MARÍLIA FONSECA BALOTA
Implementação do Globally Harmonized System (GHS) para classificação e rotulagem de substâncias químicas
Lorena 2015
MARÍLIA FONSECA BALOTA
Implementação do Globally Harmonized System (GHS) para classificação e rotulagem de substâncias químicas
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo como requisito parcial para conclusão da graduação em Engenheira Química.
Orientador: Prof. Dr. Eduardo Ferro dos Santos
Lorena - SP 2015
AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE
Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Automatizado da Escola de Engenharia de Lorena,
com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)
Balota, Marília Fonseca
Implementação do Globally Harmonized System (GHS) para classificação e rotulagem de substâncias químicas / Marília Fonseca Balota; orientador Eduardo Ferro dos Santos. - Lorena, 2015.
86 p.
Monografia apresentada como requisito parcial para a conclusão de Graduação do Curso de Engenharia Química - Escola de Engenharia de Lorena da
Universidade de São Paulo. 2015 Orientador: Eduardo Ferro dos Santos
1. Produtos químicos. 2. Classificação e rotulagem.
3. Segurança de processos químicos. I. Título. II.
Santos, Eduardo Ferro dos, orient.
AGRADECIMENTOS
A Deus por iluminar meu caminho nesta caminhada, me dando saúde e força para superar as dificuldades.
Aos meus pais, José Maurício Balota e Simone Maria Fonseca Balota (in memorian) e meus irmãos, pelo amor, incentivo e apoio durante toda minha vida.
Aos meus familiares e amigos, que direta ou indiretamente, me ajudaram nesta etapa.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Eduardo Ferro dos Santos, pelo suporte, ensinamentos e incentivo qυе tornaram possível а conclusão deste trabalho.
A esta Universidade, seu corpo docente, administração e direção, que tornaram possível a realização de um grande objetivo.
A todos, que direta ou indiretamente, contribuíram para minha formação.
RESUMO
As Indústrias Químicas são responsáveis por garantir que o gerenciamento de seus produtos seja efetuado de forma correta. Para isso há a necessidade de classificar e rotular os produtos químicos fornecendo o mínimo de informações necessárias para garantir seu uso adequado e, consequentemente, a proteção humana e do meio ambiente. No entanto o grande número de sistemas de classificação, tanto nacionais quanto internacionais, dificulta a compreensão dos riscos do produto gerando uma confusão ao usuário. Devido a este motivo houve a criação do GHS (Globally Harmonized System) a fim de garantir que a comunicação de perigo dos produtos químicos seja compreendida internacionalmente. Desta forma, este trabalho tem como objetivo estudar a implementação do GHS e propor um modelo simplificado para a classificação dos produtos químicos de acordo com esse novo sistema. Este trabalho permitiu concluir que a Segurança de Produto é um tema muito importante e vem sendo discutido em todo o mundo. Através da comparação do sistema GHS com os sistemas utilizados anteriormente pôde-se verificar a importância de um sistema de classificação mundialmente unificado que comunique os perigos dos produtos químicos sem que ocorram divergências e falha nessa comunicação.
Palavras-chave: Produtos Químicos, Classificação e Rotulagem, Segurança de Processos Químicos.
ABSTRACT
The Chemical Industries are responsible for ensuring at the management of their products is made correctly. Therefore, there is the necessity to classify and label chemicals providing minimum information to ensure proper use and consequently the human and environmental protection. However, the large number of classification systems, both national and international, may cause misunderstanding to the users due to the difficulty in comprehension of product hazards. Hence, the GHS (Globally Harmonized System) was created to ensure that hazard communication of chemicals can be internationally understood. Thus, this work aims to study the implementation of GHS and propose a simplified model for classifying chemicals according to this new system. This work showed that the Product Safety is an important issue and it has been discussed worldwide.
Comparing GHS system with others systems previously used, it was possible to verify the importance of a globally classification system to communicate the hazards of chemicals without the occurrence of misunderstandings and a failure in the communication.
Keywords: Chemicals, Labelling and Classification, Globally Harmonized System, Legislation.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Substância classificada quanto à toxicidade aguda de acordo com os sistemas
de classificação em alguns países ... 12
Figura 2 - Pictogramas de perigos físicos com código e denominação... 22
Figura 3 - Pictogramas de perigo para saúde e meio ambiente ... 23
Figura 4 - Estrutura das frases de perigo ... 25
Figura 5 - Estrutura das frases de precaução ... 26
Figura 6 - Fluxograma: etapas para classificação GHS ... 33
Figura 7 - Composição do Produto X ... 34
Figura 8 - Classificação GHS dos componentes do Produto X ... 36
Figura 9 - Propriedades Aditivas e Não aditivas ... 37
Figura 10 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades não aditivas ... 38
Figura 11 - Componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele ... 39
Figura 12 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificada como sensibilizante à pele ou respiratório que geram a classificação da mistura ... 39
Figura 13 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a categoria “Sensibilização à pele” ... 40
Figura 14 - Componentes do Produto X classificados como tóxico sistêmico para órgão- alvo específico, exposição única ... 41
Figura 15 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificados como agente tóxico sistêmico para órgão-alvo específico que determinam a classificação da mistura nas categorias 1 e 2... 41
Figura 16 - Componente do Produto X classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida ... 42
Figura 17 - Critério de classificação de mistura como perigosa por aspiração quando há
dados disponíveis para todos ou apenas alguns componentes ... 43
Figura 18 - Componente do Produto X classificado como perigoso por aspiração ... 43
Figura 19 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades aditivas ... 44
Figura 20- Componentes do Produto X classificados como corrosivo/irritante à pele ... 45
Figura 21 – Soma das concentrações dos ingredientes classificados como corrosivo/irritante à pele ... 45
Figura 22 – Limite de corte das concentrações dos ingredientes das misturas classificadas nas categorias 1, 2 ou 3, que determinam a classificação da mistura como corrosiva/irritante à pele ... 46
Figura 23 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de precaução para a categoria “corrosão/irritação à pele” ... 47
Figura 24 - Componentes do Produto X classificados como irritante aos olhos ... 48
Figura 25 - Soma das concentrações dos ingredientes classificados como irritante aos olhos ... 48
