2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO E ROTULAGEM ANTERIORES
Extistem diversos sistemas de classificação e rotulagem de produtos químicos utilizados mundialmente antes da implementação do sistema GHS. A seguir serão mostrados alguns destes sistemas.
União Européia - Diretiva 67/548/CEE do Conselho, de 27 de Junho de 1967, relativa à harmonização da classificação, da embalagem e da rotulagem das substâncias perigosas. A classificação das substâncias perigosas baseia-se nas categorias definidas na diretiva, em função do grau mais alto de perigo e da natureza específica dos riscos. Estas categorias incluem as substâncias irritantes e explosivas, inflamáveis, tóxicas, nocivas, etc. Além disso, a rotulagem deve mencionar: nome da substância; a origem da substância (nome e contato do fabricante, distribuidor ou importador); os símbolos e frases dos perigos que represente o emprego da substância; uma nota sobre os riscos específicos derivados desses perigos. Vale ressaltar que esta diretiva não se aplica à medicamentos, cosméticos, substâncias sob a forma de resíduos, alimentos, pesticidas, substâncias radioativas, entre outras (EUROPA, 2011).
18
Canadá - Workplace Hazardous Materials Information System (WHMIS) é um sistema para fornecer informações sobre o uso seguro de materiais perigosos utilizados em locais de trabalho canadenses.
As informações são fornecidas através da rotulagem dos produtos, fichas de segurança e também pela capacitação dos trabalhadores (CCOHS, 2012). Este sistema foi criado em resposta ao direito dos trabalhadores canadenses em terem conhecimento dos riscos à segurança e à saúde que podem estar associados aos produtos químicos que utilizam no trabalho, a fim de reduzir ocorrência de acidentes, doenças, mortes, custos médicos e incêndios causados por produtos perigosos; visto que a exposição a materiais perigosos pode causar muitos efeitos graves à saúde humana (CCOHS, 2012).
Estados Unidos - O Diamante de Hommel é uma simbologia empregada pela Associação Nacional para Proteção contra incêndios dos Estados Unidos, também conhecido mundialmente pelo código NFPA 704 (National Fire Protection Association) (ANDRAOS, 2013).
Diferente de outros sistemas de identificação, o diamante de HOMMEL não informa qual é a substância química, mas indica todos os riscos envolvendo o produto químico em questão (CETESB, 2014).
Neste sistema são usados losangos que expressam tipos de risco em graus que variam de 0 a 4, cada qual especificado por uma cor (branco, azul, amarelo e vermelho), que representam, respectivamente, riscos específicos, riscos à saúde, reatividade e inflamabilidade (CETESB, 2014). Vale ressaltar que o uso deste sistema não é obrigatório e quando considerado apenas o Diamante de HOMMEL sem outras formas de identificação este método de classificação não é completo (ANDRAOS, 2013).
19 2.4 GLOBALLY HARMONIZED SYSTEM (GHS)
Para a prevenção de doenças e invalidez causadas pelo uso inseguro ou pela exposição à produtos químicos perigosos é muito importante a comunicação de risco químico, através da disponibilização de rótulo e ficha de segurança. Esta comunicação de perigo químico tem como objetivo fornecer informações sobre o risco específico do produto a fim de garantir o uso adequado, evitando exposição de forma perigosa (DALVIE; ROTHER; LONDON, 2014).
Os perigos dos produtos químicos podem ser especificados de acordo com critérios de classificação baseados em parâmetros ecotoxicológicos, físicos e químicos. Certo número de regimes nacionais e internacionais tem sido desenvolvido ao longo dos últimos 50 anos. No entanto, a presença de muitos sistemas de classificação de risco de produtos químicos, tanto nacional como internacionalmente, dificulta a compreenção e o gerenciamento adequado desses produtos, gerando certa confusão para o usuário (WINDER; AZZI; WAGNER, 2005).
