A Organização Nacional
PRlnlElRA P¡\HTE li:. CONSTITUIÇAo
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RIO DE JANEIRO
IMPRENSA SAC10~AL
VI
Politica internacional e politica social e ecollomica
o
conjuncto dos factores evolutivos da sociedade e das forças espontaneas da ci\"ilizaçáo apresenta o problema da paz mundial como um problema da actualidade, impondo a paz em solução á crise militar contemporanea e, princi- palmente, como base de soluçÜo aos problemas rrimordiaes da nossa especie, :\las a raz universal, que as correntes historicas e o estado actual da humanidade estáo apresen- tando, náo é o milt:lIium dos utopislas, o reinado do amor e da fraternidade humana, Estes termos rC¡'I"esentamo idealj semrre mais alto, cada \'ez mais subtil, de que o homem . a mais se approxima SC¡ÜO rara rrújectar mais longe a sua propria concepção .. \ paz a realizar-se é uma simples escala na evolução da sociedade humana - e!feito da cessação das causas que forçavam as luctas rhysicas collectiva~, 8ssim como a ci\'ilização extinguiu outr'ora as luctas physicas pessoaes, e re5ulta,-10do conhecimento completo da Terra pelo homem civilizado e da consciencia recirroca da sociedade humana, ligando, quasi totalmente, os homens de todos os continentes c de todas as raças.,Este periodo, que se pÔde datar, com relativa precis5.o, das ultimas cxrloraçtlcs no interior do continente africano,
BANCO DE LA REPUBLlCA IIIllOTECA LUIS-ANGEL AIAHGO
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representa, p.1r<1a e\'ülução positiva da Terra, uma nO\'a érar de valor e expressflO mais fortes e decisivos que os da éra christã, que SI') interessou a uma parte da humanidade e uma parte de sua \'ida, e da éra da H,evolução, de effeitos mais limitados e muito discutiveis.
A humanidade já não é um symbolo ahstracto, lima visãu scntimental:
e
uma realidade. ,\las, ao mesnlCJ tempo que o homem atting-iu a consciencia global de sua especie, a rl1ase que atra\'eSSlIllOS exhibe, todos us dias, as r'rovas de seu despreparo rara attingir os problemas reaes desta sociellade, que die apenas chegou a conhecer em bloL'o, em sua forma total. assim como os dos agrupamentos parciaes em que se divide, 0;-; do indi\'iduo, de sua vieL¡ e de suas re!aç,-¡es. As sciencias do homem e da sociedade sÜo ainda nimiamente frageis; e as affirma<;Des que ellas aventuramr ou s}o erradas, ou rertencem ao numcro das verdades que a natureza encerra, mas quc, ¡'or inditTerentes á sorte do homem, inaccessi\'eis a seus meios de acção, ou insubmissas a seu espirito e seus instrumentos, nÜo podem conduzir senao a falsas analogias e generalizaç()es illusorias.A e\'u!uçÜo espontanea da sociedade condu/. ~'ara a paz. 1\las, no c\'oluir humano, a espontaneidade não tem a exrressão mecanica d0S phenomcnos physicos. Si atten~
tanllOS rara a situaçÜl1 actual da politica internacional, o que as arparcncias mostram é lima forte tendencia para a paz armada, I) qlle "ale dizer: lima tcndencia, senão para perpetuar o liSO das guerras, rara manter IJ eqllilibrio internacional sobre a.base da força militar.
Seja btc o rro¡.:osito dos iórmidareis armamentos que fazem as Fotencias, seja o de chegar Ú paz pelo abu~o do militarismo: uma :lpplicaç;10 final extrema do postulado de Tacito-si ris P.1cem p.1ra ldlum, nÜo épossivel dCJ-'ositar confiança, ('01' emq Llanto, no rroposito dl)s intuitos paci fleos
~l '.)
das pOkll\.:ia::> militare:-i é n<.l ¡irmcza de ~eus ['rojecto~.- Elo inst.:1.\'cis SflO ainda os sentimento .• c id~as dos gru rus gu\'ernantcs, e tüo numerusas as pussibilidades de accidentes que os des\'iem de seus ['lanas - cm regra mais roman tieu:, e thcoricos que assentadf):' .. \ guerm 0, huje, uma in~ti- tui.;ãu ruramente rolitica, C]uasi puramcnte gu\'ernamental -mantida rela sociedade dU:-i que gl)\'ernam. nas munar- chias, e Ix)r preconccito, sobrC\'i\'cnte de velhas tradi~'-'es, nos circulo::; olliciaes das democracias. Emquanto sc ¡ÜO tornar eITe..:tin. él ac~J.o da i,lé8,-for,;a, C¡\lC~ resulta du dder- minismo dos ¡:,l'elluménu~ praticas e ~'eracs da socieLbdc, todos os imp;'e\'istus sÚO ç'ossi\'eis.
