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LIÇÃO 06-2 TRIMESTRE DE 2021 A MISERICÓRDIA DE DEUS

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Academic year: 2022

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1 LIÇÃO 06 - 2° TRIMESTRE DE 2021

A MISERICÓRDIA DE DEUS

TEXTO ÁUREO: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Lm 3.22.

LEMBRANDO AOS IRMÃOS E IRMÃS, QUE FARÃO USO DESTE SUBSÍDIO QUE O TEXTO DA REVISTA QUE UTILIZAMOS NÃO ESTÁ TRANSCRITO AQUI.

INTRODUÇÃO

Sl 89.14 - Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto.

Sl 100.5 - Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

Lc 1.49-50 - Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome. E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem.

O livro do profeta Jeremias é utilizado no texto áureo e em alguns momentos da lição para nos ajudar a entender a grandeza da misericórdia divina - um dos atributos divinos que nos afetam muito diretamente.

Em conjunto com sua graça, irá produzir por nossas vidas aquilo que nada nem ninguém, em algum momento da história humana foi capaz.

Afirma a introdução que “o profeta Jeremias enxergou nas misericórdias do Senhor um raio de esperança no meio de todos os pecados e tristezas que o rodeavam”. Jeremias experimentou a abundância da misericórdia como também a falta dela.

Jr 16.13 - Portanto lançar-vos-ei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais; e ali servireis a deuses alheios de dia e de noite, porque não usarei de misericórdia convosco.

Invocar a Deus na hora da dificuldade tornou-se a especialidade de Jeremias que vivenciou muitas aflições nesta terra, tanto como participante das calamidades das quais não teve como escapar, pelo julgamento que o Senhor impôs sobre sua nação, por causa do comportamento desviante dela, quanto pelo enfrentamento com os líderes do seu povo, quando ele os advertia a respeito do juízo iminente e das tragédias que se aproximavam com grande ímpeto.

Apenas um exemplo entre os inúmeros que fazem parte da narrativa deste livro: Quando Babilônia cercou Jerusalém de novo, o povo buscou os conselhos de Jeremias, que lhes comunicou as Palavras de Deus.

Por causa disso os oficiais do rei reclamaram que a mensagem de Jeremias estava tirando o ânimo dos guerreiros, e pediram que o rei ordenasse a sua morte. Por saber que Jeremias era um profeta de Deus.

Zedequias não quis ordenar a sua morte, nem tampouco quis se arriscar a ofender seus oficiais, então não hesitou em entregar Jeremias aos seus acusadores para fazerem dele o que bem entendessem. Os oficiais foram diretamente para o átrio da guarda, na prisão e jogaram Jeremias numa cisterna lamacenta para ali morrer.

Em lugres mais áridos os habitantes cavavam grandes buracos no chão, uma cisterna, para guardar a água do breve período de chuvas e, assim, poderem sobreviver no prolongado período de seca. As cisternas precisavam, naturalmente, ser cavadas na rocha, onde não houvesse rachaduras ou porosidade. Caso contrário, a água vazaria totalmente. Entre uma estação e outra o que sobrava nessas cisternas era apenas lama e um lamaçal torna-se muito perigoso para a vida. Quem está atolado na lama, por qualquer razão, precisa de ajuda para sair de lá. Era o caso de Jeremias. Como sempre ele se clamava pela misericórdia de Deus em primeiro lugar. Podemos ver isso com clareza em Lamentações:

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2 Lm 3.55-57 - Da mais profunda cova, Senhor, invoquei o teu nome. Ouviste a minha voz; não escondas o ouvido aos meus lamentos, ao meu clamor. De mim te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.

Quando seus conterrâneos o colocaram naquela situação apareceu um estrangeiro, que o auxiliou. O profeta teria morrido se não fosse a coragem e a fé de Ebede-Meleque, servo do rei. Este homem foi ao rei pedindo pela vida de Jeremias, e por algum motivo, fundamentado no tipo de relacionamento que existia entre o rei e o etíope, o rei concordou. Ebede-Meleque o libertou com a ajuda de 30 homens. Morando longe de sua terra natal o etíope serve como exemplo extraordinário da misericórdia de Deus, que se apresenta de modos inusitados operando grande obra. Quando o próprio povo de Deus tinha rejeitado a mensagem de Jeremias, o Espírito Santo fez com que ela tocasse o coração deste gentio. Por causa de sua fé, Ebede-Meleque foi poupado enquanto todos os oficiais maus morreram (Jr 39.16-18).

Como nos afirma Os 10.12 é preciso semear em justiça para ceifar a misericórdia. A misericórdia de Deus continua disponível e fará uso dela quem agir de conformidade com os desígnios divinos. Ao convidar o povo para reconhecer o seu pecado e se voltar para Deus enquanto havia tempo Jeremias propagava o amor, a graça e a misericórdia de Deus em equilíbrio com a sua justiça.

Entenderemos melhor isto estudando sobre as misericórdias do Senhor e sua fidelidade. Também veremos que o trabalhar de Deus visa, não somente o atendimento de uma necessidade específica, mas a restauração plena do ser humano, que Ele criou para Sua glória.

1. AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR

Através do imenso e verdadeiro amor com o qual Deus tem nos amado Ele derrama sobre nós a sua misericórdia e nos faz caminhar em graça. Misericórdia e graça estão tão estreitamente ligadas, como as duas faces de uma mesma moeda. Conforme nos lembra o comentarista e eu complemento: A Misericórdia é quando Deus não nos dá o mal que merecemos e consequentemente não somos castigados pelos nossos pecados à altura deles. A Graça é quando Deus nos concede o bem que não merecemos. Misericórdia é a libertação no julgamento, enquanto a graça é o estender da bondade até aos mais indignos.

Sl 106.10 - Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.