Dessa forma, o GHS fornece uma estrutura para a classificação de produtos químicos e comunicação de riscos de maneira consistente, servindo como foco para a convergência dos sistemas existentes (WINDER; AZZI;
WAGNER, 2005).
2.4.1 ESTRUTURA DO GHS
Os conceitos do GHS são detalhados no documento chamado "Purple Book", editado pela United Nations Economic Commission for Europe (WALLAU;
SANTOS JR, 2013). Este documento é composto por requisitos técnicos de classificação e de comunicação de perigos, com informações explicativas sobre como aplicar o sistema (ABIQUIM, 2005). De acordo com o esse sistema, os gêneros de perigos são divididos em: perigos físicos, perigos à saúde humana e perigos ao meio ambiente que, por sua vez, são subdivididos em classes de perigos (WALLAU; SANTOS JR, 2013).
20 O GHS não é uma regulamentação, portanto necessita ser aprovado pelos países, que devem criar uma legislação nacional específica (WALLAU; SANTOS JR, 2013). As instruções nele apresentadas fornecem um método para atender às exigências relacionadas à comunicação de perigos, que é principalmente decidir se o produto químico é perigoso e disponibilizar um rótulo e/ou uma FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico) apropriada(ABIQUIM, 2005).
O trabalho técnico de três organizações: OIT, OECD e UNCETDG, fazem parte do documento do GHS. Este trabalho possui informações explicativas e abrange diversos setores, como segurança no transporte e proteção de trabalhadores, de consumidores e do meio ambiente. Ele é estruturado na forma de módulos de implantação, possibilitando à adequação pelos órgãos reguladores nacionais (WALLAU; SANTOS JR, 2013; ABIQUIM, 2005).
2.4.2 CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO
O GHS é aplicável às substâncias químicas puras, suas soluções, bem como à mistura de substâncias; e seu ponto de partida é a identificação e classificação de perigo baseado em critérios previamente estabelecidos (WALLAU; SANTOS JR, 2013; ABIQUIM, 2005). O termo “classificação de perigo”
considera apenas os perigos intrínsecos às propriedades da substância química ou da mistura, e esta classificação é feita através de três etapas:
a) Identificar dados relevantes sobre os perigos de uma substância ou mistura;
b) Revisar estes dados a fim de avaliar e confirmar os perigos associados à substância ou mistura;
c) Decidir se a substância ou mistura será classificada como perigosa e definir seu grau de perigo através da comparação dos dados com os critérios de classificação de perigo (UNECE, 2013).
No Brasil a legislação que rege a classificação de perigo de substâncias e misturas é a ABNT NBR 14725-2:2009 e segundo esta norma as metodologias
21 usadas devem ser as descritas no Manual de Ensaios e Critérios da ONU (ABNT, 2009).
“Para as SUBSTÂNCIAS, outros sistemas de classificação, além dos descritos nesta parte da ABNT NBR 14725, podem ser utilizados até 26.02.2011. A partir de 27.02.2011, os produtos químicos (substâncias) devem ser classificados de acordo com esta parte da ABNT NBR 14725” (ABNTNBR14725-2:2009).
“Para as MISTURAS, outros sistemas de classificação, além dos descritos nesta parte da ABNT NBR 14725, podem ser utilizados até 31.05.2015. A partir de 01.06.2015, os produtos químicos (misturas) devem ser classificados de acordo com esta parte da ABNT NBR 14725” (ABNTNBR14725-2:2009).
2.4.2.1 PERIGOS FÍSICOS
Os critérios de perigos físicos se baseiam naqueles utilizados pelas Nações Unidas nas Recomendações para o Transporte de Produtos Químicos e foram desenvolvidos pela OIT e UNCETDG. São critérios quantitativos ou semi quantitativos, e dentro de uma classe pode haver múltiplos níveis de perigo (ABIQUIM, 2005).