Seja o animo dos gO\'ernos manter a politica da guerra, ou a d<.lsimples pressão militar, a posiçÜo do I3ra:,il é u de Ulll paiz exposto u todas u,:-;c\'cntualidades de conflicto. Ora. no estado actual da politica humana, con liar a nossa segurança
a
defesa militar, 0 quasi uma ingenuidade. :\'Üo podemos fazer mai::; sacrificios com armamentos .. \ nossa melhor defesa, - quasi que se poderia dizer: él unica - 0 a que consiste em c\'itar os 1110ti\'OSou, ~c quizerl~m, I)S çretextos de conflido:
e i:;to .'iJ é realiza\'el cumllma austera reorganizaçflO do piz, num regimcn de stric:ta leg'alidade, sc\'era e zelosa admi- nistraçÜo, súlidas garantias as pessoas e aos interesses. l~...ta organizaçflO cstÚ por tÚer-se: e é impossi\'el elTectuar-se com a permanencia de um regimen feJerati\'o que s6 attende ao quc interessa ás autonomias, afrouxando e dispersando:
até ÚdissoluçÜo, u que interessa á Cni;lO.
[<'t'J1'ados numinaes Jaços ~'oliticos, as populaçt,cs dus nussos estados e Il1unicipio~ n;lu são unidas por nenhuma soli- dariedade pratica: lÚO ha uni~lo social e economica em no.';so paiz, e tantl) basta para mostrar quanto é frouxo o neXf.1na- cional. Esta situação nÜo P¡'llle perdurar. l~ força que o I'aiz n:ceba uma organizaçfv) capaz ~ sem contrariar as tcndencias
e os progressos locaes, mas, pelo contrario, estimulando-os e desenvolvendo-os na onda da prosperidadegeral-de equili- brar, harmonizar e entrelaçar os interesses por toda a ex- tensão do territorio, de fárma a estabelecer solidariedades sa- ciaes e economicas e a dar á nacionalidade a força e con- sciencia de união que lhe faltam.
Esta organização depende de uma reforma do regi- men constitucional que restrinja a autonomia dos estados e dos municipios, enfcixando-os . num systema geral de inter- acção e de harmonia, e de uma politica, legislativa, governa- mental c administrativa, de educação, de propaganda, de en- sino e de cultura, nas escolas, na imprensa e né)tribuna: de reciprocidade de relações, circulação de productos c de idéas, convergencia de interesses, cm summa; politica que, de- vendo actuar, muito particularmente, sobre o regimcn fiscal, preciza basear-se em lima vasta combinação de medidas, ten- dentes a dirigir e instruir él opinião e os interessados, él animar a producção e desenvolver o consumo de productos nacionaes, supprimindo onus excessivos, despesas desne- cessarias, intermediarios inllteis, monopolios, açambarca- mentas, reduzindo fretes;- realizando, em summa, tanto quanto possivel, o encontro directo de productores e consu- midores, de fÔrma a augmentar, por um lado, os proventos daquelles, diminuindo, por outro, os gastos destes. S6 assim a uniÜo brasileira repousará sobre uma base democratica: a communidade da vida economica e espiritual.
As tendencias actuacs são radicalmcnte oppostas a este objecti va.
Da força economica c mental resultará a força social, e desta, a ordem politica c juridica: a melhor das defesas contra a guerra e contra o militarismo. No tocante à organi- zação militar, não carecemos ,mais que melhorar a efficiencia das nossas forças, com educação do pessoal, exercicios fre-
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quentes e sc\'ero cspirito de justi~a, na disciplina e nas pro- muçóes.
Os pessimi:;tas attribucm habitua~ mente as potcnc:ias predisposiçijes Jc conquista, quc não existem .. \s guerras re- sultam sempre de l/1Il interesse po/itico, de )1.7101' org.l1Iico,
para o paiz quc as prOil1,')\'e, e dj fraqueza, physica c moral, do outro raiz. Intcgt'~lJo (J seu territorio natural, os ame- ricanos vin?ram ao bd'J d!) .\lexic:o e das republicas do Centro :\mcrjca, ~em nenhum ataquc Ú sua sol'er.71li,1
1'{)-
¡¡/iea. Foi mister que se illlpllzcssc Ú sagacidade dc seus es- tadistas I)ur8'cntc e cCllossal intcrc:'sc ,-'a abertura do canal, para qu~ se lhes pllJe~se ~\ttribllir, na roljtic:a dessa região, uma iniciati\'a nfTensira Ú Cul, 'll1bia.
