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BRIEF
00O3717
SERMÃO
SOBRE O
HYSTERIO DA INGARRACiO
DE
PREGADO NA REAL CAPELLA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
NO DIA 4 DE ABRIL DE 1864
PELO
Dr. F. A. Rodrignes de Azevedo (
^
)Lente de Prima,
Decano e Director da Faculdade de Theologia na
mesma
Universidade, etc.COIMBRA
IMPRENSA DA UNIVERSIDADE
1864
Este Sermão foi pedido ao authoi'; e mandadoimprimirpelo Ex.""> Sr. Bispo Conde.
Sjnritus Sanctus superieniet in fe, et virtus Altissimi obumhrahit tihi.
S. Liic. cap. I, V. 35.
No
evangelho de hoj^ nos refere S.Lucas
aAmiunciação
de Maria, e a Incarnação doVerbo
Divino.
Fiel á promessa, que fizera aos nossos primeiros pães
—
promessa conservada nas tradições primiti- vas, esclarecida successivamentc no"povo de Israel, e sentidacomo um
presentimento da intelligencia,uma
asjíiração do coraçãoem
toda ahumanidade
— Deus
determinouemfim
reahsal-ana
plenitude dos tempos: e o Archanjo, que tinha revelado a Daniel otempo
preciso da vinda do Desejado das Nações, émandado
annunciar auma Virgem
deSião,
que em
seu casto seio vae incarnar o Filho deDeus
: Spiritus Sanctus suj^erveniet in te, et virtus Altissimi obumhrahit tihi.Simples e innocente
mal comprehende
aDon-
zella
um
mysterio,que
parece contrariar o voto de virgindade, que ella consagrara ao Senhor;mas
oArchanjo lhe diz,
que
esta maravilha será obra do EspiritoSancto;que
seu filho será oFilho de Deus, o Sancto por excellencia, o Salvador do seu povo.A virgem
liiiniilha-sena
presença de Deus; sujeitaa sua vontade á d'Aquelle, que pôde tudo: e o Es- pirito Sancto, descendo sobre ella, a torna, 'nesse
momento, mãe
de Jesus Christo.Bondade
eamor
deDeus
paracom
ohomem,
manifestado na Incarnação do
Verbo
Divino; gran- deza e elevação de ]\Iaria, revelada na escolha, qued'ella faz o Senhor;
—
eis os dois pontos,que
a San- cta Egreja hoje recorda aos seus filhoscom
a pre- sente solemnidadecom
o evangelho do dia.Acerca
das excellencias de Maria no mysterioda
sua Annunciação, tenho eu falado tantas vezes 'nestemesmo
logar, que muito receiaria enfadar-vos, se hoje discorresse sobre o
mesmo
assumpto.Permitti-mepois, que
— sem me
afastarda intenção da Egrejanem
do evangelho do dia—
eu fale agorada Incarnação do
Verbo
Divino. Mysterio incom- prehensivel á razãohumana! porém
mysterio,que
foi
em
todos ostempos um
presentimento da intel- ligenciauma
aspiração do coração dohomem,
atéqueJesus Christo veio mostrar-lhe asua realisação.
O
auditório e as circumstancias não só desculpam,exigem
talvez, falar— com
j)referencia—
sobreeste ponto tão importante.
Na
presença de tantas intelligencias robustas—
algumas
ainda no verdor dos annos—
,no meio
de corações juvenis, puros, generosos e enérgicos
como soem
ser os de mancebos,nada
mais útil doque
indicar d'esta cadeira as verdades capitães da rehgião. Indicar, digo eu; porque a intelligencias d'estaordem
basta indicar a verdade, e dizer:avante: a corações de vinte annos basta mostrar o
bem
c dizer: secjue.o
Eu
respeito o auditório illustracloj que luc es- cuta; admiro eamo
osmancebos
estudiosos—
esta flordamocidade
portugueza—
queme
cercam. Cre- de-me, senhores (eu não mintonem
lisongeio 'neste logar tão respeitável!): admiro eamo
amocidade
académica; e é por issoque
eu lamento, queem maus
livros,em
livros Ímpios eimmoraes
ellabeba
a longos tragos o erro,
que
lhe desvaira a intelli-gencia, e a corrupção, que llie deprava o coração.
