos” pois ela alia a fascinação tecnológica ao realismo convidativo e se traduz em formas desconcertantes: a convivência da opulência comunicacional com o enfraquecimento do público, a maior disponibilidade de informação com a palpável deterioração da educação formal, a multiplicação infinita de signos em uma sociedade de padece o maior déficit simbólico.(“Martín-Barbero, 2001:28)”.

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Retornando para concluir. Assim, a hipermodernidade foi, menos do que a pá de cal no universo cartesiano e em toda a segurança que dele derivava, um esforço, foi uma das possibilidades insinuadas de equacionamento de mundo em transe que vivemos e que, se apenas um novo rótulo, já revela uma potencialidade de entendimento.

1.3 A gênese da Teoria da complexidade

“A palavra complexidade só pode exprimir o nosso embaraço, a nossa confusão, a nossa incapacidade de definir de maneira simples, de nomear de maneira clara, de pôr ordem em nossas idéias”.(Morin, 1990:7)

A história da Complexidade remonta às pesquisas desenvolvidas no Biological Computer Laboratory na Universidade Illinois, fundado em 1956, por Heins von Foerster com quem trabalhou, entre outros, Humberto Maturana sobre temas como causalidade circular, auto-referência e o papel organizador do acaso, num hibridismo científico entre biologia e cibernética: à dinâmica operacional dos sistemas auto-organizadores, veio somar-se a descoberta do “programa genético” e dos mecanismos de autoconstrução dos organismos. Para tal entendimento, utilizou-se o conceitual da teoria da comunicação, programa, código, informação, mensagem etc, numa transdisciplinaridade tão desconcertante quanto o neonato paradigma:

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Mas será com as pesquisas de Jacques Monod, na investigação de uma cibernética microscópica, que se desembocará numa vertente epistemológica revolucionária na medida em que ela enfatizará o papel do acaso como marca inicial de uma nova teoria evolucionista o que reitera e consagra a auto-organização, auto-poiesi, a ordem ou complexidade pelo ruído.

Pela própria etimologia do nome, evidencia-se o abandono ao simples das abordagens mutiladoras, no dizer de Morin e que, findam, por produzirem mais confusão (Morin, 1996); nesta era da Hipermodernidade, o real não se renderá ao “simplório matemático”; de há muito a capacidade de cálculo, elevada à enésima pelos ábacos eletrônicos, mostrou sua impotência ou, ao menos, sua inadequação em insistir dominar o real com o qual, doravante, há que se dialogar.

A obra de Morin constituiu-se num grande esforço transdisciplinar entre ciência e filosofia, num embricamento, no difícil mutualismo entre a fenomenologia, a dialética e a teoria dos sistemas: em essência, é crença inabalável na capacidade libertária do ser humano, que se fundamentaria no potencial de auto-organização dos organismos frente a perturbações aleatórias; crença na sobrevivência pela transformação auto-preservadora; “A organização não pode ser reduzida à ordem, embora comporte e produza a ordem.” (Morin,1996: 73)

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precedente de ordem: aqui, abrimos espaço para destacarmos um dos mais fortes traços do transe paradigmático assinalado pela Teoria da Complexidade e que é passível de constatação em parte nos seus autores. Mesmo em nossas limitações de iniciante ousamos apontar uma laivo “neo-renascentista” de fé sublimada na humanidade: é instigante como Ylia Prigogine, Prêmio Nobel de química, trabalhando a Teoria das Estruturas Dissipativas, busca restabelecer a ligação, a “nova aliança” entre cultura científica e cultura humanística, forçando a transposição de um espaço abissal que separava o mundo da matéria, cientificamente superior pois exato, do mundo inexato dos humanistas, da instabilidade e do indeterminismo agora, valorizados por essa imensa brecha, transitará um diálogo aproximativo secularmente bloqueado.

É quando submetidos a intenso ruído (perturbações, erros), afirma-se na Complexidade, que os sistemas complexos se recriam, se autocriam. Será Varella (Varella, 1983) que designará por auto-poiesis a lógica funcional interna dos sistemas autoprodutores e assinalará que, acima de todos os sistemas complexos, temos o homem enquanto capacidade autônoma de conduzir a sua própria preservação e desenvolvimento e de, portanto, criar a si próprio não importando quão adversos possam parecer os ruídos e as estruturas por eles gerados.

Ainda enquanto defesa indireta da ímpar capacidade auto-poietica do “sistema complexo homem”, aparece o conceito de even o ou acontecimento onde o Pensamento Complexo, abandonando qualquer pretensão determinística, ressaltará o improvável, o

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singular, o aleatório, ou seja, o essencialmente humano já que histórico, já que real e que, até então, não encontrava espaço na ortodoxia das “ciências sérias” mas que, sistemas complexos viabilizariam, processariam e superariam ao arrepio da normatividade cartesiana, já que fenômenos únicos e irreversíveis, não faziam parte de seu objeto de estudo: entender o irreversível e o único é buscar entender o homem que, nesse sentido, é anticientífico por representar uma negação intrínseca à harmonia da mecânica newtoniana.