A crisc do .\\cxic:o res1I1Llele-c:ausas, que se diriam um superlatiro, ou melhor, uma h) pcrbok, do caso l!as repu- blicJ.s sul-americanas: um raiz puuco culto, tcndo cabido, das mãos de um di.:tadGr quc o mantevc suhjugado por Jezenas de annos, sem j<.Ímais o organizar, cm um estado de anarchia, incpta c sanguinolenta.
Tyr~ll1nia, politiquice, ignorancia ropular e incolllre- tcncia dos govern:1I1tes, al1andono da \'ida economica em mãos dc estrangeiros, [\zendo dessc bello raiz um scenario dc luctns h~1rh;1l'as:SI') eguabcbs re1a memoria dos ritos ea- nibaes dc seus ,'1:.lce.'1s, onde os nacionacs não se oL'cupam sen~lOde manobras astuciosas, na raz, c de guerrilhas, rara conquistar o poder, cmquanto os estrang-ciros rrocuram de- fendcr, :.i. custa do rrcstigio c da auto!HJmb do raiz, intc- resses quc lhcs foram abandonados: eis o quadro da vida poljtica dessc grande paiz.
Sc ao impulso ,das forças espontancas da socicdade se juntar, na politica internacional, a acção deliberada dos go- vern03, e estivermos em \'csperas do estabelecimento da raz permancnte entre as nações, nossa rosição, melhorando em
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tranquillidade, quanto ~i.hypothese de uma conquista poli- tica - causa não muito para atemorizar, nÜoénunca ocioso repetil-o por desnecessJrio7 a qualquer potencia e diflicil de realizar, no conHicto de seus respecti\'os interesses - nem por isso ganlurá em sulidez, no ponto de vista do interesse do 1'0\'0, de sua pro:'\peridade, de sua posição social e da a3similaçáo dos eh:mentos immigl'aJos. ,\ paz, realiza\'el em nossos dias, clJlwém insistir, n;\O será nem a éra seraphica de amor c de fraternidadc, da l~t{)l'iados srJ!1hadores, nem a
ci.1-7.fe jllriJil'ol ideal. d,)s doutrinarius: será um siml'lcs estado de p;¡licia mundial e de ordem physica cntre as naçtJes: não serÚ o lim, nem o coroamento, de uma a,;pi- raÇlO, mas, pelo c<ll1trario, () meio e inicio de estudo e de SOIUÇ;1Odos 1'r(Jhlcmas da e~pecie, para chegar-se Úrealização da dda hUilJ:lna, de :tL'L'('¡rJu com o conhecimcnto da nossa natureza, eÚ da \'ilia mundial, de accÚrdo com a sciencia de seus phenol11enos, realidades e tendencias.
E:'\actamente porque decorre dos h.:tos C(¡ncrelos da Sl)- ciedaJe e de seus antecedentes, ella tem de ser uma conquista pratica e organica, que se não ultim:lrá por si mesma: ir- se-ha desén\"' ¡l\'cndo em multiplas relações e organiza(Jll~s.
:\las o ad\'cntn da paz l"'klc, em primeiro lagar, rea]iz~lr-:,e, fÓra de Sllas condiç'-)cs naluraes, por impulso ad"cnticil), ou por etTcito de lima politica artiliciosa. '\11111aou ni 11Itra hn~othesc, clla surgir~'t com perigos graÜisimos, C01l10todas as obras sociaes que n50 nascem da \'ida e de suas condiç'-les praticas: pr)de el1\'ol\'er a c\'oluçÜo humana cm abalos e crises, tão temerosos como as guerras intcrnaciomes. Se a imrul- sionar U1I1desscs acccssos de fen'or de reforma, que aLlcam por \'ezes a sociedade, a humanidade retrocederÚ a uma ph3se de c:'\tasis mystico e de ascetismo, a lima no\'a éra mythica, 10goIatrica c sombria, prejudicando e:'\actamente a opportunidade, quc se lhe cstÚ mostrando, de iniciar a
solu~ã() ,le :;eLl~problemas, :;I)b crikriIJ é'\pcrimé\ltal e r,lci- anal, para rccahir, depoi~ de dcsil!udida dc~~c rC~lIrg'il' dc fé' em ~llas \'clhas ou no\'a:; di\'inJadcs, e de outro reril),h de pcn(J:<ls a!-iitaçljc~, numa amarg:1 re,tliJade, recome";:lI1du, ent;u '. o trabalho constructor abanJonadG,
:-icl'a um ca~() idcntico ao J'l nüs~a abüli~:l\), scm ürga- niz,l,,;,'l') d,J trab:1lho, ~cm a:-si~t..:ncia ao prct') e ;,cm cui.