E ha
tantoempenho em
vulgarisar esses livros!E
são lidos—
ás vezes—
só porque foram prohibi- dos!O liomem
dformado
assim!O
remédio mais j)oderoso contiamal
tão graveé o estudo e a meditação das verdades capitães do Christianismo.
E
entre ^stastem
por ventura o 23rimeiro logar a Incarnação do Filho de Deus,que
S.
Lucas
nos refere no evangelho de hoje, e que oArchanjo
annuncia nas palavras domeu
thema:Spwltus SanctuSf etc. Esta será por isso a matéria da
minha
oração.Espirito Divino, fonte de luz e de sabedoria,
illusti'ae o
meu
intendimento, e abri o coração dos,que me
escutam, para que sejam dóceis ás verda- des, quevou
annunciar-lhes.E
vós, senhores, etc.Mysterios! mysterios da religião!! Eis a pedra de escândalo para a incredulidade superficial ou corrom^Dida.
E
todavia, senhores, osmysterios exis-tem
não sóna ordem
sobrenatural,mas
ainda nas cousas da natureza, sujeitas á nossa observação eá nossa experiência.
Com
o telescópiona mão ponde
ohomem
desco-brir muitos astros, invisiveis aos olhos desarmados.
Ajudada
pela observaçãopoude
a sciencia determi- nar a sua distancia, calcular o seu volume, e for-mídar
as leis, queregem
os seus movimentos.Mas
quantos milhões de astros, semeados
na
immensi- dade do espaço, são aindaum
mysterio para a As- tronomia?A
bússola e o quadranteajudaram
ohomem
adevassar
impunemente
a amplidão dos mares.Mas quem sondou
todos os seusabysmos? Quem
sabe explicar todos os seusphenomenos?
Na
terra a reproducção das sementes e dos ani-maes
maravilha a Zoologia e a Botânica: e a"His- toria Natural inclinar-se-ia a negar á existência dos animaes microscópicoscom
a sua organisação per- feitissima, se as observaçõesmodernas
não a obri-gassem
a confessal-a.Nos
nossos dias o génio dohomem tem
surpre- hendido—
ás vezes por acaso—
muitos segredosda natureza.
O
trabalho, esclarecido pela sciencia, applicou os seus eífeitos aos usos, áscommodidades
e aos prazeres, do
homem. E um
brasão glorioso do nosso século a descoberta do vapor, da photo- graphia, do gaz e da electricidade; e as gerações seguintes hão de bemdizer a applicação,que
nós temos feito, d'estes agentes naturaes ás sciencias, ás artes, á industria e ao commercio.Mas
porven- tura conhece ohomem bem
a natureza e o prin- cípio d'estesphenomenos? Os
seus effeitos mara-vilhosos são todos elles explicados pela sciencia?
Não
falemos d'essemundo
pequeno,chamado
homem. Os
queestudam
a Physiologia e a Psy-cliologia
sabem
os mysterios, as trevas,em
que seacha involvida a sciencia,
quando
pretende chegar aos primeiros princípios,quando
aspira a sondar osabysmos
da intelhgencia e do coraçãohumano.
Existem, senhores, existem mysterios incompre- hensiveis
na ordem
da natureza.E
estesdevem
dispor o
homem,
incHnal-o até, para crer osque
existemna ordem
da reHgião—
essa instituição di- vina,que
nos ensina as relações do ser finitocom
o
Ente
incomprehensivel, porissoque
é infinito.E um
d'esses mysterios é a Incarnação do Filho deDeus — fundamento
da Religião Christan.Admirável
disposição da Providencia divina!A
sua sabedoria, pelo espaço de quatro mil annos, preparou o
homem
; não j)aracomprehender
a na- tureza íntima, omodo
inefí^avel, porque
se operouesta maravilha,
mas
para a acreditar facilmente,vendo
'nella reahsados os prescntimentos e as aspi- rações de todo o génerohumano.
Coroa
da crcação, rei da natureza, ohomem tem
a consciência da sua grandeza e excellencia nomundo; mas
sente os effeitos deploráveis da sua degradação.Seu
espirito, pela intelhgencia, o eleva até o ceu,mas
seu corpo, pela sensualidade o re-baixa até o inferno.
