216 TST
OUSE PRA GERAL
PROF. THYAGO BERTOLDI (@LABORATORIO.TRABALHISTA)
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Seção Especializada em Dissídios Coletivos
Celebração de acordo em dissídio coletivo faz pedido de abusividade da greve perder o objeto
A celebração de acordo sem ressalvas, com o fim de encerrar movimento paredista, afasta o interesse processual, em dissídio coletivo, de ver declarada a abusividade da greve, configurando a hipótese do artigo 485, inciso VI, do CPC/2015 (extinção do processo sem resolução do mérito por ausência de interesse processual).
(TST. SDC. RO-240-16.2017.5.20.0000, rel. Min. Maurício Godinho Delgado, red. p/ acórdão Min. Aloysio Corrêa da Veiga, julgado em 09.03.2020, Informativo TST nº 216).
O que ocorreu no caso julgado pelo TST?
A empresa Estre Ambiental S.A suscitou dissídio coletivo contra o Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública e Comercial do Estado do Sergipe visando o reconhecimento da abusividade do movimento grevista organizado pelos trabalhadores. Durante o trâmite da ação, no entanto, houve celebração de acordo entre as partes, perante o Ministério Público do Trabalho, para en- cerrar o movimento paredista.
Dissídio coletivo de greve
O dissídio coletivo de greve é aquele que visa ao reconhecimento da abusividade ou legitimi- dade da paralisação coletiva do trabalho. Aqui, à semelhança do dissídio jurídico, a solução do dissídio coletivo não acarreta exercício o Poder Normativo da Justiça do Trabalho, conside- rando que, ao analisar a abusividade do movimento paredista, o Poder Judiciário exerce sua função típica.
O que é greve abusiva?
Considera-se abusiva a greve que é exercida em desconformidade com os preceitos presentes na Lei nº 7.783, de 89. Em resumo, abusiva é a greve contrária à lei (mas evite utilizar o termo
“greve ilegal”).
Procedimento do dissídio coletivo: a conciliação e o julgamento
A representação (petição inicial) será apresentada em tantas vias quanto forem os reclamados, devendo conter a designação e qualificação dos reclamantes e dos reclamados e a natureza do estabelecimento ou do serviço, bem como os motivos do dissídio e as bases da conciliação (CLT, art. 858).
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Recebia a exordial, e estando devidamente instruída, o Presidente do Tribunal designará a audiência de conciliação, no prazo de 10 (dez) dias, determinando a notificação dos dissidentes (CLT, art. 860).
Na audiência designada, comparecendo ambas as partes ou seus representantes, o Presidente do Tribunal as convidará para se pronunciarem sobre as bases da conciliação. Caso não sejam aceitas as bases propostas, o Presidente submeterá aos interessados a solução que lhe pareça capaz de resolver o dissídio (CLT, art. 862).
Havendo acordo, o Presidente do Tribunal o submeterá para homologação na primeira sessão (CLT, art. 863).
Não havendo acordo, ou não comparecendo ambas as partes ou uma delas, o presidente submeterá o processo a julgamento, depois de realizadas as diligências que entender necessárias e ouvido o Ministério Público do Trabalho (CLT, art. 864).
Então, o dissídio coletivo poderá encerrar-se mediante acordo?
SIM! Lembre-se do princípio da conciliação, estampado no artigo 764 da CLT, que estabelece que os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação.
A homologação de transação das partes, vale recordar, é hipótese de resolução de mérito do processo, conforme artigo 487, inciso III, alínea “b”, do CPC.
Nada obsta que este acordo seja celebrado extrajudicialmente, por exemplo, perante o Ministério Público do Trabalho.
Com efeito, o MPT tem como uma de suas metas institucionais a busca pela pacificação dos conflitos coletivos de trabalho, podendo valer-se de uma série de mecanismos com o objetivo de alcançar esses objetivos. No caso analisado, por exemplo, o MPT foi fundamental para que as partes envolvidas no conflito chegassem a um consenso e celebrassem um acordo para pôr fim ao movimento paredista.
No caso analisado, então, se houve acordo, a parte suscitante não teria direito em ver reconhecida a abusividade da greve no dissídio coletivo, correto?