dad" p<Jr ;,ua c,luca..;;"to; da \lossa lndcpendcllc'ia, SC!~lI)J"- gal1iz:lç;l') ,b l1:h.:ionaliJadc: c ,b nOS~:l Rcrul)lic'a, ~cm ver,Jade I'cTrcscntati\',l c sem cJuca(l0 ¡:,orlllar.
;\ j)'J""a ,~itLlaç:l'),~CL\scmp'c:, nc<e c:v~I,a de um ri J\'U julg:1,1,) ilÜcrior, e em real estaJo de inferiiJrid:ldc, ~lIbrndtiJo - com t, J,1a a illusoria (i 111fbnça cm nllSSUSidl::lcs lll)"sti:os - á suh:1ltémiJadc, Ú slIhll1iss;"tI), al) ~:1Crilicio,
a
c1il11ina\'.'i./).Com a bandeira da .\l()"al, IIU S(¡!1 as leis ,ia e\.")11(lllli:l, as SCk,·~(-)C.sllUlllan,ls (i}'erar-sc-h;lIl scm¡:'l'i.?, are zar de ti "las as huas in tCI1..;(-)eS; c, UIlla \'(:Z cn(errac!o I) periodo do aposto1:1,\o. a grey da \l,)\'a rclj!-iio~iJade restaurar:'l suas forç:1s. :l,lartando-se :ls c1)[ltingcnL'i:ls corrcntc~ da \'ida: c ir:\ 1:11.Cndq scu Cll1tr¡ puhlico e l'ri,'ac!ll, :H) !ajo de in~ti- tuiç,-¡e:, ~cmelh:lntL's Ú inqui,;it/lO, :1 c';I.Talid;lO, Ú tyr:1n- nia, Ú guerra aos inilcis ... Por e:-.t:1 f,',rllla, ou pela de Ulll acc(J\\!O juridico. fllnd:H.lo em c0mhna~'-)cs dil']¡'.
m:1ticas. ~Clll gar:ll1tias sociaes e selll organil.:lç:¡,) apropria,la á SOlllÇ:lOdos prob1clll;l~ humanos, a nossa ,;ituaÇ;¡o real SL'l':'¡
sempre rrecaria. \'o:;so espirit<I Glracteriza-,;e por uma ingenuidaJe, que nos cxpt,e a todl ¡s us riscos da \'ida J-'ratiL'a.
E
preciso que nos nf"to illllLblllos sobre o \'alor dos movi- mentos sociaes, que voltemos os olhos para intcrcsscs mais profundos e praticos .. \ paz corresponde ao interesse de todos os povos, attende ;1 convcniencia actual de alguns governos, e serÚ repcllida por outros, por motivos de opprJr- tuni"i:lde. Por nosso lado, temos to,lo interesse em promovcl-ae abrevial-3, mas precisamos estar prevenidos de que ella não resolve os perigos que nos ameaçam, na politica inter- nacional, podendo precipitar-nos, pelo contrario, de envolta com a illusão e os enthusiasmos da victoria moral, numa politica idyllica, em que sacrifiquemos os interesses vitaes da Patria.
O Brasil carece precaver-se, em primeiro lugar, de con- tinuar a ser colonia do capital e do trabalho estrangeiro;
defender-se, depois, do exagerado desenvolvimento do commercio estrangeiro no paiz, principalmente no que toca á gestão de suas riquezas e de suas relações economicas, á vida e ás necessidadcs ordinarias da população. A explo- ração economica de um territorio convém mais, frequentes vezes, ás naçõcs fortes, do que a occupação política. A ex- ploração não
c
impedida pela paz, c pÔde, pelo contrario, achar, em seu regimen, melhores bases de apoio e desenvol- vimento. Ainda nesta hypothese, tem(Js o maximo interesse em promo\'er a organização do prtiz.Ka base desta organização está a política eccnomica.
