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MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA

No documento MARÍLIA FONSECA BALOTA (páginas 34-0)

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.3 MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA

A partir dos estudos realizados foi elaborado uma espécie de “guia” para a classificação de produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na empresa. Vale ressaltar que o GHS não se aplica aos produtos químicos regidos por uma legislação específica, como ocorre no caso de agroquímicos,

33 saneantes, medicamentos. Dessa forma, o modelo proposto em seguida foi generalizado da melhor forma possível.

A Figura 6 apresenta um fluxograma contendo as etapas sugeridas para classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na indústria química; cada etapa será explicada posteriormente.

Figura 6 - Fluxograma: etapas para classificação GHS

Fonte: do autor

4.3.1 ESTUDO DE CAMPO

Primeiramente, é recomendado que a empresa verifique em qual cenário se encontra e se existe alguma legislação específica para o produto químico que ela produz. Por exemplo, se ela é uma empresa produtora de saneantes ou medicamentos o GHS não é aplicável, pois há legislação específica para estes dois ramos de atuação. No entanto, enquanto há a utilização de produtos químicos dentro da planta produtiva, estes devem estar classificados de acordo com o GHS, independente do ramo de atuação da empresa.

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A partir deste levantamento, se faz necessário verificar todas as matérias-primas utilizadas para a fabricação dos produtos e também abrir a composição de cada produto fabricado. Esta etapa é necessária, pois a classificação do produto final é baseada na classificação de cada um de seus componentes e sua quantidade no produto final.

A Figura 7, apresentada a seguir, mostra a composição de um produto fictício que será classificado de acordo com os critérios do GHS nos próximos tópicos.

Figura 7 - Composição do Produto X

Componente Quantidade

35 4.3.3 DISPONIBILIZAR FISPQs DAS MATÉRIAS PRIMAS DE ACORDO COM

GHS

Um tópico importante é a disponibilidade das FISPQs das matérias primas.

Todas as matérias primas utilizadas na empresa devem possuir FISPQ atualizada de acordo com o GHS e é responsabilidade da empresa de buscar com seus fornecedores esse documento atualizado.

Vale ressaltar que a empresa pode ser notificada ou até mesmo ter sua planta produtiva interditada caso Ministério do Trabalho verifique que a mesma não possui FISPQ de matérias-primas atualizadas de acordo com o GHS e que os operadores trabalham com documentos desatualizados.

A responsabilidade da disponibilização de documentos atualizados é da própria empresa, que deve garantir que tanto as FISPQs dos produtos acabados quanto das matérias-primas estejam classificadas de acordo com o GHS conforme a Norma Brasileira NBR 14725.

4.3.4 CLASSIFICAÇÃO GHS DE CADA COMPONENTE DO PRODUTO FINAL

Outra etapa muito importante é a verificação da classificação GHS de cada componente do produto final, pois, como dito anteriormente, a classificação do produto que se deseja classificar depende da classificação de cada um de seus componentes.

Para encontrar a classificação dos componentes é preciso verificar a FISPQ deste componente ou, no caso desta não estar atualizada, podemos encontrar sua classificação em alguma base de dados disponível, como por exemplo, GESTIS, ECHA e IARC descritas anteriormente. No caso de procurar a classificação do componente em alguma base de dados deve-se ter em mãos o número CAS do mesmo.

No caso do produto X, a classificação de cada componente será mostrada a seguir, conforme Figura 8.

36 Figura 8 - Classificação GHS dos componentes do Produto X

Fonte: do autor

37 4.3.5 INICIAR A CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO FINAL DE ACORDO COM

GHS CONFORME LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ABNT NBR 14725

Para realizar a classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS é necessário verificar a legislação brasileira que rege este tema, no caso a ABNT NBR 14725.

Iniciando a classificação, deve-se primeiramente verificar quais são as propriedades aditivas e não aditivas. A seguir serão ilustradas quais as propriedades são aditivas e quais não são, e em relação ao produto X quais são as propriedades obtidas.

Propriedades aditivas, segundo ABNT NBR 14725-1, são as propriedades que possuem efeito aditivo. Este é caracterizado por: “efeito quantitativamente igual à soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”. Já as propriedades não aditivas são as que possuem efeito sinérgico, que é caracterizado na norma por: “efeito quantitativamente maior que a soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”.

A Figura 9 mostra quais propriedades são consideradas aditivas e não aditivas de acordo com a Norma ABNT NBR 14725.

Figura 9 - Propriedades Aditivas e Não aditivas

Fonte: do autor

38 Após a verificação das propriedades aditivas e não aditivas presentes na composição do produto X deve-se iniciar classificação do produto.