As classificações de perigos físicos definidas no GHS são: explosivos, gases inflamáveis, aerossóis inflamáveis, gases oxidantes, gases sob pressão, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, substâncias autoreativas, líquidos pirofóricos, Sólidos pirofóricos, substâncias autoaquecíveis, substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis, líquidos oxidantes, sólidos oxidantes, peróxidos orgânicos, corrosivo aos metais (ABIQUIM, 2005).
A Figura 2 mostra os pictogramas utilizados na classificação de perigos físicos, com seu respectivo código e denominação utilizada na Norma Brasileira (WALLAU; SANTOS JR., 2013).
22 Figura 2 - Pictogramas de perigos físicos com código e denominação
. Fonte: WALLAU; SANTOS (2013).
2.4.2.2 PERIGOS À SAÚDE E AO MEIO AMBIENTE
Os critérios do GHS para classificação dos perigos à saúde e ao meio ambiente foram baseados em sistemas de classificação já existentes e seu desenvolvimento incluiu:
• Análise dos sistemas já existente, bem como sua base científica, critérios, lógicas e explicação de uso;
• Proposta para critérios harmonizados para cada categoria, desenvolvendo uma proposta em consenso para os casos em que não existiam abordagens similares nos sistemas conhecidos;
• Estabelecidos critérios ambientais e de saúde tanto para substâncias puras quanto para misturas (ABIQUIM, 2005).
A Figura 3 mostra os pictogramas utilizados para classificação de perigos à saúde humana e ao meio ambiente, com seu respectivo código e denominação utilizada na Norma Brasileira (WALLAU; SANTOS JR., 2013).
23 Figura 3 - Pictogramas de perigo para saúde e meio ambiente
Fonte: WALLAU; SANTOS (2013).
Segundo ANBT 14725:2009 parte 2 (ABNT, 2009), os perigos à saúde humana são agrupados em 10 classes:
1. Toxicidade aguda
2. Corrosão e irritação da pele
3. Lesões oculares graves/ irritação ocular 4. Sensibilização respiratória ou da pele 5. Mutagenicidade em células germinativas 6. Carcinogenicidade
7. Toxicidade à reprodução e lactação
8. Toxicidade sistêmica para certos órgãos alvo (exposição única) 9. Toxicidade sistêmica para certos órgãos alvo (exposição repetida) 10. Perigo por aspiração
Os perigos para o meio ambiente segundo o GHS referem-se aos perigos ao ambiente aquático e são determinados a partir das propriedades eco fichas de segurança (FISPQ) (ABIQUIM, 2005). Segundo o GHS os rótulos devem
24 possuir: pictogramas ou símbolos de perigo, palavra de advertência, frase de perigo, frase de recomendação e informações suplementares (WALLAU;
SANTOS JR., 2013; ABIQUIM, 2005).
A norma ABNT 14725-3:2009 é a legislação brasileira que estabelece os critérios para a disponibilização de informações nos rótulos dos produtos químicos classificados como perigosos de acordo com ABNT NBR-2:2009 (ABNT, 2012).
2.4.3.1 ELEMENTOS DO RÓTULO símbolos das Recomendações para Transporte de Produtos Perigosos da ONU.
Para outros setores é utilizada uma moldura vermelha em forma de diamante, com o símbolo preto no fundo branco. Vale ressaltar que não deve aparecer o pictograma GHS quando já tiver um pictograma de transporte (ABIQUIM, 2005).
2.4.3.1.2 PALAVRAS DE ADVERTÊNCIA
As palavras de advertência indicam o nível relativo de severidade do perigo e alertam o leitor de um potencial perigo (UNECE, 2013).
Segundo a Norma Brasileira (ABNT, 2012) é utilizada a palavra "PERIGO"
para indicar os perigos mais severos e a palavra "ATENÇÃO" para perigos menos severos. Se a palavra “PERIGO” for utilizada, a palavra “ATENÇÃO” não poderá mais ser utilizada (ABIQUIM, 2005; UNECE, 2013).