Sl 130.3 - Se tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?

Lm 3.22,23 - As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.

O comentarista trouxe a definição dada pelo Dicionário Unger e queria deixar também, para nossa reflexão, a definição dada pelo Dicionário Bíblico Wycliffe, pois, estende nossa compreensão de misericórdia para além do simples ato de Deus se compadecer e ser bondoso para aqueles que por Ele clamam. Ele afirma que no Novo Testamento, a palavra “misericórdia” é a tradução da palavra grega eleos, ou “piedade, compaixão, misericórdia” (veja seu uso em Lucas 10.37; Hebreus 4.16), e oiktirmos, isto e, “companheirismo em meio ao sofrimento” (veja seu uso em Fp 2.1; Cl 3.12; Hb 10.28).

No Antigo Testamento este termo representa duas raízes distintas: rehem, (que pode significar maciez),

“o ventre”, referindo-se, portanto, a compaixão materna (1Rs 3.26, “entranhas”), e hesed, que significa força permanente (Sl 59.16; 62.12; 144.2) ou “mutua obrigação ou solidariedade das partes relacionadas” - portanto, lealdade. A primeira forma expressa a bondade de Deus, particularmente em relação àqueles que estão em dificuldades (Gn 43.14; Ex 34.6). A segunda expressa a fidelidade do Senhor, ou os laços pelos quais

“pertencemos” ou “fazemos parte” do grupo de seus filhos. Seu permanente e imutável amor está subentendido, e se expressa através do termo berit, que significa “aliança” ou “testamento” (Ex 15.13; Dt 7.9;

Sl 136.10-24).

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3 Pela misericórdia de Deus estamos aliançados com Ele e fazemos parte do grupo daqueles que pertencem ao Senhor e também, pela misericórdia de Deus temos onde buscar socorro na hora da dificuldade, seja ela qual for. São, basicamente, estes dois lados que estão em evidência quando nos referimos à misericórdia como um atributo divino, de grande importância e significa para nossas vidas.

Sl 103.3-4 - É ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades; quem redime a tua vida da perdição e te coroa de benignidade e de misericórdia.

1.1. As misericórdias de Deus não tem fim

Somo fracos e carentes, mas Deus é eternamente misericordioso para conosco. O comentarista aponta vários versículos em que essa misericórdia é realçada nas Escrituras.

O título deste item foi elaborado tendo em mente, principalmente, o capítulo 3 de Lamentações de Jeremias. Ali ele fala do castigo a que Judá foi submetida, contudo, Deus ainda os amava e eles ainda haveriam de contar com a sua misericórdia. No começo deste capítulo, Jeremias reclama que ele é um homem de aflições, andando no escuro, no meio do desespero (Lm 3.2, 6,19). Então, subitamente, ele se lembra de que Deus o ama e que Deus ama também a sua nação. Ele passa a refletir sobre a fidelidade de Deus em amar seu povo, ainda que estivesse andando sobre as cinzas de uma nação destruída por causa da sua incredulidade e da idolatria.

Lm 3. 22-24 - As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.

Jeremias continua explicando que Deus não tinha abandonado Judá, mas estava cumprindo seu propósito redentor. Seu desejo era de que o povo examinaria seu próprio comportamento e voltaria para ele.

O clamor dos oprimidos havia sido registrado no capítulo anterior (Lm 2.8-22) Mesquita escreveu que “A história de Jerusalém é uma lição para os povos que queriam aprendê-la. Deus é bom, é misericordioso, mas não tolera o pecado, seja no profeta, no rei ou no homem da rua”1

Lm 3.40-42 - Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor. Levantemos os nossos corações juntamente com as mãos para Deus no céus, dizendo: Nós prevaricamos, e fomos rebeldes; e tu não nos perdoastes.

Neste capítulo 3 de Lamentações, que também é uma Ode (um poema destinado ao canto), percebe-se o clamor dos aflitos em 3-21 e na sequência uma apresentação do Deus das misericórdias no 3.22-39. Para Jeremias não há nada igual à misericórdia divina, ela é irremovível. Apenas pede que o pecador se arrependa e se vire para Deus. É muito admirável que tal expressão de segurança nas infalíveis misericórdias divinas se ache exatamente no Livro das Lamentações e em um contexto de total destruição, em uma calamidade jamais vista.

Jeremias estava caminhando sobre um cenário de guerra, ainda podia sentir o cheiro do sangue e da carne queimada, por todos os lados as construções são agora entulhos e cinzas. Ele deve esbarrar com um corpo aqui e ali que ainda não foi enterrado e o cheiro se faz cada vez mais nauseante. Se fixar sua atenção por alguns instantes ainda conseguirá escutar os gritos de horror e as cenas dramáticas e chocantes que continuam passando diante do seus olhos como um filme. Tudo o que ele disse que ia acontecer, aconteceu.

Não faltou avisos, oportunidades de retorno para Deus, de arrependimento e de submissão à vontade divina, mas tudo foi desprezado e não foi levado em consideração, até que a cidade caiu sob o domínio total da Babilônia. Então, enquanto caminhava e chorava, a angústia era tão grande que o corpo todo doía e o peito

1 MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Jeremias e Lamentações de Jeremias. 2ª Edição. Rio de janeiro: JUERP, 1980, p. 247.r

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4 apertava como se estivesse sendo comprimido. No versículo 1 Jeremias afirma dolorosamente: Eu sou aquele homem que viu a aflição pela vara do seu furor.

Não tem como apagar as lembranças e ele diz, no v, 20, que se lembra de tudo o que se passou e por isso a sua alma desfalece dentro dele. A lembrança é dolorosa demais. Mas ele precisa se lembrar também do que poderia lhe dar esperança. E a sua esperança estava posta no Deus das misericórdias. Esperar pela misericórdia de Deus quando tudo parece perdido e exclamar com convicção: eu vou me recordar daquilo que pode me dar esperança, é para poucos.