Figura 26 - Limite de corte da concentração de uma mistura classificada como categoria 1 ou 2 (ocular), que determina a classificação das misturas como causadoras de dano ocular (categoria 1 ou 2) ... 49
Figura 27 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a categoria “Lesões oculares graves/irritação ocular”... 49
Figura 28 - Componentes do Produto X classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático ... 51
Figura 29 - Soma das concentrações dos ingredientes classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático ... 51
Figura 30 - Limite de corte da classificação de toxicidade aguda de uma mistura, baseada na soma das concentrações dos ingredientes classificados ... 51
Figura 31 - Fatores multiplicativos para ingredientes altamente tóxicos ... 52
Figura 32 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a
categoria “Perigoso ao ambiente aquático - Agudo” ... 53
Figura 33 - Componentes do Produto X classificados como tóxico crônico ao ambiente aquático ... 54
Figura 34 – Soma das concentrações dos ingredientes classificados como tóxico crônico ao ambiente aquático ... 54
Figura 35 - Limite de corte da classificação de toxicidade crônica de uma mistura, baseada na soma da concentração dos ingredientes classificados ... 54
Figura 36 - Componentes do Produto X classificado não perigosos ... 55
Figura 37 - Classificação final do Produto X ... 56
Figura 38 - Frases de Precaução do Produto X ... 56
Figura 39 - FISPQ do Produto X segundo GHS ... 59
Figura 40 - FISPQ do Produto X segundo Diretiva Europeia 67/548/CE ... 60
Figura 41 - Pictogramas do produtos X de acordo com os sistemas de classificação GHS, Diretiva Europeia e WHIMIS ... 61
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 10
1.2 JUSTIFICATIVA ... 11
1.3 OBJETIVOS GERAIS... 13
1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 13
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 14
2.1 PRODUTOS QUIMICOS ... 14
2.2 ROTULAGEM E CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO ... 16
2.3 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO E ROTULAGEM ANTERIORES ... 17
2.4 GLOBALLY HARMONIZED SYSTEM (GHS) ... 19
2.4.1 ESTRUTURA DO GHS ... 19
2.4.2 CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO ... 20
2.4.2.1 PERIGOS FÍSICOS ... 21
2.4.2.2 PERIGOS À SAÚDE E AO MEIO AMBIENTE ... 22
2.4.3 COMUNICAÇÃO DE PERIGO ... 23
2.4.3.1 ELEMENTOS DO RÓTULO ... 24
2.4.3.2 FISPQ ... 26
2.5 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO ... 27
2.5.1 NORMA REGULAMENTADORA 26 ... 28
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 29
3.1 MÉTODO DE PESQUISA ... 29
3.2 METODOLOGIA UTILIZADA ... 30
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 32
4.1 ESTUDO DE CAMPO ... 32
4.2 ESTUDO DE CASO ... 32
4.3 MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA ... 32
5. CONCLUSÃO ... 62
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 63
APÊNDICES ... 67 APÊNDICE A – FISPQ DO PRODUTO X SEGUNDO CRITÉRIOS DO GHS ... 67 APÊNDICE B – FISPQ DO PRODUTO X SEGUNDO CRITÉRISO DA DIRETIVA
EUROPEIA 67/548/CE ... 80
10 1. INTRODUÇÃO
Os produtos químicos são amplamente utilizados no dia a dia, seja de forma direta ou indireta. Devido a isto, desenvolveram-se regulamentações específicas para o setor, a fim de garantir que as informações sobre os produtos químicos estajam disponíveis permitindo seu gerenciamento adequado e protegendo a saúde humana e o meio ambiente (ABIQUIM, 2005).
Existem regulamentações sobre o transporte, produção, comércio e consumo de produtos químicos, entre outras; e estas regulamentações são editadas principalmente por agências governamentais, como por exemplo, ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ECHA (European Chemicals Agency), OSHA (Occupational Safety and Health Administration), FDA (Food and Drug Administration); e também através de leis e decretos do próprio país (ABQUIM, 2005).
Para garantir o uso adequado dos produtos químicos e as medidas de prevenção que devem ser tomadas durante o manuseio a fim de evitar danos à saúde humana e ao meio ambiente, os países criaram legislações tais como REACH (Registration, Evaluation, Authorization of Restriction Chemicals), HCS (Hazard Communication Standard), ABNT NBR 7501 (legislação sobre transporte terrestre de produtos perigosos), NR 26 (norma regulamentadora sobre sinalização de segurança), WHMIS (Workplace Hazardous Materials Information System), entre outras, para classificação e rotulagem dos produtos químicos, de forma a garantir que estas informações acompanhem o produto (SILK, 2003).
Apesar dos requisitos para a classificação de produtos químicos serem parecidos em muitos países, eles não são os mesmos. Desta forma, o grande número de sistemas de classificação de perigo gera dificuldade na compreensão dos riscos dos produtos químicos e seu gerenciamento, podendo trazer problemas ao usuário (WINDER; AZZI; WAGNER, 2005).
Com o propósito de um sistema de classificação que seja compreendido e utilizado mundialmente, as organizações OIT (Organização Internacional do Trabalho), OECD (Organization for Economic Cooperation and Development) e
11 UNCETDG (The United Nations Committee of Experts on the Transport of Dangerous Goods) desenvolveram odocumento do GHS, e os sistemas de classificação individuais de cada país devem convergir para este sistema globalmente harmonizado acabando com a problemática da inconsistência na classificação e comunicação de riscos (ABIQUIM, 2005).
As empresas químicas de todo o mundo estão se adequando a este novo sistema de classificação e rotulagem dos produtos químicos. No Brasil, conforme ABNT NBR 14725, os produtos químicos classificados como substância pura já devem estar classificados de acordo com o GHS desde 27/01/2011; para os produtos químicos classificados como misturas, este sistema ainda está sendo implementado, tendo como previsão de término da implementação em 01/06/2015 (ABNT, 2009).
O número de regulamentos ambientais e sobre gerenciamento de produtos químicos, que abrangem as indústrias químicas, teve um grande crescimento nos últimos cinquenta anos. Estes regulamentos envolvem desde a segurança do trabalhador, do usuário final do produto químico bem como impactos ambientascausados pelo produto (SAP,2014).
1.2 JUSTIFICATIVA
As indústrias químicas são responsáveis por garantir a segurança de seus produtos, reduzindo o impacto ambiental e o dano à saúde humana que podem ser causados pelo uso inadequado desses produtos. Para garantir esta segurança, as indústrias devem classificar e rotular os produtos produzidos, de forma a fornecer informações importantes sobre sua identificação, periculosidade, manuseio, transporte, entre outras.
É muito importante que a classificação dos produtos químicos seja realizada de forma correta para não prejudicar seus usuários e garantir o seu gerenciamento de forma adequada. Por isso é necessário analisar as formas de classificação e rotulagem dos produtos químicos a fim de atender às exigências dos sistemas de classificação de perigo.