25 2.4.3.1.3 FRASES DE PERIGO
As frases de perigos são frases de advertência padronizadas, atribuídas à classe e categoria do perigo, descrevendo a natureza e grau de perigo da substância ou mistura (UNECE, 2013). Estas frases são identificadas por um código que começa com a letra H, mas vale ressaltar que este código não deve substituir o uso da frase (WALLAU; SANTOS JR., 2013). A Figura 4 ilustra a estrutura das frases de perigo.
Figura 4 - Estrutura das frases de perigo
Fonte: WALLAU; SANTOS Jr. (2013).
2.4.3.1.4 FRASES DE PRECAUÇÃO
O rótulo do produto deve incluir frases de precaução pertinentes, podendo conter no máximo seis frases. Estas frases fornecem informações gerais, de prevenção, resposta à emergência, armazenamento e disposição (ABNT, 2012).
Assim como as frases de perigo, as de precaução também possuem um código, mas neste caso inicia-se com a letra P (WALLAU; SANTOS JR., 2013). A Figura 5 ilustra a estrutura das frases de precaução.
26 Figura 5 - Estrutura das frases de precaução
Fonte: WALLAU; SANTOS Jr. (2013).
2.4.3.1.5 INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES
Neste campo podem ser fornecidas outras informações importantes relacionadas ao perigo do produto químico (ABNT, 2012).
2.4.3.2 FISPQ
3. Composição e informações sobre os ingredientes;
4. Medidas de primeiros socorros;
5. Medidas de combate ao incêndio;
6. Medidas para derramamento acidentais;
27 7. Manuseio e armazenagem;
8. Controle de exposição e proteção individual;
9. Propriedades físicas e químicas;
10. Estabilidade e reatividade; informações a serem preenchidas. De acordo com a própria norma:
Para substâncias as FISPQ podem ser elaboradas de acordo com a edição anterior desta Norma (ABNT NBR 14725:2009) ou devem ser elaboradas com esta edição antes de 03.02.2013. A partir de 03.02.2013, as FISPQ devem estar de acordo apenas com a nova edição (ABNT NBR 14725-4:2012).
Para misturas as FISPQ podem estar de acordo com as edições anteriores desta norma (ABNT NBR 14725:2005 ou ABNT NBR 14725:2009) ou devem ser elaboradas de acordo com esta edição até 31.05.2015. A partir de 01.06.2015, as FISPQ devem estar de acordo apenas com a nova edição (ABNT NBR 14725-4:2012).
O Fornecedor deve disponibilizar sempre uma versão atualizada da FISPQ.
Assim como os rótulos, as FISPQ devem apresentar a classificação de perigo do produto (ABNT, 2012).
2.5 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é um órgão da administração federal direta e tem competência em diversos assuntos, entre eles os relacionados à saúde e segurança no trabalho (MTE, 2015).
28 cumprimento da legislação por alguma empresa.
2.5.1 NORMA REGULAMENTADORA 26
A Norma Regulamentadora (NR) 26 é uma legislação do Ministério do Trabalho e Emprego e refere-se à sinalização de segurança (BRASIL, 2011).
Esta norma foi aprovada pela Portaria 3.214, de 8 de junho de 1978, e teve sua redação alterada pela Portaria n.º 229, de 24 de maio de 2011, a qual estabeleceu que:
“... os produtos químicos utilizados nos locais de trabalho devem ser classificados quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas.”
A NR 26 define que os produtos químicos além de classificados e rotulados de acordo com o GHS, devem possuir FISPQ neste padrão e define também que os trabalhadores devem ser treinados para compreender a classificação, rotulagem e FISPQ do produto, de forma a garantir sua saúde (BRASIL, 2011).
29 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 MÉTODO DE PESQUISA
A pesquisa científica é classificada através de vários elementos: quanto a sua natureza, aos seus objetivos, a forma de abordar o problema e os métodos utilizados na pesquisa.
Quanto a sua natureza, pode ser classificada como pesquisa básica, aquela que busca o conhecimento sem a preocupação de sua utilização na prática; e pesquisa aplicada, caracterizada pelo interesse em que os resultados sejam aplicados em problemas reais (TURRIONI; MELLO, 2012).