4.3.5.1 PROPRIEDADES NÃO ADITIVAS

Primeiramente classifica-se o produto em relação aos seus componentes que apresentam propriedades não aditivas. Neste caso, conforme Figura 10, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como sensibilizante à pele, toxicidade para certos órgãos alvos (exposição única e repetida) e toxicidade por aspiração.

Figura 10 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades não aditivas

Componente Quantidade Classificação GHS tipo de

propriedade

B 3,8326% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

D 1,5384% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Perigo por aspiração - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição

repetida - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva G 0,1275% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

H 0,0634% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva

I 0,0034% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

J 0,0017% Sensibilização à pele - categoria 1A não aditiva

Produto X

Fonte: do autor

4.3.5.1.1 SENSIBILIZAÇÃO À PELE

O produto X possui em sua composição três componentes classificados como sensibilizante à pele (D, H e J). Segundo a norma NBR 14725, para o produto final ser classificado como sensibilizante à pele, é necessário que possua no mínimo 0,1% de um componente com esta classificação. A Figura 11 mostra todos os componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele e através dela pode-se verificar que o componente D garante que o produto final

39 obtenha esta classificação. A Figura 12 mostra os limites de corte utilizados na classificação de uma mistura como sensibilizante à pele.

Figura 11 - Componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele

Fonte: do autor

Figura 12 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificada como sensibilizante à pele ou respiratório que geram a classificação da

mistura

Fonte: ABNT, 2009.

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 13 mostra quais destes elementos acompanham a classificação de sensibilizante à pele.

40 Figura 13 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a

categoria “Sensibilização à pele”

Fonte: ABNT, 2012

4.3.5.1.2 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO ÚNICA

O produto X possui em sua composição, componentes classificados como

“tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. No entanto, a norma brasileira ABNT NBR 14725-2, no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura, não apresenta limite de corte para a categoria 3. Dessa forma, foi verificado no Purple Book algumas instruções de como continuar com a classificação neste caso. A partir daí foi estabelecido que o produto que se deseja classificar carregará a classificação “toxicidade para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3” apenas quando apresentar mais de 20% de algum componente que possua a classificação em questão. Dessa forma o produto X não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. A Figura 14 apresenta os componentes do Produto X classificados como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única” e a Figura 15 apresenta os limites de corte

41 utilizados para classificar uma mistura como tóxica para órgãos-alvo específicos exposição única.

Figura 14 - Componentes do Produto X classificados como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição única

Fonte: do autor

Figura 15 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificados como agente tóxico sistêmico para órgão-alvo específico que determinam a

classificação da mistura nas categorias 1 e 2

Fonte: ABNT, 2009

4.3.5.1.3 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO REPETIDA

O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1”.

Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 1% de um componente com esta classificação, conforme Figura 15. No caso do produto X isto não ocorre,

42 conforme Figura 16 que mostra o componente classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida; portanto ele não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida”.

Figura 16 - Componente do Produto X classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida

Fonte: do autor

4.3.5.1.4 PERIGO POR ASPIRAÇÃO

O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1”. Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 10% de um ou mais componentes com esta classificação e obedecer à especificação de viscosidade, conforme imagens a seguir. No caso do Produto X isto não ocorre, como pode ser observado na Figura 18, que mostra o componente classificado como perigoso por aspiração; portanto ele não será classificado como “perigoso por aspiração”. A Figura 17 mostra os critérios para classificação de uma mistura como perigosa por aspiração.

43 Figura 17 - Critério de classificação de mistura como perigosa por aspiração quando há

dados disponíveis para todos ou apenas alguns componentes

Fonte: ABNT, 2009.

Figura 18 - Componente do Produto X classificado como perigoso por aspiração

Fonte: do autor

4.3.5.2 PROPRIEDADES ADITIVAS

Após realizar a classificação do produto em relação às propriedades não aditivas deve-se classificá-lo quanto às propriedades aditivas. Neste caso, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como corrosivo/irritante à pele, tóxico pra o ambiente aquático (crônico e agudo) e irritante aos olhos, conforme Figura 19 que mostra as propriedades aditivas encontradas no Produto X.

44 Figura 19 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades aditivas

Fonte: do autor

4.3.5.2.1 CORROSÃO E IRRITAÇÃO À PELE

O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como corrosivo/irritante à pele (B, C, E, F, G, H, I e J), mostrados na Figura 20.

Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como corrosivo/irritante à pele, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração.

Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada componente de porcentagem para PPM (parte por milhão), multiplicando o valor em porcentagem por dez a sexta para obtê-lo em PPM. Após a conversão,

45 somaram-se as quantidades da cada categoria segundo instruções da norma ABNT NBR 14725 e os valores obtidos foram convertidos para porcentagem a fim de verificar os valore de corte.

