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Menos mas melhores tintos e brancos

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Academic year: 2021

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Menos

mas

melhores

tintos

e

brancos

Começaram esta semana asvindimas na Vidigueira. Até aofinal do mês, aAdega Cooperativa de Vidigueira, Cuba eAlvito

está areceber ofruto de uma produção

bas-tante afetada, em quantidade, pela seca. Mas

cuja qualidade promete ser das melhores

dos últimos anos. Quer nos tintos, quer nos brancos,

págs. 16/17

(2)

Seca diminui

produção

na

região

de

Vidigueira,

Cuba

e

Alvito

Era

o

vinho,

meu

bem,

era

o

vinho...

Já se

vindima

no

Alentejo

e a

festa

da

colheita

deverá

ficar

nos

campos

até

ao

fim

do

mês.

A

Adega

Cooperativa

de

Vidigueira,

Cuba e

Alvito já

está

a

receber

uva e, este

ano,

espera-se

uma quebra

na produção,

que

deverá

os-cilar

entre

os

10

e os

20

por cento.

A

culpa

é

da

seca.

0

entusiasmo,

porém,

é

grande.

Esperam-se vinhos

de

grande qualidade.

As uvas

analiticamente

estão

muito

corretas

eos

bagos

estão

cheios.

Um

bom

ano para

os

brancos

e

para

os

tintos.

Texto Bruna Soares Fotos José Serrano Bruna Soares

O

dia quente não impede que homens

emulheres, apetrechados de roupa, chapéus elenços, porque, como diz o ditado, "o que tapa o frio, tapa o calor", saiam para o campo. Em solo alentejano sevindima eos cachos são retirados maio-ritariamente pelas mãos de quem tem a tra-dição vincada no corpo. Por quem avança

entre as entrelinhas àprocura do fruto, que dará o melhor líquido, que é o mesmo que dizer omelhor vinho.

Por momentos esquece-se aseca,

causa-dora de estragos na vinha. As uvas

atingi-ram o grau de amadurecimento indicado e épreciso levá-las para a Adega Cooperativa

deVidigueira, Cuba eAlvito, que conta com

mais de 300 sócios. Obra que nasceu do

so-nho de vários viticultores da região. O

iní-cio da atividade produtiva remonta ao ano de 1963. Viticultores que têm mantido nos seus efetivos vitícolas asmelhores castas au-tóctones. Destaque para "Antão Vaz", pro-dutora de um vinho branco ímpar, e para "Alfrocheiro", produtora de um vinho tinto

muito aromático.

A época devindima está enraizada nas gentes da região ehá famílias inteiras que saem para o campo. O trabalho durante a

colheita aumenta easpessoas, embora

tem-porariamente, ganham um rendimento

ex-tra. Apesar das máquinas, que auxiliam

e substituem muitos vindimadores, nos

campos ouve-se avoz de homens e

mulhe-res, porque atradição eogosto, neste caso, é quem mais ordena.

O sol queima. Na serra, no concelho de

Vidigueira, ofogo que deflagrou não dá

tré-guas aos bombeiros eofumo propaga-se. A porta da Adega Cooperativa de Vidigueira,

Cuba eAlvito os homens, que trouxeram os

tratores carregados de uva, aguardam pela

sua vez. A entrada um letreiro avisa: "Fila única". Os tratores avançam um a um. Por

vezes o tempo de espera é grande e os ho-mens matam asede encostados a uma rou-lotte, propriedade de quem perspetivou anecessidade e se instalou para o efeito à

porta daadega.

A azáfama, malseentra, percebe-se queé grande. É preciso pesar, atestar aqualidade da uva, ver a acidez, a cor, entre tantas ou-tras coisas. Até ao fim davindima, segundo Luís Leão, enólogo da Adega Cooperativa de

Vidigueira Cuba eAlvito, deverão ser rece-bidos "oito milhões de quilos de uva". "Três milhões emeio de tinto equatro milhões e meio debranco", adianta.

Mas este ano espera-se uma quebra na

produção. "Estamos àespera de uma dimi-nuição entre os 10 eos 20 por cento. No que

à qualidade diz respeito, contudo, temos uma enorme expetativa. Apesar de ter sido um ano muito seco, muitas das vinhas estão em regadio eos viticultores têm melhorado

(3)

qualitativamente asuvas".