Quanto aos seus objetivos, pode ser classificada em:
• Pesquisa exploratória: envolve levantamento bibliográfico, pesquisa com experiências pessoais e análise de exemplos, a fim de que o problema estudado seja compreendido e que haja a capacidade da contrução de hipóteses.
• Pesquisa descritiva: tem como objetivo descrever a população ou fenômeno atraves de coleta de dados.
• Pesquisa explicativa: envolve a identificação de fatores que explicam a razão para a ocorrência dos fenônemos.
Quanto à forma de abordar o problema, pode ser classificada em quantitativa, aquela que considera conceitos que podem ser medidos e resultados replicados, utilizando técnicas estatísticas; qualitativa, aquela que utiliza a observação e interpretação de fatos analisados sem utilização de métodos estatísticos; e combinada, onde o pesquisador pode utilizar aspectos da pesquisa quantitativa e qualitativa nas etapas de seu processo de pesquisa (TURRIONI;
MELLO, 2012).
Em relação aos métodos de pesquisa, podem ser utilizados experimentos, utilizar levantamentos ou surveys, modelagem e simulação, revisão bibliográfica,
30 estudos de caso, pesquisa-ação e Soft System Methodology (SSM) (TURRIONI;
MELLO, 2012).
3.2 METODOLOGIA UTILIZADA
Este trabalho tem caráter descritivo e o tema abordado é a segurança de produtos químicos, principalmente sua classificação e rotulagem de acordo com o GHS.
Foi realizada uma revisão bibliográfica com proposta de método sobre a classificação e rotulagem de produtos químicos de acordo com o GHS através da coleta de dados em uma empresa multinacional fabricante de produtos químicos.
A partir da coleta e análise de dados foi possível a comparação da classificação de perigo de um produto químico antes a após a utilização do sistema GHS e a elaboração de um método para classificação de produtos químicos de acordo com este critério.
O quadro 1 resume as principais características deste trabalho.
Quadro 1 - Metodologia Utilizada
Fonte: SANTOS (2010)
31 3.2.1 LEVANTAMENTO DE DADOS
Foi realizado um levantamento de dados sobre a implementação do GHS na indústria química através do estudo bibliográfico sobre o tema, coleta de dados na própria empresa e entrevista com os envolvidos.
A coleta de dados na empresa foi realizada na intranet e no site corporativo da própria empresa, e também através de uma entrevista realizada com o coordenador de Segurança de Produto das linhas de adesivos, pigmentos, resinas, aditivos e químicos para papel do site produtivo.
3.2.2 ANÁLISE DE DADOS
A proposta deste trabalho não é apenas levantar dados, mas também fornecer informações importantes ao público alvo (empresas químicas e consumidores de pordutos químicos) em relação à implementação do GHS. A abordagem da pesquisa será qualitativa com base na observação e interpretação de fatos reais, buscando a compreenção do tema abordado.
Após o levantamento dos dados, foi feita sua análise utilizando a fundamentação teórica estudada anteriormente. Desta forma, foi possível analisar o sistema GHS e propor um método simplificado para sua implementação.
32 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ESTUDO DE CAMPO
O estudo de campo teve como objetivo principal verificar a atual situação das indústrias químicas brasileiras em relação à implementação do GHS, em termos de conhecimento de legislação nacional e disponibilização de documentos de segurança de seus produtos.
4.2 ESTUDO DE CASO
A empresa estudada neste trabalho (denominada “Empresa X” por questões de ética e confidencialidade de dados) é uma multinacional química que possui um portfólio de 8000 produtos e tem oferecido importantes contribuições para os segmentos de produtos para agricultura e nutrição, químicos, produtos de performance, plásticos, e petróleo e gás, tendo um de seus maiores sites produtivos está localizado na região do Vale do Paraíba. Neste trabalho apenas as linhas de dispersões e pigmentos foram consideradas.
