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Rev Latino- am Enferm agem 2006 m aio- j unho; 14( 3) : 303- 4www.eerp.usp.br/ rlae Edit orial
Edit ores da Revist a Latino- Am ericana de Enferm agem da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o desen volv im ent o da pesquisa em enfer m agem : 1 Pr ofessor Tit ular, e- m ail: iam endes@eer p.usp.br ; 2 Pr ofessor Associado, e- m ail:
SI STEMAS DE SAÚDE EM BUSCA DE EXCELÊNCI A: OS RECURSOS HUMANOS EM FOCO
I sabel Am élia Cost a Men des1
Mar ia Helen a Palu cci Mar ziale2
A
orientação estratégica em saúde depende de políticas e ações que assegurem prioridade aos esforços dirigidos à garantia de m aior grau de eqüidade nas condições de vida e de saúde à população, assim com o ao acesso aos serviços de at enção básica.Tem - se const at ado um a fort e t endência de baixa influência do set or saúde na form ulação de polít icas econôm icas que visam a prom oção de crescim ento, assim com o na tom ada de decisões em busca de distribuição m ais eqüit at iva de renda. Mas, em cont rapart ida, quando se pensa em eqüidade, ou em m eios para alcançá-la, a saúde em erge com o um bem que concentra um potencial significativo para a prom oção do j usto respeito à igualdade de direit os.
Se bem est r ut ur ado, o set or saúde pode m inim izar desigualdades, est abelecer pr ogr am as de bem est ar social, prom over a m elhoria das condições de vida da m aioria desassist ida e t ransform ar os sist em as de at enção básica com ênfase na prom oção de saúde, prevenção de riscos e envolvim ent o da part icipação dos cidadãos. Na últ im a década do século XX elencavam - se as seguint es est rat égias para redução dos principais problem as defront ados pela saúde: - reorganização do set or saúde; focalização de ações dirigidas a grupos de alt o r isco; pr om oção de saú de; ex plor ação da com u n icação em saú de; in t egr ação da m u lh er à saú de e desenvolvim ent o; gest ão de conhecim ent o; m obilização de recursos e cooperação ent re países( 1).
Em bora no período em referência os sist em as de saúde na região das Am éricas t enham prom ovido t r ansfor m ações est r ut ur ais significat iv as, pr oblem as per sist ir am e em sua m aior ia est ão r elacionados aos r ecur sos hum anos. Com base nest a const at ação, a Or ganização Panam er icana de Saúde, o Minist ér io da Saúde do Canadá e o Minist ério da Saúde e Cuidados Prolongados da Província de Ont ário prom overam um a reunião regional dos Observat órios de Recursos Hum anos em Saúde, em out ubro de 2005, em Toront o, com o propósit o de unir os países das Am éricas em t orno de um com prom isso com um : a prom oção dos recursos hum anos em saúde. Nest a r eunião pr oduziu- se o denom inado Ch a m a d o à Açã o d e Tor on t o par a um a Década de Recursos Hum anos em Saúde ( 2006- 2015) .
Trata- se de iniciativa que pretende congregar atores de setores distintos da sociedade que, m obilizados, contribuam para um esforço conj unto de longo prazo em prol da valorização, desenvolvim ento e fortalecim ento dos r ecu r sos h u m an os da saú de n a Região das Am ér icas. En t en de- se assim t ais t r abalh ador es com o os protagonistas do funcionam ento e da evolução do sistem a de saúde, rum o à crescente e constante qualificação do sistem a de saúde. Para que esta iniciativa produza im pacto político e social na região, um dos consensos é que se est im ule a am pla dissem inação de seus propósit os( 2- 4).
Muito m ais do que um plano para um a década, o apêlo à ação prevê que esforços sustentados resultem no desenvolvim ent o, form ação e valorização dos Recursos Hum anos da Saúde.
A visão que se tem é a de que até 2015 cada país tenha tido um significativo progresso no alcance de suas m etas de saúde assentada no desenvolvim ento da sua força de trabalho, que constitui a base do sistem a de saúde.