Enigma
vivo nas obras da crca- ção,quem pode comprehender
as suas contradic- ções pasmosas?!Na
verdade, senhores, cáe nos erros mais gros- seiros a intelhgencia superior,que
descobriu ver- dades sublimes; etem
fraquezas vergonhosas o coração maispuro
e generoso.O homem
exalta a resignação no soífrimcnto, e os soffrimentos o irri-tani: louva a coragem,
que
affronta a morte, e a ideia da morte o enclie de pavor; procura os pra- zerescom
a^ddez, e despreza aquelles, que se en-tregam
aos prazerescom
excesso.Privados da luz da Revelação sobre o peccado
original, não
podiam
os antigoscomprehender
estecomposto
de grandeza e baixeza, esta união debem
e de mal, onde, ás mais bellas qualidades, se
acham
unidas as paixões mais vergonhosas.
Não
compre-hendiam
a causa; mas, á vista dos eífeitos,um
in-stincto su23erior lhes fez presentir, que só
um
Deus, descendo entre os homens, podiaremediar os males da humanidade.Mais arrojado
em
suas aspirações doque
a in- telligencia nos seus presentimentos o coração dohomem voava
incessantemente para o infinito; so-nhava um
estado mais perfeito;um
estado superior áhumanidade; um
estado, aque
só a podia elevarum Deus
abatendo-se até ella.D'aqui vem,
que
nas ceremonias religiosas, e nas instituições dos antigos legisladores, se encontra muitas vezes a ideia deuma
incarnação divina.A
philosophia grega ensina claramente a sua neces- sidade por bocca de Platão.
E
que significam as incarnações successivas da divindadena
religiãodo Oriente?
Esta ideia, esta esperança de
um Deus
no meio dos homens, estava tão altamentegravada
no espi- rito eno
coração de todos,no tempo
de Augusto,que
eu não sei, se a ella deva attribuir-se oUltima cumcei venit
jam
carminis CEtas;Macjnus ah integro saeclorum nascitur ordoj
Jam
nova j)rogenies ccelo demittitiir alto.9
do poeta (1).
O que
é certo é,que ninguém
se ad- mirou, de que os sábios do Oriente perguntassemem
Jerusalém:Onde
nasceu oRei dosJudeus? Vimos a sua estrella no Onente e viemos adoral-o.Toda
a natureza gemia, diz oPropheta
(2) para dar á luz o Salvador; e Jesus Cliristo apparece na Judéa, realisando os presentimentos e as aspira-ções da
humanidade
inteira.Uma
vida singela,exempta
dos erros e das fra-quezas da
humanidade,
mostrouna
sua pessoaum
ente superior aos
homens: uma
doutrina pura esublime fez ver 'nelle
um
enviado do ceu: e os mi-lao^res
—
este sêllo infallivel da Divindade—
alta-mente
oproclamaram
verdadeiro Filho de Deus.Em
verdade, senhores,no
longo espaço de de- zoito séculos o Cliristianismotem
sido combatido por milhares dehomens; mas
'neste longo espaço detempo
ainda nào appareceunem um
só, que ou- sassemanchar
o caracter moral do seu fundador;nem mn
só,que
arguissedo mais leve crimeAquelle, que dizia aos seus inimigos: quis ex vobis arguetme
depeecato?(?))
E
poderia ser purohomem
este typo perfeitíssimo dahumanidade?
Uma
doutrina nova, tao sublime nos seus dog- mas,como
pura na sua moral, calou altamente noespirito e no coração d'aquelles,
que
a escutaram;eainda hoje enche de assombro e de respeito aquel-
les, que a estudam. DiíFerente do mysticismo orien- tal e do sensualismo grego, Jesus Christo ensinou, de
um modo
claro eaccommodado
a todas as inteU(1) Virg. Eccl. IV.
(2) Isaías, cap. XL, XLV.