E
o prorrío fundamento da \'ida social, juridica e moral de um povo. Sem valor economico, o homcm não pÔde ter per- sonalidade. l~ sob este aspecto que se mostra a maior fra- queza da sociedade nacional. O brasileiro não tem vida cconomka e n[1Orecebcu educaçã() para o trabalho e para a administração. A Ixoducçáo, na agricultura, representa um simples systema de exploração imprevidente da terra. O grande productor, pouco amante de sua profissão, ausente, em muitos casos; prodigo, escravo de seus gostos e habitas perdularios, dissipa a fortuna e perverte a prole, habituan- do-a ao parasitismo, ao luxo, á vida nas cidades, a requintes de vaidades sociaes e academicas. Se é rico, dissipa a fortuna~e \'ae devastando e desvalorizando a propriedade; se náo tem fortuna, fica enfeudado ás necessidades immediatas do custeio
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da fazenda c Jo salario do traballlador, ÚpressÜo do commis- sario c do credu!', nessas medonhas 0l-'cra~úe.s de credito de nossas praç<ls, que ba:,;tariam par:1 arruinar os mais ricos proprietarios, em qualquer oLltro raiz - cOLlsaqLle, entre nós, se tem evitado, por vezes, Ú cLlsta de LIma brutal exploraçÜo da terra, c da mais lon~anime Il1Grosidade de credito, senão completo desuso de 1i4uida~ões, entre naCÍunacs. E:,k caso, e a falta de inventarios l' partilhas, é muito coml11UIl1, nas regiões mais pobres e nas mais exploradas do paiz, tor- nando-se quasi regra geral, cm muitas.
('UI1l rcb.,:Üü Ú gr~,ndl' rruc!ucçÜu, a que lida cum ge~
neros de c\l'urta~;lU, ::;tu indispcn~a\'ci:,; medidas tendentes a :_1) combater o absenLcismo, Fl siI11l-'lesmente das t:.lzendas, jil com a furllla, aind~l mais gran:, da residencia no estran- gl'iru~ob.iccti\"<) que prece dimL'il, mas é re:.llizavel, l~()r varias meios, entre os quaes llleLliJas tributarias, directas e indirecta:;;,; I,) reduzir as despesas intermediarias da expor- taç¿io, desJe a fazcnda até u embarque par~l o exterior, des- pesas qLle podem chegar ao minimo, com o systema de ar- mazen:; de Jepositu, S,JllIl'lIlc nus porto:; de cxportação; e) organizar creJito modi,-'o suhrc liS productos exportados, com elllis:,;Üo de ll'.nr.lIIls :,;ubre as mercadori~b em dc¡~osito nU:-iarmazens, de f(Jrma a permittir ao 1a\Tador resistir Ú
pres;';;lIJ ,-lo eXl'ortador; .1) organizar credito real, credito agricola c ercditu res~oal. no intcrc:;~c dI) b\Tador, eum lilllita~;lO d:lS Ll.\:lS de .illj"()~ e de alllortizal,';lO: c:¡ reduzir o,; illll'0:;to~ de C\I" lrL\l,';¡r), l'v,"'~,;i\"()~ l'ar~\ () café c cXI,r- hiLll\ te:,; rara a lHJrracha e uull'o:,; t'r,)d uctu~, rarticular- mente 110'; c~L¡dus ti) IW:·tc:.r im p,",r ;l(J~ la \Tauorcs o rcgimen c' 'llll1lerci:¡], na ;hlmini~tra(/lO e na c.;erirturaçáo, rara todo,; os l'fTcitlls de lTC,lit), de ohtellç;l() de fa w)j'cs do~
roderc:; l'uhlicos e Je tran~aCl,'~lOeum ügO\"crno. de [,'¡rma a forçal-ch a') cOlllIL'cimento cx:\dl) de suas opcral/1es e do
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estado de suas propriedades e fortuna. Algumas destas medida", como os warra1Zls, o deposito, as operações a prazo, ja estüo adaptadas, mas, em lugar de empregadas wrno meios de rcducçáo dosjaux frais e de suppressão de intermcdiarios, us:uh-sc cohjunctamente com outros onus él layoura, tornando-se, assim, em vez de favores que dC\'eram ser, outros tantos parasitas. Credito facil c barato, com leis scveras de liquidação, resoh'criam multas das nossas mais sét"ias diff¡culdades cconomicas.
Pela Amazonia, ha muito quc fazer, com resl'eito Ú conservaçÜu dos seringaes, Ú extracção da borracha, ao serviço dos traballw.dores, explorados como escravos, Ús vezes, até, com sacrificio da riJa: a especuJaçÜo, a prodigali- dade e o absenteismo attingem ahi proporções incaIculaveis.