NÃO! A celebração de acordo sem ressalvas, com o fim de encerrar movimento paredista, afasta o interesse processual, em dissídio coletivo, de ver declarada a abusividade da greve, configurando a hipótese do art. 485, VI, do CPC/2015. Assim, não havendo, no acordo entabulado,
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manifestação expressa quanto ao interesse no exame da legalidade da greve, o processo deve ser extinto sem resolução de mérito.
(TST. SDC. RO-240-16.2017.5.20.0000, rel. Min. Maurício Godinho Delgado, red. p/ acórdão Min.
Aloysio Corrêa da Veiga, julgado em 09.03.2020, Informativo TST nº 216).
O interesse processual deve ser analisado, segundo Carlos Henrique Bezerra Leite1, sob a ótica do trinômio necessidade-utilidade-adequação:
INTERESSE PROCESSUAL
Necessidade “A ação para ser apreciada meritoriamente deve ser utilizada quando houver necessidade de intercessão do Estado-juiz para que este possa tutelar o alegado direito vindicado pelo autor”.
Utilidade “A ação também deve ser útil para remediar ou prevenir o mal alegado pelo autor. Isso significa que não será útil se for empregada como mera consulta acadêmica ou instrumento de indagação”.
Adequação “(...) a ação deve ser adequada a propiciar algum resultado útil ao autor”.
Assim, findo o movimento paredista mediante acordo entre as partes, não haveria sentido em prosseguir o dissídio coletivo para reconhecimento da abusividade do movimento grevista:
não há mais necessidade ou utilidade nessa declaração. Portanto, o processo deve ser julgado extinto sem julgamento do mérito.
O julgamento foi unânime?
NÃO! Foram vencidos os Ministros Mauricio Godinho Delgado, relator, Lelio Bentes Corrêa, Guilherme Augusto Caputo Bastos e Kátia Magalhães Arruda, os quais entendiam que, por ser o movimento grevista capaz de causar repercussões em relações da empresa empregadora com outras entidades, subsistia o interesse de agir, devendo a matéria ser apreciada pelo Poder Judiciário.
Como foi veiculado no informativo?
Dissídio Coletivo de Greve. Declaração de abusividade. Formalização de acordo perante o MPT. Fim do movimento paredista. Inexistência de ressalva quanto ao interesse na análise de abusividade da greve. Perda do objeto. Ausência de interesse processual. Art. 485, VI, do CPC.
A celebração de acordo sem ressalvas, com o fim de encerrar movimento paredista, afasta o interesse processual, em dissídio coletivo, de ver declarada a abusividade da greve, configurando a hipótese do art. 485, VI, do CPC/2015. Assim, não havendo, no acordo entabulado, manifestação expressa quanto ao interesse no exame da legalidade da greve, o processo deve
1 LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. 17. ed. Saraiva: São Paulo, 2019, p. 431.
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ser extinto sem resolução de mérito. Com base nesse entendimento, a SDC, por maioria, ao analisar questão preliminar, decidiu pela extinção do processo, sem resolução de mérito, ante a incompatibilidade da pretensão de declaração de abusividade da greve com a celebração de acordo entre as partes. Vencidos os Ministros Mauricio Godinho Delgado, relator, Lelio Bentes Corrêa, Guilherme Augusto Caputo Bastos e Kátia Magalhães Arruda, os quais entendiam que, por ser o movimento grevista capaz de causar repercussões em relações da empresa empregadora com outras entidades, subsistia o interesse de agir, devendo a matéria ser apreciada pelo Poder Judiciário. TST-RO-240-16.2017.5.20.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, red. p/
acórdão Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 9.3.2020.
Subseção I Especializada em Dissídios Individuais
O descumprimento da cota de aprendizes é suficiente à configuração do dano moral coletivo
O descumprimento pela empresa do percentual mínimo de contratação de aprendizes, prevista no artigo 429 da CLT, mostra-se suficiente à configuração do dano moral coletivo, sendo despiciendo comprovar a repercussão do ato ilícito na consciência coletiva do grupo social.