12 A existência de diversos sistemas de classificação, cada um com critérios diferentes dos outros, mostra que a comunicação de perigo dos produtos químicos não é eficaz. A Figura 1 mostra uma substância classificada quanto à sua toxicidade aguda em diversos países, cada um com seu sistema de classificação próprio. Através dela é possível observar as divergências existentes em cada sistema de classificação, já que a mesma substância é caracterizada como tóxica em um país e não tóxica no outro. Esta diferença reflete a necessidade de um sistema unificado de classificação de perigo, onde um produto químico seja classificado igualmente em qualquer parte do mundo, eliminando qualquer falha na comunicação de perigo, garantido a proteção da saúde humana e do meio ambiente.
Figura 1 - Substância classificada quanto à toxicidade aguda de acordo com os sistemas de classificação em alguns países
Fonte: CEFIC, 2015 (adaptado)
Dessa forma, percebe-se a necessidade de estudar e analisar os sistemas de classificação e rotulagem de substâncias químicas existentes e o sistema GHS que está sendo implementado no Brasil, a fim de verificar as diferenças na classificação dos produtos químicos antes e após o uso do GHS, tendo em vista um método simplificado para fazer esta classificação de acordo com a norma brasileira.
13 Através deste estudo será possível fornecer base conceitual sobre o sistema GHS ao público alvo (consumidores e fabricantes de produtos químicos), proporcionando a classificação dos produtos químicos de forma adequada de acordo com a legislação brasileira.
1.3 OBJETIVOS GERAIS
Este trabalho tem como objetivo principal verificar as diferenças de classificação e rotulagem de produtos químicos antes e após a implementação do Globally Harmonized System e propor um método simplificado para a classificação de acordo com esse sistema previsto pela norma brasileira ABNT NBR 14725:2009.
1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Além do objetivo geral deste trabalho, ainda se complementa:
Propor um método simplificado para classificação e rotulagem dos produtos químicos de acordo com o Globally Harmonized System, como previsto pela ABNT NBR 14725:2009.
Fornecer base conceitual sobre o Globally Harmonized System e sua implementação, mostrando a importância deste tema para a engenharia química;
14 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 PRODUTOS QUIMICOS
A Química exerce um papel primordial em nossa compreensão dos fenômenos materiais, em nossa capacidade de agir sobre eles, para mudá-los e controlá-los, portanto a abrangência, a amplitude e a importância da Química para o bem-estar da vida do homem na terra são fatos inquestionáveis (ZUCCO, 2011).
A Indústria Química transforma recursos encontrados na natureza, como por exemplo, carvão, petróleo, minerais; em produtos químicos. Os produtos químicos podem ser agrupados em dois grupos quanto a sua utilização: produtos químicos de uso industrial (produtos inorgânicos, orgânicos, resinas e elastômeros, produtos e preparados químicos diversos) e produtos químicos de uso final (produtos farmacêuticos, adubos, fertilizantes, produtos de limpeza, tintas, vernizes, entre outros) (ABIQUIM, 2012).
Os produtos químicos podem ser classificados também como substância ou mistura. É classificado como substância qualquer elemento químico e seus compostos, obtido por algum processo de produção ou encontrado no estado natural; pode conter aditivo para preservar sua estabilidade ou impurezas decorrentes do processo, porém não pode conter qualquer solvente que possa ser separado sem afetar a estabilidade da substância nem alterar sua composição. É classificado como mistura as misturas ou soluções de duas ou mais substâncias que não reagem entre si (UNECE, 2013).
2.1.1 NÚMERO CAS
A Chemical Abstracts Service (CAS) é uma divisão da Sociedade Química Americana e autoridade mundial em relação à informação química. Trata-se de uma organização mundial que tem como objetivo coletar dados sobre substâncias químicas divulgadas publicamente e mantê-los numa base de dados controlada
15 eficazmente. Dessa forma mantêm um ambiente contendo informação digital completa, segura e atualizada sobre substâncias químicas (CAS, 2015).
O Número CAS é registro utilizado universalmente que identifica uma substância química ou uma estrutura molecular, de forma a prevenir equívocos relacionados a nomes genéricos, triviais, entre outros (CAS, 2015).
2.1.2 BASE DE DADOS
Existem diversas bases de dados públicas onde é possível encontrar dados sobre os produtos químicos. Estas bases de dados fornecem informações relevantes de acordo com o objetivo da pesquisa, que podem ser desde a estrutura da substância química, sua fórmula, classificação de perigo, entre outras. A pesquisa, em quase sua totalidade, é realizada através no número CAS substância química.
A seguir serão relacionadas algumas bases de dados utilizadas neste trabalho.
GESTIS - É um banco de dados sobre substâncias perigosas, mantido pelo Institut für Arbeitsschutz der Deutschen Gesetzlichen Unfallversicherung (IFA, Instituto de Saúde e Segurança Ocupacional do Seguro Social de Acidentes alemão) (IFA, 2015). O GESTIS contém informações para o manuseio seguro de substâncias químicas no ambiente de trabalho, baseadas em regulamentações oficiais, como por exemplo, o GHS (IFA, 2015).
ECHA (The European Chemicals Agency) - A Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) é autoridade em relação à aplicação de legislação de produtos químicos na União Europeia, beneficiando a saúde humana e o meio ambiente (ECHA, 2015). Esta agência fornece informações sobre os produtos químicos de forma a proporcionar sua utilização de forma segura; e auxilia as empresas no cumprimento às legislações vigentes relacionas ao tema (ECHA, 2015).
16
IARC (International Agency for Rerearch on Cancer) - A Agência Internacional de Pesquisa sobre o câncer (IARC – International Agency for Research on Cancer) é o órgão da Organização Mundial de Saúde especializado em câncer, promovendo a colaboração internacional na pesquisa deste tema (IARC, 2015). A Agência é interdisciplinar e possui competências que são utilizadas para identificar as causas do câncer e as medidas de prevenção. Possui uma base de dados muito importante que fornece informações sobre a avaliação de substâncias químicas carcinogênicas e seus riscos à saúde humana (IARC, 2015).
2.2 ROTULAGEM E CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO
Os produtos químicos, desde as etapas de produção até seu manuseio, transporte e utilização, podem ser perigosos para a saúde humana e para o meio ambiente. Pessoas de todas as idades e diversas condições sociais confrontam- se diariamente com produtos perigosos. Em vista disto, há a necessidade da classificação dos produtos químicos, para garantir que seu uso, transporte e eliminação sejam realizados de forma segura, garantindo a proteção humana e do meio ambiente (UNECE, 2014).
A Convenção 170 da Organização Internacional do trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 1998 pelo Decreto 2657, já previa a existência de um critério classificação de perigo bem como um padrão de rotulagem e de ficha de dados de segurança (FONTOURA, 2010). Este decreto estabeleceu que todos os produtos químicos devessem ser classificados, rotulados e também possuir uma ficha de informações de segurança a fim de disponibilizar informações sobre sua identificação, classificação, periculosidade, medidas de precauções e procedimentos de emergência, para garantir a proteção do homem e do meio ambiente (BRASIL, 1998).