NÜo é possivcl confiar nas l1ledicbs até agora tomadas reJo go\-erno, sem eSl~irito pratico e defraudadas ror graves artilkios economicos, tal como av,11oriz,u;Jo da borr,1cll.1. Na escolha do pessoal obedeceu-se pmva \'e1mente mais a sug- gestões politicas do que ao pmposito de escolher gente id anea .
O problema da AlIlazollia é gravi::;simo, no ponto de vista social, no economico e, possivelmente, 110politico. Com os abusos da exploração e desbarato de terras e dinheiro, com a destruiçi'to vandalica dc suas preciosas florestas de seringacs e madeiras, excesso de trihutaçÜo c desgo\"crno, e com o jÚ consideran.:l desenvolvimcnto de l'rop"iedades estrangeiras, é muito para temer-se que esta regi;)() l1:tO possa, dentro cm poucu, competir, 110 cOl11mcrcio de scu principtl producto, com o CCyl:1O c a India, l' que fiquc sendo, na parte inlclIigcnlcl11cnte c"plor:1da, simples feitoria cstrangeira, e 11:\ parte dc\"astada, "i\'eiro insalubre de populaçÔes miseraveis, abandonadas ao ocio, ao alcool, ao impaludismo.
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:\ grande rr(Ji'riedadc é um mal que nãli ¡,('¡de ser e\ti nelo IV) Bra:-,i¡, m:\s dc\c ir :-'i.:l1cllJprogre::;si \'amel1 te limitaJu, c el1l:rgieamentc C<Jmhatid(¡s os abusos c \'icios que acarreta. O¡'"Tri m in,lo :1S ¡'opu bçt¡i.:s, com a d ifliculdade opposb ¿'l f!)rJ1la~'}o da peqllena pr(Jí'riedadc c a ¡,recaria }.'o- Si(l() a qUi.: SU~)nlcttc () traha1l1all(lr, é uma \"el\bdcira di.1- thcsc eCOI1¡!11ica. l~ llli:-,ter sa:l:\r-Ihc este ct1i.:ito, dc~as- trosa ¡.':\ra tuda a eCO!lOmi:l du paiz .
.\ gL\lhk rrOdUCç;IO é, ali:\s, a uniea de que riS poderes
¡,ublicus 10m cuicl:ldo, rurquc interes,::l ai) (¡SCCJ e IV¡rquc é ainda :l llnir)[' riquL'i:a l\f, ¡",¡iz, ê:\r\1 ;r:11;dll,:) U1l1:\d:(S nussas classes m:!is influente,.;, ()uant" :\ requcn:\ 1:\\'llur:\, c Úque não produz, direda (lU ti !t:1Imc'I1Ll',~'ei1i.:rl)s de e\:IYJl'ta~';lo, a não ser com iJ rr( '!cL'L'j"llio:nvJ, recurso a ser lIS:lch com J1lllita dis\.TL'<;;11': rc IL:L",s clIid:\,jos lhe:, <':fJ de,I:L'ad(ls .
.\\:1I1lclldo L'."lc inlcressL'. e rnJCurandr, deSel1\'c ¡I\"er as 110S:-':ISrr"duc,/cs de e\:rr Irt:\';';'IU, L'Ulllrre-l1f 's tirmar, COIl1- tlldo. que O l'r()¡)~em:1 "it:¡\ d, ¡ 11<>:;SOp:lil. e:;Ll no rrogTessu chs L'ultllras de COlbumu: é o I'rohlcm:l da "ida c da cir- LU];¡Ç;llJ intcrn:1, c nal¡ d:\ ri'!liL'I.:\ conllller,'i:¡J : justamcnte o rrohlcm:\ ,ic q;!e :!!,~,IL(J.ic: IÚ) ~e L' I;";'itllu <ri:ullcntc.
t'm r:\i¡: ¡-,':de "¡,el' c rrn:~rer:\r, sem e\rcJI't:1~"-'L''': n;lc¡
km ,id:1 rC!!"IIl:;¡' e s' ,IU:1. Jll:l\ilUé qU:1l1JI) \:\~tcl. e !'ur tal f"'rI1J:1¡SI,J,\,\r) ,lL' (Iutrl!s l':\il.e~ 1'1',¡ductnrc<, que a ilnrr Irt:\t.;Üo L1,-'!l'c'l1cru:: lk ¡,rimeir:! nCc'L'~siJ:hk 0',', se c\:¡,lic1 r' ir nim i:l 1'r:1qlleZ:llcOnuJllic:l--SC 11:)I¡rrr,JlIz () n'-'L'es~:lrir) 1'\\1':\ ,tl¡- lllcIIl:1r, c :llinkl1t:lr ¡'cm. SII:1 rr 'j'uh/\o, chr-Ihe bel'1-estar' c ~lIr\,rir-ll1e mei(s de tr:\I':llll".
