Menos
mas
melhores
tintos
e
brancos
Começaram esta semana asvindimas na Vidigueira. Até aofinal do mês, aAdega Cooperativa de Vidigueira, Cuba eAlvito
está areceber ofruto de uma produção
bas-tante afetada, em quantidade, pela seca. Mas
cuja qualidade promete ser das melhores
dos últimos anos. Quer nos tintos, quer nos brancos,
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Seca diminui
produção
na
região
de
Vidigueira,
Cuba
e
Alvito
Era
o
vinho,
meu
bem,
era
o
vinho...
Já se
vindima
no
Alentejo
e afesta
da
colheita
deverá
ficar
noscampos
até
ao
fim
do
mês.
AAdega
Cooperativa
de
Vidigueira,
Cuba eAlvito já
está
areceber
uva e, este
ano,
espera-se
uma quebra
na produção,
que
deverá
os-cilar
entre
os10
e os20
por cento.
Aculpa
éda
seca.0
entusiasmo,
porém,
é
grande.
Esperam-se vinhos
de
grande qualidade.
As uvasanaliticamente
estão
muito
corretas
eosbagos
estão
cheios.
Um
bom
ano para
osbrancos
e
para
ostintos.
Texto Bruna Soares Fotos José Serrano Bruna Soares
O
dia quente não impede que homensemulheres, apetrechados de roupa, chapéus elenços, porque, como diz o ditado, "o que tapa o frio, tapa o calor", saiam para o campo. Em solo alentejano já sevindima eos cachos são retirados maio-ritariamente pelas mãos de quem tem a tra-dição vincada no corpo. Por quem avança
entre as entrelinhas àprocura do fruto, que dará o melhor líquido, que é o mesmo que dizer omelhor vinho.
Por momentos esquece-se aseca,
causa-dora de estragos na vinha. As uvas
atingi-ram o grau de amadurecimento indicado e épreciso levá-las para a Adega Cooperativa
deVidigueira, Cuba eAlvito, que conta com
mais de 300 sócios. Obra que nasceu do
so-nho de vários viticultores da região. O
iní-cio da atividade produtiva remonta ao ano de 1963. Viticultores que têm mantido nos seus efetivos vitícolas asmelhores castas au-tóctones. Destaque para "Antão Vaz", pro-dutora de um vinho branco ímpar, e para "Alfrocheiro", produtora de um vinho tinto
muito aromático.
A época devindima está enraizada nas gentes da região ehá famílias inteiras que saem para o campo. O trabalho durante a
colheita aumenta easpessoas, embora
tem-porariamente, ganham um rendimento
ex-tra. Apesar das máquinas, que já auxiliam
e substituem muitos vindimadores, nos
campos ouve-se avoz de homens e
mulhe-res, porque atradição eogosto, neste caso, é quem mais ordena.
O sol queima. Na serra, no concelho de
Vidigueira, ofogo que deflagrou não dá
tré-guas aos bombeiros eofumo propaga-se. A porta da Adega Cooperativa de Vidigueira,
Cuba eAlvito os homens, que trouxeram os
tratores carregados de uva, aguardam pela
sua vez. A entrada um letreiro avisa: "Fila única". Os tratores avançam um a um. Por
vezes o tempo de espera é grande e os ho-mens matam asede encostados a uma rou-lotte, propriedade de quem perspetivou anecessidade e se instalou para o efeito à
porta daadega.
A azáfama, malseentra, percebe-se queé grande. É preciso pesar, atestar aqualidade da uva, ver a acidez, a cor, entre tantas ou-tras coisas. Até ao fim davindima, segundo Luís Leão, enólogo da Adega Cooperativa de
Vidigueira Cuba eAlvito, deverão ser rece-bidos "oito milhões de quilos de uva". "Três milhões emeio de tinto equatro milhões e meio debranco", adianta.
Mas este ano espera-se uma quebra na
produção. "Estamos àespera de uma dimi-nuição entre os 10 eos 20 por cento. No que
à qualidade diz respeito, contudo, temos uma enorme expetativa. Apesar de ter sido um ano muito seco, muitas das vinhas estão em regadio eos viticultores têm melhorado
qualitativamente asuvas".