Na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, surgiu a demanda pelo
17 desenvolvimento de um Sistema Globalmente Harmonizado de classificação e rotulagem de produtos químicos (GHS – Globally Harmonized System) a fim aumentar a proteção da humanidade e do meio ambiente. Através deste sistema a comunicação de perigos dos produtos químicos seria compreendida internacionalmente, facilitando o comércio internacional de produtos químicos cujos riscos foram devidamente avaliados e identificados em uma base internacional além de reduzir a necessidade de teste e avaliação dos produtos químicos (PRATT, 2002).
2.3 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO E ROTULAGEM ANTERIORES
Extistem diversos sistemas de classificação e rotulagem de produtos químicos utilizados mundialmente antes da implementação do sistema GHS. A seguir serão mostrados alguns destes sistemas.
União Européia - Diretiva 67/548/CEE do Conselho, de 27 de Junho de 1967, relativa à harmonização da classificação, da embalagem e da rotulagem das substâncias perigosas. A classificação das substâncias perigosas baseia-se nas categorias definidas na diretiva, em função do grau mais alto de perigo e da natureza específica dos riscos. Estas categorias incluem as substâncias irritantes e explosivas, inflamáveis, tóxicas, nocivas, etc. Além disso, a rotulagem deve mencionar: nome da substância; a origem da substância (nome e contato do fabricante, distribuidor ou importador); os símbolos e frases dos perigos que represente o emprego da substância; uma nota sobre os riscos específicos derivados desses perigos. Vale ressaltar que esta diretiva não se aplica à medicamentos, cosméticos, substâncias sob a forma de resíduos, alimentos, pesticidas, substâncias radioativas, entre outras (EUROPA, 2011).
18
Canadá - Workplace Hazardous Materials Information System (WHMIS) é um sistema para fornecer informações sobre o uso seguro de materiais perigosos utilizados em locais de trabalho canadenses.
As informações são fornecidas através da rotulagem dos produtos, fichas de segurança e também pela capacitação dos trabalhadores (CCOHS, 2012). Este sistema foi criado em resposta ao direito dos trabalhadores canadenses em terem conhecimento dos riscos à segurança e à saúde que podem estar associados aos produtos químicos que utilizam no trabalho, a fim de reduzir ocorrência de acidentes, doenças, mortes, custos médicos e incêndios causados por produtos perigosos; visto que a exposição a materiais perigosos pode causar muitos efeitos graves à saúde humana (CCOHS, 2012).
Estados Unidos - O Diamante de Hommel é uma simbologia empregada pela Associação Nacional para Proteção contra incêndios dos Estados Unidos, também conhecido mundialmente pelo código NFPA 704 (National Fire Protection Association) (ANDRAOS, 2013).
Diferente de outros sistemas de identificação, o diamante de HOMMEL não informa qual é a substância química, mas indica todos os riscos envolvendo o produto químico em questão (CETESB, 2014).
Neste sistema são usados losangos que expressam tipos de risco em graus que variam de 0 a 4, cada qual especificado por uma cor (branco, azul, amarelo e vermelho), que representam, respectivamente, riscos específicos, riscos à saúde, reatividade e inflamabilidade (CETESB, 2014). Vale ressaltar que o uso deste sistema não é obrigatório e quando considerado apenas o Diamante de HOMMEL sem outras formas de identificação este método de classificação não é completo (ANDRAOS, 2013).
19 2.4 GLOBALLY HARMONIZED SYSTEM (GHS)
Para a prevenção de doenças e invalidez causadas pelo uso inseguro ou pela exposição à produtos químicos perigosos é muito importante a comunicação de risco químico, através da disponibilização de rótulo e ficha de segurança. Esta comunicação de perigo químico tem como objetivo fornecer informações sobre o risco específico do produto a fim de garantir o uso adequado, evitando exposição de forma perigosa (DALVIE; ROTHER; LONDON, 2014).
Os perigos dos produtos químicos podem ser especificados de acordo com critérios de classificação baseados em parâmetros ecotoxicológicos, físicos e químicos. Certo número de regimes nacionais e internacionais tem sido desenvolvido ao longo dos últimos 50 anos. No entanto, a presença de muitos sistemas de classificação de risco de produtos químicos, tanto nacional como internacionalmente, dificulta a compreenção e o gerenciamento adequado desses produtos, gerando certa confusão para o usuário (WINDER; AZZI; WAGNER, 2005).
Dessa forma, o GHS fornece uma estrutura para a classificação de produtos químicos e comunicação de riscos de maneira consistente, servindo como foco para a convergência dos sistemas existentes (WINDER; AZZI;
WAGNER, 2005).
2.4.1 ESTRUTURA DO GHS
Os conceitos do GHS são detalhados no documento chamado "Purple Book", editado pela United Nations Economic Commission for Europe (WALLAU;
SANTOS JR, 2013). Este documento é composto por requisitos técnicos de classificação e de comunicação de perigos, com informações explicativas sobre como aplicar o sistema (ABIQUIM, 2005). De acordo com o esse sistema, os gêneros de perigos são divididos em: perigos físicos, perigos à saúde humana e perigos ao meio ambiente que, por sua vez, são subdivididos em classes de perigos (WALLAU; SANTOS JR, 2013).
20 O GHS não é uma regulamentação, portanto necessita ser aprovado pelos países, que devem criar uma legislação nacional específica (WALLAU; SANTOS JR, 2013). As instruções nele apresentadas fornecem um método para atender às exigências relacionadas à comunicação de perigos, que é principalmente decidir se o produto químico é perigoso e disponibilizar um rótulo e/ou uma FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico) apropriada(ABIQUIM, 2005).
O trabalho técnico de três organizações: OIT, OECD e UNCETDG, fazem parte do documento do GHS. Este trabalho possui informações explicativas e abrange diversos setores, como segurança no transporte e proteção de trabalhadores, de consumidores e do meio ambiente. Ele é estruturado na forma de módulos de implantação, possibilitando à adequação pelos órgãos reguladores nacionais (WALLAU; SANTOS JR, 2013; ABIQUIM, 2005).
2.4.2 CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO
O GHS é aplicável às substâncias químicas puras, suas soluções, bem como à mistura de substâncias; e seu ponto de partida é a identificação e classificação de perigo baseado em critérios previamente estabelecidos (WALLAU; SANTOS JR, 2013; ABIQUIM, 2005). O termo “classificação de perigo”
considera apenas os perigos intrínsecos às propriedades da substância química ou da mistura, e esta classificação é feita através de três etapas:
a) Identificar dados relevantes sobre os perigos de uma substância ou mistura;
b) Revisar estes dados a fim de avaliar e confirmar os perigos associados à substância ou mistura;
c) Decidir se a substância ou mistura será classificada como perigosa e definir seu grau de perigo através da comparação dos dados com os critérios de classificação de perigo (UNECE, 2013).