"\o,-.:() r:1il. km de: SCI', ~'m rri111e:rn IU~'ar, UIll r:\iz ,1gTi-
CI)l:\. """1':1 riJiL'u1, I L",n:c<t:u'-ll1c C'(''': Lk~til~(¡, dcante de
~l'U \':bt'l k:Tit"rill. I)L'\" ¡ILinkr. lkr()i.~, rI L'111ti"'1 LIr,S rrl duct, '00 nt:CL'';'<iri,,:'Ú ,,¡,Ie\ e Llus que en1rregalll materia rril1l:1 n:\L'j, ·nal. (: i~t,I que n" 's imj"-'L' a :lrca do ni ISSO
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tcrritorio, a falta de hulha, industrialmcntc cxploraveI, c o isolamcnto geographico de quasi todo o paiz. O equi.
voco dos que pensam de outra forma sÓ p(')de resultar do prcjuizo de quc <1 rroducçáo deve constar dos generas communs -na Europa, e da idéa, arraigada no espirito de muitos, da necessidade das grandes propriedades, de extensa exploração intensi\'a. () Brasil, exactamente porque é um paiz trorical e equatorial, pohre em muitas regil-,es, e unde a terra e o clima carecem, quasi geralmente, de elcmentos nc- ccssarios ás culturas européas, de\'c ser um l~aizagricola, ni'lu no sentido ,v.71lhee, de paiz de vastas propriedades e bzcnd:ls modelos, mas no de naçiio de l~eqllenos proprietarios rcme- diados, vivcndo da infinidade de productos da nossa terra, de cxcellente valor nlltriti\'o para seu clima, sendo resen'ad;ls as regiÜes temperadas l~ara algumas culturas ellropéas e confi:.ldo o supprimcnto de outros lTlllluctüs, absolutamcnte inacclim<1veis, assim como o dos productos industriacs que ni'lO têm aqui materia prima, ils trocas com o estran"
geiro.
() desa~;o do nosso proteccionismo, creando e desenvol- vendo industrias imprül'rias du nosso meio e do nosso estado de adeantamento economico, resultou, por todos os lados, em grava mes para o paiz, cm sua economia interna e no commerCÍo com () exterior.
Para ¡~l\'orcccr limitado numcro de industriacs, (lllera-se u consumidur, forçãndll-:J :l acceitar prllductos de in¡(.'ri,ir 'qualidade, e exclucm-se do rcgimcn das trocas productfJSquc cumpeliria naturalmcntc ao cOlllmercio estran¡..:'ciro Cornecer ; deslocam-se p:lra estas industrias, mais remunerador;h, hraç.lSe ca~~itaes; e!) collll1lcrcio c,trangeiro, expulso daCO!l- currencia !lOtrafico de i!el1eros que lhe de\'eriam caher, des- forra-se, intrflduzindo I11ercÚdf)riasque dc\'cramos prodlJzir e só não produzimos porque todas as furças lhes são
adversas, Ill\'ertendo a logica das rosiçtles, cornprornetternos a nossa economia e a nossa gente.
O i'o\"O hrasileiro n~IOse alimenta; a rarte média da ropulaç~LO alimenta-sc mal; os rroprios abastados não en- contram no paiz muita CiJusa que entra na alimcntação dos ci\'ilizados, uu s(·) as encontra de origcm estrangeira e a preços carissimos, Precisamos enl'arar e rcsoh'er, aus1cra c praticamente, este problema elementar: hzer o povo pro- duzir scu alimento, Cazel-o consumir alimento são e Corte.
17m pail. Ljue pl',de manter, de norte a sul, todas ;¡s industrias !'astoris - crcação de gado, suinos, carneiros e
;l\'es, para supprir carne e lactidnios a sua popubçfto inteira;
rroduzir milho, arroz e outros cereaes, Ceijljesde varias es~'e- des e mais leguminosas alimenticias, mandioca, legumes indi- genas e estrangeiros, hatatas, raizes e tubcrculos nutr ientes, canna, fructas indígenas e curoi'éas. cocos. cacau, ma11e c calé; que ainda possue l11agnilicas \'ariedades de caça (algumas das quaes, em risco dt~se extinguirem, bcm mereciaIllurgentcs cuicbdos) e a11undancia de peixe, ostras, C;ll11ar;IOe lagostas, n:\o precis:l importar nada para alimentar hem a g'ente lh, povo, e i'ara base da alimentaçiio de todos. ()u:lllto a certos cereaes eurul'cus: () tr¡g'o, a a\'eia, o ccnteio.