A quebra na produção deve-se, como já
se pode adivinhar, sobretudo à seca. Luís Leão, enquanto aprecia a qualidade da uva
que está a entrar na adega, explica como a
falta de água afetou aprodução. "As vinhas precisam de uma média de 500 milímetros
de água para viverem bem. Tivemos cerca
de 320 milímetros. O que significa que
tive-mos menos 30/40 por cento de água do que
num ano normal". Em vinhas de sequeiro as consequências foram inevitáveis. Menos produção ebagos mais pequenos.
Ocalor insiste em não dar tréguas. Odia na adega começou às 8horas. A recolha da uva só deverá terminar às 20 e depois há
que preparar tudo para o novo dia. A coo-perativa está empenhada em continuar a fa-zer vinho de qualidade etodos os cuidados
são poucos, até porque o costume manda
que nesta casa se concluam vinhos que
fa-çam jus àfama da região.
"Há já alguns viticultores que vindimam àmáquina. Essas uvas têm de chegar àadega até às 10horas. Estes viticultores fazem a
co-lheita de noite. A uva tem de chegar fresca.
A colheita que é feita manualmente tem de ser feita no dia e entra durante todo o dia.
Temos depois, claro, muitos outros
parâme-tros. Tem de se ter em atenção o grau
alcoó-lico, amaturação dauva, os reboques têm de ser isolados, entre tantas outras coisas".
Mas osegredo para que auva chegue em
condições àadega muito sedeve aotrabalho que édesenvolvido durante todo o ano no
campo. "Com o grande acompanhamento da Associação Técnica dos Viticultores do
Alentejo (Ateva) as vinhas são bem contro-ladas. Os viticultores entregam toda a pro-dução. Não há assim desperdícios eas uvas estão em excelentes condições. Se um
viti-cultor chegar à adega, por exemplo, com
uvas podres, o que não acontece, aprópria sonda (primeira fase da entrada da uva na
adega) indica-o". Énesta fase que a
quanti-dade defruto épesada, que seanalisa oteor alcoólico eque se estabelece o pagamento, diferenciando-se as uvas.
As doenças, nomeadamente o míldio,
não afetaram as vinhas e a uva está cheia. Desperdícios? "Não os há", garante Luís Leão. "O trabalho éfeito durante todo oano, para que nesta altura talnão severifique".
As uvas são descarregadas no tegões,
de-pois de devidamente diferenciadas. É
pre-ciso que fermentem à temperatura ideal
e que passem por controlos muito
rigoro-sos, sempre debaixo de olho de técnicos especializados.
"Em termos de vinhos brancos, nas
ga-mas mais baixas, esperamos lançar a
co-lheita deste ano no princípio de 2013. No
que diz respeito aos tintos, também nas
ga-mas mais baixas, em meados de 2013. Os casos dos vinhos de reserva, de colheitas
se-lecionadas egarrafeiras exigem outro
tra-balho. Há a parte das barricas, do estágio
em garrafa eisso leva muito mais tempo", conta oenólogo.
A aceitação dos vinhos, de acordo com Luís Leão, "é muito boa", até porque os vi-nhos da zona de
Vidigueira
têm fama."Sempre teve uma tradição muito grande em vinhos brancos. Vidigueira pode con-siderar-se a mãe dos vinhos brancos no Alentejo. Houve, no entanto, uma grande diminuição no consumo de vinho branco.
Os viticultores e a adega foram
obriga-dos a adaptar-se. A adega há 15 anos
ti-nha 90 por cento de branco e 10 por cento de tinto. Começou avender-se muito tinto
e pouco branco. Teve de acontecer, natu-ralmente, uma mudança. Equilibraram-se
as produções", lembra o enólogo. No en-tanto, defende: "Não há dúvidas de que a
zona de Vidigueira em vinhos brancos,
es-pecialmente da casta 'Antão Vaz', érainha. Não há igual. São vinhos muito suaves e muito frescos. Nos tintos a grande casta é
a'Trincadeira', se bem que existe uma mu-dança ejáseplantam outras castas. A
quali-dade distingue osvinhos da zona".