A quebra na produção deve-se, como já

se pode adivinhar, sobretudo à seca. Luís Leão, enquanto aprecia a qualidade da uva

que está a entrar na adega, explica como a

falta de água afetou aprodução. "As vinhas precisam de uma média de 500 milímetros

de água para viverem bem. Tivemos cerca

de 320 milímetros. O que significa que

tive-mos menos 30/40 por cento de água do que

num ano normal". Em vinhas de sequeiro as consequências foram inevitáveis. Menos produção ebagos mais pequenos.

Ocalor insiste em não dar tréguas. Odia na adega começou às 8horas. A recolha da uva só deverá terminar às 20 e depois há

que preparar tudo para o novo dia. A coo-perativa está empenhada em continuar a fa-zer vinho de qualidade etodos os cuidados

são poucos, até porque o costume manda

que nesta casa se concluam vinhos que

fa-çam jus àfama da região.

"Há já alguns viticultores que vindimam àmáquina. Essas uvas têm de chegar àadega até às 10horas. Estes viticultores fazem a

co-lheita de noite. A uva tem de chegar fresca.

A colheita que é feita manualmente tem de ser feita no dia e entra durante todo o dia.

Temos depois, claro, muitos outros

parâme-tros. Tem de se ter em atenção o grau

alcoó-lico, amaturação dauva, os reboques têm de ser isolados, entre tantas outras coisas".

Mas osegredo para que auva chegue em

condições àadega muito sedeve aotrabalho que édesenvolvido durante todo o ano no

campo. "Com o grande acompanhamento da Associação Técnica dos Viticultores do

Alentejo (Ateva) as vinhas são bem contro-ladas. Os viticultores entregam toda a pro-dução. Não há assim desperdícios eas uvas estão em excelentes condições. Se um

viti-cultor chegar à adega, por exemplo, com

uvas podres, o que não acontece, aprópria sonda (primeira fase da entrada da uva na

adega) indica-o". Énesta fase que a

quanti-dade defruto épesada, que seanalisa oteor alcoólico eque se estabelece o pagamento, diferenciando-se as uvas.

As doenças, nomeadamente o míldio,

não afetaram as vinhas e a uva está cheia. Desperdícios? "Não os há", garante Luís Leão. "O trabalho éfeito durante todo oano, para que nesta altura talnão severifique".

As uvas são descarregadas no tegões,

de-pois de devidamente diferenciadas. É

pre-ciso que fermentem à temperatura ideal

e que passem por controlos muito

rigoro-sos, sempre debaixo de olho de técnicos especializados.

"Em termos de vinhos brancos, nas

ga-mas mais baixas, esperamos lançar a

co-lheita deste ano no princípio de 2013. No

que diz respeito aos tintos, também nas

ga-mas mais baixas, em meados de 2013. Os casos dos vinhos de reserva, de colheitas

se-lecionadas egarrafeiras exigem outro

tra-balho. Há a parte das barricas, do estágio

em garrafa eisso leva muito mais tempo", conta oenólogo.

A aceitação dos vinhos, de acordo com Luís Leão, "é muito boa", até porque os vi-nhos da zona de

Vidigueira

têm fama.

"Sempre teve uma tradição muito grande em vinhos brancos. Vidigueira pode con-siderar-se a mãe dos vinhos brancos no Alentejo. Houve, no entanto, uma grande diminuição no consumo de vinho branco.

Os viticultores e a adega foram

obriga-dos a adaptar-se. A adega há 15 anos

ti-nha 90 por cento de branco e 10 por cento de tinto. Começou avender-se muito tinto

e pouco branco. Teve de acontecer, natu-ralmente, uma mudança. Equilibraram-se

as produções", lembra o enólogo. No en-tanto, defende: "Não há dúvidas de que a

zona de Vidigueira em vinhos brancos,

es-pecialmente da casta 'Antão Vaz', érainha. Não há igual. São vinhos muito suaves e muito frescos. Nos tintos a grande casta é

a'Trincadeira', se bem que existe uma mu-dança ejáseplantam outras castas. A

quali-dade distingue osvinhos da zona".