No Brasil a legislação que rege a classificação de perigo de substâncias e misturas é a ABNT NBR 14725-2:2009 e segundo esta norma as metodologias
21 usadas devem ser as descritas no Manual de Ensaios e Critérios da ONU (ABNT, 2009).
“Para as SUBSTÂNCIAS, outros sistemas de classificação, além dos descritos nesta parte da ABNT NBR 14725, podem ser utilizados até 26.02.2011. A partir de 27.02.2011, os produtos químicos (substâncias) devem ser classificados de acordo com esta parte da ABNT NBR 14725” (ABNTNBR14725-2:2009).
“Para as MISTURAS, outros sistemas de classificação, além dos descritos nesta parte da ABNT NBR 14725, podem ser utilizados até 31.05.2015. A partir de 01.06.2015, os produtos químicos (misturas) devem ser classificados de acordo com esta parte da ABNT NBR 14725” (ABNTNBR14725-2:2009).
2.4.2.1 PERIGOS FÍSICOS
Os critérios de perigos físicos se baseiam naqueles utilizados pelas Nações Unidas nas Recomendações para o Transporte de Produtos Químicos e foram desenvolvidos pela OIT e UNCETDG. São critérios quantitativos ou semi quantitativos, e dentro de uma classe pode haver múltiplos níveis de perigo (ABIQUIM, 2005).
As classificações de perigos físicos definidas no GHS são: explosivos, gases inflamáveis, aerossóis inflamáveis, gases oxidantes, gases sob pressão, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, substâncias autoreativas, líquidos pirofóricos, Sólidos pirofóricos, substâncias autoaquecíveis, substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis, líquidos oxidantes, sólidos oxidantes, peróxidos orgânicos, corrosivo aos metais (ABIQUIM, 2005).
A Figura 2 mostra os pictogramas utilizados na classificação de perigos físicos, com seu respectivo código e denominação utilizada na Norma Brasileira (WALLAU; SANTOS JR., 2013).
22 Figura 2 - Pictogramas de perigos físicos com código e denominação
. Fonte: WALLAU; SANTOS (2013).
2.4.2.2 PERIGOS À SAÚDE E AO MEIO AMBIENTE
Os critérios do GHS para classificação dos perigos à saúde e ao meio ambiente foram baseados em sistemas de classificação já existentes e seu desenvolvimento incluiu:
• Análise dos sistemas já existente, bem como sua base científica, critérios, lógicas e explicação de uso;
• Proposta para critérios harmonizados para cada categoria, desenvolvendo uma proposta em consenso para os casos em que não existiam abordagens similares nos sistemas conhecidos;
• Estabelecidos critérios ambientais e de saúde tanto para substâncias puras quanto para misturas (ABIQUIM, 2005).
A Figura 3 mostra os pictogramas utilizados para classificação de perigos à saúde humana e ao meio ambiente, com seu respectivo código e denominação utilizada na Norma Brasileira (WALLAU; SANTOS JR., 2013).
23 Figura 3 - Pictogramas de perigo para saúde e meio ambiente
Fonte: WALLAU; SANTOS (2013).
Segundo ANBT 14725:2009 parte 2 (ABNT, 2009), os perigos à saúde humana são agrupados em 10 classes:
1. Toxicidade aguda
2. Corrosão e irritação da pele
3. Lesões oculares graves/ irritação ocular 4. Sensibilização respiratória ou da pele 5. Mutagenicidade em células germinativas 6. Carcinogenicidade
7. Toxicidade à reprodução e lactação
8. Toxicidade sistêmica para certos órgãos alvo (exposição única) 9. Toxicidade sistêmica para certos órgãos alvo (exposição repetida) 10. Perigo por aspiração
Os perigos para o meio ambiente segundo o GHS referem-se aos perigos ao ambiente aquático e são determinados a partir das propriedades eco toxicológicas. De acordo com ABNT NBR as substâncias e misturas são classificas em duas classes de perigo: toxicidade aguda e toxicidade crônica (ABNT, 2009).
2.4.3 COMUNICAÇÃO DE PERIGO
As principais ferramentas de comunicação de perigo são os rótulos e as fichas de segurança (FISPQ) (ABIQUIM, 2005). Segundo o GHS os rótulos devem
24 possuir: pictogramas ou símbolos de perigo, palavra de advertência, frase de perigo, frase de recomendação e informações suplementares (WALLAU;
SANTOS JR., 2013; ABIQUIM, 2005).
A norma ABNT 14725-3:2009 é a legislação brasileira que estabelece os critérios para a disponibilização de informações nos rótulos dos produtos químicos classificados como perigosos de acordo com ABNT NBR-2:2009 (ABNT, 2012).
2.4.3.1 ELEMENTOS DO RÓTULO
2.4.3.1.1 PICTOGRAMAS
Os pictogramas incluem símbolos de riscos e outros elementos gráficos, como fronteira, padrão de fundo e cor, que transmitem informações específicas (ABIQUIM, 2005).
Para transporte, os pictogramas seguem o padrão de fundo, cores e símbolos das Recomendações para Transporte de Produtos Perigosos da ONU.
Para outros setores é utilizada uma moldura vermelha em forma de diamante, com o símbolo preto no fundo branco. Vale ressaltar que não deve aparecer o pictograma GHS quando já tiver um pictograma de transporte (ABIQUIM, 2005).
2.4.3.1.2 PALAVRAS DE ADVERTÊNCIA
As palavras de advertência indicam o nível relativo de severidade do perigo e alertam o leitor de um potencial perigo (UNECE, 2013).
Segundo a Norma Brasileira (ABNT, 2012) é utilizada a palavra "PERIGO"
para indicar os perigos mais severos e a palavra "ATENÇÃO" para perigos menos severos. Se a palavra “PERIGO” for utilizada, a palavra “ATENÇÃO” não poderá mais ser utilizada (ABIQUIM, 2005; UNECE, 2013).
25 2.4.3.1.3 FRASES DE PERIGO
As frases de perigos são frases de advertência padronizadas, atribuídas à classe e categoria do perigo, descrevendo a natureza e grau de perigo da substância ou mistura (UNECE, 2013). Estas frases são identificadas por um código que começa com a letra H, mas vale ressaltar que este código não deve substituir o uso da frase (WALLAU; SANTOS JR., 2013). A Figura 4 ilustra a estrutura das frases de perigo.
Figura 4 - Estrutura das frases de perigo
Fonte: WALLAU; SANTOS Jr. (2013).