A regularização desse percentual de contratação pela empresa, após o ajuizamento da ação ou do inquérito proposto pelo Ministério Público do Trabalho, não extingue o feito sem julgamento de mérito, tampouco descaracteriza o dano imaterial coletivo decorrente do descumprimento da cota de aprendizes, visto que já caracterizada a lesão à coletividade.
(TST. SDI-I. E-RR-822-68.2011.5.23.0056, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, julgado em 12.02.2020, Informativo TST nº 216).
O que ocorreu no caso julgado pelo TST?
Cinge-se a questão acerca da necessidade de persistência da violação à legislação (na espécie, descumprimento da cota de aprendizes) para configuração de dano moral coletivo, notadamen- te quando há regularização da situação no curso da ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho.
Ação Civil Pública
“A ação civil pública tem como objeto a defesa de todas as espécies de direitos ou interesses metaindividuais e a consequente postulação de condenação do ofensor no pagamento de uma indenização e/ou para o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”2. No Brasil, a ação civil pública é disciplinada, majoritariamente, pela Lei nº 7.347, de 1985.
2 CAIRO JR., José. Curso de Direito Processual do Trabalho. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 1197.
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Hipóteses de cabimento da ação civil pública
O artigo 1º da Lei nº 7.347, de 1985, estabelece que a ação civil pública terá por objeto a res- ponsabilização por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, à ordem urbanística, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, ao patrimônio público e social, a qualquer outro interesse difuso ou coletivo ou por infração à ordem econômica.
Especificamente na Justiça do Trabalho, nos moldes do artigo 83, inciso III, da LC nº 75, de 1993, a ação civil pública é cabível para a defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos.
Cota legal para contratação de aprendizes
Nos termos do artigo 429 da CLT, os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem número de apren- dizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos trabalha- dores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional. A norma encerra importante política pública, possibilitando que indivíduos, em início de sua vida profissional, consigam colocação no mercado de trabalho.
Então, o desrespeito a essa norma autoriza a condenação da transgressora em danos morais coletivos?
SIM! O descumprimento pela empresa do percentual mínimo de contratação de aprendizes, prevista no artigo 429 da CLT, mostra-se suficiente à configuração do dano moral coletivo, sen- do despiciendo comprovar a repercussão do ato ilícito na consciência coletiva do grupo social.
(TST. SDI-I. E-RR-822-68.2011.5.23.0056, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, julgado em 12.02.2020, Informativo TST nº 216).
Dano moral coletivo
O dano moral é a lesão a direitos da personalidade.
Já o dano moral coletivo é o resultado de toda ação ou omissão lesiva contra o patrimônio, material ou imaterial, de coletividade, incluídas no conceito as gerações futuras. O instituto não se confunde com os danos sociais, assim entendidas aquelas lesões à sociedade, no seu nível de vida, tanto por rebaixamento de seu patrimônio moral – principalmente a respeito da segurança – quanto por diminuição na qualidade de vida, que podem gerar impactos materiais ou morais.
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Mas se a empresa regularizar a situação posteriormente ao ajuizamento da ação pelo Ministério Público do Trabalho, mesmo assim ainda há dano moral coletivo?
SIM! A regularização desse percentual de contratação pela empresa, após o ajuizamento da ação ou do inquérito proposto pelo Ministério Público do Trabalho, NÃO extingue o feito sem julgamento de mérito, tampouco descaracteriza o dano imaterial coletivo decorrente do descumprimento da cota de aprendizes, visto que já caracterizada a lesão à coletividade.
(TST. SDI-I. E-RR-822-68.2011.5.23.0056, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, julgado em 12.02.2020, Informativo TST nº 216).
Assim, em resumo, neste julgado, o TST definiu:
O descumprimento pela empresa do percentual mínimo de contratação de aprendizes, prevista no artigo 429 da CLT, mostra-se suficiente à configuração do dano moral coletivo, sendo despiciendo comprovar a repercussão do ato ilícito na consciência coletiva do grupo social.
A regularização desse percentual de contratação pela empresa, após o ajuizamento da ação ou do inquérito proposto pelo Ministério Público do Trabalho, NÃO extingue o feito sem julgamento de mérito, tampouco descaracteriza o dano imaterial coletivo decorrente do descumprimento da cota de aprendizes, visto que já caracterizada a lesão à coletividade.