Jeremias sabia, por experiência própria, que as misericórdias de Deus não tem fim. Considerando as muitas faltas de Jerusalém pode-se perceber com facilidade que foi somente pela misericórdia de Deus - que não tem fim - que eles não foram consumidos. Por ter recebido do Senhor a mensagem profética de destruição e restauração; do tempos do exílio e do tempo do retorno do cativeiro; da destruição de grande parte da nação e da preservação de um remanescente; por ter uma visão clara de que o juízo de Deus não era para destruição do seu povo, mas antes, para que fosse purificado e seus pecados fossem expurgados, Jeremias volve seus olhos para aquele momento futuro em que Deus visitaria seu povo com paz e ele retornaria do cativeiro e crê, com convicção, que verdadeiramente Deus é misericordioso e que as suas misericórdias não tem fim.

Sl 100.5 - Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

1.2. As misericórdias de Deus são novas a cada manhã

Lm 3.23 - Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.

“E uma renovação constante, diária a nosso favor, para o nosso bem”. A cada manhã chega uma porção nova da graça divina – assim como o maná - por isso podemos passar o dia certos de que o favor divino não nos abandonou e suas misericórdias não nos faltará. É inegável que as misericórdias do Senhor são para cada dia, mas, cessam quando nos afastamos dEle. Ainda assim ela estará lá, todo tempo.

Lm 3.31,32 - Pois o Senhor não rejeitará para sempre. Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias.

A cada manhã renasce a possibilidade de Deus demonstrar o quanto é bom e misericordioso. Jonas faz uma declaração enfática, como quem experimentou o castigo divino e reconheceu a expressão pura da sua bondade:

Jn 4.2 - E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.

Aprendemos com Jeremias que um propósito didático do cativeiro era o de que o povo deveria compreender que Deus era verdadeiramente o único Deus, Senhor da aliança e sustentador de tudo. O caráter exclusivista de Deus deveria ser apreendido pelo povo na prática interna e em suas relações com os demais povos. (Ez 30.8,19,25-26; 32.15; 35.9,15; 38.23; 39.6). O aspecto mais importante era que Deus desejava que seu povo se arrependesse de seus pecados e se voltasse para ele, em adoração e submissão sincera: Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus? (Mq 6.8)2. O exílio serviu também para demonstrar que Deus provê para o seu povo, cuida dele e o pastoreia. Várias foram as mensagens dos profetas apontando este cuidado. Além disso, a questão não era apenas naquele momento, mas anuncia a chegada da Nova Aliança e a preservação de Deus por meio de Cristo Jesus.

2 Cf. ULTIMATO. Contaminação, nem pensar: o cativeiro da Babilônia. Disponível em: < http://ultimato.com.br/sites/estudos- biblicos/assunto/igreja/contaminacao-nem-pensar-o-cativeiro-da-babilonia/>. Acesso em: 14/06/2017.

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5 Ezequiel, por seu turno, profetizou às ovelhas perdidas da casa de Israel tanto o retorno quanto o cuidado divino, que nunca faltou às suas ovelhas. Um Deus compassivo, longânimo e misericordioso não desampararia para sempre.

Ez 34.11-15 - Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus.

Muito antes de tudo isso suceder, o capítulo 30 de Deuteronômio revela a solicitude de Deus para com o seu povo, pois quando estes se arrependessem e voltassem-se para o seu Deus, Ele os traria de volta do cativeiro, traria sobre eles renovação espiritual, bênçãos relacionadas à prosperidade e a restauração final da nação de Israel. O capítulo 30 conclui ainda que a lei do Senhor não está longe para que não seja ouvida e cumprida, mas pelo contrário, conforme descrito em Dt 30.14: “Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração para a fazeres”.

As flores na terra reapareceriam, o tempo de cantar chegaria, a voz da rola seria ouvida novamente, Ct 2.12. É tempo de restauração. A Babilônia foi a vara de Deus para purificar na fornalha da aflição um povo de dura cerviz e inconstante, mas também foi motivo de renovação e retomada da fidelidade a Deus, porque as misericórdias de Deus nunca falham.

Is 48.10,14,15,18-20 - Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. Ajuntai-vos todos vós, e ouvi: Quem, dentre eles, tem anunciado estas coisas? O Senhor o amou, e executará a sua vontade contra Babilônia, e o seu braço será contra os caldeus. Eu, eu o tenho falado; também já o chamei, e o trarei, e farei próspero o seu caminho. Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! Também a tua descendência seria como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos; o seu nome nunca seria cortado nem destruído de diante de mim. Saí de Babilônia, fugi de entre os caldeus. E anunciai com voz de júbilo, fazei ouvir isso, e levai-o até ao fim da terra; dizei: O Senhor remiu a seu servo Jacó.

Jr 31.34 - E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.

1.3. As misericórdias de Deus não fazem acepção de pessoas

Sl 145.8 - O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras.

A todos quantos estavam encerrados debaixo da desobediência Deus prometeu juízo, mas também usou de misericórdia, conforme o texto lido em Rm 11.31,32. A restauração pelo arrependimento é o fruto mais elevado da misericórdia divina. Deus usa de misericórdia segundo a Sua vontade, até porque, nada merecemos, não temos uma linha de crédito especial, não acumulamos “milhas” no céu, não fazemos depósito para descansar e deixar de produzir no Reino. Deus não age por conveniência, mas por amor.

Êx 33-19 - Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.

Como é sublime, maravilhoso estudar os atributos de Deus e encontrar na descrição de cada um deles um ponto comum: Deus não faz acepção de pessoas. O amor de Deus, a graça de Deus, a misericórdia de Deus, a justiça de Deus, entre outros, é para todos, é sobre todos, não discrimina, não rejeita, não trata mal.