A Figura 21 mostra a soma das quantidades dos componentes que possuem esta classificação. Já a Figura 22 indica os limites de corte para classificar uma mistura quanto à corrosão ou irritação à pele. A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “corrosivo para a pele, categoria 2”.

Figura 20- Componentes do Produto X classificados como corrosivo/irritante à pele

Fonte: do autor

Figura 21 – Soma das concentrações dos ingredientes classificados como corrosivo/irritante à pele

Fonte: do autor

46 Figura 22 Limite de corte das concentrações dos ingredientes das misturas classificadas nas categorias 1, 2 ou 3, que determinam a classificação da mistura como

corrosiva/irritante à pele

Fonte: ABNT, 2009

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 23 mostra quais destes elementos acompanham a classificação corrosão/irritação à pele.

47 Figura 23 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de precaução para a

categoria “corrosão/irritação à pele”

Fonte: ABNT, 2012

4.3.5.2.2 LESÕES OCULARES GRAVES/IRRITAÇÃO OCULAR

O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como irritante aos olhos (B, C, D, E, F, G, H, I e J), como mostrado na Figura 24.

Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como irritante aos olhos, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração, do mesmo modo que é realizada a classificação de corrosão/irritação à pele. Os valores de corte para esta categoria são mostrados na Figura 26.

Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada

48 componente de porcentagem para PPM (parte por milhão), multiplicando o valor em porcentagem por dez a sexta para obtê-lo em PPM. Após a conversão, somaram-se as quantidades da cada categoria segundo instruções da norma ABNT NBR 14725 e os valores obtidos foram convertidos para porcentagem a fim de verificar os valore de corte. A Figura 25 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como irritante aos olhos.

A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “irritante aos olhos, categoria 1”.

Figura 24 - Componentes do Produto X classificados como irritante aos olhos

Fonte: do autor

Figura 25 - Soma das concentrações dos ingredientes classificados como irritante aos olhos

Fonte: do autor

49 Figura 26 - Limite de corte da concentração de uma mistura classificada como categoria 1

ou 2 (ocular), que determina a classificação das misturas como causadoras de dano ocular (categoria 1 ou 2)

Fonte: ABNT, 2009

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão, conforme imagem a seguir. A Figura 27 mostra quais destes elementos acompanham a categoria lesões oculares graves/ irritação ocular.

Figura 27 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a categoria “Lesões oculares graves/irritação ocular”

Fonte: ABNT, 2012

50 4.3.5.2.3 TOXICIDADE AGUDA - AMBIENTE AQUÁTICO

Da mesma maneira que foram realizadas as classificações das propriedades aditivas anteriores, deve-se proceder para classificar o produto quanto à toxicidade aguda em ambiente aquático.

Foi verificado que o produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como tóxico agudo para o ambiente aquático (B, D, E, F, G, H, e J), como mostrado na Figura 28. Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado nesta categoria, é necessário que a soma das quantidades de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração. Os limites de corte para esta categoria são mostrados na Figura 30. Além disso, existe ainda um fator que pode aumentar a toxicidade do produto, o fator M. A Figura 31 mostra os valores que podem ser utilizados. Este fator, se disponível para o componente presente na mistura, deve multiplicar a quantidade do componente em questão. Por exemplo, o componente H possui fator M igual a dez, então na soma das quantidades dos compostos, deve-se multiplicar o valor do componente H (634 PPM) por dez e somá-lo às demais quantidades, conforme realizado anteriormente. Lembrando que primeiramente foram convertidos os valores de porcentagem para PPM e após a soma das quantidades dos compostos, retornou-se para porcentagem.

A Figura 29 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático.

A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “perigoso ao ambiente aquático, efeito agudo, categoria 3”.

51 Figura 28 - Componentes do Produto X classificados como tóxico agudo ao ambiente

aquático

Fonte: do autor

Figura 29 - Soma das concentrações dos ingredientes classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático

Fonte: do autor

Figura 30 - Limite de corte da classificação de toxicidade aguda de uma mistura, baseada na soma das concentrações dos ingredientes classificados

Fonte:ABNT, 2009

52 Figura 31 - Fatores multiplicativos para ingredientes altamente tóxicos

Fonte: ABNT, 2009

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão, conforme imagem a seguir. A Figura 32 mostra quais destes elementos acompanham a categoria “Perigoso ao ambiente aquático – agudo”.

53 Figura 32 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a

categoria “Perigoso ao ambiente aquático - Agudo”

Fonte: ABNT,2012

4.3.5.2.4 TOXICIDADE CRÔNICA - AMBIENTE AQUÁTICO

Da mesma maneira que foi realizada a classificação quanto à toxicidade ao ambiente aquático, efeito agudo; deve ser feita a classificação quanto ao efeito crônico.