2.4.3.1.4 FRASES DE PRECAUÇÃO
O rótulo do produto deve incluir frases de precaução pertinentes, podendo conter no máximo seis frases. Estas frases fornecem informações gerais, de prevenção, resposta à emergência, armazenamento e disposição (ABNT, 2012).
Assim como as frases de perigo, as de precaução também possuem um código, mas neste caso inicia-se com a letra P (WALLAU; SANTOS JR., 2013). A Figura 5 ilustra a estrutura das frases de precaução.
26 Figura 5 - Estrutura das frases de precaução
Fonte: WALLAU; SANTOS Jr. (2013).
2.4.3.1.5 INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES
Neste campo podem ser fornecidas outras informações importantes relacionadas ao perigo do produto químico (ABNT, 2012).
2.4.3.2 FISPQ
A FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) fornece informações completas sobre os produtos químicos para seu uso nos locais de trabalho (ABIQUIM, 2005). Nela constam informações sobre o risco, precauções, medidas de emergência, transporte, entre outras. Ela deve ser disponibilizada pelo fabricando ou, em caso de importação, pelo fornecedor do produto químico no mercado nacional (ABIQUIM, 2005; UNECE, 2013; ABNT, 2012).
De acordo com o GHS (UNECE, 2013), a FISPQ deve conter dezesseis capítulos, conforme segue:
1. Identificação;
2. Identificação de perigos;
3. Composição e informações sobre os ingredientes;
4. Medidas de primeiros socorros;
5. Medidas de combate ao incêndio;
6. Medidas para derramamento acidentais;
27 7. Manuseio e armazenagem;
8. Controle de exposição e proteção individual;
9. Propriedades físicas e químicas;
10. Estabilidade e reatividade;
11. Informações toxicológicas;
12. Informações ecológicas;
13. Considerações relativas à disposição;
14. Informações sobre transporte;
15. Informações sobre regulamentações;
16. Outras informações
No Brasil a ABNT NBR 14725:2012 parte 4 (ABNT, 2012) apresenta as informações para a elaboração de uma FISPQ, definindo o modelo de apresentação, as 16 seções obrigatórias bem como sua sequencia e as informações a serem preenchidas. De acordo com a própria norma:
Para substâncias as FISPQ podem ser elaboradas de acordo com a edição anterior desta Norma (ABNT NBR 14725:2009) ou devem ser elaboradas com esta edição antes de 03.02.2013. A partir de 03.02.2013, as FISPQ devem estar de acordo apenas com a nova edição (ABNT NBR 14725-4:2012).
Para misturas as FISPQ podem estar de acordo com as edições anteriores desta norma (ABNT NBR 14725:2005 ou ABNT NBR 14725:2009) ou devem ser elaboradas de acordo com esta edição até 31.05.2015. A partir de 01.06.2015, as FISPQ devem estar de acordo apenas com a nova edição (ABNT NBR 14725-4:2012).
O Fornecedor deve disponibilizar sempre uma versão atualizada da FISPQ.
Assim como os rótulos, as FISPQ devem apresentar a classificação de perigo do produto (ABNT, 2012).
2.5 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é um órgão da administração federal direta e tem competência em diversos assuntos, entre eles os relacionados à saúde e segurança no trabalho (MTE, 2015).
28 Possui em sua estrutura o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), que tem como responsabilidade a fiscalização do ambiente e condições de trabalho, de forma a garantir a saúde dos trabalhadores (MTE, 2015).
O MTE possui legislações que tratam da classificação dos produtos químicos, bem como sua sinalização no local de trabalho. E este órgão tem extrema competência em aplicar medidas legais quando verificado o não cumprimento da legislação por alguma empresa.
2.5.1 NORMA REGULAMENTADORA 26
A Norma Regulamentadora (NR) 26 é uma legislação do Ministério do Trabalho e Emprego e refere-se à sinalização de segurança (BRASIL, 2011).
Esta norma foi aprovada pela Portaria 3.214, de 8 de junho de 1978, e teve sua redação alterada pela Portaria n.º 229, de 24 de maio de 2011, a qual estabeleceu que:
“... os produtos químicos utilizados nos locais de trabalho devem ser classificados quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas.”
A NR 26 define que os produtos químicos além de classificados e rotulados de acordo com o GHS, devem possuir FISPQ neste padrão e define também que os trabalhadores devem ser treinados para compreender a classificação, rotulagem e FISPQ do produto, de forma a garantir sua saúde (BRASIL, 2011).
29 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 MÉTODO DE PESQUISA
A pesquisa científica é classificada através de vários elementos: quanto a sua natureza, aos seus objetivos, a forma de abordar o problema e os métodos utilizados na pesquisa.
Quanto a sua natureza, pode ser classificada como pesquisa básica, aquela que busca o conhecimento sem a preocupação de sua utilização na prática; e pesquisa aplicada, caracterizada pelo interesse em que os resultados sejam aplicados em problemas reais (TURRIONI; MELLO, 2012).
Quanto aos seus objetivos, pode ser classificada em:
• Pesquisa exploratória: envolve levantamento bibliográfico, pesquisa com experiências pessoais e análise de exemplos, a fim de que o problema estudado seja compreendido e que haja a capacidade da contrução de hipóteses.
• Pesquisa descritiva: tem como objetivo descrever a população ou fenômeno atraves de coleta de dados.
• Pesquisa explicativa: envolve a identificação de fatores que explicam a razão para a ocorrência dos fenônemos.
Quanto à forma de abordar o problema, pode ser classificada em quantitativa, aquela que considera conceitos que podem ser medidos e resultados replicados, utilizando técnicas estatísticas; qualitativa, aquela que utiliza a observação e interpretação de fatos analisados sem utilização de métodos estatísticos; e combinada, onde o pesquisador pode utilizar aspectos da pesquisa quantitativa e qualitativa nas etapas de seu processo de pesquisa (TURRIONI;
MELLO, 2012).
Em relação aos métodos de pesquisa, podem ser utilizados experimentos, utilizar levantamentos ou surveys, modelagem e simulação, revisão bibliográfica,
30 estudos de caso, pesquisa-ação e Soft System Methodology (SSM) (TURRIONI;
MELLO, 2012).
3.2 METODOLOGIA UTILIZADA
Este trabalho tem caráter descritivo e o tema abordado é a segurança de produtos químicos, principalmente sua classificação e rotulagem de acordo com o GHS.
Foi realizada uma revisão bibliográfica com proposta de método sobre a classificação e rotulagem de produtos químicos de acordo com o GHS através da coleta de dados em uma empresa multinacional fabricante de produtos químicos.
A partir da coleta e análise de dados foi possível a comparação da classificação de perigo de um produto químico antes a após a utilização do sistema GHS e a elaboração de um método para classificação de produtos químicos de acordo com este critério.