Assim, numa certa medida, a Complexidade seria o esboço de uma ciência do devir, não no sentido da ciência histórica tradicional, mas de uma ciência da evolução humana enquanto sistema complexo em seu processo de enfrentamento e superação dos ruídos ou dos eventos enfim, de perpetuação por autoconstrução, de criação de uma ordem qualitativamente diferente. Será, retomando, Prigogine, na Física Quântica que, ao falar de ordem por flutuação, de assimetria temporal, de evolução por bifurcações, inaugurará o reino das turbulências, o domínio da instabilidade: bifurcação é o ponto crítico a partir do qual um estado novo se faz possível e o diagrama dessas bifurcações é a história desse sistema, de sistemas que se fazem marcados pela superação do ruído; a partir daí, concluirá, o estado de um sistema não pode ser deduzido de sua estrutura sendo que, sua única explicação, está na sua genética, na sua história.

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remetendo ao imprevisível, anulando o tradicional conforto da causalidade, a segurança conferida pela solidez do empirismo, constituir-se-á na aceitação e na complicada convivência com a incerteza já que assevera, em última instância, que a desordem é o móvel para a construção da ordem, ou seja, um paradigma de paradoxos.

Nesse contexto nada geométrico de ordem e desordem, de sistema e ruídos, de história e incerteza, a Complexidade contesta o reducionismo que afirmava a compreensão do todo pela descrição das partes, já que, sistema, exprime o todo enquanto fenômeno, enquanto unidade complexa, bem como interdependência entre o todo e as partes; supera o holismo simplificador que avilta o complexo pela valorização do todo em detrimento das partes; supera, enfim, o hierarquismo que, de forma semelhante, dá supremacia ao todo, já que a complexidade enfatiza a existência infinita de sistemas englobando sistemas, onde a partes também correspondem a interações entre unidades complexas.

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para a compreensão das bases da Complexidade o seriam, muito mais, para o entendimento das organizações complexas num mundo complexo.

Ainda que de forma canhestra e descosida, trouxemos o viés da Complexidade apenas para o atendimento de nossas específicas necessidades o que, também significa, para a subseqüente condução do discurso para a confluência com os estudos organizacionais que é, insistimos, um dos últimos e resistentes redutos do “cartesianismo de resultados” o que, conforme foi sendo pouco resultante, facilitou aos estudiosos o diálogo com a “realidade organizacional” no sentido de sensibilizá-la para a Complexidade enquanto não apenas um exotismo teórico, mas como uma abordagem revolucionária às práticas organizacionais, sobretudo, quando se verifica a falência dos modelos incrementais, gradualistas e, portanto, incapazes de encarar uma mudança descontínua e acelerada.

Falar da Complexidade e não mencionar a sua irmã siamesa a Teoria do Caos, se é solução de continuidade a toda a construção da arquitetura científica contemporânea, é também, em nosso caso, risco de um tratamento leviano mas irrecusável que, mesmo justificado pelo nosso escopo, será sempre aviltante ante à importância do movimento.

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epistemológicas: a imprevisibilidade passa a ser aceita como tal, por si mesma; o acaso puro, aquilo que não é aparentemente aleatório não estão mais à espera que

desenvolvamos competências para os sujeitarmos às normas, não serão mais filhos de nossa incompetência científica.

Outro conceito que nasce com os estudos do Caos, é o de caos determinístico, o que demonstra bem essa marca fronteiriça da teoria: é um esforço de superação do conceito de um caos simultaneamente representativo de ordem, porque matematicamente descritível, e de desordem, porque ainda impossível de determinação; se o atrator fractal é o delimitador do espaço de possibilidades para a ocorrência de um fenômeno,

enquanto elas são as formas de um todo em movimento e não uma coleção de partes, elas compõem uma compreensão qualitativa do fenômeno analisado; tais modelos tem sido utilizados com freqüência nas aplicações financeiras, campo onde a ótica utilitarista e os riscos concretos dispensam qualquer comentário sobre “modismos intelectuais”.

1.4 A chegada do paradigma da complexidade nos estudos organizacionais

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Taylor que fez a transposição “analogística” dos conceitos das ciências naturais para a teoria das organizações: “A melhor administração é uma ciência, que repousa sobre os fundamentos de leis, regras e princípios claramente definidos” (Taylor,apud Freedman,1992).