Este será, na opinião do enólogo, um

"bom ano" para os vinhos da adega. "As

uvas têm muito bom aspeto e analitica-mente estão muito corretas", avança. Epor onde passa o futuro dos vinhos desta

re-gião? "O grande desafio da adega écolocar,

especialmente o vinho branco, como um

dos melhores do País. Esta tem de ser uma zona dereferência. Éaqui que acasta 'Antão Vaz' se dá em excelentes condições". Epor isso não restam dúvidas. A intenção é co-locar o branco de Vidigueira nas bocas do

mundo, porque embora já se aposte na

(4)

explorar. Lá fora, mas também cá dentro. Esta é asegunda semana de vindima. A festa dacolheita deverá estar nos campos do

Alentejo até aofinal desetembro.

A nova direção da Adega Cooperativa

de Vidigueira, Cuba eAlvito foi eleita

re-centemente. Quais são as suas principais

apostas?

Para além de ser uma direção recente, to-mámos posse em janeiro, também é uma

direção jovem, na idade eno posto. É

cons-tituída por pessoas que nunca tinham

es-tado ligadas aos órgãos sociais da adega e por pessoas cuja faixa etária ronda os 30 e

poucos anos. Queremos que esta casa ganhe notoriedade. Queremos que comercialize

cada vez mais vinhos de qualidade e quere-mos remunerar melhor as uvas dos nossos associados.

Tendo em conta a conjuntura atual acha que épossível?

Sim. Quando tomámos posse pensámos: "Vamos entrar em 2012. Um ano

terrí-vel, com a retração do consumo nacional e a nossa cota de exportação é só de dois por cento". Prevíamos um ano muito mau ecomplicado. Na análise dos resultados do primeiro semestre crescemos 4,8por cento.

Temos indícios de que é possível, apesar

destas condições edesta envolvente micro e macro económica, crescer. Agora épreciso

saber para onde queremos crescer. Eaadega

quer crescer cá dentro e não só pela via da internacionalização. É claro que qualquer

coisa que façamos para o exterior significa muito. Recordo que sótemos dois por cento.

Queremos, assim, crescer no mercado na-cional eno exterior.

A"Vidigueira" é uma marca já bastante

co-nhecida anível nacional...

A sub-região vitivinícola de Vidigueira tem mais de uma dezena de produtores de

grande renome. O único cooperativo

so-mos nós. Esta marca é mais reconhecida quanto mais e melhor cada agente fizer o

seu trabalho.

A zona étradicionalmente conhecida pela qualidade dos vinhos brancos, embora os

tintos sejam também uma grande aposta...

A nível nacional Vidigueira é entendida

como uma região tradicionalmente produ-tora devinhos brancos. As castas produto-ras devinho branco, nomeadamente "Antão Vaz", têm uma belíssima adaptação nesta re-gião. Nas últimas duas décadas, com a mu-dança dos hábitos deconsumo para ovinho tinto, aregião adaptou-se. Esta casa teve de

reestruturar-se. Uma das nossas apostas de marketing, em termos de direcionamento

do produto, vai precisamente para os

vi-nhos brancos. Queremos efetivamente que

esta casa seafirme como uma casa de

exce-lência de produção devinhos brancos para aproveitar toda a energia que já existe. Por

que não voltar a dizer que vinhos brancos são os de Vidigueira? O que não quer dizer que não tenhamos os tintos.

Enovos investimentos?

Uma nova linha de engarrafamento euma nova zona dearmazenamento.

Poronde passa ofuturo desta casa?

Passa por apostas acertadas no que diz res-peito aoincremento da notoriedade dos seus

vinhos. Aregião já tem fama e,neste sentido,

aVidigueira tem que reaparecer ainda mais eganhar mais cota demercado emais dina-mismo. Penso que este é o único caminho.

Crescer, aumentar anotoriedade evalorizar e pagar melhor as uvas aos seus associados.

"Não

dúvidas

de

que

a

zona

de

Vidigueira

em vinhos brancos,

especialmente

da

casta

'Antão Vaz',

é

rainha.

Não

igual. São vinhos muito

suaves

e

muito

frescos.

Nos

tintos

a

grande

casta

é a

Trincadeira',

se bem

que

existe

uma

mudança

e

se

plantam

outras

castas.

(5)

os

vinhos

da

zona".

Crescer,

aumentar

a

notariedade

e

pagar melhor

as uvas

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Referências

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