Os recursos hum anos de enferm agem part icipam de m odo efet ivo da dinâm ica do poder na saúde, at uando de m odo a facilit ar e pot encializar obj et ivos sanit ários nacionais e regionais, cont ribuindo de form as diversas para o alcance das m etas de oferta de saúde para todos( 5). Há falta de disponibilidade de enferm eiras
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Rev Latino- am Enferm agem 2006 m aio- j unho; 14( 3) : 303- 4www.eerp.usp.br/ rlae Sist em as de saúde em busca...
Mendes I AC, Mar ziale MHP.
in ad eq u ad as d e t r ab alh o e d e in t eg r ação d est es p r of ission ais aos ser v iços, con cor r en d o p ar a g r av es conseqüências par a a qualidade e abr angência da at enção em saúde. Sem um cont ingent e suficient e de profissionais de enferm agem haverá falência dos sist em as de saúde e fracasso no alcance dos Obj et ivos do Milênio( 6- 7).
Com o desem penho de um papel indut or do Minist ério da Saúde, em conexão com o Minist ério da Educação, o Brasil avança na im plem entação de program as que direcionem e sustentem o processo de m udança pró operacionalização do Sist em a Único de Saúde at ravés de seus recursos hum anos. No conj unt o de ações e pr ogr am as de inv est im ent o nas pessoas, é de se r essalt ar o Pr ó- Saúde que v isa r eor ient ar o pr ocesso de for m ação, est abelecer m ecanism os de int egr ação e cooper ação ent r e gest or es do SUS e as inst it uições de ensino superior ( at é o m om ent o especialm ent e cursos de enferm agem , m edicina e odont ologia) e am pliar a duração da prát ica educacional na rede pública de serviços básicos de saúde( 8). Ao favorecer e prom over um a
ef et iv a in t er ação en t r e in st it u ições f or m ador as de Recu r sos Hu m an os e os pr ópr ios ser v iços de saú de, convergindo o ensino para a realidade do t rabalho na saúde, os at ores envolvidos exercit am e incorporam os princípios de eqüidade, da universalidade do acesso e de int egralidade das ações.
Na est eira e nos reflexos do m encionado program a, est á um a dent re m uit as possibilidades de invest ir, valorizar e desenvolver recursos hum anos da saúde de m odo geral e de Enferm agem em part icular.
REFERÊNCI AS BI BLI OGRÁFI CAS
1. Pan Am er ican Healt h Or ganizat ion. St r at egic or ient at ions and pr ogr am pr ior it ies: 1991- 1994. Washingt on ( DC) : PAHO; 1 9 9 1 .
2 . Men des I AC, Mar ziale MHP. Década de r ecu r sos h u m an os em saú de: 2 0 0 6 - 2 0 1 5 . Rev Lat in o- am En f er m agem 2 0 0 6 j aneir o- fev er eir o; 14( 1) : 1- 2.
3. Rigoli F, Rocha CF, Fost er AA. Desafios cr ít icos dos r ecur sos hum anos em saúde: um a v isão r egional. Rev Lat ino- am Enfer m agem 2006 j aneir o- fev er eir o; 14( 1) : 7- 16.
4. Reunião regional dos observat órios de recursos hum anos em saúde ( 2005: Brasília, DF) . Cham ado à ação de Toront o: 2006-2015 r um o a um a década de r ecur sos hum anos em saúde nas Am ér icas. Br asília: Minist ér io da Saúde; 2006. ( Sér ie D. Reuniões e Confer ências) .
5 . Or ganização Mundial da Saúde. Ser v iços de enfer m agem e obst et r ícia: or ient ações est r at égicas 2 0 0 2 - 2 0 0 8 . Genebr a: OMS; 2 0 0 2 .
6. Consej o I nt ernacional de Enferm eras. La iniciat iva del análisis m undial de la enferm ería. La escasez de enferm eras profesionales en el m undo: percepción de problem as y act uaciones. Genebra: CI E; 2004.
7. Malvarez SM, Agudelo MCC. Panoram a de la fuerza de t rabaj o en enferm ería en Am érica Lat ina. Washingt on ( DC) : OPS; 2005. ( Serie Desarrollo de Recursos Hum anos, nº 39) .