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6 Temos estudado em momentos anteriores que compaixão e misericórdia são palavras afins e complementares. A palavra compaixão e formada de duas outras: cum, que é uma preposição, que indica companhia, podendo significar “junto com” ou “ao mesmo tempo que” e o verbo patior que significa sofrer ou aguentar alguma situação difícil que causa sofrimento. É o ato de partilhar o sofrimento de outra pessoa, significando também entender sua dor. Essa compreensão leva ao desejo de ajudar.

Já a palavra misericórdia significa apiedar-se. Vem da junção das palavras latinas miseratio, derivado de miserere, que significa miséria, mas também fala de um sentimento de dor e solidariedade em relação a alguém que sofre, e cordis, que é apalavra latina para coração. Em sentido literal misericórdia seria o ato de colocar o coração na miséria do outro, permitir que seu coração bata também pelo outro e não somente por si mesmo. Só que piedade no sentido bíblico, não diz respeito a sentir “pena” e não é meramente sentimento. A eficácia da “piedade” implica o reconhecimento dos direitos de Deus, o estabelecimento do Seu reino no coração, e, por consequência a Sua manifestação na vida e no caráter, que se faz acompanhar de perdão, indulgência, graça e clemência.

Por servir amar a um Deus misericordioso as pessoas se tornam misericordiosas. E misericordiosas são pessoas que, a exemplo do seu Cristo, não tratam os outros com o rigor que deveriam ser tratados, não desprezam, não excluem, não se julgam melhores, mas dedicam tempo, atenção, conhecimento, coração, vestimenta, alimento, remédios, bens, enfim, tudo o que for necessário para amenizar o sofrimento do próximo. “São solidários, não pela ausência de dores em si mesmo, mas por compreenderem que o alívio se faz presente na partilha da alma e da vida com o próximo”3.

Lc 10.30-35 - E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele. E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

E o mais bonito de tudo é que a misericórdia de Deus é sem acepção.

Dt 10.17- Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas.

Segundo meu modo de entender o trecho bíblico que mais fala ao coração sobre essa questão encontra- se no início de formação da igreja.

At 17.24-27 - O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas. E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;

Deus é quem dá a vida, de um único sangue fez todas as pessoas, para que buscassem ao Senhor. Isto é bem libertador. Deus é a fonte de toda vida e não houve nenhuma produção especial, todos são feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, Ef 2.10. No corpo de Cristo não há lugar para segregação de nenhuma natureza, apenas espaço para o desenvolvimento de um “bom porte em Cristo”.

3 EBERT, Clarice. Samaritanos entre falecidos, falidos e feridos. Disponível em: https://cppc.org.br/noticias/samaritanos-entre-falecidos-falidos- e-feridos.html. Acesso em: 04/05/2021.

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7 2. AS MISERICÓRDIAS DE DEUS E SUA FIDELIDADE

O início deste tópico está repetindo o que foi tratado anteriormente, talvez para nos ajudar na fixação do conteúdo. E então o comentarista passa a pensar a questão da misericórdia em articulação com a fidelidade que é constante, imutável, eterna e jamais sofrerá qualquer tipo de oscilação. Mas espera fidelidade de nossa parte. A fidelidade é parte inerente do ser divino e Ele tem enorme satisfação em revelar-se a Seu povo como Deus fiel.

Dt 7.9 - Saberás, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos.

2Tm 2.13 - Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.

A fidelidade de Deus é parte dos atributos divinos comunicáveis na mesma categoria do amor, da santidade; verdade; bondade; justiça; sabedoria. Diz o comentarista: “Ele prometeu nos perdoar e não volta atrás por causa da Sua fidelidade, mas espera que nos atenhamos a Ele”.

Deus é fiel em perdoar e perdoará o cristão sincero e verdadeiramente arrependido. Essa é uma promessa que precisa ser celebrada e ao mesmo tempo compreendida.

Na 1.3 - O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em força e ao culpado não tem por inocente; do Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.

Ele concede tempo aos pecadores para que se arrependam (2Pe 3.9). Mas há limites à sua bondade e paciência. Os que persistem na iniquidade acabarão como objetos da ira divina (cf. Rm 11.22). É maravilhoso ser restaurado ao Senhor. Todavia, isto não significa que daí em diante não haverá problemas. Muitos crentes que são trazidos de volta para a comunhão com Deus passam por momentos terríveis de sentimento de culpa, dúvida e depressão; eles têm dificuldade para acreditar que foram realmente perdoados4. Mas, podemos descansar na segurança do perdão que nos é dado por Deus.

Para sabermos que realmente fomos perdoados por Deus precisamos consulta a Sua Palavra. Ele prometeu repetidas vezes perdoar aqueles que confessarem e abandonarem seus pecados. Não há nada no universo tão certo quanto à promessa de Deus. Para saber se Deus nos perdoou, temos que acreditar em Sua Palavra que nos afirma:

Pv 28.13 - O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

Is 44.22 - Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.

Is 55.7 - Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.

Os 6.1 - Vinde e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará.

1Jo 1.9 - Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.

Neste tópico iremos refletir sobre a junção íntima da misericórdia divina com a esperança, a disciplina e o arrependimento.

2.1. As misericórdias do Senhor estão atreladas à esperança

Estudaremos este mesmo assunto em dois itens: aqui e no 3.1.

4MACDONALD, William. A segurança do perdão. Disponível em http://www.apaz.com.br/mensagens/perdao.html. Acessado em 03/06/2013.

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8 Porque Deus é fiel nós podemos esperar pela misericórdia divina. Essa frase resume o pensamento do que está sendo explicado aqui.