(3) S. Joào, vin, 46.
ligencias,os
dogmas
salutares daUnidade
deDeus,.daProvidencia, davida futura. Foi elle que revelou a origem
commum
da espéciehumana,
a sua de- gradação, o seu fim último, os meios de reliabili-tação pela fé e pela cliaridade. Doutrina
nova
c admirável! que, ensinando odogma
da egualdade entre os homens, regenerou ahumanidade, deu-lheuma
vida nova, e alevantou do abatimento,em que
jazia, mais de
ametade
do génerohumano. Dou-
trina fecundissimanos seus resultados! porque pro- duziu todas asvantagens e bens,
que
hojegozam
as sociedades modernas.A
doutrina de Jesus Christo—
dizum
profundo escriptor contemporâneo (1)—
introduz-se no seio
da
sociedade antiga; mata-a; eno
cadáver corrompido da antiga civilisação, depõe ogérmen
da civilisação moderna.Não
foi o risonho valle de Nazareth,que
inspi-rou esta doutrina. Se os prados
amenos
daX^alileapodessem
produzil-a, os palmares do Oriente a te-riam
—
muito antes—
inspirado.A
oração e o re-colhimento da
alma
elevam—
é verdade—
ohomem
até
Deus
;mas
os discípulos deBrahmá,
de Platãoe de Pythagoras,
nunca
ensinaramdogmas
emá-
ximas eguaes ás de Jesus Christo.Se admittimos o eífeito,
como
negar a causa,que
o produziu?
É
divina a doutrina, confessam todos.E podem
então negar a divindade d'Aquelle,que
a ensinou? que disse claramente ser o Filhoamado
doPae
celeste,mandado
aomundo
para regenerar oshomens?
Jesus Christo disse-o; e provou-o cabalmente
(1) Guizot.
11
pela grandeza e multiplicidade dos seus milagres.
Milagres públicos, confessados pelos seus próprios inimigos, e acreditados pelas intclligencias mais es- clarecidas,
que têm
illustrado ahumanidade
no es-paço de dezoito séculos.
Eu bem
sei, queuma
Escliola moderna, exal-tando as virtudes
moraes
e a sciencia do Filho de Deus,nega
este testimunho, o mais convincente,da
sua divindade. Mas, apesar dos seus exforços, essa Escholanem pode
explicarpor meios naturaes as maravilhas, que nos referem os Evangelhos,nem
riscar do
tempo
esses factos, cuja realidade, attes-tada por testemunhas occulares do século de
Au-
gusto, é confirmada por instituições e
monumentos, que duram
até hoje.Esses
monumentos,
essas instituições é o Cliris-tianismo: facto capital na historia da
humanidade
!
facto, que
ninguém
pode negar: e facto, todavia,que
seria inexplicável, e até absurdo,sem
os mila- gres de Jesus Christo. Seria o maior de todos os milagres (dizia o Sancto Bispo de Hiponia),que
omundo
inteiro se convertessesem
milagres.É
insultar obom
senso, é fazeruma
tristissima ideia da sciencia histórica do nosso século, ousar escreverum
livro,em
que senega
amorte
deJesus Christo na cruz!E
sabeis paraque? Para
negar a realidade da sua Resurreiçâo ! E,que
estatem
ca- racteres taes de certeza,que
sópôde
negar-se ten- do-senegado
aquella.E
este livrotem voga
! e acha admiradores!O homem
sensato, lendo-o, não ri do absurdo (queum
escrijítor insus2)eito (1)chama
(1) Strauss.