O estudo de caso foi realizado através de entrevistas com o Coordenador de Segurança de Produto da unidade de negócio dispersões e pigmentos e sua equipe, também através de consulta disponíveis na intranet da empresa.
4.3 MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA
A partir dos estudos realizados foi elaborado uma espécie de “guia” para a classificação de produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na empresa. Vale ressaltar que o GHS não se aplica aos produtos químicos regidos por uma legislação específica, como ocorre no caso de agroquímicos,
33 saneantes, medicamentos. Dessa forma, o modelo proposto em seguida foi generalizado da melhor forma possível.
A Figura 6 apresenta um fluxograma contendo as etapas sugeridas para classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na indústria química; cada etapa será explicada posteriormente.
Figura 6 - Fluxograma: etapas para classificação GHS
Fonte: do autor
4.3.1 ESTUDO DE CAMPO
Primeiramente, é recomendado que a empresa verifique em qual cenário se encontra e se existe alguma legislação específica para o produto químico que ela produz. Por exemplo, se ela é uma empresa produtora de saneantes ou medicamentos o GHS não é aplicável, pois há legislação específica para estes dois ramos de atuação. No entanto, enquanto há a utilização de produtos químicos dentro da planta produtiva, estes devem estar classificados de acordo com o GHS, independente do ramo de atuação da empresa.
34
A partir deste levantamento, se faz necessário verificar todas as matérias-primas utilizadas para a fabricação dos produtos e também abrir a composição de cada produto fabricado. Esta etapa é necessária, pois a classificação do produto final é baseada na classificação de cada um de seus componentes e sua quantidade no produto final.
A Figura 7, apresentada a seguir, mostra a composição de um produto fictício que será classificado de acordo com os critérios do GHS nos próximos tópicos.
Figura 7 - Composição do Produto X
Componente Quantidade
35 4.3.3 DISPONIBILIZAR FISPQs DAS MATÉRIAS PRIMAS DE ACORDO COM
GHS
Um tópico importante é a disponibilidade das FISPQs das matérias primas.
Todas as matérias primas utilizadas na empresa devem possuir FISPQ atualizada de acordo com o GHS e é responsabilidade da empresa de buscar com seus fornecedores esse documento atualizado.
Vale ressaltar que a empresa pode ser notificada ou até mesmo ter sua planta produtiva interditada caso Ministério do Trabalho verifique que a mesma não possui FISPQ de matérias-primas atualizadas de acordo com o GHS e que os operadores trabalham com documentos desatualizados.
A responsabilidade da disponibilização de documentos atualizados é da própria empresa, que deve garantir que tanto as FISPQs dos produtos acabados quanto das matérias-primas estejam classificadas de acordo com o GHS conforme a Norma Brasileira NBR 14725.
4.3.4 CLASSIFICAÇÃO GHS DE CADA COMPONENTE DO PRODUTO FINAL
Outra etapa muito importante é a verificação da classificação GHS de cada componente do produto final, pois, como dito anteriormente, a classificação do produto que se deseja classificar depende da classificação de cada um de seus componentes.
Para encontrar a classificação dos componentes é preciso verificar a FISPQ deste componente ou, no caso desta não estar atualizada, podemos encontrar sua classificação em alguma base de dados disponível, como por exemplo, GESTIS, ECHA e IARC descritas anteriormente. No caso de procurar a classificação do componente em alguma base de dados deve-se ter em mãos o número CAS do mesmo.
No caso do produto X, a classificação de cada componente será mostrada a seguir, conforme Figura 8.
36 Figura 8 - Classificação GHS dos componentes do Produto X
Fonte: do autor
37 4.3.5 INICIAR A CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO FINAL DE ACORDO COM
GHS CONFORME LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ABNT NBR 14725
Para realizar a classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS é necessário verificar a legislação brasileira que rege este tema, no caso a ABNT
Para realizar a classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS é necessário verificar a legislação brasileira que rege este tema, no caso a ABNT