O julgamento foi unânime?
NÃO! Foram vencidos os Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi e Márcio Eurico Vitral Amaro.
Como foi veiculado no informativo?
Ação civil pública. Dano imaterial coletivo. Descumprimento da cota de aprendizes. Art. 429 da CLT. Regularização posterior ao ajuizamento da ação pelo MPT. Irrelevância. Lesão à coletivida- de já caracterizada. Embargos desprovidos. Quantum indenizatório. Divergência jurispruden- cial. Não conhecimento.
O descumprimento pela empresa do percentual mínimo de contratação de aprendizes, prevista no art. 429 da CLT, mostra-se suficiente à configuração do dano moral coletivo, sendo despiciendo comprovar a repercussão do ato ilícito na consciência coletiva do grupo social. A regularização desse percentual de contratação pela empresa, após o ajuizamento da ação ou do inquérito proposto pelo Ministério Público do Trabalho, não extingue o feito sem julgamento de mérito, tampouco descaracteriza o dano imaterial coletivo decorrente do descumprimento da cota de aprendizes, visto que já caracterizada a lesão à coletividade. Com esse entendimento, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu do recurso de embargos apenas quanto à configuração do
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dano imaterial coletivo decorrente do descumprimento da cota de aprendizes, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, por maioria, negou-lhe provimento, vencidos os Exmos. Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Márcio Eurico Vitral Amaro e Alexandre Luiz Ramos. No tocante ao valor da indenização, com base no entendimento majoritário da Subseção de que é inviável a aferição de especificidade dos arestos paradigmas nas hipóteses em que se discute o valor arbitrado a título de indenização por danos morais, a SBDI-I, por maioria, não conheceu do recurso de embargos e manteve a condenação da reclamada ao pagamento de indenização por dano imaterial coletivo no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Vencidos os Exmos. Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi e Márcio Eurico Vitral Amaro. TST-E-RR-822-68.2011.5.23.0056, SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 12.3.2020.
Intervalo de recuperação térmica deve ser concedido em caso de exposição intermitente à ambiente artificialmente frio
A concessão do intervalo de vinte minutos previsto no artigo 253 da CLT prescinde do labor contínuo por uma hora e quarenta minutos no interior de câmara frigorífica, sendo sufi- ciente a exposição do trabalhador à variação de temperatura decorrente da movimentação de um ambiente (quente/normal) para o outro (frio) durante esse período.
(TST. SBDI-I. Ag-E-RR-10257-87.2015.5.01.0040, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, julgado em 12.03.2020, Informativo TST nº 216).
O que ocorreu no caso julgado pelo TST?
A discussão do caso está acerca da necessidade de, para a concessão do intervalo de recupe- ração térmica do artigo 253 da CLT, que a movimentação entre o ambiente quente/normal e o frio deve ser de maneira permanente/contínua pelo período de uma hora e quarenta minutas.
Intervalo de recuperação térmica
O artigo 253 da CLT estabelece que, para os empregados que trabalham no interior das câma- ras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 (uma) hora e 40 (quarenta) minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 20 (vinte) minutos de repouso, computado esse intervalo como de trabalho efetivo.
O intervalo de recuperação térmica, então, é uma hipótese de intervalo intrajornada remunerado.
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PRINCIPAIS INTERVALOS REMUNERADOS NA CLT (Mnemônico: “DAMA”)
D igitadores (a cada 90 minutos de trabalho, descansam 10 minutos) A mbiente frio (a cada 100 minutos de trabalho, descansam 20 minutos) M ineração em subsolo (a cada três horas de trabalho, descansam 15 minutos) A mamentação (dois intervalos de meia hora)
Segundo o entendimento do TST, o empregado submetido a trabalho contínuo em ambiente artificialmente frio, ainda que não labore em câmara frigorífica, tem direito ao intervalo intrajornada previsto no caput do artigo 253 da CLT (Súmula 438 do TST).
Aqueles que trabalham de forma intermitente em ambientes frios tem direito ao intervalo de recuperação térmica?