O comentarista escreveu: “Jeremias quer que o seu povo saiba que nem tudo está perdido”. Quando estudamos a vida e a obra do profeta Jeremias vimos que ele é chamado de o profeta da coragem por uns e de profeta da esperança por outros. Ele era dotado de uma coragem sobrenatural porque pessoalmente não a possuía, e sua mensagem era de destruição, fome, morte, exílio e opressão. Por isso precisamos cavar fundo para saber em que sentido ele recebe essas designações.

Ele exerceu seu ministério profético em um dos momentos mais críticos da história do povo de Deus.

Deus sempre tem certeza do que faz e com Jeremias não foi diferente. Pode acontecer de nossas ações serem falhas porque não temos o conhecimento de todos os fatos nem temos a visão de futuro, mas Deus é Todo Poderoso, conhece a tudo e a todos em todos os tempos e lugares, portanto o que faz e quando faz, apesar da humanidade incrédula, seus planos não podem ser frustrados.

Jó 42.2 - Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.

Deus fez Jeremias saber que sua vida seria de sofrimentos e dor, mas era para ele não desanimar diante das adversidades.

Jr 26.12,13 - E falou Jeremias a todos os príncipes e a todo o povo, dizendo: O Senhor me enviou a profetizar contra esta casa, e contra esta cidade, todas as palavras que ouvistes. Agora, pois, melhorai os vossos caminhos e as vossas ações, e ouvi a voz do Senhor vosso Deus, e arrepender-se-á o Senhor do mal que falou contra vós.

Apesar de ser um homem compassivo e profundamente sensível, Jeremias foi chamado para um ministério em que proclamou um implacável julgamento contra sua nação. A época do seu ministério precede o cativeiro babilônico. Todavia o capítulo primeiro nos oferece um versículo chave que vai se comprovar verdadeiro ao longo de toda escrita:

Jr 1.18 - Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, e por coluna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra.

Deus não deixou a Jeremias outra opção, mas exigiu uma ação direta: “Vai e clama”. Ele começou o seu ministério cerca de 70 anos depois da morte de Isaías, e viveu para ver a cidade destruída. O tema do livro é a rebelião final de Judá e a sua retirada da Terra da Aliança.

A mensagem de esperança, todavia, pode ser encontrada em detalhes em muitas das suas predições.

Na visão que ele teve dos dois cestos de figos, Jr 24, por exemplo, ele explicou que os figos estragados representavam o povo que havia sido poupado de ser levado cativo, (Estes tentavam explicar que os que foram capturados eram judeus pecadores, ao passo que os que ficaram e estavam a salvo, era por causa de suas práticas religiosas, apesar de hipócritas), enquanto que os figos bons representavam os que tinham ido para o cativeiro e que estavam sendo levados ao arrependimento através de seus sofrimentos. A esse último grupo Deus prometeu:

Jr 24.7 - Dar-lhes-ei coroação para que me conheçam, que eu sou o Senhor; eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração.

Em triste contraste, os que representavam os frutos podres, ainda tinham pela frente um sombrio futuro de destruição e sofrimento. Quando a desgraça se abate atinge a todos, bons e maus. A diferença é que quem serve a Deus pode contar com a ajuda divina e o cuidado amoroso do pai mesmo em meio às maiores adversidades. O fiel sempre espera em Deus e tira dEle sua força para continuar na peleja, pois sabe que o Deus de toda misericórdia, não apenas entende sua miséria como trabalha em seu favor para mudar o quadro da sua história, seja ele qual for.

1Pe 1.3 - Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.

(9)

9 2.2. As misericórdias de Deus estão atreladas à disciplina

“Ter misericórdia não significa aceitar tudo”. “Muitos pecam conscientemente confiando cegamente que a misericórdia de Deus não deixará acontecer nada com eles”. “A misericórdia é para não fulminar a pessoa”. Este é o ponto para pensar que medida as misericórdias de Deus está atreladas à disciplina. O Deus de toda misericórdia, que tanto ama, também corrige e é totalmente justo.

Mackintosh5 nos lembra que nada há que possa substituir a comunhão secreta com Deus ou a educação que se recebe debaixo da Sua disciplina. E inúmeras vezes somos disciplinados pelos mais diferentes motivos.

No momento da disciplina aprendemos e crescemos.

Hb 12.8 - Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.

Deus é soberano sobre toda a humanidade, Ele não tem que responder ao homem pelo que faz, todavia, confiamos que Ele age de modo coerente com o Seu caráter, cuja revelação suprema encontra-se em Cristo.

O arbítrio humano o leva a escolher submeter-se à vontade de Deus e ser corrigido, disciplinado, remodelado com o fim de ser vaso novo, santificado e idôneo, para uso do Senhor, ou apenas permanecer na condição de vaso inútil, impróprio e desprezível, sobrevivendo na condição de vaso para desonra.

Is 45.9 - Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?

Rm 9.18-21 - Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?

2Tm 2.20 - Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro;

uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra.

Enquanto o povo de Deus estiver na terra, ele está sendo aperfeiçoado continuamente. Este aperfeiçoamento passa, às vezes, pela disciplina, quebrantamento e provação (1Pe 5.10; Fp 1.6). A disciplina, como a misericórdia, tem dois lados. Um negativo que é o que necessitamos vivenciar quando erramos e precisamos ser corrigidos e um positivo que é a adoção de práticas e hábitos bem arraigados, que nos farão ter uma vida “disciplinada”. O contexto nos explicará melhor de que disciplina estamos falando. Uma matéria que se estuda na escola é chamada de disciplina, um corretivo que se aplica a um aluno também é chamada de disciplina. A misericórdia de Deus atrelada a disciplina diz respeito a estes dois lados, ou seja, por ter uma vida disciplinada estamos expostos e podemos contar o tempo todo com a misericórdia de Deus, por outro lado, se falhamos em seguir ao Senhor e cumprir seus mandamentos seremos disciplinados e a pode nos faltar a misericórdia em algum momento, para aprendermos, através da vara da disciplina, a agir de conformidade com os princípios e valores divinos. O comentário deste item diz respeito a este segundo tipo.