O quadro 1 resume as principais características deste trabalho.
Quadro 1 - Metodologia Utilizada
Fonte: SANTOS (2010)
31 3.2.1 LEVANTAMENTO DE DADOS
Foi realizado um levantamento de dados sobre a implementação do GHS na indústria química através do estudo bibliográfico sobre o tema, coleta de dados na própria empresa e entrevista com os envolvidos.
A coleta de dados na empresa foi realizada na intranet e no site corporativo da própria empresa, e também através de uma entrevista realizada com o coordenador de Segurança de Produto das linhas de adesivos, pigmentos, resinas, aditivos e químicos para papel do site produtivo.
3.2.2 ANÁLISE DE DADOS
A proposta deste trabalho não é apenas levantar dados, mas também fornecer informações importantes ao público alvo (empresas químicas e consumidores de pordutos químicos) em relação à implementação do GHS. A abordagem da pesquisa será qualitativa com base na observação e interpretação de fatos reais, buscando a compreenção do tema abordado.
Após o levantamento dos dados, foi feita sua análise utilizando a fundamentação teórica estudada anteriormente. Desta forma, foi possível analisar o sistema GHS e propor um método simplificado para sua implementação.
32 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ESTUDO DE CAMPO
O estudo de campo teve como objetivo principal verificar a atual situação das indústrias químicas brasileiras em relação à implementação do GHS, em termos de conhecimento de legislação nacional e disponibilização de documentos de segurança de seus produtos.
4.2 ESTUDO DE CASO
A empresa estudada neste trabalho (denominada “Empresa X” por questões de ética e confidencialidade de dados) é uma multinacional química que possui um portfólio de 8000 produtos e tem oferecido importantes contribuições para os segmentos de produtos para agricultura e nutrição, químicos, produtos de performance, plásticos, e petróleo e gás, tendo um de seus maiores sites produtivos está localizado na região do Vale do Paraíba. Neste trabalho apenas as linhas de dispersões e pigmentos foram consideradas.
O estudo de caso foi realizado através de entrevistas com o Coordenador de Segurança de Produto da unidade de negócio dispersões e pigmentos e sua equipe, também através de consulta disponíveis na intranet da empresa.
4.3 MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA
A partir dos estudos realizados foi elaborado uma espécie de “guia” para a classificação de produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na empresa. Vale ressaltar que o GHS não se aplica aos produtos químicos regidos por uma legislação específica, como ocorre no caso de agroquímicos,
33 saneantes, medicamentos. Dessa forma, o modelo proposto em seguida foi generalizado da melhor forma possível.
A Figura 6 apresenta um fluxograma contendo as etapas sugeridas para classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na indústria química; cada etapa será explicada posteriormente.
Figura 6 - Fluxograma: etapas para classificação GHS
Fonte: do autor
4.3.1 ESTUDO DE CAMPO
Primeiramente, é recomendado que a empresa verifique em qual cenário se encontra e se existe alguma legislação específica para o produto químico que ela produz. Por exemplo, se ela é uma empresa produtora de saneantes ou medicamentos o GHS não é aplicável, pois há legislação específica para estes dois ramos de atuação. No entanto, enquanto há a utilização de produtos químicos dentro da planta produtiva, estes devem estar classificados de acordo com o GHS, independente do ramo de atuação da empresa.
34 4.3.2 LEVANTAMENTO DOS PRODUTOS PRODUZIDOS E SUA
COMPOSIÇÃO
Para a realização da classificação dos produtos de acordo com o GHS é necessário fazer um levantamento de todos os produtos químicos que são produzidos pela empresa.
A partir deste levantamento, se faz necessário verificar todas as matérias- primas utilizadas para a fabricação dos produtos e também abrir a composição de cada produto fabricado. Esta etapa é necessária, pois a classificação do produto final é baseada na classificação de cada um de seus componentes e sua quantidade no produto final.
A Figura 7, apresentada a seguir, mostra a composição de um produto fictício que será classificado de acordo com os critérios do GHS nos próximos tópicos.
Figura 7 - Composição do Produto X
Componente Quantidade
A 51,4870%
B 3,8326%
C 2,6112%
D 1,5384%
E 0,4683%
F 0,2395%
G 0,1275%
H 0,0634%
I 0,0034%
J 0,0017%
K 39,6270%
Produto X
Fonte: do autor
35 4.3.3 DISPONIBILIZAR FISPQs DAS MATÉRIAS PRIMAS DE ACORDO COM
GHS
Um tópico importante é a disponibilidade das FISPQs das matérias primas.
Todas as matérias primas utilizadas na empresa devem possuir FISPQ atualizada de acordo com o GHS e é responsabilidade da empresa de buscar com seus fornecedores esse documento atualizado.
Vale ressaltar que a empresa pode ser notificada ou até mesmo ter sua planta produtiva interditada caso Ministério do Trabalho verifique que a mesma não possui FISPQ de matérias-primas atualizadas de acordo com o GHS e que os operadores trabalham com documentos desatualizados.
A responsabilidade da disponibilização de documentos atualizados é da própria empresa, que deve garantir que tanto as FISPQs dos produtos acabados quanto das matérias-primas estejam classificadas de acordo com o GHS conforme a Norma Brasileira NBR 14725.
4.3.4 CLASSIFICAÇÃO GHS DE CADA COMPONENTE DO PRODUTO FINAL
Outra etapa muito importante é a verificação da classificação GHS de cada componente do produto final, pois, como dito anteriormente, a classificação do produto que se deseja classificar depende da classificação de cada um de seus componentes.
Para encontrar a classificação dos componentes é preciso verificar a FISPQ deste componente ou, no caso desta não estar atualizada, podemos encontrar sua classificação em alguma base de dados disponível, como por exemplo, GESTIS, ECHA e IARC descritas anteriormente. No caso de procurar a classificação do componente em alguma base de dados deve-se ter em mãos o número CAS do mesmo.
No caso do produto X, a classificação de cada componente será mostrada a seguir, conforme Figura 8.
36 Figura 8 - Classificação GHS dos componentes do Produto X
Fonte: do autor
37 4.3.5 INICIAR A CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO FINAL DE ACORDO COM
GHS CONFORME LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ABNT NBR 14725
Para realizar a classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS é necessário verificar a legislação brasileira que rege este tema, no caso a ABNT NBR 14725.
Iniciando a classificação, deve-se primeiramente verificar quais são as propriedades aditivas e não aditivas. A seguir serão ilustradas quais as propriedades são aditivas e quais não são, e em relação ao produto X quais são as propriedades obtidas.
Propriedades aditivas, segundo ABNT NBR 14725-1, são as propriedades que possuem efeito aditivo. Este é caracterizado por: “efeito quantitativamente igual à soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”. Já as propriedades não aditivas são as que possuem efeito sinérgico, que é caracterizado na norma por: “efeito quantitativamente maior que a soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”.