Foi verificado que o produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como tóxico crônico para o ambiente aquático, como mostrado na Figura 33. Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado nesta categoria, é necessário que a soma das quantidades de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração. Os limites de corte para esta categoria são mostrados na Figura 35.

A Figura 34 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como tóxico crônico ao ambiente aquático. A partir dos valores

54 obtidos verifica-se que o Produto X não se classifica como “perigoso ao ambiente aquático, efeito crônico”.

Figura 33 - Componentes do Produto X classificados como tóxico crônico ao ambiente aquático

Fonte: do autor

Figura 34 Soma das concentrações dos ingredientes classificados como tóxico crônico ao ambiente aquático

Fonte: do autor

Figura 35 - Limite de corte da classificação de toxicidade crônica de uma mistura, baseada na soma da concentração dos ingredientes classificados

Fonte: ABNT, 2009

55 4.3.5.2.5 COMPONENTES NÃO CLASSIFICADOS COMO PERIGOSOS

O produto X possui ainda em sua composição, componentes que foram avaliados de acordo com o GHS porém não foram classificados como perigosos de acordo com este critério, coforme mostrado na Figura 36. Sendo assim, esses componentes não contribuem para nenhum outro perigo específico destacados anteriomente.

Figura 36 - Componentes do Produto X classificado não perigosos

Fonte: do autor

4.3.6 ATUALIZAR A FISPQ E RÓTULOS DOS PRODUTOS FINAIS DE ACORDO COM GHS CONFORME LEGISLAÇÃO ABNT NBR 14725

Depois de realizada a classificação do produto final de acordo com a legislação brasileira ABNT NBR 14725, segundo critérios do GHS, deve-se atualizar a FISPQ e o rótulo dos produtos e fornecer a versão atualizada da FISPQ aos clientes; de forma a garantir seu uso de maneira adequada, protegendo assim a saúde humana e o meio ambiente.

No caso do Produto X, a classificação final foi: sensibilizante à pele categoria 1, corrosão e irritação à pele categoria 2, lesões oculares graves/irritação ocular categoria 1 e toxicidade aguda ao ambiente aquático categoria 3. A Figura 37 mostra a classificação final do Produto X bem como os pictogramas, frases de perigo e palavra de perigo que devem ser empregadas.

56 Figura 37 - Classificação final do Produto X

Fonte: do autor

É necessária também a verificação das frases de precaução pertinentes à classificação do produto, as quais devem estar presentes no rótulo e na FISPQ.

No caso do Produto X, as frases pertinentes são as mostradas na figura 38, a seguir.

Figura 38 - Frases de Precaução do Produto X

Fonte: do autor

57

4.3.7 MANTER FISPQS DAS MATÉRIAS PRIMAS E PRODUTOS ACABADOS SEMPRE ATUALIZADAS

É muito importante ressaltar que as FISPQs tanto de matéria prima quanto de produtos acabados devem estar sempre atualizadas, garantindo a utilização do produto de forma correta, evitando danos à saúde humana e ao meio ambiente.

Em relação às FISPQs de matéria prima, deve-se buscar com o fornecedor sempre a versão mais atualizada, pois é de responsabilidade da empresa disponibilizar aos seus funcionários o documento atualizado.

No caso dos produtos acabados, deve-se realizar a atualização da FISPQ sempre que houver mudança na composição do produto ou em alguma característica relevante, que deve ser informada na FISPQ, ou também quando houver mudança na legislação que rege a classificação do produto em questão.

4.3.8 COMPARAÇÃO ANTES E DEPOIS DO GHS

Depois de realizada a classificação GHS do Produto X e confeccionada sua FISPQ de acordo com este critério, foi feita uma comparação com a FISPQ do mesmo produto baseada na legislação Europeia, Diretiva 67/548/CEE.

Antes de entrar em vigor a legislação brasileira ABNT NBR 14725, a forma de classificação e rotulagem no Brasil não tinha um critério definido, sendo que

58 cada empresa poderia adotar o critério que lhe fosse conveniente, baseado em alguma legislação estrangeira, conforme exemplos já definidos anteriormente.

Dessa forma observa-se que a FISPQ antes do GHS não possui um padrão definido e que dependendo do critério utilizado, os pictogramas divergem e podem causar falha na interpretação do perigo do produto.

No Apêndice B pode ser encontrada a FISPQ do Produto X elaborada segundo critérios da Diretiva Europeia 67/548/CEE.

No Apêndice B pode ser encontrada a FISPQ do Produto X elaborada segundo critérios da Diretiva Europeia 67/548/CEE.

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