SIM! A concessão do intervalo de vinte minutos previsto no artigo 253 da CLT prescinde (não precisa) do labor contínuo, por uma hora e quarenta minutos, no interior de câmara frigorífica, sendo suficiente a exposição do trabalhador à variação de temperatura decorrente da movimentação de um ambiente (quente/normal) para o outro (frio) durante esse período.
(TST. SBDI-I. Ag-E-RR-10257-87.2015.5.01.0040, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, julgado em 12.03.2020, Informativo TST nº 216).
Mas o dispositivo fala em “trabalho contínuo”...
TUDO BEM! Ocorre que, para o TST, a continuidade de que tratam o artigo 253 da CLT e a Súmula 438 do TST se refere apenas ao tempo a ser considerado para a concessão do intervalo para recuperação térmica, não sendo necessário, para esse fim, que o empregado trabalhe 1 hora e 40 minutos em exposição contínua ao agente frio. Dessa forma, assegura-se aos empregados que trabalham em ambiente artificialmente frio, ainda que de forma intermitente, o direito ao referido intervalo.
E qual a consequência da não concessão desse intervalo?
O intervalo de recuperação térmica, embora remunerado, é uma espécie de intervalo intrajornada. Assim, caso o empregador não o conceda ao empregado regularmente fica sujeito à penalidade prevista no artigo 71, §4º, da CLT: a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho.
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O julgamento foi unânime?
NÃO! Vencidos os Ministros Breno Medeiros e Alexandre Luiz Ramos.
Como foi veiculado no informativo?
Intervalo para recuperação térmica. Ambiente artificialmente frio. Exposição intermitente.
Artigo 253 da CLT.
A concessão do intervalo de 20 minutos previsto no artigo 253 da CLT prescinde do labor contínuo, por 1 hora e 40 minutos, no interior de câmara frigorífica, sendo suficiente a exposição do trabalhador à variação de temperatura decorrente da movimentação de um ambiente (quente/normal) para o outro (frio) durante esse período. A continuidade de que tratam o art.
253 da CLT e a Súmula 438 do TST se refere apenas ao tempo a ser considerado para a concessão do intervalo para recuperação térmica, não sendo necessário, para esse fim, que o empregado trabalhe 1 hora e 40 minutos em exposição contínua ao agente frio. Dessa forma, assegura-se aos empregados que trabalham em ambiente artificialmente frio, ainda que de forma intermitente, o direito ao referido intervalo. Sob esse fundamento, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu do agravo, e, no mérito, por maioria, negou-lhe provimento, ficando mantida a condenação da reclamada ao pagamento de vinte minutos a cada uma hora e quarenta minutos trabalhados, a serem pagos com o percentual de 50% previsto no § 4º do art. 71 da CLT. Vencidos os Ministros Breno Medeiros e Alexandre Luiz Ramos. TST-Ag-E-RR-10257-87.2015.5.01.0040, SBDI-I, rel. Min.
Hugo Carlos Scheuermann, 12.3.2020.
É possível a imposição de tutela inibitória de proibição de fundar, criar, gerenciar ou participar de qualquer outra cooperativa fraudulenta em ação civil pública IMPORTANTE: MPT!
É possível a imposição de tutela inibitória em ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho para coibir que os reclamados fundem, criem, gerenciem ou participem de qualquer cooperativa fraudulenta, não implicando em afronta aos direitos constitucionais de liberdade de associação e de presunção de inocência.
(TST. SBDI-I. Ag-E-RR-163400-88.2009.5.02.0037, rel. Min. Maria Cristina Irigoven Peduzzi, red.
p/ acórdão Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 12.03.2020, Informativo TST nº 216).
O que ocorreu no caso julgado pelo TST?
No caso, o Ministério Público do Trabalho ajuizou Ação Civil Pública para obter a reparação de lesão aos direitos coletivos de trabalhadores contratados de forma fraudulenta em intermediação de mão de obra. Desde a sentença, mantida pelo TRT e pela 5ª Turma do TST, reconheceu-se a configuração do dano moral coletivo, com a condenação solidária ao
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pagamento de indenização, além da imposição de que a cooperativa não mais forneça mão de obra a terceiros. Contudo, foi rejeitada a pretensão do MPT de que, por meio de obrigação de não fazer, fossem os réus, pessoas físicas, impedidos de “fundar, criar, participar de, gerenciar, administrar qualquer outra sociedade cooperativa que tenha por objeto o fornecimento e a intermediação de mão-de-obra, e cujas atividades estejam fora da hipótese prevista no artigo 4° da Lei 5.764/71”.