12
Monstruoso)^ porque
nenhum
lia,que
não tenlia tido«eus defensores;
mas
lamenta a frivolidade da epo- clia e a sua tendência anti-christan, e anti-religiosa.Eu também
li o romance, que se intitula—
Vida de Jesus. Antes d'esta tinha lido a outra Vida de Jesus, publicada pelo Repetente deTubingue
(quefoi apedrejado
como
impio pelo seu rebanho pro- testante na Suissa); e talvez—
antes d'estas—
eutivesse lido o,
que
estes dois copiaram, ou colligi-ram. Li, e não
me
tornei incrédulo.E
qiiereis saber oporque? Porque
meditei oque
li;porque
separeiii
forma
da matéria; porqueme convencem
argu- mentos, e não palavras; porque sei diíFerençarum
romance
deuma
biographia,como
distingoum
re-trato de
uma
pintura, por mais primorosa,que
esta seja.Li, e não
me
tornei incrédulo;porque
acho mais lógico negar as curas milagrosas de Jesus Christo, do que admittir essas curas, para as attribuir ao timbreda
voz de Jesus Christo, á meiguice das suas maneiras, aos encantos da sua pessoa;porque me
parece eminentemente absurdo admittir o facto de Lazaro, referido
no Evangelho
de S. João, e pre- tender explicar naturalmente a resurreição deum
cadáver,
em
putrefacção depois de três dias.Li, e não
me
tornei incrédulo; porquenem
as argucias deum
sophista.nem
os devaneos imagi- nosos deum
poeta,nem
alinguagem
seductora deum
escriptorpodem
prevalecer contra a realidade.A
realidade é a verdade; e o Christianismo, fun-dado
nos milagres ena
Divindade de JesusChristo,é
uma
realidade:— em
que pese aos seus inimigos.Li, c não
me
tornei incrédulo; porque a expe-13
ríencia
—
quezomba
das tlieorias mais ingenliosas,que
ri das argumentações,que parecem
as mais concludentes, que é a verdadeira pedra de toque para afferir os systemas e os raciocinios—
a expe-riência, a historia e a verdadeira philosopliia
me
ensinam duas grandes verdades. Primeira: que a crença
na
Divindade de Jesus Cliristo, este pre- sentimento e aspiração domundo
antigo,tem
feitoa gloria e felicidade do
mundo
moderno,ha
dezoito séculos.Segunda
: que esta crença é a única con- solação do individuo, nos dias da miséria, da dor,ou da adversidade.
E
aquillo,que
faz a felicidadedo individuo e da sociedade, não
pôde
ser falso.Mancebos, que
me
escutaes; vós, quena
aurora da vida sois arrastados por tudo aquillo, que exalta a imaginação, que lisongeia as paixões e a sensuali- dade;vós, que, sobre tudo, amais a novidade, crede 'naquelle, quetambém
já teve o sangue quente, jáfoi
moço
e ávido de novidades. Quereisuma
regra segura e infallivel para avaliar qualquer doutrina?Ponderae
os seus effeitos e consequênciasna
rea- lidade da vida.A
verdade éuma
só ; e a doutrina, d'onde seseguem
absurdos moraes, nãopôde
ser verdadeira.Todos
vós tendesum
pae respeitável,uma mãe
extremosa,
uma
irman amiga. Dizei-me: coníiarieis a fortuna de vosso pae, a vida de vossa mãe, e ahonra
de vossairman
aoshomens
ou corrompidosou
inconsiderados,que seguem
as doutrinas,que
hoje espalhana
sociedadeuma
alluvião de livros Ímpios eimmoraes?
Ao
fundador do género romântico,na
Allema- nha, esse escriptor de imaginação viva e lingua-14
gein seductora,
mas
impio e licencioso nos seus escriptos, perguntou,um
dia,um
seu amigo; que-rerieis vós,
que
vossas filhas lessem os vossos ro-mances? O
romancista nãoponde
responder.E
o poeta de Ferney,'numa
das suas orgias,vendo
en- trarum
criado, disse aos companheiros: calae-vos se omeu
criado jouvisse os nossos discursos, assas- sinar-me-iaem
qualquer noitesem
escrúpulo esem
remorso.
Muito mais nocivos do
que
osmaus
discuros são os livros,que
os vulgarisam.Homens,
desvairados pelo orgulho ou pelas pai- xões,abusando
do maravilhoso invento deGuttem-
berg,
têm
espalhadona
sociedadeum veneno
de morte. Veneno, sim,que mata
a intelligencia pela incredulidade, o coração pelo egoismo, o senti-mento
pelaindifferenca: veneno,que empeçonha
areligião
com
a descrença, a moralcom
a devassi- dão, a sociedadecom
a anarchia.E que
seria domundo sem
fé,sem
honra, esem ordem?
O meio
de atalhar os males gravissimos,que
pro-vêm
de taes livros, é(como
eu diziaha
pouco) o estudo e a meditação das verdades capitães da re- ligião.E
este estudo j)ertence principalmente avós, mancebos,que, dentroem
pouco tempo, sereis cha-mados
a dirigir os destinos da Pátria.Consenti,
que
eu termine esta oração, repetindo oque
já disse,um
dia, d'estemesmo
logar.O
au- thor do Curso de Litteratura Franceza, que, por muito tempo,combateu
nas fileiras da increduli- dade, tornado a si, escreveu: examinaepara
a'erdes:eu cri, porque examinei,
-^Ofr-