a cevada. cu1tiva\'cis no f\liz. no entender de Illuitos, o que outros. c dentre estes, o::; mais competentes. contestam (o ])r. .\ssis Br:ll.i1. ror cxemplo, que SI'! reconhece a possi- bilidade da cultura do trigo em limitadas regit1es do Rio Grande, COI11du\"Ídas. aliÚs, quanto Ú Slla \'antagem, no ponto de \'ista industrial'; e certas fructas mais rcCractarias ao clima (cerejas, peras, ctc. ':, como tambem outnls C]ue rodcm dar aqui, porém IÜ()cm quantidade sufficiente e qualidade de- scia\'el rara o consumo IlI\'as, m:\ç~IS, peccg'os; - seria dc bom a\'iso dei\al-(Js i'ara o commerciü exterior, como todus os rroductos industriacs de que não tem(Js materia ~'ri1lla,
de fórmJ a sustentar o rcgimen das trocas com as pro- ducções respectivas dos paizcs, garantida a producção no paiz do que é essencial Úvida, O trigo pódc scr, aliás, sub-- stituido, cm grandc partc, pelas batatas, pelo feijão e pelo milho, na alimcntação do povo.
A producçÜo dos generas dc alimentaçflO, essenciaes Ú vida c Ú industria de tuJa quanto interessar immediata- mente á cxistencia, Ú saÚde e ao conforto; a circulação e o supprimcnto ao conSUlllOdestes gcneros e dos importado') que tiverem igual interesse, e em gcral, a rroducç5.o nacional que empregar matcri:! rrilna no:;sa, devem ser ubjedo de uma politica de ar'oi,), dcstin:lda a exonerar-lhes o commercio de encarg'os excessi\'u:>, a libertal'lh de IlIOllOpulios, aç,ulIbar- camcntos C intermediarios inuteis, pondo, tanto quantl) 1'0:>- sivcl, o productor cm relação direct,l cum üconsumidor.
Instituiç{)cs de mutualidade cntre productures, associa- das a mutualidades de credito; armazens genlcs c entrc¡~us- tos de exportação e de COllsumo, mataduuros, feiras, mcr- cados c (lcl~ositos, nos centros l~Opulosos, cumbinados colJl as cooperati\'as; l'uhlic:1Ção frequente de c' It:lçt1es de l'rcçus correntes; um regimen de lisl'aliz:h,:ão e de policia economica, destinado a facilitar os negocios entre productores e con- sumidores; rel11oJeIaçii.odos i11lpo,~tos,dc forma a tornal-os favoraveis a este regilllcn; tudo cm Sllmnw, quanto ros:ia concorrer para garantir ao productor a maior quota pos- si\'cl dos lllCr,)') da~ vcnlbs, e ao consumidor, acquisiç~lO a justo preço dos generos dc que precisa: um sCr\'jço perma-
nente dc concessÜ0 dc ten'as a nacionacs e a cstrangeiros j:'l estabelecidos no paiz, com instrumcntos de trab:l1ho,
scmente:;, plantas, a vcs, :lnimaes de tracç~lO c meios de subsistcncia pDr algulll tempo, sÜo mcdidas que elevcm formar o esqueleto dcsta politica - vital para a nossa na- cionalidadc.
¡\ rC\'i<l') ,h Cllnstilui,;;u) d~l !ÜTubli,:a 6 a p:dra all- gular ebÜ plJ]iti,'~l, ¡\ Constilui~Üo \'ig'\~:]k lÚ<) é uma leí nr)SS:l e ¡:\lra 11\)S; carta de prinj pios cxnticos, SI') telll sCl'\'ido pra :llhear os c.srírit(),~ da idb de que a leí IÜ') é UIll~l {('ll'Ill:1,IlClll Ulll 8iT:lrclho de C()lllpre~<IO, imrustu al) raiz, para Illokbr-lhe os mlJ\'il11cl1t1l:':, llJa:" o cspclhq, a tr~hluc<;ãll, a ¡.~rurria innen'a~Jo, de seu vrg-anisl11o : lei fUI1c-
ciona] c hus~(>bde SU:.l adi\'i,laJc, 1':11';] lile ser\'ir de guia c l'()!\rdcn:lr-ll1c I'S illtercssc~,