A questão discutida nos autos gira em torno da possibilidade (ou não) de concessão dessa tutela inibitória.
Ação civil pública
“A ação civil pública tem como objeto a defesa de todas as espécies de direitos ou interesses metaindividuais e a consequente postulação de condenação do ofensor no pagamento de uma indenização e/ou para o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”3. No Brasil, a ação civil pública é disciplinada, majoritariamente, pela Lei nº 7.347, de 1985.
Hipóteses de cabimento da ação civil pública
O artigo 1º da Lei nº 7.347, de 1985, estabelece que a ação civil pública terá por objeto a res- ponsabilização por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, à ordem urbanística, à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, ao patrimônio público e social, a qualquer outro interesse difuso ou coletivo ou por infração à ordem econômica.
Especificamente na Justiça do Trabalho, nos moldes do artigo 83, inciso III, da LC nº 75, de 1993, a ação civil pública é cabível para a defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos.
Tutela inibitória
Prevista no artigo 497, p. único, do CPC, a tutela inibitória visa evitar a prática, a reiteração ou a continuidade de um ilícito.
No caso analisado, por que ela seria necessária?
O caso diz respeito ao uso ilegal de uma cooperativa para simples fornecimento de mão de obra a terceiros. O objetivo essencial da cooperativa é satisfazer as necessidades econômicas e sociais de seus membros, e não o lucro. Essas entidades são criadas para prestar serviços aos cooperados, realizando negócios com terceiros em benefício de seus integrantes.
3 CAIRO JR., José. Curso de Direito Processual do Trabalho. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 1197.
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No Brasil, o regramento das cooperativas está na Lei nº 5.764, de 1971, e na Lei nº 12.690, de 2012.
E, segundo o artigo 5º da Lei nº 12.690, de 2012, a cooperativa NÃO pode ser utilizada para intermediação de mão de obra subordinada.
O objetivo do MPT, então, era que as pessoas responsáveis pela cooperativa se abstivessem de utiliza-la para esses fins ilegais?
ISSO! Inclusive, com o objetivo de fazer com que não ocorressem outras violações ao disposto no artigo 5º da Lei nº 12.690, de 2012, o MPT formulou pedido de tutela inibitória proibindo que os reclamados fundassem, criassem, participassem de, gerenciassem ou administrassem qualquer outra sociedade cooperativa que tenha por objeto o fornecimento e a intermediação de mão-de-obra.
Até chegar no TST, porém, esse pedido tinha sido sucessivamente indeferido por ser considera- do contrário aos princípios constitucionais da liberdade de associação e da presunção de ino- cência.
O TST concordou com essa tese?
NÃO! É possível a imposição de tutela inibitória em ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho para coibir que os reclamados fundem, criem, gerenciem ou participem de qualquer cooperativa fraudulenta, não implicando em afronta aos direitos constitucionais de liberdade de associação e de presunção de inocência.
(TST. SBDI-I. Ag-E-RR-163400-88.2009.5.02.0037, rel. Min. Maria Cristina Irigoven Peduzzi, red. p/
acórdão Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 12.03.2020, Informativo TST nº 216).
A concessão da tutela inibitória pleiteada tem apenas o escopo de coibir ou prevenir futuras condutas lesivas à ordem jurídica, não implicando afronta aos direitos constitucionais de liberdade de associação e de presunção de inocência, sobretudo, porque a proibição restringe- se à constituição de sociedade cooperativa fraudulenta.
O julgamento foi unânime?
NÃO! Foram vencidos os Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, relatora, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Marcio Eurico Vitral Amaro, Alexandre Luiz Ramos e João Batista Brito Pereira
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Como foi veiculado no informativo?