Deus não reclama nem perde a paciência, apenas faz o que lhe apraz. A capacitação para fazer escolhas certas e agir segundo a vontade de Deus não vem de um dia para a noite. Transformação, submissão, paciência, visão, direção, senso de valor próprio e coletivo não são ingredientes de uma receita que basta juntar, mexer e usar. É algo adquirido lenta e, às vezes, dolorosamente. Vem com a maturidade, Rm 5.1-5; 2Pe 1.3-8. Estar apto para fazer escolhas e ser mestre na vida em muitas artes, inclusive a da paciência (longanimidade), Hb 10.36, implica em ter vencido grandes batalhas, contornado obstáculos, enfrentado e vencido gigantes, sem nunca ter deixado de esperar em Deus e de ter confiado nas suas promessas.

Submeter-se a disciplinas espirituais, e as mais comuns seriam:

5 MACKINTOSH, C.H. Estudos sobre o livro de Êxodo. 2ª Edição. Diadema, SP, 2001, p. 30.

(10)

10 I – Interiores: oração, meditação, jejum, estudo;

II – Exteriores: Simplicidade, solicitude, submissão, serviço;

III – Comunitárias: Confissão, adoração. orientação, celebração)

Bem como, aceitar a disciplina (correção), são as vias deste caminho que nos abriu o Senhor para irmos ao seu encontro nas mansões celestiais.

Quanto mais disciplinado através dessas práticas mais humilde a pessoa vai se tornando, e certamente, experimentará a misericórdia de Deus em sua vida de modo mais intenso, pois além de aceitar a disciplina divina evita o erro e se coloca em um caminho da obediência que agrada a Deus.

Sl 145.18-19 - Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará.

2.3.As misericórdias de Deus estão atreladas ao arrependimento

“A misericórdia de Deus foi implantada para dar oportunidade e tempo aos seres humanos de reconhecerem o estado pecaminoso e não serem consumidos antes de se arrependerem e pedirem perdão”.

Já que estamos falando tanto em Jeremias quero chamar a atenção para o fato de que a profecia de Jeremias foi intensa e seu ministério atuante. Levantado por Deus para pregar contra o pecado trouxe uma mensagem de arrependimento compulsório. Não é possível escapar do juízo divino de condenação sem arrepender-se e voltar-se para Deus. A obediência seria o único valor a se considerar no julgamento. Mas as pregações de Jeremias foram rejeitadas por um povo desobediente, de duro coração que persistiu em marchar para a destruição. Deus advertiu de todas as formas e convocou ao arrependimento. O grande oleiro estava mais que disposto a fazer do seu povo um vaso novo, santificado e idôneo para uso do Senhor. Mas a soberba precedeu a ruína, e assim como as nações ao redor, julgadas e condenada pelo Senhor, Judá também caiu. E sua queda foi terrível. Foi para isso que Deus levantou a Jeremias nessa geração: para avisá-los do juízo iminente e da necessidade de arrependimento e volta para Deus. Não se tratava apenas de uma grande crise, era a maior de todas as crises das quais os descendentes de Abrão, Isaque e Jacó já havia experimentado até então. E Jeremias estava lá, colocado no meio do furacão, para mostrar uma porta de saída, mas eles não lhe deram atenção.

Esta história de Judá, no tempo do profeta Jeremias tem muito a nos ensinar. O Deus dos hebreus, o Senhor de toda terra, o único Deus vivo e verdadeiro, podia poupar seu povo e não permitir que passassem por todo processo de horror e destruição que passaram, mas Ele não aplicaria sua misericórdia sem arrependimento. A destruição final não veio sem muitas advertências. Temos aqui o exemplo clássico da longanimidade de Deus em advertir e revelar fatos que ainda não sucederam para abrir a porta da oportunidade para o arrependimento. Mas eles simplesmente não levaram em conta os avisos e cavaram a própria sepultura com seus atos reprováveis.

2Rs 17.13 - E o Senhor advertiu a Israel e a Judá, pelo ministério de todos os profetas e de todos os videntes, dizendo: Convertei-vos de vossos maus caminhos, e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, conforme toda a lei que ordenei a vossos pais e que eu vos enviei pelo ministério de meus servos, os profetas.

O arrependimento era a única coisa que poderia reverter a situação, e, o chamado ao arrependimento foi a tônica da pregação de Jeremias todo tempo.

Jr 8.6 - Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha.

No Novo Testamento o objetivo da pregação da Palavra de Deus não mudou. O Evangelho é comunicado para que o povo se arrependa e se volte para Deus.

Mt 3.2 - E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

Mt 4.17 - Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

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11 Lc 5.32 - Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.

Lc 15.7 - Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

At 2.38 - E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.

Atrelar é o mesmo que prender e por toda Escritura podemos ver que, por seu atributos Deus mantém todas as coisas em perfeito equilíbrio, umas bem ajustadas às outras de modo que não funcionam isoladamente. Disciplina e arrependimento sempre estarão unidas ao ato divino de usar de misericórdia, assim como a esperança, que jamais irá faltar. Deus é fiel e misericordioso, isto é um fato inquestionável, mas também é santo e justo. Ele espera que tenhamos uma visão mais abrangente para agirmos de conformidade com os ideais dEle para o seu povo.

3. DEUS TRABALHA VISANDO RESTAURAÇÃO

Vamos transcrever as citações que o comentarista utilizou no início deste tópico e meditar nelas:

2Pe 3.9 - O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

2Co 1.3 - Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;

At 17.30,31 - Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

“Deus suspende temporariamente a penalidade até que chegue o dia do juízo divino sobre o pecador”.