Mas, foi uma realidade instável, arrítmica e imersa numa complexificação globalizante que permitiu que a lógica pluralista da Complexidade se insinuasse como uma nova e inusitada alternativa às velhas e congestionadas vias em que, teimosamente, insistíamos não adotar:

“Parece que quanto mais nos tornamos receptivos às mudanças superficiais, mais cegos ficamos para o potencial de verdadeiras mudanças, mudanças de essência, de fundo”.(Bauer, 1999: 9).

Já em 1981, o sociólogo e estudioso das organizações Alberto Guerreiro Ramos (Guerreiro Ramos,1992) profeticamente apontava as limitações da teoria organizacional como uma espécie de antevisão das dificuldades que, até mesmo antes disso, atingiriam as organizações:

“A teoria organizacional existente já não pode mais esconder o seu paroquialismo e ela é paroquial porque focaliza os temas organizacionais mais do ponto de vista de critérios inerentes a um tipo de sociedade em que o mercado desempenha um papel de padrão e força abrangentes e integrativos. Torna-se muda, quando desafiada por temas organizacionais comuns a todas as sociedades. Além disso, é paroquial porque se alimenta da fantasia da localização simples, isto é, da ignorância da interligação interdependência das coisas no universo; lida com as coisas como se as coisas estivessem confinadas em seções mecânicas do espaço e do tempo”.(Guerreiro Ramos, 1989: 198)

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transformação, para o que se valeu do conceito de auto-poiese de Varella: a organização, enquanto sistema autoprodutor, é parte de seu ambiente externo com o qual interage dilatando os seus limites e alterando os seus traços de identidade; assim, propugna a adoção de modelos circulares de interação no sentido de entender essas

relações da organização com o seu exterior, agora muito menos externo, pela utilização da lógica da causalidade mútua; como o sistema se confunde, enquanto parte, com o ambiente, autonomia e dependência se esvaziam de seu caráter antitético e a complexidade assume o paradoxo da circularidade recursiva; na mesma direção, há que se fazer menção a Maruyana (Maruyana in Bauer, 1999) quando, se referindo à causalidade circular, supera a linearidade da noção de causa e feito no sentido de que

causas são retroalimentadas por efeitos, donde as conformações passam a ser sistemas cujos produtos são necessários à sua própria produção.

Chamlat e Seguin-Bernard (Chamlat & Seguin-Bernard, 1987), acreditam que a adoção da complexidade seria uma via de reedificação da teoria organizacional, classificando-a em dois paradigmas: o funcionalista, que cuidaria da integração, do consenso e da ordem e o crítico que trataria de mudança e desordem mas, sempre atentos, para as

noções de ambigüidade, incerteza que, definitivamente, acreditam eles, se impõem a todo o fenômeno organizacional.

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impor uma mentalidade organicista que, com bastante gradualismo, está ultrapassando a pecha dos modismos inconseqüentes já que, enquanto enunciador de uma visão científica de mundo, ele de muito extravasa os míopes limites dos fazedores de moda na administração, ou seja, dos “consultores bem palestrantes” ainda que, num primeiro instante, o Paradigma forneceu-lhes material de subsistência pela impactação gerada pelos seus princípios.

Segundo Serva (Serva, 1992), apenas pelo foco auto-referencial é que, doravante, será possível o entendimento das organizações em sua clausura organizacional, em sua crescente complexidade.

A luta contra o anacronismo, nessa nova visão organizacional deve, mais do que aceitar, provocar uma involuntária indeterminação no sistema; será, na fronteira do caos, (Bauer,1999) que a organização produzirá, de um lado, o equilíbrio necessário à sua rotina, de outro, o desequilíbrio vital à inovação; será a convivência espontânea com os sistemas caóticos que, em confronto mortal com o planejamento e o controle, passarão a determinar a sobrevida das organizações segundo essa nova ótica.

“As organizações tem necessidade de ordem e de desordem. Num universo onde os sistemas sofrem o aumento da desordem e tendem a desintegrar-se, a sua organização permite reprimir, captar e utilizar a desordem.” (Morin, 2001: 129)

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incondicional tolerância à desordem: conceitos, ainda hoje, de difícil penetração no universo gerencial, onde a idéia de ordem está profunda e inconscientemente entranhada no conceito de hierarquia e esta, ao de poder, gerando a dificuldade, na práxis organizacional, de se pensar em hierarquia entrelaçada, acaso organizacional e

outros “paradoxos” da Complexidade que, mais do que provocar mudanças, têm explicado as transformações ocorridas na essência das estruturas de poder organizacionais que, rebeldes às antigas teorias, transformaram-se ao seu arrepio.

Morgan (Morgan, 1996), falando do princípio da mínima especificação crítica – prescrevendo que se deve buscar o mínimo essencial para o desenvolvimento de determinada organização – coloca a compreensão de que todo o controle, até o aprendizado auto-organizante, é um ato político e a delegação é parte indissociável da auto-poiese; e o poder, nessas condições, só pode existir enquanto derivação da autoridade, ou seja, o poder delegado, consentido, o que, por sua vez, reabre sob uma ótica renovada, a antiqüíssima questão da horizontalização e verticalização do poder nas organizações.