Ação civil pública. Tutela inibitória. Prevenção de nova ocorrência do ilícito. Obrigação de não fazer. Proibição de fundar, criar, gerenciar ou participar de qualquer outra cooperativa fraudulenta. Possibilidade.
No caso, o Ministério Público do Trabalho ajuizou Ação Civil Pública para obter a reparação de lesão aos direitos coletivos de trabalhadores contratados de forma fraudulenta em intermediação de mão de obra. Desde a sentença, mantida pelo TRT e pela 5ª Turma do TST, reconheceu-se a configuração do dano moral coletivo, com a condenação solidária ao pagamento de indenização, além da imposição de que a cooperativa não mais forneça mão de obra a terceiros. Contudo, foi rejeitada a pretensão do MPT de que, por meio de obrigação de não fazer, fossem os réus, pessoas físicas, impedidos de “fundar, criar, participar de, gerenciar, administrar qualquer outra sociedade cooperativa que tenha por objeto o fornecimento e a intermediação de mão-de-obra, e cujas atividades estejam fora da hipótese prevista no artigo 4°
da Lei 5.764/71”. A SBDI-I, por maioria de votos, reformou o acórdão embargado, por entender que a concessão da tutela inibitória pleiteada tem apenas o escopo de coibir ou prevenir futuras condutas lesivas à ordem jurídica, não implicando afronta aos direitos constitucionais de liberdade de associação e de presunção de inocência, sobretudo, porque a proibição restringe- se à constituição de sociedade cooperativa fraudulenta. Sob esse fundamento, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos interpostos pelo MPT, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, por maioria, deu-lhes provimento para condenar os sócios-réus na obrigação de não mais fundar, criar, gerenciar, administrar ou participar de qualquer outra sociedade cooperativa que tenha por objeto o fornecimento e a intermediação de mão de obra e cujas atividades não estejam previstas nos artigos 4º da Lei nº 5.764/71, sob pena de multa de R$1.000,00 para cada trabalhador prejudicado pela fraude, revertida ao FAT. Vencidos os Ministros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, relatora, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Marcio Eurico Vitral Amaro, Alexandre Luiz Ramos e João Batista Brito Pereira. TST-Ag-E-RR-163400-88.2009.5.02.0037, SBDI-I, rel. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, red. p/ acórdão Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, 12.3.2020.
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Exercícios de fixação
Com o objetivo de auxiliar na revisão do informativo anterior e fixar o estudo da jurisprudência, a partir do Informativo TST nº 215, irei colocar um pequeno simulado para fixação:
(1) Movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão significativa não caracteriza greve.
(2) A assinatura do advogado em acordo celebrado e homologado judicialmente entre as par- tes, no qual se limitou o pagamento dos honorários advocatícios à modalidade contratual, não é suficiente a comprovar a sua aquiescência quanto à exclusão dos honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julgado, anterior ao aludido acordo.
(3) Considera-se alteração contratual lesiva a adequação textual de anexo de norma regulamentar, mais benéfica ao empregado, mesmo quando em descompasso com o restante do conteúdo do regulamento.
(4) É cabível o manejo de mandado de segurança para impugnar decisões que indeferiram os pedidos de mediação e de reconsideração formulados pelo sindicato impetrante relativa à abstenção de cobranças de honorários advocatícios decorrentes da prestação de assistência judiciária.
(5) Mesmo após a Lei nº 13.467, de 2017 (“Reforma Trabalhista”), a simples afirmação do reclamante de que não tem condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão da justiça gratuita à pessoa natural.
(6) Não há vínculo de emprego entre o motorista parceiro e a Uber, tendo em vista a autonomia no desempenho das atividades do autor, a descaracterizar a subordinação.
(7) O motorista, que ao dirigir sob a influência de álcool e incidir em infração de trânsito, tendo seu direito de dirigir suspenso por um ano no curso do contrato de trabalho, pratica falta grave a autorizar sua dispensa por justa causa.
(8) É possível a correção de erros de cálculo a qualquer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência que não viola a coisa julgada e não está sujeita ao regime da preclusão.
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Gabarito
Todos os julgados foram abordados no Informativo TST nº 215.
1 – V 2 – F 3 – F 4 – F 5 - V 6 – V 7 - V 8 – V