O Pai das misericórdias estende suas promessas a todos, esperam que todos venham a ele e se arrependam, porque ele há de julgar o mundo. Enquanto esse tempo não chega Deus continua trabalhando visando a restauração do ser humano. A maior expressão de sua misericórdia encontra-se no fato de que Ele não nos trata segundo o nosso merecimento, mas é longânimo para com todos.

* Os dois itens seguintes estão tratando do mesmo assunto: aflições. Então, vamos pensar juntamente também.

3.1 – A esperança em meio às aflições 3.2. A aflição é temporal e equilibrada

Voltamos no assunto da misericórdia/esperança. Agora com o foco está nas aflições que acometem as pessoas ainda que sejam servos fiéis do Senhor.

Lm 3.18,19 - Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor. Lembra- te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel.

Absinto é uma planta que de suas folhas e raízes se extrai um óleo, que exercem efeitos sobre o sistema nervoso, utilizado em bebidas. O seu sentido figurado é de sensação ou sentimento de angústia, melancolia, amargura. Para Jeremias, quando sua esperança foi se acabando e o amargor da desesperança foi se apossando, ele recorreu ao clamor e pediu que Deus se lembrasse da sua aflição e do seu pranto. Um pouco do que está posto neste item já vimos também no item 1.1.

Ele nos faz recordar também o salmista, que chora e geme por toda provação que está passando, mas sabe que Deus tem um odre e um livro. Um odre (odre é um recipiente de couro usado para transportar líquidos) onde ele recolhe cada lágrima que cai e sabe o que cada uma delas contém, e um livro onde todas as obras estão registradas, e cada injustiça praticada contra os seus estão patentes diante dos olhos de Deus.

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12 Sl 56.8 - Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?

Ainda hoje podemos chorar e clamar certos de que Deus tem um odre e um livro. Em sua compaixão misericordiosa Ele foi afligido pelas nossas aflições, como registra o profeta em Is 63.9 - Em toda a angústia deles ele foi angustiado, e o anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. Como um homem de dores sabe o que é padecer aflições. Como salvou, remiu e conduziu o seu povo no passado continua agindo da mesma forma no presente. Ele é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente, Hb 13.8. Também conhece todas as almas que estão sofrendo no dia mal, porque habita nas alturas, mas se inclina, para ver o que está nos céus e na terra, Sl 113.5,6. Ele sabe. Ele vê. Ele tem poder para mudar o quadro da nossa história porque é longânimo, compassivo e misericordioso.

Sl 56.9 - Quando eu a ti clamar, então voltarão para trás os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus é por mim.

2Sm 22.3 - Deus é o meu rochedo, nele confiarei; o meu escudo, e a força da minha salvação, o meu alto retiro, e o meu refúgio. Ó meu Salvador, da violência me salvas.

Sl 9.9 - O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia.

Pv 14.26 - No temor do Senhor há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos.

Mas não é para temer? Sim, e nós tememos. Todos temem, mas também teremos esperança. Sabemos que podemos contar com a misericórdia divina que é de eternidade a eternidade, ou seja, ela não teve princípio e também não terá fim. Mas, até mesmo os cristãos mais fiéis sentem medo. Mas, em meio a tantas vozes devemos ouvir o que a Bíblia tem a dizer. Ser cristão não nos isenta de padecermos as mesmas coisas que todas as pessoas padecem, todavia, Jesus afirmou em Jo 16.33 - Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

Eu e você podemos crer, podemos confiar que a nossa esperança foi cravada naquela cruz, e a temos agora, como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, Hb 6.19, por isso podemos aguardar com uma expectativa feliz de que Deus está no controle de todas as coisas e vai nos conduzir em vitória por meio de Jesus Cristo nosso Senhor, 1Co 15.57. Quando as aflições tomarem conta dos nossos corações e nos sentirmos injustiçados, esquecidos, traídos, ofendidos, ameaçados, nós prosseguiremos firmes e confiantes. Nos levantaremos novamente a cada manhã e continuaremos vivendo e vencendo, sempre em frente, na graça de Deus, rumo à nossa vitória. Fomos feitos para algo melhor, para algo maior, e nossos corações continuam pulsando por este algo, que chamamos de esperança! Deus não mente – podemos ter esperança! Nosso refúgio está em reter a esperança proposta. Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. Rm 15.13.

Eu sei que o meu redentor vive! exclamou Jó, em Jó 19.25, e sei também que Ele há de se levantar do seu trono e fazer alguma coisa. Nada é para sempre, nem na esfera privada, nem no coletivo. As coisas permanecem turbulentas e angustiosas, provocando aflições e corroendo nossa esperança até que somos alcançados pela misericórdia divina e, então, tudo se faz novo. A misericórdia é um atributo divino de grande valor e impacto nos momentos de aflições e o que ela fará é justamente manter a nossa esperança, apesar do sofrimento.

O item 3.2., nos diz que o grande conforto espiritual dos crentes em Jesus está no fato de que ele tem uma noção clara de que as aflições são passageiras, ainda que no ardor da batalha elas não pareçam tão passageiras assim.

1Co 10.12,13 - Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana;

mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.

Paulo prossegue em seu ensinamento aos crentes de Corinto, acerca do combate às aflições:

2Co 4.16,-18 - Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso

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13 eterno de glória mui excelente. Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.

A partir do versículo 8 do capítulo 4, Paulo fala das tribulações, aflições e sofrimentos que ele suportou em decorrência da obra de Deus; porém nenhuma destas circunstâncias provocou a sua derrota espiritual. Ele tomou como referência as aflições sofridas no exercício da obra do Senhor porque essa era a sua realidade primordial, ele respirava a pregação do Evangelho e vivia 24 horas em função dele. Então muitos sofrimentos passados ele identifica com os sofrimentos de Cristo e reconhece ter sido muitas vezes entregue à morte por amor a Jesus, no entanto em meio as suas fraquezas, o poder de Deus veio a se manifestar em seu corpo mortal.