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correta” e que, enquanto variante, nos proibimos de prosseguir mas que não perde seu valor indicativo para o tema.

Ainda Bauer (Bauer,1996) em sua “abordagem caótica”, traz uma interessante análise de outro polêmico binômio, generalização X especialização que, desde os primórdios da Revolução Industrial, tem tido um dos mais ortodoxos tratamentos afinal, “tudo é especialização” ou, nem tanto: a partir da aceitação de que a auto-construção organizacional assenta-se, também, na obtenção da variedade, da pluralidade enquanto matérias-primas essenciais à flexibilidade, a presença da redundância surge numa intensidade nunca antes admitida nos domínios da eficiência uma vez que, é ela que a propicia: pelo treinamento de funcionários em tarefas que não as especificamente suas, é que se constrói o potencial de enfrentamento do imprevisto; pela multiplicidade de indivíduos e visões diferentes de situações organizacionais complexas é que se armazenam as soluções inovadoras; em tais casos, a especialização estrita é fator de esterilização dos potenciais de reação da organização ao novo, fazendo com que as partes sejam, no máximo, somadas e esvaziando-se toda a capacidade sinérgica. Aliás, essa multifuncionalidade é, também, outro dos fatores mais subterrâneos e menos confessados de resistência das estruturas conservadoras de poder.

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curriculares do ensino superior de administração, um grande número de instituições que, ao arrepio mesmo da orientação dada pelo Conselho Federal de Administração para a reforma curricular de 1995, se valendo da “cultura do especialista-mecanicista” subjacente, criam especializações em seus programas de graduação, para uma faixa etária e objetivos pedagógicos discutíveis, para vender modernidade; e, do outro lado, Bauer (Bauer,1999), ao falar da organização auto-poietica, frisa a importância dela investir em estoques de conhecimentos genéricos e habilidades diversificadas.

Também de caráter desconcertante dentro dos ajustes provocados pela Complexidade nos estudos organizacionais, é a afirmação de que ambientes e sistemas fazem-se reciprocamente. Tomando por outro ângulo, a Teoria da Causalidade Circular, retira do ambiente o papel hegemônico e determinístico de transformação que, por sua vez, se torna um prolongamento externo da organização; assim, quem geraria a organização seria a própria identidade dela que, por sua vez, só poderia ser conservada nesse mutualismo dinâmico; tal dinamismo que, doravante, gera um impasse novo uma vez que identidade sempre se constituiu em mecanismo imobilizante, já que ligada a um passado de êxitos, presa “ao que deu certo”. Tal revalorização da identidade reforça, a fortiori, por sua vez, a importância que a cultura organizacional readquire no novo

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significado; nesse difícil e sutil mecanismo de contrapesos entre tradição e renovação e que aparece como outro inicial paradoxo, reside o potencial de sobrevivência da maior parte das modernas organizações que balançam, perigosamente, entre as ameaças de reengenharias modernizantes e descacterizadoras de suas culturas e o imobilismo comatoso do tradicionalismo que vitimou muitas corporações sólidas.

Ainda que os últimos tempos tenham sido marcados por muitas iniciativas e estudos nas áreas da aprendizagem e, de forma correlata, da cultura da organização e de forma significativa nas iniciativas das universidades corporativas, nos perguntamos o quanto tais ações poderiam estar marcadas pelos produtos da consciência da Complexidade e o quanto, num espaço muito menos audacioso, haja vista conteúdos e grades curriculares das referidas universidades corporativas, não seriam programas mais sofisticados de treinamento e que não facilitariam o "desejado" movimento auto-renovador nos quais a verticalidade da ação impediria com que as ondas da realidade interagissem com o maior número de observadores (Wheatley, 1992); lembrando que, se falamos de cultura organizacional, inferimos o processo de conhecimento enquanto resultante do trânsito coletivo dos dados da organização o que, ante os novos recursos, é um de nossos focos:

“Para que um sistema funcione, as informações não são suficientes, é necessário que elas levem uma sensação compartilhada. A consciência da finalidade é indispensável, tanto para elementos de base como sobre a totalidade”.(Genelot, 1998: 183).

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necessidades específicas no trabalho, tanto quanto, é forçoso declarar, da própria dimensão do paradigma para a qual não tivemos nem a pretensão, nem a competência de uma síntese mais coesa e coerente, fazendo-nos, o mais possível, próximos de nossos guias na “letra da lei” o que, no entanto, não impediu de incentivar um certo arrojo:

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GRÁFICO 6  LEITURA DE EM AILS 88%12% LEITURA NA TELA LEITURA DE IMPRESSÃO
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Referências

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