Este será, na opinião do enólogo, um
"bom ano" para os vinhos da adega. "As
uvas têm muito bom aspeto e analitica-mente estão muito corretas", avança. Epor onde passa o futuro dos vinhos desta
re-gião? "O grande desafio da adega écolocar,
especialmente o vinho branco, como um
dos melhores do País. Esta tem de ser uma zona dereferência. Éaqui que acasta 'Antão Vaz' se dá em excelentes condições". Epor isso não restam dúvidas. A intenção é co-locar o branco de Vidigueira nas bocas do
mundo, porque embora já se aposte na
explorar. Lá fora, mas também cá dentro. Esta é asegunda semana de vindima. A festa dacolheita deverá estar nos campos do
Alentejo até aofinal desetembro.
A nova direção da Adega Cooperativa
de Vidigueira, Cuba eAlvito foi eleita
re-centemente. Quais são as suas principais
apostas?
Para além de ser uma direção recente, to-mámos posse em janeiro, também é uma
direção jovem, na idade eno posto. É
cons-tituída por pessoas que nunca tinham
es-tado ligadas aos órgãos sociais da adega e por pessoas cuja faixa etária ronda os 30 e
poucos anos. Queremos que esta casa ganhe notoriedade. Queremos que comercialize
cada vez mais vinhos de qualidade e quere-mos remunerar melhor as uvas dos nossos associados.
Tendo em conta a conjuntura atual acha que épossível?
Sim. Quando tomámos posse pensámos: "Vamos entrar em 2012. Um ano
terrí-vel, com a retração do consumo nacional e a nossa cota de exportação é só de dois por cento". Prevíamos um ano muito mau ecomplicado. Na análise dos resultados do primeiro semestre crescemos 4,8por cento.
Temos indícios de que é possível, apesar
destas condições edesta envolvente micro e macro económica, crescer. Agora épreciso
saber para onde queremos crescer. Eaadega
quer crescer cá dentro e não só pela via da internacionalização. É claro que qualquer
coisa que façamos para o exterior significa muito. Recordo que sótemos dois por cento.
Queremos, assim, crescer no mercado na-cional eno exterior.
A"Vidigueira" é uma marca já bastante
co-nhecida anível nacional...
A sub-região vitivinícola de Vidigueira tem mais de uma dezena de produtores de
grande renome. O único cooperativo
so-mos nós. Esta marca é mais reconhecida quanto mais e melhor cada agente fizer o
seu trabalho.
A zona étradicionalmente conhecida pela qualidade dos vinhos brancos, embora os
tintos sejam também uma grande aposta...
A nível nacional Vidigueira é entendida
como uma região tradicionalmente produ-tora devinhos brancos. As castas produto-ras devinho branco, nomeadamente "Antão Vaz", têm uma belíssima adaptação nesta re-gião. Nas últimas duas décadas, com a mu-dança dos hábitos deconsumo para ovinho tinto, aregião adaptou-se. Esta casa teve de
reestruturar-se. Uma das nossas apostas de marketing, em termos de direcionamento
do produto, vai precisamente para os
vi-nhos brancos. Queremos efetivamente que
esta casa seafirme como uma casa de
exce-lência de produção devinhos brancos para aproveitar toda a energia que já existe. Por
que não voltar a dizer que vinhos brancos são os de Vidigueira? O que não quer dizer que não tenhamos os tintos.
Enovos investimentos?
Uma nova linha de engarrafamento euma nova zona dearmazenamento.
Poronde passa ofuturo desta casa?
Passa por apostas acertadas no que diz res-peito aoincremento da notoriedade dos seus
vinhos. Aregião já tem fama e,neste sentido,
aVidigueira tem que reaparecer ainda mais eganhar mais cota demercado emais dina-mismo. Penso que este é o único caminho.
Crescer, aumentar anotoriedade evalorizar e pagar melhor as uvas aos seus associados.