Paulo, então, mostra o triunfo do evangelho mesmo em face à morte, já que “o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus” (ver 2 Co 4.14).

Nos versículos 16 ao 18 do capítulo 4, ele contrapõe as coisas visíveis ou temporais às invisíveis ou eternas. Tudo o que vemos e vivemos no corpo físico e no ambiente material é temporal. Isso quer dizer que não é permanente, vai passar. Paulo diz que ainda que o homem exterior, ou seja, o corpo físico se corrompa, o interior, ou seja, o espírito humano se renova de dia em dia. Ele conclui que as dificuldades temporais são passíveis de serem suportadas, já que estas produzem um peso eterno de glória mui excelente.

Assim como Paulo devemos desenvolver uma visão espiritual que nos mantenha no foco, com firmeza de opinião e decisão, firmados não no mundo visível desta vida temporal, mas no invisível mundo eterno, conforme lemos em Cl 3.1 - Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Nosso mundo visível e nossa vida temporal está em constante transformação, e não para melhor, senão que caminhando para o fim, desgastado e perdendo seu vigor. O primeiro está mudando e se extinguindo, 1 Co 7.31; 1 Jo 2.17. Enquanto o segundo, eterno, invisível, imaterial, contém a realidade permanente e imutável de um mundo por vir – um mundo em que o processo de glorificação, iniciado na terra através do Espírito que habita em nós, 2Co 3.18, encontrará a sua consumação,1Jo 3.2.

Então o ensino basilar aqui é: em meio a aflição precisamos ter esperança. Ela é temporal e equilibrada pelo próprio Deus. Mas em toda e qualquer situação contaremos com a misericórdia divina agindo em nosso favor.

3.3 – O propósito das aflições é levar o homem a refletir

Deus não faz as coisas sem propósitos definidos. Ele nos ama com amor eterno e não está brincando de “gato e rato” conosco. O Senhor é bom, e continua sendo bom mesmo quando coisas ruins acontecem. Ele é misericordioso e atende ás nossas suplicas quando clamamos mesmo se demorar, se não for na hora que eu considero mais adequada. Temos lidos Rm 8.28, mais do que em qualquer outro tempo anterior: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. O silêncio de Deus diante do sofrimento humano tem sido objeto de muitas especulações.

Em seu livro: O mistério da providência de Deus, Paul Billheimer afirma que nada pode sair errado em um universo que Deus controla, porque esse universo está servindo ao propósito de Deus. Reforça que há uma razão de ser para cada dor e cada sofrimento, igualmente, para muitas coisas desagradáveis que acontecem em nossa vida. Mas se enfrentarmos no mesmo espírito que José enfrentou (José o personagem central neste livro), Deus trabalhará por nós do mesmo modo que trabalhou por José. E ele escreve algo sobre a incompreensível providência de Deus e que ela se fará presente sempre, pois:

Para cada dor que devemos suportar, Para cada tristeza, sem, para cada pesar,

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14 Há um motivo.

Para cada falsidade proferida, Para cada lágrima vertida, Há um motivo.

Para cada tristeza e aflição,

Para cada milha percorrida em solidão, Há um motivo.

Mas se confiarmos em Deus como convêm, Tudo cooperará para o nosso bem,

Deus conhece o motivo6.

Os cisnes cantam mais docemente quando sofrem, escreveu John Piper. Segundo ele os labores e sofrimentos dos homens bons são mais instrutivos que qualquer disciplina ensinada em escolas. Escrevendo sobre William Cowper, um dos mais expressivos poetas do século XVIII, que viveu aprisionado a uma depressão severa durante toda sua vida, algumas vezes imobilizado em desespero e repetidamente tentando o suicídio, ele afirma que apesar da escuridão que envolveu Cowper, o que ele produziu em termos de canções, poemas e outros escritos são tão primorosos, profundos e envolventes que até hoje toca corações e transforma vidas. Uma contradição? Talvez. Mas houve um fruto muito preciso em toda esta aflição que nos mostrou que em nosso caminho de obediência cristã todo labor ou sofrimento jamais será em vão. Em seu poema Conflitos: Luz brilhando as trevas Cowper escreveu:

Não julgue o Senhor com débil entendimento, Mas, confie nele para sua graça.

Por trás de uma providência carrancuda, Ele oculta uma face sorridente.

O propósito das aflições é levar o homem a refletir. Se em suas reflexões ele seguir pelo caminho de dores do Senhor Jesus Cristo, ainda que encontre pela frente a face carrancuda de Deus, também conseguirá enxergar o seu sorriso escondido. Aí conseguirá enxergar, afinal, que, realmente, tudo coopera para seu bem.

CONCLUSÃO

As misericórdias do Senhor continuam disponíveis e são para todos. Por sua misericórdia Deus é longânimo, e com essa paciência que não tem fim Ele aguarda que todos se arrependam e venham ao conhecimento da verdade. Não nos trata segundo nosso merecimento, nem nos pune consoante as nossas iniquidades. Mas se nos convertermos e de coração nos voltarmos para Ele suplicando sua clemência, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça, 1Jo 1.9.

E também nos atende quando clamamos, nos momentos que estamos atravessando problemas de toda ordem. Este é o outro lado da misericórdia que mais conhecemos e mais fazemos uso, pois é promessa. Ex 22.27b - Será pois que, quando clamar a mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

6 BILHEIMER, Paul. O mistério da providência de Deus. São Paulo: Vida, p. 19-20.

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