A Figura 9 mostra quais propriedades são consideradas aditivas e não aditivas de acordo com a Norma ABNT NBR 14725.
Figura 9 - Propriedades Aditivas e Não aditivas
Fonte: do autor
38 Após a verificação das propriedades aditivas e não aditivas presentes na composição do produto X deve-se iniciar classificação do produto.
4.3.5.1 PROPRIEDADES NÃO ADITIVAS
Primeiramente classifica-se o produto em relação aos seus componentes que apresentam propriedades não aditivas. Neste caso, conforme Figura 10, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como sensibilizante à pele, toxicidade para certos órgãos alvos (exposição única e repetida) e toxicidade por aspiração.
Figura 10 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades não aditivas
Componente Quantidade Classificação GHS tipo de
propriedade
B 3,8326% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -
categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva
D 1,5384% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva
E 0,4683% Perigo por aspiração - categoria 1 não aditiva
E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição
repetida - categoria 1 não aditiva
E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -
categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva G 0,1275% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -
categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva
H 0,0634% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva
I 0,0034% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -
categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva
J 0,0017% Sensibilização à pele - categoria 1A não aditiva
Produto X
Fonte: do autor
4.3.5.1.1 SENSIBILIZAÇÃO À PELE
O produto X possui em sua composição três componentes classificados como sensibilizante à pele (D, H e J). Segundo a norma NBR 14725, para o produto final ser classificado como sensibilizante à pele, é necessário que possua no mínimo 0,1% de um componente com esta classificação. A Figura 11 mostra todos os componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele e através dela pode-se verificar que o componente D garante que o produto final
39 obtenha esta classificação. A Figura 12 mostra os limites de corte utilizados na classificação de uma mistura como sensibilizante à pele.
Figura 11 - Componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele
Fonte: do autor
Figura 12 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificada como sensibilizante à pele ou respiratório que geram a classificação da
mistura
Fonte: ABNT, 2009.
Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 13 mostra quais destes elementos acompanham a classificação de sensibilizante à pele.
40 Figura 13 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a
categoria “Sensibilização à pele”
Fonte: ABNT, 2012
4.3.5.1.2 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO ÚNICA
O produto X possui em sua composição, componentes classificados como
“tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. No entanto, a norma brasileira ABNT NBR 14725-2, no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura, não apresenta limite de corte para a categoria 3. Dessa forma, foi verificado no Purple Book algumas instruções de como continuar com a classificação neste caso. A partir daí foi estabelecido que o produto que se deseja classificar carregará a classificação “toxicidade para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3” apenas quando apresentar mais de 20% de algum componente que possua a classificação em questão. Dessa forma o produto X não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. A Figura 14 apresenta os componentes do Produto X classificados como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única” e a Figura 15 apresenta os limites de corte
41 utilizados para classificar uma mistura como tóxica para órgãos-alvo específicos exposição única.
Figura 14 - Componentes do Produto X classificados como tóxico sistêmico para órgão- alvo específico, exposição única
Fonte: do autor
Figura 15 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificados como agente tóxico sistêmico para órgão-alvo específico que determinam a
classificação da mistura nas categorias 1 e 2
Fonte: ABNT, 2009
4.3.5.1.3 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO REPETIDA
O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1”.
Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 1% de um componente com esta classificação, conforme Figura 15. No caso do produto X isto não ocorre,
42 conforme Figura 16 que mostra o componente classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida; portanto ele não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida”.
Figura 16 - Componente do Produto X classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida
Fonte: do autor
4.3.5.1.4 PERIGO POR ASPIRAÇÃO
O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1”. Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 10% de um ou mais componentes com esta classificação e obedecer à especificação de viscosidade, conforme imagens a seguir. No caso do Produto X isto não ocorre, como pode ser observado na Figura 18, que mostra o componente classificado como perigoso por aspiração; portanto ele não será classificado como “perigoso por aspiração”. A Figura 17 mostra os critérios para classificação de uma mistura como perigosa por aspiração.
43 Figura 17 - Critério de classificação de mistura como perigosa por aspiração quando há
dados disponíveis para todos ou apenas alguns componentes
Fonte: ABNT, 2009.
Figura 18 - Componente do Produto X classificado como perigoso por aspiração
Fonte: do autor
4.3.5.2 PROPRIEDADES ADITIVAS
Após realizar a classificação do produto em relação às propriedades não aditivas deve-se classificá-lo quanto às propriedades aditivas. Neste caso, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como corrosivo/irritante à pele, tóxico pra o ambiente aquático (crônico e agudo) e irritante aos olhos, conforme Figura 19 que mostra as propriedades aditivas encontradas no Produto X.
44 Figura 19 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades aditivas
Fonte: do autor
4.3.5.2.1 CORROSÃO E IRRITAÇÃO À PELE
O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como corrosivo/irritante à pele (B, C, E, F, G, H, I e J), mostrados na Figura 20.
Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como corrosivo/irritante à pele, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração.
Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada componente de porcentagem para PPM (parte por milhão), multiplicando o valor em porcentagem por dez a sexta para obtê-lo em PPM. Após a conversão,
45 somaram-se as quantidades da cada categoria segundo instruções da norma ABNT NBR 14725 e os valores obtidos foram convertidos para porcentagem a fim de verificar os valore de corte.
A Figura 21 mostra a soma das quantidades dos componentes que possuem esta classificação. Já a Figura 22 indica os limites de corte para classificar uma mistura quanto à corrosão ou irritação à pele. A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “corrosivo para a pele, categoria 2”.
Figura 20- Componentes do Produto X classificados como corrosivo/irritante à pele
Fonte: do autor
Figura 21 – Soma das concentrações dos ingredientes classificados como corrosivo/irritante à pele
Fonte: do autor
46 Figura 22 – Limite de corte das concentrações dos ingredientes das misturas classificadas nas categorias 1, 2 ou 3, que determinam a classificação da mistura como
corrosiva/irritante à pele
Fonte: ABNT, 2009
Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 23 mostra quais destes elementos acompanham a classificação corrosão/irritação à pele.
47 Figura 23 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de precaução para a
categoria “corrosão/irritação à pele”
Fonte: ABNT, 2012
4.3.5.2.2 LESÕES OCULARES GRAVES/IRRITAÇÃO OCULAR
O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como irritante aos olhos (B, C, D, E, F, G, H, I e J), como mostrado na Figura 24.
Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como irritante aos olhos, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração, do mesmo modo que é realizada a classificação de corrosão/irritação à pele. Os valores de corte para esta categoria são mostrados na Figura 26.
Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada